Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
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06/10/2017

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Here we go again (16)

«"O aumento dos gastos com pessoal sinaliza que as reformas para o emprego do setor público já não se destinam à redução de custos” — a frase é da Comissão Europeia e consta do sexto relatório de avaliação pós-programa de ajustamento português. Os peritos notam que os custos com pessoal e o número de funcionários públicos continuam a subir e avisam que são precisas medidas para manter o atual bom momento de recuperação.» (Fonte)

É tão notório que a CE não pode deixar de registar.

12/07/2017

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Here we go again (15)

INE: Estatísticas do Comércio Internacional, Maio 2017

«O défice da balança comercial de bens situou-se em 1 438 milhões de euros em maio de 2017, o que representa um aumento de 503 milhões de euros face ao mês homólogo de 2016. Excluindo os Combustíveis e lubrificantes a balança comercial atingiu um saldo negativo de 1 074 milhões de euros, correspondente a um aumento de 344 milhões de euros em relação ao mesmo mês de 2016.»

No trimestre terminado em Maio relativamente ao período homólogo de 2016 as importações aumentaram 2.529 milhões de euros. Mais de metade deste valor são bens de consumo.

Felizmente, o aumento das exportações e o aumento do turismo permitirão manter positivo o saldo da balança comercial. Por muito que o governo da geringonça se enfeite com isso, teremos de agradecer o aumento das exportação à melhoria da conjuntura internacional e às medidas do governo anterior e o aumento do turismo ao Estado Islâmico. Oremos para que não tenhamos de agradecer ao governo da geringonça dar cabo das contas externas apesar disso.

09/06/2017

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Here we go again (14)

«Importações disparam 10,8% em abril. Défice comercial agrava»


«No 1º trimestre o comércio internacional de bens reforçou-se. Em abril, as exportações ficaram praticamente iguais e as importações dispararam. Défice comercial agrava-se 500 milhões de euros.»

08/06/2016

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Here we go again (13)

Segundo os dados da Autoridade de Supervisão de Seguros, estavam seguros em 2015 um total de cerca de 7 milhões de veículos. Admitindo que todos os veículos existentes estavam seguros, com cerca de 700 veículos por mil habitantes somos um dos países do mundo mais motorizados, apenas ultrapassados na União Europeia pelo Luxemburgo e Malta.

Para manter uma idade média em torno de 10 anos precisaremos de importar anualmente em média 700 mil veículos, algo que no mínimo representará uns 4 anos de exportações da AutoEuropa ou uns 6% do PIB ou o equivalente a duas vezes o défice público máximo admitido nos tratados.

20/04/2016

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Here we go again (12)

Como se pode recordar aqui, os saldos de tesouraria do Estado deixados pelo governo de José Sócrates no final do 1.º trimestre de 2011 eram 1,4 mil milhões (insuficientes para sequer pagar os salários dos funcionários públicos no mês seguinte) e no governo PSD-CDS chegaram a atingir 22 mil milhões três anos depois. Com a antecipação da amortização de alguns empréstimos do FMI para baixar a média taxa de juro, um ano depois o saldo já tinha baixado para 11,6 mil milhões. Depois disso, estranhamente, não há dados oficiais publicados e ficamos a saber pela CE que no final de 2015 a liquidez era apenas de 6,6 mil milhões e no final do ano será de 7,4 mil milhões o que constitui uma almofada insuficiente que a CE recomenda deve ser a correspondente a 12 meses de financiamento ou seja uns 11 mil milhões.

Os saldos das contas externas pela primeira em décadas começaram a ser positivos desde 2013. Segundo o Eurostat, voltaram a registar-se défices crescentes: -0.01, -0.23, -0.16, -0.43 pontos percentuais do PIB de Novembro a Fevereiro. Convém recordar-se que défices nas contas externas significam um aumento da dívida total pública e privada ao estrangeiro – a dívida total líquida que no final de 2013 foi de 99,9% do PIB subiu para 101,5% dois anos depois (Fonte: Pordata).

Tudo isto já seria preocupante se a economia estivesse a crescer o que a gerigonça projectou (1,8%). Acontece que todas as outras previsões são inferiores, desde o FMI com 1,4% até à CE com 1,6%, passando pelo BdeP com 1,5% e a realidade está aí para atropelar a geringonça porque, segundo a estimativa do ISEG, o crescimento homólogo no 1.º trimestre deste ano foi ainda inferior (1,1%).

