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06/09/2026

LASCIATE OGNI SPERANZA, VOI CH'ENTRATE: Vamos todos fingir que o problema não existe? Sim, vamos (13) - A leveza insustentável do sistema público de pensões (IX)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (12)

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As projecções de Luís Portugal, que conhece bem o tema, num cenário razoavelmente optimista, confirmam que os 42 mil milhões do FEFSS cobrem cerca de um quarto das responsabilidades da Segurança Social por pensões e não dão para mandar cantar um cego, como dizia minha avó. Se adicionarmos as responsabilidades da CGA, que há anos não tem contribuições e é financiada pelo OE, o buraco assume profundidades abissais, como aqui andamos há mais de duas décadas a escrever (ver etiqueta pensões).

01/07/2026

A ameaça de falência do Estado Social na pátria do capitalismo

Fonte

Na altura da criação do fundo americano de segurança social, em 1940, por cada pensionista havia 150 contribuintes, actualmente há menos de três. As reservas que atingiram o máximo de USD 2,8 biliões caíram para USD 400 mil milhões (triliões e biliões, respectivamente na escala curta). A diferença entre os rendimentos do fundo e os pagamentos em 2025 ultrapassou USD 200 mil milhões (cerca de 0,7% do PIB). Se nada for feito, estima-se que em 7 a 8 anos o fundo se esgote e as pensões tenham de ser reduzidas todos os anos.

Por alturas da criação do fundo americano, não existia em Portugal um sistema de segurança social universal que só foi criado com a reforma de 1962. Em 1970, existiam cerca de 13 contribuintes por cada pensionista, rácio que foi descendo até 1,5 antes do surto de imigração, tem vindo a aumentar e situa-se actualmente em cerca de 1,7. Segundo as projecções, a partir de 2035 as contribuições deixarão de ser suficientes para pagar as pensões e o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) actualmente com 50 mil milhões, graças às contribuições dos imigrantes, ficará esgotado por volta de 2050.

18/06/2026

Best description of the Portugal-DR Congo match so far

Independent

Make no mistake, we do not have a negative view of Portuguese football players. On the contrary, we consider "Portuguese football professionals as an example of excellence" just as we consider Cristiano Ronaldo one of the best players of his time when he wasn't just a statue.

29/04/2026

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O Dr. Ventura quer descer a idade da reforma. Alguém lhe deveria explicar que seria um disparate e para isso ser possível só com mais imigrantes

O meu radar não está programado para detectar flatulências e só me dei conta de que o Dr. Ventura exigiu há dias a descida da idade da reforma ao ler este artigo de Henrique Raposo.

Apesar da minha apreciação por HR não abranger o seu estilo gongórico-emotivo, vou citar um excerto do seu artigo «A proeza do Chega: ser mais imbecil do que PCP e BE»

«Há vinte ou quinze anos, era impossível discutir com a esquerda a questão das pensões, porque a esquerda anti-passista recusava (recusa?) os números da demografia. Recusava enfrentar este facto: nós temos um saldo natural negativo desde 2007/08. Ou seja, há quase vinte anos que temos mais mortes do que nascimentos todos os anos. (...) 

O Chega torna-se ainda pior a partir do momento em que ataca a imigração e a consequente contribuição para a segurança social dos imigrantes. O Chega é um perigo para o país, sobretudo para os reformados mais pobres, porque não sabe ou não quer fazer contas. E é fácil demonstrar a estupidez do Chega: se pensarmos que a pensão mínima em Portugal ronda os 350 euros e se olharmos para os 4,15 mil milhões que os imigrantes descontaram para a segurança social em 2025, isto quer dizer que os imigrantes garantem o valor de 856 mil pensões mínimas anuais.»

Para me ser desculpada a citação e sair do campo do insulto, remeto para a longa série de posts «A leveza insustentável do sistema público de pensões», cuja leitura, espero, demonstra que o Dr. Ventura é um lunático, um socialista de direita ou um demagogo (e, sem dar por isso, caí também no insulto).

