Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
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17/10/2024

Não há valores universais. Há os valores ocidentais que apelam à universalidade

Baseado nos World Values Surveys realizados em cada cinco anos que entrevistam dezenas de milhares de pessoas em países de todo o Mundo (130 mil em 90 países no último inquérito), a Economist publicou o ano passado um estudo (*) onde compara os valores predominantes nesses países e a sua evolução entre 1990-98 e 2017-22.

Esses valores são organizados em dois eixos: Tradicional-Secular, onde é avaliada a influência da família e religião e o respeito pela tradição, por um lado, em oposição às crenças não religiosas e ao pensamento mais científico; Sobrevivência-Autoexpressão, onde é avaliado a ligação a um grupo, etnia, nação ou raça, ou seja valores colectivistas, por um lado, em oposição ao individualismo.

Os resultados representados nos diagramas seguintes são muito sugestivos e mostram diferenças notáveis e uma evolução distinta em três décadas, representada nos diagramas seguintes correspondendo os pontos a países individuais.

O primeiro diagrama mostra uma evolução contraditória que esconde a evolução diferente entre as regiões, diferença que os diagramas seguintes confirmam.


Nestes três últimos diagramas torna-se visível que a evolução entre 1990-98 e 2017-22 foi muito diferente nos três conjuntos de países: Língua inglesa/Protestantes que se tornaram mais seculares; Ortodoxos que se tornaram mais tradicionais e Latino Americanos que se tornaram ligeiramente menos tradicionais e menos colectivistas.

No diagrama seguinte representa-se a situação actual de três conjuntos de países em três grandes regiões (os inquéritos não abrangeram os países asiáticos).


E a conclusão é que, no conjunto, os valores dominantes na Europa, que os europeus tomam como valores universais, são completamente distintos dos latino-americanos e africanos-islâmicos que têm em comum um forte tradicionalismo, ainda que partilhem em graus muito diferentes os valores colectistas-individualistas, estando os latino-americanos mais próximos dos europeus a este respeito.

___________

Desde há 20 anos que cito regularmente (por exemplo aqui) os estudos do antropólogo holandês Geert Hofstede que comparou as culturas de dezenas de nações, usando um modelo que considera quatro dimensões na cultura dominante de uma sociedade, entre as quais a dimensão individualismo / colectivismo. Desses estudos resultam conclusões compatíveis com e complementares às retiradas dos World Values Surveys.

01/02/2022

O povo falou e disse: queremos mais do mesmo e entre a imitação e o autêntico preferimos o autêntico

O povo falou e cada um escutou o que queria ouvir. Eis o que ouvi.

A esquerdalhada comunista e berloquista foi devastada e em dois anos perdeu metade dos seus votos. São os comunistas a caminharem para o caixote do lixo da história e os berloquistas a esgotaram o seu arsenal de causas masturbatórias que nada dizem à maioria de dependentes do Estado. Não se percebe como conseguirão continuar a falar em nome do povo.

O PSD de Rio e o CDS de Chicão, depois de dois mandatos de 6 anos do PS, perderam mais de 400 mil votos em relação à eleição de 2015 com o PSD e o CDS de então desgastados por quatro anos a resgatar o país do desastre socialista. Uma vez mais, o povo preferiu o socialismo de Costa ao socialismo de Rio.

IL, um agregado instável composto por linces da Serra da Malcata (*), genuínos apreciadores da liberdade, e por pragmáticos e diletantes que na verdade gostariam principalmente de pagar menos IRS, conseguiu mais votos do que as tribos que compõem a esquerdalhada e falam em nome do povo. Desconfio que fez o pleno.   

Chega, outro agregado instável, composto por genuínos cultores de Deus, Pátria e Família, que têm esperança que as bandeiras dos ciganos, da castração e da prisão perpétua sejam apenas concessões passageiras para mobilizar as massas, que eles imaginam patrióticas, e pelas mentes simples que só entendem ideias simples, muito carecidas de objectos para o seu ódio. Suspeito que também tenha feito o pleno.

