Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Mostrar mensagens com a etiqueta Bazuca. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Bazuca. Mostrar todas as mensagens

21/07/2022

Pro memoria (423) - É muito descaramento. No lugar dos "frugais", cortaria ao Dr. Costa os fundos que os contribuintes europeus lhe dão para ele fingir que governa

Reagindo ao anúncio do financiamento pela UE de um pacote de medidas para ajudar os países mais dependentes do gás russo a fazerem transição, o Dr. Costa, depois de explicar que em Portugal se torraram 17 mil milhões de euros nas energias renováveis (esqueceu-se de dizer que durante 20 anos os portugueses pagaram a energia a preços mais elevados do que na maioria dos outros países) reagiu assim:

«A solidariedade significa também que não vamos fazer pagar aos portugueses, depois de investirem 17 mil milhões de euros em renováveis, custos suplementares para compensar o atraso em que outros se colocaram quando podiam e deviam ter feito investimentos como nós fizemos nas energias renováveis.»

Pordata
Para quem é primeiro-ministro de um país que desde 1986 recebeu da UE transferências líquidas de 78 mil milhões de euros (equivalente a cerca de 100 mil milhões de euros a preços de 2021) e durante os seus governos de 2016 a 2021 recebeu 14 mil milhões de euros e se prepara para receber 14 mil milhões de euros para financiar um Plano de Recuperação e Resiliência, dizer tal coisa mostra um enorme descaramento.

11/07/2021

CASE STUDY: A receita para desperdiçar os fundos europeus. Uma antevisão dos resultados da bazuca

O estudo Avaliação dos incentivos financeiros às empresas em Portugal de Fernando Alexandre da Universidade do Minho, publicado em Junho, mostra que «os incentivos FEDER podem ter falhado no cumprimento do objetivo de melhorar a produtividade e a competitividade das empresas. A dececionante dinâmica das empresas em relação à sua posição na distribuição da produtividade sugere que o procedimento de seleção não foi ótimo.»

As 135 páginas do relatório não são de digestão fácil. Em alternativa pode ler-se uma boa síntese da jornalista Joana Nunes Mateus publicada ontem no Expresso.

Não é extraordinário que em média apenas um terço das empresas melhorem a sua produtividade? E que essa proporção tem descido no tempo? Não é ainda mais extraordinário que mais de um terço piorou? 

E o que dizer do facto de três anos depois dos apoios já tinham fechado 13% das apoiadas em 2014 e 5% das apoiadas em 2015?

É dinheiro deitado para a sanita, disse o CEO da Ryanair a propósito do dinheiro que o Dr. Pedro Nuno Santos está a torrar na TAP no âmbito da sua campanha para CEO do PS.

03/03/2021

"O governo socialista não acredita na iniciativa privada, nem na liberdade económica" (nem um grande número de portugueses)

«Posso garantir-vos. O dinheiro que vem de Bruxelas não vai apoiar o aparecimento e o crescimento das chamadas empresas de inovação, digitais e de novas tecnologias industriais. E não vai acontecer por uma razão muito simples: o governo socialista não acredita na iniciativa privada, nem na liberdade económica. Em suma, não acredita na capacidade dos portugueses para criarem riqueza livremente. Quase meio século depois do 25 de Abril, os portugueses continuam a não ter liberdade para construir a sua economia, as suas empresas, para testar a suas ideias e a sua iniciativa. É triste, muito triste.

Para os socialistas, o Estado é o princípio e o fim da economia. Vão usar receitas do século XX, que falharam, para desafios económicos e sociais do século XXI. As ideias erradas dos socialistas sobre a economia vão levar, mais uma vez, a um enorme desperdício de fundos europeus. Quando chegarmos ao fim do PRR, Portugal estará mais pobre do que hoje, em termos relativos europeus. É necessária muita arrogância, muita teimosia, muita ignorância e a satisfação de muitos interesses para transformar tantos fundos europeus em mais pobreza em vez de mais riqueza. Como é possível que passados tantos anos, os portugueses ainda não tenham percebido que a pobreza é o destino do socialismo? Se um dia a pobreza desaparecesse, ou diminuísse bastante, já não seria possível justificar este enorme Estado socialista. O socialismo e a pobreza são as duas faces da mesma moeda. Pobres portugueses, condenados ao socialismo.
»

