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07/06/2026

Por que razão a direita não se une?

A pergunta é o título deste artigo de André Abrantes Amaral (AAA) e poderia ser, mas não é, uma pergunta retórica. A resposta de AAA situa-se no domínio da política portuguesa e não vou comentá-la porque o que me interessa é a questão mais geral, para concluir, uma vez mais, como aqui, por exemplo, o que toda a gente sabe ou deveria saber, mas é quase sempre esquecido ou desconsiderado.

Political Compass

Não há uma direita, há várias direitas, e entre essas direitas, em certos casos, há mais diferenças (por vezes inconciliáveis) do que entre algumas esquerdas e algumas direitas. É o que o próprio AAA reconhece quando conclui que «parte da direita que hoje é maioritária no parlamento defende uma maior intervenção do estado na economia, é socialista em termos económicos».

15/05/2026

ARTIGO DEFUNTO: A ecoansiedade e os delírios do jornalismo de causas

Para me poupar a citar excertos do artigo “Será que a zona onde vivemos continuará habitável?”: Quatro em cada 10 jovens hesitam ter filhos por causa das alterações climáticas, cito o resumo gerado por AI que segundo o Expresso reza assim:

«Estudo revela que quatro em cada dez jovens portugueses hesitam em ter filhos devido às alterações climáticas. A ecoansiedade, definida como medo crónico de catástrofe ambiental, surge como determinante nas decisões reprodutivas. 

Investigação do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto mostra que jovens com motivos ambientais apresentam três vezes mais ecoansiedade.»

Quanto ao primeiro estudo «Young People's Voices on Climate Anxiety, Government Betrayal and Moral Injury: A Global Phenomenon», foi publicado em 2021 na revista Lancet Planetary Health, é da autoria de uma equipa cujos membros publicaram um único paper - o paper em causa - e foi financiado pela AVAAZ, uma ONG que se define como «the campaigning community bringing people-powered politics to decision-making worldwide» e tem como fundadores vários notórios ideólogos do áctivismo online.

Esquecendo a óbvia falta de credibilidade dos "investigadores" e da entidade financiadora (é assim como militantes da CDU fazerem um estudo financiado pela CDU sobre a falência do capitalismo), o certo é que o estudo não revela uma especial preocupação dos jovens portugueses pelos supostos impactos das mudanças climáticas já que em relação à "ameaça à segurança familiar" se preocupam tanto quanto a média dos jovens dos 10 países considerados, e quanto "hesitação sobre ter filhos" preocupam-se menos.

Quanto ao segundo estudo, a conclusão é perfeitamente tautológica e não careceria de estudos: é claro que «jovens com motivos ambientais» teriam forçosamente de ser mais ecoansiosos, seja lá o que isso for. 

Pordata
Daí concluir, como o faz uma "investigadora" citada no artigo, que a baixa de fertilidade é consequência da ecoansiedade é uma conclusão audaciosa. Pela razão simples de que, como o diagrama mostra para Portugal (em outros países ocidentais a evolução é semelhante) a baixa da fertilidade precedeu em décadas as preocupações ambientais, baixa que toda a gente com juízo sabe ter resultado da "igualização" das mulheres e foi tornada possível pela acessibilidade dos anticoncepcionais e tornada inevitável pela entrada maciça das mulheres no mercado de trabalho.

04/05/2026

Ser de esquerda é... (34) - ... é querer cumprir Abril

Pesquisa Google

Sempre me intrigou que, como a gripe surge no Inverno, a expressão "cumprir Abril" surge na Primavera e prolonga-se até meados de Maio. Para citar alguns, entre muitos outros, exemplos recentes: «cumprir Abril é a coragem de dizer não»; «continuar a cumprir Abril»; «cumprir Abril, na justiça social, na dignidade do trabalho, no combate às desigualdades e na defesa da verdade».

Intriga-me, desde logo,  porque o verbo "cumprir", segundo o dicionário, tem vários significados: «Executar com exactidão;  Acatar, obedecer; Realizar o prometido; Submeter-se, sujeitar-se; Ser da sua competência». Admiti que o cumprir Abril poderia significar "Realizar o prometido", mas realizar o quê e por quem?  Para simplificar, admiti que o quem seria a esquerdalhada, sempre muito dada a promessas (os amanhãs que cantam, etc.). E o quê? O que seria o quê? 