___________

Post Scriptum: Já agora, para ilustrar o que HR escreveu sobre mortes e nascimentos, aqui vão os dados dos últimos cinco anos, que seriam muito piores se não fosse a imigração:

07/01/2026

Could Europe take on Russia without American help? Once bitten, twice shy

 «IMAGINE THIS scenario: in the half-light of a March morning in 2027, Russian armoured units cross the Latvian border near Rezekne, seize the rail station and turn south toward Daugavpils, Latvia’s second city, half of whose population is ethnically Russian. Capitalising on the fruits of a malign influence campaign, their aim is to seize a sliver of territory on the pretext that “Russian-speaking communities” require Moscow’s protection. Russian troops rapidly build fixed positions and deploy mobile air defences, while their president, Vladimir Putin, still basking in the glow of newly acquired lands in the Donbas, waits for NATO to decide how to respond.

In Washington, the response is what the Europeans had feared. President Donald Trump informs them that America will not fight a European war over a slice of Latvia that, he claims, is basically Russian anyway. Russia is just too powerful to fight and, as in Ukraine, will just grind it out. Besides, Mr Trump argues, European weakness practically invited this incursion in the first place. He calls for “peace” on social media, but will send no troops, no heavy lift and no fighter jets—though Europeans are welcome to purchase American weapons.

The fictional land-grab in Latvia invites NATO to think the previously unthinkable: can the alliance, without America, contain and then repel a Russian advance?

12/12/2025

LASCIATE OGNI SPERANZA, VOI CH'ENTRATE: Vamos todos fingir que o problema não existe? Sim, vamos (12) - A leveza insustentável do sistema público de pensões (VIII)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10) e (11)

Os mídia e as eminências do regime inundaram o espaço mediático com a conclusão da Economist de que a economia do pastel de nata teve o melhor desempenho este ano, conclusão baseada em cinco indicadores de escolha questionável com uma ponderação que não foi divulgada, incluindo dois indicadores que beneficiaram da comparação com valores excepcionais no ano de 2024.


Compreensivelmente, concluiria Eduardo Lourenço se ainda fosse vivo, não me dei conta que os mesmos mídia e as mesmas eminências tivessem feito quaisquer referências ao artigo da mesma Economist European pensions are in dire need of reformpublicado seis dias antes, sobre os sistemas europeus de pensões, de onde extraí o diagrama acima que mostra o sistema de pensões português no segundo lugar da UE em termos de agravamento previsto da dependência dos cada vez mais pensionistas de cada vez de menos trabalhadores.

Num eventual novo post tratarei de outros aspectos também com base no estudo da OCDE Pensions at a Glance 2025.

(Continua)

19/02/2025

"Europe has successfully put tariffs on itself". Put the Blame on Mame

In 1946, Allan Roberts and Doris Fisher composed the song "Put the Blame on Mame" for the film Gilda, masterfully performed by Rita Hayworth with the singing voice of Anita Kert Ellis. The song satirized the plight of a woman who was blamed for America's misfortunes, from the Chicago fire to the San Francisco earthquake.

Europeans are now composing the “Put the Blame on US” version to avoid taking responsibility for decades of inaction and for not being prepared for the many foreseeable consequences of the national interest version of Trumpist paranoia.

The following text is an excerpt from the Financial Times article "Forget the US — Europe has successfully put tariffs on itself" by Mario Draghi, a European out of step with Brussels' immobility.

«Recent weeks have provided a stark reminder of Europe’s vulnerabilities. The eurozone barely grew at the end of last year, underlining the fragility of the domestic recovery. And the US began imposing tariffs on its major trading partners, with the EU next in its sights. This prospect casts further uncertainty over European growth given the economy’s dependence on foreign demand.

Two major factors have led Europe into this predicament — but they can also lead it out again if it is prepared to undergo radical change.

The first is the EU’s long-standing inability to tackle its supply constraints, especially its high internal barriers and regulatory hurdles. These are far more damaging for growth than any tariffs the US might impose — and their harmful effects are increasing over time.

The IMF estimates that Europe’s internal barriers are equivalent to a tariff of 45 per cent for manufacturing and 110 per cent for services. These effectively shrink the market in which European companies operate: trade across EU countries is less than half the level of trade across US states. And as activity shifts more towards services, their overall drag on growth becomes worse.

At the same time, the EU has allowed regulation to track the most innovative part of services — digital — hindering the growth of European tech firms and preventing the economy from unlocking large productivity gains. The costs of complying with GDPR, for example, are estimated to have reduced profits for small European tech firms by up to 12 per cent.

