Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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24/01/2025

Mar de Aral, possivelmente o maior desastre ecológico de sempre, não resultou das mudanças climáticas, resultou do absurdo da economia soviética

«Outrora um paraíso aquático espetacular no coração da Ásia Central, o Mar de Aral hoje é um duro lembrete do impacto devastador das políticas de irrigação inadequadas que levaram ao seu desaparecimento, agravado pelos efeitos exacerbados das mudanças climáticas em um dos ecossistemas mais cativantes do mundo. À medida que as águas recuavam, elas deixavam para trás planícies incrustadas de sal, um ambiente bastante inóspito onde pouco pode prosperar. (...)

Na década de 1960, a União Soviética começou a desviar os principais rios de entrada do Mar de Aral – o Amu Darya originário das Montanhas Pamir e o Syr Darya das cadeias de montanhas Tien Shan – para fins de irrigação, principalmente para o cultivo de algodão. Isso levou a consequências catastróficas, incluindo perda de biodiversidade, o deslocamento de comunidades dependentes da pesca e o surgimento de riscos à saúde devido à exposição de sedimentos tóxicos. 

Tempestades de poeira e sal, alimentadas pelo leito marinho exposto, se espalharam pela região, afetando a qualidade do ar e a produtividade agrícola. A perda da influência moderadora do mar alterou os climas locais, levando a extremos de temperatura e interrupções nos padrões climáticos, como a intensificação da alta da Sibéria no inverno e o enfraquecimento da baixa quente da Ásia Central no verão.

Antes repleta de vida aquática diversa, incluindo espécies de peixes como a truta de Aral e o esturjão endêmico, a redução dos níveis de água devastou essas populações, interrompendo toda a cadeia alimentar aquática. Muitas espécies foram extintas ou estão à beira da extinção.

Mas além das espécies aquáticas, o Mar de Aral costumava ser um ponto de parada crucial para milhões de aves migratórias que viajavam pela rota migratória da Ásia Central. Essas aves, incluindo pelicanos, flamingos e várias espécies de aves aquáticas, dependiam dos pântanos do mar como áreas de reprodução e alimentação. No entanto, à medida que o mar encolheu, os habitats dos pântanos desapareceram, forçando as aves a alterar seus padrões de migração ou enfrentar sérios desafios para encontrar locais adequados de descanso e alimentação. (...)»

The Aral Sea Catastrophe: Understanding One of the Worst Ecological Calamities of the Last Century

01/08/2024

Chávez & Chávez, Sucessores (78) - A impunidade megalómana toma conta dos chávistas e a esquizofrenia toma conta dos comunistas portugueses

Outras obras do chávismo.

No passado fim de semana, decorreu na República Socialista Bolivariana da Venezuela uma palhaçada orquestrada pelos sucessores do Coronel Chávez onde os venezuelanos que ainda não fugiram do país (fugitivos que deverão andar pelos 8 milhões de pessoas) votaram e por decisão da clique chávista deram a maioria ao actual presidente Nicolás Maduro, a quem o já então defunto Coronel legitimou há uns anos com uma aparição sob a forma de um pajarito.

Um pouco por todo o mundo multiplicaram-se as acusações de fraude eleitoral. Todo o mundo? Não! Numa aldeia gaulesa do Portugal dos Pequeninos, o Partido Comunista Português publicou um comunicado onde se pode ler:
«O PCP saúda a eleição de Nicolás Maduro como Presidente da República Bolivariana da Venezuela, bem como o conjunto das forças progressistas, democráticas e patriotas venezuelanas que alcançam mais uma importante vitória com esta eleição, derrotando o projecto reaccionário, antidemocrático e de abdicação nacional.»
Dando mais um passo no sentido de aprofundar o delírio que gradualmente toma conta das mentes dos seus dirigentes, o PCP lusitano divergiu assim do seu homólogo venezuelano que há duas décadas se distancia da clique chávista e num comunicado questionou abertamente o resultado da manipulação eleitoral e alertou «a la opinión pública internacional que así como el Gobierno de Nicolás Maduro ha despojado al pueblo venezolano de sus derechos sociales y económicos, hoy pretende privarlo de sus derechos democráticos».

25/05/2023

Três décadas depois da queda do muro, a herança da "democracia" da RDA continua pesada

Vinte anos depois de derrubado o muro de Berlim, quando circulava na cidade ainda era perfeitamente visível se estava na antiga Berlim Leste.

