Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

29/02/2020

Pro memoria (399) – O choque com a realidade do carro eléctrico de Sócrates (VI) - O PS vive da falta de memória dos cidadãos

[Mais choques com a realidade do carro eléctrico de Sócrates]

Segundo os planos do governo socialista de José Sócrates, até 2020 existiriam 25 mil locais de carregamento e 180 mil veículos eléctricos.

Chegados a 2020, a CEO da EDP Comercial, Vera Pinto Pereira, disse há dias que ambicionaria ter no final deste ano 300 postos de carregamento público e 750 pontos de carregamento privado. Evidentemente que não é só a EDP a instalar pontos de carregamento. Vejamos então a evolução do número total de pontos segundo os dados do European Alternative Fuels Observatory.


Temos outra vez o multiplicador socialista do planeamento, neste caso 8,3 = 25.000 / 3.000.

Já que estamos com a mão na massa, vejamos a evolução do número de veículos eléctricos segundo a mesma fonte:


Aqui o multiplicador socialista do planeamento multiplicou-se ele próprio e atingiu 12 = 180.000 / 15.000.

Se quando o Dr. Costa abandonar S. Bento para ir estudar para Paris, a exemplo do seu mestre, ou entrar na fila de espera para Belém, como deve ser o seu desígnio, fizermos o balanço dos seus planos milagrosos comparando-os com a dura realidade, muito provavelmente veremos outra vez o multiplicador socialista do planeamento em acção (socialista).

28/02/2020

Pro memoria (398) - Perseguido pelo passado (continuação)

Interroga-se um leitor neste comentário ao post anterior se o aumento da emigração para o Reino Unido se deve ao Brexit. A resposta é provavelmente sim. O próprio artigo do Público refere que de 22.622 em 2017 a emigração para o RU desceu para 18.871 em 2018 e apenas em 2019 aumentou para 24.593.

Contudo, o que persegue Costa não é a emigração para o Reino Unido em especial. É a emigração em geral que ele atribuía aos malefícios do governo PSD-CDS tutelado pela troika durante o resgate, governo que tentou em condições dificílimas consertar o desconserto herdado dos dois governos PS de Sócrates (no primeiro dos quais Costa foi ministro).

A um mês das eleições de 2015 Costa dizia aos jovens emigrantes: «E é por isso que no próximo dia 04 [de outubro] vamos ter de escolher entre os que apostam em votar para voltar ou aqueles que apostam em votar para continuar a emigrar».

Vejamos a evolução da emigração total (fonte de 2011 até 2018: PORDATA) estimando que em 2019 (dados ainda não disponíveis) a emigração para os restantes países se manteve e no total aumentou os cerca de 5.700 do Reino Unido.

2011.....100.978
2012.....121.418
2013.....128.108
2014.....134.624
2015.....101.203
2016......97.151
2017......81.051
2018......81.754
2019......87.400

É este o milagre socialista do Dr. Costa em quatro anos provavelmente irrepetíveis de bonança, para a qual nada contribuiu, virada a página da austeridade?

Pro memoria (398) - Perseguido pelo passado

Números divulgados esta quinta-feira apontam para aumento de 30% na emigração de portugueses para o Reino Unido, antes do Brexit


Sete anos antes perorava na câmara de Paris o Dr. Costa, à época presidente da câmara de Lisboa, que «o futuro de Portugal não está na saída dos melhores para o estrangeiro. 

Pelo contrário, acho que precisamos deles, da geração muito qualificada que temos, é um desperdício deixá-los sair, precisamos deles. O futuro não está na emigração.»

27/02/2020

SERVIÇO PÚBLICO: "A coisa mais perigosa sobre o coronavírus é a histeria"

«Se você acabou de cancelar sua viagem a Veneza e encomendou sua máscara de US $ 19,99 da Amazon, que tal uma visão aterradora: em Abril, 50.000 britânicos terão sucumbido a uma combinação de doenças infecciosas e condições climáticas adversas. Assustado? Se está, não se preocupe: você sobreviveu. Foi há dois anos. Em 2017-18, o Office for National Statistics registou 50.100 'excess winter deaths'. A explicação, de acordo com o ONS, foi provavelmente 'a estirpe predominante da gripe, a eficácia da vacina contra influenza e temperaturas abaixo da média no inverno'.

O coronavírus (Covid-19) é um vírus bastante virulento, mas não da maneira que você pode imaginar. Infecta menos as nossas vias respiratórias do que nosso sentimento íntimo de angústia. Na última segunda-feira, havia 79.331 casos confirmados em todo o mundo, todos na China salvo 2.069. Houve 2.595 mortes na China e 23 em outras partes do mundo. E a gripe sazonal? De acordo com uma estimativa do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA, causa entre 291.000 e 646.000 mortes globalmente por ano. Dito de outra forma, se o número de mortes por coronavírus aumentar cem vezes nas próximas semanas ou meses, apenas atingirá o limite inferior da estimativa para as estirpes de gripe existentes.

Quantos de nós usam máscaras por causa da gripe no inverno? Quantos aviões e comboios são cancelados? O mercado de acções cai? Há alguma razão para ser mais cauteloso com o Covid-19 do que com a gripe. A primeira é uma quantidade desconhecida e ainda não temos uma vacina. Mas sabemos mais sobre isso a cada dia. Sua taxa de mortalidade está agora em torno de 1% ou menos e vitimando principalmente pessoas com problemas de saúde pré-existentes; qualquer outra pessoa teria azar se morrer disso.

A histeria pelo coronavírus ocorre porque confundimos precaução com risco. Vemos cidades chinesas sendo isoladas, pessoas em quarentena, fábricas fechadas, ruas vazias (excepto algumas pessoas com máscaras) e interpretamos isso como um sinal de perigo grave e iminente. Se a China não tivesse tomado medidas tão drásticas para parar a doença, não estaríamos nem um pouco preocupados.

Parece haver uma variedade diferente de sinofobia na nossa atitude em relação às doenças infecciosas. Qualquer doença nova originária da China parece ganhar instantaneamente a descrição de 'pandemia' - mesmo quando doenças como a gripe aviária SARS e H5N1 dificilmente justificam ser chamadas de 'epidemia'. O Covid-19 parece encaixar-se perfeitamente nos nossos medos sobre a espionagem da Huawei nos nossos telefones e os fabricantes chineses que roubam os nossos empregos. Doenças de outros lugares não excitam tanto a imaginação. Houve uma breve onda de preocupação em 2014 quando o Ebola, muito mais letal que o Covid-19, surgiu na África Ocidental (desde então, matou 11.310 pessoas em todo o mundo). Mas se nos queremos preocupar com uma qualquer doença infecciosa, deve ser tuberculose. A Organização Mundial da Saúde relata que havia dez milhões de novos casos em todo o mundo em 2018, 1,45 milhão de mortes e 4.672 casos na Inglaterra. Mas ninguém nunca comprou uma máscara facial por causa disso. Quantas pessoas sabem que o epicentro da tuberculose é a Índia, com 27% dos casos em todo o mundo?