Quem já percebeu tudo foi a CE que no Post-Programme Surveillance Report, Winter 2015/2016 identificou a necessidade de medidas adicionais. Costa volta a meter a cabeça na areia e nega, argumentando que execução orçamental nos primeiros meses do ano registou um excedente – pois claro, as medidas do «re» ainda não estavam a produzir efeitos na despesa.

Onde é que já vimos este filme, com outros protagonistas mas o mesmo enredo e a mesma produção?

Há quem pense que em 2011 o problema estava nas agências de rating, em Angela Merkel, etc., e depois passou a estar na troika e no governo «neoliberal» e agora está em Bruxelas. É mais ou menos o mesmo que um bêbado crónico pensar que o seu problema é a família que quer interná-lo na Casa de Saúde do Telhal e o médico que quer que ele beba água em vez de briol e, não fora uma e outro, ele viveria feliz para sempre.

24/12/2015

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Here we go again (11)

«A taxa de poupança diminuiu para 4,0% (4,8% no trimestre anterior), o que corresponde ao valor mais baixo desde o 1º trimestre de 1999.»

Fonte: Contas Nacionais Trimestrais Por Setor Institucional (Base 2011) 3º Trimestre de 2015, INE
Aguardemos o efeito das políticas socialistas de incentivo ao consumo, cujos magníficos resultados durante as últimas décadas nos trouxeram até onde nos encontramos. Verifiquemos se temos à mão os números de telefone do Dr. Subir Lall - à falta do da Dr.ª Christine Lagarde.

19/12/2015

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Here we go again (10)

Duas notícias aparentemente não relacionadas que são exemplos de como voltámos a caminhar decididamente para afundar o país. Concedo que nos últimos quatro anos não abandonámos esse caminho – apenas o continuámos com menos convicção e um polícia por perto.

Primeira notícia: em menos de um mês os dois maiores armadores mundiais de porta-contentores (Maersk e Hapag-Lloyd) anunciaram que deixariam de usar o porto de Lisboa devido à frequência e duração das greves. Para já passarão a utilizar a apenas o porto de Leixões, até ver. Sabendo-se como é crucial aumentar o volume de exportações – agora ainda mais com as políticas de incentivo ao consumo da geringonça – são más notícias.

Segunda notícia: «Os imigrantes a viver no nosso país são mais empreendedores do que os portugueses, mostram as estatísticas. Produzem riqueza, criam emprego e contribuem para a Segurança Social. Conheça os números (e as histórias) que fazem o preconceito corar de vergonha».

25/09/2015

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Here we go again (9) - O último a sair apaga a luz e paga a conta

[Outros caminhos por que já caminhámos]

Fonte: PORDATA



Depois do susto dos primeiros sinais da crise a taxa de poupança das famílias aumentou significativamente, voltou a diminuir por via da «austeridade» e recomeçou a recuperar a partir de 2011. No 2.º trimestre deste ano a taxa de poupança das famílias baixou de 5,8% no 1.º trimestre para 5% do rendimento disponível, ou seja o rácio antes da bancarrota.

A capacidade de financiamento das famílias baixou igualmente de 2,7% no 1.º trimestre para 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB) nos 12 meses anteriores.

(Fonte: Contas Nacionais Trimestrais por Setor Institucional, INE)

Com o governo PS a estimular o consumo podemos pedir a troika para não arrumar os papéis e não desfazer as malas.

23/07/2015

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Here we go again (8) - Que se lixem as eleições

[Outros caminhos por que já caminhámos]

Um varrimento rápido pelas Estatísticas da Balança de Pagamentos e da Posição de Investimento Internacional publicadas esta semana pelo BdeP confirma a deterioração das contas externas com saldos negativos até Maio de mais de 100 milhões, saldos que no período homólogo do ano passado foram positivos de quase 370 milhões.

As razões podem encontrar-se (Estatísticas do Comércio Internacional, Maio 2015 do INE) no aumento das importações de bens (homólogo de 6,2% até Maio) nomeadamente nas categorias de Automóveis (crescimento homólogo nos últimos 3 meses de Março a Maio de 37,5%) e Bens de consumo (idem 16,3%). Surpreendentemente, dada a queda dos preços do petróleo, até na categoria de Combustíveis-Produtos Primários se verificou um aumento homólogo de 30,3%.