Taken together, Europe has been effectively raising tariffs within its borders and increasing regulation on a sector that makes up around 70 per cent of EU GDP.»

22/11/2024

LASCIATE OGNI SPERANZA, VOI CH'ENTRATE: Vamos todos fingir que o problema não existe? Sim, vamos (11) - A leveza insustentável do sistema público de pensões (VIII)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9) e (10)

mais liberdade

A insustentabilidade do sistema de pensões que o diagrama antecipa dentro de menos de 20 anos não deveria surpreender ninguém, pelo menos não deveria surpreender quem nos visita e lê o que vimos escrevendo sobre este tema há pelo menos 15 anos, com este, este ou este post a que seguiram os posts desta série.

mais liberdade

Na génese da insustentabilidade anunciada estão vários factores e entre eles uma taxa de poupança que tem vindo a cair há duas décadas e que hoje é uma das mais baixas da União Europeia. A poupança é tão baixa que, por um lado, não me permite aplicar as poupanças necessárias para garantir a sustentabilidade dos fundos de pensões públicos e privados (as subscrições dos planos de poupança-reforma estão há dois anos a cair) e, por outro, não permite os investimentos produtivos necessários para garantir o aumento da produtividade e o crescimento a longo prazo indispensável para aumentar a poupança sem baixar os níveis de consumo e o bem-estar.

11/10/2024

LASCIATE OGNI SPERANZA, VOI CH'ENTRATE: Vamos todos fingir que o problema não existe? Sim, vamos (10) - A leveza insustentável do sistema público de pensões (VII)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8) e (9)

O diagrama acima parece significar que o sistema de segurança social do Portugal dos Pequeninos estaria com uma saúde de ferro e teria sustentabilidade garantida a longo prazo. Parece, mas não é. O nosso honroso quinto lugar não resulta da sustentabilidade e, pelo contrário, é mais um indicador que a sustentabilidade é insustentável naquilo que depende da criação de riqueza, já que a percentagem de 14,2% do PIB que as pensões representam significa que temos pouca margem para a aumentar.

Se a isso adicionarmos uma das demografias mais envelhecidas e uma das natalidades mais baixas na UE, dentro de uma década ou duas não teremos condições de financiar as pensões com as contribuições correntes e teremos de ir às reservas, isto é ao Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) que actualmente é suficiente para pagar apenas dois anos de pensões.

Os fundos de pensões na UE variam muito entre os países membros (os Países Baixos e Dinamarca têm fundos de pensões que representam mais de 200% do seu PIB) e em média representam cerca de 50% do PIB da UE. No caso português o FEFSS tem cerca de 34 mil milhões de euros ou cerca de 13% do PIB e o fundos privados de pensões estimam-se em torno dos 25 mil milhões, ou seja um total de menos de 60 milhões ou menos de 22% do PIB. 

A comparação com os outros países da UE é pouco animadora e passa a desesperante se compararmos com os EUA que em 2022, tinha um valor total dos fundos de pensão correspondente a cerca de 150% do PIB.

Em conclusão, os pensionistas presentes e sobretudo os pensionistas futuros da Óropa que se cuidem. Os de Portugal talvez já não vão a tempo.

28/04/2024

LASCIATE OGNI SPERANZA, VOI CH'ENTRATE: Vamos todos fingir que o problema não existe? Sim, vamos (9) - A leveza insustentável do sistema público de pensões (VI)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7) e (8)

Se quisermos comparar o sistema de pensões português (englobando a segurança social e os fundos privados de pensões) com outros sistemas um bom instrumento é o Institute Global Pension Index da Mercer, uma multinacional de consultoria de gestão e recursos humanos.  O índice avalia 44 sistemas sistemas de pensões, en três dimensões: 

  • adequação (os benefícios que os futuros pensionistas provavelmente receberão);
  • sustentabilidade (a probabilidade do sistema actual suportar as adversidades demográficas e financeiras futuras) e 
  • integridade (confiança inspirada pela regulação dos fundos privados de pensões).

