Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

23/07/2021

A pandemia ameaça a democracia liberal no país onde foi inventada (2)

Continuação daqui.
Some Britons crave permanent pandemic lockdown

Após um ano e meio de pandemia, numa sociedade com profundas tradições liberais como a britânica a maioria dos cidadãos aceita pesadas limitações à liberdade durante um período de tempo indeterminado («até que a covid-10 esteja globalmente controlada»). E, pior do que tudo, uma parte significativa dos britânicos aceitam essas limitações permanentemente. 

Imagine-se o que estarão dispostos a aceitar os cidadãos de uma sociedade sem essas tradições, como a sociedade portuguesa que viveu durante quase 50 anos acomodada num Estado Novo com drásticas limitações das liberdades.

21/07/2021

SERVIÇO PÚBLICO: Menos máscaras, menos confinamento e mais ventilação

«Superspreading is loosely defined as being when a single person infects many others in a short space of time. More than 2,000 cases of it have now been recorded—in places as varied as slaughterhouses, megachurches, fitness centres and nightclubs—and many scientists argue that it is the main means by which covid-19 is transmitted.

In cracking the puzzle of superspreading, researchers have had to re-evaluate their understanding of sars-cov-2’s transmission. Most documented superspreadings have happened indoors and involved large groups gathered in poorly ventilated spaces. That points to sars-cov-2 being a virus which travels easily through the air, in contradistinction to the early belief that short-range encounters and infected surfaces were the main risks. This, in turn, suggests that paying attention to the need for good ventilation will be important in managing the next phase of the pandemic, as people return to mixing with each other inside homes, offices, gyms, restaurants and other enclosed spaces. (...)


But the widespread assertion, still stubbornly promulgated by the who, that droplets above five microns in diameter do not stay airborne, but rather settle close to their source, is a dodgy foundation on which to build public-health advice. According to Dr Jimenez, physicists have shown that any particle less than 100 microns across can become airborne in the right circumstances. All of this matters because hand-washing and social distancing, though they remain important, are not enough to stop an airborne virus spreading, especially indoors. Masks will help, by slowing down and partially filtering an infectious person’s exhalations. But to keep offices, schools, hospitals, care homes and so on safe also requires improvements in their ventilation.


(...) All sorts of symptoms, from headaches, fatigue and shortness of breath to skin-irritation, dizziness and nausea, are linked to poor ventilation. It has also been connected with more absences from work and lower productivity.

The ventilation measures needed to deal with all this are not difficult, but existing regulations and design standards often have different objectives—particularly, these days, conserving heat and thus reducing energy consumption. That often means recirculating air, rather than exchanging it with fresh air from the outside world. (An exception is passenger aircraft, which refresh cabin air frequently.)

In situations where it is not possible to reduce health risks by ventilation alone—for example, places like nightclubs, where there are lots of people crowded together, or gyms, where they are breathing heavily—air filtration could easily be incorporated into ventilation systems. Air could also be disinfected, using germicidal ultraviolet lamps placed within air-conditioning systems or near ceilings in rooms.»

Improving ventilation will help curb SARS-CoV-2

20/07/2021

Como tentar cumprir o plano de vacinação, apesar de tudo? Resposta: um dia de cada vez (58) - As velas não estão enfunadas

Sem que tenha sido dada nenhuma explicação oficial, desde o dia 7 de Julho o ritmo de vacinação sofreu uma queda substancial. O número médio de doses administradas desde os finais de Junho até então atingiu 166 mil e a partir dessa data caiu para menos de metade.

Não obstante essa queda a generalidade dos objectivos parece ainda atingível e, nesta altura, o falhanço mais notório é o do objectivo seguinte: 
No início da terceira semana de Julho a percentagem de totalmente vacinados é a seguinte (fonte ECDC):

95,4% dos +80
92,1% dos 70-79
80,1% dos 69-70 anos. 

 

ECDC

Não obstante a 10.ª posição de Portugal na EU27 no que respeita ao rácio de pelo menos uma dose administrada aos adultos (18+) se poder considerar aceitável, está muito longe de justificar a euforia da imprensa do regime. 

19/07/2021

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (94) - Em tempo de vírus (LXXI)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Take Another Plan. «Está no terreno» disse o Dr. Pedro Nuno

Não, o Dr. Pedro Nuno não se referia à frota da TAP que essa, sim, está no terreno há um ano e meio. Referia-se ao plano de reestruturação que segundo ele estará aprovado «a breve prazo». Dependendo do que ele quer significar com breve pode ser que sim, ou que não, visto que a CE «vai avançar para investigação aprofundada do plano.

L’État c’est nous

A Dr.ª Ana Paula Vitorino, ex-ministra e actual deputada e cônjuge do ministro Dr. Cabrita, foi considerada suficientemente independente e competente para ser nomeada presidente da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes e como fez parte da comissão parlamentar que lhe fez a audição para nomeação tentou corrigir o relatório da comissão. O descaramento desta gente não tem limites.

Depois do acidente a 200km/h do esposo da Dr.ª Vitorino, também o ministro do Ambiente foi detectado a essa velocidade na A2 e a 160km/h numa estrada nacional. A impunidade desta gente não tem limites.

O estado do Estado sucial administrado pelos socialistas

Cinquenta e um técnicos qualificados recrutados em 2019 e em Abril deste ano colocados na PlanAPP, cuja missão é apoiar a definição de políticas públicas, continuam engavetados à espera.

As obras no Hospital Militar de Belém orçamentadas em 750 mil euros "derraparam" mais de quatro vezes para para 3,2 milhões, e como se fosse pouco, em plena pandemia, foi desactivada a infraestrutura para o tratamento de doenças infecciosas. A coisa é tão escandalosamente incompetente (e talvez corrupta) que motivou uma tomada de posição pública de um grupo de pessoas, médicos e militares, encabeçados pelo general Eanes.

Quando se pensava que já tinha sido atingido o limite...

O Banco de Fomento foi várias vezes anunciado para as «próximas semanas», sucedendo a um banco de fomento que fora privatizado por um governo PS, tinha ressuscitado há três anos e segundo o mesmo ministro já estava criado em Janeiro do ano passado. Afinal não estava e o governo teve de alterar o estatuto do gestor público para colocar os membros da grande família socialista, na circunstância nove administradores e vinte e quatro directores, entre eles, como presidente, o Dr. Vítor Fernandes uma criatura com um vasto currículo que inclui a pertença com o Dr. Santos Ferreira e o Dr. Vara à administração da Caixa que emprestou dinheiro ao Sr. Berardo para comprar uma participação no BCP, para cuja administração o trio foi transladado pelo governo do Eng. Sócrates, e, por último, incluiu também uma relação íntima com o Sr. Vieira do presidente do Benfica. Melhor é impossível.

18/07/2021

DIÁRIO DE BORDO: Elegeram-no? Então aguentem outros cinco anos de TV Marcelo (2) - Não tem emenda

Então aguentem outros cinco anos, uma espécie de sequência indesejada da série Outras preces (não escutadas)

«O comentador Marcelo Rebelo de Sousa não perdeu tempo, pegou no telefone e ligou para uma televisão (no caso a SIC Notícias) a proclamar a derrota jurídica do constitucionalista Marcelo Rebelo de Sousa para reclamar a vitória política do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa no caso da declaração de inconstitucionalidade da lei da Assembleia da República da iniciativa do PSD e aprovada em chamada ‘coligação negativa’ pela Oposição com os votos contra do partido do Governo sobre medidas de proteção social em plena pandemia.

Parece inverosímil, mas é verdade. Na quarta-feira à noite, mal foi anunciada a decisão do Tribunal Constitucional que deu razão a três das cinco dúvidas de constitucionalidade suscitadas pelo Governo em relação à dita lei obviamente violadora da Lei Travão que proíbe a AR de impor ao Governo leis que determinem o aumento da despesa ou a diminuição da receita previstos na lei do Orçamento do Estado, Marcelo pegou no telefone e ligou para aquele canal de televisão, que estava a dar a reação do Governo pela voz do secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro, Tiago Antunes.

