Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Mostrar mensagens com a etiqueta alegada inocência. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta alegada inocência. Mostrar todas as mensagens

14/02/2026

Duvidas (386) - Tem a certeza de que não trocou emails com o Jeffrey?

Por força da lei aprovada em Novembro, o Departamento americano  de Justiça publicou em 30 de Janeiro mais de 3 milhões de páginas de documentos relativos ao caso Epstein, um volume de informação impossível de ler em pouco tempo. 

Um grupo de engenheiros de software  usando uma ferramenta de IA, identificaram os arquivos contendo emails e em 11 de Fevereiro tinha processado 4 milhões de e-mails. A revista Economist usando esses dados identificou cerca de 500 pessoas que surgiam com mais frequência e usando um modelo de IA de linguagem (LLM) atribuiu um score de "alarme" para cada cadeia de emails.

Analisando os emails de pessoas que não faziam parte dos empregados e colaboradores de Epstein foram identificadas 500 pessoas com maior número de emails. Concluiu-se que as mensagens tinham a seguinte repartição: cerca de 19% com financiadores; 10% com cientistas ou médicos; 8% com pessoas da mídia, entretenimento ou relações públicas; 7% com tecnólogos; 6% com advogados, políticos, académicos e outros empresários; e 5% com magnatas imobiliários. 

Fonte

Algumas dessas pessoas estão identificadas no quadro acima e entre elas individualidades conhecidas fora dos EU, como Ariane de Rothschild (CEO do Grupo Edmond de Rothschild), Noam Chomsky (um célebre filósofo muito apreciado nos meios esquerdistas), Steve Bannon (o Rasputine de Trump) e Bill Gates e Elon Musk que não carecem de apresentação. Entre as personalidades não incluídas no quadro encontram-se bilionários como Peter Thiel (uma eminência parda com quem o vice JD Vance trabalhou) e Ehud Barak (ex-primeiro-ministro israelita).

17/07/2025

Operação Marquês - uma justiça de opereta numa república dos bananas

300 (trezentos) juízes, 50 (cinquenta) recursos, uma queixa ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, vários crimes já prescritos, um processo com mais de 62 mil (sessenta e duas mil) páginas, incluindo as 6 mil (seis mil) páginas do despacho do Juiz Rosa, em mais de 200 (duzentos) volumes, o equivalente a um décimo dos julgamentos de Nuremberga (de 20/11/1945 a 1/10/1946) onde foram julgados 23 dirigentes nazis.

04/11/2023

Declaração de não voto em Isaltino Morais. A confirmação




Já tinha feito esta declaração por ocasião da inauguração do obelisco maçónico.

Entendi que não se justificaria reafirmá-la por ocasião dos "almoços de trabalho" e das "explicações" que o Dr. Isaltino entendeu dar, gravadas no vídeo acima.

Entretanto, o Dr. Isaltino resolveu promover através a Associação Inovar Oeiras, da qual é presidente da direcção, uma Tertúlia IN-OV («Conversa à solta de modo informal, descontraído e enriquecedora»), onde se fez convidar como orador principal num evento sobre «Dignidade no exercício das funções públicas». 

Entendi, desta vez, que face a uma tal desfaçatez, descaramento, impudência, pouca-vergonha, excessiva até para o Dr. Isaltino, deveria reiterar a declaração de não voto.

30/12/2022

ESTADO DE SÍTIO: Está em causa o "regular funcionamento das instituições"? Como assim? No Portugal dos Pequeninos este é o funcionamento regular das instituições

A estória é conhecida: o Dr. Pedro Nuno e um seu secretário de Estado fizeram-se de mortos face à indemnização de meio milhão de euros que a TAP resolveu pagar à Dr.ª Reis, para ela sair pelo seu pé e transferir-se para a NAV, outra empresa pública, de onde foi convidada passado alguns meses para secretária de Estado do Dr. Medina, cuja esposa é uma amiga do peito da Dr.ª Reis. Como habitualmente, a coisa per se nunca seria um problema se as trombetas mediáticas não o tratassem como tal, o que aconteceu em boa parte porque o Dr. Costa, ao deixar afundar a geringonça para navegar na sua nau catrineta, perdeu a boa-vontade de dezenas de jornalistas e comentadores afiliados das agremiações representadas na geringonça que nas redações teriam limpado a sua folha.

