Na missa do Pontal, onde os sumo pontífices em exercício do PS-D costumam todos os anos dirigir-se aos crentes para revigorar a sua fé, o Dr. Montenegro, queixou-se de que ninguém fala «das grandes coisas que estamos a fazer bem» e só falam «das pequenas coisas que, porventura, não corram tão bem», referindo-se implicitamente ao jornalismo e à comentadoria. Tem de se dar ao Dr. Montenegro alguma razão por muitos dos membros dessas agremiações praticarem o que o Dr. Ascenso Simões chamou com uma expressão colorida «chafurdar em coisas de merda». Por outro lado, tem de se conceder também ao jornalismo e à comentadoria razão de que as supostas «grandes coisas» devem-se tanto ao governo como à divina providência, ao passo que as pequenas coisas são as únicas em que o governo toma a seu cargo com escasso sucesso
Por falar em coisas que se devem à divina providência
Até meio de Agosto a área de floresta ardida este ano é um quarto da área ardida em 2025. É tão verdade como os incêndios até meados de Junho de 2017, em pleno primeiro consolado do Dr. Costa, se terem portado muito bem antes da tragédia de Pedrógão Grande que fez 66 mortos, queimou 500 casas e 53 mil hectares de floresta.
Por falar em «pequenas coisas» que não correm bem
Já aqui anotámos o entupimento de 237 das 404 conservatórias do registo civil e anotamos agora que os Registos Comerciais têm mais de dois mil dias de atraso e o governo deixou de publicar os dados.
O Hospital Amadora-Sintra, que já teve uma gestão privada de sucesso (foi extinta a PPP pelo governo do Eng. Sócrates), apresentava na tarde da sexta-feira passada um tempo de espera dos doentes urgentes superior a 9 horas.
E por falar do colapso do SNS…
… como está o estudo aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros de 7 de março de 2025 para a criação das cinco PPP para gerir os hospitais de Braga, Loures, Vila Franca de Xira, Amadora-Sintra e Almada e os cerca de 170 centros de saúde nessas áreas?
Onde param os dados do ranking das escolas?
Os dados do ranking de 2024 das escolas secundárias o ano passado foram publicados em Abril e tornaram possível o (Im)pertinências publicar em Setembro três posts com os resultados do tratamento estatístico e as conclusões: «O que nos diz o ranking das escolas de ensino secundário» (1), (2) e (3). Os dados do ranking, cada ano publicados com maior atraso, como aqui sublinha João Marôco, este ano estão ainda mais atrasados do que o costume, fazendo suspeitar de um expediente para adiar más notícias em cima da má notícia do atraso da publicação do resultados dos exames.
Ao querer sacudir o aumento dos combustíveis o governo deu um tiro no próprio pé
O relatório da ERSE pedido pelo governo não encontrou evidências de manipulação dos preços pelos produtores. Os preços têm evoluído em linha com os da UE e, em relação à Espanha, a principal diferença resulta dos impostos que em Portugal são mais 41,8 cêntimos na gasolina e 25,1 cêntimos no gasóleo.