O Estado socialista é o responsável pela pobreza de Portugal, João Marques de Almeida no Observador

28/02/2021

Lost in translation (350) - Ó Dr. Costa traduza lá por miúdos o que vai fazer ao resto


Aproveitando a ignorância e desinteresse dos sujeitos passivos e contando com a prestimosa colaboração do jornalismo de causas para propagar a Boa Nova, o Dr. Costa respondeu com o seu habitual estilo mistificador às críticas de uma bazuca virada para o Estado sucial gravando um vídeo a garantir que «no PPR estão directamente reservados às empresas 4.600 milhões de euros para investir até 2026».

O que ele não explicou foi que os restantes 9.300 milhões de euros vão ser despejados na máquina trituradora do Estado sucial. Como não explicou que além dos 13.900 milhões do PRR vão ser despejados um total de 61.000 milhões até 2029 dos dinheiros da Óropa. 

É claro que no dia seguinte o Dr. Souza do Planeamento foi explicar ao parlamento, com o mesmo estilo mistificador do seu chefe, que afinal não só os 4.600 milhões para as empresas porque, segundo ele, do total dos 13.900 milhões do PRR, 10.000 milhões serão compras às empresas. Sem surpresa, nenhum deputado lhe pediu para explicar porquê, não produzindo o Estado sucial nenhum bem ou serviço transaccionável, só 10.000 dos 13.900 milhões serão procura às empresas e o que será feito do resto.

Esta gente nunca perceberá que em vez de ser o governo e os seus apêndices, ocupados por gente que nunca criou um posto de trabalho e a maioria só entrou em empresas produtivas para fazer inaugurações, a decidir onde vai ser aplicado o dinheiro seria um desastre menor usar o helicóptero e fazer o que a administração Trump e a administração Biden fizeram: distribuir um total de quase 2 biliões de dólares (dois milhões de milhões) pelos cidadãos para gastarem e em consequência o desemprego ficar pelos 4% e o crescimento do PIB subir para 6,8%.  

Escrevi desastre menor porque sendo certo que na economia portuguesa descapitalizada o dinheiro do helicóptero iria em grande parte financiar importações de bens e só uma pequena parte acabaria investida. Porém, com o governo a decidir onde vai ser aplicado o dinheiro o resultado não será melhor e no fim do dia vamos ter o que sempre tivemos: dinheiro deitado em cima dos problemas, mais uns elefantes brancos e enriquecimento sem causa de empresários do regime e da grande família socialista em geral.

22/02/2021

Portugal não absorve, Dr.ª Nazaré Fernandes. Quem absorverá rapidamente é a grande família socialista

Jornal Económico

ab·sor·ver |ò...ê| 

Conjugar

(latim absorbeo-ere)
verbo transitivo

1. Fazer desaparecer total ou parcialmente um líquidoatraindo-o a si.

2. [Por extensão]  Neutralizarfazer desaparecer.

3. [Figurado]  Consumirgastar.

4. Enlevar.

5. Engolirtragardevorar.


"absorver", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/absorver [consultado em 22-02-2021].

26/12/2020

SERVIÇO PÚBLICO: A verdade só é como o azeite com uma imprensa livre e gente independente, uma e outra em risco na democracia asmática do PS

Porque teria o governo do Dr. Costa optado por usar apenas o financiamento a fundo perdido do Fundo de Recuperação (a bazuca) não utilizando o empréstimo em condições vantajosas? Estranhamente a comentadoria do regime ignorou, por razões que não são estranhas, esta opção do governo. Lembrando-me vagamente de já ter lido uma explicação plausível, fui procurar e aqui está a explicação de Daniel Bessa, um ex-ministro da Economia de Guterres durante cinco meses (saltou do comboio socialista, logo que percebeu para onde ia).

«Na hora de apresentar aos portugueses um primeiro esboço do programa de utilização dos €26,1 mil milhões, que terá de ser submetido à Comissão Europeia até ao próximo dia 15 de outubro, António Costa referiu-se apenas a €15,3 mil milhões, deixando escapar, quase entredentes, que Portugal não se candidataria aos €10,8 mil milhões que nos foram atribuídos a título de empréstimo. Portugal não quer empréstimos, só aceita fundo perdido. Razão invocada: a dívida pública portuguesa já é muito elevada. (...)

