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03/02/2019

COMO VÃO DESCALÇAR A BOTA? (22) - P'ra a mentira ser segura...

Outras botas para descalçar

Cada vez mais encurralado pela realidade, o governo socialista refugia-se na fantasia prosseguindo a criação de factos alternativos. O exemplo recente mais notório ainda é o Programa Nacional de Investimentos 2030 que atira para um futuro longínquo investimentos que a falta evidente de poupança nacional e a ausência óbvia de investimento estrangeiro produtivo tornam uma lista de delírios para iludir eleitores distraídos e carentes de boas notícias em ano de eleições.

É necessário, como o poeta Aleixo notou, «p'ra a mentira ser segura / e atingir profundidade, / tem de trazer à mistura  / qualquer coisa de verdade», por isso o governo vê-se obrigado a mostrar algo de palpável e realizável a curto prazo. Foi o que fez com o anúncio de 104 milhões de euros (três quartos dos quais destinados à área metropolitana de Lisboa) para deitar em cima das empresas de transportes colectivos urbanos para permitir reduzir os passes sociais, redução que, segundo o «secretário de Estado Adjunto e da Mobilidade» (como se sabe, quanto mais elaborado é o título do posto menos conteúdo tem), irá trazer mais 100 mil pessoas por ano para os transportes públicos, mais 63 milhões de viagens e menos 72 mil toneladas de dióxido de carbono.

Trata-se de mais um exercício de planeamento milagroso. Qualquer criatura atenta perceberá as pessoas e as famílias com menores rendimentos já hoje privilegiam o transporte público e têm um passe social. Porque haveriam as outras de abandonar os popós por passes sociais a custarem por mês menos meia dúzia de euros? 

Devido à conjugação de vários factores: generalização do transporte partilhado, novos operadores privados (Uber e outros), uso de bicicletas, teletrabalho, entre outros, o transporte público está em declínio em todas as grandes cidades europeias e americanas e não se vê porque haveria de ser diferente nas cidades portuguesas. 

Tomemos nota na agenda para memória futura.

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