Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
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26/08/2026

Non habebis in sacculo diversa pondera maius et minus (Deuteronomium 25:13)

«Algo incrível aconteceu: o Irã tentou matar um dos meus filhos», disse o primeiro-ministro israelita  Benjamin Netanyahu em entrevista ao Canal 14.

Certamente por modéstia, Netanyahu não mencionou o ataque que ordenou à força aérea israelita para eliminar o aiatolá Ali Khamenei, a sua mulher, uma filha, um genro, uma nora e uma neta de 14 meses.

Num registo mais banal, o Dr. Eduardo Cabrita, amigo do peito do Dr. Costa e seu ministro da Administração Interna durante quatro anos, acusou o Dr. Montenegro de «degradar completamente os padrões éticos da governação” — e criou um “padrão Spinumviva».

Talvez por esquecimento, o Dr. Cabrita não mencionou os "padrões" marido e mulher no mesmo governo,  golas de proteção antifumo feitas com material inflamável, atropelamento a 200 km/h pelo carro onde viajava, homicídio pelo SEF de um imigrante ucraniano, entre muitos outros "padrões" ocorridos durante os governos do seu amigo Dr. Costa.

10/01/2025

SERVIÇO PÚBLICO: O escândalo silenciado da violação em série de crianças ingleses. Não há inocentes

«O aliciamento e o estupro em série de milhares de meninas inglesas por homens de origem muçulmana paquistanesa ao longo de várias décadas é o maior crime em tempos de paz na história da Europa moderna. Isso durou muitos anos. Ainda está acontecendo. E não houve justiça para a grande maioria das vítimas.

Os governos britânicos, tanto conservadores quanto trabalhistas, esperavam ter enterrado a história depois de alguns processos simbólicos na década de 2010. E parecia que eles tinham conseguido - até que Elon Musk leu alguns dos documentos do tribunal e twittou seu desgosto e perplexidade com X durante o ano novo.

A Grã-Bretanha agora está envergonhada diante do mundo. A ira reprimida do público está borbulhando na superfície em petições, pedidos de inquérito público e demandas por responsabilidade.

O escândalo já está remodelando a política britânica. Não se trata apenas da natureza hedionda dos crimes. É que todos os níveis do sistema britânico estão implicados no encobrimento.

Os assistentes sociais foram intimidados ao silêncio. A polícia local ignorou, desculpou e até incentivou estupradores pedófilos em dezenas de cidades. Altos funcionários da polícia e do Ministério do Interior evitaram deliberadamente a ação em nome da manutenção do que chamaram de "relações com a comunidade". Vereadores locais e membros do Parlamento rejeitaram pedidos de ajuda dos pais de crianças estupradas. Instituições de caridade, ONGs e parlamentares trabalhistas acusaram aqueles que discutiram o escândalo de racismo e islamofobia. A mídia ignorou ou minimizou a maior história de suas vidas. Zelosa em sua falta de curiosidade, grande parte da elite da mídia britânica permaneceu presa à bolha da política de Westminster e suas prioridades egoístas.

02/03/2024

Os "governos de gestão" não gerem todos da mesma maneira

Desde as eleições de Novembro, ganhas sem maioria parlamentar pelo Partido da Liberdade liderado por Geert Wilders, que desde essa altura tenta ainda sem sucesso negociar uma plataforma parlamentar que lhe permita governar, os Países Baixos têm um governo que por cá se chamaria de gestão.

O "governo de gestão" liderado por Mark Rutte do VVD, um partido do centro direita que defende a economia de mercado, anunciou há dias que os Países Baixos vão entregar 100 milhões de euros à Ucrânia para munições. O "governo de gestão" do Dr. Costa do PS, um partido que defende o socialismo, anunciou uma contribuição com o mesmo propósito de 1 milhão de euros. 

A proporção das ajudas dos dois países é 100 para 1. A proporção do PIB (a paridade dos poderes de compra) dos dois países é de 3,5 vezes para 1.

