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29/05/2026

O balão de hidrogénio do Dr. Galamba ou mais um elefante branco que se perdeu pelo caminho (7)

O Dr. Galamba, uma espécie de apoderado do Animal Feroz, ex-secretário de Estado da Energia e ex-ministro das Infraestruturas de governos socialistas, que «frequentou um doutoramento em Filosofia Política na London School of Economics» (não perguntem o que é frequentar um doutoramento), anunciou há seis anos uma «mega fábrica de hidrogénio em Sines» em parceria com a Holanda. Nos anos seguintes, essa megafábrica de hidrogénio e as outras foram-se gradualmente evaporando, como fui relatando em (2), (3), (4), (5), (6). 

Faltava a "mega fábrica" da Galp - o parque eólico com 19 turbinas em Odemira para alimentar projeto de hidrogénio verde. Já não falta. A Galp comunicou há dias à Câmara de Odemira a sua desistência do projecto.

Entretanto, o Dr. Galamba, sem surpresa para quem dispõe de tal currículo, é candidato à presidência da APREN - Associação Portuguesa de Energias Renováveis.

27/08/2025

O balão de hidrogénio do Dr. Galamba ou mais um elefante branco que se perdeu pelo caminho (6)

Há cinco anos escrevi aqui sobre o anúncio do Dr. Galamba, na altura secretário de Estado «para a Transição», de uma «mega fábrica de hidrogénio em Sines» em parceria com a Holanda. Nos anos seguintes a mega fábrica de hidrogénio foi-se gradualmente evaporando, como fui relatando em (2), (3), (4) e (5). Cinco anos depois, a coisa esfumou-se definitivamente e só vale a pena voltar a falar dela porque é um paradigma de projectos lunáticos promovidos por apparatchiks que nunca lançaram uma empresa,  nem criaram um posto de trabalho e não têm qualificações para avaliar o risco e a viabilidade de negócios que lançam com os dinheiros dos contribuintes a quem nunca prestarão contas.   

Luís Mira Amaral, uma das poucas pessoas com tino que escreve com propriedade sobre temas de energia, escreveu mais uma peça da qual extraí o texto abaixo a propósito do lunatismo estatal.    

«Por toda a Europa, incluindo Portugal, governantes ignorantes suportaram-se em powerpoints (que tudo permitem) para de uma forma iluminada desenharem estratégias irrealistas de transição energética. Isto é particularmente evidente com o hidrogénio verde, em que, como refere o presidente da EDP, temos agora um vale de desilusões com projetos a não saírem do papel, outros a serem cancelados, e empresas a falirem. Conclui-se que os avultados subsídios não são suficientes para o tornar competitivo no mercado, pois que os preços extremamente elevados levam a uma falta de procura pelo produto em sectores difíceis de eletrificar, tais como a siderurgia e o cimento. Apenas cerca de 20% do hidrogénio verde previsto na União Europeia deverá vir a ser produzido... O projeto do avião a hidrogénio da Airbus, subsidiado pelo Governo francês com €1,5 mil milhões, foi encerrado, a Hyvia, filial da Renault para os veículos utilitários a hidrogénio está em dificuldades e o Tribunal de Contas Europeu criticava o impasse na aventura do hidrogénio verde.

Por cá, fizemos com outros colegas um manifesto a criticar o megalómano projeto de produção em Sines de hidrogénio verde para ser exportado para os Países Baixos, pois a tecnologia estava imatura para grandes produções centralizadas e consequentes grandes transportes de energia, aconselhando começar-se por projetos de demonstração mais pequenos. Como resposta, um eletrizante (usando a expressão do Expresso) secretário de Estado brindou-nos com uma série de diatribes num webinar organizado pela Ordem dos Engenheiros sobre o hidrogénio e o então primeiro-ministro Costa chamou-nos velhos do Restelo. Respondi em direto na SIC a esse modernaço de Benfica (bairro em que vivia) que eu era um velho de Cascais e não do Restelo. Depois o agora europeizado Costa foi inaugurar a Fusion Fuel Portugal, que iria produzir eletrolisadores, subsidiou-a em €5 milhões do PRR e disse que a reindustrialização de Portugal começava aí! Azar dos Távoras, a empresa já faliu!»

28/11/2024

Estado empreendedor (112) - A política industrial falha porque o Estado é um mau empreendedor

O texto seguinte é um resumo de «Os falhanços da política industrial» de Ricardo Reis no Expresso, um artigo de opinião com uma independência e lucidez infelizmente raras no nosso Portugal dos Pequeninos, sobre as políticas industriais adoptadas com o propósito do Estado intervir para fazer crescer a economia, criar os chamados "campeões nacionais" e, em particular, intervir na investigação e desenvolvimento (I&D), sendo este último propósito o foco do artigo.