A generation after Germany reunited, deep divisions remain

Quase trinta e três anos depois da reunificação e apesar dos biliões de marcos e euros derramados no Leste, são ainda também muito visíveis as profundas diferenças económicas, demográficas e sociais entre a Alemanha capitalista e a Alemanha comunista, como dois gémeos separados à nascença educados por pais diferentes. 

Dois detalhes muito significativos: (1) a redução demográfica nos distritos do Leste resulta de um quarto dos jovens alemães de Leste entre os 18 e os 30 anos se terem mudado para o Oeste e (2) o partido mais popular do Leste antigamente comunista é a AfD (Alternative für Deutschland), um partido chauvinista de extrema-direita.

12/05/2023

Chávez & Chávez, Sucessores (77) - A obra do socialismo bolivariano pela mão do Super Bigote

Outras obras do chávismo.


Desde que há 10 anos o camarada presidente Nicolás Maduro, aka Super Bigote, sucedeu ao coronel Chávez um quarto da população emigrou, isto é, votou com os pés, a economia encolheu três quartos e a inflação vai em 500%. 

Para os venezuelanos terem a certeza de que tudo continuará assim, o Super Bigote está já a garantir a sua reeleição com um programa de TV com dona Cília Flores, aka Super Cilita, a camarada esposa.

11/04/2023

A realidade alternativa comunista só é explicável como um corolário do trilema de Žižek

Site do PCP / Trilema de Žižek 

Ou tal vez nem mesmo com o trilema se explique como pode o PCP responsabilizar pelo desastre da nacionalização (apoiada pelo PCP) a gestão privada de uma empresa que nos seus 78 anos de vida sempre foi empresa pública com gestão pública e apenas teve gestão privada (com apenas 50% do capital) durante oito meses de Junho de 2015 a Fevereiro de 2016.

02/03/2023

Dúvidas (353) - Saberá o líder do PCP fazer contas?

Já se tinha concluído que evitar com a privatização da TAP extorquir aos contribuintes mais de três mil milhões de euros é para o Sr. Paulo Raimundo um crime económico. Agora ele acrescenta que «é um crime económico que nós vamos pagar muito caro nos próximos anos». 

Como assim? Se é certo que os accionistas privados compraram em 2015 uma participação de 61% na TAP por uma tuta-e-meia (*), o que dizer a essa participação ter sido recomprada também por tuta-e-meia pelo governo do Dr. Costa que a pretende agora privatizar de novo, depois de lá torrar mais de três mil milhões de euros dos impostos dos seus súbditos? Não seria mais adequado classificar como crime económico a nacionalização da TAP?  

(*) Sobre a operação que os accionistas privados fizeram com a Airbus pela troca de um leasing pela aquisição, remeto para este post e o artigo do Jornal Eco «Como Neeleman controlou a TAP com dinheiro da própria companhia».

09/02/2023

Dúvidas (350) - Para um comunista, evitar extorquir aos contribuintes três mil milhões de euros é um crime económico?

«Nós somos completamente contra essa ideia [da privatização da TAP]. É um erro que, a concretizar-se, será um crime económico. E nós faremos tudo para contrariar essa ideia», disse à agência Lusa Paulo Raimundo, o secretário-geral do PCP.

À Agência Lusa (a Tass do Portugal dos Pequeninos) não lhe ocorreu questionar o camarada Raimundo se considerou crime económico o governo da gerigonça, apoiado pelo seu partido, usar dinheiro dos contribuintes para pagar uns milhões para ter 50% da TAP, mais 3.200 milhões para a manter no ar e no final anunciar que poderá vender a sua participação por 900 milhões.

21/01/2023

Chávez & Chávez, Sucessores (76) - O socialismo torna escasso o que é abundante (3)

Outras obras do chávismo.

Antecedentes:
A Venezuela dispõe das maiores reservas mundiais de petróleo e já importou petróleo da «irmã República Islâmica do Irão»,

A Venezuela tem uma elevada precipitação e dispõe de muitos rios, incluindo o rio Orinoco, o quarto maior caudal do mundo, e, não obstante, raciona  com frequência a electricidade e a água e 5,3 milhões de caraquenhos não têm abastecimento regular de água. Depois de terem sido gastos nos últimos anos 10 mil milhões de dólares, Caracas tem menos água do que há 20 anos e a infraestrutura está em ruínas. 

