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03/04/2019

Não, o investimento não é como o "Anita vai às compras"

«O investimento não é como o ‘Anita vai às compras» disse em entrevista ao Público o ministro das Finanças.




Tem toda a razão o Ronaldo das Finanças que durante o seu consolado conseguiu, mercê da sua magistral engenharia orçamental, aumentar todos os anos o investimento orçamentado, cortá-lo todos os anos à custa de cativações e outros expedientes e ainda assim fazer crescer o investimento executado.

A mistificação só fica visível quando se compara o investimento executado de 2018, decorridos três anos da viragem da "página da austeridade", e se constata que ainda é inferior ao de 2015, o último ano da "austeridade neoliberal".

20/07/2017

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (41) - Não há nem haverá crise, garantiu

Outras preces.

Encarnando um híbrido de Zandinga e de um professor de economia da Mouse School of Economics, Marcelo Rebelo de Sousa informou durante a sua visita ao México que «todas as análises de crise e todas as decisões sobre a crise passam pelo Presidente da República», e garantiu urbi et orbi que «não haverá razões institucionais que limitem a capacidade de crescimento», acrescentando «quando eu digo não haverá, não haverá».

O Marcelo de que estamos a falar é o mesmo Marcelo que uns meses antes de ser entronizado presidente do PSD também garantiu que «só se Cristo descer à terra» se candidataria. O mesmo Marcelo que garantiu ter havido o célebre jantar com Paulo Portas com vichyssoise de entrada. O mesmo que implicitou no início do mandato que só cumpriria o primeiro e está a fazer tudo para assegurar o segundo. O mesmo que garantiu a Isabel II que, com oito anos de idade, filho de um ministro de Salazar, estava na primeira fila da plebe que na Praça do Comércio a viu passar na visita a Lisboa em 1957. O mesmo que ainda garantiu a Isabel II ter-se encontrado com ela em 1985 como «líder da oposição». O mesmo a quem o «Presidente da República Federativa do Brasil, (...) pediu para ser recebido» mas não apareceu. O mesmo que em pleno incêndio de Pedrógão Grande garantiu que «tudo está a ser feito com critério e organização», para poucos dias depois garantir que se iria «apurar tudo, mas mesmo tudo, o que houver a apurar». Ainda o mesmo Marcelo que depois de ter minimizado o desaparecimento de munições em Tancos, veio dias depois defender «uma investigação que apure tudo, factos e responsabilidades». Ah!, já quase esquecia, o mesmo que garante que «não haverá razões institucionais que limitem a capacidade de crescimento».

É certo que a última e definitiva garantia «quando eu digo não haverá, não haverá» ultrapassa tudo o que a musa antiga canta, mas é compreensível que o presidente Marcelo se tenha ultrapassado a si próprio se porventura tiver circulado na auto-estrada mexicana daquela estória que também não sabemos se é verdadeira.

08/02/2017

ACREDITE SE QUISER: Agora é que é! Costa apresentou o plano quinquenal!

Ontem o primeiro-ministro Costa apresentou ao país, com pompa e circunstância, o «Programa de Valorização das Áreas Empresariais» que prevê em 5 anos, até 2021, um investimento de... 180 milhões de euros, o equivalente a 0,1% (zero vírgula um por cento) nos 5 anos do plano ou 0,02% do PIB anualmente! É um plano quinquenal que fará os comunistas estremecer de saudade dos planos quinquenais soviéticos, mas além disso terá um efeito evanescente na economia.

O governo socialista, para quem o investimento público costumava ser o alfa e ómega de toda a governação, com as consequências conhecidas, a par de várias outras medidas extraordinárias para atingir o défice de 2,3%, cortou o ano passado ao investimento público orçamentado mais de 900 milhões de euros, pelo que este acabou por ser inferior em mais de 400 milhões ao do governo «neoliberal" em 2015. Este plano quinquenal de 180 milhões representará em 5 (cinco) anos menos de 20% do corte do investimento público em 2016 ou, em média anual, menos de 4%.

A montanha de manipulação e aldrabice pariu um rato de impacto na economia.