Ricardo Reis começa por chamar a atenção que a UE e os EUA gastam os mesmos 0,7% do PIB na I&D e a diferença está no sector privado que nos EUA investe quase o dobro da UE e no sector público em que na UE o apoio à ciência tem mais a ver com a equidade entre os Estados membros do que nos méritos dos programas financiados. Um exemplo desta última diferença é o Human Brian Project (HBP) no qual a UE «investiu cerca de mil milhões de euros entre 2013 e 2013, que fez avanços fundamentais na neurociência e na computação com o objetivo de criar um simulacro artificial do cérebro humano. Esse objetivo nunca foi alcançado. Já a empresa privada DeepMind, adquirida pela Google em 2014, começou por querer desenhar jogos, mas rapidamente dedicou-se a desenvolver ferramentas de inteligência artificial, alcançou enorme sucesso na biologia molecular, e mais recentemente está a apostar nos braços robóticos.

No que diz respeito às políticas industriais, há casos de sucesso e casos de falhanço quando estudamos a sua história pelo mundo fora. Regra geral, são mais os falhanços, justificando um saudável ceticismo quando se vê um partido fazer disto a sua bandeira como o PS fez parcialmente nas últimas eleições legislativas. Um problema de raiz é que os políticos não são particularmente bons a escolher os sectores certos onde investir. Antes pelo contrário, é inevitável que os bolsos fundos do Estado atraiam o esforço de persuasão de muitos aldrabões e oportunistas preparados para se aproveitarem do político bem-intencionado.

26/09/2024

CASE STUDY: A Madeira como região de culto (11) - O herdeiro do Bokassa das Ilhas

Sequela de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9) e (10)

O herdeiro (H. Monteiro)
Durante uns três anos e picos publiquei vários posts desta série dedicados à governação e à pessoa do Dr. Alberto João Jardim, a quem muito anos atrás o Dr. Jaime Gama prantou o cognome de Bokassa das Ilhas. Com a sua substituição pelo Dr. Miguel Albuquerque, uma figura aparentemente menos caricaturável, interrompi a série até que nos últimos tempos, em que se tornou mais notória a emergência do mesmo tipo de governação e de um estilo trauliteiro semelhante, senti um impulso incontornável para retomar a série, desta vez dedicada ao substituto do Dr. Jardim que, com o seu ar sofredor e postura vitimizada, fica muito longe do substituído.
   
O pretexto para retomar a série foi a louvável preocupação do Dr. Albuquerque que face aos oito apparatchiks detidos e às suspeitas que recaíram sobre os três membros do seu governo, se manifestou contra o recurso às denúncias anónimas que «só abre as portas ao populismo», populismo instalado há cinquenta anos na região pela mão do seu antecessor e agora continuado pela mão do sucessor. 

06/07/2024

A metalúrgica do regime afunda-se com ele (11) - A Martifer, um case study do empreendedorismo do Estado sucial

Actualização de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9) e (10)

Recordando: a Martifer, dos irmãos Martins, foi em tempos um dos exemplos de sucesso de José Sócrates e uma das meninas dos olhos do jornalismo promocional (uma variante do jornalismo de causas). Quando começou a afundar-se foi acolhida em 2007 pela Mota-Engil, a construtora mais emblemática do regime, de que foi presidente executivo Jorge Coelho. A Martifer teve mais 137 milhões de euros de prejuízos em 2014 e esteve desde Abril de 2015 a tentar vender 55% da Martifer Solar que contribuiu com metade dos prejuízos do grupo. Em Agosto de 2016, uma participação de 55% da Martifer Solar foi finalmente vendida à francesa Voltaliad. Nessa altura a Martifer Solar foi avaliada em de nove milhões de euros, uma fracção do que lá foi torrado.

Sem surpresa para ninguém, o principal financiador da Martifer foi o BES, à época o banco privado do regime, créditos que foram herdados pelo Novo Banco que entretanto já havia perdoado 26 milhões à Estia, uma imobiliária dos Martins. Entalado com os restantes muitos mais milhões, o Novo Banco pressionou a Mota-Engil (outro dos grandes devedores do Novo Banco) a tomar conta da gestão afastando os irmãos Martins.

Outro dos financiadores, igualmente sem surpresa para ninguém, foi a CGD, o banco público do regime, que entre outros financiou em 2007 o investimento pela Martifer do centro comercial Porto Gran-Plaza. Era para criar 700 postos de trabalhos e acabou a criar zero, transformado em mais um elefante branco. Foi agora vendido pela CGD que lá enterrou 65 milhões a uma private equity francesa por 20 milhões.

