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12/03/2022

Em todos os regimes a verdade é a primeira vítima da guerra. Nas autocracias a verdade também sofre durante a pandemia

«A verdade é a primeira baixa na guerra» disse pela primeira vez alguém que poderia ter sido desde Ésquilo até ao Senador americano Hiram Warren Johnson, passando pelo general Sun Tzu e vários outros. Inclino-me para que tenha sido Sun Tzu o primeiro a formular algo que pela sua profissão deveria saber por experiência.

Sendo certo que na guerra todos mentem, uns são mais mentirosos do que outros ou, dito de outra maneira, uns mentem por necessidade, outros por hábito, como é o caso dos tiranos entre os quais me permito destacar o Czar Vlad, que mente na guerra e no resto, por exemplo nas estatísticas da Covid-19. 

Pelo menos é a conclusão a que chegou Dmitry Kobak no estudo estatístico (Underdispersion in the reported Covid-19 case and death numbers may suggest data manipulations) em que usou propriedades da distribuição de Poisson para analisar os números de casos e de mortes publicados concluindo que 21 dos países apresentavam uma dispersão anormalmente baixa indiciando manipulação de dados.

Fonte

Com base nesse estudo, a Economist preparou o diagrama acima que permite comparar a distribuição temporal das mortes nos EUA, que mostram uma fortíssima variação, com a Rússia e um terceiro país (escolhi a Turquia do Pasha Recep), onde a mortalidade por Covid varia num intervalo muito mais reduzido. Citando a Economist, «os números russos oferecem um exemplo de "limpeza" anormal. Em agosto de 2021, as contagens diárias de mortes não foram inferiores a 746 e não superiores a 799. Os números invariáveis ​​da Rússia continuaram na primeira semana de setembro, variando de 792 a 799. Um cálculo aproximado mostra que uma semana com variação tão baixa ocorreria por acaso uma vez a cada 2.747 anos.» Algo semelhante se pode dizer dos dados turcos.

05/03/2022

De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (56) - Qual a letalidade do Covid-19? (11) O caso de Portugal dois anos depois

Este post faz parte da série De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva e é uma continuação de Qual a letalidade da Covid-19? (9) e Qual a letalidade do Covid-19? (10)

Recordando a distinção entre taxa de letalidade, que relaciona o número de óbitos com o número de infectados, e a taxa de mortalidade que relaciona o número de óbitos causados por uma epidemia com a população, num caso e noutro com referência a uma determinada área (mundo, pais, região, cidade, etc.).

Recordando também as patetices (nalguns casos pura manipulação) que os mídia publicaram no início da pandemia garantindo por exemplo que a Covid mataria 26 vezes mais do que a gripe.

O que dados estatísticos mostram é um realidade completamente diferente.

Por várias razões que vão desde a menor gravidade das novas variantes do SARS-Cov-2 (o Ómicron é pouco mais grave de que a gripe comum), uma parte das pessoas de risco (idade e comorbilidades) já faleceram, evolução do conhecimento médico e de novas terapias e percentagem crescente de vacinados, o certo é que actualmente a letalidade total da Covid está em 0,64%, dentro do intervalo da gripe asiática (H2N2) e menos de metade da gripe espanhola (H1N1).

13/02/2022

Dois anos de pandemia reconfirmam a superioridade da estratégia sueca face à portuguesa

Em retrospectiva: 

Do lado de Portugal: autoridades responsáveis instruindo constantemente o povo ignaro com uma DGS (médica com uma carreira sobretudo administrativa sem qualificação científica) que ora diz uma coisa, ora diz outra, máscaras obrigatórias em todo o lado, confinamento, escolas fechadas durante alguns períodos, restauração e hotéis muito condicionados, um serviço público de saúde dedicado quase em exclusivo à pandemia com marginalização dos recursos privados.

Do lado da Suécia: autoridades com uma atitude "laxista" (muito criticada pelo jornalismo de causas do Portugal dos Pequeninos) e no equivalente à DGS um cientista (especialista em epidemiologia com reconhecimento internacional e mais de uma centena de trabalhos publicados), máscaras de uso opcional e em certos casos não permitidas, quase sem confinamento, escolas sempre abertas, restauração e hotéis sem condicionamentos, serviços de saúde público e privado em cooperação.