O telefonema presidencial – tal como já acontecera noutras ocasiões igualmente inusitadas – apanhou de surpresa o pivô de serviço, que não disfarçou a satisfação com que recebeu aquela chamada. Afinal, e como podia ler-se em rodapé, tinha um ‘furo jornalístico’: «Marcelo R. de Sousa reage em direto na SIC Notícias».

A palhaçada de S. Ex.ª relatada por Mário Ramires no Nascer do Sol

O Teste da Jangada como processo de detectar um esquerdalho

«Regressando a Cuba, salvo seja, a brutal hipocrisia da esquerda não sobrevive ao Teste da Jangada. Não é um teste complicado. De um lado, temos um país de onde as pessoas fogem em condições pavorosas da prisão provável e da indigência garantida. Do outro, temos um país que os recebe e lhes permite prosperar de acordo com o seu empenho, a sua habilidade ou a sua sorte. Adivinhem qual o país que a esquerda adora e qual o que a esquerda abomina (para os idiotas terminais, esclareço que o ponto de origem é Havana é o ponto de chegada é Miami – apesar das bazófias, nem idiotas terminais fariam o percurso inverso). O teste não termina aqui. Visto que falamos de refugiados, infelizes ao Deus dará que no “contexto” correcto encheriam as manchetes com sentimentalismo, é de presumir que a esquerda demonstre ao menos um vestígio de apreço pela sociedade que os acolhe e, por coerência, condene a sociedade que os afugentou. Nada disso. A esquerda detesta com indisfarçado vigor os cubanos da Flórida, na medida em que a liberdade de que beneficiam na América torna mais evidente a falta de liberdade em Cuba. Nas Caraíbas e em toda a parte, o pobre deixa de ser útil para a esquerda quando deixa de ser pobre. O Teste da Jangada não se limita a revelar hipocrisia: revela os abismos de selvajaria a que a humanidade pode descer.»

O esquerdismo é um crime de ódio, Alberto Gonçalves no Observador

Dependendo das característicos geográficas do Paraíso Socialista em causa, o Teste da Jangada pode ser substituído pelo Teste do Muro ou pelo Teste da Fronteira.

17/07/2021

QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (70) O clube dos incréus reforçou-se (XXIII)

Outras marteladas e O clube dos incréus reforçou-se.

Recapitulando:

O intervencionismo do BCE, que copiou com atraso a Fed e o BoE, adoptando o alívio quantitativo e as taxas de juro negativas ou nulas, desde o «whatever it takes» do Super Mario há 6 anos, é parecido como terapêutica com a sangria dos pacientes praticada pela medicina medieval para tratar qualquer doença, incluindo a anemia.

As raras vozes dissonantes (temos citado algumas delas) não têm chegado para perturbar e muito menos abafar os salmos cantados pelo coro imenso dos prosélitos louvando a bondade das políticas de injecção de dinheiro e de juros artificialmente baixos dos bancos centrais.

Desta vez foi a Comissão dos Assuntos Económicos da Câmara dos Lordes que questionou o BoE sobre as suas políticas de alívio quantitativo e pela boca do seu presidente Lord Forsyth acusou o banco central de não conseguir justificar a necessidade dessas políticas e «ter-se tornado viciado» na injecção de dinheiro na economia através da compra de activos.

Com uma frase lapidar, Lord Forsyth disse por outras palavras o que Abrahan Maslow disse há cinco décadas ("I suppose it is tempting, if the only tool you have is a hammer, to treat everything as if it were a nail) e que serve de epígrafe a esta série de posts:
«It’s like playing a round of golf with only one club. They reach for it whatever the economic problem.»

16/07/2021

Dúvidas (314) - Estará a democracia americana avariada?


A história mostra que uma democracia liberal para funcionar precisa de um centro político, isto é que uma parte significativa do eleitorado partilhe crenças, valores e ideias compatíveis, ainda que diferentes, e a mais importante dessas crenças é que a democracia funciona ou, dito de uma maneira simplista e tautológica, a democracia liberal para funcionar exige que a maioria acredite que funciona. Não é isso que está a acontecer na democracia americana onde quatro em cada dez eleitores não confiam na contagem dos votos, um quarto do eleitorado acredita que o seu voto não tem influência e cerca de um terço considera o actual presidente ilegítimo e que o outro candidato venceu as eleições.

15/07/2021

A pandemia ameaça a democracia liberal no país onde foi inventada


«The pandemic has shaken faith in liberal democracy: opinion polls show huge support for curfews and quarantines. Johnson himself has remarked in private that he has been amazed at how easy it is to take freedoms away — and how hard it is to give them back. It’s quite possible he has concluded his liberalism was for an era that perished in the pandemic. Some of the most liberty-loving Tories have looked with envy towards Asian countries whose surveillance technology seemed to do a better job of stopping the spread of Covid. The future may well be one in which the government knows your temperature wherever you go, and vaccine passports may be welcomed as an alternative to blanket lockdowns.

There is a case for all of this. But no such case has been made — at least not in the open. We instead see a worrying pattern: ministers promising not to implement vaccine passports, then breaking their word, then presenting them as a reserve option, then as a fait accompli. ‘I certainly am not planning to issue any vaccine passports and I don’t know anyone else in government who would,’ said Michael Gove in December. The government has ‘absolutely no plans for vaccine passporting’, promised vaccines minister Nadhim Zahawi in February: the very idea, he added, was ‘absolutely wrong’. Downing Street said it was ‘discriminatory’.

The lack of debate matters because important questions are not being asked. For example, what if — as the latest studies suggest — the double-vaccinated still have a 21 per cent chance of catching and transmitting the virus? The vaccines are effective at preventing serious illness, but how far can we say that a fully vaccinated theatre is safe? And without such assurance, what’s the point of any nightclub or sports arena screening its customers in this way?

Vaccine passports may have a marginal impact on slowing the spread of the virus (especially in a Britain where 90 per cent of adults have antibodies), but what if their real purpose is to harass the unvaccinated on a daily basis, thereby encouraging vaccine uptake? Then comes the more important question: who would be excluded from society by a vaccine passport? A Tory party that took so much flak for the Windrush scandal ought to be careful about pushing any scheme that’s likely to hit ethnic minorities hardest, as vaccine passports would do. All over-fifties have been offered the jab. Among them, just 6 per cent of whites are unvaccinated compared with 31 per cent of blacks — an ethnicity gap that refuses to narrow.

As the vaccine programme works its way down the age range, ministers are also worried that the young are not co-operating. Non-white groups are proving particularly hard to convince. In France, Emmanuel Macron is thinking about making vaccines compulsory. Vaccine passports offer a softer tool of coercion: people are free, in theory, not to have the jab, but their lives can be made much more difficult by the government. It could become harder to get a job, harder to travel, harder to go anywhere that isn’t home.»

Nanny Boris: the PM’s alarming flight from liberalism, Fraser Nelson na Spectator

14/07/2021

SERVIÇO PÚBLICO: O pior não passou. O pior está para vir

«Está em questão que nos planos económico e social, comparado com o que está para vir, a crise ainda mal se iniciou.

Iniciar-se-á a crise económica e social quando o Estado Português tiver de começar a travar as ajudas ao rendimento e a aumentar a carga fiscal, em virtude de uma situação das finanças públicas em que os números hoje prevalecentes não são sustentáveis. Concordo com o nosso primeiro-ministro na tese de que o regresso a algum tipo de normalidade terá de ser muito controlado, mas, mais cedo ou mais tarde, de um modo ou de outro, esse regresso terá de ocorrer.

Iniciar-se-á a crise económica e social quando o Banco Central Europeu começar a normalizar a sua política monetária, impondo algum tipo de subida das suas taxas de juro, arrastando, em conformidade, as taxas de juro a que o Estado Português e todos os Estados da área do euro têm vindo a financiar-se nos mercados (taxas negativas, como se sabe, nos prazos mais curtos). É absolutamente crítico neste processo que Portugal, acompanhando a subida das taxas de juro de referência impostas aos países de mais baixo risco, não deixe aumentar o nosso prémio de risco país pela condução de qualquer política financeira que agrave a perceção dos mercados no que se refere à solvabilidade do Estado Português. Foi o agravamento deste prémio de risco e a posição em que nos deixámos isolar, de um défice público que chegou a superar os 11% do PIB, que determinou a crise financeira do nosso país em 2011 e anos seguintes.