30/05/2024

Estado empreendedor (111) - o aeroporto que só abria, abre ou abrirá aos domingos (14) - Convertido à swiftologia

Continuação de outras aterragens: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10, (11), (12), (13).

Recapitulação: ao princípio era o verbo do Eng. José Sócrates: mais de um milhão de passageiros até 2015 e o investimento seria recuperado nos 10 anos seguintes. Era o multiplicador socialista a funcionar de acordo com o estudo «Plano Regional de Inovação do Alentejo» da autoria de Augusto Mateus, um ex-ministro socialista da Economia do 1.º governo de Guterres. Segundo o estudo, o aeroporto de Beja iria constituir uma «plataforma logística para a carga a receber e a expedir de/para a América e África, incluído o transporte de peixe, utilizando aviões de grande porte e executando em Beja o transhipment para aviões menores para a ligação com os aeroportos europeus».

Mais tarde e sucessivamente o aeroporto de Beja foi pensado para vários propósitos dos quais guardo como memória os seguintes: «plataforma logística», «unidade de desmantelamento de aviões», alternativa para aliviar a Portela e «uma espécie de parque de estacionamento de algumas companhias aéreas».

O momento estórico em que o avião com TS aterrou  

Por último, no primeiro trimestre o aeroporto de Beja foi frequentado por 53-passageiros-53. Até que no segundo trimestre o aeroporto talvez tenha encontrado a sua verdadeira vocação e recebeu Taylor Swift, vinda de Ibiza para os dois concertos em Lisboa durante os quais os sismógrafos registaram vários sismos.

14/02/2024

SERVIÇO PÚBLICO: Novo Aeroporto, um relatório de uma comissão que não é muito técnica e é pouco independente (2)

Continuação de (1)

Como mostrou Sérgio Palma Brito, de quem citei no post anterior o seu artigo sobre o Relatório Preliminar da Comissão Técnica Independente do Novo Aeroporto, são completamente fantasiosas as projecções do número de passageiros até 2050 com as quais se pretende fundamentar as escolhas de localização.

Luís Janeiro, professor da Católica, fez neste artigo uma autópsia dessas projecções comparando-as com as dos hubs de Madrid-Barajas e de Paris e confirmando a sua megalomania. 

Como se não fossem suficientes essas fantasias, o relatório ainda adopta a fantasia do hub de Lisboa muito popular entre os "especialistas". Jason McGuinness, CCO da Ryanair, considera essa fantasia «absolutamente ridícula» porque «há dois requisitos centrais para o desenvolvimento de um grande hub intercontinental: uma grande companhia área que alimente o hub e a localização geográfica correta para múltiplos fluxos de procura intercontinental. Lisboa simplesmente não tem estas características» e ainda porque «o mais provável é a TAP ir parar às mãos do grupo IAG. A IAG tem um grande hub internacional em Londres. Não vão aumentar a capacidade internacional em Lisboa. Vão enviar as pessoas de Lisboa para Heathrow.»

Em conclusão, depois de 70 anos a empurrar o novo aeroporto com a barriga para a frente, corremos o risco de acrescentar mais um gigantesco elefante branco à manada que vimos alimentando há cinco décadas.

21/04/2023

ARTIGO DEFUNTO: Lucros pela primeira vez na história, titularam eles

Público

Sem se dar conta que celebrar os primeiros lucros de uma empresa com 72 anos é, só por si, o reconhecimento do desastre da gestão pelo Estado sucial de uma empresa pública que presta um péssimo serviço público, constantemente paralisada por greves, o Público e os outros jornais que celebraram o feito passaram ainda ao lado do facto de o lucro miserável de 8 milhões resultar exclusivamente de uma indemnização compensatória, ou seja, um subsídio pago pelo governo, de 80 milhões que representa 40% das receitas de 2022, subsídio sem o qual a CP teria em 2022 mais um prejuízo superior a 70 milhões, a acrescentar aos quase dois mil milhões de prejuízos acumulados e a dois mil e cem milhões de dívida financeira, que a transformam num zombie completamente falido.

13/04/2023

A localização do novo aeroporto de Lisboa é em qualquer sítio menos em Lisboa (ou talvez não)

Há várias décadas que é anunciado regularmente o esgotamento da capacidade do aeroporto da Portela, agora rebaptizado General Humberto Delgado em homenagem a um homem do Estado Novo reciclado, anúncio que habitualmente precede o do novo aeroporto de Lisboa que está para chegar.

E não chega porque regularmente são acrescentadas mais localizações possíveis ou combinações de localizações. As duas últimas foram Monte Real e Alcochete+Portela, o que faz até agora nove localizações possíveis.

A meu ver, Monte Real é definitivamente a melhor de todas porque com o TGV, que há-de chegar com El-Rei Dom Sebastião, a parar em Leiria, este aeroporto ficaria a 40 minutos de Lisboa e a 50 do Porto permitindo substituir pelo menos dois aeroportos e talvez também o de Beja e mais tarde o de Faro.