Já se tinha visto o resultado das duas estratégias decorrido um ano. Dois anos depois a situação é a seguinte:

Tracking covid-19 excess deaths across countries

Comparem-se agora estratégias e resultados nos dois países com populações residentes praticamente iguais (10,3 e 10,2 milhões, Portugal e Suécia):

Estratégias:
  • um Portugal com máscaras obrigatórias em todo o lado, confinamento, escolas fechadas durante longos períodos, restauração e hotéis fechados, um serviço público de saúde dedicado quase em exclusivo à pandemia com marginalização dos recursos privados e
  • uma Suécia "laxista", máscaras de uso opcional, confinamento limitado e esporádico, escolas quase sempre abertas, restauração e hotéis sem condicionamentos, serviços de saúde público e privado em cooperação.
Resultados:

Suécia com menos casos (2,4 contra 3,1 milhões de infectados), menos 20% de mortes atribuídas a Covid e, principalmente, metade do excesso de mortalidade. Este último indicador mostra ainda o SNS sueco não colapsou, ao contrário do português.

04/02/2022

De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (55) - Qual a eficácia e o fundamento científico das medidas de confinamento? (II)

Este post faz parte da série De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva e é uma continuação de (I)

Há um ano citámos as conclusões de um estudo do prof. Ioannidis (Assessing Mandatory Stay‐at‐Home and Business Closure Effects on the Spread of COVID‐19) no sentido do efeito líquido das medidas mais restritivas de confinamento doméstico e do fecho de empresas tomadas adicionalmente às medidas menos restritivas (como no caso da Suécia e Coreia do Sul que não adoptaram o confinamento doméstico obrigatório e do fecho compulsivo de empresas) não ter sido significativo no número de casos e que, em consequência, reduções da mesma amplitude poderiam ter sido alcançadas com medidas menos restritivas.

Desta vez citamos as conclusões de um paper acabado de publicar de Jonas Herby, Lars Jonung e Steve H. Hanke (A LITERATURE REVIEW AND META-ANALYSIS OF THE EFFECTS OF LOCKDOWNS ON COVID-19 MORTALITY), onde foram revistos 24 estudos comparando países de acordo com o rigor dos seus confinamentos e a obrigatoriedade de uso de máscaras. A conclusão é não ter sido possível estabelecer uma relação clara entre o rigor do confinamento e a letalidade na primavera de 2020. O confinamento terá com reduzido apenas 0,2% das mortes e a obrigatoriedade de isolamento em casa reduziu as mortes em 2,9%. 

É claro que estas conclusões não têm um valor absoluto, a começar pelo facto de para a meta-análise terem sido escolhidos 24 entre muitos outros estudos. Apenas são um contrapeso à ciência de fancaria que apresenta às massas ignaras dogmas que parecem ditados por uma entidade divina.

20/01/2022

As teorias da conspiração alimentam-se das improbabilidades

Uma espécie de continuação de A pandemia como campo de batalha de crenças quase religiosas.

A pandemia, como todos os eventos geradores de pânico, é um domínio por excelência para construir teorias da conspiração, a começar pelas suas origens, que vão desde uma maquinação/acidente com arma biológica dos EUA/China/Rússia/... até às ondas do 5G, a tecnologia da quinta geração para redes móveis e de banda larga, esta última uma criação de D. Jelena Djokovich, esposa do tenista com o mesmo nome.

Ainda no mesmo domínio, as teorias da conspiração continuam em relação às medidas tomadas a pretexto da pandemia, muitas vezes baseadas casos extremamente improváveis a que os mídia geralmente dão relevo baseados no conhecido princípio de que notícia não é um cão morder um jornalista mas um jornalista morder um cão.

Lembrei-me disto ao ler ontem duas notícias: (a) uma cantora checa, para evitar ser vacinada, expôs-se deliberadamente ao contágio para obter um certificado de recuperação, foi infectada e acabou por morrer; (b) um garoto de 6 anos com a primeira dose de vacina e teste positivo morreu no hospital por causas ainda não determinadas. 

No primeiro caso, os paranóicos da vacinação, borrifando-se para o facto de a vacina apenas preparar o sistema imunitário e reduzir a probabilidade de morrer da Covid, gritarão "ó rejeccionistas estão a ver o que faz não se vacinarem?" No segundo, os "rejeccionistas", borrifando-se para o facto de até agora só terem morrido 3 crianças com menos de 9 anos e nenhuma delas vacinada, gritarão "ó maluquinhos das vacinas estão a ver o que faz ser vacinado". 