Aditamento:

Já depois de publicado este post, ocorreu-me, a propósito das tretas de Costa ao emplumar-se com o anúncio de um investimentozeco, depois de ter cortado mais de 900 milhões ao investimento orçamentado para 2016, a estória da autoestrada mexicana que contei há uns anos. Aqui vai ela outra vez:
A estória é a de uma auto-estrada que o governo mexicano teria inaugurado com pompa e circunstância pelo facto de dispor de 3 faixas, embora estreitíssimas. As faixas, de tão estreitas, originaram inúmeros acidentes, forçando o governo passado pouco tempo a reduzi-las para duas, com o argumento que da redução de pouco mais de trinta por cento do número de faixas resultaria um maior acréscimo de segurança. Talvez o resultado tivesse sido mais segurança, mas o que resultou, sem margem para dúvidas, foram enormes engarrafamentos que levaram o governo a voltar ao número original de faixas anunciando entusiasticamente que o número de faixas iria ser aumentado de cinquenta por cento.

26/11/2016

Exemplos do costume (47) - Uma mancha mais rica

Por determinação do ministro anexo da Educação, o camarada Mário Nogueira, o seu factótum no ministério deu instruções aos serviços para deixarem de publicar os rankings das escolas baseados nas notas dos seus alunos nos diversos anos e disciplinas.

Segundo explicou João Costa, o ajudante do factótum, num eduquês intraduzível, «este indicador não premeia a retenção e ao mesmo tempo não premeia a seleção de alunos, porque estamos a comparar alunos comparáveis». O que se mede exactamente este indicador ou, em publiquês, o ranking alternativo? Suspeito que ninguém saiba, o que não tem qualquer importância porque «o presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDE), Filinto Lima, aplaude as novidades».

E porquê o aplauso? Porque, como deixou perceber o ajudante do factótum, do novo indicador resultam «escolas que habitualmente ficam colocadas em 300.º lugar nos rankings a subirem ao top 5. No topo há uma mancha mais rica de públicas e privadas».

Suponha-se que na vila de Alguidares de Baixo há duas escolas cada uma com uma turma. Numa das escolas os alunos tiveram médias de 14 em dois anos consecutivos. Na outra escola as médias foram, respectivamente 4 e 5. Pelo ranking discriminatório do passado, a primeira escola estava muito melhor classificada em qualquer dos anos; 14 contra 4  e 14 contra 5. Pelo ranking alternativo a segunda escola que mostrou um progresso de 4 para 5 dá um bigode à primeira que não progrediu.

Sabe-se lá porquê, ocorreu-me a estória, já aqui contada algumas vezes, da auto-estrada mexicana. Uma auto-estrada que o governo mexicano teria inaugurado com pompa e circunstância pelo facto de dispor de 3 faixas, embora estreitíssimas. As faixas, de tão estreitas, originaram inúmeros acidentes, forçando o governo passado pouco tempo a reduzi-las para duas, com o argumento que da redução de pouco mais de trinta por cento do número de faixas resultaria um maior acréscimo de segurança. Talvez o resultado tivesse sido mais segurança, mas o que resultou, sem margem para dúvidas, foram enormes engarrafamentos que levaram o governo a voltar ao número original de faixas anunciando entusiasticamente que o número de faixas iria ser aumentado de cinquenta por cento.

21/07/2011

CASE STUDY: Mota-Engil e a auto-estrada mexicana

Em Portugal a simbiose entre o governo de serviço e os grandes empreiteiros de obras públicas já deu muito e ainda teria muito para dar (*), se houvesse dinheiro em abundância, mas, não sendo esse o caso na presente conjuntura, já tem pouco, Por isso, a Mota-Engil, onde pontifica o emérito estradista Jorge Coelho, foi aplicar o seu refinado know-how no México, tendo conseguido aumentar para 45 anos o prazo de concessão da auto-estrada Perote-Xalapa e um reforço da grana a torrar de 165 milhões de euros para aumentar para 2 faixas.