Finalmente, os grandes vencedores destas eleições, o PS e o Dr. Costa que interpretaram que o povo, isto é o eleitorado do Partido do Estado, quer sopas e descanso, prefere a mansidão da decadência à turbulência das "reformas" e dos "mercados" e espera que o Dr. Costa, agora livre da geringonça, consiga com as suas habilidades extorquir à Óropa e aos ricos os dinheiros necessários para manter o statu quo.

E depois? E depois ainda não é o fim da história porque o socialismo na jangada de pedra suspende-se quando acaba o dinheiro de Bruxelas, o mais tardar por alturas do fim da bazuca que, por coincidência, é o fim do mandato do Dr. Costa. Um mandato durante o qual terá um PCP a fazer prova de vida nas greves e na rua, um BE a zumbir nas redacções onde pontifica e um clima económico que só pode ser pior do que desfrutou e não aproveitou. Vejamos qual o coelho que ele vai tirar da cartola para se irresponsabilizar.

Et voilà.

(*) Passaram muitos anos desde pela primeira vez comparei a raridade das criaturas apreciadoras da liberdade à dos linces da Serra da Malcata neste Portugal dos Pequeninos onde, como escreveu Alçada Baptista, não faltam libertinos, demagogos ou ultramontanos e onde tudo chega tarde, desde o comunismo em 1975, quando já estava moribundo, até ao liberalismo no presente quando já está entre parêntesis nas democracias avançadas onde agora o Estado omnipresente retoma a sua proeminência.

19/06/2021

Em matéria de corrupção, o Portugal dos Pequeninos é como uma espécie de ex-satélite da União Soviética


Se em matéria de gosto pelas liberdades já se tinha visto que o Portugal dos Pequeninos (PdP) poderia ser considerado como uma espécie de ex-satélite da União Soviética, a mesma conclusão temos de retirar da posição do PdP no ranking dos 27 países europeus considerados no estudo CITIZENS’ VIEWS AND EXPERIENCES OF CORRUPTION da Transparência Internacional.


  • Aumento da corrupção nos últimos 12 meses

Com 41% de pessoas que consideram ter aumentado a corrupção, o PdP é 6.º país apenas ultrapassado pelo Chipre e quatro ex-satélites

  • Corrupção do governo

Com 88% de pessoas que consideram ser este um grande problema, o PdP é o 4.º país, apenas ultrapassado pelo Chipre e dois ex-satélites

  • Utilização de relações pessoais para ter acesso aos serviços públicos

Com 48% de pessoas que usaram relações pessoais nos últimos 12 meses, o PdP é o 2.º país apenas ultrapassado pela República Checa

  • Controlo do governo por interesses privados

Com 63% de pessoas que consideram existir esse controlo, o PdP é o 8.º país apenas ultrapassado pelo Chipre e a Espanha e cinco ex-satélites

  • Receio de retaliação por denunciar a corrupção

Com 58% de pessoas que têm esse receio, o PdP é 7.º país apenas ultrapassado pela Itália e cinco ex-satélites.

Qed.

13/06/2021

Em matéria de gosto pelas liberdades, o Portugal dos Pequeninos é como uma espécie de ex-satélite da União Soviética

Esclarecendo a dúvida anterior

Expresso

Repare-se como 14 anos de socialismo em 21 anos foram suficientes para reduzir os refractários à autocracia de 50% para 37% e, principalmente, registe-se como a aceitação da autocracia nos coloca próximos de satélites da União Soviética para onde a jangada de pedra poderia sem grande problema ter sido rebocada. Encontra-se assim outra explicação para o Portugal dos Pequeninos ser o único país europeu com um partido comunista que venera o estalinismo e participa das soluções de governação.

Qed.

11/06/2021

Dúvidas (310) - 37%? Tantos?

Observador

Qual é a surpresa? Repare-se a conformidade da maioria com o diktat socialista, note-se que o Portugal dos Pequeninos é o único país europeu com um partido comunista que venera o estalinismo e participa das soluções de governação, lembre-se que é igualmente o único país europeu com uma maioria constituída por partidos de esquerda não democratas ou de democracia duvidosa. Nada de novo, há cinco décadas António Alçada Baptista já o tinha percebido:
«Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.»

