Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

17/10/2021

O balão de hidrogénio do Dr. Galamba ou mais um elefante branco a caminho (5) - Antes de se começar a torrar o dinheiro conviria perceber o que se pode fazer com o H2

«Amid the excitement, it is worth being clear about what hydrogen can and cannot do. Japanese and South Korean firms are keen to sell cars using hydrogen fuel cells, but battery cars are roughly twice as energy efficient. Some European countries hope to pipe hydrogen into homes, but heat pumps are more effective and some pipes cannot handle the gas safely. Some big energy firms and petrostates want to use natural gas to make hydrogen without capturing the associated carbon effectively, but that does not eliminate emissions.

Instead, hydrogen can help in niche markets, involving complex chemical processes and high temperatures that are hard to achieve with electricity. Steel firms, spewing roughly 8% of global emissions, rely on coking coal and blast furnaces that wind power cannot replace but which hydrogen can, using a process known as direct reduction. Hybrit, a Swedish consortium, sold the world’s first green steel made this way in August.

Another niche is commercial transport, particularly for journeys beyond the scope of batteries. Hydrogen lorries can beat battery-powered rivals with faster refuelling, more room for cargo and a longer range. Cummins, an American company, is betting on them. Fuels derived from hydrogen may also be useful in aviation and shipping. Alstom, a French firm, is running hydrogen-powered locomotives on European tracks.

Last, hydrogen can be used as a material to store and transport energy in bulk. Renewable grids struggle when the wind dies or it is dark. Batteries can help, but if renewable power is converted to hydrogen, it can be stored cheaply for long periods and converted to electricity on demand. A power plant in Utah plans to store the gas in caverns to supply California. Sunny and windy places that lack transmission links can export clean energy as hydrogen. Australia, Chile and Morocco hope to “ship sunshine” to the world.»

Excerto de Hydrogen’s moment is here at last

16/10/2021

Dúvidas (322) - Será o Wokeismo um Transtorno obsessivo-compulsivo ou Esquizofrenia paranóide?

«O músico e compositor norte-americano Bright Sheng [que pertence a uma minoria étnica] viu-se obrigado a abandonar o cargo de professor na Universidade do Michigan, nos Estados Unidos, depois de ter exibido numa das suas aulas o filme clássico Othello, de 1965, onde o ator britânico Laurence Olivier surge com a cara pintada de negro para representar o protagonista, o mouro Otelo da peça de Shakespeare. (...)

Na sequência da polémica, o próprio Sheng fez um pedido de desculpas público, assumindo que foi “insensível relativamente à raça e antiquado” e cancelando os projetos letivos que se preparava para levar a cabo na faculdade.» (Observador)

Sendo certo que do ponto de vista político o Wokeismo é uma ideologia tirânica e do ponto de vista do senso comum é uma imbecilidade, como caracterizá-lo ponto de vista psiquiátrico? 

Transtorno obsessivo-compulsivo

«... presença de crises recorrentes de pensamentos obsessivos, intrusivos e em alguns casos comportamentos compulsivos e repetitivos.É muito comum que pacientes com TOC acreditem que, se deixarem de cumprir o ritual, algo terrível poderá acontecer. Esse comportamento tende a agravar-se à medida em que a doença não é tratada ou diante de algum evento estressante ou traumático.»

ou 

Esquizofrenia paranóide

«Transtorno psiquiátrico em que a pessoa perde total ou parcialmente o contato com a realidade objetiva, sendo comum que passe a ver, ouvir ou sentir sensações que não existem na realidade. A esquizofrenia paranoide é o subtipo da esquizofrenia mais comum, em que predominam os delírios de perseguição ou de aparecimento de outras pessoa, o que torna muitas vezes a pessoa desconfiada, agressiva e violenta.»

Actividades de grupo

The Spectator

15/10/2021

YOU TOOK THE WORDS RIGHT OUT OF MY MOUTH: In your place, I would also prefer to stay with your expensive Swiss bank

«I read your briefing on decentralised finance, so please let me know if I got it straight (“Adventures in DeFi-land”, September 18th). It seems that punters are supposed to buy tokens (streams of digits) of no inherent worth and which may change in value by a factor of ten or more in either direction for no obvious reason. Some tokens take vast amounts of energy to generate, and tokens are stored in ethereal “wallets” which live on Cloud Nine, from where they can be (and have been) stolen at the click of a hacker’s mouse.

The market in tokens is not regulated and no substantial organisation stands behind them. However, cryptocurrency tokens are greatly valued by gamblers and by criminals as they enable the anonymous transfer of ransom money from schools, hospitals and businesses after their data have been encrypted or stolen. You also mentioned possibly cheaper payment mechanisms, but I prefer to stick with my expensive Swiss bank.»

David Myers

Commugny, Switzerland

Letters to the Editor, The Economist

14/10/2021

Taxa mínima de IRC global. As consequências do acordo são grandemente exageradas

Foi anunciado a semana passada, com grande fanfarra, o acordo envolvendo 136 países para que a taxa mínima de imposto sobre os lucros das multinacionais não seja inferior a 15%. Na UE, a Hungria exigiu e obteve um período de transição de dez anos.

Como se pode ver, no caso da UE27 + RU, o acordo "global" significa que a Irlanda aumentará a sua taxa 2,5 pp e a Hungria 6 pp. That's it.

12/10/2021

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (198) - Será mais do mesmo. Nunca deu certo e desta vez não vai ser diferente

[Este post é uma espécie de continuação de Será mais do mesmo. Nunca deu certo e desta vez não vai ser diferente na Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa de ontem]

«Há já alguns meses que assistimos às primeiras iniciativas ditas do PRR, Plano de Recuperação e Resiliência. Já se pode confirmar que se trata do maior plano de despesa da história do país. E já foi possível verificar que aqueles fundos ou são gastos directamente pelo governo, ou investidos de acordo com os planos do governo, ou distribuídos pelo governo. A decisão, a iniciativa e a acção pertencem ao governo. Como se sabe que o Estado não tem actualmente competência técnica e científica suficiente, vai necessitar dos contributos empenhados e muito bem pagos de empresas nacionais e estrangeiras, de faculdades e universidades, de laboratórios e organizações que, no conjunto, ficarão dependentes do governo. O sector público e o Estado crescem com este plano. Os sectores privados, civis e académicos, científicos e culturais, ficarão muito mais dependentes do governo. A convicção de que um membro do governo, um director da Administração, um funcionário público ou um encarregado de missão das autoridades, só por serem do sector público, são mais competentes, mais leais, mais sérios, mais produtivos, mais responsáveis e mais honestos, é eterna no PS. A certeza de que os funcionários públicos e os organismos do Estado, assim como os membros do governo, são mais capazes de criar emprego, investir, produzir, gerir e organizar, é inabalável.»

Excerto da Grande Angular - Um apetite insaciável de António Barreto

11/10/2021

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (106) - Em tempo de vírus (LXXXIII)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Será mais do mesmo. Nunca deu certo e desta vez não vai ser diferente

Resmas de empresários estimulados pelo verbo do Dr. Costa salivam de ansiedade aguardando o prometido maná da bazuca e apresentam um peditório treze vezes maior do que o dinheiro disponível dos fundos.

No final, o resultado será o que se espera de investimentos aprovados por gente que nunca criou um posto de trabalho nem investiu um cêntimo do seu dinheiro e realizados por "empreendedores" que só "investem" em "projectos" com dinheiro facilitado pelo governo.

Não acredito em teorias da conspiração, mas que há conspirações, lá isso há

Há quem explique que a anedota ridícula da demissão antecipada do chefe do Estado-Maior da Armada afinal talvez não seja ridícula, mas antes uma fachada para dar um chuto para cima ao Vice-Almirante Gouveia e Melo que se estava a tornar incómodo para o governo, sabe-se lá porquê, com a sua oposição à terceira dose da vacina, que pode ser fundada ou não.