E, portanto, é isto. Feitas as contas, receio que as criaturas cépticas, com um módico de bom senso e não prosélitos de nenhuma dessas crenças constituam uma insignificante minoria.

11/01/2022

De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (54) - Qual a letalidade do Covid-19? (10) O caso de Portugal 23 meses depois

Este post faz parte da série De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva e é uma continuação de Qual a letalidade da Covid-19? (9) O caso de Portugal 18 meses depois

Recordando a distinção entre taxa de letalidade, que relaciona o número de óbitos com o número de infectados, e a taxa de mortalidade que relaciona o número de óbitos causados por uma epidemia com a população, num caso e noutro com referência a uma determinada área (mundo, pais, região, cidade, etc.).

Recordando também algumas das patetices (nalguns casos pura manipulação) que os mídia publicaram no início da pandemia: 
  • 06-03 - «O novo coronavírus é igual à gripe? Não. Mata 26 vezes mais» (Sábado)
  • 19-03 - «Organização Mundial de Saúde (OMS) avançou na semana passada que a taxa de mortalidade do vírus se encontra nos 3,4%» (Expresso)
  • 29-03 - «a taxa de letalidade subiu para 2% » (SIC Notícias)
  • 12-04 - «Em Portugal, a taxa de mortalidade situa-se agora ligeiramente acima dos 3%» (ionline)
  • 13-04 - «A taxa de mortalidade subiu para 3%, disse a ministra da Saúde» (DN)
  • 13-04 - «OMS diz que o novo coronavírus é dez vezes mais mortal que o vírus da gripe de 2009» (Público)
  • 16-04 - «Portugal tem taxa de letalidade de 3,3%. A média europeia é de 8,6%» (DN)
  • 19-04 - «A taxa de mortalidade belga está perto dos 15%» (Observador)
  • 20-04 - «o que fez baixar ligeiramente a taxa de mortalidade para 3,52%» (Observador)

Como se pode ver no gráfico seguinte, à medida que são feitos cada vez mais testes aumenta o denominador da taxa de letalidade, isto é, o número de novos casos, e o numerador aumenta a um ritmo cada vez menor em resultado de:

  • menor gravidade das novas variantes do SARS-Cov-2
  • parte das pessoas de risco (idade e comorbilidades) já faleceram
  • evolução do conhecimento médico e de novas terapias e 
  • percentagem crescente de vacinados. (*)
Assim, depois de ter atingido um máximo de 4,4% no princípio de Junho do ano passado, a taxa de letalidade foi descendo gradualmente situando-se em 1,2%.
 


O próximo gráfico mostra a mesma evolução por regiões.

Escola Nacional de Saúde Pública

(*) Uma palavra para os efeitos adversos das vacinas que segundo os dados do Infarmed em quase 20 milhões de doses administradas apenas foram registados cerca de 21.500 casos até ao final de 2021. É claro que sempre se podem construir teorias da conspirações mas, nesse caso, compete aos conspiradores o ónus de prova.

Post scriptum: uma outra palavra para o facto de um número não determinado mas provavelmente significativo dos óbitos atribuídos à Covid, são apenas mortes por outras causas de pessoas que estavam infectadas mas em que o SARS-Cov-2 não foi a causa adequada da morte, como se diz no direito - leia-se por exemplo o artigo «Quedas de idosos fazem saltar mortes por covid-19» do PÁGUNA UM.

09/01/2022

A pandemia como campo de batalha de crenças quase religiosas

De um lado os que consideraram gripezinha uma pandemia com uma taxa de letalidade várias vezes superior à da gripe comum. De outro os que anteciparam uma taxa de letalidade muitas vezes superior à que de facto se está a verificar e consideram a pandemia como uma ameaça existencial para a humanidade.

De um lado os que preconizam o uso de máscaras em todas as circunstâncias. De outro os que defendem que as máscaras são inúteis para prevenir um contágio que se faz principalmente através de aerossóis.

Também há os que perante a suposta ameaça existencial defendem a concentração de todos os recursos médicos e hospitalares no tratamento da pandemia, ainda que a realidade mostre que daí resulta um excesso de mortalidade por outras causas superior à mortalidade pela pandemia. 

De um lado os que, contra toda a evidência histórica, incluindo os resultados já disponíveis das vacinas Covid, defendem que as vacinas são uma emenda pior do que o soneto. De outro os que lhe atribuem efeitos miraculosos e que defendem a sua imposição a todos.

