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03/07/2025

O título do Jornal Eco parece mais um título de um jornaleco, que é como quem diz de um pasquim, e o governo do Dr. Montenegro parece o do Dr. Costa

Jornal Eco

Comentando a chusma de notícias nos jornais de ontem com títulos semelhantes ao acima, precisamente como aconteceu há dois anos nesta altura, reproduzo o post que então dediquei a esta demonstração de ignorância e má fé:
É uma espécie de mimetismo. Às 23.30 de quinta-feira o jornal Negócios dá a "notícia" de que a «portaria de condições do trabalho para trabalhadores administrativos, é assinada por oito ministros, e decide de forma administrativa os salários mínimos que se aplicam potencialmente a 94 mil trabalhadores que não estão cobertos por negociação» e quase todos os outros a repetem com títulos praticamente iguais que induzem nas meninges dos leitores que o governo irá pagar do bolso dos seus ministros a quase 100 mil trabalhadores do "privado", como eles dizem.

Ninguém explica e contextualiza a "notícia", esclarecendo que estamos perante um expediente chamado "portarias de extensão", pelo qual os contratos colectivos negociados pelos sindicatos (controlados pelo PCP) que representam 10% dos trabalhadores têm influenciado 90% dos contratos de trabalho, em empresas e sectores sem condições para pagarem a bitola das maiores empresas e continuarem competitivas. Por esta via, a concertação social tem tido principalmente o papel de defender os «direitos adquiridos» das corporações empresariais e sindicais, aumentar o desemprego e assim manter o statu quo.

Em Outubro de 2012, por pressão da troika, as portarias de extensões passaram a ter um alcance mais limitado que foi resposto em Abril de 2014.

11/11/2023

A pesada herança do Dr. Costa e dos seus governos

«António Costa demite-se do Governo e deixa:

A maior carga fiscal de sempre: 36,4% do PIB

A maior dívida pública de sempre: 276 mil milhões de euros

O maior número de portugueses sem médico de família de sempre: 1,7 milhões de portugueses

42,5% dos portugueses em risco de pobreza antes de transferências sociais

O menor número de processos findos nos tribunais portugueses desde 1985: 524 mil (com exceção de 2020, ano de maior impacto da pandemia) 

O ano de menor acesso dos cidadãos à justiça desde 1979: 484 mil processos entrados nos tribunais portugueses

O pior mês da história do Serviço Nacional de Saúde, nas palavras do próprio Governo

583 mil utentes em lista de espera para consultas

235 mil inscritos em lista de espera para cirurgias

32% dos utentes a serem atendidos para lá do tempo recomendado

Médicos e enfermeiros em guerra

Professores e auxiliares em guerra

Forças Armadas em processo de falência e com níveis operacionais em risco

Crise total na habitação, impossibilidade de os portugueses conseguirem casa para morar´

A própria Economia a começar a definhar, o último trimestre já foi de contração

Esta é uma fotografia real, com dados oficiais, de alguns dos mais importantes indicadores da sociedade que somos

É neste quadro que António Costa se demite.»

Inventário recebido via WhatsApp

24/06/2023

A arte de bem titular toda a notícia (6) - É comovente a comunhão de ideias do governo e da imprensa do regime


É uma espécie de mimetismo. Às 23.30 de quinta-feira o jornal Negócios dá a "notícia" de que a «portaria de condições do trabalho para trabalhadores administrativos, é assinada por oito ministros, e decide de forma administrativa os salários mínimos que se aplicam potencialmente a 94 mil trabalhadores que não estão cobertos por negociação» e quase todos os outros a repetem com títulos praticamente iguais que induzem nas meninges dos leitores que o governo irá pagar do bolso dos seus ministros a quase 100 mil trabalhadores do "privado", como eles dizem.

Ninguém explica e contextualiza a "notícia", esclarecendo que estamos perante um expediente chamado "portarias de extensão", pelo qual os contratos colectivos negociados pelos sindicatos (controlados pelo PCP) que representam 10% dos trabalhadores têm influenciado 90% dos contratos de trabalho, em empresas e sectores sem condições para pagarem a bitola das maiores empresas e continuarem competitivas. Por esta via, a concertação social tem tido principalmente o papel de defender os «direitos adquiridos» das corporações empresariais e sindicais, aumentar o desemprego e assim manter o statu quo.

