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15/08/2024

O Portugal dos Pequeninos é cada vez mais o Portugal dos Velhinhos

As imagens falam por si. A partir dos dados do INE a Marktest compilou no seu Sales Index o número de crianças e jovens até aos 24 anos residentes em cada cada município no período 1993-2023. 

Alguns factos que ressaltam desses números: 

  • Nos 30 anos analisados Portugal perdeu quase um milhão de crianças e jovens até aos 24 anos;
  • Só em 22 dos 308 concelhos o número dos jovens é superior ao de 1993;
  • A proporção de jovens no total dos residentes diminuiu em todos os concelhos.

Se a estes factos acrescentarmos mais os seguintes do estudo Onde estão 2 milhões de Portugueses? do Instituto Mais Liberdade, o futuro do torrãozinho natal surge bastante comprometido:

  • 2,1 milhões de portugueses, mais de um quinto da população nascida em Portugal, votaram com os pés, emigraram e residem no estrangeiro; 
  • Um terço dos cidadãos entre os 15 e 39 anos vivem fora do país;
  • Mais de de 70% dos emigrantes com ensino superior tinham um salário inferior a 1.000 euros e depois da emigração mais de metade têm um salário superior a 2.000 euros;
  • 70% dos emigrantes em 2021 tinham entre 15 e 39 anos;
  • 42% dos emigrantes para o Reino Unido tinham um curso superior.
Enquanto isso, os tristes que por cá ficaram inquietam-se com os perigos da imigração, o excesso de turismo, as cunhas do Dr.  Nuno a S. Ex.ª seu Pai, a semana de quatro dias e outros temas relativamente esotéricos.

18/01/2020

No futebol, como no resto, os melhores profissionais tenderão a emigrar para as melhores ligas

Economist

Poderão não ser todos os melhores, são certamente os mais inconformados. É assim desde o século XV e isso explica muita coisa.

É claro que no futebol tudo fica mais óbvio porque, como escrevi aqui, aqui e aqui, os jogadores são os únicos profissionais portugueses que trabalham num mercado verdadeiramente internacional a uma enorme distância de outras profissões.

28/10/2018

Felizmente não voto nas eleições brasileiras

Cá em casa há quem na primeira volta tenha votado em Alckmin, também conhecido como picolé de chuchu, e na segunda volta não consiga decidir-se entre um demagogo autocrático admirador da ditadura militar e um marxista bem falante que é um pau mandado do pêtismo corrupto e golpista, de quem Fernando Henrique Cardoso (duas vezes presidente que deixou um legado que Lula e Dilma delapidaram) diz que a porta que o separa dele “enferrujou”.


Não escolher é também uma escolha. Não sei se é a melhor.

21/05/2015

ESTADO DE SÍTIO: Votando com os pés

Fonte: The Economist Espresso

Nem a lavagem do regime castrista em curso com a ajuda do papa Francisco, nem a promessa de Raúl Castro de passar a frequentar a missa, parecem fazer mudar de ideias os cubanos que têm a desdita de viver na «democracia» da família Castro e do seu partido comunista – votam crescentemente com os pés, ou, para ser exacto, votam com os braços, os remos e os motores dos seus barcos.

09/03/2014

DIÁRIO DE BORDO: Postal de um pai que ficou por cá (a uma filha que emigrou)

Minha filha, tenho muita pena de não estar contigo todos os dias, mas não tenho pena de não viver a tua vida que deve ser vivida por ti e não por mim, agora que decidiste procurar emprego no estrangeiro e emigrar porque, como disse em tempos Belmiro de Azevedo, «os empregos nascem em sítios que não estão ao lado de casa.»

Não me surpreende a indiferença das «elites» portuguesas, essa amálgama paroquiana de gente cada vez menos preparada, cada vez mais medíocre mas fundamentalmente clientelista, precisamente porque são as elites «portuguesas» que ora ficam indiferentes, ora se ficam pela comoção, sempre sem acção.

Agora que partiste faço votos que tudo corra pelo melhor. Faz um bom trabalho, amealha uns cobres porque o estado social está falido e mostra aos tugas medrosos e às elites merdosas que és uma rapariga que não tem medo dos desafios porque lhe corre nas veias o sangue de várias gerações de emigrantes da nossa parentela que foram à procura de empregos nascidos em sítios como França, Inglaterra, Alemanha, Brasil, Argentina, Estados Unidos, Austrália, Bahrein, Angola, Mauritânia, Cabo Verde e noutras paragens que já esqueci - e alguns deles ainda por lá andam.

Um grande abraço

[O Expresso de sábado passado publicou, com grande destaque, mais uma carta «comovente» modelo «Tordo», que tanto sucesso tem tido, de um português professor da universidade Manchester que emigrou e escreve uma «carta a uma filha que por cá ficou». Por coincidência, uma das minhas filhas partiu na passada 4.ª feira para trabalhar em Luanda durante uns anos. Resolvi escrever-lhe este postal anti comovente, subvertendo algumas das frases do comovido professor.]