Também há os que, quando ainda não estão vacinados todos os adultos de risco, defendem que às crianças saudáveis, com um risco mínimo de adoecer com gravidade, lhes seja administrada uma vacina que, como qualquer outra, não impede o contágio .

Feitas as contas, receio que as criaturas cépticas, com um módico de bom senso e não prosélitos de nenhuma dessas crenças constituam uma insignificante minoria.

07/01/2022

SERVIÇO PÚBLICO: Menos máscaras, menos confinamento e mais ventilação (3)

Continuação de (1) e (2)

Há muitos meses que se conhecem os mecanismos de transmissão da pandemia nomeadamente o papel crítico dos aerossóis e a consequente importância da ventilação, como referi nos posts anteriores. No entanto, raramente se têm retirado consequências em termos das medidas a tomar. Tem por isso uma importância acrescida a carta aberta que um grupo de centenas de especialistas em saúde pública, clínicos e cientistas publicou no passado dia 3 na British Medical Journal da qual cito a seguir as cinco recomendações principais:

«Acolhemos com satisfação a orientação recente da Organização Mundial da Saúde sobre o uso de máscaras na comunidade e na área de saúde, mas acreditamos que mais pode ser feito para suprimir a transmissão sem impactar negativamente a atividade econômica ou social. Consequentemente, apelamos à Organização Mundial da Saúde e aos governos nacionais para:

  1. Declarar inequivocamente o SARS-CoV-2 como um patógeno aerotransportado e enfatizar as implicações para a prevenção da transmissão. Uma mensagem clara da Organização Mundial da Saúde ajudará a remover a confusão que tem sido usada para justificar políticas desatualizadas.
  2. Promover o uso de máscaras faciais de alta qualidade para reuniões internas e outros ambientes de alta transmissão. Os benefícios significativos do mascaramento comunitário agora estão bem estabelecidos. Respiradores (por exemplo, N95, P2 / FFP2 ou KF94) devem ser preferidos em todos os ambientes internos onde as pessoas se misturam e para profissionais de saúde em todos os momentos. 
  3. Aconselhar sobre ventilação e filtração eficazes do ar. É hora de ir além de abrir as janelas e buscar uma mudança de paradigma para garantir que todos os prédios públicos sejam idealmente projetados, construídos, adaptados e utilizados para maximizar o ar limpo para os ocupantes - estratégias que têm demonstrado reduzir a transmissão SARS-CoV-2.
  4. Estabelecer critérios para impor ou relaxar medidas para reduzir a propagação de covid-19 com base nos níveis de transmissão na comunidade. A localização, teste, rastreamento, isolamento e suporte eficazes continuarão a ser essenciais para interceptar a transmissão. Baixas taxas de transmissão dão a todas as medidas disponíveis a melhor chance de serem eficazes, criando um ciclo positivo e auto-reforçador de controle da doença. Apoio financeiro e prático suficiente para o isolamento deve ser implementado em todos os lugares, especialmente em países de baixa e média rendimento e áreas mais pobres de países de alto rendimento.
  5. Apoiar medidas urgentes para alcançar a igualdade global de vacinas, incluindo a partilha de vacinas, suspensão de patentes de vacinas, remoção de barreiras à transferência de tecnologia e estabelecer centros de produção regionais para criar um suprimento local abundante de vacinas de alta qualidade em todos os lugares. O lançamento global da vacina deve incluir esforços coordenados para lidar com a desinformação para garantir que as pessoas tenham acesso a dados precisos e oportunos sobre a eficácia e proteção da vacina.»

04/01/2022

De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (53) - Ómicron? So much ado for so little

Este post faz parte da série De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.

Nos dois gráficos seguintes estão representadas as infecções (gráfico de cima) e os óbitos (gráfico de baixo) pelo SARS-CoV-2 em dois períodos:

  • Da 2.ª semana de Outubro de 2020 até à 2.ª semana de Fevereiro de 2021 (do lado esquerdo) 
  • Da 1.ª semana de Outubro de 2021 até ao dia 2 de Janeiro deste ano (do lado direito).

O primeiro período corresponde à maior letalidade registada até agora e o período actual à vaga de infecções pelo Ómicron, uma variante muito mais contagiosa e, como se vê, muitíssimo menos letal. Qual o racional para o presente histerismo e o endurecimento das medidas?