Em Outubro de 2012, por pressão da troika, as portarias de extensões passaram a ter um alcance mais limitado que foi resposto em Abril de 2014. Ler aqui o que Ricardo Reis escreveu em Novembro de 2021 sobre este tema. 

01/12/2021

NÓS VISTOS POR ELES: A avaria da geringonça vista pela Economist ou de como a relevância da irrelevância pode voltar a ser irrelevante


«In Europe, parties can be tiny but still influential. Christian Democrats found themselves supporting decidedly unChristian ideals due to panic about those to their right. Crackdowns on asylum-seekers and cuts to welfare budgets were triggered by parties that mustered barely a tenth of the vote. The same logic works for the far left. In an age of fragmentation, any party that can win even 5% of the vote becomes relevant. Take Portugal. Antonio Costa, the Socialist but still centre-left prime minister, relied on both the Portuguese Communist Party and the Left Bloc to remain in office.

Parties do not always use this power well. The communists voted against Mr Costa’s budget, leaving elections likely early next year. It was an odd decision. The budget was stuffed with lefty spending pledges, such as increased pensions and free child care. Now the leftist parties face losses in an election, the polls suggest. Such cock-ups are common. In the Czech Republic, the Communist Party of Bohemia and Moravia opted to support Andrej Babis, a billionaire, as prime minister. Three years later, the party was kicked out of parliament for the first time since 1948.»

Lido aqui

23/11/2021

SERVIÇO PÚBLICO: Como uma lei iníqua dá ao Partido Comunista, através dos sindicatos que controla, um poder que os votos há muito deixaram de lhe dar

«Enquanto há 50 ou 100 anos a maioria dos membros dos sindicatos trabalhava no sector privado, em muitos países hoje a maioria dos membros dos sindicatos trabalha para o sector público ou para empresas diretamente ligadas ao Estado. Ou seja, os sindicatos deixaram de ser uma forma de os trabalhadores se unirem para ganhar poder negocial em relação ao seu patrão, que, sem sindicatos, tinha um poder quase monopsonista sobre alguns deles. Os membros dos sindicatos públicos ganham antes poder negocial sobre os restantes contribuintes, que estão muito menos organizados e dependem do Governo para zelar pelos seus interesses difusos.

Por fim, há um terceiro facto que é particularmente extremo em Portugal. Como o jovem economista Hugo Vilares tem documentado (com Addison, Portugal e Reis), em Portugal só cerca de 10% dos trabalhadores são membros de um sindicato. Mas a lei (*) impõe que 90% dos trabalhadores sejam afetados pelos contratos negociados por esses sindicatos. É difícil imaginar um maior défice democrático em Portugal. Há uma enorme discrepância entre os que têm voz nas negociações e aqueles que são afetados por elas.

Combinando todos os factos, temos que, se Portugal continuar a abrir a sua economia ao comércio internacional (como é inevitável, tendo em conta a nossa dívida externa), os sindicatos vão possivelmente praticamente desaparecer do sector privado. Ao mesmo tempo, protegidos pela lei, eles vão continuar a determinar as tabelas salariais por toda a economia e, graças a umas dezenas de milhares de associa­dos no sector público, vão conseguir bloquear serviços públicos essenciais usando greves. Junta-se a este panorama a suposta subordinação de uma fração significativa dos sindicatos aos interesses políticos do PCP, que tantos comentadores afirmam como sendo um facto. Se assim for, acabamos com um partido que caminha para ter menos de 5% dos votos, e, usando como seus peões menos de 2% ou 3% dos trabalhadores em Portugal, a conseguir bloquear a economia, influen­ciar quem ganha quanto e a dificultar seriamente quaisquer reformas, tudo ao serviço de impor em Portugal princípios marxistas-leninistas rejeitados em todo o mundo e com os quais quase nenhum português concorda. Talvez seja verdade, mas é de certeza uma situação perversa num regime democrático.»