Sem respostas, resolvi uma vez mais consultar o nosso web bot favorito de AI com machine learning baseada numa Neural Network com acesso a servidores de Big Data e recebi a seguinte lista de exemplos de incumpridos:

A criação do soviete do Barreiro, a adesão do Portugal Democrático ao COMECON, a criação de uma Frente Popular liderada pelos camaradas Drs. Barreirinhas Cunhal e Nobre Lopes Soares, um governo com todas as forças progressistas, incluindo a Frente de Libertação dos Animais Domésticos (FLAD), a promoção a Marechal do Camarada General Saraiva de Carvalho, a inclusão do Livro Vermelho do Presidente Mao Ze Dong nas leituras obrigatórias do 2.º ciclo, a inauguração pelo Camarada Doutor Anacleto Louçã de uma estátua de Leon Trotsky no lugar de Dom José na Praça do Comércio, a nomeação da Camarada Doutora Mariana Mortágua como ministra das Finanças.

Outros "Ser de esquerda é..."

07/12/2025

Dúvidas (363) – Quem é realmente Alexis Tsipras? (4)

[Continuação de (1), (2) e (3)]

Alexis Tsipras foi o líder do Syriza, um partido esquerdista grego e primeiro-ministro entre 2015 e 2019 que foi evoluindo do esquerdismo infantil para a social-democracia colorida, como se evidencia nos posts anteriores.

Yanis Varoufakis é um lunático, esquerdista e pedante de uma vaidade doentia, a propósito de que se escreveram no (Im)pertinências vários posts (como este, aquele ou aqueloutro), que foi ministro das Finanças dos governos de Tsipras.

Mais um exemplo do caminho que Tsipras percorre do obscurantismo esquerdista para a luz da racionalidade é o relato que faz num livro a publicar em breve sobre a sua experiência de 2015-2019, que a respeito de Varoufakis o Guardian classifica como «um dos maiores assassinatos de carácter da memória grega moderna» e que me pareceria melhor classificado como uma autópsia à falta de carácter de Varoufakis.

16/11/2025

Ser de esquerda é... (33) - ... é trocar de causas como quem troca de camisa (sempre com o mesmo tronco)

«Desastres eleitorais sucessivos, transferência de votos para a direita a par do envelhecimento do seu eleitorado, levaram as esquerdas  a primeiro deitar contas à vida e, em seguida, atirar pressurosamente para o caixote do lixo as vítimas que até ontem animavam o seu activismo. E assim, porque chegou a hora dos camaradas subirem ao palanque, num ápice sumiram-se os “camarados” e os “camarades”. (...)

O problema é que não só conseguem impor novos activismos como está implícito que esqueçamos as consequências do activismo da véspera. É mesmo como se esse activismo nunca tivesse existido. O direito à desmemória é o grande privilégio da esquerda que, enquanto mergulha as sociedades em processos contínuos de mortificação pelos crimes cometidos  por aqueles que aponta como seus inimigos no passado — e que podem ser tão distantes quanto os descobridores portugueses do século XV —, se arroga a si mesma o direito de não ser confrontada por aquilo que fez e disse ontem. Ou anteontem. Ou há um ou dois anos. (...)

Pois é agora já ninguém quer saber das casas de banho para as crianças trans, nem da linguagem dita inclusiva porque agora vamos voltar à “classe contra classe até à vitória final” como se estivéssemos no PREC. Alguém esperava que assim não fosse? Para que tal acontecesse era necessário ter denunciado, criticado, confrontado… os activistas quando estes andavam por aí com o linguarejar (cada activismo tem o seu idiolecto próprio) do sonho e da conquista irreversível para designar a estatização e consequente destruição da economia do país. É caso para dizer, olá camaradas. Façam de conta que estão na vossa casa.»

Helena Matos no Observador

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Outros "Ser de esquerda é..."