Iniciar-se-á a crise económica e social quando começarem a ser levantadas as moratórias de que hoje beneficia uma boa parte do crédito bancário a empresas e a particulares. De acordo com dados divulgados pela EBA (Autoridade Bancária Europeia), Portugal é o terceiro Estado-membro com maior percentagem de crédito bancário protegido por moratórias (mais de 20% do total, num montante de cerca de 45 mil milhões de euros, percentagem apenas excedida por Chipre e pela Hungria).

Iniciar-se-á a crise económica e social quando se regressar a algum tipo de normalidade em matéria de rendas de estabelecimentos comerciais, pondo termo à quase nacionalização dos centros comerciais decretada no início da pandemia.»

Excerto de A crise económica e social ainda não começou, por Daniel Bessa, ministro (por engano) da Economia do governo Guterres durante cinco meses e actual Director-Geral da COTEC é um dos poucos economistas do regime com independência e credibilidade

13/07/2021

Como tentar cumprir o plano de vacinação, apesar de tudo? Resposta: um dia de cada vez (57) - O Sr. Almirante deixou o barco no meio do nevoeiro estatístico

Inexplicavelmente, o site da DGS esteve 3 dias do dia 8 ao dia 10 sem publicar dados de vacinação e quando finalmente publicou na manhã do dia 12 os dados do dia 11 verificou-se que nesses quatro dias apenas tinham sido administradas cerca de 116 mil vacinas. Também inexplicavelmente, mas menos, visto que a maior parte dos mídia funcionam como órgãos oficiais do governo, não encontrei nos jornais qualquer referência a este mistério. 

Ponto de situação dos objectivos para a vacinação:

Praticamente garantido, desde que a partir de agora a média diária não desça abaixo dos 60 mil.

Parece possível mas nunca se sabe o que nos reserva o nevoeiro estatístico.

No início da segunda semana de Julho o objectivo continua sem ser atingido. A percentagem de totalmente vacinados é a seguinte:
  • 95,1% dos +80
  • 88,5% dos 70-79 
  • 75,4% dos 69-70 anos. 
(Fonte: ECDC)

Esta continua a ser a falha mais notória, visto que se trata dos grupos de maior risco. Falha agravada pela decisão anunciada de começar a vacinar esta semana o grupo etário 18-29 anos que até agora registou 14 mortes, o equivalente a 0,08 por cento do total.

O objectivo dos 85% foi acrescentado esta semana sem utilidade visível e só adensa o nevoeiro estatístico. 59% da população tem pelo menos uma dose. Para atingir os 70%  / 85% no início de Agosto / meados de Setembro será necessário administrar 1,1 milhões / 2,6 milhões de primeiras doses a uma média diária de 50 mil / 40 dias. Comparando os dois objectivos confirma-se que são redundantes e ambos parecem possíveis.

Relevo de novo a inacreditável asneira de abrir a vacinação sem marcação a todos os maiores de 45 anos que, como testemunhei pessoalmente, criou filas infindáveis em vários centros de vacinação. Asneira? Sim enorme asneira, que poderia ter sido evitada se distribuísse a legião dos maiores de 45 anos por mês ou ano de nascimento ou ordem alfabética do nome ou outro qualquer critério simples e objectivo.

12/07/2021

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (93) - Em tempo de vírus (LXX)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O desdobramento da personalidade do Dr. Medina

Há o Dr. Medina presidente da câmara, há o Dr. Medina candidato à sucessão do Dr. Costa, há o Dr. Medina representante em Lisboa da Федеральная служба безопасности Российской Федерации, há o Dr. Medina adepto de um clube de futebol e há o Dr. Medina membro da comissão de honra da candidatura à presidência desse clube de futebol do Sr. Vieira, um empresário falido e notório suspeito de várias falcatruas. O Dr. Medina já veio esclarecer que o seu apoio foi enquanto adepto. O seu padrinho Dr. Costa, também membro da mesma comissão de honra, optou por imitar de Conrado o prudente silêncio.

Estará o Dr. Costa a ensaiar a fuga do pântano?

Há quem leia na mente do Dr. Costa um certo fastio do pântano, como o seu antecessor Eng. Guterres, e, em vez do apelo irresistível da ONU, a atracção igualmente irresistível da Óropa depois da experiência como "presidente" do primeiro semestre, presidência cujo sucesso se pode medir por 2.490 reuniões em 6 meses. Reconheça-se que a sua entrevista ao Público tem tudo para confirmar essa leitura, desde logo porque o Dr. Costa decretou o fim da governação da UE pelo directório franco-alemão e implicitamente parece conceder a si próprio um importante papel nessa governação alternativa.

Não há razão para exigir a demissão do Dr. Cabrita

Anda por aí uma onda de indignação a exigir ao Dr. Costa a demissão do seu amigo Dr. Cabrita a pretexto das várias argoladas e trapalhadas. Ora, na minha humilde opinião, é uma exigência sem sentido por pressupor que o Dr. Cabrita destoa dos outros ministros e que o governo seria diferente sem ele. Na verdade, a única coisa sensata é incluir a obra do Dr. Cabrita no acquis do governo do Dr. Costa.

L’État c’est nous

Com a maior naturalidade, o Dr. Costa compareceu na apresentação da candidatura do seu afilhado Dr. Medina enfatizando os muitos milhões que a bazuca despejaria no programa de renda acessível da câmara de Lisboa. O afilhado Dr. Medina levado pelo entusiasmo anunciou por seu turno a redução gradual do preço das creches que ficarão gratuitas em 2025, por coincidência o último ano do próximo mandato, o que proporcionará o mesmo anúncio para o mandato seguinte.

Take Another Plan. A gestão do Dr. Pedro Nuno, também conhecido por Pinóquio

Sete meses depois do Dr. Pedro Nuno Santos o ter apresentado, o plano de reestruturação da TAP continua por aprovar em Bruxelas. Guess why.

11/07/2021

CASE STUDY: A receita para desperdiçar os fundos europeus. Uma antevisão dos resultados da bazuca

O estudo Avaliação dos incentivos financeiros às empresas em Portugal de Fernando Alexandre da Universidade do Minho, publicado em Junho, mostra que «os incentivos FEDER podem ter falhado no cumprimento do objetivo de melhorar a produtividade e a competitividade das empresas. A dececionante dinâmica das empresas em relação à sua posição na distribuição da produtividade sugere que o procedimento de seleção não foi ótimo.»

As 135 páginas do relatório não são de digestão fácil. Em alternativa pode ler-se uma boa síntese da jornalista Joana Nunes Mateus publicada ontem no Expresso.

Não é extraordinário que em média apenas um terço das empresas melhorem a sua produtividade? E que essa proporção tem descido no tempo? Não é ainda mais extraordinário que mais de um terço piorou? 

E o que dizer do facto de três anos depois dos apoios já tinham fechado 13% das apoiadas em 2014 e 5% das apoiadas em 2015?

É dinheiro deitado para a sanita, disse o CEO da Ryanair a propósito do dinheiro que o Dr. Pedro Nuno Santos está a torrar na TAP no âmbito da sua campanha para CEO do PS.

Entusiasmados, sodomizados, indignados, por esta ordem

«Há quantos anos são conhecidas as suspeitas sobre Luís Filipe Vieira? Vários, mas isso não impediu os vivas à excelente gestão da direcção benfiquista. Sócrates era fabuloso, mas o Estado português só não faliu porque o país foi intervencionado. Os administradores da PT eram extraordinários, mas a empresa tornou-se numa sombra do que foi. Ricardo Salgado era um deus da banca até que o que se segredava não ser bem assim se tornou público. Berardo foi outro que ia à televisão perorar sobre o país e dar conselhos como grande empresário que se dizia ser e que poucos questionavam. Centeno será o mago das finanças até ao dia em que se comprovar que o excedente orçamental obtido em 2019 foi circunstancial. Costa é inteligentíssimo porque ninguém questiona as meias-verdades; Marcelo agrada a gregos e troianos, não por ser irrelevante mas devido ao seu incomensurável talento. É interessante, porque reveladora, esta tendência para considerar como providenciais homens que não passam de homens; o reconhecimento público da extrema competência de alguém só porque ligado ao poder político. Possivelmente é apenas mais uma reminiscência do regime salazarista. Possivelmente as origens até serão mais longínquas e Salazar limitou-se a conhecer (e a gerir) a alma portuguesa. O país, que é saudosista e melancólico, gosta de embarcar em ondas de entusiasmo que o fazem esquecer o que é e aceita tudo e um par de botas como fantástico e redentor. Depois (quando já é tarde) acorda.