O que não é nada surpreendente é o aumento de 32,8% do número de carros vendidos no 1.º semestre em relação ao mesmo período do ano passado. Assim como não é surpreendente o aumento superior a 50% dos novos empréstimos para compra de habitação até Maio. Tanto no caso dos carros como no caso das casinhas, são sinais evidentes que vivemos acima das nossas posses.

Que se lixem as eleições, ou, mais exactamente, o governo a pretexto de ganhar as eleições está a ajudar que nos lixemos.

08/03/2015

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Here we go again (7)

O mês passado as vendas de veículos ligeiros aumentaram 31%, tendo sido vendidos cerca de 30 mil veículos nos dois primeiros meses. Segundo as previsões da ACAP as vendas de veículos ligeiros devem atingir 187 mil. Lá se vão uns 2 mil milhões de euros em importações ou 1,1% do PIB.

O que posso dizer sobre isto? Nada que não tenha já dito. Vou por isso repetir-me.

É certo que, com cerca de 4,5 milhões de veículos de passageiros em circulação com uma idade média de quase 12 anos, 187 mil novos veículos por ano são insuficientes para a renovação do parque automóvel que careceria de 400 – 500 mil por ano. Contudo, se por um lado cada novo automóvel significa pelo menos dezena de milhar de euros no saldo da balança comercial, por outro o parque automóvel português é desproporcionado em relação à população e ao poder de compra quando se compara com as médias europeias. É o resultado de incentivos errados desde a adopção do Euro: crédito artificialmente barato e fácil.

Com um parque com a dimensão actual, para se ter uma idade média compatível com a segurança – por exemplo 8 anos – seria necessário importar mais de meio milhão de carros novos todos os anos, ou seja uma quantia astronómica superior ao défice de 2013 ou a 3 anos de exportações da AutoEuropa. Mais um sinal de vivermos acima das nossas posses.

Disso resulta que, não se podendo reproduzir a primeira década prodigiosa deste século, por nos faltar o crédito externo, ou importamos menos automóveis e reduzimos gradualmente o parque automóvel à dimensão da nossa capacidade de o pagar ou aumentamos a exportação de outros bens. Sol na eira e chuva no nabal não será possível.

27/11/2014

Pro memoria (208) - O lóbi do regime do Estado clientelar reorganiza-se e contra-ataca (1)

«Mário Soares fez ontem tábua rasa do pedido do líder do PS aos militantes e disse à saída da prisão de Évora que José Sócrates está a ser vítima "de uma campanha" e de um "caso político"

«Não tenho dúvidas que este caso tem também contornos políticos", lê-se numa carta ontem enviada pelo advogado de José Sócrates, João Araújo, à TSF

«Daniel Proença de Carvalho acusou ontem (na TSF) Carlos Alexandre de ser o "super juiz dos tablóides" e lembrou que o magistrado, que agora em mãos o processo de Sócrates, "já podia ter sido promovido à Relação. Mas não, ele gosta é de estar naquele tribunal. E realmente compreende-se, o poder é tão grande"

(Fonte: Económico)

Continua dentro de momentos

14/11/2014

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Here we go again (6)


«O défice comercial português está a agravar-se 1,1 mil milhões de euros face ao ano passado. Uma evolução mais lenta das exportações não ajuda, mas o principal responsável é o crescimento das importações, motivado pela recuperação do consumo.

O que está a acontecer ao saldo comercial português? Estaremos a assistir a um retrocesso em relação às melhorias dos últimos dois anos? Os primeiros nove meses de 2014 trouxeram um agravamento de 1.111 milhões.

Importações aproximam-se dos níveis pré-troika

[Fonte: Negócios]

Quem é que se queixava que não havia crescimento porque o consumo não aumentava? Será muito difícil perceber que com a estrutura da procura privada em Portugal um aumento do consumo interno se repercute quase integralmente no aumento das importações?