Em boa verdade, a volubilidade da esquerdalhada é apenas aparente, porque persiste o mesmo propósito de sempre: impor uma agenda e sabotar a liberdade em nome de grandes princípios. Afinal, o mesmo propósito que a direita iliberal prossegue. 

23/10/2025

Ser de esquerda é... (32) - ... imaginar que o Palácio de Belém do Portugal dos Pequeninos é o topos das "utopias concretas"

O topos das "utopias concretas"

O LIVRE, «o espaço político da esquerda ecologista, progressista, europeísta, regionalista e libertária», uma espécie de Bloco de Esquerda sedado, sob a liderança do Prof. Rui Tavares, uma espécie de Prof. Louçã praticando um tele-evangelismo suave, decidiu apoiar o deputado pelo Porto Dr. Jorge Pinto na sua candidatura à presidência da República, mais concretamente da II República, cujos «ideais, princípios, valores, estão sob ataque» com vista a «continuar a contribuir para que o LIVRE continue a ser o partido das utopias concretas».

O Dr. Jorge Pinto é «Doutor em filosofia social e política, com uma tese sobre republicanismo, ecologia e pós-produtivismo». (fonte)


Outros "Ser de esquerda é..."

31/08/2025

ARTIGO DEFUNTO: A distribuição de dividendos do BCP vista pelo Avante! da Sonae


A peça acima é do Público, um jornal sustentado pela família Azevedo, eventualmente porque é o preço que paga à esquerdalhada (em particular os comunistas e, por isso, também é conhecido por Avante! da Sonae) para não os chatearem demasiado. Aparentemente parece uma coisa factual e inócua mas é tudo menos objectivo e está cheio de mensagens subliminares.  

Em primeiro lugar, o título tem implícito que os accionistas não têm direito à proporção do lucro da empresa de que são proprietários e que, em consequência, se estão a apropriar ilegitimamente de dois terços. Em segundo lugar, tem igualmente subentendido que se a Fosun e a Sonangol «são as principais beneficiadas» por terem usurpado 40% dos lucros, apesar de terem 40% do capital do BCP, que lhes dá o direito a disporem de 40% do dividendo distribuído a todos os accionistas. Em terceiro lugar, que os outros 120 mil pequenos accionistas deveriam ter uma proporção maior dos dividendos do que a correspondente à sua participação no capital, como se não fosse inevitável que um accionista que tem 10% do capital tenha um dividendo 10 vezes maior do que outro que só dispõe de 1% do capital. Em quarto lugar, insinua que os accionistas «chamuscados pela guerra de poder de 2007» o foram por algum desígnio oculto e não por simplesmente serem então accionistas. 

Curiosamente, mas não surpreendentemente, a peça não faz qualquer alusão ao desígnio oculto, ou seja, à génese da guerra de poder de que resultou a venda de participações à Fosun e à Sonangol depois de lá terem sido torrado 8,3 mil milhões  (5,3 em aumentos de capital e  3,0 mil milhões em "ajudas") de dinheiro dos contribuintes (*).

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(*) Ver mais de uma centena de posts que se publicaram sobre o assalto ao Millenium bcp e, em particular o resumo «sequelas do assalto ao Millenium bcp.

28/08/2025

Dúvidas (355) - Para que serve a Fundação de Serralves? Promover actividades culturais? Certo? Errado! Serve para «Incomodar, desestabilizar, interrogar»

De acordo com os seus Estatutos, a Fundação de Serralves serve para:


Podemos discutir se esta é formulação mais adequada da finalidade da Fundação ou então podemos perguntar à Dr. Isabel Pires de Lima, a presidente demissionária, ex-ministra da Cultura no governo do Eng. Sócrates, qual é a sua perspectiva. É uma pergunta retórica porque Dr. Isabel Pires de Lima antecipou-se e respondeu assim no comunicado em que anuncia a sua renúncia:

«Na minha perspetiva, um espaço de produção de arte como é Serralves tem, a todo o momento, de incomodar, desestabilizar, interrogar ou então será apenas um lugar de pessoas demasiado contentes consigo próprias, naquela felicidade potencialmente castradora que o sucesso traz.»