30/11/2021

De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (52) - A conclusão mais importante dos estudos publicados sobre a eficácia das máscaras é que não nos permitem concluir nada

Este post faz parte da série De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.

Do face masks halve the risk of Covid? A note on the evidence

By Professor Simon Wood

«Lost of the trouble in life comes from misunderstanding’ as Willy Loman said in Oscar Wilde’s masterpiece An Inspector Calls. Grating isn’t it? But also a reasonable facsimile of how science reporting often reads, at least to those of us self identifying as scientists. Pre-Covid it was so. With Covid the problem has become, well, an epidemic. Recent reporting about the efficacy of masks is a classic case in point.

You might remember the study in question: it certainly made headlines when it came out. 'Mask-wearing cuts Covid incidence by 53%, says global study', stated the Guardian: 'results from more than 30 studies from around the world were analysed in detail'. The New Scientist agreed: 'Covid-19 news: Mask wearing cuts infections by 53 per cent', but instead referenced a greater number of evidence bases: 'using data from 72 studies'. A more cautious Times reported the same results as 'Masks more effective than distancing and handwashing'. It goes for 'more than 30 studies from around the world' which 'were analysed in detail'. Bloomberg claimed 'Masks Cut Covid Risk in Half', now based on a far-lower number: eight studies.

Let’s leave aside the nitpicking details (infections and risk are not the same thing, for example) — surely these reports are usefully communicating the gist of the new evidence, are they not? I’m afraid not.

The BMJ paper at the centre of these reports is a meta-analysis. That is to say: a summary, an attempt to combine the evidence contained in several scientific studies to arrive at an objective assessment of the state of knowledge on a topic.

The analysis identified 72 studies that might potentially have provided evidence on the effectiveness of masks, social distancing and hand washing. Of those, just six (not eight, 30 or 72) were sufficiently relevant — and of sufficient quality — that they could provide any useful information on mask efficacy. And how reliable were the six? Four were assessed to have a moderate risk of bias, and two to have a serious or critical risk.

Let’s start with the moderate four.

09/11/2021

Como tentar cumprir o plano de vacinação, apesar de tudo? Resposta: um dia de cada vez (67) - Quem disse que o Sr. Almirante poderia ir de férias?

Eu disse, mas estava enganado. A coisa entregue a apparatchiks sem diligência nem competência não pode correr bem. A informação diária do número de vacinados deixou de ser actualizada no site da DGS e foi substituída nos mídia do regime por uma onda de louvaminhices e celebrações do tipo «portugueses no topo do mundo», enquanto o caos recomeçou a instalar-se.


Veja-se como exemplo o vídeo que um amigo filmou cerca das 17H de ontem no pavilhão 3 do Estado Universitário em Lisboa mostrando o «caos total (...) ainda agora passou um bombeiro com o anúncio - marcações entre as 15.30 e as 16.00! Misturaram as marcações ao minuto com o regime do sempre cabe mais um!»

29/09/2021

Como tentar cumprir o plano de vacinação, apesar de tudo? Resposta: um dia de cada vez (66)

ECDC

A informação mais credível da vacinação é a do Vaccine Tracker do European Centre for Disease Prevention and Control, reproduzida no quadro acima para os 10 países com maior percentagem de população vacinada dos maiores de 18 anos, mostra que o Sr. Almirante pegou em Fevereiro numa task force em decomposição entregue a um apparatchik socialista e em 7 meses colocou Portugal entre os com maior índice de vacinação completa.

É um facto que não precisa de ser inflamado pelo jornalismo de causas que, na sua ânsia de evidenciar a única coisa que correu bem na resposta à Covid-19 e confundindo população com população alvo, escreve coisas como Portugal é o país com mais população vacinada no mundo, GOUVEIA E MELO «MELHOR DO MUNDO», Covid-19. Portugal domina vacinação, PORTUGAL PRESTES A SER O PRIMEIRO PAÍS DO MUNDO A ATINGIR 85% DE POPULAÇÃO VACINADA, Portugal continua a ser o país com maior percentagem da população vacinada contra a Covid-19 em todo o mundo.

Já agora, acrescente-se que a média diária de doses administradas desce para menos de 28 mil nas duas últimas semanas.

Entretanto, talvez enciumado pelo facto da única coisa que correu bem não foi devida aos apparatchiks do seu partido mas apesar deles, resolveu anunciar a extinção da task force ainda antes da conclusão da vacinação e mandar o Sr. Almirante para casa. Esperemos que não tenha de o ir buscar outra vez.