E foi assim que face este infausto acontecimento, vários políticos, comentadores e jornalistas, disseram por estas ou por outras palavras semelhantes considerar que «está em causa o regular funcionamento das instituições, implicitando que o Dr. Marcelo deveria dar corda aos sapatos e tratar de dissolver o parlamento, coisa que, supondo ter fundamento constitucional, ele não tem vontade nenhuma de fazer por várias razões, das quais porventura a mais importante é convir-lhe um governo debilitado que ele possa trazer pela trela enquanto continua a sua performance, tentando manter a atenção de um público que vai dando sinais de cansaço.

22/04/2022

ESTÓRIA E MORAL: Aldrabou-nos, disse ele

Estória

«O Costa não tem 'tomates' para isso.» «Ele é um merdas.» (*)

Era uma vez um político que como dirigente de um partido e como membro de dois governos desse partido, conviveu de perto vários anos com outro dirigente e primeiro-ministro de um governo a que esse político pertenceu.

Depois da divulgação extensiva de factos e de suspeitas ao longo de vários anos, o referido primeiro-ministro veio a ser acusado de inúmeros crimes de corrupção activa e passiva, entre outros, num processo baptizado Operação Marquês com 53 mil páginas de provas, às quais se juntam 6 mil páginas do despacho de um juiz e vários milhares de páginas dos recursos do MP, e ainda se adicionarão muitos milhares de páginas nos próximos anos (até 2035 dizem alguns).

O citado político sempre assumiu a inocência do referido primeiro-ministro, a quem visitou na prisão, e perante a evidência dos crimes foi lavando as mãos e usando a fórmula clássica à justiça o que é da justiça. Quinze anos depois dos factos e nove anos depois do início do processo, em entrevista a um biógrafo do fundador do mesmo partido declarou:

«Depois do que vi já, entretanto, e que o próprio Sócrates não desmente, concluo que ele, de facto, aldrabou-nos.»

Moral

Se tivesse sido submetido a um teste "Fit and Proper" para primeiro-ministro, o Dr. Costa chumbaria por uma uma de duas razões (1) por falta de discernimento e défice de julgamento ou (2) por falta de tomates; ou ambas.

(*) José Sócrates nas escutas da Operação Marquês citadas pelo jornal SOL.

03/05/2021

Declaração de não voto em Isaltino Morais. Não é por ser um obelisco maçónico, é por ser um obelisco

Apesar do Dr. Isaltino Morais não ter um passado recomendável, tem feito mandatos aceitáveis como presidente da câmara de Oeiras. Não obstante algumas asneiras e decisões por vezes opacas, tenho votado nele como mal menor face às alternativas.

Com os 600 mil euros (mas podiam ser 60 mil) torrados num obelisco de simbologia maçónica (mas podia ser de outra qualquer simbologia), com uma placa de inauguração onde se explica que é um «espaço de cultura e laser», atravessou a linha vermelha e perdeu o meu voto nas próximas eleições. Não tenho a certeza se alguém ganhará esse voto.

24/04/2021

O Partido Socialista apodreceu e com ele apodreceu a 3.ª República (2)

 Continuação deste apodrecimento.

«A história do Acórdão 90/2019 do Tribunal Constitucional, de que falei aqui na semana passada e que Ivo Rosa utilizou para mandar abaixo toda a Operação Marquês (com o argumento de que o prazo de prescrição para os crimes de corrupção activa começou a contar em 2006, e portanto tudo estava prescrito), ficou ainda mais interessante com as informações  reveladas pelo programa da RTP Sexta às 9.

Em primeiro lugar, ficámos a conhecer o nome do advogado que interpôs o recurso junto do Tribunal Constitucional (TC) a que Ivo Rosa se agarrou com grande entusiasmo. Chama-se Rui Patrício, e é um ás na sua profissão. Em 21 de Março de 2018, o Supremo Tribunal de Justiça tinha condenado um cliente seu a cinco anos e sete meses de prisão pela prática de nove crimes de corrupção a activa e dois crimes de peculato (trata-se de um caso de processos de falência que não envolveu figuras públicas). Em meados de 2018, o advogado recorreu ao TC, argumentando que os crimes de corrupção estavam prescritos.