20/04/2025

Ser de esquerda é... (32) - Adoptar a preservação dos jacarandás como ersatz da luta de classes

Desde que a esquerda é esquerda, ou seja, para simplificar, desde que o Barão de Gauville chamou a atenção para os deputados revolucionários da Assembleia Nacional Francesa saída da revolução de 1789 se sentarem à esquerda do presidente, que a esquerda luta por grandes causas. A emancipação da classe operária, o fim do capitalismo e do imperialismo, a sociedade sem classes, etc., um enorme etc.

Com o tempo essas causas foram desaparecendo e substituídas por outras. Recentemente as causas da esquerda quase se resumiram ao ambiente, à identidade de género e ao DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão) e os militantes operários foram substituídos por áctivistas graduados em ogias por universidades progressistas. A classe operária ficou esquecida e começou a votar na extrema-direita.


E assim chegámos à luta pela preservação dos 47 (quarenta e sete) jacarandás da Avenida 5 de Outubro, dos quais a câmara de Lisboa pretendia transplantar 22 e abater 25 por não terem condições para o transplante. Dito de outro modo, a câmara pretendia emigrar 22 e aos restantes aplicar a morte assistida por jardineiros devidamente qualificados. Tudo isto com o propósito pouco ambientalista de construir um parque de estacionamento  A luta tocou fundo no jornalismo de causas que deu voz à indignação popular, produziu dezenas de peças inflamadas e mobilizou áctivistas que promoveram uma petição com 19 mil assinaturas.

Outros "Ser de esquerda é..."

01/02/2025

Ser de esquerda é... (31) - ... é praticar o doublethink orwelliano ou talvez sofrer do Transtorno dissociativo de identidade

«Bernardino Aranda — antigo assessor do Bloco de Esquerda e um dos promotores da recolha de assinaturas para um referendo contra o Alojamento Local (AL) em Lisboa — é proprietário de dois apartamentos que coloca a arrendar no Airbnb. Os dois imóveis estão localizados em Alfama, uma das zonas mais pressionadas pelos alugueres de curta duração na capital. Confrontado com o facto de estar a ajudar a promover a recolha de assinaturas para acabar com o alojamento local ao mesmo tempo que faz negócio na mesma área, o agora “militante de base” do Bloco de Esquerda diz ao Observador que não considera a situação “incoerente”.» (Observador)

«O poder de manter duas crenças contraditórias na mente ao mesmo tempo, de contar mentiras deliberadas e ao mesmo tempo acreditar genuinamente nelas, e esquecer qualquer facto que se tenha tornado inconveniente.»
George Orwell, Mil Novecentos e Oitenta e Quatro
Talvez também se possa compreender o camarada Bernardino à luz do poema de Mário de Sá-Carneiro:

Eu não sou o eu, nem sou o outro
Sou qualquer coisa de intermédio
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o outro


Outros "Ser de esquerda é..."

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Ficou a saber-se que os despedimentos das cinco funcionárias foram acompanhados por falsificação de documentos. Melhor é difícil.

22/01/2025

Ser de esquerda é... (30) - ... é praticar o doublethink orwelliano

Sábado

«O poder de manter duas crenças contraditórias na mente ao mesmo tempo, de contar mentiras deliberadas e ao mesmo tempo acreditar genuinamente nelas, e esquecer qualquer facto que se tenha tornado inconveniente
George Orwell, Mil Novecentos e Oitenta e Quatro
Outros "Ser de esquerda é..."

22/12/2024

ESTÓRIA E MORAL: Os esquerdistas revolucionários e a família

Estória


Daniel Ortega, o líder da Frente Sandinista que derrubou em 1979 o ditador Anastasio Somoza, foi o "coordenador" da Junta de Gobierno de Reconstrucción Nacional, inspirada no marxismo-leninismo de Fidel Castro, que substituiu durante seis anos o governo Somoza, foi eleito presidente em 1985 em eleições consideradas livres e introduziu reformas de acordo com o catecismo da esquerda latino-americana (nacionalizações e reforma agrária), teve de enfrentar um embargo comercial dos EUA e a revolta dos "Contras". Ortega perdeu três eleições em 1990, 1996 e 2001 e ganhou as de 2006 e todas as seguintes mandando prender os seus potenciais rivais e tornando-se cada vez mais antidemocrático e repressivo.