Há algo mais no pânico do Covid-19. É o fenómeno mais recente a satisfazer um apetite estranho e crescente pelas catástrofes entre as populações dos países desenvolvidos. Vivemos o tempo mais saudável e pacífico da história, mas não conseguimos aceitá-lo. Temos constantemente de inventar fantasmas, desde o alarmismo climático, a guerra nuclear e o colapso financeiro até as doenças mortais. O Covid-19 alcançou essa tracção porque surgiu no momento certo. No final de Janeiro, o Brexit havia sido concluído sem incidentes. O impasse entre os EUA e o Irão - que levou absurdamente o 'Relógio do Dia do Juízo Final' a aproximar-se da meia-noite do que durante a crise dos mísseis cubanos - acabou em nada. Os incêndios nos matos australianos, que causaram uma explosão do catastrofismo ambiental (apesar da incidência global de incêndios florestais ter descido nas últimas duas décadas) já quase se esfumou. O que mais havia para nos preocupar?

Então surgiu uma nova variedade de doenças e o ciclo de pânico recomeçou. Mas já existem fortes sinais de que ele atingiu o pico. Nos sete dias anteriores a 24 de Fevereiro, a OMS registou 6.398 novas infecções na China - abaixo das 13.002 da semana anterior. Na segunda-feira, eram 415. Muito em breve teremos que encontrar outra coisa para nos apavorar. Asteróides? O próximo incidente climático ´freak', agora que as tempestades desapareceram? Quem sabe, mas certamente encontraremos algo.»

The most dangerous thing about coronavirus is the hysteria, Ross Clark na Spectator

Nunca digas jamé

Expresso
E, de repente, o Senhor Engenheiro Sócrates, o Animal Feroz, surge purificado e é entronizando como Senador da Nação a perorar com a sua Sapiência sobre a solução a que um seu ministro disse um dia Alcochete? Jamé!

26/02/2020

Fact checking ao Fact Check do Observador, seguido de self fact checking

Há uma semana publiquei o post Multiplicador socialista: o dobro do tamanho do governo, metade do PIB per capita usando uma imagem que me foi enviada via WhatsApp que ilustrava o contraste entre o pantagruélico governo do Dr. Costa com o frugal governo finlandês. Não contei as figuras, que aliás não eram todas do governo, nem estavam todos os elementos dos governos, porque apenas me interessava a alegoria e não a aritmética.

Volto ao tema por ter lido o Fact Check. Portugal tem 61 ministros e a Finlândia 15? a propósito de um post no Facebook com a mesma imagem que usei. O veredicto do Observador foi ERRADO porque «O actual Governo finlandês tem na realidade 19 ministros» e o «XXII Governo Constitucional de Portugal conta com 20 elementos ministeriais».

Resolvi fazer um fact checking ao Fact Check do Observador e concluí:
  • governo português tem 20 ministros, incluindo o primeiro-ministro, e 50 secretários de Estado, o que faz um total de 70 «elementos ministeriais» a governarem o país.
De onde, o veredicto é
Enganador

Fazendo o fact checking ao meu post, apesar de «o dobro do tamanho do governo» ser puramente alegórico, a proporção de «elementos ministeriais» é 1,84 e o auto-veredicto é

Praticamente certo

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Pendurados no Estado Sucial e na Boa Imprensa

«Tudo isto funciona assim por uma razão simples: A generalidade destas organizações não dependem dos seus sócios mas do Estado, Estado esse que não lhes exige, como condição básica para qualquer apoio –- directo, sob a forma de projectos, ou indirecto, sob a forma de acesso a tratamentos fiscais favoráveis -– que sejam associações democráticas, com actividade escrutinável, e não grupos de amigos que não precisam de prestar contas a ninguém.

Em Portugal, muito mais valioso que ter sócios, o que verdadeiramente conta é a capacidade dos dirigentes de cada associação influenciarem as decisões do Estado a seu favor, seja o Estado central, seja o Estado local, o que depois se reflecte no seu reconhecimento por parte das empresas.

Ter boa imprensa e boas relações com decisores é, por isso, muito mais importante que ter boas relações com os sócios, o que faz de muitas destas associações -– incluindo muitos outro tipo de instituições, de Fundações a sindicatos, passando por partidos e confederações patronais –- instituições muito pouco representativas e muito pouco enraizadas socialmente

As elites das nossas organizações, Henrique Pereira dos Santos a propósito da Quercus e da sua spin off ZERO

24/02/2020

ARTIGO DEFUNTO: O primeiro tem "motivações de extrema-direita" e o segundo tem o quê? (ACTUALIZADO)



Expresso de 19-02 / Expresso de 24-02

Como se pode ver no vídeo cujo link está no segundo comentário (obrigado) a este post, a criatura a quem foram atribuídas "motivações de extrema-direita" é um maluquinho que avisou os americanos estar o seu país «sob controlo de sociedades secretas invisíveis» ao qual, portanto, poderiam igualmente ser atribuídas motivações de extrema-esquerda ou simplesmente paranóia, se não fosse o caso de à esquerdalhada dar sempre jeito atribuir estas coisas à extrema-direita.

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (20)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Para os amigos tudo, para os inimigos nada, para os outros cumpra-se a lei

A jornalista de causas Maria Flor Pedroso já foi objecto da nossa atenção em várias ocasiões (como aqui) e nunca por boas razões. Chamei-lhe prima, mas ela é apenas filha do padrasto do Dr. Costa, o que é indiferente - estamos sempre a falar da família socialista ou dos seus amigos. Maria Flor, que se havia demitido depois de tentar intervir no programa "Sexta às 9", em sinal de reconhecimento foi promovida pela Administração da RTP, segundo o jornal SOL, não uma, não duas, não três mas quatro vezes de uma assentada.

Se, para os amigos, o Dr. Costa é homem para telefonar para os promoverem, para os inimigos o Dr. Costa telefona para os despedirem, como fez à jornalista Ana Leal quando era ministro da Administração Interna.

As mulheres dos césares não precisam de ser sérias, nem mesmo de o parecerem

Como em tempos escrevi numa das crónicas, com a venda à família da sua empresa Produções Fictícias, com uma cláusula de reversão que lhe permite recuperar a sua posição, terminou o conflito de interesses de Nuno Artur Silva - um amigo do peito do Dr. Costa - que tirou o chapéu de administrador da RTP e colocou o de secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media. Liberta do conflito de interesses, a RTP adjudicou às Produções Fictícias dois "projectos" um de 20 mil e outro de 390 mil euros.