Graças a Deus, a justiça nem sempre é lenta, e o TC deu-lhe razão a 6 de Fevereiro de 2019. Numa jogada de mestre, Rui Patrício ganhou em vários tabuleiros: inocentou directamente o cliente das falências com aquele acórdão, e inocentou mais três clientes por tabela. Como? Simples: Rui Patrício é também advogado de Hélder Bataglia, de Bárbara Vara (filha de Armando Vara) e de Rui Horta e Costa (ex-administrador do empreendimento de Vale do Lobo), todos eles não pronunciados por decisão de Ivo Rosa com base no Acórdão 90/2019, que lhe caiu no colo a meio da instrução da Operação Marquês.

Mas há mais. Graças ao Sexta às 9, ficámos também a saber por que razão Manuel da Costa Andrade, então presidente do Tribunal Constitucional (abandonou este ano o cargo), não participou (e bem) na decisão da 1.ª secção do TC. Costa Andrade estava impedido de o fazer, porque em Novembro de 2015 assinou um parecer encomendado por Rui Patrício, no qual defende a tese da prescrição dos crimes de corrupção a partir do momento da promessa, invocando para isso o respeito pelo princípio da legalidade, argumento central utilizado pelo Juiz relator Cláudio Monteiro no Acórdão 90/2019.

Esse parecer, curiosamente, não foi assinado só por Costa Andrade. Foi assinado também pela professora Cláudia Cruz Santos, actual deputada do PS, e não por acaso citada pelo próprio juiz Cláudio Monteiro, ex-deputado do PS, no Acórdão 90/2019. Como se as coincidências não bastassem, ainda há mais uma: Manuel da Costa Andrade, ex-deputado do PSD, é pai de João Costa Andrade, advogado de José Paulo Pinto de Sousa, o fidelíssimo primo de José Sócrates, que também escapou à pronúncia. 

Há quem afirme que o mero elencar destes factos é uma forma ínvia de pôr em causa a reputação de pessoas respeitáveis, sobre as quais não recai suspeita alguma. Deixem-me esclarecer que não é a reputação das pessoas que está em causa, mas esta bambochata de ligações familiares, financeiras ou políticas. Somos um país dominado por uma elite minúscula que vive em circuito fechado, pejada de conflitos de interesses, porque o advogado já encomendou pareceres ao juiz, o filho seguiu as pisadas do pai, a professora esta no parlamento a sonhar com o TC (com uma perninha no futebol) e o político, o banqueiro ou o grande empresário que de repente é apanhado sabe muito bem a que portas ir bater para se safar. Isto é o sistema. Não foi criado por Sócrates . E continuará muito para além dele.»

O juiz, a deputada, o advogado, o professor e o filho dele, João Miguel Tavares no Público

Comentário: 
Sim, não é a reputação de pessoas respeitáveis que está em causa, porque na fossa séptica em que o PS e o regime estão mergulhados, pode haver reputação mas é a reputação da fossa séptica e quem a tem são pessoas talvez respeitadas na fossa séptica, mas não respeitáveis fora dela.

14/04/2021

O Partido Socialista apodreceu e com ele apodreceu a 3.ª República

 «Esta foi a palavra mais ouvida na sexta-feira. O negócio da PT prescreveu, o negócio da Oi prescreveu, o negócio de Vale do Lobo prescreveu, os negócios do grupo Lena prescreveram. A palavra "prescrição" surge 305 vezes na decisão instrutória do juiz Ivo Rosa. Eis a pergunta fatal: porque é que aqueles crimes prescreveram? Rosário Teixeira enlouqueceu? O Ministério Público andou a esbanjar enormes recursos para perseguir crimes prescritos? O que é que permitiu a Ivo Rosa arquivar 172 crimes prescritos, quando a  circulação de 34 milhões de euros está tão bem documentada? Estas perguntas vão esbarrar no acórdão do Tribunal Constitucional de 6 de Fevereiro de 2019, que tem tudo para entrar para a pequena história da nossa democracia. 