«Em defesa do SNS, sempre»

Depois de quase todos os médicos do Hospital de Setúbal se terem demitido em protesto contra a falta de recursos, a ministra do SNS Dr.ª Temido tirou do bolso a contratação de especialistas e, acredite se quiser, um «concurso internacional para a ampliação durante a primeira quinzena deste mês» com um investimento de 17,2 milhões de euros. Num país normal com gentes normais e uma ministra normal de um governo normal, a ministra ficaria irremediavelmente desacreditada e seria demitida na hipótese improvável de não se demitir.

A regulação das profissões a cargo do governo do Dr. Costa é assim como a imprensa livre a cargo da comissão de censura

Com o mesmo expediente que usou para justificar a aprovação da Carta de Direitos Fundamentais na Era Digital, embrulhada numa suposta iniciativa europeia, expediente agora aditivado com o acenar dos milhões do PRR, o governo pretende alterar o quadro jurídico das ordens profissionais. Para usar as palavras de António Barreto, «tenhamos consciência de que o essencial desta legislação, que tresanda a salazarismo e a corporativismo, consiste numa revisão das competências de auto-regulação, de autodisciplina e de parceria entre público e privado, sempre a favor do Estado e do governo.»

O Dr. Pedro Nuno Santos está a fazer de líder da oposição

Por um lado, «atira-se» ao ministro Dr. Leão, por outro, dá razão na greve aos trabalhadores da CP na greve e é por eles citado no manifesto.

10/10/2021

QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (71) O clube dos incréus reforçou-se (XXIV)

Outras marteladas e O clube dos incréus reforçou-se.

Recapitulando:

O intervencionismo do BCE, que copiou com atraso a Fed e o BoE, adoptando o alívio quantitativo e as taxas de juro negativas ou nulas, desde o «whatever it takes» do Super Mario de Julho de 2012, é parecido como terapêutica com a sangria dos pacientes praticada pela medicina medieval para tratar qualquer doença, incluindo a anemia.

As raras vozes dissonantes (temos citado algumas delas) não têm chegado para perturbar e muito menos abafar os salmos cantados pelo coro imenso dos prosélitos louvando a bondade das políticas de injecção de dinheiro e de juros artificialmente baixos dos bancos centrais.

Eu diria mesmo mais
Agora foi a vez de outra voz dissonante, a do governador do banco central da China Yi Gang que publicou no Journal of Financial Research (apud Central Banking) um artigo questionando o alívio quantitativo que «a longo prazo prejudica as funções do mercado, monetariza os défices orçamentais, prejudica a reputação dos bancos centrais, viola a linha vermelha da política monetária e aumenta o risco moral (...) as baixas taxas directoras são insustentáveis, porque podem levar a sobreinvestimento, capacidade excedentária, inflação alta e bolhas de activos».

09/10/2021

Afinal o que se pode fazer em Portugal?

Inventário incompleto das actividades económicas que segundo o áctivismo ambientalista deveriam ser proibidas no nosso Portugal dos Pequeninos:
  • Extracção de petróleo
  • Mineração do lítio
  • Agricultura intensiva em geral e nomeadamente:
    • Olival intensivo
    • Frutos vermelhos dão cabo dos aquíferos
  • Turismo em geral e nomeadamente:
    • Alojamento local incompatível com o direito à habitação
    • Cruzeiros altamente poluidores.
Perguntareis, e entre o que se pode fazer, o que se deve promover? Respondo com todo o gosto: mineração do guito europeu, uma actividade que já existe há quase quatro décadas mas só recentemente foi assim baptizada por Carlos Guimarães Pinto.

08/10/2021

Dúvidas (321) - O juiz demitido pelo Conselho Superior da Magistratura foi o Dr. Ivo Rosa ou o que deixou escapar o Dr. Rendeiro?

   Juiz negacionista demitido pelo Conselho Superior da Magistratura

Ser de esquerda é... (16)

Qual a estimativa do custo das Jornadas da Juventude?, perguntou o Público ao Dr. José Sá Fernandes, vereador da câmara de Lisboa durante 14 anos onde entrou como berloquista ("o amigo Zé") e saiu como socialista nomeado coordenador do Grupo de Projeto da Jornada Mundial da Juventude como compensação por não ter ficado na lista do Dr. Medina que estava com falta de lugares, coordenação que lhe vale 4.525,62 euros por mês até dezembro de 2023. O Dr. José Sá Fernandes deu a seguinte resposta: 

 «Não sei. Será repartido entre Governo e câmaras»

O Dr. JSF não faz a mínima ideia de quanto custará o projecto que coordena, nem lhe interessa saber, mas sabe quem irá cobrar o dinheiro (governo e câmaras) aos contribuintes em geral e aos munícipes das câmaras participantes nas Jornadas.

O Dr. JSF confirmou assim que é um verdadeiro homem (ou, se preferirem, pessoa com próstata) de esquerda que foca no que para a esquerda é importante: saber quem paga a factura.

Outros "Ser de esquerda é..."

07/10/2021

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Tirando a morte e a dor, o que importa mais às pessoas é o dinheiro

«Se a discussão teórica, quando visa efeitos políticos, corre o risco da puerilidade, quando não de algo muito pior que isso, já a discussão propriamente política sobre as acções dos governos faz obviamente todo o sentido. E, olhando para Portugal, não custa observar que o caminho que o PS de António Costa segue, seja ele “socialista” ou outra coisa qualquer, só pode levar-nos a um lugar muito mau. Usando e abusando de uma linguagem oca e, no limite, incompreensível, não recuando perante nada que lhe permita a manutenção do poder, procurando esmagar qualquer manifestação de independência no seio do Estado e da sociedade, vai criando um mundo irreal alternativo que nos quer fazer crer que é o mundo real. Não é, e vamos todos, mais uma vez, pagar caro por esta brincadeira.

A começar, é claro, por uma maior pobreza. Ela vem aí, mesmo com a “bazuca”, inexorável e sem mistério nenhum. Nenhuma sociedade sobrevive em condições dignas num sistema de mentira permanente, do embuste metódico, que é aquele em que vivemos. Mentira da TAP, mentira das condições do SNS, mentira da educação, e por aí adiante. Mentira de tudo. Quando as pessoas se derem conta de que o pensamento a crédito no qual vivem não passa de uma colossal ilusão, será já demasiado tarde. Perceberão o erro de terem acreditado em quem nunca se preocupou com a construção de uma sociedade viável, onde a riqueza pudesse ser criada. A linguagem oca surgir-lhe-á como aquilo que realmente, desde o princípio, é: linguagem oca. E descobrirão que a linguagem oca lhes deixou os bolsos vazios. Vária gente não passará, é claro, por estes tormentos. Mas as pessoas mais desprotegidas, que são muitas e serão muitas mais, terão uma experiência dura.

De bolsos vazios, não haverá dós de peito ideológicos que as animem. E verão a liberdade a diminuir a olhos vistos. Não, talvez, nas suas formas mais abstractas e gerais, mas certamente nos seus aspectos mais concretos: a liberdade de decidirem por si o que lhes é valioso e de buscarem a satisfação dos prazeres que desejam, incluindo o de sentirem algum orgulho em pertencer a uma comunidade política digna. A herança certa e segura de Costa será essa desilusão. Quanto aos seus putativos herdeiros no PS: não interessa nada.»

A herança de Costa, Paulo Tunhas no Observador

Pro memoria (413) - A novela dos médicos de família

 «Governo promete equipa de saúde familiar para cada português até 2023»

Por falar em governo, promessas e saúde familiar, recapitulemos alguns capítulos da novela dos médicos de família produzida pelo Dr. Costa e os seus ajudantes:  

28-08-2015 «Líder do PS diz que vai criar 100 novas unidades de saúde familiar durante a próxima legislatura, permitindo que mais meio milhão de pessoas passe a ter médico de família» 

22-09-2016 «Costa promete médico de família para todos os portugueses em 2017»

20-02-2017 «registava-se no final de 2016 um total de 769.537 utentes sem médico de família»

10-05-2018 «Mais de 136 mil crianças e jovens sem médico de família atribuído»

20-05-2019 «Médico de família para todos até ao final do próximo ano “é a prioridade”»

16-07-2019 «A ministra da Saúde admitiu que atualmente há 700 mil portugueses sem médico de família»

22-07-2019 «97% dos portugueses vão ter médico de família até ao final legislatura», garante Costa

13-01-2020 «Ao longo deste ano, será atribuído um médico de família a mais 200 mil portugueses, anunciou a ministra da Saúde.»