03/04/2021

Costa ganha pontos no combate dos pequenos chefes do Portugal dos Pequeninos

DN

É certo que é uma amostra pequena, mas a diferença é tão grande e cada vez maior que deixa poucas dúvidas sobre abismo da vantagem crescente de Costa sobre Rio. Se Ortega y Gasset ainda por aqui andasse e se desse ao trabalho de comentar o combate dos pequenos chefes do Portugal dos Pequeninos, poderia dizer que as habilidades do urbanita Costa levam vantagem sobre o caciquismo mental e regional de Rio e que a circunstância da pandemia potencia a tendência medrosa e colectivista dos aborígenes para se renderam aos poderes instalados. Não certamente por acaso, uma ditadura mansa reinou quase sem oposição durante mais tempo do que a vida do regime actual.

06/09/2020

ROAD TO SERFDOM: "The Covid trap: will society ever open up again?"

 «The great pandemic of 2020 has led to an extraordinary expansion of government power. Countries rushed to close their borders and half of the world’s population were forced into some sort of curfew. Millions of companies, from micropubs to mega corporations, were prohibited from carrying on business. In supposedly free and liberal societies, peaceful strollers and joggers were tracked by drones and stopped by policemen asking for their papers. It’s all in the name of defeating coronavirus; all temporary, we’re told. But it’s time to ask, just how temporary? As Milton Friedman used to warn: ‘Nothing is so permanent as a temporary government programme.’ (...)

These protectionist reactions to the Covid crisis are the result of a fundamental mismatch between our stone-age brains and the nature of the modern world. Instinctively rushing to put up or defend the perimeter and kill strangers made sense when the threat was a raiding band — but now?

H.L. Mencken once joked that the goal of much of practical politics is to keep the populace alarmed and hence clamouring for safety. He was referring to a human instinct. When we feel threatened, the danger often triggers a ‘fight or flight’ reaction, which makes us want to pick fights with scapegoats or foreigners or to hide behind walls or tariff barriers. And we start looking for the big man (or, in Scotland’s case, woman) to keep us safe. After that, few people want to be an outsider, a critic, a troublemaker. Those who protest against measures taken in the name of national safety are quickly shouted down. 

But now that we’ve engaged in this massive experiment of shutting down societies and economies, surely we need a frank discussion about its merits and about whether these instincts are appropriate in a complex global economy. The enemy, after all, is a virus, not a raiding band. We shouldn’t bat away outsiders but co-operate with them in accumulating knowledge and producing solutions. (...)

How extreme will this backlash against globalisation be? From the early days of the pandemic, nativist populists were quick to argue the only way to defeat the virus was to fundamentally undermine the liberal order. Steve Bannon, a historically minded nativist, understood that a total war against the virus could usher in a new isolationist era without trade and migration. ‘Take draconian action,’ he said on his podcast in March. ‘Shut it all down.’

Even if the Covid crisis does not mean the end of globalisation, it seems inevitable that we will see greater government powers and more protectionist tendencies throughout the western world. Perhaps Britain will end up with a Brexit deal a lot less globally minded than some of its advocates imagined. The pandemic may shuffle the UK alongside Europe into a revived 1970s-style industrial policy that will reduce competitive pressure, innovation and growth. We could end up with an expansion of government size and its ‘temporary’ powers may end up permanent. Cities may live under threat of lockdown for some time. As Robert Higgs noted in his classic 1987 analysis of government expansion, Crisis and Leviathan, there is a ratchet effect. After the crisis has passed, governments yield some of their new powers, but not all. New measures set a new precedent and create new powerful constituencies. Look, for example, at the arguments to keep the furlough scheme beyond October.

And this is likely to be the case even if politicians want to return to normal. But many don’t. Why would they? When Orbán took emergency powers in June, it was underreported that at the same time he got parliament to grant him powers to impose a state of emergency if he identifies another public health threat.