Excerto de O PCP e os sindicatos, Ricardo Reis no Expresso

(*) O autor refere-se ao mecanismo das Portarias de Extensão previsto no Código do Trabalho, mecanismo cujo alcance foi limitado pelo governo de Passos Coelho e reposto pelo governo do Dr. Costa, por exigência dos comunistas para embarcarem na geringonça - ver o post SERVIÇO PÚBLICO: Regresso ao passado (continuação).

02/09/2021

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (94) - Não estavam habilitados a montar os cavalos-vapor

Há três meses escrevi numa crónica que ao Dr. Costa e ao seu ministro da Defesa, que comandam uma marinha que tem dois submarinos e apenas um está operacional e cinco fragatas e apenas uma está operacional, ocorreu-lhes torrar 8 milhões para comprar uma lancha para a guarda-costeira tripulada por guardas da GNR.

Expresso

O "Bojador", assim se chama a lancha, está agora encalhada na praia de Carcavelos e a GNR informa que é «nesta fase prematuro avançar com as causas da ocorrência. Para esse efeito será instaurado o necessário inquérito para apuramento das causas e circunstâncias da situação em apreço». Se fosse feito um inquérito-na-hora concluir-se-ia que as causas da ocorrência se devem aos marinheiros da GNR não estarem habilitados a montar os cavalos-vapor da lancha.

01/06/2021

Não há a certeza se Passos Coelho seria a melhor escolha para liderar uma alternativa vencedora à geringonça. Quem não tem dúvida são os geringonços

Entendamo-nos: Passos Coelho foi incomparavelmente melhor líder do PSD do que o Dr. Rio e muito melhor primeiro-ministro do que o Dr. Costa está a ser. Porém, para sermos honestos, temos que conceder que essa comparação vale pouco.

Como primeiro-ministro, Passos Coelho governou em condições penosas e num período muito difícil, tendo a bordo uma criatura inconfiável como o Dr. Portas, o da demissão irrevogável e do "argumentário". Não fez grandes asneiras, não sabemos se porque a troika não deixou ou de motu proprio. Fica para a pequena história a ridícula argolada de ter garantido que estava a ir além da troika, um disparate sem nome, porque não estava e ficou exposto à multidão dos idiotas açulados pela esquerdalhada que entendiam que uma troika só poderia querer a desgraça do Portugal dos Pequeninos - na verdade, estava a tentar salvar-nos de nós próprios, ou pelo menos das elites merdosas que nos governavam.

Por tudo isto, sendo uma escolha a considerar para uma sucessão higiénica do Dr. Costa, não está demonstrado que seja a melhor escolha possível. Quem não dúvidas que seja são os geringonços que espumam ódio só ao ouvir o nome da criatura e apostam contra ele todas as fichas. Se confiasse no discernimento da esquerdalhada concluiria que Passos Coelho é o melhor líder de uma alternativa vencedora à geringonça, mas não confio e não acredito que os inimigos dos nossos inimigos sejam necessariamente os nossos melhores amigos.

30/05/2021

O Estado Novo tinha uma Comissão de Censura Prévia, o Estado sucial do PS pretende uma comissão de censura a posteriori (2)

Uma continuação deste post com as palavras de António Barreto:

«É um dos piores sinais de evolução de um povo e das suas elites: colaborar na sua própria opressão. O despotismo nacional que sempre espreita e a falta de tradição democrática e liberal ajudam a explicar esta vontade de impor uma virtude, de regular a opinião, de filtrar crenças e de certificar convicções. Há, entre nós, muita gente que espera que o Estado (de direita ou de esquerda) se ocupe das consciências e da moral pública. Para bem de todos, com certeza.