18-02-2020 «Governo voltou a falhar meta da cobertura total – neste momento, cerca de 600 mil utentes ainda não têm clínico atribuído (500 mil em Lisboa).»

14-07-2020 «Há mais 110 mil utentes sem médico de família este ano.»

05-11-2020 «Ministra anuncia contratação de 287 médicos para servir mais 341 mil pessoas»

26-04-2021 «Número de portugueses sem médico de família voltou a aumentar para mais de 860 mil»

07-07-2021 «número de utentes sem médico de família cresceu, são, no total, mais de um milhão»

05/10/2021

"Eleições faz de conta". A extinção em curso da extrema esquerda e do CDS

    • PS: 41,5% (+0,2%) 
    • PSD: 27,2% (-0,1%) 
    • Chega: 8,9% (-0,1%) 
    • CDU: 5,5% (+0,5%) 
    • Iniciativa Liberal: 5,2% (+0,7%) 
    • BE: 5,0% (-0,5%) 
    • PAN: 2,6% (+0,1%) 
    • CDS: 2,0% (0-,1%) 
    • Outros Partidos/Brancos e Nulos: 2,1 (+04)

Comunistas e berloquistas cada vez mais minoritários e, não obstante, com uma influência multiplicada pela dependência do PS. CDS em estado adiantado de decomposição, Chega a afirmar-se como terceira força política e IL a ultrapassar o BE. Suponhamos.

04/10/2021

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (105) - Em tempo de vírus (LXXXII)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O país do Dr. Costa e de S. Ex.ª é um país de opereta

Um chefe do Estado-Maior da Armada que aceita aquecer o lugar para o sucessor e ser demitido a prazo, para mais tarde, arrependido, presidir a um Conselho da Armada que vota contra a sua própria demissão, um ministro da Defesa que anuncia a substituição do demitido a prazo, decisão que competiria ao PR, um PR que sabia de tudo desde o princípio e se faz de desentendido, um PM que limpa a folha do MD levando-o pela mão ao PR, um PR que declara que afinal estava tudo resolvido e em S. Tomé, onde se encontrava a tirar selfies, declara estarem esclarecidos todos os equívocos. Pior não é possível.

Preso pela boca e amarrado pela banha da cobra

O Dr. Costa no seu périplo pelo país durante a campanha para as autárquicas a anunciar o maná de dinheiro do PRR (de que ele fala como se fosse dinheiro do PS), prometeu em Coimbra construir uma maternidade para promover o seu candidato Manuel Machado que veio a perder estrondosamente para uma coligação encabeçada pelo médico José Manuel Silva. Este não perdeu tempo e deu três semanas ao Dr. Costa para anunciar o local e a construção da maternidade.

Take Another Plan

O OE 2022 ainda está a ser cozinhado com o PCP e ainda há muita coisa em aberto, salvo quanto à TAP que já se sabe ir levar mais mil milhões em cima dos mil milhões que foram injectados este ano. É também provável um excesso de optimismo neste caso, já que a TAP em Agosto continuava a perder muito mais passageiros no Porto e em Lisboa do que Ryanair e a easyjet. Quem já deve deitado as cartas de Tarot e não gostou do que viu foi o director financeiro da TAP que se demitiu três meses depois de ser nomeado.

A obra do Dr. Pedro Nuno não se esgota na TAP

Também na CP tudo corre mal ao líder do pedronunismo. Agora foi a demissão do «melhor presidente de sempre» (o melhor qualquer coisa de sempre ou desde um certo ano é um dos mantras preferidos dos próceres do socialismo indígena). O demissionário abandonou por não ter condições de presidir (nem o plano de actividades deste ano ainda foi aprovado) entre outras razões porque a CP deveria no seu entender ser uma repartição pública para ter acesso ao PRR - se isto é o melhor presidente de sempre, nem quero saber como terá sido o pior. Entretanto, o Dr. Pedro Nuno Santos já sacudiu a água do capote e apontou o dedo ao Dr. Leão que não lhe dá a grana necessária. O Dr. Costa assiste, impávido e sereno, à luta de frangos na sua capoeira.

03/10/2021

Novo Império do Meio, um gigante com pés de barro (2) - Da limitação do número de filhos à limitação do número de abortos e de seguida talvez ao número mínimo de filhos

No post anterior citei algumas das vulnerabilidades da China identificadas em Invisible China de Scott Rozelle e Natalie Hell. 

Fonte

Uma outra vulnerabilidade não especialmente referida é a que resulta do rápido envelhecimento da população chinesa, apontado frequentemente como consequência da política do filho único adoptada nos anos oitenta, algo só possível numa tirania. Contudo, os dados sugerem que a queda abissal do crescimento demográfico não resultou só da política do filho único, uma vez que quando esta política foi alterada e o Partido Comunista Chinês passou a tolerar primeiro dois e mais tarde três filhos a taxa de natalidade e o crescimento demográfico ainda desceram mais.  

Ao mesmo tempo e inesperadamente a liberalização do número de filhos em vez de diminuir o número de abortos aumentou-os ao ponto de Conselho de Estado ter publicado há dias orientações para limitar o número de abortos por razões não médicas. Não vai provavelmente resultar e numa tirania não é impossível que, depois das políticas do filho único, do máximo de dois e depois de três filhos, a Corte Imperial decida impor um número mínimo de filhos.

01/10/2021

Os efeitos da Covid-19 na sustentabilidade dos sistemas distributivos de segurança social

Em consequência do aumento da mortalidade resultante da Covid-19, pela primeira vez em décadas a esperança de vida diminuiu em todos os países, com excepção das mulheres dinamarquesas, norueguesas e finlandesas. Diminuiu mais nos homens do que nas mulheres e menos nos países com melhor qualidade de vida, como se pode ver no gráfico seguinte.

Fonte

A redução da esperança de vida tem muitos efeitos negativos, principalmente nos que morreram antes de tempo e nas suas famílias, e, como quase tudo na vida, tem pelo menos uma consequência positiva: os sistemas de segurança social baseados do regime distributivo (pay-as-you-go) sem ajustamento da esperança de vida ganharam uma pequena folga da sustentabilidade resultante da morte prematura de pensionistas actuais e futuros.

No caso do sistema português em que a idade da reforma depende da evolução da esperança de vida aos 65 anos o efeito líquido é mais difícil de antecipar. Seria de esperar que a redução da esperança de vida à nascença fosse acompanhada da redução da esperança de vida aos 65 anos e, em consequência, de uma antecipação da idade da reforma. Contudo, não foi o que aconteceu e a idade de acesso à pensão de velhice voltará a subir em 2022 para 66 anos e sete meses, ou seja, no caso português o sistema acumula a melhoria da sustentabilidade resultante dos dois factores, isto é de menos pensionistas actuais e futuros e do diferimento no acesso à reforma.

30/09/2021

As universidades americanas ao serviço da ideologia do género e do politicamente correcto

Há quatro anos citei aqui o caso de Peter Boghossian professor assistente de filosofia na Portland State University que com outros autores publicou um paper na revista Cogent Social Sciences onde defendia a tese de que o pénis é uma construção social. Tratava-se de um teste para confirmar que as revistas pseudocientíficas inspiradas na ideologia do género publicam tudo, incluindo os maiores disparates, desde que os papers respeitem o cânone politicamente correcto. 