O primeiro-ministro de Portugal congratulou-se com os €750 mil milhões do Fundo de Recuperação mas, na hora de nos dizer de quanto dinheiro dispúnhamos, nunca incluiu os €10,8 mil milhões deste Fundo que nos foram atribuídos a título de empréstimo. Não mentiu. Tardou apenas algum tempo, e deu algum trabalho para que se tornasse claro. (...)

Com as contas mais equilibradas, o problema do excesso de dívida pública não desapareceu, vendo-se agora subitamente agravado pela crise económica e social provocada pela pandemia. O défice público está de regresso, e apenas em 2020 e em 2021, fazendo fé nas contas e nas projeções do Governo, o Estado Português terá dois défices que, somados, rondarão os €27 mil milhões, aumentando no mesmo montante a dívida pública. O Governo português recusa €10,8 mil milhões de empréstimo da UE porque está muito endividado, mas vai endividar-se, no mesmo período, em €27 mil milhões. Porquê? Porque os primeiros teriam de financiar investimento público e privado, acompanhado de reformas, enquanto os segundos financiarão consumo público, mesmo na parte em que este se vai ver aumentado, pese embora a enorme redução de receita. Algum deste aumento do consumo público não é estritamente indispensável e, em matéria de reformas, não haverá nenhuma.»

A verdade, como o azeite...Daniel Bessa

08/12/2020

Dúvidas (295) - Alguém sabe o que é feito do plano do Dr. Costa e Silva e qual será o próximo coelho a sair da cartola do Dr. Costa?

No dia 21 de Julho o Dr. Costa e Silva apresentou a proposta de Visão Estratégica para o Plano de Recuperação Económica de Portugal 2020-2030 que fez correr bastante tinta e muita saliva durante uns dois ou três meses. 

Parece ter terminado o seu prazo de validade mediática porque os planos são como os circos: sem dinheiro não há palhaços e sem palhaços não há circo. No caso dos planos é mais a falta da bazuca.

Aguarda-se o próximo coelho que o Dr. Costa irá tirar da sua inesgotável cartola.

10/08/2020

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: O país do "eles"

 «A nossa tendência já era olhar para o Estado como o ente que tem todo o dinheiro para resolver todos os nossos problemas. Eram os “eles” (*) é que sabem do povo em geral, ou dos que vivem pendurados no Orçamento do Estado e que viram a sua vida melhorar nestes últimos cinco anos, em que se foi distribuindo dinheiro sem nenhuma preocupação de criação de valor. Ao mesmo tempo que se ia criando a ilusão de defesa do Estado e dos seus serviços públicos.

Esta tendência de nos pendurarmos no Estado vai reforçar-se com a pandemia, para além do que seria natural num problema de saúde pública. O dinheiro que vem de Bruxelas vai acentuar ainda mais essa tendência, vai alimentar de novo as almas que acreditam que haverá sempre um dinheiro que cairá do céu para nos salvar. Temos uma nova versão de ouro do Brasil, na expectativa de que desta vez seja diferente e não se construa um “convento de Mafra”. Podem valer-nos, mais do que o nosso bom senso, as condições que Bruxelas vai colocar para a aplicação das verbas do Programa de Resiliência e Recuperação.  Porque nada nos garante que desta vez será diferente.»

Um país ainda mais subsídio-dependente, Helena Garrido no Observador

(*) Há uns bons anos que o nosso Glossário contem o termo Eles (socialês) com uma definição que carece de ser actualizada mas que no essencial é eterna:
  1. Os culpados da nossa miséria (dos fascistas aos liberais, passando pelos comunistas e, sempre, os espanhóis, e, desde que transferimos a soberania para Berlim, os alemães, e, em alternância, o governo e a oposição). 
  2. Os que nos deveriam pastorear no caminho da miséria para a felicidade (quase todos os referidos).
Antónimos: EU (que não sou parvo e não tenho nada a ver com isso) e NÓS (EU, a minha MÃE, a minha patroa, os putos, os amigos, talvez o clube, e o partido, às vezes)

09/08/2020

Itália, uma espécie de Portugal dos Pequeninos, mas em grande

Segundo um levantamento pelo Corriere della Sera, um dos três diários italianos com maior tiragem, para abrir uma oficina de reparação de automóveis são necessárias 86 autorizações, uma loja para vender fatias de pizza está sujeita a controlos por 21 departamentos estatais diferentes e um processo judicial comercial consome em média três anos.