Previsivelmente, esta lei presta atenção a todos os novos direitos, novos clientes e novos públicos, aos fracos e vulneráveis, às questões de género e de raça, a tudo quanto está na moda. E sobretudo à verdade e à virtude. Muito bem. Outros já fizeram o mesmo. Por exemplo, o famoso artigo 8º da Constituição de 1933, do Estado Novo de Salazar, dizia que “a liberdade de expressão do pensamento sob qualquer forma (…) é um direito e uma garantia individual do cidadão”. Mas também dizia que “leis especiais regularão o exercício da liberdade de expressão do pensamento (…) devendo prevenir preventiva ou repressivamente a perversão da opinião pública na sua função de força social e salvaguardar a integridade moral dos cidadãos”. (...)

Salazar não faria melhor! Salazar não fez melhor! Polacos, Húngaros e Turcos não fariam melhor! Fascistas e comunistas não fariam melhor. Porquê? Porque agora utiliza-se a democracia para fazer as mesmas coisas. Usa-se a democracia para fazer o serviço sujo. Recorre-se à democracia para manipular, orientar e proibir. Emprega-se a democracia para favorecer e privilegiar. Utilizam-se todos os meios e recursos democráticos para limitar, condicionar, espiar e vigiar!»

Excerto de A Inquisição, a Censura e o Estado

Nota: Ao contrário do que se pretendeu insinuar sub-repticiamente com as abundantes referências a iniciativas legislativas europeias e internacionais  no projecto de lei de aprovação da Carta de Direitos Fundamentais na Era Digital apresentado pelo Partido Socialista, o atentado à liberdade de expressão agora aprovado não resulta de qualquer directiva europeia ou internacional. Pelo contrário, essas iniciativas internacionais visam não o controlo dos conteúdos pelos governos, como a lei agora aprovada, mas garantir a protecção dos dados individuais, o acesso à internet e... a livre expressão.

12/05/2021

O Estado Novo tinha uma Comissão de Censura Prévia, o Estado sucial do PS pretende uma comissão de censura a posteriori

Em Julho do ano passado o grupo parlamentar do PS apresentou um projecto de lei de aprovação da Carta de Direitos Fundamentais na Era Digital, que teve contributos e pareceres de diversas entidades. O projecto foi discutido e a Carta aprovada no 9 de Abril na sua versão final por todos os deputados, excepto os grupos parlamentares do PCP, PEV, Chega a Iniciativa Liberal. No dia 8 de Maio o decreto da AR foi promulgado sem hesitações por S. Ex.ª.

Nos 10 meses entre a apresentação pelo PS e a aprovação pelo parlamento devem contar-se pelos dedos as referências públicas à Carta: a pesquisa Google ["Carta de direitos Fundamentais na Era digital" site:pt 2/07/2020 – 9/04/2021] apresenta 12 referências e não são conhecidas discussões públicas do tema.

A Carta atribui à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) o poder de apreciar queixas contra entidades que pratiquem a «desinformação», definida como

«toda a narrativa comprovadamente falsa ou enganadora criada, apresentada e divulgada para obter vantagens económicas ou para enganar deliberadamente o público, e que seja suscetível de causar um prejuízo público, nomeadamente ameaça aos processos políticos democráticos, aos processos de elaboração de políticas públicas e a bens públicos.»

A ERC, assim transformada numa espécie de Comissão de Censura a posteriori, aplicará o regime sancionatório da Lei n.º 53/2005, de 8 de Novembro que no seu artigo 67.º lhe permite «processar e punir a prática das contra-ordenações [que se regem] pelo disposto no regime do ilícito de mera ordenação social e, subsidiariamente, pelo disposto no Código de Processo Penal» [e] «ainda participar às autoridades competentes a prática de ilícitos penais». 

Os perigos que a Carta comporta são tão antecipáveis  que até a ERC no seu parecer sobre a proposta do PS chamou a atenção para vários riscos nomeadamente o de «uma limitação desproporcionada e injustificada da liberdade de expressão».

Imaginemos esta ferramenta na mão de uma comissão de apparatchiks nomeados por deputados de uma geringonça, formatados para encontrar narrativas falsas ou enganadoras, para processar e punir a prática das contra-ordenações e para participar às autoridades competentes a prática de ilícitos penais por gente desafecta ao regime, como se dizia no tempo da outra senhora.