But hang on, you might say, we’re living in unprecedented times — as politicians love to tell us — and they call for unprecedented action. But this pandemic is small by historical standards. Even now, the global number of deaths from Covid-19 is still lower than from the Hong Kong flu of 1968. But there was no lockdown, no mass school closures, nor did we throw ancient civil and economic liberties overboard. What’s new, this time, is our reaction, not the virus. Sooner or later we will face a worse pandemic or another devastating crisis. What would we be willing to sacrifice then?»

The Covid trap: will society ever open up again? A ‘temporary’ expansion of government power is hard to reverse, Johan Norberg

23/08/2020

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: Devotos da submissão

«Não ocorre por um instante a estes devotos da submissão que as regras que postulam a utilização da máscara foram evoluindo, para a frente e para trás, de acordo com alucinações diversas – e com a capacidade de socialistas criarem empresas para importar o pechisbeque. E os devotos da submissão não se lembram de questionar decretos produzidos pelos exactos génios que, em sete meses de “pandemia”, deixaram os velhos nos “lares” entregues ao abandono e, desculpem a redundância, ao PS. E os devotos da submissão não duvidam da propaganda espalhada por “media” ligados à vida por subsídios governamentais. E os devotos da submissão não ligam às opiniões de especialistas que desaconselham a máscara e, em caso de hereges terminais, desvalorizam a covid. Os devotos da submissão não questionam coisa nenhuma, nem sequer as excepções abertas para que comunistas festejem o estalinismo, pasmados aplaudam comediantes, o dr. Costa assista à bola e o prof. Marcelo finja resgatar banhistas em apuros. Os devotos da submissão limitam-se a obedecer às mais absurdas directivas a propósito dos mais absurdos pretextos. O curioso é que os devotos da submissão julgam que os indivíduos sem açaime os ameaçam com um vírus gripal, e não reparam que eles é que nos condenam a todos ao vírus da tirania, que parecendo que não é ligeiramente pior.»

Baile de máscaras, Alberto Gonçalves no Observador

Caminho para a Servidão, nome com que baptizei esta série de posts há mais de uma década foi inspirado na obra de Friedrich Hayek de 1944. Decorridos estes anos, talvez deva alterar o nome para simplesmente Servidão.

29/05/2020

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Um Estado a quem o país serve

«O eleitorado precisa de o compreender, sabendo que acabará sempre por pagar um custo tanto mais elevado quanto mais persistir em acreditar que poderes superiores resolverão todos os problemas, poupando-o à "austeridade". Aí, porém, estamos perante a exigência da mais difícil das reformas - a cultural - num país que há séculos depende de um Estado hegemónico, que se habituou a servir e, quando possível, iludir.»

Teodora Cardoso, no Jornal de Negócios

20/05/2020

Adivinhe quem são os "europeus excepcionalmente preparados" para lidar com a pandemia

«Estudos mostram consistentemente que os residentes do noroeste da Europa confiam muito nos seus governos e concidadãos, enquanto os no sul e leste da Europa não confiam. Quando a World Values Survey pergunta aos suecos se a maioria das pessoas é confiável, mais de 60% respondem sim. Na Itália apenas cerca de 30% o fazem, e na Roménia apenas 7%. Outro estudo, o European Social Survey, pede aos entrevistados que avaliem sua confiança nos políticos numa escala de dez pontos. Em 2018, os holandeses tiveram média de 5,4, os polacos 3,1 e os franceses e alemães no meio. Um em cada oito búlgaros deu a seus políticos um zero.

Tais resultados reflectem profundas diferenças socioculturais. A maior confiança correlaciona-se com maior riqueza, menos crime e outras métricas de bem-estar. Também parece influenciar as respostas ao Covid-19. Os países de confiança geralmente implementaram bloqueios menos rigorosos. Em vez de aplicar duramente as regras de distanciamento social, seus governos dependem dos cidadãos para observar as directrizes voluntariamente. Qual método é melhor? A resposta é complicada.»

De seguida, o artigo de onde respiguei os parágrafos precedentes continua referindo um país que vou designar como «País X». Depois de ler os dois parágrafos seguintes tente adivinhar qual é o «País X». 