Para abrir espaço às novas localizações, vão sendo descobertos inconvenientes às antigas, como nos casos de Alcochete e Montijo que afectarão os maçaricos-de-bico-direito, o que certamente levará a abandonar estas localizações porque, diferentemente do que se fez com a A8 desviada uns kms por causa de uns casais de rato de Cabrera, ter-se-ia que rebocar um aeroporto para o interior e lá daríamos préstimo ao aeroporto de Beja que hoje só abre aos domingos e que, com a salvação dos maçaricos-de-bico-direito, abriria todos os dias e permitiria substituir a Portela e talvez Faro.

Ou então, não. E ficaria tudo como está, com a vantagem de não se torrar o dinheiro que bastante falta faz para manter 740 mil funcionários públicos, que constituem uma parte significativa da freguesia do PS. É precisamente a proposta do Dr. João Soares, proposta que tudo indica tem as maiores probabilidades de vencer por falta de comparência das outras opções.

22/03/2023

Da paixão socialista pela ópera nasceu o Opart, um aborto que produz abortos

Jorge Calado, entre muitas outras coisas, como professor, cientista e investigador, um melómano em geral e um amante de ópera em especial, escreveu o que se segue sobre a obra da cóltura socialista no Teatro Nacional de São Carlos. Só posso concordar.

«Suspeito que o São Carlos seja hoje o pior teatro nacional de ópera na Europa, ignorado pelas revistas da especialidade. (...)

Além de ignorância cultural, o atual TNSC sofre do chamado ‘problema parasitário português’, definido há quase um século por Augusto Reis Machado como uma “organização caracterizada pelo predomínio de grupos de indivíduos que exclusivamente tratam dos seus interesses em detrimento dos interesses gerais”. O pecado original remonta a 2007 com a invenção do Opart ou Organismo de Produção Artística — uma hidra de sete cabeças que deveria gerir os teatros nacionais (teatro, ópera e dança) em Lisboa e no Porto, e ‘o mais que adiante se veria’. Para desgraça da ópera, ficou com o São Carlos, funcionando como agência de jobs for the boys and girls. (Compare-se o número de funcionários do Teatro antes e depois e as respetivas produtividades.) Recordo apenas que os primeiros administradores nomeados se dirigiram ao São Luiz para tomar posse, pensando que era o São Carlos; houve depois um administrador que se mudou para Madrid (creio que por razões sentimentais), obrigando um funcionário do teatro a ir lá regularmente para assinatura da papelada. Outros têm usado as mais-valias do edifício, incluindo o Salão Nobre, para os seus negócios particulares, etc.

Decorre agora um concurso internacional (?), com um júri integralmente nacional (!) cabeceado pela presidente do Opart — juíza em causa própria? — para a nomeação da ou do próximo diretor artístico. Dos cinco elementos, apenas um é musicólogo! Quanto às 19 páginas de um arrazoado caricato intitulado ‘procedimento de seleção’ — intraduzível em língua decente — não passa de um ataque de ‘burrocracite’ aguda capaz de afugentar qualquer candidato culto, com dois dedos de inteligência. A má e delirante escrita reflete a incapacidade de pensar de quem o redigiu. Pelos lidos, ficamos a saber que acreditam que arte não é cultura (como reza o exercício prospetivo da atividade artística e cultural). Se não sabem pensar, muito menos saberão escolher. (...)

A conclusão é óbvia: deliberadamente não querem resolver o problema, para que tudo fique na mesma. Isto é, com o ignorante Opart como controleiro, à moda soviética. Serão elas e eles a determinar o que o diretor artístico fará. Nestas condições, o TNSC é irreformável. Só enxergo uma solução: começar novamente do princípio, com gente séria e capaz. Se José Sasportes vê a atual situação como comédia — na verdade, esta gente não merece mais do que troça — eu encaro-a como tragédia.»

29/01/2022

Lost in translation (359) - O que falhou foi claramente a Dielmar não ser "estratégica"

Um destes dias, o secretário de Estado Adjunto e da Economia falando sobre a intervenção do governo do Dr. Costa na Dielmar disse

«O que falhou foi claramente uma gestão que não correspondia às necessidades da empresa. A intervenção do Estado era minoritária e a gestão era dos accionistas privados. Por diversas vezes nós procuramos, do lado da intervenção pública, alterar a situação porque manifestamente não correspondia às necessidades que objectivamente existiam.»