Uma característica das pessoas que se entusiasmam muito é que se indignam ainda mais quando se vêem defraudadas. Por isso Portugal está cheio de indignados. Gente que acredita plenamente no conto do vigário, se sente traída quando descobre a verdade e que, para compensar a desfeita, se lança cegamente noutra crença. Por algum motivo após o período entre 2005-2011 tivemos o que se iniciou em 2016. À época era tudo fantástico. Lembram-se do mítico 13 de Maio de 2017? Nesse famoso dia Portugal ganhou o Festival da Eurovisão, o Papa Francisco visitou Fátima e o Benfica ganhou o tetracampeonato nacional. O país explodiu de euforia. Um mês depois aconteceu Pedrógão. Mas Marcelo iniciara o mandato a pedir menos crispação, menos discussão. “Já bastam os problemas internacionais e europeus, que são muitos. Não vamos somar agora problemas nacionais“. Antes de mais nada, sossego. Salazar não estaria mais de acordo. Atempadamente, PS, BE, PCP e Rui Rio foram dando o seu aval.

E a vida continuou.»

O entusiasmo gera indignação, André Abrantes Amaral no Observador

SERVIÇO PÚBLICO: "Todos os regimes autoritários e partidos políticos intolerantes procuram criar uma escola com valores, com programas políticos e com ideologia"

«Todos os regimes autoritários e partidos políticos intolerantes procuram criar uma escola com valores, com programas políticos e com ideologia. Até há democratas que esperam o mesmo. No passado, a religião e moral cristã, a nação, a pátria, a república laica e o socialismo libertador ocuparam sucessivamente as primeiras páginas dos programas e dos currículos. Recentemente, com o mesmo afinco obsessivo e a mesma esperança, outros valores surgiram: a cidadania, a democracia, a solidariedade, a tolerância, a ética republicana e a Europa. Actualmente, à luz das modas, novos valores se impõem: o anti-racismo, o género como construção e escolha, a ecologia, o ambiente e os direitos dos animais. Sem esquecer outras tarefas mais tecnocráticas que preenchem o caderno de encargos da escola contemporânea: a literacia financeira, a aptidão digital e o consumo.

A disciplina de cidadania, outra vez em debate público, serve para tudo, da Constituição ao sexo, passando pelas regras de trânsito. Ou ainda para, segundo o palavreado oficial, saúde, sexualidade, segurança rodoviária, empreendedorismo, voluntariado, igualdade de género, risco, direitos humanos, defesa, segurança, paz, educação financeira, educação intercultural, ambiente, Europa e consumidor… Ora, a escola contemporânea, com este programa, corre o risco de falhar todas as suas missões. As clássicas: escrever, ler e contar. As menos clássicas: desenvolver as artes e a cultura. As mais modernas: a competência profissional. E as moderníssimas: formar cidadãos exemplares.

A escola como berço da virtude é um velho mito totalitário. A escola não é nem deve ser considerada uma incubadora de cidadãos bem comportados. Verdade é que na escola se aprende tudo. Da regra de três ao imperativo categórico. Mas também o sexo, o tabaco, o álcool e o cannabis. Sem falar no surf e nos jogos de computador. Assim como cinema e poesia. Além de violência, futebol e trafulhice. Ou finalmente solidariedade e bondade. Na verdade, a escola é vida. Ponto final.

Como tal, a escola dá o que de melhor pode dar: ferramentas, informação, instrumentos e conhecimento. Com a colaboração das artes, das técnicas e da cultura. O resto pertence à família, à sociedade, às profissões, à televisão, às redes sociais, aos livros, aos partidos políticos, às associações, às igrejas, aos clubes, aos jornais, aos vizinhos e às autarquias. À escola o que é da escola. À vida o que é da vida.»

A ilusão educativa, Antonio Barreto

10/07/2021

Futebol, política por outros meios

«Afinal, o futebol é um aliado potencial de todas as ideologias, uma tela perfeita para projetar uma visão de mundo. Os socialistas podem saudar uma indústria em que quase todo o dinheiro vai para os trabalhadores. Os estatistas podem aplaudir como os campos de futebol financiados pelo governo nos arredores de Paris geram um fluxo de jogadores de futebol de classe mundial (embora incapazes de derrotar a Suíça). Os capitalistas salientam que a explosão do desporto se deu graças aos mercados livres, permitindo que os jogadores de futebol jogassem onde quisessem e os clubes pagassem o que quisessem. Os autocratas são recordados que os fins superam os meios, já que os fãs de futebol aceitam a glória, não importa quão duvidoso seja o dinheiro que a comprou. Enquanto isso, os conservadores podem manter o desporto como o último baluarte do estado-nação. Onde há atenção, há política, e o futebol é simplesmente grande demais para ser ignorado.»

09/07/2021

Um Serviço de Desenvolvimento de Identidade de Género pode ser uma espécie de clínica do Dr. Mengele (2)

Continuação de (1)

Desde o Homo sapiens sapiens das savanas se sabe que a puberdade e a adolescência são caracterizadas por instabilidade resultante de uma intensa carga hormonal. Por isso, as sociedades primitivas tinham rituais e processos sociais de iniciação dos jovens no mundo adulto. Uma das invenções da "identidade de género", uma modalidade do politicamente correcto, tem consistido em aproveitar a puberdade e a adolescência para induzir nos jovens a ideia de que se não se sentem bem no seu corpo deverão migrar para outro "género". 

A chamada medicina do género foi inventada para lidar com essa migração e hoje alguns países criaram instituições que lhe são dedicadas,  como o Tavistock Centre da Tavistock and Portman NHS Foundation Trust britânico. As terapias consistem principalmente na administração de drogas bloqueadoras da puberdade com efeitos por vezes desastrosos na saúde, ao ponto que nalguns países pioneiros na manipulação hormonal se começa a questionar essas terapias.
 
«Last June, though, Finland revised its guidelines to prefer psychological treatment to drugs. In September Britain launched a top-down review of the field. In December the High Court of England and Wales ruled that under-16s were unlikely to be able to consent meaningfully to taking puberty blockers, leading gids to suspend new referrals, though a subsequent ruling held that parents could consent on their children's behalf. On April 6th Arkansas passed laws that make prescribing puberty blockers and cross-sex hormones to children illegal. Also in April the Astrid Lindgren Children's Hospital in Stockholm, a part of the Karolinska Institute, announced that it would stop prescribing puberty blockers and cross-sex hormones to those under 18, except in clinical trials.

Those sceptical of affirmation therapy point out two problems. Evidence is lacking, and what exists is not reassuring. A review by Sweden's health authorities in 2019 found little research, mostly of poor quality. Britain’s National Institute for Health and Care Excellence found that puberty blockers did little to dispel gender dysphoria or improve patients' mental health (though they do not make such feelings worse). Moreover, existing studies suggest that, without intervention, most children with gender dysphoria end up reconciled to their natal sex as adults.

There is also evidence that the drugs may cause serious harm. One example is described by Michael Biggs of Oxford University in a letter published on April 26th in the Journal of Paediatric Endocrinology and Metabolism. Bone-mineral density (bmd) usually rises sharply in puberty. But of 24 gids patients who had been prescribed puberty blockers, a third had bmd scores in the bottom 2% of their age groups (more that two standard deviations below the mean, see chart).

One patient, who began puberty blockers aged 12, suffered four fractures by the age of 16. That medical history, says Dr Biggs, would usually be enough to diagnose osteoporosis—normally a disease of the elderly. Animal studies suggest puberty blockers may cause cognitive damage, too. Cross-sex hormones have been linked to heart disease, strokes and sterility.»

08/07/2021

Dúvidas (313) - De que está à espera o parlamento para recomendar ao governo a eliminação das práticas de violência na ecografia prostática transrectal?