A esperança é a última a morrer

A minha esperança é a eutanásia aprovada em 5 (cinco) projectos de lei venha a jazer no Diário da República sem aplicação. E porquê essa desesperada esperança? perguntareis vós que me aturais todas as semanas. Porque a ministra da Saúde garantiu em relação à execução da eutanásia (nunca a palavra execução foi tão adequada) que «o Serviço Nacional de Saúde, aqui como noutras áreas, está preparado para responder». As palavras-chave são como noutras áreas.

O Dr. Centeno é (mais) um grande ilusionista

A semana passada a imprensa amiga louvaminhou a evolução dívida pública e do endividamento da economia. O Impertinente entende que a louvaminha é mais exagerada do que a notícia da morte de Mark Twain, e concluiu:
  • a dívida pública líquida continuou a aumentar em 2019, tendo o Ronaldo das Finanças escamoteado o aumento da dívida bruta à custa da redução da almofada financeira;
  • o endividamento das empresas manteve-se, trocando dívida interna por externa, ou seja aumentando-se a dependência financeira face ao exterior.

23/02/2020

CASE STUDY: Trumpologia (56) - Cada vez mais perto do segundo mandato

Mais trumpologia.

Com a vitória no Nebraska, Bernie Sanders melhora a suas hipóteses de ser o candidato democrata contra Trump, ainda que essa vitória somada à de Nevada e de New Hampshire não seja muito diferente do que Sanders conseguiu nas primárias de 2016 em que veio a perder para Hillary Clinton.

Sanders melhora as hipóteses de ser o candidato democrata e Trump melhora as suas de ter um segundo mandato derrotando um Sanders que se declara socialista, num país em que o socialismo é visto como aquilo que é: o melhor caminho para o empobrecimento.

A gente de Trump já percebeu quem é o candidato democrata que mais lhe convém e é natural que a Rússia, como fez e fará com Trump, já esteja ajudar Sanders a quem evidentemente esse apoio é a última coisa que deseja e por isso chama «autocratic thug» ao Czar Vladimiro.

COMO VÃO DESCALÇAR A BOTA? (33) - P'ra mentira ser segura... (V)

Outras botas para descalçar

Este post é uma continuação de (I), (II), (III) e (IV)

Em retrospectiva:

Quando há um ano o governo anunciou 104 milhões de euros (três quartos dos quais destinados à área metropolitana de Lisboa) para permitir reduzir o preço dos passes sociais, justificou que daí resultariam mais 100 mil pessoas por ano nos transportes públicos, mais 63 milhões de viagens e menos 72 mil toneladas de dióxido de carbono, escrevi aqui que se tratava de mais um exercício de planeamento milagroso porque as famílias com menores rendimentos já então privilegiavam o transporte público e tinham um passe social.

Os meses foram passando e os resultados milagrosos não aparecerem ou só apareceram do lado dos passes que têm vindo a aumentar, o que se explica pelo acréscimo da procura induzido pela redução dos preços de quem não é passageiro regular, nomeadamente as centenas de milhar de reformados nas zonas metropolitanas.

Já no post anterior se mostrou que os dados apontam para uma redução de apenas cerca de 13 mil dos 370 mil veículos que diariamente entram em Lisboa, inferior a 4%. O inquérito recente Automóvel 2020 do Observador Cetelem, citado pelo Jornal Económico, concluiu que mais de 1/3 dos portugueses têm intenção de comprar carro este ano e nas cidades de Lisboa e Porto essa intenção sobe para 47%.

É claro que é apenas uma declaração de intenção mas mostra que os urbanitas alfacinhas e tripeiros não levam a sério o pensamento milagroso do Dr. Costa e do seu sucessor Medina que os vê a deixarem os seus popós à porta de casa para usarem os poucos, sujos, irregulares e dessincronizados transportes urbanos, transportes que não existem para transportar comodamente e rapidamente os clientes (a quem chamam "utentes") mas para proporcionarem um emprego vitalício aos funcionários das respectivas empresas.

Também é claro que o insucesso destas políticas não é um problema para o governo socialista e dele não retirarão nenhuma consequência. O propósito destas políticas não é terem sucesso e melhorar a vida dos portugueses. O propósito esgota-se em anunciar e retirar os supostos benefícios de imagem e, subsidiariamente, criar mais uns lugares para a clientela eleitoral.

22/02/2020

DIÁRIO DE BORDO: R.I.P.

O último dos queirozianos
A série de posts O Portugal dos Pequeninos visto pelo último dos queirozianos foi uma espécie de homenagem antecipada. O Portugal dos Pequeninos ficou mais pequenino.

21/02/2020

A tirania faz mal à saúde

Uma espécie de sequência de A pandemia propaga-se melhor na tirania.

Economist

A gestão da dívida como exercício de ilusionismo

Económico I e Económico II

Qual dos títulos está correcto? perguntará um cidadão menos familiarizado com o jornalismo de praticado no Portugal dos Pequeninos. Resposta: estão ambos e ambos omitem o mais importante.

De facto, o rácio da dívida pública face ao PIB desceu de 122,2% em 2018 para 118,2% em 2019, no entanto a descida do rácio foi pelo aumento do PIB nominal e não foi pela descida da dívida, que, aliás, de 2018 para 2019 aumentou 600 milhões de 249,1 para 249,7 mil milhões. Isto quanto ao valor bruto da dívida pública, mas mais importante é o seu valor líquido de depósitos e este valor subiu 2,7 mil milhões para 235,3 mil milhões e o seu rácio face ao PIB aumentou 0,3pp para 111,3%.

Quanto ao endividamento da economia, ou seja o somatório da dívida pública e privada das famílias e das empresas privadas não financeiras, aumentou 3,1 mil milhões para 721 mil milhões, apesar do seu rácio também ter baixado de 352,1% para 341,2%, pelas mesmas razões. Como o endividamento do sector privado diminuiu ligeiramente, o aumento deve-se ao sector público. Note-se, porém, que as empresas privadas trocarem dívida interna por externa, tendo esta aumentado 4 mil milhões.

Conclusões:
  • a dívida pública líquida continuou a aumentar em 2019, tendo o Ronaldo das Finanças escamoteado o aumento da dívida bruta à custa da redução da almofada financeira; 
  • o endividamento das empresas manteve-se, trocando dívida interna por externa, ou seja aumentando-se a dependência financeira face ao exterior.
E tudo isto se passa com em tempos de bonança garantida pelo turismo e pelas excepcionalíssimas  condições da dívida pública e privada com juros vários pontos percentuais abaixo dos seus níveis históricos graças às políticas do BCE. 

20/02/2020

Dúvidas (291) - A eutanásia é a reforma socialista para garantir a sustentabilidade da Segurança Social?


Em 29 de Maio de 2018 o parlamento rejeitou quatro projectos de lei do PS, BE, PAN e PEV que propunham a despenalização da eutanásia.