Tendo acompanhado esta saga nas Crónicas da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa deveria perceber o que a criatura quis dizer. Não percebi e recorri ao expediente do costume: o web bot de AI com machine learning baseada numa Neural Network com acesso a servidores de Big Data. Depois de 15 minutos o web bot devolveu uma mensagem ininteligível de erro terminada em fuck them.

Em desespero, alimentei o bot com o que escrevi sobre a Dielmar nas Crónicas nos últimos 3 meses e o resultado da tradução pelo bot foi:
«A verdade é que nenhum de nós no governo faz a menor ideia de como se gere um negócio. Somos quase todos funcionários públicos com empregos vitalícios e os poucos que não são estão em empresas parasitárias que vivem penduradas no Estado. Nem um negócio de venda de castanhas assadas num carrinha qualquer de nós seria capaz de lançar, quanto mais gerir uma empresa de confecções que só seria viável exportando a maior parte da sua produção. O que fazemos bem é torrar dinheiro em empresas “estratégicas”, que é o nome a que damos às empresas onde torramos dinheiro. O que fizemos, portanto, foi tentar que os sindicatos e os apparatchiks da câmara de Castelo Branco não nos chateassem, sobretudo com eleições à vista, e para isso injectámos lá dinheiro dos contribuintes e demos garantias que no futuro serão pagas pelos mesmos contribuintes, esperando que um “privado” ficasse com o mono. Porém, apesar de privados, os "privados" estranhamente não se mostraram muito entusiasmados em torrar lá o seu dinheiro.»

Esta tradução do bot parece saída da pena de um advogado que trabalha para o Estado. Para mim uma tradução curta e grossa ficaria como no título deste post. 

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O que escrevi sobre a Dielmar nas Crónicas nos últimos 3 meses:

17/10/2021

O balão de hidrogénio do Dr. Galamba ou mais um elefante branco a caminho (5) - Antes de se começar a torrar o dinheiro conviria perceber o que se pode fazer com o H2

«Amid the excitement, it is worth being clear about what hydrogen can and cannot do. Japanese and South Korean firms are keen to sell cars using hydrogen fuel cells, but battery cars are roughly twice as energy efficient. Some European countries hope to pipe hydrogen into homes, but heat pumps are more effective and some pipes cannot handle the gas safely. Some big energy firms and petrostates want to use natural gas to make hydrogen without capturing the associated carbon effectively, but that does not eliminate emissions.

Instead, hydrogen can help in niche markets, involving complex chemical processes and high temperatures that are hard to achieve with electricity. Steel firms, spewing roughly 8% of global emissions, rely on coking coal and blast furnaces that wind power cannot replace but which hydrogen can, using a process known as direct reduction. Hybrit, a Swedish consortium, sold the world’s first green steel made this way in August.

Another niche is commercial transport, particularly for journeys beyond the scope of batteries. Hydrogen lorries can beat battery-powered rivals with faster refuelling, more room for cargo and a longer range. Cummins, an American company, is betting on them. Fuels derived from hydrogen may also be useful in aviation and shipping. Alstom, a French firm, is running hydrogen-powered locomotives on European tracks.

Last, hydrogen can be used as a material to store and transport energy in bulk. Renewable grids struggle when the wind dies or it is dark. Batteries can help, but if renewable power is converted to hydrogen, it can be stored cheaply for long periods and converted to electricity on demand. A power plant in Utah plans to store the gas in caverns to supply California. Sunny and windy places that lack transmission links can export clean energy as hydrogen. Australia, Chile and Morocco hope to “ship sunshine” to the world.»

Excerto de Hydrogen’s moment is here at last

23/04/2021

Estado empreendedor (110) - O aeroporto que só abria, abre ou abrirá aos domingos (13) - Ressuscitado como apêndice de uma zona franca

Continuação de outras aterragens: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10, (11), (12)

Recapitulação

Ao princípio era o verbo do Eng. José Sócrates: mais de um milhão de passageiros até 2015 e o investimento seria recuperado nos 10 anos seguintes. Era o multiplicador socialista a funcionar de acordo com o estudo «Plano Regional de Inovação do Alentejo» da autoria de Augusto Mateus, um ex-ministro socialista da Economia do 1.º governo de Guterres. Segundo o estudo, o aeroporto de Beja iria constituir uma «plataforma logística para a carga a receber e a expedir de/para a América e África, incluído o transporte de peixe, utilizando aviões de grande porte e executando em Beja o transhipment para aviões menores para a ligação com os aeroportos europeus».

Entretanto, durante mais de uma década, desenrolou-se uma saga cujos principais episódios são relatados nos posts anteriores, o último dos quais consistiu num projecto para desmantelar aviões que se esfumou, como os anteriores.