O Corriere della Sera foi citado pela Economist num artigo (How to spend it) sobre as dificuldades que a Itália irá defrontar para aplicar bem o dinheiro que será despejado pela bazuca de Bruxelas. Note-se que escrevi aplicar bem o dinheiro e não gastá-lo, o que até o governo do Dr. Costa fará sem dificuldades.

Evidentemente que o Portugal dos Pequeninos não é Itália. É mais Calabria ou Sicília, com os Espírito Santo, o Senhor Engenheiro e os novos situacionistas do PS em vez da 'Ndrangheta e da Cosa Nostra.

06/08/2020

O impacto da bazuca de Merkel-von der Leyen no Portugal dos Pequeninos (2) - A bazuca dele é maior do que a delas

Continuação de (1)

Como se pode ver no diagrama seguinte (*), a tão celebrada bazuca de Merkel-von der Leyen é afinal modesta comparada com a bazuca de Trump, constatação que o pensamento oficial nunca poderá fazer por razões que dispensam ser explicadas.

 
(*) Os números do diagrama são os provisórios de Junho e diferem dos números finais. 

À modéstia da bazuca acrescenta-se a profunda diferença que resulta dos EUA constituírem uma zona monetária quase óptima o que está muito longe de acontecer com a Zona Euro, sem falar dos restantes países com moeda própria. De facto, uma zona monetária para ser óptima precisa cumprir várias condições e entre elas a mobilidade da mão-de-obra. Ora, na UE existem fortes barreiras culturais e administrativas (acesso condicionado a muitas profissões, sistemas de segurança social heterogéneos, etc.), e linguísticas (mais de 20 línguas diferentes) que constituem sérios obstáculos (para aprofundar este tema ver a etiqueta zona monetária óptima).


Como se não fosse suficiente, a adicionar à discrepância entre a queda do PIB e o tamanho da bazuca para cada país (ver no primeiro diagrama a comparação da Alemanha com a Espanha), a exposição à dívida pública e o impacto previsto no PIB da pandemia é muito diverso, como se pode constatar no segundo diagrama.

(Continua)

31/07/2020

O impacto da bazuca de Merkel-von der Leyen no Portugal dos Pequeninos (1) - Pensamento milagroso

Expresso, CE 25-07-2020
À primeira vista, o diagrama acima mostra que o aparente alívio do Dr. Costa e a sua foguetada são justificados. Ele vê a coisa como a garantia de uma bonança até ao final da legislatura e, quem sabe, um trampolim para uma eventual candidatura a Belém em 2026.

À segunda vista a coisa parece menos promissora. É verdade que Portugal irá receber 57,9 mil milhões (mM) em 10 anos, mas apenas 15,3 mM serão subvenções e quase 3/4 serão empréstimos que terão de ser reembolsados. Aliás, para sermos rigorosos, até mesmo as subvenções que saem do orçamento comunitário terão de ser financiadas por contribuições de todos os países, incluindo os beneficiários.

Acresce que estamos a falar de valores brutos, sem descontar as contribuições para o orçamento comunitário. Se compararmos com o período de 20 anos de 2000 a 2020, Portugal recebeu um valor líquido de 51,8 mil milhões equivalente a uma média anual de 2,5 mM superior em quase 40% à do Plano de Recuperação Europeu.

Durante esse período de 20 anos a dívida pública aumentou de 70 mM para mais de 260 mM, ou seja um incremento de 190 mM e nos últimos 10 anos teve um incremento de 80 mM que foram torrados com o resultado conhecido. Também em 10 anos, da bazuca sairão 40 mM de empréstimos ou seja metade do incremento líquido da dívida pública nos 10 anos anteriores.

Se considerarmos que nos últimos 10 anos o crescimento do PIB foi positivo, apesar de medíocre (média anual de 0,5%), enquanto que, na estimativa super-optimista do governo, o PIB cairá este ano 9%, ou seja quase o dobro do montante das subvenções para os próximos 10 anos, temos de concluir que a salvação pela bazuca é puro pensamento milagroso, de resto, uma especialidade socialista. 

(Continua)