Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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» (António Alçada Baptista)
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17/10/2026

Crónica da passagem de um governo (71c)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 71b)

O futuro no Estado sucial é mais difícil de prever do que o passado na União Soviética (2)

No seguimento do que escrevi há dois dias, acrescento que o fundamento da projecção do governo no OE 2027 de um Fundo de Estabilização inesgotável que em 2070 atingiria 254 mil milhões de euros resulta de não terem sido consideradas as responsabilidades por pensões da Caixa Geral de Aposentações que financia as pensões dos funcionários públicos admitidos até 2005, actualmente 662 mil pensões. Das duas, uma, ou bem o governo adoptou a contabilidade pública criativa ou bem o governo não pretende pagar as pensões dos hóspedes da vaca marsupial pública.

A fantasia revela-se ainda mais perigosa quando se sabe que as reservas do FEFSS, na sua maioria, estão aplicadas em dívida pública e o aumento das taxas de juros está a corroer o valor de mercado das OT detidas pelo fundo, que, em 3 meses, se estima tenham perdido 1,3 mil milhões.

Tal como a redução da dívida pelo Dr. Costa foi mais à conta da inflação do que pelas “contas certas”, assim é a redução da dívida pelo Dr. Montenegro

Já aqui mostrámos as ajudas da inflação à redução da dívida pelo Dr. Costa e pelo Dr. Montenegro. Sabemos agora que a redução em 2025 de 1,6% para 87,5% do rácio da dívida bruta se deve essencialmente ao efeito de -2,6% da inflação, sem a qual o rácio aumentaria para 88,5%.

Terá o Dr. Montenegro copiado a agenda do Dr. Costa?

A compra de uma participação na REN talvez pudesse ter feito sentido se tivesse sido bem explicada. A compra de uma participação de 5% no BCP para fazer companhia aos 19,90% da Sonangol e aos 20,45% da Fosun, não faria nenhum e, por isso, espera-se que não se aplique ao desmentido do governo aquela regra prática de «não acredites em nada até ser desmentido»,

Canários na mina de carvão

Os sinais de austeridade assinalados pela Dra. Kristalina Georgieva já foram visíveis nos leilões das OT de 3.ª feira passada em que a yield a 10 anos atingiu 3,897%, o valor mais alto desde 2014, precisamente um ano em que tivemos a companhia da troika. Nota anedótica: o Negócio titula «França volta a castigar dívida nacional». O OE 2027, apesar da redução prevista do stock da dívida, prevê um aumento de 1.548 milhões de euros da despesa com juros.

O corte de 1/3 dos fundos europeus de 9,8 mil milhões para 6,6 mil milhões no próximo ano e o aumento da contribuição para o orçamento da OE, em cima de uma queda do crescimento do PIB de 2,3% para 2% em 2027, além de colocarem o excedente no domínio da fantasia, vão cortar 31% no investimento público, ainda antes da viagem, inspirada nos governos do PS, na autoestrada mexicana do investimento público.