«Muitas mulheres sentem-se “violadas” pelos profissionais de saúde durante a gravidez e o parto.» escreve o Expresso, explicando que o parlamento aprovou em Maio uma resolução proposta pelo PAN que recomenda ao Governo a eliminação de práticas de violência obstétrica e a realização de um estudo sobre as mesmas.

Ora, como saberão algumas pessoas portadores de próstata (antigamente chamados "homens"), um dos exames mais comuns para diagnosticar precocemente o cancro nesse órgão é a ecografia prostática transrectal que consiste em introduzir no ânus do paciente uma sonda com uma forma semelhante a um pénis. É um processo desconfortável e humilhante, pelo menos para as pessoas portadores de próstata que não optaram por se identificar com um dos 110 géneros dos 112 disponíveis. Por esta razão, em nome da igualdade de direitos dos géneros, deve exigir-se ao parlamento que aprove uma recomendação ao governo para serem eliminadas as práticas de violência nas ecografias prostáticas transrectais.

07/07/2021

Fact check impertinente às declarações da ministra do SNS

Para justificar a falta de médicos a Dr.ª Temido disse:

«Médicos demoram mais a formar-se do que um hospital a fazer-se»

O curso de medicina tem a duração de 6 anos divididos em 2 ciclos de 3 anos. 

Vejamos quanto tempo demora um hospital a fazer-se, por exemplo o Hospital Oriental de Lisboa: 

«Em 2003 surge no âmbito da ARSLVT a Estratégia de Reestruturação da Oferta Hospitalar no Concelho de Lisboa que define como prioritário o Hospital Oriental de Lisboa / Hospital de Todos os Santos. (...) Em 2008 avança de novo o projeto do Hospital de Todos os Santos, que passa pelas várias fases (...)  Entre 2011 e 2015 o processo foi revisto, revisto, reponderado, criados novos grupos de trabalho (...) Com o atual Governo foi de novo reafirmada a vontade de avançar com a construção do Hospital Oriental de Lisboa. Adalberto Campos Fernandes têm-no reafirmado repetidamente. Novos grupos de trabalho. Novo programa funcional. Mais um terreno de 4 hectares adquiridos a juntarem-se aos 12 já existentes e mais um edifício previsto a juntar-se aos 2 vindos de trás. Em recente entrevista, marca o ano de 2024 como a data da sua abertura.» (fonte Ordem dos Médicos)

Conclusão: médicos levam 6 anos a formar-se e um hospital leva várias décadas fazer-se, tudo isto claro no Estado sucial do Portugal dos Pequeninos (ou dos Pedintes) governado pelo PS com a Drª. Temido ao volante do SNS. 

No pasa nada! Não, o problema não é só do PS. O problema é da (falta de) oposição e de uma opinião pública bovina pastoreada por uma opinião publicada vendida (com as excepção conhecidas)

«A câmara de Medina trata dados pessoais como se fosse um apêndice burocrático de ditaduras, mas nada se passa. O ministério dos negócios estrangeiros recebeu as queixas dos cidadãos russos e portugueses, mas, ora essa!, Augusto Santos Silva é um príncipe da política. Cabrita é uma caricatura do pior da política, mas nada se passa. É amigo de Costa. António Costa comporta-se como amigo e não como primeiro-ministro, mas nada se passa. Pedro Nuno Santos fala como o rufia da escola, está a brincar aos aviões com milhões que não temos, mas nada se passa. Através de um radicalismo ideológico inconcebível, Marta Temido recusou fazer acordos com privados, elevando assim de forma desnecessária a conta da mortalidade não covid, mas não se pode falar disso. O PS, como noticiou este jornal, elevou as nomeações de altos responsáveis do estado para um novo patamar de nepotismo, mas nada se passa. O caso Berardo recorda-nos de novo um ambiente: José Sócrates liderou um projecto doentio de poder. As pessoas do PS que o rodeavam não viam nada, não suspeitavam de nada, não faziam perguntas? Não se passa nada. O PS consegue viver consigo próprio assim, o que é espantoso. É quase um caso clínico de estudo psicológico. Dezenas ou mesmo centenas de pessoas ligadas ao PS nunca viram nada de estranho no perfil e na ação de Sócrates.»

Partido Socialista: a impunidade de grupo, Henrique Raposo no Expresso

06/07/2021

Títulos inspirados (93) - Pais que "impedem" filhos de ser de ser endoutrinados no catecismo berloquista

«Alunos impedidos por pais de ir a aulas de Cidadania chumbam»

Foi este o título escolhido pelo Avante da Sonae (Helena Matos) para descrever o caso do ministério da Endoutrinação punir com chumbos alunos excepcionais como são os filhos da família Mesquita Guimarães que recusa a sua endoutrinação na identidade de género em manuais de duas centenas de páginas na "disciplina" de Cidadania e não aceita que sejam condicionados a questionar o seu sexo nem que tenham de verificar se a sua família está conforme o modelo berloquista.

Como tentar cumprir o plano de vacinação, apesar de tudo? Resposta: um dia de cada vez (56) - Não havia necessidade de estar a insistir na falta de vacinas nem de criar uma enorme bagunça

Ponto de situação dos objectivos para a vacinação:

Praticamente garantido, desde que a partir de agora a média diária não desça abaixo dos 62 mil.

Nas duas últimas semanas, o número de doses diárias ultrapassou dez vezes a marca dos 100 mil, ainda que com um coeficiente de variação elevado e uma amplitude enorme (250 mil). Parece agora mais provável que seja possível manter uma média diária sustentada acima dos 100 mil. Ficam as perguntas: (1) porquê só agora depois de seis meses? e (2) porquê esta enorme variação diária?

Como mostra o diagrama, na primeira semana de Julho o objectivo ainda não está cumprido e só estão totalmente vacinados 96,6% dos +80, 76,5% dos 70-79 e 68,1% dos 69-70 anos. 

ECDC

Esta continua a ser a falha mais notória, visto que se trata dos grupos de maior risco. Falha agravada pela decisão anunciada de começar a vacinar esta semana o grupo etário 18-29 anos que até agora registou 14 mortes, o equivalente a 0,08 por cento do total.
O objectivo dos 85% foi acrescentado esta semana sem utilidade visível e só adensa o nevoeiro estatístico. 57% da população tem pelo menos uma dose. Para atingir os 70%  / 85% no início de Agosto / meados de Setembro será necessário administrar 1,3 milhões / 3,1 milhões de primeiras doses a uma média diária de 52 mil / 43 dias. Comparando os dois objectivos confirma-se que são redundantes e ambos parecem possíveis visto que na última semana se atingiu quase 170 mil/dia.

Por terminar, registo a nódoa que o Sr. Almirante colocou no seu desempenho como líder da task force ao insistir, uma vez mais, que o ritmo de vacinação só não é superior por falta de vacinas quando o relatório de vacinação continua a mostrar um stock de 1,2 milhões e na semana seguinte a ter dito isso na entrevista ao jornal SOL foram administradas precisamente cerca de 1,2 milhões sem qualquer preocupação de falta de vacinas. Não havia necessidade.

E registo a inacreditável asneira de abrir a vacinação sem marcação a todos os maiores de 45 anos que está a criar filas infindáveis em vários centros de vacinação. Asneira? Sim enorme asneira, que poderia ter sido evitada se distribuísse a legião dos maiores de 45 anos por mês ou ano de nascimento ou ordem alfabética do nome ou outro qualquer critério simples e objectivo.

05/07/2021

O Dr. Cabrita ficou consternado com morte por atropelamento pelo seu carro? Afinal não, foi por outro atropelamento

«O ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, informou, este domingo, que foi “com profunda consternação” que tomou conhecimento da morte de...»

Comecei a ler e imaginei que o Dr. Cabrita tinha ficado consternado com um atraso de mais de 3 semanas pela morte de um trabalhador na A6 atropelado pelo carro em que viajava a uma velocidade de cerca de 200km/h

Afinal não. O Dr. Cabrita ficou profundamente transtornado sim, mas pela morte por atropelamento de uma bombeira, quando tentava auxiliar duas pessoas que tinham tido um acidente, por outro veículo que circulava na A5.