Mercer CFA Institute Global Pension Index 2023

Como mostra o diagrama, em termos de adequação e integridade (dos fundos privados de pensões), o sistema português está bem posicionado. O problema sério é em relação à sustentabilidade, como aqui no (Im)pertinências se tem vindo a demonstrar em dezenas de posts (ver etiqueta "pensões").

10/09/2023

LASCIATE OGNI SPERANZA, VOI CH'ENTRATE: Vamos todos fingir que o problema não existe? Sim, vamos (8) - A leveza insustentável do sistema público de pensões (V)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6) e (7)


«Em agosto, o Eurostat publicou as últimas estatísticas europeias sobre a produtividade do fator trabalho relativas ao ano de 2022. Este indicador é particularmente relevante para um país que tem um problema de envelhecimento demográfico enorme e que não capitalizou, isto é, poupou coletivamente, para acautelar o futuro. Sempre assentou num sistema redistributivo das pensões de reforma em que os mais jovens sustentam, com os seus descontos, para pagar as pensões dos já aposentados.

Como, no futuro, o número de aposentados por cada ativo empregado vai aumentar muito significativamente, é óbvio que, se nada fizermos, a carga de impostos sobre esses jovens vai ter de aumentar só para alimentar as pensões de reforma. Sobre isso, na medida em que são os mais velhos que mais consomem em bens e serviços de saúde, é também fácil perceber que de duas uma: ou a fatura do SNS tenderá a aumentar cada vez mais para fazer face a esta procura crescente por parte dos aposentados, ou se diminui a quantidade e a qualidade do SNS.

Consequentemente, se nada fizermos, ou se reduz a qualidade de vida dos aposentados (e eu quero ver como é que o fazem quando eles forem a maioria de eleitores...) ou a fatura fiscal terá de continuar a subir e o país tenderá a ser cada vez menos atrativo fiscalmente. Com salários brutos mais baixos e taxas de imposto cada vez mais elevadas, o salário líquido será cada vez menor, enfraquecendo-se sucessivamente a capacidade de consumo e poupança.

Neste ambiente, para se poder manter ou aumentar a receita fiscal sem diminuir o rendimento das pessoas é forçoso aumentar a produtividade. Uma pessoa mais produtiva aumenta o rendimento e paga mais impostos, mesmo sem aumentar a taxa de imposto, isto é, o esforço fiscal que fazemos.

E o que é que se passa com a produtividade portuguesa? Em 2013, a nossa produtividade era 80% da produtividade média da União Europeia. Agora é 74,8%. Em 2013 éramos o 18º país da União Europeia. Agora somos o 23º. Piores do que nós só a Hungria, a Eslováquia, a Grécia e a Bulgária.

É certo que a nossa produtividade aumentou quase 21% neste período, mas não ao ritmo da dos outros, o que nos fez divergir da média. E quando eles são mais produtivos, colocam os seus produtos mais baratos no mercado e ainda ganham mais!

Pode mudar-se este trajeto sem necessidade de escrever cartas a Bruxelas a pedir soluções. Mas não é a embalar o povo, amuan­do ou a ameaçar investidores que vamos lá.»

A descer alegremente, João Duque no Expresso

20/02/2022

A lei de Merton e o conflito entre a redução da pobreza e a redução das emissões

Uma equipa de investigadores, liderada por Benedikt Bruckner da Universidade de Groningen, publicou há dias na Nature Sustainability o paper Impacts of poverty alleviation on national and global carbon emissions onde avalia o conflito entre a erradicação da extrema pobreza e a redução das emissões para metade até 2030 que constituem os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. A  razão é simples, as pessoas com maior rendimento (e os países mais desenvolvidos) têm, por razões óbvias, uma pegada de carbono muito maior do que os pés-descalços, passe a piada.  


O diagrama acima, extraído do paper citado, mostra claramente que a desigualdade da pegada de carbono está relacionada com a desigualdade de rendimento. Há por isso que ter cuidado com as consequências indesejadas de se pretender melhorar a distribuição de rendimento e, sobretudo, eliminar a pobreza, que aumentarão inevitavelmente as emissões, a não ser que os ricos reduzam drasticamente a sua pegada. Segundo o estudo, se a metade das pessoas de maior rendimento diminuísse para metade as suas emissões as emissões totais cairiam 40%. Se, um gigantesco se, apesar serem os mais ricos os que mais badalam o seu amor ao ambiente.