A primeira estranheza é esta: Ivo Rosa iniciou a fase de instrução da Operação Marquês a 28 de Janeiro de 2019 e dez dias depois recebeu de prenda o acórdão do Tribunal Constitucional (TC) que lhe permitiu destruir a acusação com base na prescrição de quase todos os crimes. Aquilo que o acórdão em causa - n.º  90/2019 - diz, em termos muito simples, é isto: a contagem da prescrição do crime de corrupção activa começa a partir do momento que a promessa de corrupção é feita, e não quando o dinheiro é entregue ao corrupto, e muito menos aquando do último suborno. 

Imaginem que Ricardo Salgado acordava corromper José Sócrates em 2005, entregava a primeira tranche em 2007 e continuava a entregar-lhe dinheiro até 2011. Manda o bom senso que a prescrição do crime de corrupção comece a contar a partir de 2011, certo? Errado, segundo o TC: a contagem começa em 2005. O que significa - porque o prazo de prescrição da corrupção para acto lícito em 2005 era de apenas cinco anos - que em 2011 José Sócrates já estaria a receber dinheiro de um crime prescrito. Se declarasse o valor ao fisco e pagasse o respectivo imposto, provavelmente o dinheiro até seria legal. Viva o Estado de direito português. 

O acórdão teve como relator Cláudio Monteiro e recebeu os votos favoráveis dos conselheiros José Teles Pereira e João Pedro Caupers, actual presidente do TC. A conselheira Maria de Fátima Mata-Mouros votou contrata e deixou uma declaração de vencida duríssima na qual afirma que o "Tribunal Constitucional exorbitou a sua jurisdição", e acrescenta que o conteúdo daquele acórdão poderia vir a ter (parece que é bruxa) "custos irreparáveis para o prestígio da Justiça e do Estado de direito". 

A segunda estranheza é esta: logo por azar, o conselheiro Cláudio Monteiro que apenas esteve três anos no TC (entrou em Julho de 2016 e renunciou ao cargo em Janeiro de 2020, mudando-se o Supremo Tribunal Administrativo), foi escolhido pelo Partido Socialista e é um antigo deputado do PS. Significa isto que tal acórdão foi redigido para fazer favores a alguém? Não significa. Mas significa que a transumância entre a política partidária e o Tribunal Constitucional é péssima, e que o sistema, tal como o conhecemos, tem guardas pretorianos nas mais elevadas posições. Isto desprestigia o regime, alimentando todas as desconfianças. 

Os tristes factos são estes: a acusação da Operação Marquês foi entregue em 2017 para depois ser dinamitada em 2021 por um juiz que baseou a sua decisão num acórdão do TC de 2019. Um acórdão absurdo e insensível ao mais elementar bom senso. As instituições que deviam proteger-nos estão a alimentar uma cultura de impunidade - e não se vê quem esteja disposto a combatê-la e a travá-la.»

O acórdão do TC que afundou a Operação Marquês, João Miguel Tavares no Público

09/04/2021

Operação Marquês: num dilúvio de factos, um mar de palavras e um (quase) deserto de acusações (2) - Corrupção cai e Sócrates fica de pé


Se às 6 mil páginas do despacho do Juiz Rosa e às 53 mil páginas de provas adicionarmos os vários milhares de páginas dos recursos que o MP vai apresentar, e os muitos milhares de páginas que o processo acumulará nos próximos anos (até 2035 dizem alguns), há esperança que se possa atingir o número de páginas já digitalizadas dos julgamentos de Nuremberga.

O que, a ser assim, será mais um grande feito e umas dezenas de portugueses, incluindo o Juiz Rosa e os arguidos, ascenderão (de Ascenso) ao topo do mundo. Ditosa Pátria que Tais Filhos Tem.

Operação Marquês: num dilúvio de factos, um mar de palavras e um deserto de acusações (antecipo)


Dez meses gastou a criatura a despachar a coisa, o tempo que duraram os julgamentos de Nuremberga (de 20/11/1945 a 1/10/1946) onde foram julgadas 23 dirigentes nazis. Se às 6 mil páginas do despacho do Juiz Rosa acrescentarmos as 53 mil páginas de provas chegamos a cerca de 10% do número de páginas já digitalizadas do julgamentos de Nuremberga.

11/10/2020

Dúvidas (300) - Se os factos revelados sobre as finanças do Sr. Trump forem confirmados, o que poderemos concluir?