Com vista a eternizar-se no poder e assegurar a sucessão pela família Ortega, foi aprovada em Novembro uma revisão de Constituição que tornou os tribunais e a assembleia legislativa órgãos do Estado controlados pelo presidente, que passa a poder punir os mídia por "notícias falsas", oficializou a "polícia voluntária" - a guarda pretoriana do regime, criou o cargo de "copresidente" atribuído à actual vice-presidente e sua esposa Rosario Murillo que é vista como inspiradora da repressão feroz dos últimos anos e que lhe sucederá. Os filhos de ambos foram nomeados para cargos importantes.

Moral

Os esquerdistas revolucionários têm o culto do Estado e são contra a família, excepto a sua própria família.

06/12/2024

Mitos (344) - Diferenças salariais entre homens e mulheres (15) - As diferenças não são pelas razões que o woke inventa e, em qualquer caso, estão a diminuir

Outros mitos sobre as diferenças salariais entre homens e mulheres

Em retrospectiva: o pay gap atribuído à discriminação de sexos (que o politicamente correcto chama géneros) é um dos «factos alternativos» mais populares nos meios esquerdistas. Não é que não exista um pay gap, aliás existem vários, mas desde pelo menos a II Guerra nenhum deles se funda a discriminação de sexos ou de raças. De resto, com a mesma falta de fundamento, seria mais fácil apontar a discriminação entre bem-nascidos e mal-nascidos de ambos os sexos ou, se preferirem, de todos os 112 géneros disponíveis.

Um dia destes deparei-me com o gráfico seguinte onde se representam as alterações entre os anos 2013 e 2017 das diferenças de salário entre os profissionais dos dois sexos com mestrados e os profissionais com licenciaturas, no Reino Unido em diferentes áreas académicas.

The Economist

Em primeiro lugar, constata-se que nesse período os ganhos dos mestrados em relação às licenciaturas diminuíram nas áreas soft e a aumentaram nas áreas mais técnicas. Em segundo lugar, e mais importante para esta questão "sexual", é que os ganhos das mulheres com o upgrade da licenciatura para mestrado foram em todas as áreas superiores aos dos homens, e no caso das tecnologias muito superiores. Note-se que se estão a comparar os ganhos com a maior qualificação e não os níveis salariais entre homens e mulheres, que certamente continuam ainda a ser superiores no caso dos homens, não por qualquer discriminação, de resto proibida por lei  e inaceitável nas empresas, mas pela razão de os homens ainda desempenharem funções e deterem cargos mais qualificados. Aqui a palavra-chave é ainda, porque estes dados demonstram precisamente que as diferenças se estão a reduzir.

28/10/2024

Ser de esquerda é... (29) - ... é não aprender nada com o passado

«O socialismo do futuro é a vida boa e o seu tempo é agora, o futuro é já, é o caminho que vamos percorrer para disputar tudo.»

Disse no sábado passado a Dr.ª Mortágua, filha do bombista Sr. Mortágua, na V Conferência Nacional do Bloco de Esquerda no Porto.

Percebe-se que a Dr.ª Mortágua não tenha sentido necessidade de explicar aos devotos que a escutavam (que devem ter um catecismo) a diferença entre o socialismo do futuro e o do passado que arruinou todos os países que o adoptaram, foi a causa da opressão e miséria dos seus povos (por exemplo na própria Rússia) e fez milhões de mortos em seu nome. A  Dr.ª Mortágua deve essa explicação aos não devotos.

Outros "Ser de esquerda é..."

28/09/2024

Ser de esquerda é... (28) - ... é praticar a mentira de causas e, já agora, o humor de causas

A estória resumida é a seguinte (a estória completa está contada aqui pela deputada municipal Margarida Bentes Penedo): o executivo da câmara de Lisboa presidida pelo Dr. Medina abriu em 2016 um concurso para a colocação de painéis digitais publicitários cujo júri aprovou a proposta da JC Decaux, incluindo as localizações dos painéis que agora foram contestadas pelo Berloque de Esquerda. Por razões administrativas o contrato só foi assinado pelo actual executivo depois de aprovado em Setembro de 2022 por quase todos os vereadores, incluindo os do Berloque de Esquerda, cujas deputadas municipais Dr.ª Escaja e Dr.ª Teixeira na assembleia municipal do dia 17 acusaram o Eng. Moedas de mentir ao dizer a verdade sobre quem tinha decidido e aprovado as localizações.