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (92) - Em tempo de vírus (LXIX)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Porque ri Berardo?

Escreveram-se neste blogue dúzias de posts com a etiqueta porque ri Berardo? escalpelizando durante uma dúzia de anos a relação simbiótica entre Joe Berardo e o Partido Socialista. Num desses posts o outro contribuinte ensaiou uma explicação para o riso de Joe: ele sabe o suficiente para enterrar metade do pessoal político que está ou esteve na direcção do PS, incluindo o preso. É por isso que arrisco o prognóstico que, esgotado o presente frenesim mediático com a criatura, muito conveniente para distrair a plebe dos actuais embaraços do governo, o assunto desaparece dos mídia e entra no parque de estacionamento da justiça.

Intransitável

A "disciplina" de Cidadania onde se "estuda" a identidade de género em manuais de duas centenas de páginas, se pode escolher um dos cento e doze géneros com que uma criança prefere identificar-se e se deve confirmar se a família está de acordo com o modelo berloquista, é o equivalente no Estado Sucial parasitado pelo esquerdismo a uma espécie de fusão da "disciplina" de Religião e Moral com a Mocidade Portuguesa do Estado Novo. Perante a recusa da família Mesquita Guimarães em deixar endoutrinar os seus filhos nessa disciplina, o ministério da Endoutrinação pressiona os professores a reprovar os rapazes que são excelentes alunos com notas elevadas. Como aqui relata o Notícias Viriato, na avaliação de fim de período de um dos filhos, considerado «muito responsável autónomo, organizado, interessado e empenhado», o averbamento final é «Não Transita».

Acidentes acontecem, mentiras fabricam-se

A sucessão de omissões, escamotear de factos, mentiras e meias-verdades que se seguiu ao atropelamento mortal de um trabalhador no AE pelo carro do Dr. Cabrita é uma imagem de marca deste governo do Dr. Costa. Não é o governo no seu pior, é o governo no seu normal.

04/07/2021

SERVIÇO PÚBLICO: "Gente sem força suficiente para acreditar na democracia"

«Gente sem força suficiente para acreditar na democracia, no regime das liberdades e da tolerância, fica hirta e arrepiada logo que uma afirmação sobre o Estado Novo ou a ditadura salazarista não for de mera condenação e simples insulto. Para esses frágeis democratas, estudar, sem preconceitos, os quarenta anos de ditadura é crime. Perceber por que aquele regime durou tantos anos, sem que seja apenas graças à tortura, é venal e cúmplice. Compreender as diversas fases do regime e verificar que, no universo da economia e das relações externas, houve um período de fecho e outro de abertura, é meio caminho andado para a complacência. Considerar que a adesão à ONU, a fundação da NATO e da EFTA e a adesão à OCDE foram importantes vitórias internacionais do regime é submissão às forças da ditadura. Na verdade, os vulneráveis e inseguros democratas que assim pensam consideram pura e simplesmente que o regime salazarista não deve ser estudado, deve ser condenado. Que tudo quanto aconteceu nas décadas de ditadura foi péssimo e deve ser denunciado. Que os que hoje têm uma atitude diferente são salazaristas ou mesmo fascistas. E sobretudo que todos os que com eles não concordam a propósito da política e das questões actuais, são da direita ou da extrema-direita, salazaristas e quase fascistas. (...)

Intelectualmente medrosos, inseguros, descrentes da sua própria razão, necessitam estes políticos e estes académicos de apagar o resto do mundo para fazer valer o seu. Precisam de condenar às trevas exteriores todos os que não se reconhecem nas suas ladainhas. Só vivem felizes e só se sentem à vontade se puderem crescer num cemitério de ideias e de liberdade. Não pensam, excluem. Não argumentam, ditam. Não estudam, condenam.»

Excerto de Sim, é verdade, António Barreto

No Portugal dos Pequeninos a insanidade é mais infecciosa do que o SARS-COV-2

Um dia destes morreu em Lisboa por atropelamento uma jovem ciclista grávida. É lamentável? Certamente. Era evitável? Talvez fosse naquele caso em particular, o que não é evitável é morrerem de vez em quando pessoas em acidentes de viação, numa pequena percentagem envolvendo mortes de ciclistas. E é tanto mais provável quantos mais ciclistas circularem em vias concebidas para o trânsito automóvel. 

O que fazer? Algumas coisas certamente, umas mais úteis outras menos úteis. É claro que também há as inúteis, como fazer "vigílias". No passado morreram muitos ciclistas, a maior parte deles gente pobre que pedalava para ir trabalhar. Actualmente os pobres andam de transporte público ou de carro e quem usa bicicleta são os urbanitas.

As mortes são todas iguais mas há umas mais iguais do que outras. Por isso a morte de uma jovem ciclista grávida tem mais impacto mediático do que dez mortes de uns obscuros pedreiros. Isso, em conjunto com a obsessiva aversão ao risco dos urbanitas, transformou este acidente num acontecimento de grande impacto mediático durante o curto período que as redes sociais lhe conseguem dedicar.   

   

Declaração de interesse: Uso regularmente a uma bicicleta para circular no meio urbano. Andar de bicicleta, ou de trotineta, triciclo, carro ou avião ou a pé, envolve riscos e o risco faz parte da vida. A única maneira de não correr riscos é estar morto. 

03/07/2021

Mitos (313) - A baixa natalidade portuguesa resulta de apoios sociais insuficientes

É sempre a lengalenga que os portugueses não têm filhos porque têm insuficientes apoios sociais e cuidados infantis, bla bla. Insuficientes comparados com quê? Vejamos o que se passa a este respeito com os países mais ricos de acordo com o relatório Where do rich countries stand on childcare? da UNICEF, baseado nos dados dos membros da OCDE. 
 
Fonte
O diagrama acima sintetiza os resultados de quatro indicadores e mostra que os apoios sociais à maternidade e à infância colocam Portugal num honroso 6.º lugar entre os 40 países considerados, muito acima de uma dúzia de países mais desenvolvidos. Em conclusão, talvez se tenha de procurar outra explicação para a taxa de natalidade em Portugal ser a 9.ª mais baixa em 227 países.

OECD

E, já agora, explicar também porque, não obstante o nível de apoios sociais acima da média, temos sistematicamente nos últimos 40 anos uma das taxas de fertilidade (número médio de filhos por mulher) mais baixas entre os países da OCDE, e, por isso, uma das mais baixas natalidades.

02/07/2021

Um Portugal dos Pequeninos em vias de subdesenvolvimento e a caminho de ser controlado pelo Novo Império do Meio

«A China trata Portugal como um país do Terceiro Mundo. Usa exatamente a mesma receita que usou para controlar os países mais pobres: jorrando dinheiro em infraestruturas sem aparentes compensações num momento de profunda fragilidade das economias nacionais. Agora as contrapartidas estão prestes a chegar.

As clássicas podem até tardar um pouco. Aquelas a que temos assistido na vizinhança asiática: quando Pequim se aborrece com um problema geopolítico castiga economicamente, com boicotes, o Estado que a aborreceu. Mas há outras que podem vir mais cedo.

Três exemplos muito breves: Portugal, como, aliás, o resto da Europa, é dependente tecnologicamente dos Estados Unidos e da China. Não há inovação, mas também já não há alternativa a viver fora da crescente “digitalização”, anunciada, em si só, como um bem para a humanidade. Mas é um bem que põe parte da humanidade entre a espada e a parede, até porque as grandes potências em confronto têm vindo a desenvolver tecnologias alternativas e incompatíveis entre si. Quando for preciso fazer escolhas – e elas estão para breve –, estará Portugal em condições de escolher em liberdade?
»

Excerto de A história interminável do controlo chinês, Diana Soller no Observador

Antes de perguntar «estará Portugal em condições de escolher em liberdade?», eu perguntaria previamente estão os portugueses interessados em escolher a liberdade?

Ser de esquerda é... (16)

... é ser revolucionário evolucionário.

01/07/2021

Dúvidas (312) - Ele diz que esperar que a Федеральная служба безопасности Российской Федерации apague os dados. O homem é um mentiroso compulsivo ou um tolo acabado?