15/09/2014

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Here we go again (5)

Confirmando as tendências recentes do comércio internacional de bens, nos 3 meses de Maio a Julho o aumento das exportações reduziu-se para 1,5% em relação ao período homólogo de 2013 e as importações aumentaram de 4,9%. Resultado: degradação de 427 milhões de euros do défice com redução de 2,7% da taxa de cobertura. (fonte: Destaque de Julho do INE)


Não é preciso procurar muito para encontrar a causa principal da degradação. O aumento das importações na rubrica Material de Transporte e Acessórios foi de 422 milhões de euros, quase exactamente o aumento do défice.




Quando se vê a tendência dos saldos negativos da balança comercial (bens e serviços) desde 1996 e se constata que rondaram em média os 10 mil milhões de euros (dos quais em média 15 mil milhões correspondentes a bens), percebe-se que são esses défices acumulados que geraram uma das maiores dívidas ao exterior em todo o mundo. E percebe-se que as melhorias iniciadas em 2011 que culminaram com um superavit de quase 3 mil milhões em 2013 (salvo erro, o segundo ou terceiro em mais de um século) estão em vias de se esfumar.

E se houvesse dúvida, os dados do Eurostat divulgados esta manhã confirmam que nos primeiros 7 meses o défice comercial foi o quarto percentualmente mais elevado na UE, atingindo 5 mil milhões de euros. Em apenas 7 meses foi invertida a recuperação das contas externas dos últimos 3 anos.

Se a isto adicionarmos um ano de eleições e um provável governo socialista hipotecado a promessas irresponsáveis, iremos ter saudades de troika e podemos começar a preparar o seu regresso.

18/06/2014

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Here we go again (4)

De acordo com Associação de Construtores Europeus de Automóveis (ACEA), nos cinco primeiros meses deste ano foram registados 60 mil veículos de passageiros, um aumento de 42% relativamente ao período homólogo de 2013, que contrasta com os 6,6% da UE.

É certo que, com cerca de 4,5 milhões de veículos de passageiros em circulação com uma idade média superior a 11 anos, 144 mil novos veículos por ano (correspondentes ao 60 mil até Maio) são insuficientes para a renovação do parque automóvel que careceria de 400 – 500 mil por ano. Contudo, se por um lado cada novo automóvel significa pelo menos dezena de milhar de euros no saldo da balança comercial, por outro o parque automóvel português é desproporcionado em relação à população e ao poder de compra quando se compara com as médias europeias. É o resultado de incentivos errados desde a adopção do Euro: crédito artificialmente barato e fácil.

Com um parque com a dimensão actual, para se ter uma idade média compatível com a segurança – por exemplo 8 anos – seria necessário importar mais de meio milhão de carros novos todos os anos, ou seja uma quantia astronómica superior ao défice de 2013 ou a 3 anos de exportações da AutoEuropa. Mais um sinal de vivermos acima das nossas posses.

Disso resulta que, não se podendo reproduzir a primeira década prodigiosa deste século, por nos faltar o crédito externo, ou importamos menos automóveis e reduzimos gradualmente o parque automóvel à dimensão da nossa capacidade de o pagar ou aumentamos a exportação de outros bens. Sol na eira e chuva no nabal não será possível.

21/05/2014

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Here we go again (3)

Infelizmente, há uma lei de Murphy recorrentemente confirmada: quando uma coisa pode correr mal, vai correr mal. Uma vez mais, é o que parece poder concluir-se da SÍNTESE ECONÓMICA DE CONJUNTURA Abril de 2014 ontem publicada pelo INE.

Depois de três trimestres consecutivos a crescer, o PIB caiu 0,7% no 1.º trimestre deste ano, por razões que não têm muito a ver com as explicações do governo. É certo que se reduziram as exportações de combustíveis da GALP (paralisação técnica da refinaria de Sines); não é certo que as exportações da AutoEuropa se tenham reduzido e, em qualquer caso, o facto determinante terá sido o aumento de mais de 8% das importações.

O consumo privado (sobretudo de bens duradouros) continuou a aumentar, ao passo que a Formação Bruta de Capital Fixo registou reduções. É particularmente preocupante o comportamento da FBCF em máquinas e equipamentos que continua anémica, sendo certo que a indispensável recuperação do investimento terá a curto prazo um impacto negativo nas contas externas a somar ao aumento da importação de automóveis e bens de consumo, inevitável com o cheiro a fim de austeridade e a excitação dos animal spirits consumistas.

Estará a recuperação da economia comprometida? Não necessariamente. Mas a um ano da eleições, com o governo que começou por dizer estar nas tintas para as eleições e acabou a deixar-se condicionar pelo calendário eleitoral, as perspectivas não são famosas.