Qual é a legitimidade dos grupos parlamentares do PS e do PS-D votarem uma lei sobre a vida e a morte que já havia sido rejeitada há menos de dois anos no mesmo parlamento e que não consta de nenhum dos dois programas?

19/02/2020

Lost in translation (332) - "Forretas", disse o pedinte-mor do reino

«Se acreditam na União Europeia e não investem no que é necessário não são frugais, são forretas» disse ontem durante o debate para-lamentar o primeiro-ministro de um governo sem vergonha nem dignidade de um país de pedintes.

Referia-se à Áustria, Dinamarca, Países Baixos e Suécia, dos quais os três primeiros foram invadidos e ocupados pelo exército nazi e saíram da II Guerra Mundial em muito mau estado.

Multiplicador socialista: o dobro do tamanho do governo, metade do PIB per capita


Como é sabido, os economistas da Mouse School of Business vêem-se como os Keynes do Portugal dos Pequeninos e ocupam o único neurónio de que dispõem com o efeito multiplicador. O case study mais célebre, aqui descrito há 13 (treze) anos pelo outro contribuinte, é o do estudo que concluiu que por cada milhão de euros que o governo torrasse em infraestruturas rodoviárias o efeito acumulado no PIB seria de 18 milhões de euros, a longo prazo. Cinco anos depois desse estudo, constatou-se que o valor do multiplicador poderia estar certo, mas aplicado não ao PIB mas à dívida pública. Enfim, era uma teoria...

Eu também tenho uma teoria que é imaginar que o Dr. Costa pretendeu dimensionar o governo da sua Passarola para aproveitar o efeito multiplicador que atiraria o PIB per capita português para o dobro da finlandês a longo prazo no final do último dos seus mandatos.

Concordo com ele. Se isso fosse possível seria uma excelente alternativa a fazer as difíceis e impopulares reformas indispensáveis para reduzir o peso do Estado Sucial, os portugueses pouparem mais, melhorarem as suas qualificações, a concorrência, o investimento e a produtividade, etc. aumentarem esperando depois de umas décadas de esforço ficar mais próximos da Finlândia.

18/02/2020

Lost in translation (331) - "Arrasa Ventura" em comentarês, significa oferece mais uns votos ao Chega

TVI
Repare-se no ar pedante do Dr. Sousa Tavares, também conhecido por "tudólogo", e no seu dedinho  espetado intimidante, quem sabe se por solidariedade com Marega.

Esta gente são verdadeiros Bourbons de quem se dizia que nada aprendiam e nada esqueciam. À força de quererem facturar como "racismo institucionalizado" a atitude avulsa de uma dúzia de energúmenos, de cada vez que tentam do alto da sua pretensa superioridade moral malhar em Ventura este agradece mais uns os votos dos "deploráveis", como lhe chamou a Sr.ª Clinton, saturados de pesporrência.

“Os números falam por si” e dizem coisas que o Dr. Costa não quer ouvir


Pois falam, ora vejam-se como os números do Dr. Costa que entre os países "pobrezinhos", isto é os 15 países que recebem fundos provenientes dos outros 13, fomos o segundo país, depois da Grécia, que menos cresceu nos primeiros 3 anos do Dr. Costa, e nos três anos seguintes somos o país que menos crescerá.

Créditos: Insurgente

17/02/2020

Os comportamentos racistas como profecia auto-realizada

Desde sempre o futebol português teve jogadores negros e até recentemente não havia memória de espectadores a insultarem por esse facto qualquer jogador.

Até recentemente não existiam na sociedade portuguesa grupos radicais promovendo políticas identitárias e projectando um racismo que existe principalmente nas suas mentes doentes. A arrogância dos grupúsculos auto-denominados anti-racistas subsidiários do Berloque de Esquerda - uma espécie de racismo revertido - só pode exacerbar o preconceito e inspirar reacções negativas dos membros de uma comunidade. O caso da Dr.ª Joacine e da sua pesporrência ridícula também ajudou.

O episódio de ontem em Guimarães dos insultos ao jogador Marega do FCP parece o resultado desse exacerbamento potenciado pelas paixões e a irracionalidade típicas do submundo do futebol.

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (19)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

É possível enganar toda a gente durante algum tempo, é possível enganar todos algum tempo, …

Na última sondagem publicada pelo Expresso, o PS cai 3 pp para 33%, o BE perde 1 pp, os comunistas recuperam 2pp, o Chega sobe para 6% e o resto fica mais ou menos na mesma.

Segundo a análise de Pedro Magalhães, o eleitorado do Chega é mais instruído do que a média e situa-se mais nas zonas urbanas. Bem pode a esquerdalhada atirar-se a André Ventura, ele agradece.

O estado do Estado Sucial administrado pelos socialistas

Desaparecido é um estado comum no Estado Sucial. Ele são as armas de Tancos, ele são os «talhões inteiros de informação que desaparecem», ele são as 112 obras da colecção à guarda da secretaria de Estado de Cultura e, pasme-se, entre estas uma escultura intitulada Escultura de Cristina Iglésias com cimento e ferro com 2,5 metros de altura.

Para os amigos tudo, para os inimigos nada, para os outros cumpra-se a lei

Se por um lado o Dr. Costa ignora e nunca até hoje recebeu o secretário-geral da UGT Carlos Silva por este ter sido apoiante de Seguro, por outro lado propõe uma comenda ao apparatchik da CGTP Arménio Carlos quando este se reforma.

O crescimento é "poucochinho"

Graças às exportações, obra dos "privados" (designação genérica que a esquerdalhada atribui ao que para eles é um resíduo do Estado Sucial), o PIB de 2019 acabou a crescer 2% ou 0,1 pp acima da previsão do governo. Não parece motivo de grande celebração porque 2% em 2019 é o crescimento mais baixo dos 15 países chamados da Coesão, ou seja os que recebem fundos provenientes dos outros 13. E em 2020 e 2021 o 1,7% previsto pela CE continua a ser o mais baixo entre os pobrezinhos. Leia-se a propósito o esclarecedor artigo Porque é que Portugal não cresce e não converge com a UE? de Abel Mateus, onde na figura 2 se pode ver quatro pobrezinhos que já passarem por nós e os dois que irão fazê-lo em breve.

16/02/2020

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Da próxima vez não vai ser diferente

«A saga da venda do EuroBic, em que, mais uma vez, aparentemente nenhum capital nacional quis (ou pôde) tomar posição, mostra o estado de Portugal. Sabemos que a origem da posição no EuroBic era estrangeira, e assim continuará a ser. Os portugueses passaram a ser espectadores (e comentadores) das operações de capital feitas por não residentes. 

É o que somos. Nem donos somos do que existe na nossa terra ... 