01/03/2021

SERVIÇO PÚBLICO: Há 25 anos no dia 1 de Março, os grupos parlamentares do PS e do PCP aprovaram a amnistia do bando terrorista FP-25

 Conferência de imprensa em 12-12-1985 gravada pelo canal do regime

Leia aqui a evocação por Manuel Castelo-Branco, filho de uma das vítimas, do perdão da esquerda portuguesa aos actos terroristas bombistas perpetrados em plena democracia. Vários membros das FP-25 são ou foram militantes do Bloco de Esquerda.

16/11/2020

The Woke Sheep Explained

For those who are not familiar with the politically correct newspeak, here is the meaning of "Woke" according to Google:

«Woke (/ˈwoʊk/ WOHK) is a political term originating in the United States referring to a perceived awareness of issues concerning social justice and racial justice. It derives from the African-American Vernacular English expression "stay woke", whose grammatical aspect refers to a continuing awareness of these issues.»

23/06/2019

ACREDITE SE QUISER: Um braço do Partido Comunista Chinês no mundo empresarial indigna-se contra uma «proibição tirânica»...

...,  considera que está a ser vítima de «restrições anticonstitucionais» e apela aos tribunais.

Trata-se da Huawei, que mostra assim um grande apego à rule of law e aos valores da democracia liberal. E não, não se trata nem da constituição nem dos tribunais chineses. Trata-se da constituição e dos tribunais americanos.

22/04/2019

Os extremismos são todos iguais, mas há uns mais iguais do que outros

Qual a diferença entre um atentado bombista por fanáticos cristãos e um atentado bombista por fanáticos islâmicos?

Ao contrário do primeiro, no segundo Não há ódio. Não há autor. Não há motivo. As explosões explodem e as pessoas morrem.

19/03/2019

ARTIGO DEFUNTO: Violência doméstica é o que o jornalismo de causas quiser

«Gokmen Tanis tem 37 anos e ontem matou três pessoas num ataque a um elétrico em Utreque, na Holanda. É de origem turca e isso, aliado ao modus operandi do ataque, fez com que as autoridades começassem por falar de um “ataque terrorista”. Mais tarde, já depois de ter detido o suspeito e de uma agência de notícias turca ter avançado com a notícia de que se tratava de um caso de desavença familiar, a polícia admitiu a possibilidade de se tratar de um “incidente doméstico” já que a primeira vítima seria uma familiar do atacante.»

Newsletter do semanário de reverência

O modus operandi do homo Lusitanicus de resolução dos seus problemas domésticos é usar uma moca com pregos na parceira. O modus operandi do homo Turcorum de resolução dos seus problemas domésticos é assaltar um eléctrico e matar a tiro três pessoas.

27/01/2018

O bom e o mau gosto são muito relativos

Exemplo de mau gosto e reaccionarismo:

Donald Trump foi citado (ele nega) como tendo descrito El Salvador, Haiti e certos países africanos como «shithole countries» durante um encontro com senadores há duas semanas.

Exemplo de bom gosto e progressismo:

Donald Trump pediu emprestado ao Guggenheim de NY um Van Gogh para pendurar no seu apartamento. A resposta do museu, muito celebrada pelos mídia progressistas, foi que o quadro não estava disponível e em troca o museu oferecia uma sanita de ouro com o título America da autoria do italiano Maurizio Catellan. A sanita esteve em exposição durante um ano disponível para os visitantes nela evacuarem e urinarem.

The golden shithole intitulado America de Maurizio Catellan

Exemplo (imaginário) de mau gosto e reaccionarismo:

A Obra imaginária intitulada Italy de John Doe

08/12/2016

Pro memoria (330) - Relativismo


«Esquerda garante salários milionários»

«PS, PCP e Bloco defendem, com votação no Parlamento, ordenados de banqueiros da Caixa»

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: O Portugal dos Pequeninos visto pelo último dos queirozianos (19)

Outros excertos.

Mais um excerto de outra das crónicas, compiladas em «De mal a pior» (D. Quixote), de Vasco Pulido Valente, o último dos queirozianos, não no estilo mas na substância, com a sua visão lúcida, por vezes vitriólica, deste Portugal de mentes pequeninas e elites medíocres de vistas curtas.

«O meu "catastrofismo", o meu pessimismo, a minha malevolência, estão num único ponto. Insisti, como insisti em 1991, depois do colapso da URSS, que o levantamento popular não levaria com certeza à democracia, como hoje a entendemos no Ocidente.