«Espero que as autoridades russas cumpram e apaguem os dados. Falei com o embaixador da Rússia em Portugal [Mikhail Kamynin] e a avaliação é que não é necessária nenhuma medida» afirmou na Comissão Parlamentar, sem se rir e com aquele arzito de quem diz para as câmaras "reparem como eu sou um tipo esperto", o ministro que em tempos confessou gostar de malhar na direita, na direita masoquista, suponho.

Pergunta retórica: "porque é que a corte lisboeta andou com esta criatura ao colo? "

«A pergunta que interessa é outra: quem é que emprestou dinheiro a Berardo naquelas condições absurdas para a própria racionalidade financeira dos bancos? Porque é que, durante o mandato de José Sócrates, Berardo foi literalmente escolhido para ficar milionário? Quem é que queria que Berardo fosse mesmo muito rico e poderoso? E porquê? Porque é que foi um player da OPA à PT se não tinha dinheiro para isso? Porque é que a Caixa deu dinheiro a Berardo para este entrar no BCP? Porque é que Vara, amigo de Sócrates, e Carlos Santos Ferreira permitiram que a Caixa desse dinheiro a Berardo sem qualquer tipo de garantia?», pergunta Henrique Raposo.

E eu acrescento mais uma pergunta: porque é que os políticos de merda, os jornalistas de trampa e os palhaços que por aí escrevem assobiaram para o lado durante 25 (vinte e cinco) anos?

Porquê se tudo era tão visível que o (Im)pertinências dedicou à criatura desde 2007 dezenas de posts com a etiqueta porque ri Berardo?

30/06/2021

SERVIÇO PÚBLICO: A ajuda ocidental a África vista por um africano

«I am Tanzanian.

China is not helping Africa. China is trading with Africa, and sometimes investing in Africa.

“Helping” is what Westerners pretend to do. But we know what their game plan actually is. It’s far from helping.

Westerners donate inconsequential amounts to fund things like “democracy”, “human rights”, “women empowerment”, “education”, “health”, “wars” etc. Things which have little impact to development, and are not sustainable (ie they don’t make money) so they’ll help Westerners create the myth of perpetual Africa aid.

The real deal in terms of economic development is industrialization, and not human rights, democracy, women empowerment, etc. Little things like those take care of themselves once there’s industrialization and the money is flowing in.

Western aid is mainly two things:

(If given directly to govt) A bribe to buy influence and certain leeways in Western extraction of Africa wealth.

(If done by NGO’s and charities) just a way for Westerners to milk their fellows in the West to fund their lavish lifestyles.

The West is also very big on war mongering, assassination of African leaders (you are Belgian so you should know what you did to Patrice Lumumba), meddling in African politics, creating wars, etc. The West generally has ill-will toward Africa and thinks of Africa as colonial land to date.
»

Excerto de um post do tanzaniano Dar Milli publicado há dias no Quora, denunciando e bem o lirismo ditado pela má consciência, na melhor hipótese, ou o cinismo ditado pela realpolitik, na pior, da "ajuda" ocidental a África. No resto do post, Dar Milli descreve o papel da China em África, sem a clarividência e visão crítica que mostra em relação ao do Ocidente.

29/06/2021

NÓS VISTOS POR ELES: Salazar, o fantasma do fascismo e o fascínio da esquerda

O historiador Tom Gallagher, professor emérito na Universidade de Bradford, publicou vários livros sobre Portugal e recentemente «Salazar — O Ditador Que Se Recusa a Morrer”, a primeira biografia de Salazar por estrangeiro. Numa entrevista ao Expresso exprimiu opiniões ao arrepio do pensamento único vigente, entre as quais destaco o que disse sobre as confusões acerca do fascismo e sobre o fascínio da esquerda pela soluções autoritárias.  

«Permita-me sugerir que não há nenhum reviver do interesse no fascismo. Essa doutrina, porém, nunca deixou de ser uma preocupação da esquerda europeia. Embora eleitoralmente em declínio, com exceção de alguns lugares como Portugal e a Escandinávia, a esquerda domina os media, as universidades, e publicidade e o marketing, bem como as burocracias nacionais e locais. Obviamente, já se desenham planos para um vendaval de eventos mediáticos em torno do centenário da ascensão de Mussolini, para sublinhar o perigo do fascismo. Eu diria que provavelmente nunca houve tão poucos fascistas na Europa como atualmente. Alguns poderão dizer que traços essenciais do fascismo, como o desejo de arregimentar pessoas e de permitir ao Estado intrometer-se profundamente nas suas vidas privadas, fazem parte do armamento dos que agora proclamam em voz alta o seu antifascismo. (...)

 A ala conservadora da política não tem necessidade de ficar na defensiva por causa do desprezo de Salazar pelas eleições e a sua inclinação para depender da censura e de elites restritas. Pelo contrário, será talvez a esquerda que precisa que recuperar a sua fé na democracia, na liberdade de expressão e na limitação dos poderes da elite, em especial os que controlam a informação. Salazar talvez ficasse espantado por elementos da sua fórmula de governação terem sido abraçados por elites corporativas. Logo desde a revolução de 1974-75, tornou-se claro que os comunistas, alguns dos militares radicais e muitos dos extremistas radicais (muitos dos quais viriam a ocupar posições de grande influência) preferiam uma ordem política onde o poder corporativo essencialmente não era contestado, e o cidadão votante tinha pouco a dizer. Será interessante ver em que medida as intenções autoritárias de muitos que estiveram no núcleo da revolução serão reconhecidas durante as comemorações do cinquentenário, ou apenas varridas para debaixo do tapete.»

Como tentar cumprir o plano de vacinação, apesar de tudo? Resposta: um dia de cada vez (55) - Mais vale um Almirante teso que uma multidão de apparatchiks moles


ECDC

Pela primeira vez, foram ultrapassadas as 100 mil doses na maioria dos dias da semana e a percentagem da população com primeiras doses e vacinação completa ultrapassou a média da UE. Note-se que estas percentagens são em relação à população com mais de 18 anos e as seguintes são em relação à população total.

Ponto de situação dos objectivos para a vacinação:
Alcançável, basta uma média diária ao redor de 70 mil doses. Entretanto, o Sr. Almirante corrigiu este objectivo para "meados de Setembro/Outubro», o que é mais realista e pode reflectir a dúvida quanto a manter o ritmo nos meses de Verão. 
O número de doses diárias mantém na última semana um coeficiente de variação elevado e uma amplitude enorme (80 mil), reflectindo dificuldades de manter um ritmo sustentado. Nada está garantido, sobretudo nos meses de Julho e Agosto e o governo continua estupidamente sem recorrer aos "privados".
Como se confirma no diagrama do ECDC, na última semana de Junho o objectivo ainda não está cumprido e só estão totalmente vacinados 93,5% dos +80, 64,0% dos 70-79 e 60,0% dos 69-70 anos. Esta é talvez a maior falha, visto que se trata dos grupos de maior risco.
51% da população tem pelo menos uma dose. Para atingir os 70% no início de Agosto será necessário administrar 1,9 milhões de primeiras doses a uma média diária de 54 mil o que compara com as 1,7 milhões a uma média diária de 49 mil no período equivalente terminado ontem. Conclusão: é possível mas nada está garantido.

Em reconhecimento do trabalho que o Sr. Almirante está a desenvolver arrastando atrás de si uma multidão de apparatchiks mudei o título desta série de posts.

28/06/2021

Much Ado about Nothing. Como causas ultraminoritárias são transmutadas em bandeiras nacionais pelo agitprop esquerdista

«Pelo menos 16 casais do mesmo sexo adoptaram uma criança desde mudanças legais há cinco anos»

16 (dezasseis) casais, pelo menos, em cinco anos diz a ILGA, em mais de 4 milhões de famílias. Andaram milhares de criaturas por cada um dos 16 casais a agitar-se, a fazer lóbi por esta causa, esquecendo-se do mais importante: a adopção não é um direito do casal gay ou do casal normal. O único direito para aqui chamado é o direito da criança ter um ambiente familiar adequado ao seu crescimento e desenvolvimento, e é pelo menos duvidoso que, após 150 mil anos de evolução do homo sapiens, um par XX-XX ou XY-XY proporcione um ambiente mais adequado do que um casal normal.