«Considere o País X, onde uma brutal ditadura (...) seguida por décadas de corrupção deixou os cidadãos desconfiados das instituições e uns dos outros. Incapaz de confiar na boa vontade pública, o governo respondeu ao Covid-19 com um bloqueio severo, declarando estado de emergência mesmo antes da primeira morte oficial do país. São necessárias justificações escritas das razões para sair de casa. De 24 de março a 19 de abril, a polícia emitiu N multas aos incumpridores.

A maioria dos habitantes do País X pratica o distanciamento social (...). As multas não são a única razão. Poucos confiam no sistema de saúde decrépito do país para tratá-los se forem infectados pelo vírus. Alguns lembram a escassez de alimentos na década Y, e foram rápidos a mudar para o modo de crise. O senhor deputado A diz que os  habitantes do País X são "europeus excepcionalmente preparados" para lidar com estas dificuldades

O senhor deputado A também poderia ter dito que os habitantes do país X «são tão disciplinados que a repressão é inútil».

Já adivinhou qual é o País X? Não, não é este. É o outro.

[Excertos de Do low-trust societies do better in a pandemic?]

16/05/2020

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: A liberdade é muito difícil e é pouco apreciada

Depois de uma ditadura frouxa de 48 anos que suprimiu liberdades, um PREC que continuou a suprimir liberdades e quase converteu o país num satélite de Moscovo, depois de 46 anos de um regime democrático tutelado durante a maior do tempo por partidos que não apreciam a sociedade civil e fazem do Estado o alfa e ómega da vida política, só mesmo distraídos não concordariam com a justeza do pensamento de António Alçada Baptista que faz de epígrafe a este blogue:
«Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.»
O que se está a passar com a "guerra" que, com a bênção de Belém, o governo está a conduzir contra a pandemia, com medidas de limitação das liberdades cada vez mais visivelmente injustificadas, aplaudidas pelo jornalismo de causas dominante em quase todas as redacções, que fazem o novo situacionismo das esquerdas ter sonhos de amanhãs que cantam, medidas que são aceites passivamente por uma manada dócil, tudo isto deveria ser suficiente para acordar os últimos distraídos. Deveria, mas não é.

É o que revela mais outra sondagem (a da Intercampus): uma subida de 5 pp para 40,3% do PS, perto da maioria absoluta, acompanhado pelos parceiros da geringonça com 9% e 5,9%, que mantêm a intenção de voto. Com um PS-D transformado em muleta socialista, a oposição fica adjudicada a um Chega que funciona como uma anfetamina da esquerdalhada. Sim, na Gália ocupada pelos romanos há uma aldeia: o Iniciativa Liberal que cresceu mais um pouco, mas os seus 3,2% não dão para ter grandes esperança de inverter o caminho para a servidão que prosseguimos com afinco.

02/06/2019

SERVIÇO PÚBLICO: A esquerdalhada, os fascistas da saúde

«O Bloco e o PCP (e o PAN para lá caminha) são os fascistas da saúde em Portugal. Têm dois objectivos: terminar com a iniciativa privada na saúde, e acabar com a liberdade de escolha dos cidadãos. (...)

O fascismo da saúde não se limita ao ataque ao investimento privado. Também se manifesta no modo como as esquerdas totalitárias querem controlar os hábitos das pessoas, desde a alimentação até actividades como a caça e as touradas.»

Continue a ler «Os fascistas da saúde», João Marques de Almeida no Observador

19/05/2019

16/01/2019

É mais fácil encontrar as caganitas do lince da Serra da Malcata em S. Bento, do que um liberal na Grande Lisboa ou noutras paragens

Político liberal almoçando à borla
«Desde 1910 que ninguém em Portugal se reclama liberal (embora tenham aparecido partidos com essa designação). Os portugueses sempre acreditaram no Estado e temos que reconhecer que o Estado quase sempre se portou melhor do que muitos pensaram (e ainda pensam). E se se puder conciliar o Estado com a Democracia melhor.

Lamento, mas não há ideia liberal que resista cinco minutos entre nós. O único desses partidos novos que tem hipóteses de singrar é a Aliança. Não por ser liberal mas por ser o partido de Santana Lopes (que não é, que se saiba um liberal).