E não fiz mal em insistir porque, desde Obama ao jornalismo de ocasião, toda a gente esperava, ou até garantia, que de Trípoli à Praça Tahrir iam sair, resplandecentes, novas democracias. Gostava de prevenir, para pôr ponto final no caso, que prever um acontecimento ou uma situação não significa ( excepto para mentes excepcionalmente estreitas) que se deseje esse acontecimento ou essa situação. Não significa mais do que tentar compreender o que se passa e de não criar falsas expectativas. Desde a Antiguidade que existiram tiranias e, fatalmente, uma luta constante contra elas. Mas regimes democráticos não existiram antes do século XVIII (existiu, de resto, um único: o americano). A resistência à opressão não produz necessariamente a liberdade. É isto muito difícil de perceber?»

Difícil de perceber?, 24-02-2011

06/12/2016

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: O Portugal dos Pequeninos visto pelo último dos queirozianos (18)

Outros excertos.

Mais um excerto de outra das crónicas, compiladas em «De mal a pior» (D. Quixote), de Vasco Pulido Valente, o último dos queirozianos, não no estilo mas na substância, com a sua visão lúcida, por vezes vitriólica, deste Portugal de mentes pequeninas e elites medíocres.

«(…) hoje o sonho da ressurreição do califado não morreu. Taheri, que provavelmente se orgulha dessas velhas façanhas, só podia interpretar as divagações de Freitas como fraqueza e arrependimento da "Europa".

Pior. Na cabeça iraniana de Taheri, se Freitas rejeitava com tanta intensidade os terríveis pecados do Ocidente, por maioria de razão rejeitava também o maior de todos: quem condena as cruzadas condena logicamente o Estado de Israel. Taheri julgou que Portugal o compreendia e resolveu explicar em público que os cartoons não passavam de uma conspiração sionista e transgrediam a liberdade de imprensa (ponto com que o próprio Sócrates, de resto, concordara). Até aqui Taheri agira com a implícita aprovação de Freitas. Mas faltava o Holocausto e Taheri não resistiu e negou o Holocausto. Suspeito que o escândalo e o protesto o surpreenderam. Freitas tinha aberto o grande caminho da " compreensão". Que essa "compreensão" parasse no Ho1ocausto não lhe ocorreu. Se não parara ou se inibira com a mentira, a demagogia, o terrorismo, a promessa de arrasar Israel e a ameaça nuclear, que diferença fazia o Holocausto? Taheri é um bom embaixador, porque representa com zelo o sentimento e as convicções do islão. Freitas não é um bom ministro porque representa com excesso as mais torpes tendências de Portugal e da "Europa". Para conciliar a "rua" muçulmana, condenou o que nós somos.»

O embaixador e o ministro, 17-02-2006

21/09/2016

Lost in translation (278) – O que quer ele significar com a Rússia como exemplo de uma sociedade multicultural?

«Segundo a Sputnik (*), o candidato à liderança da ONU afirmou que a Rússia é um bom exemplo de construção de uma sociedade multicultural, com diversas nações a viverem juntas em paz.» (Fonte)

(*) Uma das agências noticiosas russas que funciona como câmara de eco do putinismo.

Comprar o voto do czar Vladimiro com manteiga rançosa não parece ser um obstáculo moral para o católico Guterres. É a realpolitik para fins pessoais.

14/08/2016

Mitos (237) - O problema do fundamentalismo islâmico não são os infiéis, são os islamitas

"Um intelectual é tão frequentemente um imbecil que devíamos sempre, à partida, tê-lo como tal, até que tenha provado o contrário”
Georges Bernanos
1. Não há dois Islāos. Está tudo no mesmo, a face tolerante e a intolerante, guerreira e sanguinária. Há um só Islão, que os muçulmanos — e só eles, não “nós”, não o “outro” — têm de libertar do que contém de obscurantista, obsoleto e intolerável.

Ignorarmos ou fingir que a tragédia do Islão e dos muçulmanos não é marcada por essa dimensão religiosa só contribui para adiar a consciência e prolongar a passividade relativamente a uma realidade que os muçulmanos têm de enfrentar.