 

BREAKING NEWS

President Trump not only failed to “drain the swamp.” He built his own. Tax records show how those who got ahead spent millions at his properties.

Saturday, October 10, 2020 11:54 AM EST

Once Donald J. Trump was in the White House, his family business discovered a lucrative new revenue stream: people who wanted something from the president.

An investigation by The Times found over 200 companies, special-interest groups and foreign governments that patronized his properties while reaping benefits from him and his administration. Nearly a quarter of those patrons have not been previously reported.

An analysis of data from Mr. Trump’s tax records revealed just how much that new line of business was worth at a time when large swaths of his real estate holdings were under financial stress.

Read the latest


É claro que podemos sempre alegar que o NYT é um covil de esquerdistas e descartar os factos revelados como sendo mentiras. Contudo, é difícil descartá-los porque há muita informação factual e objectiva e, que diabo, alguém acredita que um jornal arriscasse um processo judicial por difamação de um presidente eleito que lhe poderia custar muitos milhões de dólares?

E, se esses factos se confirmarem, não teremos de concluir que o Sr. Trump usou o cargo em benefício próprio, se envolveu em situações de evidente conflito de interesses, e, em consequência, se comportou como um vulgar político corrupto? E, se for assim, o que acontece à credibilidade de um programa de governo e de uma administração liderada por um vulgar político corrupto?

02/08/2020

O momento Huawei - uma demonstração de fraqueza americana

«For most of the past century America has been happy to compete with any other country on technological development, knowing that its scientists and engineers could usually better what anyone else came up with. The Huawei fight is, in part, an attempt by the American government to see off the threat of foreign competition by squashing it, rather than by inventing something better.»

(Lido algures)

27/02/2020

Nunca digas jamé

Expresso
E, de repente, o Senhor Engenheiro Sócrates, o Animal Feroz, surge purificado e é entronizando como Senador da Nação a perorar com a sua Sapiência sobre a solução a que um seu ministro disse um dia Alcochete? Jamé!

22/12/2019

SERVIÇO PÚBLICO: O que está em causa na "delação premiada" que não é delação nem é premiada? (2)

Uma espécie de continuação daqui.


Em resposta a António Campos, um dinossauro socialista que veio a público vociferar contra a "delação premiada", que na versão em cima da mesa não é delação nem é premiada - “o método fascista do bufo”, segundo ele -, Miguel Pinheiro desmistifica no Observador o caso do Brasil com o exemplo de António Palocci um homem do PT da máxima confiança de Lula e de Dilma cujas revelações provadas permitiram acusar o topo do PT.

E por falar em Lula, os últimos desenvolvimentos do Lava Jato permitiram incriminar ainda mais o ex-presidente através do seu filho Lulinha. Para citar a revista Veja «Lula ajudava a Oi-Telemar, que ajudava Suassuna, que ajudava Lulinha, que ajudava Bittar, e todos ajudavam o presidente.» Como no poema Quadrilha de Drummond de Andrade.

19/12/2019

SERVIÇO PÚBLICO: O que está em causa na "delação premiada" que não é delação nem é premiada?

Confesso, tenho a maior desconfiança da invocação de grandes princípios a propósito de pequenos fins. É o caso da reacção de alguns políticos, juízes e juristas às reformas apresentadas pela ministra da Justiça para combater a corrupção, uma praga endémica neste país, potenciada pelo colectivismo que caracteriza a ética frouxa dominante cá do burgo.

Acresce que a corrupção é uma prática profundamente classista: é mais raro ver um pé-descalço envolvido em actividades de corrupção do que ver um lince da serra da Malcata e, se essa raridade ocorre, já alguém viu algum advogado dos que costumam defender as elites merdosas representar um arguido teso e usar as emperradas engrenagens judiciais com recursos até ao Supremo?

Não vou escalpelizar o assunto, que é tema que não domino. Vou remeter para dois artigos de Luís Rosa, um que explica as reformas propostas e outro que desmonta os argumentos para as recusar.

04/06/2019

ACREDITE SE QUISER: Assaltantes do banco reclamam danos morais por terem ficado fechados dentro da casa-forte

«Doze dos treze ex-administradores do BES culpados pela comissão liquidatária da queda da instituição exigem créditos.