O regime chávista é apoiado entre nós por comunistas e berloquistas e um antecessor do Dr. Costa, o Eng. Sócrates, foi um grande amigo do falecido Coronel Chávez.

Consequentes:

As condições naturais permitiriam à Venezuela ser um grande produtor de matérias-primas para a indústria alimentar e o seu potencial de produção petrolífera permitiria que fosse o maior exportador mundial de petróleo e obtivesse divisas para importar de alimentos com abundância. Segundo um relatório de várias agências da ONU, «na América do Sul, a República Bolivariana da Venezuela teve a maior prevalência de subnutrição (22,9%), equivalente em números absolutos a 6,5 milhões de pessoas». 

03/12/2022

Pro memoria (425) - "Há que pedir menos e trabalhar mais"

«Pensam que pedir continuamente aumentos de salário resolve os vossos problemas? Talvez se resolvam de momento. E amanhã? Amanhã não tereis turistas, que já não vêm este ano, e os hotéis acabarão por fechar. Há que pedir menos e trabalhar mais.» 
Álvaro Cunhal, secretário-geral do PCP, em entrevista a Oriana Fallaci, em Junho de 1975, em pleno PREC, relatando a conversa com representantes do pessoal de hotelaria tida na manhã da entrevista

09/11/2022

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (99) - O camarada Jerónimo levou o PCP quase até à irrelevância. O camarada Raimundo vai acabar o trabalho. Bem haja

Fonte

Escolher por um processo opaco («concluída a devida auscultação») para substituto do camarada Sr. Jerónimo de Sousa, o camarada Sr. Paulo Raimundo, um funcionário com 20 anos de casa, a quem atribuem «identificação com os trabalhadores e as massas populares» e a quem a imprensa afecta chamou «operário», escolha que o Comité Central do PCP irá formalizar no sábado, é mais um must bastante previsível do Partido Comunista.

Façamos votos para que o Sr. Raimundo cumpra a sua missão e, para bem da Nação, mantenha encalhado o último partido leninista-estalinista do Mundo Livre.

04/11/2022

Ser de esquerda é... (17) ... entender que há um totalitarismo mau e um totalitarismo bom

Outros "Ser de esquerda é..."

«A exposição “Totalitarismos na Europa”, dedicada aos crimes cometidos por regimes fascistas e comunistas em diversos países europeus, foi recusada pela Assembleia da República quase cinco meses após ser enviado um pedido, a 1 de Maio, para que estivesse patente no Palácio de São Bento. Para a decisão de Augusto Santos Silva contribuíram as objecções dos representantes dos partidos de esquerda no Grupo de Trabalho para as Actividades Culturais (GTAC), órgão consultivo do presidente da Assembleia República.» (Novo Semanário)

21/10/2022

CASE STUDY: Saying that a country is socialist is another way of saying that it is poor (2)

Last week I published in the previous post the result of some calculations I made based on the data available in two Wikipedia entries that showed socialist countries (*) with a wealth measured by GDP (PPP) per capita less than half of non-socialist countries and less than a quarter of the EU.

Economist

Coincidentally, I found a piece today where the Economist presents the graph above that suggests the same conclusions but based on a ranking in three groups of countries based on the democracy index. The two approaches go in the same direction if one considers that socialist countries in that sense share in most cases serious limitations to freedom.

Additionally, the Economist diagram also shows the discrepancy between GDP per capita published in official statistics and estimates based on satellite studies of night lights - a process that has proven to be a good indicator (I will return to this topic). And what can be concluded from the comparison of the two values is that the official statistics of countries with democratic deficits are grossly "fixed".

(*) Including Marxist–Leninist states (China, Cuba, Laos, Vietnam) plus Countries with constitutional references to socialism (Angola, Algeria, Bangladesh, Eritrea, Guinea-Bissau, Guyana, India, Nepal, Nicaragua, North Korea, Portugal, Sahrawi, Sri Lanka, Tanzania).

20/10/2022

CASE STUDY: Saying that a country is socialist is another way of saying that it is not a democracy, probably

A kind of sequel to Saying that a country is socialist is another way of saying that it is poor.




Socialist countries: Marxist–Leninist states (China, Cuba, Laos, Vietnam) plus Countries with constitutional references to socialism (Angola, Algeria, Bangladesh, Eritrea, Guinea-Bissau, Guyana, India, Nepal, Nicaragua, North Korea, Portugal, Sahrawi, Sri Lanka, Tanzania).