Se o Islão não contivesse essa dimensão de intolerância, violência e guerra santa, não era possível a fanatização em massa a que se assiste. É essa dimensão de um Islão desde sempre refém de poderes e ambições políticas, que que seja usado por líderes, bem esclarecidos e pragmáticos esses, com projectos políticos coerentes e historicamente sustentados. Um desses projectos sempre recorrente é o sonho fantasmático do regresso ao califado. É à luz dessa ambição e desse projecto que se pode compreender toda o quadro da guerra na Síria, no Iraque e na Líbia conduzida pelo Exército Islâmico e a atracção de tantos combatentes às suas hostes.

(...)

Continue a ler «Que fazer com o Islão?», um corajoso artigo contra a corrente de Guilherme Valente no Observador

15/07/2016

DIÁRIO DE BORDO: Questões que o atentado de Nice torna (ainda mais) inadiáveis

«Não, o problema é este: a Europa alberga hoje grandes comunidades imigrantes em crescimento descontrolado, e onde demasiada gente rejeita os valores ocidentais. Alguns sentem-se inspirados ou foram mesmo organizados para atacar a sociedade que os acolheu. Não são todos, são até poucos, mas estão a conseguir importar para a Europa o sectarismo e o terrorismo que há décadas se tornaram endémicos no Médio Oriente e no norte de África. Não é sensato continuar a invocar o “racismo” e a “islamofobia” para impedir um debate sobre o jihadismo. Porque o racismo e a islamofobia hão de alastrar quanto mais os regimes europeus se mostrarem incapazes de enfrentar a insegurança da jihad. E também não será sensato continuar a fingir que nos podemos esquecer do Médio Oriente e deixar os árabes entregues à sua sorte: o Iraque provou que uma invasão para derrubar um tirano não é, só por si, uma solução; mas a Síria provou que não fazer nada, e deixar uma guerra civil continuar o seu curso, também não. Não há soluções fáceis: mas não querer ver o problema não é uma solução.

Haverá um momento em que já não chegarão os lugares comuns, a começar pelo mais cansado de todos: o apelo para não fazermos o “jogo dos terroristas”. Haverá um momento em que as vigílias e demais cerimónias do “Je suis” consolarão cada vez menos gente. Haverá um momento em que já quase ninguém terá paciência para mais um exercício de auto-flagelação a propósito da guerra do Iraque de 2003 ou do acolhimento dos imigrantes. Nesse momento, a vida nas sociedades ocidentais, tal como nos habituámos a ela, estará comprometida.»

«Esta Europa pode acabar em Nice», Rui Ramos no Observador

15/06/2016

Pro memoria (312) - A quem vos disser que o problema dos migrantes e refugiados deve ser resolvido com o coração recomendai-lhe um transplante (3)

[Uma espécie de sequela de Esclarecendo os conceitos e colocando em perspectiva a crise de migrantes e refugiados para a Europa e de (1) e (2)]

Possivelmente o juízo mais errado de Angela Merkel nos seus 10 anos de governação foi olhar para a crise dos migrantes e refugiados como apenas uma questão humanitária e moral. O seu erro mais grave, decorrente desse juízo, foi a sua política de portas abertas. E ainda estão por ver as consequências mais profundas desse erro (uma benção para os extremismos demagógicos de esquerda e de direita), mas uma das consequências mais óbvias foi tentar mitigar as ondas de choque do seu erro inicial entrando num pântano negocial com o ditador eleitor Recip Erdogan do qual não sairá facilmente.

Em entrevista ao diário alemão Frankfurter Allgemeine Zeitung, o Dalai Lama, que dificilmente pode ser acusado de xenofobia ou extremismo, questionado sobre a crise dos refugiados disse:

«Se olharmos para o rosto de cada refugiado indivíduo, especialmente as crianças e as mulheres, sentimos o seu sofrimento. Uma pessoa que tem uma vida um pouco melhor, tem a responsabilidade de os ajudar. Por outro lado, há agora demasiados. A Europa, por exemplo a Alemanha, não pode ser um país árabe. Alemanha é a Alemanha. Há tantos que é difícil na prática. Numa perspectiva moral eu penso que estes refugiados só devem ficar temporariamente. O objectivo deve ser regressarem para ajudar a reconstruir seus próprios países.»

Definitivamente de fora vê-se melhor.