23/09/2021

De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (51) - Qual a letalidade do Covid-19? (9) O caso de Portugal 18 meses depois

Este post faz parte da série De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva e é uma continuação de Qual a letalidade da Covid-19? (8) O caso de Portugal 16 meses depois

Recordando a distinção entre taxa de letalidade, que relaciona o número de óbitos com o número de infectados, e a taxa de mortalidade que relaciona o número de óbitos causados por uma epidemia com a população, num caso e noutro com referência a uma determinada área (mundo, pais, região, cidade, etc.).

Recordando também algumas das patetices (nalguns casos pura manipulação) que os mídia publicaram no início da pandemia: 
  • 06-03 - «O novo coronavírus é igual à gripe? Não. Mata 26 vezes mais» (Sábado)
  • 19-03 - «Organização Mundial de Saúde (OMS) avançou na semana passada que a taxa de mortalidade do vírus se encontra nos 3,4%» (Expresso)
  • 29-03 - «a taxa de letalidade subiu para 2% » (SIC Notícias)
  • 12-04 - «Em Portugal, a taxa de mortalidade situa-se agora ligeiramente acima dos 3%» (ionline)
  • 13-04 - «A taxa de mortalidade subiu para 3%, disse a ministra da Saúde» (DN)
  • 13-04 - «OMS diz que o novo coronavírus é dez vezes mais mortal que o vírus da gripe de 2009» (Público)
  • 16-04 «Portugal tem taxa de letalidade de 3,3%. A média europeia é de 8,6%» (DN)
  • 19-04 - «A taxa de mortalidade belga está perto dos 15%» (Observador)
  • 20-04 - «o que fez baixar ligeiramente a taxa de mortalidade para 3,52%» (Observador)

No último ponto de situação que fizemos a taxa de letalidade a nível nacional estava em 1,76%. Vejamos a situação reportada a 20 de Setembro, no gráfico seguinte.

Escola Nacional de Saúde Pública

Desde então como o número de óbitos tem descido mais rapidamente do que o número de novos casos a taxa de letalidade tem vindo a descer e está em 1,69%, apresentando valores mais altos no Alentejo e no Centro, regiões com populações mais envelhecidas.

07/09/2021

Como tentar cumprir o plano de vacinação, apesar de tudo? Resposta: um dia de cada vez (65) - Podemos deixar o Sr. Almirante ir de férias


ECDC

Os objectivos da task force estão cumpridos ou praticamente garantidos. Mesmo numa comparação internacional o Sr. Almirante saiu-se bem e colocou o país no 5.º lugar na EU/EEA. Ficou a nódoa de dar prioridade ao escalão 12-17 anos, praticamente sem risco, em que já se atingiu 75% com una primeira dose.

Em princípio, salvo qualquer involução, esta série de posts termina aqui,

31/08/2021

Como tentar cumprir o plano de vacinação, apesar de tudo? Resposta: um dia de cada vez (64) - Tudo como dantes, quartel-general em Abrantes


Após o pico na primeira quinzena de Julho com média diária de 140 mil, semana após semana o ritmo de vacinação tem vindo a reduzir-se e na última semana baixou para 60 mil. Não obstante, salvo algum desastre, sempre possível no quadro do Estado sucial sob administração socialista, os objectivos principais anunciados continuam atingíveis.

ECDC

No ranking da EU/EEA, com 94,0% dos maiores de 18 anos, Portugal é o país com mais primeiras doses administradas. Já em relação à vacinação completa dos +18 anos, que é o que mais importa, Portugal baixou do 5.º lugar da semana passada para o sexto lugar, ultrapassado pela Dinamarca.

27/08/2021

ARTIGO DEFUNTO: População vacinada é o que o jornalista quiser

Exemplos de alguns títulos de jornais portugueses do dia 25 de Agosto e tenha-se em conta que nos últimos 7 dias foram administradas 520 mil doses suficientes para uma primeira dose de 5% da população ou 2,5% de duas doses e repare-se na confusão sobre o que seja população, população vacinada e vacinação completa: 

«Portugal com mais de 80% da população vacinada com a primeira dose» (Sic Notícias)

«72% da população com vacinação completa». (DN)

«Portugal atinge meta de 85% da população vacinada com primeira dose na próxima semana» (Jornal i)

«81,6% da população vacinada contra a Covid-19» (Renascença)

«85% da população estará vacinada com a primeira dose na próxima semana» (Económico)

«Portugal atinge 85% da população com primeira dose na próxima semana» (Eco)

«Portugal deverá atingir os 85% da população vacinada na próxima semana» (Público)

«72% da população portuguesa já tem vacinação completa» (Público)

«Portugal deverá atingir os 85% da população vacinada na próxima semana» (Sapo)

25/08/2021

De volta à Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (50) - De que serve vacinar adolescentes?