[Lei de Merton ou das «consequências imprevistas da ação social intencional» enunciada por Robert K. Merton em 1936 em “The Unanticipated Consequences of Purposive Social Action”]

30/01/2022

Declaração (im)pertinente de voto - só se pode escolher o que está à escolha (4)

 

Entre o prejuízo da certeza e o benefício da dúvida, escolhemos o benefício da dúvida e votamos coligados para uma coligação.


Impertinente ............................................ Pertinente

23/11/2021

SERVIÇO PÚBLICO: Como uma lei iníqua dá ao Partido Comunista, através dos sindicatos que controla, um poder que os votos há muito deixaram de lhe dar

«Enquanto há 50 ou 100 anos a maioria dos membros dos sindicatos trabalhava no sector privado, em muitos países hoje a maioria dos membros dos sindicatos trabalha para o sector público ou para empresas diretamente ligadas ao Estado. Ou seja, os sindicatos deixaram de ser uma forma de os trabalhadores se unirem para ganhar poder negocial em relação ao seu patrão, que, sem sindicatos, tinha um poder quase monopsonista sobre alguns deles. Os membros dos sindicatos públicos ganham antes poder negocial sobre os restantes contribuintes, que estão muito menos organizados e dependem do Governo para zelar pelos seus interesses difusos.

Por fim, há um terceiro facto que é particularmente extremo em Portugal. Como o jovem economista Hugo Vilares tem documentado (com Addison, Portugal e Reis), em Portugal só cerca de 10% dos trabalhadores são membros de um sindicato. Mas a lei (*) impõe que 90% dos trabalhadores sejam afetados pelos contratos negociados por esses sindicatos. É difícil imaginar um maior défice democrático em Portugal. Há uma enorme discrepância entre os que têm voz nas negociações e aqueles que são afetados por elas.

Combinando todos os factos, temos que, se Portugal continuar a abrir a sua economia ao comércio internacional (como é inevitável, tendo em conta a nossa dívida externa), os sindicatos vão possivelmente praticamente desaparecer do sector privado. Ao mesmo tempo, protegidos pela lei, eles vão continuar a determinar as tabelas salariais por toda a economia e, graças a umas dezenas de milhares de associa­dos no sector público, vão conseguir bloquear serviços públicos essenciais usando greves. Junta-se a este panorama a suposta subordinação de uma fração significativa dos sindicatos aos interesses políticos do PCP, que tantos comentadores afirmam como sendo um facto. Se assim for, acabamos com um partido que caminha para ter menos de 5% dos votos, e, usando como seus peões menos de 2% ou 3% dos trabalhadores em Portugal, a conseguir bloquear a economia, influen­ciar quem ganha quanto e a dificultar seriamente quaisquer reformas, tudo ao serviço de impor em Portugal princípios marxistas-leninistas rejeitados em todo o mundo e com os quais quase nenhum português concorda. Talvez seja verdade, mas é de certeza uma situação perversa num regime democrático.»

Excerto de O PCP e os sindicatos, Ricardo Reis no Expresso

(*) O autor refere-se ao mecanismo das Portarias de Extensão previsto no Código do Trabalho, mecanismo cujo alcance foi limitado pelo governo de Passos Coelho e reposto pelo governo do Dr. Costa, por exigência dos comunistas para embarcarem na geringonça - ver o post SERVIÇO PÚBLICO: Regresso ao passado (continuação).

26/06/2021

Dúvidas (311) - União Europeia, um clube a caminho da irrelevância do qual estamos condenados a ser sócios?

Fonte

Por muito que a nomenclatura bruxelense baptize de soft power a crescente impotência da União Europeia, o certo é que no desconcerto das nações nenhuma potência pode existir sem poder económico, isto é com grandes empresas multinacionais competitivas (gráfico 1), com peso relevante no PIB mundial e nos mercados de capitais (gráfico 2) e com empresas inovadoras (gráfico 3). E, claro, também não pode existir sem relevância no hard power militar.

As coisas são como são e ainda não foi descoberta a maneira de serem diferentes. A esta luz percebe-se melhor o Brexit, sendo claro que o Portexit não está alcance do Portugal dos Pequeninos que está condenado inverter a boutade marxista (do Groucho não do Karl) porque só pode aderir a um clube que o aceite como membro.