Novos desenvolvimentos

Passados doze anos e imensos projectos de inspiração evangélico-socialista, do tipo se o construímos eles virão, ou do tipo Lockheed TriStar, se já gastámos x milhões vamos gastar mais y milhões para não perder o x, e de seguida vamos gastar mais z milhões, para não perder x + y, e assim sucessivamente, as ideias tornam-se inevitavelmente cada vez mais místicas, como é o caso agora da ideia de «usar aeroporto de Beja para ser uma zona franca comercial e industrial»

Esta última ideia, avançada pelo Presidente da Comunidade Portuária e Logística de Sines, cargo que certamente lhe deixa tempo suficiente para produzir mais ideias, seria mais uma para fazer meia dúzia de anúncios, dois ou três relatórios, quatro ou cinco apresentações, e no final torrava-se umas centenas de milhar e estaria o assunto arrumado. Infelizmente, com a chegada os milhões da bazuca a coisa pode complicar-se e chegar a vias de facto torrando-se não umas centenas de milhar mas centenas de milhões.

13/03/2021

TAP, Unipessoal - o pedronunismo como receita para o desastre

«Lendo as notícias sobre a TAP no último mês, ela não parece ter apenas uma maioria de capital público. Não é também uma mera entidade pública com uma missão clara. Não é sequer uma empresa com gestores e trabalhadores. Antes, ela é uma delegação do Ministério das Infraestruturas e da Habitação. Quem acautela pelos créditos e garantias dados à empresa? O ministro Pedro Nuno Santos. Quem discute planos de reestruturação? Santos. Quem firma acordos com os sindicatos dos trabalhadores? Santos. Quem negoceia com os fornecedores? Santos. Quem revela quem será contratado para a Comissão Executiva? Santos. Quem discute o futuro do aeroporto? Santos. Dependendo do tema, Santos é credor, acionista, gestor, estratego, crítico... Hoje, na comunicação social, a TAP é Santos, e Santos é a TAP. (...)

Se olharmos para a TAP como um serviço público às ordens do ministro Santos, o acordo com os sindicatos faz sentido. Já da perspetiva de uma empresa que concorre num mercado privado, faz bastante menos.»

De quem é a TAP?, Ricardo Reis

11/12/2020

O balão de hidrogénio do Dr. Galamba ou mais um elefante branco a caminho (4) - Há uma diferença grande entre um visionário e um lunático, por vezes só visível depois de uma soma grande de dinheiro

Outros balões de hidrogénio.

«Em 2019, a Comissão Europeia definiu, no âmbito do Pacto Ecológico Europeu, o hidrogénio como uma das suas apostas para a descarbonização energética da União Europeia até 2050. Nesse contexto, Portugal apressou-se a entrar na corrida e apresentou a Estratégia Nacional para o Hidrogénio (EN-H2) para aceder aos fundos europeus, supostamente para fomentar a criação de emprego e contribuir para o caminho da descarbonização.

Mas a estratégia para o hidrogénio verde terá custos económicos e vários obstáculos.

A EN-H2 propõe um financiamento público de 900 milhões de euros, prevendo que a produção de hidrogénio se reparta em 2030 no consumo interno e à exportação e que seja competitivo em termos financeiros no futuro.

Aqui deparamo-nos com o primeiro obstáculo. Não existe qualquer garantia que o hidrogénio verde seja competitivo num futuro próximo. A Agência Internacional de Energia (AIE) emitiu um relatório que prevê que o hidrogénio apenas seja competitivo a partir de 2050. Isto significa, na perspectiva mais optimista, que Portugal poderá daqui a três décadas vender hidrogénio verde a preços ligeiramente mais competitivos que o hidrogénio produzido com gás natural.

Neste cenário, o megaprojeto de Sines como estandarte na estratégia do Governo soa a mais uma aposta de risco devido ao gigantesco esforço financeiro e a um retorno a longo prazo incerto. (...)

Por último, no atual momento social e económico, com a economia paralisada, desemprego a galope, quebra do PIB superior a 12%, défice público a subir em flecha e muitos anos de recuperação pela frente, não é compreensível que o Governo continue com a estratégia do hidrogénio verde a alimentar um negócio de risco.

Analisando outras economias mais robustas de países desenvolvidos e mais empenhadas no processo de descarbonização que Portugal, é interessante constatar que nenhuma deu ao hidrogénio tanto protagonismo. As dúvidas suscitadas, custo e risco altíssimo, podem explicar essa falta de entusiasmo e investimento.
»

Excerto de Hidrogénio, necessidade ou ilusão? por Sofia Afonso Ferreira

23/08/2020

O balão de hidrogénio do Dr. Galamba ou mais um elefante branco a caminho (3) - Da discussão nasce a luz, salvo quando se discute com lâmpadas fundidas

[Continuação dos balões (1) e (2)]

Já tinha citado no post anterior Clemente Pedro Nunes, um professor de engenharia que tem obra publicada sobre os temas da energia e em particular do hidrogénio, entretanto insultado pelo apparatchik socrático estacionado na secretaria de Estado da Energia. Volto hoje a fazê-lo respigando um excerto do seu escrito muito esclarecedor no Expresso de ontem: 

«Estamos, sim, perante o retomar do circo mediático iniciado em 2005 pelo Governo Sócrates para promover as potências elétricas intermitentes, solares e eólicas, à custa dos consumidores.

