Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
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» (António Alçada Baptista)
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11/08/2026

Crónica da passagem de um governo (62b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 62a)

Não é o turismo que é de mais, é o resto que é de menos


Em 2025, o turismo registou um crescimento nominal de 5,3% no PIB e de 5,5% no Valor Acrescentado Bruto (VAB, que mede o valor da produção líquida dos consumos intermédios). O VAB directo e indirecto gerado pelo Turismo foi de 30,4 mil milhões de euros equivalentes a 11,4% do VAB nacional e o contributo para o PIB foi de 36,2 mil milhões de euros ou 11,8% do PIB nacional. O contributo para o crescimento real do PIB nacional foi de 0,3 pontos percentuais equivalente a quase 1/3 do crescimento que se ficou em 1,9% o ano passado. (fonte Conta Satélite do Turismo para Portugal)

Se a isto acrescentarmos o crescimento de 10,6% do emprego no turismo, que passou a representar mais de um décimo do emprego total, percebe-se que o turismo é uma actividade essencial para a economia do Portugal dos Pequeninos não se afundar ainda mais. Sem o turismo e sem os 17 mil milhões que recebemos do PRR nos últimos quatro anos, já teríamos fechado a loja, o que nos leva a concluir que, não se sabendo o que vai ser o futuro, ainda assim podemos concluir que, com o turismo a desacelerar e o impacto do fim do PRR nas finanças públicas, o futuro não será igual ao passado.

Hoje há cadelinhas, amanhã não sabemos

mais liberdade


Enquanto o Dr. Montenegro se priva das férias para exaltar o «bom momento» e exortar «o país para crescer ainda mais» (fonte), o país sobe ao topo da UE dos custos estimados com o envelhecimento.

Durante a espera para o Dr. Matias nos tornar «um líder mundial na IA», por que não resolvermos problemas infinitamente mais simples?

Como seja o entupimento de 237 das 404 conservatórias do registo civil que viram os dias totais de atraso aumentarem de 40.947 para 46.289. Já agora, o Dr. Matias poderia pôr a acção onde põe a boca e ajudar com as ferramentas de IA o seu colega ministro da Justiça a desentupir o seu ministério.

E, se não for pedir muito, bem poderia o Tribunal Constitucional usar essas ferramentas para suprir a alegada insuficiência dos seus mais de 100 funcionários administrativos incapazes de notificar os titulares de cargos públicos faltosos, como o Dr. Luís Neves que nunca chegou a apresentar a declaração de rendimentos.

Caos é o que a comentadoria e o jornalismo de causas quiserem

Não faz sentido negar as falhas do ministério da Educação no processo dos Exames Nacionais do Ensino Secundário e, já agora, do ministro que revelou as insuficiências de que, quase sem excepção, os políticos domésticos padecem, resultantes do défice que infecta a maioria dos portugueses que têm como missão gerir seja lá o que for.

Não é inútil perceber a manipulação dos números e o empolamento das falhas que rodeou o tratamento noticioso e opinativo, como, por exemplo, a comparação do número de candidaturas na 1.ª fase do ensino superior deste ano com as dos anos de 2024 e 2025 que, segundo a versão corrente, estaria a diminuir. Remeto para o que escreveram Henrique Pereira dos Santos e Aguiar-Conraria desmontando as falácias e chamo a atenção para os últimos resultados, que apontam para mais de 60 mil candidaturas e um aumento de quase 11 mil em relação ao ano anterior.