Foi o suficiente para o agitprop esquerdalho iniciar o processo habitual propagando os seus factos alternativos pelos trombones dos jornalistas amigos que produziram umas dezenas de peças até que um artigo do Público repôs a verdade. Um dos trombones foi o humorista de causas Ricardo Araújo Pereira no domingo passado no seu programa da SIC, onde, além de reproduzir a mentira, já depois do referido artigo do Público, fez o seu número habitual de imitação da voz de falsete do Eng. Moedas.

Esta gente não tem emenda e sempre que lhes dá jeito mentem pelas suas "boas causas".

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07/09/2024

ARTIGO DEFUNTO: Pensamento mágico e factos alternativos ao serviço do jornalismo de causas

Há duas ou três semanas, primeiro a CNN e mais tarde outros mídia, citaram um working paper com um título ("Taxing extreme wealth: What countries around the world could gain from progressive wealth taxes") mais adequado a um panfleto do que a um paper, que foi publicitado com títulos vibrantes capazes de fazer atingir o orgasmo a qualquer esquerdista. Desde logo o título da peça da própria CNN: «Se Portugal taxasse os super-ricos encaixaria mais 3.589 milhões de euros. Dava para pagar três vezes o IRS Jovem».

Confesso que se me acendeu o desconfiómetro pelo tom igualmente vibrante e o pendor demagógico do paper e pelo perfil áctivista da instituição que o publicou - Tax Justice Network (TJN), um grupo de pressão britânico de pendor anticapitalista.

Felizmente, o economista Luís Aguiar-Conraria, que se quisesse arrumá-lo numa caixinha diria que se enquadra na esquerda, o que o faria ver com bons olhos um panfleto que promove uma das bandeiras da esquerda, porque é da facção bem-pensante, não embarcou na treta demagógica do working paper e "escavou-o". Fez umas contas e concluiu na peça "Populismo fiscal de esquerda" na sua coluna semanal do Expresso que o valor avançado pela CNN para o resultado da taxação dos super-ricos em Espanha, cujo "Imposto Solidário sobre Grandes Fortunas" que serviu da base ao paper do Tax Justice Network , é 15 vezes superior a uma estimativa realista. Estamos conversados.

31/08/2024

Ser de esquerda é... (27) - ... é acreditar em estórias da Carochinha

Diário de Notícias

«Era uma vez uma linda Carochinha que queria muito ser president@...»

Quando a Dr.ª Ana Gomes diz o que disse em entrevista ao DN, só encontro duas explicações possíveis: 

(1) A Dr.ª Ana Gomes acredita: a) que o Eng. António Picareta Falante Guterres é capaz de ter «uma conversa dura» com qualquer pessoa, nomeadamente com o presidente da única verdadeira grande potência à época; b) que esse presidente ficaria preocupado com a retirada de 300 militares portugueses (uns 6% do total) que constituíam a força portuguesa no Kosovo e c), por isso, apoiou a independência de Timor;

(2) A Dr.ª Ana Gomes não acredita nessa treta e está a tentar marcar pontos no campeonato da escolha do candidato socialista a Belém em que manifestamente está mal colocada.    

A tendência da Dr. Ana Gomes para o pensamento mágico inerente à sua condição de esquerdista leva-me a concluir que está a ser sincera (isto não é um elogio) e acredita neste conto da carochinha.

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30/08/2024

ARTIGO DEFUNTO: Para o jornalismo de causas um monopólio estatal é sempre preferível a uma parceria público-privada

Está em negociação, por iniciativa da Cuf Saúde, um projecto de partilha de dados de saúde entre os operadores privados e o SNS. Como deveria ser evidente, é uma iniciativa em que todos ganham e, sobretudo, a quem recorre a qualquer desses prestadores de serviços, a quem os amantes do Estado sucial chamam "utentes".