Talvez quando as SAD dos clubes de futebol deixarem de ser dos nacionais os portugueses percebam bem o caminho que escolheram ao evitar a poupança, escolhendo o consumo e o endividamento. 

Quando olhamos para a composição do PIB na óptica do rendimento, percebemos bem qual a razão da situação: vendemos as posições de capital e por isso a remuneração do capital esvai-se para fora, apenas restando cá os salários. E mesmo esses, à medida que os fluxos de emigrantes forem aumentando (porque precisamos deles para trabalhar e procriar, porque nós não o quisemos), a saída de muitos desses rendimentos também se escoará. 

Vendemos empresas e vão-se os lucros em dividendos. Pedimos emprestado a estrangeiros, que nos financiam porque nós não poupamos, e vai-se o juro para o exterior. E agora até vendemos os imóveis a não residentes, e escoam- se para fora as rendas dos mesmos! 

A posição de investimento internacional degradou-se continuamente nas últimas duas décadas, mostrando que dependemos cada vez mais de fora. Mas curiosamente, apesar do saldo entre activos e passivos sobre o exterior se ter agravado, os activos aumentaram, mostrando que quem vendeu muito provavelmente aplicou o dinheiro fora. Entre o 1º trimestre de 2016 e o 3º trimestre de 2019 os activos sobre o exterior aumentaram €43 mil milhões, isto é, 25% do PIB! Nem em nós acreditamos?»

João Duque no Expresso

A eutanásia é o queijo limiano do Dr. Costa, o certificado de conformidade do Dr. Rio e a prova dos nove do Dr. Marcelo

O Dr. Costa já foi contra a eutanásia, mudou de opinião e o PS abriu a porta para o parlamento aprovar a correr antes que a coisa se complique. Porquê? E porquê a urgência? A explicação mais lógica é que é o preço a pagar pelo Dr. Costa ao Berloque de Esquerda por não ter votado contra o Orçamento.

O Dr. Rio diz que a discussão sobre um referendo é extemporânea, «não está em cima da mesa e é difícil fazer um referendo durante o fim de semana». Num caso de vida e de morte, literalmente, é um argumento completamente estúpido. A explicação mais lógica é que o Dr. Rio tem medo de perder o certificado de conformidade.

O Dr. Marcelo que disse no passado ser contra a eutanásia (mas ele já disse tanta coisa e o seu contrário), diz agora que só no fim «por escrito ou oralmente». A explicação mais lógica é ser um especialista em cambalhotas e tem o pavor de ser impopular.

15/02/2020

Dúvidas (290) - Precisará Portugal de gostar (ainda mais) de si próprio?

«Portugal precisa de aprender a gostar de si próprio», é este o título e a conclusão de um artigo no Jornal Económico de Filipe Alves, um jornalista habitualmente lúcido e realista, mas não neste caso.

Peço licença para discordar porque observo nas muitas pessoas pertencentes a várias "bolhas" sociais com quem interagi e interajo que a grande maioria se sente perfeitamente confortável com o Portugal dos Pequeninos onde vivemos e uma parte significativa dessa maioria acha até que, em todos os aspectos considerados relevantes, o Portugal dos Pequeninos está acima da estranja em geral. Entre parêntesis, é claro que o problema está no que é considerado relevante, mas isso dava outro post.

Dentro dessa maioria, destaco a maior parte das elites que, talvez para não se sentirem diminuídos (quem é que quer ser elite de uma choldra?), também dizem achar o mesmo do que a plebe. Leia-se, por exemplo, a produção dos jornalistas de causas, quase sempre laudatória do país - vejam-se os posts da série Outros portugueses no topo do mundo. E nem falo de S. Exª. o presidente do Portugal dos Pequeninos e das suas boutades acerca dos melhores militares do mundo e dos melhores do mundo em geral.

É claro que convivendo (mal) com essa maioria existe uma minoria de «queirozianos» «excessivamente» críticos a que se refere o artigo, entre os quais poderia ser incluído, apesar de não me considerar queiroziano por me faltar o cinismo e o diletantismo.

Não interessa agora quem tem razão, se a maioria contente e feliz com o que temos se os críticos. O meu ponto é outro: Portugal, isto é maioria dos portugueses, não precisa nada de aprender a gostar de si próprio porque já gosta tanto que não quer mudar.

14/02/2020

ACREDITE SE QUISER: Para alguma coisa deve servir um banco do Estado Sucial

Correio de Manhã

Bons exemplos (130) - O próprio respeito exige respeito próprio

Sajid Javid, o ministro das Finanças (Chancellor) do governo inglês, demitiu-se em protesto por Boris Johnson lhe ter exigido que despedisse os seus próprios advisers e aceitasse um gabinete de advisers conjunto com o primeiro-ministro. Sajid Jaid explicou:
«I was unable to accept those conditions. I don't believe any self-respecting minister would accept such conditions, and therefore I felt the best thing to do, was to go.»

13/02/2020

Coronavírus: o rigor jornalístico é o que o jornalista quiser

A ray of hope in the coronavirus curve

«Da última vez que falei do surto, nesta newsletter, a contagem ia nos 130 mortos e 6 mil análises positivas. E esses dados têm exatamente duas semanas. Multiplicaram-se literalmente por dez.»

Foi assim que a newsletter do semanário de reverência tratou o assunto. Não é que seja falso, passa ao lado da questão crítica e é revelador de ignorância, em particular da confusão entre a primeira e a segunda derivada de uma função ou, dito de maneira simples, a confusão entre número total de casos que continua a aumentar - nem poderia ser de outra forma - com o número de novos casos que está a diminuir.

A diferença tem um enorme impacto porque se o número de novos casos continuasse a aumentar como até ao princípio de Fevereiro seria uma catástrofe humanitária. A diferença tem evidentemente uma relevância jornalística tal que deveria levar a jornalista e directora-adjunta que assina a newsletter a instruir-se primeiro. É um exemplo de que o jornalismo de causas só está preparado para tratar de opiniões e indignações.

ESTÓRIA E MORAL - A redução homeopática dos impostos é obra do Ronaldo

Estória 

Primeiro, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, por sinal esposo irmão da ex-secretária-geral adjunta e actual líder do grupo parlamentar do Partido Socialista (nada de extraordinário, a família socialista é grande e está em todo o lado), anunciou no parlamento a semana passada «uma grande baixa de impostos» no próximo ano.

De seguida, o Dr. Centeno, aka o Ronaldo das Finanças, veio precisar que a grande baixa de impostos serão 200 milhões, o que faz dessa redução (menos de 0,1 ponto percentual da carga fiscal) entrar no domínio da homeopatia, como a luso-contribuição para o satélite europeu.