Ricardo Salgado e Ricciardi estão entre os lesados do BES, exigindo 9,98 milhões de euros e 2,46 milhões de euros, respetivamente.» (Jornal i)

24/04/2019

Lost in translation (321) - Tenho esperança que ele transforme a acusação numa solução homeopática, quis o animal feroz significar

«Há um juiz que respeito e que considero independente», disse em entrevista à TVI José Sócrates, o alegado criminoso preferido dos mídia que lhe concedem mais tempo de antena desde pelo menos D. João II, referindo-se a Ivo Rosa o juiz da Operação Marquês a quem saiu na rifa dirigir a fase de instrução onde o ex-primeiro-ministro socialista é «acusado de 31 crimes e de acumular 24 milhões de euros na Suíça».

13/02/2019

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Os porcos são todos iguais mas há uns mais iguais do que outros

«Hoje em dia, as pessoas bem formadas têm os sentidos muito apurados para variadíssimas formas de discriminação. Os adeptos mais fervorosos do feminismo vigiam cadernos de actividades para meninos e meninas. Os combatentes mais empenhados contra o racismo histórico vigiam estátuas opressoras. Os activistas mais radicalizados do grupo LGBTQQIA+ vigiam o uso de pronomes. Os apoiantes mais apaixonados dos direitos dos animais vigiam provérbios com referências a bicharada.

Confesso que, embora sendo contra o machismo, contra o racismo, contra a homofobia e contra os maus-tratos a animais, o meu palato não consegue destrinçar certas subtilezas discriminatórias. Ele consegue, contudo, captar um outro tipo de discriminação, à qual sou bastante sensível, certamente por ter nascido no interior de Portugal e continuar a cultivar lastimáveis hábitos de matarruano: o classismo, ou classicismo (os dicionários admitem as duas formulações), que pode ser definido como a discriminação baseada na classe social.

Tristemente, já foi uma discriminação popular, mas está desvalorizada nos dias que correm. É uma pena, porque eu vejo manifestações dela todos os dias – incluindo por parte das mesmas pessoas que sendo muito sensíveis ao machismo, ao racismo, à homofobia ou aos direitos dos animais, são muito pouco sensíveis às mais variadas aparições de classismo, com certeza por estar nelas tão entranhado (reparem como estou maldosamente a usar o argumento favorito de todas as minorias envolvidas em lutas pela justiça social) que nem se apercebem quando o praticam.

As algemas com que Armando Vara se apresentou em tribunal na semana passada são um bom exemplo do que estou a falar. Muita gente manifestou-se contra aquelas imagens, considerando-as uma humilhação desnecessária. E alguns nem sequer nutrem qualquer simpatia em relação a Vara – acham simplesmente que aquilo não se faz. É aqui que o meu nariz anticlassista começa a sinalizar o cheiro a esturro. Nós já vimos dezenas, centenas de imagens de gente algemada a chegar a um tribunal – porque é que só nos indignamos com Armando Vara? Não é ele um cidadão como qualquer outro?»

Excerto de «As algemas de Armando Vara», João Miguel Tavares no Público

17/01/2019

Dúvidas (251) - Será Luís Montenegro o líder que o PSD precisa? (2)

Perguntava-me se Luís Montenegro maçónico e sócio de empresas que enquanto deputado tiveram contratos com o Estado adjudicados por ajuste directo, seria o líder que o PSD precisa, supondo que o país precisa do PSD?

Esclareço: ser maçónico, para mim, não é em abstracto um atributo negativo, tal como não é ter uma religião ou ser sócio do Benfica (a este respeito já tenho mais dúvidas). Para um político em concreto, no século XXI, neste país em concreto, impregnado de um colectivismo viscoso em que o grupo é uma espécie de elevador social e plataforma da cunha, ser maçónico em concreto não é um atributo recomendável.

Colei o rótulo maçónico a Luís Montenegro baseado nesta entrada da Wikipedia que o referia como "irmão" da  Grande Loja Regular de Portugal, através da Loja Mozart. Entretanto, Montenegro nega qualquer ligação à maçonaria. Espero bem que sim, porque já lhe chega ser sócio de empresas com ajustes directos. Seja como for, seria muito apreciado que explicasse as suas ideias e as políticas públicas que propõe para o país, em alternativa a falar de banalidades, como fez.