Para atrair investidores para essas tecnologias, na altura imaturas, foram-lhes oferecidas FIT (Feed in Tariffs), que dão a quem delas beneficia generosas tarifas garantidas, em simultâneo com uma reserva absoluta de mercado durante 15 anos.

É assim que ainda hoje as famílias e as PME estão a pagar 380 euros/MWh pela eletricidade solar dos parques concedidos pelo Governo Sócrates em 2010, quando o preço atual de mercado está abaixo de 40 euros/MWh!

O que conduz a um sobrecusto de 600 milhões de euros por ano. E se juntarmos as FIT concedidas maciçamente às eólicas, os sobrecustos atingem os 2000 milhões de euros por ano. Uma bagatela para uma economia muito enfraquecida como a portuguesa.

E foram também as FIT concedidas às potências intermitentes que expulsam a atual central de Sines do mercado e forçaram a proprietária EDP a solicitar o respetivo encerramento, deitando assim ao lixo a mais eficiente central a carvão da Península Ibérica.

E para a substituir aparece agora um projeto megalómano de fazer uma monumental unidade de eletrólise para consumir eletricidade e água do mar, que para o efeito terá de ser dessalinizada para produzir hidrogénio, que, por sua vez, se vai queimar para depois se voltar a produzir eletricidade ...

Ou seja, desperdiçar milhares de milhões de euros de um país terrivelmente endividado num projeto completamente desnecessário e ineficiente do ponto de vista energético. E, de caminho, dar mais FIT aos novos promotores de mais 2000 MW de potências intermitentes, destruindo qualquer veleidade de se voltar a ter um mercado elétrico nos próximos 15 anos.

O país não pode derreter mais dinheiro em mais tecnologias imaturas, que apenas têm contribuído para enriquecer os respetivos promotores e arruinar a economia portuguesa desde 2005.

Por expor estas ideias no âmbito da discussão pública promovida pelo próprio Governo, fui já publicamente insultado pelo secretário de Estado João Galamba. Será uma nova ferramenta de pressão mediática que, todavia, não me intimida ... »

22/08/2020

CASE STUDY: Elefantes brancos em Espanha (24)

Este post é uma continuação da série Elefantes brancos em Espanha onde publiquei quase toda a colectânea apócrifa «ESPAÑA PAIS DE MILLONARIOS» dos resultados do socialismo ibérico em Espanha. Oito anos depois repesco o tema a propósito de um artigo recente da Economist, sobre o AVES (TGV em Espanha), um gigantesco elefante branco. Respigo desse artigo alguns passagens baseadas num estudo da AIReF (Autoridad Independiente de Responsabilidad Fiscal, entidade que tem como missão «velar pela sustentabilidade das finanças públicas»).

«Nas últimas três décadas, a Espanha injectou dinheiro nas infraestruturas de transporte, incluindo rodovias e aeroportos, bem como no AVES. Agora tem 3.086 km de linhas ferroviárias de alta velocidade (mais de 250 km por hora), rede superada apenas pela China. O número de passageiros quase dobrou na última década, à medida que o AVES conquistou passageiros aos voos domésticos. Mesmo assim, há menos de um terço do número de passageiros por quilómetro de França.

A rede custou € 61 mil milhões até agora. A AIReF já fez o primeiro estudo completo de custo-benefício dos comboios. Constatou que os benefícios, inclusive para o meio ambiente, são inferiores ao custo total, embora isso possa eventualmente mudar para as linhas de Madrid a Sevilha e Barcelona. Mas há planos para mais 5.654 km de linhas de alta velocidade, a um custo de pelo menos € 73 mil milhões. Muito melhor, diz a AIReF, seria investir nas redes de passageiros esquecidas, que transportam 89% dos passageiros ferroviários. A AIReF pressiona a criação de uma agência independente para definir as prioridades do transporte e avaliar os projectos.»

É o socialismo, na sua modalidade ibérica.