Qualquer pessoa com um módico de cultura geral desconfia que a narrativa da vacina contra o SARS-Cov2 impossibilitar a infecção pelo mesmo vírus e, em consequência, impedir a transmissão a outras pessoas, é uma treta. De facto, o efeito das vacinas não é impedir a infecção é reforçar a resposta do sistema imunitário ao vírus e assim minimizar as consequências da infecção.

E os dados disponíveis aí estão para desmontar a treta:

  • Em Portugal cerca de 16 mil pessoas com a vacinação completa foram infectadas (fonte);
  • Um estudo da universidade de Oxford mostra os adultos vacinadas infectados com a variante Delta podem ter uma carga viral tão elevada como os não vacinados (fonte);
  • Duas equipas científicas holandesas concluem que as pessoas vacinadas podem infectar outras pessoas embora com menor probabilidade e gravidade (fonte).
Em conclusão, 
«Ao não prevenirem a infeção, estas vacinas não previnem a transmissão e, por isso, não distinguem vacinados de não vacinados no risco de transmissão da doença, se bem que nestes possa haver alguma atenuação devido à redução da carga viral, Contradizendo argumentos de peritos e autoridades de saúde que procuram justificar a extensão da vacinação às crianças e adultos jovens sem comorbilidades como estratégia de proteção dos indivíduos de risco (quase todos vacinados), estas vacinas também não produzem imunidade de grupo.»
pode ler-se neste artigo do Expresso com uma explicação médica em linguagem acessível.

24/08/2021

Como tentar cumprir o plano de vacinação, apesar de tudo? Resposta: um dia de cada vez (63)

Depois de uma primeira quinzena de Julho com média diária de 150 mil doses, desde então a média diária móvel tem variado entre as 80 e 90 mil doses e não é provável que saia daqui devido às férias, como o Sr. Almirante já reconheceu. 

Quanto à vacinação completa dos maiores de 18 anos, Portugal continua no 5.º lugar dos países EU/EEA.

ECDC

Citando outras fontes e com outros critérios (nomeadamente a população-alvo), alguns jornais têm entrado em delírios patrióticos colocando os portugueses no topo do mundo. É um bocadinho doentio mas já estamos habituados em muitos outros domínios. Não é grave, é apenas ridículo, demonstrativo de um complexo de inferioridade e sobretudo inútil porque, de acordo com os dados da European Centre for Disease Prevention and Control, a fonte mais credível a este respeito, a task force tem feito um excelente trabalho graças ao Sr. Almirante (eu sei que o posto da criatura é Vice) que o governo não reconheceu e o PR, se tinha de o condecorar, deveria tê-lo feito pelo seu trabalho na task force e não «pelas suas carreiras militares».

Entretanto, o Sr. Almirante reformulou o objectivo quase toda a população elegível com vacinação completa no fim de Setembro para 85% dos portugueses deverão estar totalmente vacinados até ao fim de setembro, o que, dependendo do que seja a população elegível, pode não ser a mesma coisa e também, como o objectivo anterior, não está garantido.

Uma última palavra para o disparate, a que o Sr. Almirante se deixou associar, de usar vacinas escassas a nível mundial para vacinar adolescentes, um grupo praticamente sem risco, como se a vacina impedisse a infecção e a transmissão pelo SARS-Cov-2  (voltarei a este tema).

17/08/2021

Como tentar cumprir o plano de vacinação, apesar de tudo? Resposta: um dia de cada vez (62) - Em terra de cegos, quem tem um olho é rei e quem tem dois é o quê?

A queda acentuada do ritmo de vacinação desde a primeira semana de Julho com a descida da média de 150 mil doses para 70-80 mil nas semanas seguintes parece estar a estabilizar ao redor da média semanal de 90 mil.