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (91) - Em tempo de vírus (LXVIII)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O que é orgulho para o PS, é vergonha para o país

Diz o Dr. Costa, a propósito da torrefacção dos dinheiros da bazuca, que «temos um historial de que nos devemos orgulhar e não ser motivo de flagelação relativamente à utilização dos fundos». Conhecendo o resultado de mais de três décadas e de 120 mil milhões de euros, suspeito que só os portugueses com alma de pedinte se poderão sentir orgulhosos.

Também não ajudará ao orgulho pátrio se compararmos a bazuca do Dr. Costa com a bazuca de Kyriakos Mitsotakis, cujo plano teve Christopher Pissarides, um prémio Nobel da Economia, no lugar do Dr. Costa e Silva, e que a CE prevê tenha um impacto no PIB uma vez e meia maior do que a bazuca do Dr. Costa.

Se calhar o Dr. Costa até acredita nisso, o que é mais preocupante do que se estivesse só a mentir

Se pensa que o Dr. Costa nos está a vender, como costume, gato por lebre quando garante que os fundos europeus terão impacto «ao longo dos próximos 50 anos», pense outra vez olhando para os últimos 35 anos.

A Dr.ª Elisa teve uma epifania e contraria o Chefe

Após algumas décadas desempenhando vários cargos públicos, a Dr.ª Elisa Ferreira que há uma dúzia de anos confessou «vou só dar o nome e volto», durante a campanha para as eleições europeias, onde também lembrou a uns velhinhos que «o dinheiro é do Estado, é do PS» (confira aqui), confessou agora em entrevista ao Jornal de Negócios, contradizendo o Chefe Dr. Costa, que «é penoso ver que Portugal, com estes anos todos de apoio, ainda está entre os países atrasados».

Afinal o governo socialista durante a pandemia faz pior no combate à pobreza do que o governo “neoliberal” fez no resgate que outro governo socialista lhe deixou

Segundo um estudo do Center of Economics for Prosperity (PROSPER) da Universidade Católica de Lisboa, as medidas do governo face à pandemia não impediram um aumento de 25% da pobreza. O que dizer de um governo socialista que deixa aumentar a pobreza quando as medidas do governo a que os idiotas chamaram “neoliberal” tomou durante o resgate resultante da governação de um governo socialista, a que pertenceram meia dúzia de membros do actual, reduziram as desigualdades como ficou demonstrado pelo estudo da OECD que citei neste meu post de há sete anos?

Por mim, veria com bons olhos a ida para Sevilha (sem volta) do Dr. Ferro e dos deputados que o quisessem acompanhar

Diz muito sobre o Portugal dos Pequeninos que o presidente do parlamento, membro e ex-secretário geral do partido incumbente, tenha convidado os deputados e os portugueses da Área Metropolitana de Lisboa a furarem o cerco a que o governo os submeteu no fim de semana e a dirigirem-se patrioticamente de forma massiva a Sevilha para apoiar a selecção.

Take Another Plan. A gestão do Dr. Pedro Nuno, também conhecido por Pinóquio

É um daqueles paradoxos só explicáveis à luz do materialismo dialéctico, o Dr. Pedro Nuno um paladino socialista dos trabalhadores está a ser acusado pelos que trabalham nas cabinas dos aviões da TAP da criação de «extrema violência psicológica, discriminação e violação de direitos básicos». Pior do que isto só me ocorrem as queixas dos operários da Ermer & Engels, a fábrica têxtil em Manchester de que era sócio Friedrich Engels.

Percebem-se melhor. no contexto da luta de classes, as críticas de O'Leary, o patrão da Ryanair que acusa o Dr. Pedro Nuno de mentir enquanto mostra um slide com a sua foto com um longo nariz que não envergonharia Gepeto.

27/06/2021

O problema não está no consumo ter caído. O problema está na produção não ter subido

Fonte

Segundo o Eurostat, o consumo per capita português a paridade do poder de compra desceu de 86% da média europeia para 85% o que motivou manifestações de pesar nos mídia domésticos.

Deviam ter ficado mais pesarosos com a queda do PIB per capita a paridade do poder de compra de 83% da média europeia em 2009 para 79% em 2019 e 77% em 2020. E, já agora, deviam organizar um agradecimento colectivo aos "frugais" pela enxurrada de dinheiro que nos enviam todos os anos e nos permite consumir 85% só produzindo 77% da média europeia.  

Ou talvez, em vez de agradecer, devemos antes protestar contra os emolumentos que permitem a uma casta de apparatchiks esmolar Bruxelas, capturar o Estado e comprar a passividade dos portugueses para aceitaram o estatuto de pedintes num país cada vez mais dependente e cada vez mais pobre em termos relativos.

26/06/2021

SERVIÇO PÚBLICO: "A propensão demagógica para criar direitos e favorecer grupos"

«São nefastas as leis e as políticas destinadas a promover direitos de grupos especiais, a conceder privilégios que causem nova injustiça. Os direitos gerais devem ser promovidos de modo igual para todos. Os direitos são dos cidadãos, dos seres humanos, não de minorias ou de grupos, de velhos, de mulheres, de crianças, de doentes, de LGBTQ, de imigrantes, de negros, de ciganos, de transmontanos ou de ilhéus.

A promoção do imigrante, da mulher, do negro, do judeu, do trabalhador, do desempregado, do analfabeto, do recluso e do doente não deve fomentar a criação de novos grupos, mas sim aquilo a que se chama actualmente a inclusão. A inclusão deve aumentar a integração e não a construção de sociedades fragmentadas, em tabuleiros de xadrez ou em guetos.

É racista a lei que crie sistemas e dispositivos especiais para certos grupos com características ditas raciais particulares. É racista a política que crie e defenda privilégios, garantias e direitos especiais para qualquer grupo nacional. São sectárias e desiguais as leis e as políticas destinados a proteger direitos gerais a grupos especiais.

A última fantasia da União Europeia é a da aprovação de uma moção de apoio às pessoas ditas LBGTIQ+ e de condenação da legislação repressiva húngara. Muitos países assinaram. Portugal não assinou, mas disse que estava de acordo. Parece Bill Clinton, que fumou mas não engoliu. A verdade é que este texto, carregado de boas intenções, é mais um passo no mau caminho: o que gradualmente constrói uma nova ortodoxia, um mundo feito de fragmentos, de federações e de comunidades rivais.

A propensão demagógica para criar direitos e favorecer grupos tem levado a criar um Estado repleto de novos confrontos. Não se passa um dia sem que surjam novos direitos para novos beneficiários, aumentando ou insistindo na separação, em vez de integração. Direitos dos trabalhadores, das crianças, dos velhos, dos imigrantes, dos negros, dos ciganos, dos rurais, dos urbanos, dos residentes no interior, dos analfabetos, dos LBGTIQ, dos desempregados, dos estudantes e dos doentes são direitos sectários, desiguais, racistas e discriminatórios. Todos esses direitos e garantias podem simplesmente ser os direitos de todos, dos residentes, dos cidadãos ou simplesmente dos humanos. Caso contrário, transformam-se em privilégios. Que aliás são, entre nós, favorecidos pela Constituição, que consagra mais direitos parcelares e de grupos especiais do que se pode imaginar.»

Excerto de Livres e iguais, António Barreto

Dúvidas (311) - União Europeia, um clube a caminho da irrelevância do qual estamos condenados a ser sócios?

Fonte

Por muito que a nomenclatura bruxelense baptize de soft power a crescente impotência da União Europeia, o certo é que no desconcerto das nações nenhuma potência pode existir sem poder económico, isto é com grandes empresas multinacionais competitivas (gráfico 1), com peso relevante no PIB mundial e nos mercados de capitais (gráfico 2) e com empresas inovadoras (gráfico 3). E, claro, também não pode existir sem relevância no hard power militar.

As coisas são como são e ainda não foi descoberta a maneira de serem diferentes. A esta luz percebe-se melhor o Brexit, sendo claro que o Portexit não está alcance do Portugal dos Pequeninos que está condenado inverter a boutade marxista (do Groucho não do Karl) porque só pode aderir a um clube que o aceite como membro.