Todos esses partidos ameaçam cair em cima do PSD. Cairão mortos, estou em crer. O personagem principal, seja Rui Rio ou outro qualquer, limpará as penas e, ligeiro, reivindicará o que os portugueses sempre gostaram de ouvir: Estado, mais Estado, muito Estado. Ou, por outras palavras, e como Sá Carneiro dizia: social-democracia hoje e sempre!»

Ricardo Leite Pinto no Jornal Económico

Como perceberá facilmente qualquer freguês que frequente ocasionalmente esta loja (Established since 2003), nós apreciaríamos que o liberalismo numa das suas variadas modalidades tivesse audiência significativa entre os tugas. Porém, as coisas são como são e não como gostaríamos que fossem e é por isso que desde tempos remotos escrevemos coisas como o título deste post.

28/12/2018

Os professores como idiotas úteis das manobras políticas do regime

Entendamo-nos bem, não tenho o propósito de insultar os professores como classe profissional. Tive professores que admirei, tenho professores na minha família e eu próprio já leccionei centenas de horas de cursos profissionais.

Também não tenho o propósito de tratar o problema dos professores sobre o qual apenas refiro que a lengalenga da contagem do tempo de carreira não passa de capa para repor as promoções automáticas e é um equívoco para evitar a verdadeira questão que é os professores, e todos os funcionários públicos, disporem de um sistema de avaliação que distinga o mérito e não os considere colectivamente como um rebanho.

Uso a expressão «idiotas úteis» num sentido semelhante ao usado pelos dirigentes comunistas para designar os jornalistas e intelectuais em geral que propagavam a doutrina comunista e se deixavam instrumentalizar pelo regime tirânico soviético detractando as democracias em que viviam.

Neste caso, os professores serviram de tropa de choque sucessivamente aos socialistas que lhes prometeram a reversão dos direitos adquiridos para abalarem o governo "neoliberal", deixaram-se anestesiar pelos sindicatos comunistas quando ao PC convinha sustentar a geringonça e agora, que o PC receia tornar-se supérfluo se o PS tiver maioria e receia perder terreno para o anarco-sindicalismo via WhatsApp, deixaram-se capturar pelos comunistas e servem-lhes de arma de arremesso via Fenprof.

Como se fosse pouco, estão agora a ser usados por Marcelo nos seus joguinhos com um veto que não veta nada e apenas visar entalar Costa, porque a Marcelo também não convém uma maioria socialista.

07/06/2018

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: RoboCop ao serviço do Partido Comunista Chinês

Depois do crédito social, uma espécie de rating de conformidade dos cidadãos súbditos chineses com as directivas oficiais, o Partido Comunista Chinês, via governo chinês, lança o policiamento robótico.


«Em 2011, Person of Interest da CBS , o cientista da computação Harold Finch constrói um sistema de inteligência artificial chamado “The Machine”, que compila e analisa resmas de dados para prever assassinatos. Finch e o seu ajudante, John, perseguem o perpetrador e impedem o crime. As autoridades de segurança pública na região autónoma chinesa de Xinjiang estão a transformar essa ficção em realidade.

Um gigantesco programa usando dados extraídos de registos de saúde, finanças, operações stop e relatórios da polícia para identificar indivíduos com probabilidade de cometer crimes na região sensível do noroeste da China acaba de ser revelado. Lançado em 2016, a iniciativa de policiamento de “big data” em Xinjiang é uma das muitas iniciativas de aplicação da lei que o país está lançando, aproveitando suas capacidades crescentes nos campos de IA e robótica.

Na Praça da Paz Celestial, em Pequim, os robôs empunhando armas de fogo patrulham multidões de turistas. Os robôs escolhem seu próprio caminho ao longo das rotas designadas mas as armas de imobilização são activadas por um oficial que controla o bot remotamente. Em Zhengzhou, capital da província central de Henan, na China, robôs policiais semelhantes a Daleks sem braços percorrem a estação de comboios de alta velocidade. Eles usam um software de reconhecimento facial para ajudar os polícias a identificar suspeitos, interagir com os transeuntes e responder às suas perguntas. Os polícias da estação usam óculos de reconhecimento facial, desenvolvidos pela empresa de tecnologia LLVision, de Pequim, que identifica identidades falsas e criminosos procurados. E na metrópole central de Wuhan, o Ministério de Segurança Pública aliou-se à gigante de tecnologia Tencent para desenvolver uma esquadra de polícia totalmente automatizada usando a mais avançada tecnologia de IA.»