Em relação à vacinação completa dos maiores de 18 anos, depois de uns vergonhosos primeiros quatro ou cinco meses, Portugal está bem posicionado no pelotão da frente no quadro da EU/EEA.

ECDC

Quase todos os objectivos estão a ser atingidos ou serão muito provavelmente atingidos nas datas anunciadas. Agradecei o trabalho do Sr. Almirante insultado por um bando de grunhos no sábado à noite em Odivelas, que até hoje o Dr. Costa não se dignou apreciar, possivelmente porque a criatura não tem ficha no PS, 

Após semanas de um concurso de dislates com vários participantes, nomeadamente a Dr.ª Graça e o Dr. Marcelo, que se revelou um inesperado especialista em vacinação, a primeira sucumbiu e recomendou a vacinação do escalão etário 12-15 anos, o que só em Marte seria uma prioridade considerando os adultos que faltam vacinar e o facto desse escalão representar uma percentagem negligenciável dos infectados e num total de 18 mil óbitos apenas haver dois no escalão 10-19.

Compare-se com a Inglaterra que no escalação 12-15 anos apenas vai vacinar os jovens clinicamente vulneráveis ou que vivam com adultos de risco com doenças graves.

14/08/2021

SERVIÇO PÚBLICO: A fuga de um laboratório chinês é a explicação mais plausível para a propagação do SARS-Cov-2 (e a China começa a admiti-lo)

«The lead figure in the World Health Organisation’s work on the origins of Covid-19 has given a remarkable interview to Danish TV. Peter Ben Embarek has revealed just how much political pressure the investigation came under and made clear that he thinks the lab leak hypothesis should not, pace the official report, be dismissed as extremely unlikely.

Embarek told TV2 ‘Until 48 hours before we finished the whole mission, we still had no agreement that we would talk about the laboratory part in the report, so there was a discussion right up to the end about whether to include it or not.’ He said that, ‘initially, they [the Chinese] didn’t want anything about the laboratory included because it was impossible and so it would be a waste of time. We insisted on including it because it was part of the whole issue about where the virus came from.’ He adds, ‘I said: "Listen. We need to include this, otherwise we don’t have a report. It's not going to be approved or accepted as a reasonable, credible report.’”

Embarek also makes clear the obstacles that were put in him and his team’s way: ‘We didn't get a look at lab books or documents directly from the lab. We got a presentation and then we got to talk about and ask the questions we wanted to ask, but we didn't get to look at any documentation at all.’ As he points out, the behaviour of the Chinese side raises questions:
‘We should investigate the hypothesis of a laboratory leak, it is for several reasons. One of them is the way in which the Chinese government has behaved. They have tried to suppress all research in this area. We can't know if it's because they're just trying to control the narrative or if it's because they have something to hide.’
Certainly, the fact that the laboratory moved location in December 2019 does raise suspicions. As Embarek recalls, ‘I ask the management, “How old is this lab?” And they say: “Well, it's from December 2019. We moved to these new laboratories on 2 December 2019.”’ As he points out, ‘It is interesting that the lab moved on 2 December 2019. That's the period when it all started, and you know that when you move a lab, it's disruptive to everything.’

Embarek posits that one likely explanation for the origin of a virus is a laboratory staffer being infected as they were collecting samples: ‘An employee who got infected in the field by taking samples is one of the likely hypotheses. That’s where the virus jumps directly from a bat to a human. In that case, it would be a laboratory worker rather than a random villager or other person who has regular contact with bats. So it's actually in the likely category.’

What is becoming increasingly clear is that the dismissal of the lab leak theory back in March 2020 was a huge mistake. Embarek’s interview backs up Matt Ridley’s view that the lab leak theory is looking increasingly plausible.

Given the amount of time that has elapsed, we will probably never know for sure what the origins of Covid-19 are. But it is becoming clearer by the day that the Chinese government conducted a cover up, for whatever reason, that made the whole situation even worse than it needed to be.
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How China tried to suppress the lab leak investigation, James Forsyth na Spectator

Por coincidência, ou talvez não, o site estatal chinês Global Times publicou no dia 6 uma entrevista em inglês com Jeffrey Sachs, da Universidade Columbia e presidente da comissão do Lancet sobre a Covid-19, que menciona expressamente a possibilidade de fuga do vírus durante as pesquisas. O facto de ter sido publicada uma explicação até agora sempre negada pela nomenclatura chinesa indicia o uso dos habituais processos tortuosos para preparar a mudança da tese oficial.