Ó Tó, deixa-te de fitas, porque a redução é minha
Acrescentou ainda o Dr. Centeno, enciumado pelo anúncio atrevido do seu ajudante, que essa redução estava prevista há anos, como que dizendo: ó secretário, deixa lá de te emplumares com a redução de impostos deixando para mim os aumentos, porque essa redução é obra minha, mesmo que eu por essa altura já esteja no conforto do BdP.

Moral

Unicuĭque suum, ou, como diz a populaça, o seu a seu dono, nem que o seu seja homeopático.

12/02/2020

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (25) - Uma luso-contribuição homeopática

Outros portugueses no topo do mundo.

O título gongórico é «Já observou a Terra e foi a Marte. Agora a tecnologia portuguesa quer ter um lugar ao sol» e no encomiástico texto escreve o Expresso: «Satélite com tecnologia portuguesa, que vai permitir obter as primeiras imagens dos pólos do Sol, foi lançado com sucesso esta madrugada.».

Dito assim, a coisa é um feito quase ao nível do lançamento à água da nau Madre de Deus, o maior navio do mundo nos finais do século XVI. Mais à frente ficamos a saber que o custo total da missão anda pelos 1,5 mil milhões de euros o que é muita grana, o equivalente à mais recente injecção de capital no Novo Banco, o qual, recorde-se é o banco bom constituído com os salvados do naufrágio do BES - imagine-se o que seja o banco mau.

Chegados aqui, é inevitável um tuga que se preze interrogar-se quanto terá custado a tecnologia portuguesa incorporada no satélite e imaginar dezenas ou centenas de milhões. Lá mais para a frente o Expresso informa-nos que «o projecto representou, para a Critical Software, um volume de negócios de 2,5 milhões de euros, com especial incidência nos anos entre 2013 e 2016.» E pronto, lá se vai o orgulho patriótico, humilhado pelos 0,17% da contribuição lusa para o satélite, uma contribuição digamos homeopática.

Não me entenda mal, no ponto em que as coisas estão qualquer exportação de uma empresa portuguesa sem ser à força de subsídios deve ser valorizada. É apenas uma questão de sentido das proporções e de noção do ridículo que resulta da nossa fasquia estar tão baixa que até levantar um pé à altura do tornozelo é um feito.

10/02/2020

"Parasitas", um Oscar que se queria ser politicamente correcto e acaba por ser "reaccionário"


A Academy of Motion Picture Arts and Sciences, talvez movida pelos critérios do politicamente correcto, resolveu atribuir pela primeira vez um Oscar a um filme em língua estrangeira, com um realizador e actores estrangeiros, filme que ilustra de uma forma extrema e caricata desigualdades profundas entre ricos e pobres na Coreia do Sul - a desigualdade na distribuição da riqueza é actualmente um dos temas preferidos do "progressismo".

Contudo, a meu ver, mais do que mostrar a desigualdade extrema entre ricos e pobres, o filme de Bong Joon Ho mostra-nos pobres cuja maior diferença dos ricos não é o dinheiro mas a degradação moral, um pouco à maneira de "Feios, Porcos e Maus" de Ettore Scola. Seja como for, à margem de considerações políticas, "Parasitas" é sem dúvida um filme singular que merece ser visto.

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (18)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O ilusionismo como forma de vida

O PAN propôs a suspensão do projecto da linha circular do Metro de Lisboa, aprovada com os votos de PSD, Bloco, PCP e Chega, com o propósito de ser comparada com a alternativa da extensão até Alcântara. Ao que o PS protestou com as aldrabices do costume: os rios de dinheiro que se perderiam com indemnizações aos empreiteiros e outros custos resultantes da suspensão de um projecto que ainda nem está concluído, não existe obra, nem sequer contratos.

Tudo isto passa ao lado do mais importante que seria prolongar a rede de metro para cobrir a zona metropolitana de Lisboa oferecendo aos habitantes dos subúrbios alternativas aceitáveis à utilização dos 370 mil carros que entram diariamente em Lisboa, em vez de afundar dinheiro para os urbanitas alfacinhas andarem a circular dentro de Lisboa.

A mercearia orçamental

Além das suspensão do projecto da linha circular do Metro de Lisboa, o debate parlamentar do orçamento foi uma oportunidade não desperdiçada para demonstrar aos cépticos a vacuidade da actividade da Assembleia da República que poderia ter inspirado a Otto von Bismarck a boutade que lhe é atribuída «quanto menos o povo souber como são feitas as salsichas e as leis, mais tranquilo dormirá». Em resumo, foi uma demonstração das habilidades do Dr. Costa e da sua generosidade que distribuiu a pedido da "oposição" benfeitorias ao povo, tais como um cheque de 100 euros para comprar bicicleta e creches gratuitas para 56 mil crianças.

O Estado Sucial como máquina de extorsão

É claro que tudo na vida tem um preço e por isso a «UTAO diz que carga fiscal é "ainda maior" do que o previsto»? Qual é o problema? Manda-se o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais anunciar «uma grande baixa de impostos». Quando? No próximo ano. No próximo ano? Sim, no próximo ano, quando os eleitores já se tiverem esquecido, como se esqueceram da página da austeridade virada e das muitas outras tretas do Dr. Costa.

Ainda não é o mafarrico, mas já se sente o cheiro das brasas

No ano passado as exportações crescerem 3,6% e as importações cresceram 6,6%. Em consequência, o défice comercial de bens aumentou 2,8 mil milhões de euros para 20,4 mil milhões de euros, o que nos trás de volta aos anos pré-resgate: 24,0, 18,2 e 19,5 mil milhões de euros foram os défices de 2008 a 2010. A diferença é que hoje temos, por enquanto, o turismo para adiar o desastre.

09/02/2020

Está na hora de lançar uma nova etapa na luta pela "paridade de género"

Expresso
A engenharia social inventada pelo politicamente correcto (ou marxismo cultural) é uma luta sem fim. Primeiro promove-se um "género" ("sexo" em português arcaico), faz-se "discriminação positiva" estabelecem-se quotas, etc. para equilibrar as coisas. De seguida constata-se que afinal as coisas ficaram outra vez desequilibradas e pode-se iniciar uma nova etapa, e assim sucessivamente até ao fim dos tempos.

De passagem, e a propósito, acrescento uma nova entrada no Glossário das Impertinências:

Cientistas do Estado
Uma classe de funcionários públicos com emprego vitalício, geralmente doutorados, que se dedicam a uma actividade a que chamam investigação que produz papers, às vezes publicados, e, parece, até há notícia de patentes registadas que um dia poderão vir a ser usadas, ninguém sabe em quê e como.

ESTÓRIA E MORAL: A pandemia propaga-se melhor na tirania

Estória

«Se você continuar a ser teimoso, não se arrepender e persistir em actividades ilegais, será levado à justiça.» Foi assim que a polícia de Wuhan avisou Li Wenliang, um médico oftalmologista ameaçado no princípio de Janeiro por ter partilhado através do WeChat nos últimos dias do ano informações com ex-colegas de sua antiga escola de medicina sobre um grupo de pacientes com ligações a um dos mercados de animais vivos de Wuhan que estaria infectado com o vírus da SARS, pensava ele, mas que na verdade se veio a saber mais tarde tratar-se do coronavírus.