Entretanto, em 2018 Boghossian com outros dois co-autores propuseram para publicação em revistas "científicas" vinte artigos falsos e disparatados dos quais sete foram publicados, incluindo um sobre “queer performativity" em parques urbanos para cães e outro classificando a astronomia como imperialista e propondo que os departamentos de física estudassem dança interpretativa.

É claro que Boghossian ficou marcado e acabou por se demitir há dias com uma carta em que escreveu:

«Procurei criar as condições para um pensamento rigoroso; para ajudá-los (os alunos) a obter as ferramentas para procurar e cultivar as suas próprias conclusões. É por isso que me tornei professor e adoro ensinar. Mas pouco a pouco, a universidade tornou impossível este tipo de exploração intelectual. Transformou um bastião da livre investigação numa fábrica de Justiça Social cujas únicas entradas são raça, género e vitimização e cujas únicas saídas são queixas e divisão.» (fonte)

A manipulação e a censura passaram a fazer parte da universidade como instituição. Foi criado um «complexo industrial de diversidade» nas faculdades com vice-presidentes de diversidade que nas três universidades públicas do Oregon têm uma remuneração média de US $ 262.000 e na Universidade de Michigan há 80 funcionários de diversidade que custam US $ 10,6 milhões. (fonte)

29/09/2021

Proposta Modesta Para Evitar que os Áctivistas Desperdicem Acções e Indignações (8) - Áctivistas da identidade de género criai uma Brigada Internacional e ide combater para o Afeganistão

Outras propostas modestas

Em 1729 Jonathan Swift publicou um panfleto satírico com o título longo e insólito A Modest Proposal: For Preventing the Children of Poor People in Ireland from Being a Burden to Their Parents or Country, and for Making Them Beneficial to the Public.

Desde então, inúmeras Propostas foram baptizadas de «Proposta Modesta». O (Im)pertinências, com quase quatro séculos de atraso, apresentou já várias, algumas delas, como esta, Para Evitar que os Áctivistas Desperdicem Acções e Indignações.

A minha proposta de hoje em título é inspirada por Mohammad Ashraf Ghairat, novo reitor da Universidade de Cabul nomeado pelo governo talibã que garantiu:

«Têm a minha palavra: Enquanto não existir um ambiente islâmico, mulheres não poderão estudar ou trabalhar. Primeiro o Islão.»

Como tentar cumprir o plano de vacinação, apesar de tudo? Resposta: um dia de cada vez (66)

ECDC

A informação mais credível da vacinação é a do Vaccine Tracker do European Centre for Disease Prevention and Control, reproduzida no quadro acima para os 10 países com maior percentagem de população vacinada dos maiores de 18 anos, mostra que o Sr. Almirante pegou em Fevereiro numa task force em decomposição entregue a um apparatchik socialista e em 7 meses colocou Portugal entre os com maior índice de vacinação completa.

É um facto que não precisa de ser inflamado pelo jornalismo de causas que, na sua ânsia de evidenciar a única coisa que correu bem na resposta à Covid-19 e confundindo população com população alvo, escreve coisas como Portugal é o país com mais população vacinada no mundoGOUVEIA E MELO «MELHOR DO MUNDO»Covid-19. Portugal domina vacinaçãoPORTUGAL PRESTES A SER O PRIMEIRO PAÍS DO MUNDO A ATINGIR 85% DE POPULAÇÃO VACINADAPortugal continua a ser o país com maior percentagem da população vacinada contra a Covid-19 em todo o mundo.

Já agora, acrescente-se que a média diária de doses administradas desce para menos de 28 mil nas duas últimas semanas.

Entretanto, talvez enciumado pelo facto da única coisa que correu bem não foi devida aos apparatchiks do seu partido mas apesar deles, resolveu anunciar a extinção da task force ainda antes da conclusão da vacinação e mandar o Sr. Almirante para casa. Esperemos que não tenha de o ir buscar outra vez.

28/09/2021

Títulos alternativos: Finanças cobraram a mais 20% do IRS durante um ano

«Finanças devolveram perto de 2800 milhões em reembolsos de IRS»

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Ficar acima das expectativas não é uma vitória. É uma derrota menos pesada do que o esperado

«Sublinho: perdeu as eleições. Rio e todo o espaço de centro-direita. Lamento este anti-clímax, mas na leitura nacional que se pode fazer destas eleições, o centro-direita perdeu-as: em número de câmaras, em número de autarcas e no somatório de votos. Outra vez. É certo que tem boas razões para festejar. Ganhar Lisboa é sempre um passo importante para ganhar o país, mas o pior que pode fazer é iludir-se que Lisboa é o país. Pior: que Rui Rio é Carlos Moedas. E são os perigos destas ilusões, à boleia do “ah, mas foi Rio que escolheu Moedas, tem que se lhe dar esse mérito” (...)

E reconheço: foi uma escolha de Rui Rio. Mas é sobretudo o contraste entre ambos, entre o que cada um deles representa que, à escala nacional, o PSD terá de avaliar (e o CDS também). Na dúvida perguntem-se: lançar Cristiano Ronaldo em campo, alguma fez de Lazlo Boloni o melhor treinador do mundo?»

Pedro Gomes Sanches no Expresso

27/09/2021

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (104) - Em tempo de vírus (LXXXI)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Quando se pensava que o Dr. Costa já tinha atingido o limite do desaforo ele excedeu-se a si próprio

As eleições autárquicas mostraram um líder partidário voando baixinho sobre o país, usando o cargo de primeiro-ministro para prometer dinheiros dos contribuintes portugueses e europeus em cada freguesia e fazendo inveja a um soba do socialismo africano.

Quem se mete com o PS, leva, seguido de fazendo dos portugueses estúpidos, ou um primeiro-ministro que não sabe gerir a administração pública dá lições de gestão

No calor da campanha o Dr. Costa começou por vilipendiar o fecho da refinaria de Matosinhos, que tinha exaltado antes como um «enorme ganho» para o ambiente, ameaçou «dar uma lição» à Galp, participada pelo Estado sucial, e, face às reacções, acabou a insultar a inteligência dos portugueses (dos que têm alguma) com um manifesto no Avante da Sonae esclarecendo que «a pretendida “lição” não é mais do que a utilização do Fundo de Transição Justa e a aplicação da legislação para proteção dos trabalhadores e do futuro do território». Entretanto, foi desmentido pela Galp uma pretensa proposta que o governo teria feito (mas não fez) para a formação de trabalhadores.

É mau até para os padrões da escola socialista

Quando o Dr. Costa e o seu ministro da Educação entraram em funções tinham 1.668 mil alunos que eram ensinados por 121 mil professores. Cinco anos depois os alunos eram apenas 1.604 mil e os professores eram mais de 127 mil (fonte: Pordata) e, ainda assim, é dito que têm falta de professores 80% dos agrupamentos de escolas de Lisboa e 3 mil turmas em todo o país.

Já virámos a página da austeridade

Afinal, apesar de todas as ajudas abundantemente publicitadas pelo governo socialista, as famílias estiveram a perder rendimento disponível desde o segundo trimestre do ano passado e só começaram a recuperar no segundo trimestre deste ano.

De volta ao velho normal

Os portugueses parecem acreditar na prosperidade que o Dr. Costa lhes anuncia e já voltaram aos 5% de poupança confirmando serem os europeus que menos poupam e, em compensação, têm mais automóveis do que a média europeia para circular na segunda melhor infraestrutura rodoviária confiantes de que têm a quarta melhor cobertura por carregadores eléctricos.

Como não se fazem omeletes sem ovos, em Julho a dívida dos particulares aumentou ao ritmo mais elevado dos últimos doze anos.

Uma vez ou outra, um socialista distraído diz o que ele pensa ser a verdade

Desta vez foi o Dr. Brilhante Dias que disse «nós ganhámos com a covid-19. E ganhámos porquê? Porque Portugal foi um país que, tendo as suas dificuldades, enfrentou a covid-19 com bastante êxito.» Foi por isso vilipendiado por todos os quadrantes, sem razão porque a segunda parte da frase é verdadeira. O que se pode questionar é o «nós ganhámos», a não ser que ele se estivesse a referir ao PS.