19/08/2020

O balão de hidrogénio do Dr. Galamba ou mais um elefante branco a caminho (2) - O multiplicador socialista, sempre

[Continuação do balão anterior]   

O estudo apresentado pelo secretário de Estado da Energia para justificar o seu  projecto do hidrogénio estima os seguintes impactos principais (Expresso): 
  • Valor acrescentado anual de 38 milhões a 262 milhões
  • Efeitos indirectos entre 92 e 740 milhões de euros
  • Empregos directos entre 630 e 5.340
  • Empregos indirectos entre 1.870 e 13.100 mil indirectos
  • Redução de emissões entre 0,3 e 1,8 milhões de toneladas de CO2 
  • Os investimentos até 2030 são estimados entre 1,1 e 7,3 mil milhões de euros.
Repare-se que os limites inferiores e superiores dos intervalos de variação dos outputs e dos investimentos do projecto nos vários cenários variam na proporção de 1 para de 6 a 8. Será uma paródia?

Voltarei com mais tempo ao hidrogénio do Dr. Galamba, por agora vem a propósito evocar dois posts que escrevi sobre o efeito multiplicador socialista um de 2006 e de outro de 2015, ambos sobre o investimento em infra-estruturas rodoviárias SCUT. Também este investimento, realizado na sua maior parte pelo Eng. Sócrates, o mentor do Dr. Galamba, foi sustentado em vários "estudos".  

Um desses estudos "O impacto económico e orçamental do investimento em Scut", baseado num modelo econométrico dos doutores Pereira e Jorge Andraz, estimava que por cada milhão de euros que o governo investisse em infra-estruturas rodoviárias o efeito acumulado no PIB seria de 18 milhões de euros.

14 anos depois, qual foi o efeito multiplicador do investimento nas SCUTS? Ninguém sabe. É possível que tenha sido um efeito "desmultiplicador", ou, na melhor hipótese, 1,8 ou 0,18, em vez do 18 dos doutores Pereira e Jorge Andraz. Será mais fácil saber o efeito na dívida pública que, por força desse e doutros projectos dos dois governos socialistas do Eng. Sócrates, se multiplicou por 1,8 entre 2005 e 2011.

16/08/2020

A propósito do hidrogénio e das previsões ou no melhor pano também caem as nódoas que ensopam os panos de má qualidade

Com 176 anos, a Economist é uma das melhores revistas de economia e finanças, senão mesmo a melhor. Esses pergaminhos não a impediram de há 17 anos ter previsto o fim próximo das energias de origem mineral (petróleo e carvão) e o advento de novas formas de energia, nomeadamente o hidrogénio, como salientou um leitor em carta publicada no penúltimo número. Fim próximo que, como o anúncio da morte de Mark Twain, foi uma notícia manifestamente exagerada.          

«Finally, advances in technology are beginning to offer a way for economies, especially those of the developed world, to diversify their supplies of energy and reduce their demand for petroleum, thus loosening the grip of oil and the countries that produce it.

Hydrogen fuel cells and other ways of storing and distributing energy are no longer a distant dream but a foreseeable reality. Switching to these new methods will not be easy, or all that cheap, especially in transport, but with the right policies it can be made both possible and economically advantageous.»

(The end of the Oil Age)

Felizmente, o secretário de Estado da Energia, nessa altura (2003) ainda à espera do chamamento do seu mentor Sócrates, não deve ter lido o prognóstico. Se tivesse, seria tentado a vender a ideia do hidrogénio ao seu mentor e este e o seu ministro dos corninhos Pinho poderiam ter adicionado desde logo mais uns milhares de milhão aos 22 mil milhões de euros em rendas excessivas e tecnologias imaturas com que nos brindaram a pretexto das energias eólica e solar (estimativa de Abel Mateus e outros subscritores do Manifesto para a Recuperação do Crescimento e Estabilização Económica Pós-Covid-19).

29/07/2020

Leitura recomendada para se perceber que a nacionalização da TAP irá fazer companhia...

... ao aeroporto que só abria, abre ou abrirá aos domingos no cemitério dos elefantes brancos dos empreendimentos socialistas: "Como socialistas e patriotas úteis destruíram a TAP" de José Mendonça da Cruz, no Observador.

O cemitério está agora sob gestão do Dr. Pedro Nuno dos Santos, o principal ideólogo do pedronunismo, uma escola de pensamento económico afiliada da Mouse School of Economics. 

Pergunta supérflua: poderia ser de outra maneira? Não. Esta gente reúne as condições necessárias e suficientes para se envolver em projectos inviáveis ou levar ao insucesso projectos viáveis, nomeadamente porque:
  • Nunca investiu um cêntimo do seu bolso
  • Nunca criou um posto de trabalho
  • Nunca desempenhou nenhuma função produtiva e na maioria dos casos só entrou numa empresa para fazer uma inauguração
  • Está sob influência de uma teia de interesses que capturam o Estado Sucial
  • Nos "projectos" em que "investe" não arrisca um cêntimo
  • Está absolutamente blindada contra as consequências do insucesso dos "projectos".