O navio-vapor Mexico onde viajou o bisavô da emigrante, desembarcado em Ellias Island
com destino a Danbury, Connecticut (I guess)

28/06/2012

Lost in translation (147) – UEFA traduttore, traditore

«Portugal punch above their weight», UEFA depois do jogo Portugal-Espanha, versão inglesa

Provavelmente o melhor resultado alcançável

«Portugal fortalecido para o futuro», UEFA depois do jogo Portugal-Espanha, versão portuguesa

23/06/2012

CASE STUDY: São os portugueses no futebol e os judeus nos prémios Nobel (e em várias outras coisas)

«O Europeu da Polónia e Ucrânia já deu o que tinha a dar; passaram às meias-finais as quatro equipas mais fortes da Europa, a saber, Portugal (10 milhões de habitantes, PNB à roda dos 240 mil milhões de US$), Espanha (40 milhões, 1400 mil milhões US$), Alemanha (90 milhões, 3600 mil milhões US$) e Itália (60 milhões, 2100 mil milhões US$). Se olhes juntarmos a França (65 milhões, 2700 mil milhões US$), estamos perante, de facto, as cinco super-potências do futebol europeu actual, e para uma representação suficiente da elite do futebol mundial só fica a faltar a Argentina e o Brasil. Que Portugal, com a incompetente e desorganizada gestão que o caracteriza, consiga andar metido no meio destes gajos há tanto tempo (somos a única equipa que passou sempre aos quartos-de-final nos últimos três europeus), é um milagre que não deveria merecer reflexão.»

Se a tese de maradona «Não gosto tanto de Portugal como do Sporting, mas está lá perto» lhe parece contraditória com o também «me sinto a viver num país de mentecaptos», é porque algo importante lhe está a escapar.

23/01/2011

DIÁRIO DE BORDO: Declaração de voto

Para estas eleições presidenciais adoptei os seguintes dois princípios:


1.ª volta – princípio Tiririca (inventado pelo senhor deputado federal Francisco Everardo Oliveira Silva) – voto nulo;





2.ª volta (se houver) – princípio do sapo (inventado pelo camarada Álvaro Cunhal) – lá terá que ser.

01/09/2010

Votar com os pés (3)

[Continuação de (1) e (2)]

Segundo o consulado português em Londres, o número de registos de emigrantes portugueses aumentou 40% e existem 250 mil portugueses no Reino Unido. Como conheço vários portugueses que não se registaram no consulado, admito que seja uma situação comum e, a ser assim, o número de patrícios nessas paragens pode ser bem maior. E é claro que não são os jovens das Novas Oportunidades que obtiveram o certificado do 9.º ou do 12.º ano a contar a sua estória da sua vida. São jovens licenciados e, sobretudo, inconformados.

23/08/2010

Uns votam com os pés, outros com a carteira

Há pelo menos dois grupos de portugueses que não acreditam nos amanhãs que cantam de José Sócrates. Os emigrantes qualificados que votam com os pés e as criaturas abonadas que votam com a bolsa. Estas últimas já aplicaram nos offshores (1,2 mil milhões) durante o primeiro semestre quase tudo o que de lá retiraram o ano passado (1,3 mil milhões), depois da campanha de charme fiscal do governo.

É grave? É sim senhor. Uns são dos que têm mais talento, outros dos que têm mais dinheiro.

20/06/2010

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Se o país não muda, mudam-se eles

Mesmo que só metade dos trabalhadores que declararam no inquérito da Hays admitir trabalhar no estrangeiro tenha de facto essa intenção (a outra metade poderia, à boa maneira portuguesa, estar a exorcizar impotência e despeito), isso significaria que mais de 1/3 da população activa considera votar com os pés. É obra.

21/10/2009

Votar com os pés (2)

Há dias especulou-se aqui sobre a provável sangria de gente qualificada que emigra à míngua de oportunidade profissional. Segundo o presidente do IEFP, citado pelo Expresso, contando apenas os licenciados registados nos centros de empregos, emigram todos os meses mais de uma centena.

Infelizmente, as políticas que um governo de inspiração socialista poderá tomar são do tipo que o Impertinente aqui ironicamente referiu: condicionar compulsivamente a procura de licenciados ao stock disponível, fruto de décadas de distorção da oferta de cursos sem saídas profissionais no mercado de trabalho. São políticas intervencionistas desse tipo que garantem a perenidade do problema que pretendem resolver e a prazo exigem outras políticas ainda mais intervencionistas, tudo a pretexto das chamadas falhas do mercado que, bem vistas as coisas, são geralmente falhas não do mercado mas das políticas que pretendem modificar o comportamento espontâneo do mercado.

13/10/2009

Votar com os pés

Durante os séculos que durou a aventura dos descobrimentos, os portugueses com mais iniciativa e gosto pelo risco foram-se espalhando por esse mundo. Já no século passado tivemos 3 grandes fluxos migratórios para o Brasil entre as guerras, e no pós-guerra para a Europa (França, Alemanha e Luxemburgo) e para a África (Angola e Moçambique). Saíram os incomodados, quase todos pobres, mas inquietos, ficaram os acomodados.

Que esta anti-selecção contribuiu para o colectivismo, a falta de iniciativa e de gosto pelo risco e a dependência do Estado, endémicos em Portugal, não restam dúvidas. Só não se sabe até que ponto.

Já neste século, segundo um estudo de Helena Rato, do Instituto Nacional de Administração, aqui citado, por cada 15 imigrantes (provenientes do Brasil, de África e do Leste europeu) saem 100 portugueses. Que portugueses são estes? Ninguém sabe ao certo. Provavelmente uma parte significativa, muito mais significativa do que no passado, é gente com talento, qualificada e com iniciativa que vota com os pés contra a falta de oportunidades, a escassa mobilidade social, os incentivos errados, tudo perpetuado por elites corporativas gravitando à volta do Estado.

Consequência: à baixa histórica do stock de iniciativa e gosto pelo risco estamos a acrescentar a baixa do stock de talento. Quereis saber como serão as elites do futuro? Olhai para os políticos do presente.