18/08/2020

As minorias são todas iguais, mas há umas mais iguais do que outras. Os filhos da classe operária branca estão a ficar para trás

«Qualquer exame sério das estatísticas mostra que estamos muito longe de ser iguais, mas o que os números também mostram é que é errado e prejudicial agrupar grupos muito diferentes. Nessas discussões, os políticos frequentemente presumem preguiçosamente que todas as pessoas BAME (Negras, Asiáticas e de Minorias Étnicas) são iguais e que todos os grupos brancos são igualmente privilegiados. Mas uma análise adequada dos dados mostra não apenas que há diferenças marcantes dentro dos grupos BAME, mas que o grupo de pior desempenho de todos são os rapazes brancos da classe trabalhadora - o grupo demográfico esquecido.

Pode parecer divisivo comparar grupos diferentes, mas o sucesso na educação e na vida é relativo e se quisermos ajudar os que estão em pior situação, temos que saber quem eles são. Devemos ajudar todos que precisam - mas é vital poder comparar os grupos para saber quem está ficando para trás em relação aos seus pares. Os britânicos de Bangladesh ganham em média 20% menos do que os brancos, por exemplo, mas aqueles com ascendência indiana provavelmente ganham 12% mais. Os britânicos negros ganham em média 9% menos, mas os chineses ganham 30% mais. O que essas diferenças nos dizem é que os empregadores não estão sistematicamente discriminando entre as pessoas com base na cor da pele e que temos que procurar em outro lugar para ver as raízes da desigualdade. (...)

10/08/2019

ACREDITE SE QUISER: Aritmética salarial no Portugal dos Pequeninos ou o efeito multiplicador também se aplica aqui


Se perguntarem a um trabalhador inglês ou americano, por exemplo, qual é o seu salário, ele dirá que o seu salário anual é X e que recebe mensalmente X/12.

Se perguntarem a um trabalhador português qual é o seu salário anual, ele não saberá responder, a menos que seja o chefe da «secção de pessoal». Se lhe perguntarem o salário mensal, provavelmente dirá 630 euros, no caso do recibo acima. Se lhe perguntarem se é isso que recebe, dirá que não e explicará que terão de somar-se meia dúzia de subsídios, calcular e subtrair o IRS e a contribuição social e o ano dele tem 14 meses. Se lhe perguntarem se é só isso, dirá provavelmente que é melhor perguntarem à «secção de pessoal».

Por estas e por muitas outras, percebe-se que o Portugal dos Pequeninos só sairá do pântano do Estado Sucial se, por milagre, a Nossa Senhora de Fátima aparecer desta feita em Belém ao Senhor Presidente da República do Portugal dos Pequeninos e o mandar embarcar numa Nau Catrineta estacionada no Cais das Colunas, com a classe política quase toda, muita comentadoria (uma parte embarca pela classe política), os empreendedores que vivem pendurados no Estado Sucial, incluindo startuppers e, porque não?, os bloggers sem profissão conhecida.

18/08/2017

ESTÓRIA E MORAL: Em vez de usar esfregonas e baldes é preferível fechar a torneira

Estória

Em Agosto do ano passado chegaram a Itália provenientes da Líbia 21.294 pessoas. Nas duas primeiras semanas de Agosto deste ano chegaram apenas 2.080 ou seja uma redução de 80%, redução que já em Julho tinha sido de 51%.

Porquê? Segundo o Economist Espresso, dois factores contribuíram para essa significativa redução. O governo italiano impôs restrições às ONG que realizam missões de salvamento, acusando algumas de colaborarem com os traficantes que transportavam as pessoas e, principalmente, uma guarda-costeira líbia melhor treinada e equipada que dificulta a acção dos traficantes e retorna as pessoas a terra.

Moral

Em vez de usar esfregonas e baldes é preferível fechar a torneira.

[Às criaturas que me julguem insensível ao sofrimento dos refugiados direi que a maioria não são refugiados mas migrantes económicos e que para ajudar todos a Europa se arrisca a não ajudar nenhuns e a alimentar a xenofobia. Às criaturas da esquerdalhada e do politicamente correcto que improvavelmente passem por aqui e tenham vontade de me insultar, direi: ide catar-vos.]