O aumento do prazo da concessão é genuíno know-how português (Terminal de Contentores de Alcântara). O aumento para 2 faixas pode vir a ser uma manifestação do know-how local. Pelo menos se acreditarmos na estória já aqui contada da auto-estrada que o governo mexicano teria inaugurado com pompa e circunstância pelo facto de dispor de 3 (estreitíssimas) faixas. As faixas, de tão estreitas, originaram inúmeros acidentes, forçando o governo passado pouco tempo a reduzi-las para duas, com o argumento que da redução de pouco mais de trinta por cento do número de faixas resultaria um maior acréscimo de segurança. Talvez o resultado tivesse sido mais segurança, mas o que resultou, sem margem para dúvidas, foram enormes engarrafamentos que levaram o governo a voltar ao número original de faixas anunciando entusiasticamente que o número de faixas iria ser aumentado de cinquenta por cento.

(*) Descobre-se agora que os encargos com as PPP rodoviárias devem atingir este ano 1,2 mil milhões quase triplicando os 470 milhões que o governo socrático orçamentou.

07/03/2010

ESTADO DE SÍTIO: PRACE? Qual PRACE?

Ainda alguém se lembra do PRACE (Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado) anunciado com pompa e circunstância pelo governo Sócrates I? O efeito mais relevante do PRACE parece ter sido manter praticamente intacta a estrutura da administração central e transferir para o sector empresarial do estado (SEE) uma parte dos serviços que prestava: como hospitais e estradas. Resultados:
  • A administração central continuou a engordar - entre 2006 e 2008 as despesas com salários aumentarem 4,7%;
  • O SEE explodiu, aumentando essas despesas de 62% entre 2005 e 2009 e o número de efectivos de 40% entre 2005 e 2008.
Durante 5 anos os governos Sócrates I e II consumiram os seus ímpetos reformistas no bombardeamento dos sujeitos passivos com doses pantagruélicas de propaganda. O que sobrou foi um magro resultado? Não. O que sobrou foi uma máquina estatal maior e mais cara do que a existente antes do PRACE.

[Dados extraídos do caderno Confidencial do Sol de 5 de Março]

07/09/2009

ESTADO DE SÍTIO: as auto-estradas mexicanas do governo socialista (2)

Outro exemplo mais-do-que-perfeito de auto-estrada mexicana do governo é provavelmente o da redução do IVA invocada pelo pior ministro das Finanças como um exemplo de ter feito «o que era possível em termos de redução de impostos».

Enquanto o governo mexicano se congratulava por ter reduzido em apenas 1/3 o número de faixas para melhorar a segurança e tê-lo aumentado posteriormente em 50% para melhorar o tráfego, o governo português foi mais longe e congratulou-se por ter reduzido o IVA de um por cento (de 21% para 20%) depois de o ter aumentado de dois por cento (de 19% para 21%).

06/09/2009

ESTADO DE SÍTIO: as auto-estradas mexicanas do governo socialista

Ocorre-me frequentemente uma estória, cuja origem não me lembro e veracidade desconheço, a propósito dos feitos económicos do governo, anunciados várias vezes ao dia nos últimos mais de 4 anos pelos megafones da central de manipulação ao seu serviço. Em particular, quando recentemente o governo se enfeitou com os louros do crescimento em cadeia de 0,3% no 2.º trimestre (aqui tratado pelo Pertinente) que seguiu à queda de 2% e 3,9% nos trimestres anteriores.

A estória é a de uma auto-estrada que o governo mexicano teria inaugurado com pompa e circunstância pelo facto de dispor de 3 estreitíssimas faixas. As faixas, de tão estreitas, originaram inúmeros acidentes, forçando o governo passado pouco tempo a reduzi-las para duas, com o argumento que da redução de pouco mais de trinta por cento do número de faixas resultaria um maior acréscimo de segurança. Talvez o resultado tivesse sido mais segurança, mas o que resultou, sem margem para dúvidas, foram enormes engarrafamentos que levaram o governo a voltar ao número original de faixas anunciando entusiasticamente que o número de faixas iria ser aumentado de cinquenta por cento.