Sem surpresa, a esquerdalhada acantonada nas redacções ao ler ou ouvir a palavra "privados" teve o habitual reflexo pavloviano e pôs-se em campo para coleccionar contra-indicações. Para citar um só exemplo que vale por todos, o do diário Público, também conhecido pelo Avante! da família Azevedo, a jornalista de serviço foi consultar o Dr. Julian Perelman, economista e professor da Escola Nacional de Saúde Pública, que exprimiu preocupação com «o projecto ficar nas mãos "de três ou quatro grandes grupos" (o que) "impede completamente outros grupos de emergir, porque eles vão ficar om uma vantagem enorme"».

Apesar de não haver razão nenhuma para o «o projecto ficar nas mãos "de três ou quatro grandes grupos", naturalmente desde que os operadores interessados estejam dispostos em investir na infraestrutura tecnológica para garantir a partilha de dados com segurança, é louvável a preocupação do Dr. Perelman com assegurar a igualdade com outros operadores, preocupação que passa ao lado da situação actual em que a quase totalidade dos dados de saúde está monopolizada por um único grande operador estatal controlado por apparatchiks e gerido com competência discutível to say the least.

01/08/2024

Chávez & Chávez, Sucessores (78) - A impunidade megalómana toma conta dos chávistas e a esquizofrenia toma conta dos comunistas portugueses

Outras obras do chávismo.

No passado fim de semana, decorreu na República Socialista Bolivariana da Venezuela uma palhaçada orquestrada pelos sucessores do Coronel Chávez onde os venezuelanos que ainda não fugiram do país (fugitivos que deverão andar pelos 8 milhões de pessoas) votaram e por decisão da clique chávista deram a maioria ao actual presidente Nicolás Maduro, a quem o já então defunto Coronel legitimou há uns anos com uma aparição sob a forma de um pajarito.

Um pouco por todo o mundo multiplicaram-se as acusações de fraude eleitoral. Todo o mundo? Não! Numa aldeia gaulesa do Portugal dos Pequeninos, o Partido Comunista Português publicou um comunicado onde se pode ler:
«O PCP saúda a eleição de Nicolás Maduro como Presidente da República Bolivariana da Venezuela, bem como o conjunto das forças progressistas, democráticas e patriotas venezuelanas que alcançam mais uma importante vitória com esta eleição, derrotando o projecto reaccionário, antidemocrático e de abdicação nacional.»
Dando mais um passo no sentido de aprofundar o delírio que gradualmente toma conta das mentes dos seus dirigentes, o PCP lusitano divergiu assim do seu homólogo venezuelano que há duas décadas se distancia da clique chávista e num comunicado questionou abertamente o resultado da manipulação eleitoral e alertou «a la opinión pública internacional que así como el Gobierno de Nicolás Maduro ha despojado al pueblo venezolano de sus derechos sociales y económicos, hoy pretende privarlo de sus derechos democráticos».

21/06/2024

O Império que o Czar Vladimiro quer reconstruir é o Império Soviético, menos o marxismo


«Os esquerdistas do Ocidente e os nacionalistas do Sul Global não se cansam de apontar os males do imperialismo. No entanto, poucos incluem a União Soviética em sua lista de vilões. Isso é estranho: o império soviético estendia-se por 11 fusos horários, oprimindo os seus estados vassalos de forma tão flagrante que todos declararam independência no momento em que tiveram a oportunidade.

Propagar esta história torna mais difícil entender o presente, quando o homem com o quarto maior exército do mundo está a tentar reconstruir uma versão desse império, menos o marxismo. Quando Vladimir Putin descreveu a libertação dos antigos súbditos da União Soviética como a "maior catástrofe geopolítica do século 20", ele expressava uma visão de mundo compartilhada em séculos anteriores pelos conquistadores espanhóis e os rufias da Companhia Britânica das Índias Orientais: a de que as nações fortes devem governar as mais fracas, independentemente da vontade dos que lá vivem.»

Excerto de What the left and right get wrong about imperialism