(Tradução semi-automática de um excerto do artigo CHINA TURNS TO ROBOTIC POLICING da OZI)

27/04/2018

CASE STUDY: A luso-sensibilidade à desigualdade e a luso-expectativa que o governo trate disso

O Eurobarómetro «Fairness, inequality and inter-generational mobility» permitiu comparar a percepção dos 28 países em três dimensões. Em duas delas («Justiça e igualdade de oportunidades» e «Progressão temporal») não há diferenças assinaláveis entre as percepções dos portugueses e as médias europeias. Como se pode ver nos diagramas seguintes, onde se encontra um verdadeiro abismo é na «Percepção sobre as desigualdades de rendimento» em que os resultados de Portugal mostram que os portugueses: (a) são os mais sensíveis às desigualdades (apesar de Portugal não ser o país mais desigual) e (b) os que mais esperam que o governo intervenha para as reduzir.


Não há razão para surpresa. Já por diversas vezes citei as análises de Geert Hofstede que mostram os portugueses como um dos povos mais femininos do mundo (com um baixo score na dimensão cultural masculinidade do modelo de Hofstede) e também um dos mais colectivistas (com um baixo score na dimensão cultural individualismo), de onde a extrema sensibilidade à desigualdade (corolários: direitos adquiridos e progressão automática nas carreiras independente do desempenho) e a forte expectativa que o governo trate disso (corolários: tendência esquerdizante e preferência pelo nanny state).

31/01/2018

SERVIÇO PÚBLICO: Duas visões antagónicas do conceito de liberdade

«Isonomia e liberdade», Ricardo Arroja no jornal Eco.

À laia de teaser:

«A tradição que até aqui retratei é a britânica. É aquela que me empolga e na qual me revejo. Mas há uma outra tradição, igualmente marcante, de liberdade na Europa: a tradição francesa. Ora, foi esta que, infelizmente, mais inspirou a política portuguesa nos últimos séculos. Digo infelizmente porque a tradição francesa de liberdade parte do contrato social de Rousseau que degenera na indeterminável vontade comum, abrindo o caminho a uma visão colectivista e construtivista da sociedade – uma formulação pouco defensora da liberdade. Conforme conclui Hayek, a liberdade francesa é deliberadamente doutrinária, é construída a partir do Estado e dele depende; já a liberdade britânica parte do indivíduo, de princípios geralmente aceites (costumes) e da jurisprudência do direito comum. São duas visões antagónicas do conceito de liberdade.»

07/01/2018

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: O Estado Sucial como estado orwelliano

«Nessa proposta, agora em discussão no Parlamento, prevê-se que as empresas com mais de 100 trabalhadores sejam notificadas pela Autoridade das Condições do Trabalho sempre que forem detectadas desigualdades salariais. Mas tudo isto aparece pouco escassos dois meses depois. E assim num projecto liderado pela Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE) aí iremos ter o certificado de igualdade de género para empresas.

A primeira reacção seria a de sorrir com condescendência como se este “certificado de igualdade de género” fosse mais uma na longa série de decisões grotescas de um governo que não consegue garantir a segurança dos cidadãos mas não os deixa comer arroz doce nos bares dos hospitais,um governo que legislou no sentido de adolescentes de 16 anos puderem mudar de sexo sem relatórios médicos nem consentimento dos pais mas que não permite aos mesmos adolescente e já agora aos seus pais comer uma sandes de presunto num bar de hospital ou pegarem num saleiro num restaurante. (...)

Portugal é hoje muito menos livre do que era há anos. Em nome da igualdade e do combate às discriminações criámos um monstro. Ou o enfrentamos ou ele toma conta das nossas vidas

Certificadamente autoritários, Helena Matos no Observador