26/09/2021

Como uma ideologia ultraminoritária controla cada vez mais a produção artística (por exemplo, um teatro "nacional") e jornalística (por exemplo o semanário de reverência)

«Pedro Penim estreia hoje uma peça que discute o fim da família, “algo tão utópico quanto o fim do capitalismo”. Em “Pais & Filhos”, em cena no São Luiz, Turgueniév mistura-se com as teorias pós-coloniais e queer e a vontade de Penim de ser pai, que partilha com o marido. É o último espetáculo antes de rumar ao Teatro Nacional.» (de uma entrevista a Pedro Penin na Revista do Expresso de 24-09)

Pedro Penin, o criador do pot-pourri de Ivan Turgueniév com teorias pós-coloniais e queer, está a caminho da direcção do Teatro Nacional D. Maria para substituir Tiago Rodrigues, o criador da peça Catarina e a beleza de matar fascistas.

Com meio milhão de eleitores em 9,3 milhões de eleitores recenseados, a esmagadora maioria urbanitas, o berloquismo, a corrente política que mais abertamente adopta a chamada ideologia do género e promove a sexualidade alternativa, representa 5,4% da opinião pública, digamos assim. Segundo os escassos dados disponíveis (pouco confiáveis, por várias razões) a percentagem de adultos que se declaram não heterossexuais varia entre os dois por cento e dez por cento.

Que uma ultraminoria de áctivistas consiga impor as suas ideias à boleia da barriga de aluguer do socialismo, é mais um indício da derrota por culpa própria da direita conservadora na frente cultural, direita que a maioria das vezes contrapõe ao "progressismo" cultural ideias fossilizadas defendidas por grunhos com discursos primários que apelam ao pior dos piores.

25/09/2021

O Portugal dos Pequeninos e das casinhas sob o Estado sucial governado pelo PS

Em 2000 Portugal era o 28º país a nível mundial com maior património líquido (diferença entre activos e dívidas). Em 2020 desceu para 33.º, ainda assim superando a Noruega, a Finlândia, a Grécia e a Irlanda, por exemplo. Em termos de património líquido per capita os portugueses adultos estão agora na 30.ª posição.

Já em termos de produção, o PIB nominal previsto para este ano coloca-nos em 49.º, 16 lugares abaixo do ranking da riqueza. E porquê? Principalmente porque, apesar dos portugueses serem pouco produtivos, quase três quartos das famílias são proprietárias da habitação, contra dois terços das famílias europeias, o que conta para o património. A propósito recorde-se que mais de 700 mil fogos estão devolutos, o que é um verdadeiro desperdício.

Enquanto isso, o aparelho do Estado governado pelo Dr. Costa engordou 11% em 6 anos inchando com mais 72 mil funcionários públicos.

Moral da estória: sufocados por um Estado sucial omnipresente ocupado por apparatchiks, compramos muitas casinhas, investimos pouco, produzimos pouco e somos cada vez mais pobres em termos relativos.

[Dados sobre o património citados aqui]

24/09/2021

CASE STUDY: E a melhor máquina para fazer golos é... (não, não é Cristiano Ronaldo)

Fonte

Com base na pletora de dados de cada partida de futebol actualmente disponíveis, a universidade KU Leuven e a empresa de análise SciSports construíram um sistema para medir o efeito de cada acção dos jogadores na probabilidade da sua equipa marcar um golo, tendo em conta a posição da bola antes e depois do jogador a tocar. 

Aplicando esse modelo ao período 2012-2020, estimaram o score de golos que vários jogadores aumentaram para a sua equipa. O ranking é liderado por Messi com 1,77 golos por partida seguido de Cristiano Ronaldo com 1,43, com score praticamente igual no que respeita a remates, sendo a diferença explicada por outros movimentos de Messi, como passes para outros jogadores. 

Em conclusão, um treinador teria preferido Messi e os accionistas talvez optassem por Ronaldo e os seus três milhões de seguidores.

23/09/2021

De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (51) - Qual a letalidade do Covid-19? (9) O caso de Portugal 18 meses depois

Este post faz parte da série De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva e é uma continuação de Qual a letalidade da Covid-19? (8) O caso de Portugal 16 meses depois

Recordando a distinção entre taxa de letalidade, que relaciona o número de óbitos com o número de infectados, e a taxa de mortalidade que relaciona o número de óbitos causados por uma epidemia com a população, num caso e noutro com referência a uma determinada área (mundo, pais, região, cidade, etc.).

Recordando também algumas das patetices (nalguns casos pura manipulação) que os mídia publicaram no início da pandemia: 
  • 06-03 - «O novo coronavírus é igual à gripe? Não. Mata 26 vezes mais» (Sábado)
  • 19-03 - «Organização Mundial de Saúde (OMS) avançou na semana passada que a taxa de mortalidade do vírus se encontra nos 3,4%» (Expresso)
  • 29-03 - «a taxa de letalidade subiu para 2% » (SIC Notícias)
  • 12-04 - «Em Portugal, a taxa de mortalidade situa-se agora ligeiramente acima dos 3%» (ionline)
  • 13-04 - «A taxa de mortalidade subiu para 3%, disse a ministra da Saúde» (DN)
  • 13-04 - «OMS diz que o novo coronavírus é dez vezes mais mortal que o vírus da gripe de 2009» (Público)
  • 16-04 «Portugal tem taxa de letalidade de 3,3%. A média europeia é de 8,6%» (DN)
  • 19-04 - «A taxa de mortalidade belga está perto dos 15%» (Observador)
  • 20-04 - «o que fez baixar ligeiramente a taxa de mortalidade para 3,52%» (Observador)

No último ponto de situação que fizemos a taxa de letalidade a nível nacional estava em 1,76%. Vejamos a situação reportada a 20 de Setembro, no gráfico seguinte.

Escola Nacional de Saúde Pública

Desde então como o número de óbitos tem descido mais rapidamente do que o número de novos casos a taxa de letalidade tem vindo a descer e está em 1,69%, apresentando valores mais altos no Alentejo e no Centro, regiões com populações mais envelhecidas.

22/09/2021

Italy is only pretending to be a free country, he said. He would say the same about Portugal dos Pequeninos, if he knew it

«In early August, Italy banned the unvaccinated from most forms of social life, then most forms of travel – and now most forms of work. The unvaccinated are pariahs. But unlike in France, where hundreds of thousands have protested against compulsory vaccine passports, in Italy hardly anyone has demonstrated against 'Il Green Pass'.

 The Italians have never been especially keen on liberty, and as a result liberty has never flourished in Italy. This, I think, explains why this removal of the basic liberties – or rights, if we must – of unvaccinated Italians by the unelected premier Mario Draghi is so popular. On Thursday, Draghi's government of national unity issued a new decree extending the pass to the entire workforce: 23 million Italians. This will come into effect on 15 October.

 The unvaccinated have already been banned since 6 August from most indoor public places such as bars, restaurants and gyms, plus many outdoor ones such as football stadiums and the Colosseum. And since 1 September from planes, ferries, inter-regional trains and coaches, plus universities (staff and students) and schools (staff only). The vaccine has been compulsory for health workers since April.

 That 75 per cent of Italians over 12 are already fully vaccinated and 80 per cent are expected to be so by the end of this month has made no difference. Punishments for those caught in flagrante without 'Il Green Pass' include fines of up to €1,500 (£1,200), the temporary closure of business premises and venues, and suspension from work without pay.

 But more than two thirds of the population approve both Draghi as Premier and his draconian treatment of the unvaccinated, according to the polls. A similar proportion think he should be even more dictatorial and replace 'Il Green Pass' with compulsory vaccination. Indeed, 61 per cent of Italians think that far from depriving them of liberty, these bans enhance their liberty.