Dias depois a polícia convocou-o de novo, repreendeu-o severamente e ordenou que ele escrevesse uma carta de autocrítica. Voltou a ser interrogado e foi-lhe dito que tinha «perturbado gravemente a ordem social» e acusado juntamente com outras sete pessoas de espalhar «informações falsas».

Só no fim de Janeiro, quando já era impossível ignorar o impacto do vírus, Li Wenliang e os outros acusados foram absolvidos. Durante várias semanas, numa fase crucial da pandemia, o risco foi subestimado, no mínimo, ou mesmo ignorado, pelas autoridades chinesas.

Entretanto, a 6 de Janeiro Li Wenliang morreu contaminado pelo coronavírus. A morte de Li Wenliang desencadeou críticas às autoridades chinesas nas redes sociais por muita gente que, por ter ficado retida em casa por ordem das autoridades locais, teve tempo de sobra para protestar online.

(Fonte: Li Wenliang’s death is a new crisis for China’s rulers)

Moral da estória

«As ditaduras fomentam a opressão, as ditaduras fomentam o servilismo, as ditaduras fomentam a crueldade; mas o mais abominável é que elas fomentam a idiotia.»
Jorge Luis Borges

08/02/2020

Dúvidas (289) - Com uma justiça assim ainda teríamos algum representante das nossas elites em liberdade?

Há cerca de um ano, rebentou nos Estados Unidos o escândalo da compra por actores, líderes empresariais e outra gente endinheirada de admissões nas universidades americanas de topo. Um dos exemplos mais caricatos foi o de uma adolescente que nunca tinha jogado soccer (futebol europeu) ter sido admitida como estrela do futebol em Yale (uma das oito universidades da Liga da Hera) por 1,2 milhões de dólares pagos pelos papás.

Douglas Hodge, um ex-CEO da Pimco, uma das maiores gestoras mundiais de fundos de obrigações, comprou a admissão das suas duas filhas à Universidade do Sul da Califórnia e confessou em Outubro «fi-lo por amor aos meus filhos, mas sei que essa explicação para minhas acções não é uma desculpa», uma confissão que deste lado do Atlântico seria muito difícil de escutar e completamente impossível neste nosso Portugal dos Pequeninos.

Como paga pela confissão, um tribunal federal condenou-o ontem a nove meses de prisão. Algo que nenhum tribunal do nosso Portugal dos Pequeninos ousaria fazer a uma criatura das elites financeiras, mesmo depois da justiça consumir meia dúzia de anos a instruir um processo com dez mil páginas.

07/02/2020

ACREDITE SE QUISER: O catastrofismo ambientalista (1)

Em 1968, ano de todas as revoltas, com Paris a arder e os estudantes a procurarem "la plage sous la chaussée", o clérigo anglicano Thomas Malthus reencarnou no casal de biólogos Paul e Ann Ehrlich que publicou «The Population Bomb», um livro que teve um enorme sucesso, onde se previa o fim da humanidade que morreria de fome nas próximas décadas devido ao excesso populacional.

Quatro anos depois, em 1972, o Clube de Roma constituído por umas dúzias de personalidades, entre elas Jacques Delors, Fernando Henrique Cardoso, Mikhail Gorbachev, Vaclav Havel e o rei Juan Carlos, patrocinava um estudo levado a cabo por uma equipa de sábios do MIT que fundamentou o célebre «Relatório do Clube de Roma» onde se concluiu, baseado em modelos matemáticos, que o planeta não suportaria a pressão sobre os recursos naturais e o aumento da poluição. Todos os recursos naturais, desde o ferro até ao petróleo, se esgotariam nas próximas décadas - segundo os modelos matemáticos nenhuma das matérias primas mais importantes para a indústria e a economia teria chegado aos nossos dias.

Vinte anos depois, em 1992, na Cimeira do Rio sobre o clima, onde Severn Cullis-Suzuki a precursora de Greta Thunberg fez um comovente discurso, um pouco menos patético do que a sua sucessora faria 27 anos depois, concluiu-se que restavam somente dez anos, terminados em 2002, para travar as mudanças climáticas.

(Continua)

06/02/2020

DIÁRIO DE BORDO: R.I.P.

Kirk Douglas, 103 anos e mais de 60 anos a fazer filmes

COMO VÃO DESCALÇAR A BOTA? (32) - O balão de hidrogénio do Dr. Galamba

Outras botas para descalçar

O Dr. Galamba, actual secretário de Estado «para a Transição», que «frequentou um doutoramento em Filosofia Política na London School of Economics» (não me perguntem o que é frequentar um doutoramento) e foi uma espécie apoderado do Sr. Eng. José Sócrates, anunciou há três meses uma «mega fábrica de hidrogénio em Sines» em parceria com a Holanda. Seis dias depois a Holanda esclareceu que «ainda é cedo» para falar disso.

Desde então o Dr. Galamba, à míngua de obra «para a Transição», vem vendendo a sua imagem numa campanha pessoal a pretexto do hidrogénio. A pesquisa «fábrica de hidrogénio em Sines» tem mais de cinco mil resultados.

Uma das suas últimas iniciativas foi uma entrevista ao Eco onde põe à solta a sua megalomania e se refere à coisa como o «maior projetco industrial desde o 25 de Abril», «com um horizonte de desenvolvimento até 2030 e além dessa data» e garante que será assinado em Março ou Abril.

Segundo ele, não começará antes de 2021 (esta garantia é para valer, digo eu) e envolverá um investimento de 3.500 milhões de euros. E de onde virão esses milhões perguntareis curiosos e eu convosco. Da Óropa? Do orçamento do Dr. Centeno? Nada disso, das empresas privadas, explica a criatura, limitando-se o Estado Sucial ao papel de promotor.

Zeppelin Hindenburg em 6 de Maio de 1937
Já estou a ver os privados a fazerem bicha à porta do gabinete do Dr. Galamba para entrarem com os seus milhões que ele transformará em hidrogénio que, como se sabe, é um dos gases menos densos e por isso serviu para encher balões, nada impedindo que possa vir a encher o balão do Dr. Galamba. Infelizmente para ele o hidrogénio é altamente inflamável, de modo que bem pode acontecer ao seu balão o mesmo que ao Zeppelin Hindenburg.

05/02/2020

DIÁRIO DE BORDO: A doutrina Somoza continua muito popular entre a esquerdalhada

Sim, também tenho dificuldade em perceber como pode o CDS, um partido que se considera democrático, ter um dirigente, como Abel Matos Santos, que dá vivas a Salazar, o que pressupõe uma exaltação de um regime anti-democrático que tentou manter os portugueses num estado de menoridade mental - com algum sucesso, concedo.