13/10/2022

CASE STUDY: Saying that a country is socialist is another way of saying that it is poor


Socialist countries: Marxist–Leninist states (China, Cuba, Laos, Vietnam) plus Countries with constitutional references to socialism (Angola, Algeria, Bangladesh, Eritrea, Guinea-Bissau, Guyana, India, Nepal, Nicaragua, North Korea, Portugal, Sahrawi, Sri Lanka, Tanzania)

06/10/2022

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (98) - Loucura mansa. Mansa?

« A LOUCURA MANSA

O Partido Comunista da Federação Russa, o segundo maior partido russo, votou favoravelmente a anexação de 20% da Ucrânia. E subiram as penas de prisão para quem ouse criticar a invasão e os media podem ser encerrados se o fizerem.

Carlos Moedas acabou com a ofensa ao património e à paisagem que eram os cartazes de partidos na Praça do Marquês de Pombal.

O PCP referiu a violação da liberdade de expressão, da lei e da Constituição da República e classifica a decisão como "atitude de censura".

Falava da Rússia? Não, era do Marquês de Pombal.»

José Miguel Júdice no Expresso

04/05/2022

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O povo do Portugal dos Pequeninos é um bocadinho lerdo

«Celebram-se 48 anos sobre o 25 de Abril de 1974. 48 anos é o tempo que um português precisa para perceber que uma ditadura é uma ditadura. Foi assim com o Estado Novo e é assim com o PCP. Ao fim de 48 anos a declarar-se vítima de agressões mal era questionado, a reconhecer nazis e fascistas em qualquer um que lhe denunciava a táctica e a dizer-se provocado sempre que era criticado, o PCP passou a ser identificado como aquilo que é e sempre foi: um partido que retira todas as vantagens das democracias a que chama burguesas e capitalistas enquanto apoia as ditaduras mais sinistras que o mundo conhece e conheceu. Face ao tempo necessário para que em Portugal se constate o óbvio, pode com segurança concluir-se que, politicamente falando, os portugueses são de compreensão lenta. Tão lenta que provavelmente só daqui a meia dúzia de anos começarão a interrogar-se sobre os bastidores da geringonça. Mas mais vale tarde que nunca.»

Um país de compreensão lenta, Helena Matos no Observador

21/04/2022

Dúvidas (335) - Afinal qual é versão oficial em que não devo acreditar?

Sou exortado pelo jornalismo de causas e até por comentários neste blogue a não acreditar na "versão oficial" dos acontecimentos da invasão da Ucrânia pela Rússia (a que chamam guerra na Ucrânia), o que me leva a um esclarecimento e me suscita uma dúvida. 

O esclarecimento é que sou pouco dado a acreditar seja no que for. A dúvida é que havendo pelo menos duas "versões oficiais" desses acontecimentos, qual das duas "versões oficiais" me aconselham a não acreditar? 

Por um lado temos a versão oficial da NATO (para simplificar admito que todos os estados-membros têm a mesma versão) que é escrutinada e comentada em milhares de jornais e canais de televisão por dezenas de milhares de jornalistas e comentadores de todas correntes ideológicas e livremente discutida por milhões de cidadãos dos estados-membros, tão livremente discutida que é pública e abertamente contraditada nos mesmos jornais e canais pelos crentes da versão oficial do governo russo.

Do outro lado temos a versão oficial do governo russo que é divulgada quase ipsis verbis por jornais e canais de televisão russos que a reproduzem fielmente, versão que ninguém ousa colocar em causa, sob pena de ser multado, na melhor hipótese, preso na hipótese mais provável e assassinado na pior hipótese.

Quando escrevo ninguém, não é exacto. Há dois tipos de cidadãos russos que colocam em causa a versão oficial russa: (1) os que, como Alexei Navalny, já estão presos, e (2) os que estão no exterior, como Oleg Tinkov, um empresário russo, que escreveu na sua conta Instagram «os generais (russos), acordando de ressaca, perceberam que tinham um exército de merda. E como pode ser bom o exército se tudo no país é uma merda e atolado em nepotismo, bajulação e servilismo?»

E, por falar em invasão e versões, permito-me colocar mas uma dúvida: a líder parlamentar do PCP quando disse «alguém que personifica um poder xenófobo e belicista, rodeado e sustentado por forças de cariz fascista e neonazi» estava a referir-se a quem?