 None of this surprises me after living here for 25 years, because Italy is only pretending to be a free country. You see this in the little things such as the identity card you must have and show all the time. There is so much red tape that everyone is guilty of something.»

21/09/2021

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (197) - A omertà no PS

«Se a relação pessoal e mental do PS com o mundo das empresas é escassa e por vezes conflituosa, o mesmo se passa com a sua relação com as questões da fé e da igreja. As chamadas causas fracturantes afastaram o PS da sua moderação em relação ao catolicismo. Hoje em dia, é difícil perceber a diferença entre BE e PS nesta matéria. O politicamente correto é cada vez mais intrusivo, hegemónico e, já agora, pouco preocupado com a liberdade.

Ora, nas reacções à morte de Jorge Sampaio, ficaram evidentes as diferenças: o PS antigo tinha traços de liberdade e pluralismo que o PS actual desconhece. Por exemplo, o PS de Soares e Sampaio era poroso em relação ao mundo das empresas e à sociedade civil, porque tinha uma forte relação com a advocacia. A elite socialista trabalhava no mundo do Direito, quer nas universidades, quer nos escritórios de advogados. Não dependiam de cargos de nomeação política. Eram senhores, não boys. Por outro lado, o PS era poroso em relação ao mundo católico devido à intimidade com os católicos progressistas. Onde está essa proximidade e tolerância hoje em dia?

Lamento, mas o PS de hoje é cada vez mais uma seita fechada agarrada ao poder sem porosidade com o exterior até nas suas relações pessoais. Comporta-se mesmo como uma seita. Quando um dos seus membros comete uma óbvia infração pública, como José Magalhães, os outros calam-se. Há uma omertà no PS.»

O PS de Sampaio e Soares ainda existe?, Henrique Raposo

20/09/2021

Dúvidas (320) - É a Renascença que nos está a aldrabar ou Sexa seguiu na mexa

«De Lisboa a Faro num saltinho e mais habitação

A acção de campanha de Costa em Lisboa terminou já em cima das 20h30 e perto das 22h00 já estava em Faro para dar uma ajuda ao candidato à autarquia» (Renascença)

280 km de Lisboa a Faro em 1,5 hora faz uma média de 187 km/hora e o Dr. Costa bate o recorde de velocidade do amigo Dr. Cabrita. 

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (103) - Em tempo de vírus (LXXX)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O papel do Estado sucial no ensino, como no resto, é fazer pior e mais caro

O ministro da Educação, provavelmente o mais incompetente ministro da Educação desde Dona Maria II (ou da Instrução, como se chamou o ministério no passado, quando a educação estava a cargo das famílias), proclamou ufano que desde 2015 o custo por aluno aumentou mais de 30% de 4.700 para 6.200 euros, num período em que o número de alunos no ensino público diminuiu de 853 mil para 804 mil. Note-se que o ministério do Dr. Brandão Rodrigues gasta por aluno mais 30% do que a média das propinas das cinco melhores escolas privadas, propinas que variam entre 2.580 e 5.725 euros. (fonte)

E se hoje o Dr. Brandão Rodrigues se orgulha de gastar 6.200 euros por aluno, se o deixaram lá ficar dentro de cinco anos gastará mais 30%. Para o ajudar, o Sindicato de Todos os Professores (STOP) já convocou uma greve para o início do ano lectivo por melhores condições de trabalho e contra a precariedade numa profissão que tem emprego para toda a vida.

Ineficiente, sempre. Ineficaz quando possível

Foram precisos 4 anos para serem concluídas as obras da estação do metropolitano Roma-Areeiro.

O tempo de espera para renovação do cartão de cidadão ultrapassa 3 meses, as filas nas Lojas do Cidadão tem centenas de pessoas e um súbdito do Estado sucial espera 11 (onze) horas para ser atendido. O que deve fazer a ministra da Modernização do Estado? Ainda bem que perguntam. Segundo um sindicalista «A senhora ministra começou aos berros contra os funcionários, porque havia filas, porque um senhor estava à espera há 11 horas para ser atendido...", há milhares de cidadãos que estão "há meses à espera de serem atendidos", dada a falta de meios e de recursos humanos.» Falta de recursos humanos? Só se os 72 mil funcionários públicos acrescentados pelos governos do Dr. Costa não forem humanos, forem zombies (enfim, nunca se sabe).

Não sabendo gerir o Estado sucial, o governo do Dr. Costa quer ajudar a gestão das empresas privadas

Por exemplo, proibindo o outsourcing após despedimentos colectivos, o que pode ter como consequência o despedimento dos trabalhadores que restam após o despedimento colectivo. Por exemplo, prorrogando os subsídios de desemprego o que está a ter como consequência a recusa de milhares de trabalhadores serem contratados por empresas que os pretendem recrutar. Por exemplo, inventando tais desincentivos à criação de emprego e ao fomento da economia paralela que há 40 mil trabalhadores familiares que trabalham sem salário declarado.

Não tendo que gerir a oferta de habitação, nem sabendo como, o governo do Dr. Costa quer gastar o dinheiro dos contribuintes europeus

Depois do fiasco dos resultados do concurso entre os dois candidatos ao lugar do Dr. Costa para lançarem programas de renda acessível, num país que tem 735 mil fogos vagos, o governo pretende torrar 1.200 milhões do PRR para tornar disponíveis 26 mil casas a serem construídas, vendidas ou arrendadas «a custos controlados», o que no socialês significa a custos desconhecidos.

19/09/2021

O multiplicador socialista multiplica as previsões. Isso está provado. Quanto aos efeitos, nem por isso. Por que seria diferente desta vez?

Segundo o estudo Avaliação do Impacto Macroeconómico do Portugal 2020 da Faculdade de Economia da UP para a Agência para o Desenvolvimento e Coesão, os 30,6 mil milhões de euros do Portugal 2020 terão um efeito multiplicador de 3,01 até 2073.

Desde 1989 até ao presente os contribuintes europeus nossos benfeitores entornaram no Portugal dos Pequeninos 130 mil milhões de euros, fazendo dos portugueses os segundos (QCA I e QCA II), primeiros (QCAIII) e quartos (QREN) mais apoiados per capita (fonte: Fundos Estruturais: desafios do passado e do futuro, Daniel Traça, Nova)

Vejamos os efeitos "multiplicadores" desses 130 mil milhões no crescimento do PIB per capita e na melhoria da produtividade no período 1889-2020 comparativamente com a Zona Euro e com o período  1960-95.


Temos de concluir que sem as bazucas da Óropa no período 1960-95 (que por coincidência termina no primeiro ano de um ciclo de 25 anos em que o PS governou durante 19 anos) progredimos em média muito mais do que nos 25 anos seguintes.

18/09/2021

Birds of the same feathers flock together (2)

«China and Russia are bringing Iran and Pakistan further into their fold in a bid to elevate a regionwide strategy toward confronting the still-simmering crisis in Afghanistan, where the Taliban is looking for international recognition for its rule.

Officials from China, Russia, Iran and Pakistan met Thursday for their first quadrilateral summit on the sidelines of the upcoming Shanghai Cooperation Organization heads of state summit to be held Friday in the Tajik capital of Dushanbe. (...)

"At the meeting, the top diplomats supported the formation of an inclusive (*) government with the participation of all ethnic groups in Afghanistan," » (Newsweek)

(*) Only women, gays, bisexuals are missing, I would say

17/09/2021

O despedimento de elementos de uma minoria é discriminação. O despedimento de elementos de uma maioria é promoção da diversidade

Mail Online (apud Blasfémias)

Agora, sim, os portugueses estão no topo do mundo (em matéria de carga fiscal)

Desde há uns quatro anos venho registando ironicamente na série portugueses no topo do mundo algumas patetices do jornalismo de causas e da comentadoria do regime produzidas para compensar o sentimento de inferioridade que coloca os portugueses «em permanente representação, tão obsessivo é neles o sentimento de fragilidade íntima inconsciente e a correspondente vontade de a compensar com o desejo de fazer boa figura, a título pessoal ou colectivo», como justamente escreveu Eduardo Lourenço. 