Percebo com menos dificuldade que esse mesmo dirigente considere o Botas com «um dos maiores e melhores portugueses de sempre». É discutível, mas é uma opinião respeitável.

Percebo melhor que ele acrescente «E ele vive mesmo! Façam o que fizerem, mudem o nome da ponte que ele fez, apaguem nomes de ruas, mintam sobre ele, façam o que fizerem, nunca conseguirão apagar a sua memória e o seu vasto legado!» É o que parecem pensar milhões de portugueses e o que, provavelmente, a história expurgada de ismos passageiros confirmará.

Porém, tenho ainda mais dificuldade em perceber ou não entendo de todo como os indignados com as opiniões de Abel Matos Santos convivem alegremente com as opiniões dos adeptos de ideologias que nutriram sistemas sociais e políticos distópicos, como os comunismos nas suas diferentes encarnações soviéticas, maoistas, castritas et tutti quanti, ideologias que ainda hoje esses adeptos exaltam.

É apenas mais um exemplo desnecessário de como a doutrina Somoza continua popular entre as esquerdas (e, para sermos honestos, entre as direitas).

Dúvidas (288) - Pelo sim, pelo não, peçam ao BoJo para botar isso no papel e assinar por baixo


Quote of the day
‘My advice to anybody to whom Boris is making promises – whether it is voters, world leaders, ministers, employees or indeed to family members – is to get it in writing, get a lawyer to look at it and make sure the money is in the bank.’
Claire Perry O’Neill, the sacked president of the UN climate change summit in Glasgow, on Boris Johnson. 

(Spectator)

03/02/2020

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (17)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

É possível enganar toda a gente durante algum tempo, é possível enganar todos algum tempo, …

O PS continua a cair poucochinho, o PS-D de Rio continua a coxear devagarinho atrás do PS, ... foi assim que o outro contribuinte leu as últimas sondagens. Já se sabe que sondagens são uma coisa e eleições outra diferente, por vezes muitíssimo diferente. Ainda assim, se, depois de quatro anos de maná socialista, o PS anda pelos 30 e picos, quando as vacas emagreceram, e as vacas emagrecem mais tarde ou mais cedo, principalmente quando não lhes cultivam o pasto, só um milagre dará a maioria ao PS.

E poderia ser de outra maneira? Dificilmente, porque as estórias que o Dr. Costa conta são cada vez mais mal contadas. Veja-se o argumento para não descer o IVA electricidade que, diz ele, é insustentável financeiramente, e compare-se com a redução do IVA da restauração que foi uma sua bandeira eleitoral. É caso para lhe recomendar que vá buscar a «ferramenta analítica» da Mouse School of Economics e conclua que se o PIB aumentaria com a redução do IVA da restauração porque não aumentaria com a redução do IVA da electricidade? A sorte do Dr. Costa é ter as redacções atulhadas de jornalistas de causas e um eleitorado amorfo que não sabe a tabuada.

A família socialista tem imenso jeito para o negócio

Desta vez é em Guimarães e envolve a cooperativa Taipas-Turitermas, de que é sócia a câmara, e a empresa Neurónio Cristalino (belo nome), de que é sócia a mulher de um autarca socialista, empresa que gere uma casa de saúde em concorrência directa com a cooperativa. Enfim, nada de anormal, business as usual. (jornal SOL)

02/02/2020

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (98) - "Apenas marxista"

Outras preces

Em Maio de 1974, durante uma espécie de ensaio do PREC do ano seguinte, o MRPP, onde à época militavam Durão Barroso e Ana Gomes, pretendeu sanear na Faculdade de Direito (uma espécie de Palácio de Inverno para o maoismo) o professor Cavaleiro Ferreira. Contra o saneamento estavam as forças conservadoras de então lideradas pelos comunistas, acreditem se quiserem.

Esse episódio, evocado pelo Expresso, é relatado por Domingos Lopes, um histórico do PCP, agora desalinhado, na época do lado das forças conservadoras, que conta na sua autobiografia agora publicada ter sido abordado por Marcelo Rebelo de Sousa que lhe disse «uma coisa muito simples: estava totalmente do nosso lado, o que nos separava era o leninismo, ele considerava-se apenas marxista».

Domingos Lopes acrescenta em duas linhas inspiradas uma espécie de retrato à la minute do artista quando jovem:
«Marcelo, já em 1974, tinha no seu ADN esta faceta de ser o que é preciso em cada momento para surfar sem ir ao fundo, mesmo renegando o que era».

01/02/2020

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Nada será como dantes e o quartel-general mudou-se de Abrantes

«Em quase todas estas mudanças as elites foram apanhadas de surpresa – porque se operou uma verdadeira clivagem social e política e porque a comunicação social também não conseguiu perceber o que se estava a passar. Em quase todas estas mudanças a nova esquerda, urbana, classe média, instruída, bem na vida, foi apanhada em contra-pé: não vivia nos mesmos bairros, não tinha andado nas mesmas escolas, não via os mesmos programas de televisão, não andava nos mesmos transportes, no fundo não conhecia os “de baixo” que dizia representar. Sem surpresa, deixou de os representar. Deixou de ter as mesmas preocupações e inquietações, e trocou de agenda. Sendo que sua nova agenda, mais fracturante e mais identitária, nada diz à velha base social dos partidos da esquerda tradicional.

É assim que o Chega obtém os seus melhores resultados em freguesias suburbanas (e no Alentejo) enquanto o mais puro produto desta nova esquerda, o Livre, tem as suas melhores votações em freguesias como a do Bairro Alto, em Lisboa.»

Excerto de «Os pais votam comunista e os filhos no Chega», José Manuel Fernandes no Observador

Não deixe de ler o artigo completo, uma análise lúcida fora da caixa do pensamento único que molda as meninges das nossas elites. Elites «apanhadas de surpresa» estão a caminho de deixar de o ser, porque vão atrás dos acontecimentos incapazes de os dirigir ou mesmo de os influenciar, vivem dentro de uma das várias bolhas onde praticam masturbação grupal.

Chávez & Chávez, Sucessores (74) - O socialismo bolivariano é um socialismo de ponta

Outras obras do chávismo.

O socialismo nas diversas encarnações sempre produziu privação na melhor hipótese e miséria na pior e, sempre, a morte das liberdades. O socialismo chávista não é excepção. Controlo dos preços e hiperinflação, abundância de recursos naturais e penúria, corrupção, abuso do poder, a lista da obra chávista é grande.

Resultados: em 6 anos o PIB caiu 65% e a emigração em 2020 prevê-se que supere seis milhões de pessoas ou 20% da população actual. (fonte)