02/05/2014

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Here we go again (2)

O equilíbrio das contas externas, depois de décadas de défices e endividamento crescente ao exterior, foi provavelmente o maior sucesso resultante da intervenção da troika. Foi mas já não é. Veja-se o quadro seguinte, resumo das Estatísticas da Balança de Pagamentos e da Posição de Investimento Internacional no Boletim Estatístico do BdeP publicado esta semana.


Como não podia deixar de ser, com todos os sinais do consumo a disparar, os resultados dos dois primeiros meses do ano apontam claramente para a degradação das contas externas por via do aumento do défice nos Bens, insuficientemente compensado pelo aumento do superavit dos Serviços resultante do aumento do turismo. E as coisas podem ser piores do que parecem, porque a comparação com o período homólogo de 2013 esconde a evolução favorável quase até ao fim do ano de 2013. Compromete-se assim a tendência para a redução dos passivos nas Posições de investimento internacional que se tinham reduzido de 507,1 em 2010 para 468,9 mil milhões (Quadro C.3.0 do BE).

Poderia dizer-se que o aumento das importações resultaria dos bens de capital indispensável para o investimento com vista a aumentar a capacidade de produção. Pois poderia, mas receio que se trataria de wishful thinking quando se vêem as Estatísticas de Comércio Internacional de Fevereiro 2014 do INE e se constata nos 3 meses terminados em Fevereiro ter a importação de bens de capital aumentado 233 milhões, enquanto a importação de automóveis e bens de consumo aumentou 512 milhões.

21/04/2014

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Here we go again

Fonte: Bloomberg
Para encontrar uma yield das OT a 10 anos inferior à do fecho de sexta-feira (3,736%) é preciso recuar 8 anos. Porém, não é caso para embandeirar em arco por várias e sensatas razões.

Desde logo porque há 8 anos as yields baixas resultavam mais do contexto dos mercados do que da confiança que a nossa situação inspirasse aos investidores. Nessa altura, o crescimento da economia era já medíocre, apesar do endividamento externo galopante, e ainda mais se à taxa de crescimento deduzíssemos a taxa de crescimento da dívida externa, como aqui fez Mário Amorim Lopes no Insurgente.

Ora se as nossas yields caíram para metade desde Setembro do ano passado, nuns escassos 7 meses, isso não se deve às nossas modestas realizações, quase todas perfeitamente reversíveis a curto prazo, nem se deve às profundas reformas que não fizemos, mas deve-se à procura de aplicações rentáveis por parte dos investidores cuja percepção de risco os está a conduzir a desinvestir nos países emergentes que viveram os últimos anos à boleia do boom de matérias-primas agora em fase de esvaziamento.

Expresso
De onde, devemos estar conscientes que a nossa dependência atávica da conjuntura internacional, que nos proporcionou dinheiro fácil e barato durante mais de uma década e nos conduziu a um endividamento pletórico, tem virtualidades de nos deixar enterrados nele remoendo a ilusão de que «desta vez é diferente».

Há vários sinais dessa ilusão, quer no governo, quer nas famílias. O governo prepara-se para aumentar o salário mínimo e afrouxar as reformas, já de si frouxas. As famílias estão a voltar à euforia consumista do passado: a poupança e depósitos estão a encolher; a classe média está a voltar em massa aos ginásios para queimar as banhas; as vendas de automóveis no 1.º trimestre aumentaram mais de 40% face a 2013; as reservas nas agências de viagens cresceram significativamente esta Páscoa. E não é apenas um fenómeno pontual – é a continuação de uma tendência já revelada no 3.º trimestre do ano passado.

18/04/2014

CASE STUDY: Correlation is not causation. However, nunca fiando…

«Scary 1929 market chart gains traction», Mark Hulbert, Market Watch

É certo que, se estabelecermos um paralelo entre a Grande Depressão de 1929 e a crise de 2008, hoje já não estaríamos em 1929 mas por voltas de 1934. Contudo, também é certo que a impressora do Quantitative Easing da Fed, há 5 anos a funcionar a todo o vapor, não funcionou na crise de 1929.

«The Light At The End Of The Quantitative Easing Tunnel», Jieming See, Seaking Alpha