Desta vez cito a Petição à Assembleia da República para alívio fiscal da classe média e é a sério que estamos no topo do mundo.

«Se forem incluídos na análise os impostos sobre o rendimento, contribuições para a segurança social do trabalhador e da empresa, bem como os impostos sobre o consumo, a taxa marginal (a mais elevada) sobre o rendimento em Portugal atinge 72%. É a 4ª mais elevada do Mundo, após Suécia, Eslovénia e Bélgica, que chegam a 76% e 73% (dados de 2019 da Tax Foundation).»

16/09/2021

Populists and progressives feed off each other pathologically. It is hard work to be a genuine liberal

«Over the past 250 years classical liberalism has helped bring about unparalleled progress. It will not vanish in a puff of smoke. But it is undergoing a severe test, just as it did a century ago when the cancers of Bolshevism and fascism began to eat away at liberal Europe from within. It is time for liberals to understand what they are up against and to fight back. (...)

Superficially, the illiberal left and classical liberals like The Economist want many of the same things. Both believe that people should be able to flourish whatever their sexuality or race. They share a suspicion of authority and entrenched interests. They believe in the desirability of change.

However, classical liberals and illiberal progressives could hardly disagree more over how to bring these things about. For classical liberals, the precise direction of progress is unknowable. It must be spontaneous and from the bottom up—and it depends on the separation of powers, so that nobody nor any group is able to exert lasting control. By contrast the illiberal left put their own power at the centre of things, because they are sure real progress is possible only after they have first seen to it that racial, sexual and other hierarchies are dismantled.

This difference in method has profound implications. Classical liberals believe in setting fair initial conditions and letting events unfold through competition—by, say, eliminating corporate monopolies, opening up guilds, radically reforming taxation and making education accessible with vouchers. Progressives see laissez-faire as a pretence which powerful vested interests use to preserve the status quo. Instead, they believe in imposing “equity” (...)

Countries run by the strongmen whom populists admire, such as Hungary under Viktor Orban and Russia under Vladimir Putin, show that unchecked power is a bad foundation for good government. Utopias like Cuba and Venezuela show that ends do not justify means. And nowhere at all do individuals willingly conform to state-imposed racial and economic stereotypes.

When populists put partisanship before truth, they sabotage good government. When progressives divide people into competing castes, they turn the nation against itself. Both diminish institutions that resolve social conflict. Hence they often resort to coercion, however much they like to talk about justice.

If classical liberalism is so much better than the alternatives, why is it struggling around the world? One reason is that populists and progressives feed off each other pathologically. The hatred each camp feels for the other inflames its own supporters—to the benefit of both. Criticising your own tribe’s excesses seems like treachery. Under these conditions, liberal debate is starved of oxygen. Just look at Britain, where politics in the past few years was consumed by the rows between uncompromising Tory Brexiteers and the Labour Party under Jeremy Corbyn.

Aspects of liberalism go against the grain of human nature. It requires you to defend your opponents’ right to speak, even when you know they are wrong. You must be willing to question your deepest beliefs. Businesses must not be sheltered from the gales of creative destruction. Your loved ones must advance on merit alone, even if all your instincts are to bend the rules for them. You must accept the victory of your enemies at the ballot box, even if you think they will bring the country to ruin.

In short, it is hard work to be a genuine liberal. (...)»

The threat from the illiberal left

15/09/2021

Dúvidas (319) - Como explicar que um país geralmente mal gerido por gestores medíocres ou maus tenha um ensino de gestão de qualidade?


Quatro mestrados de gestão leccionados em escolas portuguesas estão entre os 100 melhores no ranking do Financial Times. Como explicar? E não, não é uma pergunta retórica.

14/09/2021

A inevitabilidade do declínio dos Estados Unidos e da hegemonia do Novo Império do Meio é uma conclusão um pouco precipitada

«Mesmo se a China ultrapassar os Estados Unidos como a maior economia do mundo em taxas de câmbio de mercado nos próximos quinze anos (assumindo sua média de crescimento anual 4,75% em comparação com 2% para a América), seu PIB por pessoa ainda será cerca de um quarto do americano . Um país quatro vezes mais rico que seu adversário geopolítico mais próximo tem, com efeito, mais dinheiro disponível para investir em forças militares e I&D. Deve ter os meios para se manter à frente do jogo, supondo que os líderes americanos possam reunir a vontade política e a unidade necessárias.

Além disso, a China está envelhecendo mais rápido do que os Estados Unidos. A ONU projeta que em 2040 a idade média na China será de 46,3 anos, em comparação com 41,6 nos Estados Unidos. Como resultado, espera-se que o crescimento da China diminua significativamente na década de 2030.

Em outras áreas de poder, a liderança da América se mostrará intransponível. Ela continuará a ter as melhores universidades de pesquisa do mundo, as empresas de tecnologia mais inovadoras e os mercados financeiros mais eficientes.

Ironicamente, o governante Partido Comunista Chinês (PCC) será o maior obstáculo da China em sua corrida contra os Estados Unidos. O medo existencial do partido de perder o controle o impelirá a manter o controle da economia, tornando-o menos eficiente. Empresas estatais gigantescas, mas ossificadas, continuarão a desperdiçar recursos. O exercício arbitrário de poder do PCC - conforme exemplificado por sua repressão total às empresas de tecnologia mais bem-sucedidas da China, como Didi e Alibaba - sufocará a inovação e o crescimento de seu setor de tecnologia de forma mais eficaz do que as sanções americanas. O mais alarmante é que, à medida que a China desce ainda mais para o domínio personalista, será menos capaz de corrigir ou reverter as decisões questionáveis ​​tomadas por sua liderança superior.

Considere as capacidades dos aliados da América e o equilíbrio de poder se inclinará ainda mais a favor da América. Enquanto a China não tem aliados reais, a América é abençoada com muitos. E enquanto os Estados Unidos não têm grandes rivais em sua região, a China deve enfrentar vários adversários poderosos, notadamente Índia e Japão, em sua vizinhança imediata. A China é muito mais fraca do que a maioria das pessoas imagina.

Em suma, a China deve ser capaz de diminuir a diferença com os Estados Unidos na década de 2020, mas seu crescimento provavelmente desacelerará na década de 2030, e a perspectiva de a China ultrapassar os Estados Unidos parecerá cada vez mais sombria. Se for esse o caso, a próxima década pode ser a mais volátil, porque a ascensão contínua da China pode tornar seus líderes mais imprudentes e Washington menos seguro.

Na verdade, um impasse estratégico parece o resultado mais provável. Por mais insatisfatório que seja, será uma melhoria líquida do status quo. Em vez de uma espiral perigosamente fora de controle, as relações bilaterais provavelmente se estabelecerão em um equilíbrio com tensões militares mais baixas e muito menos vitríolo diplomático. A aliança de segurança da América na Ásia permanecerá em grande parte intacta, evitando assim que a China alcance a hegemonia regional ou absorva Taiwan. Por meio do controle de armas e do renovado engajamento diplomático que lembra a détente EUA-Soviética, os dois países podem chegar a um acordo sobre um conjunto de regras que confinam sua rivalidade a um pequeno número de reinos que provavelmente não desencadearão um conflito de pleno direito.

Este não é exatamente o cenário esperado por estrategistas que desejam repetir a vitória dos Estados Unidos sobre a União Soviética na Guerra Fria. Nem é o “grande rejuvenescimento” que o presidente Xi Jinping tem em mente. Mas mesmo sem transformar a China no país mais poderoso do mundo, o Partido Comunista Chinês ainda será um vencedor: ao contrário de seu primo soviético extinto, o PCC permanecerá solidamente no controle de uma superpotência que os americanos não conseguem vencer.»

