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01/08/2015

DIÁRIO DE BORDO: Herr Schäuble tem razão, mas o mais importante não é a razão dele


Possivelmente vai ser mais um pretexto para vilipendiar Wolfgang Schäuble, o ministro das Finanças da Alemanha. No entanto, Schäuble uma vez mais tem razão ao defender que Comissão Europeia não deveria ter um papel político mas apenas de enforcement da legislação europeia e de supervisão das regras do mercado interno.

Na verdade, a CE é um órgão não eleito cujos membros são nomeados em resultado de cozinhados entre os países dominantes da EU e que tendem a prosseguir os próprios seus interesses como corporação, empurrando os Estados para uma «construção europeia» que dá sentido aos seus lugares e brilho aos seus egos, Construção que tem sido um processo com contradições que foram sendo resolvidas com uma espécie de abordagem maoísta de grandes saltos em frente.

E chegamos assim ao que verdadeiramente interessa e que possivelmente Wolfgang Schäuble, um europeísta convicto («le dernier européen» du cabinet Merkel, palavras de Jürgen Habermas), terá dificuldade em reconhecer. A construção europeia cada vez mais se revela uma perigosa utopia que no passado foi sendo enfiada pela garganta dos eleitorados à custa do lubrificante da ilusão de eterna e crescente prosperidade e do complexo de culpa alemão. Estando a crescente prosperidade comprometida no horizonte visível e em dissipação o complexo de culpa alemão (afinal só os alemães vivos com mais de 90 anos podem ter algum), ganha cada vez mais peso a realidade de 28 países com histórias, culturas e línguas diferentes que no passado se guerrearam frequentemente entre si, com níveis de desenvolvimento muito diferentes.

Essa realidade é incompatível com um Estado único como a história tem demonstrado e ainda mais incompatível com l'air du temps das autonomias e independências - nos últimos 35 anos a União Soviética desintegrou-se em 15 Estados, a Checoeslováquia e a Jugoslávia deram origem a 9 Estados e na Espanha várias regiões e no Reino Unido a Escócia querem a sua independência.

2 comentários:

Antonio Cristovao disse...

Há que colocar na equação o facto (real) de que nenhuma das regioẽs, admite sair ou ser excluida da ....UE!!

Antonio Cristovao disse...

O lirico governo grego, conseguiu que o seu povo viva mais mal, mas na UE, além de fazer perceber aos "coitadinhos" que têm que fazer pela vida e deixar de contar com o dinheiro dos outros(solidariedade), também, fez agitar as mentes, sobre a necessidade de se ir pensando, como vamos continuar esta maravilhosa aventura, que nos transportou até a melhor zona do mundo, para ser pobre, ser diferente e ser livre