Excerto de Minxin Pei on why China will not surpass the United States

13/09/2021

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (102) - Em tempo de vírus (LXXIX)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O preço da geringonça como albergue espanhol 

Quando um dia for feito o balanço dos danos causados pelo albergue espanhol inventado pelo Dr. Costa para formar governo perdendo eleições, aos danos tangíveis resultantes das capitulações sistemáticas ao PCP e ao BE, e pontualmente ao PAN, danos tais como o inchaço do aparelho do Estado, a dívida pantagruélica, o crescimento anémico, etc., deveremos adicionar os danos intangíveis que vão desde a transformação das escolas em fábricas de manipulação das mentes, até coisas mais miúdas como o trespasse do Teatro D. Maria, primeiro a um comunista que queria matar "fascistas" e depois a outro que quer transformar o teatro num centro de propaganda LGBTIQQAAP, ou coisas mais subtis como o mantra do Sr. Jerónimo de Sousa que, em vez de lamentar o fim das liberdades no Afeganistão, celebra a ascensão do fanatismo talibã proclamando «o imperialismo acaba de sofrer mais uma humilhante derrota no Afeganistão.».

O surto inventivo inventado pelo governo do Dr. Costa descompôs-se (já estão a trabalhar para o compor)

A queda de sete lugares no ranking europeu da inovação está a ser um escândalo e um passa-culpas. Na verdade, a queda não carece de explicação, é a subida de seis lugares nos últimos seis anos que deveria ser explicada, como aqui mostra o Impertinente.

Take Another Plan. Decorridos nove meses, o plano do Dr. Pedro Nuno não está "operacionalizado"

Se a nova CEO praticar uma gestão tão sofisticada como o nome (Christine Ourmières-Widener), fará voar a TAP nas alturas. Por enquanto só nos diz que tem «intenção de operacionalizar o plano de reestruturação em outubro». Quem já operacionalizou a oposição à entrada do dinheiro dos contribuintes foi a Ryanair cujo CEO garantiu que não aceitaria a TAP nem de borla. Também S. Ex.ª o PR, operacionalizou a sua conversa sensibilizando Mme Ourmières-Widener para o muito dinheiro dos portugueses que os governos têm torrado na TAP (ele usou o verbo "investir").

12/09/2021

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: A fábula do surto inventivo que nos assola (12)

A fábula do surto inventivo é apenas mais uma fábula que a comentadoria e o jornalismo de causas recorrentemente contam, com a certeza que o sentimento de inferioridade lusitano lhes proporciona audiência. Como todas as fábulas, também esta é desmentida pelos factos como mostram os outros 11 posts sobre este tema. 

No fim do dia o indicador mais relevante para inovação não é o quanto se gasta ou quantas pessoas se dedicam à inovação, mas o número de patentes pedidas e aceites. Portugal com 2,2% da população da UE, em 2020, último ano disponível nas estatísticas do European Patent Office, pediu o registo de 249 e foram concedidas 119 patentes que representaram 0,14% e 0,09% dos números de patentes europeias, 180.089 e 133.709, respectivamente. 

Quando passamos dos factos às narrativas baseadas em indicadores que se prestam a manipulação (como por exemplo o investimento em inovação em que se incluem despesas correntes ou o emprego em empresas inovadoras em que se conta o emprego em actividades perfeitamente correntes) as coisas podem mudar drasticamente. Foi o que aconteceu desde que o governo do Dr. Costa conseguiu o milagre de fazer subir o país desde 2016 seis lugares no ranking europeu da inovação. 

Para se ter uma ideia do milagre, comparem-se os números de patentes de Portugal em 2020 (249 e 119) com da Espanha (1.790 e 909), que estava nesse ano dois lugares abaixo no ranking da inovação e com uma população 4,3 vezes maior pediu 7,2 e obteve 7,6 vezes mais patentes.

Com a passagem de comunicação dos dados, que foi feita até 2020 pelos apparatchiks da Agência Nacional de Inovação, para o INE em 2021 o Portugal miraculoso da inovação caiu de 12.º para 19.º, com grande desgosto e embaraço dos gabinetes de agitprop do governo socialista que agora procuram explicações para a queda, quando que deveriam é procurar explicações para a subida artificial com dados manipulados.

11/09/2021

The best lack all conviction, while the worst are full of passionate intensity

Turning and turning in the widening gyre
The falcon cannot hear the falconer;
Things fall apart; the centre cannot hold;
Mere anarchy is loosed upon the world,
The blood-dimmed tide is loosed, and everywhere
The ceremony of innocence is drowned;
The best lack all conviction, while the worst
Are full of passionate intensity.

The Second Coming de William B. Yeats, poema escrito em 1919 e publicado em 1921, depois da II Guerra Mundial e da Gripe Espanhola (Pneumónica) em tempos com algumas semelhanças com os actuais

10/09/2021

A inversão em curso do Estado Social pelo governo de Boris Johnson

«My job is to protect you or your parents or grandparents from having to sell your home to pay for the costs of care,’ said Boris Johnson after becoming prime minister two years ago. This was quite a statement. But to do it would cost billions and the Prime Minister had also promised, in his manifesto, not to raise taxes. So what to do? Should he keep his promise to the voters, or create a safety net for the asset-rich? It’s telling that he chose to protect the assetocracy.

The emergence of this new class in the space of the past two decades has changed politics more than any party likes to admit. Wealth has become concentrated in a group of people who now decide British elections. Before the crash, 7 per cent of British pensioners were millionaires, as measured by household wealth. Now, it’s 25 per cent — some three million people. A further three million are half-millionaires, with £500,000. That’s one out of every eight people eligible to vote.

At each election, parties compete to bribe this demographic. Labour’s ‘winter fuel payments’ and pension rises were the start, followed by the Tory triple-lock pension. The next step: to guarantee that no one would have to sell their house to pay for care, no matter how rich they are. This prospect was dangled in front of homeowners by Blair, Brown and Cameron, but none of them went through with it. They baulked not only at the expense but also at what it would mean. The traditional logic of the welfare state — that those with power and money help those with less of it — would be being turned on its head.After minimal consultation with his cabinet, let alone his party and the country, Johnson has now completed this inversion, with a £12 billion tax funding a new deal. Some of the money will at first be used to help clear an NHS backlog. Some will help families who can in no sense be described as rich.

But after the NHS waiting list has begun to ease, the tax becomes a care home insurance scheme, and the refusal to impose any means-testing has big implications. No one, no matter how rich, will have to pay more than £86,000 for their care in old age.

This raises tricky political questions: how can you justify increasing taxes on the working poor to safeguard the assets of the stonkingly rich? What, morally, is the problem with someone selling their house — or any other asset — to pay for care? Isn’t Toryism about providing equal opportunities, a ladder for everyone to climb? Why then would any Tory want to make life even easier for those already at the top of the ladder, at the expense of people on the lower rungs?

To understand, you need to do the electoral arithmetic. Age, not social class, has become the new dividing line between Labour and the Tories. The under-25s broke three to one for Labour in the last election — but this was no problem for Team Boris because the over-65s chose him by four to one. His gamble now is that the political backlash from tax rises will be balanced out by gratitude from affluent homeowners. 

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This week the Prime Minister called groups of backbenchers to No. 10 to explain his plan, but they left more confused than ever. He tried to sum up his thinking by saying in private what he no longer says in public: that it’s about the assets. ‘It stands for something very conservative,’ Johnson said to one of the groups of MPs he’d invited to No. 10 — ‘the right to pass on money’.

Is this really the Boris Johnson definition of conservatism: a protection racket, where the tools of the state are used to extract money from minimum-wage workers and pass it on to the better off?»

Excerto de Assetocracy: the inversion of the welfare state, Fraser Nelson na Spectator, explicando como o aumento de 2,5% das contribuições para a segurança social é dinheiro extraído dos mais pobres para financiar o bem-estar dos pensionistas proprietários