[Reconheço que a Carta me passou despercebida - a mim e a quase toda a gente, pelos vistos - e só me dei conta por ter lidos estes posts do Blasfémias sobre o tema]

13/11/2020

Lost in translation (343) - No politiquês do Dr. Siza Vieira, ameaça à democracia é uma ameaça à ocupação do Estado Sucial pelo PS

«Particularmente num contexto em que já percebemos que a alternativa política e partidária que se pode configurar para alternar no poder — se estes três partidos não forem capazes de assegurar uma solução comum — é uma alternativa política que traz para o arco da governação um partido agora surgido que aposta em cavar as barreiras entre a sociedade portuguesa, protagonizando bandeiras, valores e princípios que seguramente o eleitorado que votou nos partidos da solução governativa anterior não se reconhecem e percebem a ameaça que isso constitui à democracia». 

Palavras do Dr. Siza Vieira a «acenar o papão do Chega», à boleia dos Açores, esquecendo que a alternativa política que o seu Chefe Dr. Costa trouxe para o arco da governação incluiu um partido comunista que nunca renegou o Gulap nem reconheceu os muitos milhões de vítimas causados pelo regime soviético e os seus satélites e trouxe ainda outro partido formado por grupúsculos de inspiração trotskista, maoista e bombista, uns e outros apoiantes de regimes autocráticos como o cubano e o venezuelano, e fê-lo percebendo bem a ameaça que isso constitui à democracia. Foi o preço a pagar para ele aceder e permanecer no poder encavalitado na geringonça.

29/11/2019

Se tivesse sido há quatro anos teríamos tido os futuros geringonços a rasgar as vestes, a gritar «assassinos» nas manifs, etc.


Morreram 17 mulheres na sequência de complicações na gravidez, parto ou puerpério. Só três destas mulheres tinham 40 anos ou mais. Directora-geral da Saúde está “preocupada”

05/11/2019

À esquerdalhada na Venezuela os protestos fazem-lhe sono, no Chile excitam-na

Deve ser porque a Venezuela já foi o país mais rico da América Latina e hoje o país mais desenvolvido é o Chile, com um PIB per capita 1,4 vezes o da Venezuela e está à frente em quase todos os indicadores dos países sul-americanos.

Só que há um pequeno problema: o Chile tem um governo de direita liberal o que faz salivar a esquerdalhada que não resiste a exercitar a sua prática da doutrina Somoza. Apesar de um regime liberal, o Chile é um país menos desigual do que uma Venezuela sob um regime socialista bolivariano, seja lá o que isso for. Para mais detalhes rever os posts da série obras do chávismo.

Leitura recomendada: «As consequências do liberalismo chileno», o excelente artigo no jornal Eco de Carlos Guimarães Pinto.

28/10/2019

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (3)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias


Um governo grande não é um grande governo

Estamos perante o governo com mais efectivos desde 1976: são 70-governantes-70, entre os quais 26 dos actuais deputados. Com os assessores e outros exemplares das outras espécies que parasitam os governos, estima-se que haverá emprego para quinhentos boys and girls. De onde a boutade que corre por aí: «estou confuso, o Costa prometeu um médico ou um secretário de estado para cada família

Tão amigos que nós fomos

Perante o numeroso governo, Jerónimo de Sousa fez uma apreciação mais própria de um novo inimigo do que de um velho aliado: «70 membros do governo. Se fosse para servir o povo, não via mal. Mas conhecendo a peça, diria que foi mais para se servirem do povo. Parece que em vez de procurarem pessoas para os cargos, procuraram cargos para as pessoas»

Novos amigos sucederão aos velhos

Diz a lenda que Churchill terá corrigido um conservador neófito explicando-lhe que na bancada oposta não estavam os inimigos, como ele pensava, mas os adversários. Os inimigos estão deste lado, explicou.

Para Rio, no PS também não estão os inimigos, estão os aliados. Os inimigos estão no PSD. É por isso, que se Rio continuar a liderar o PS-D , o PS só será derrotado pela realidade. É óbvio que Rio não é nenhum Churchill - a ser alguma coisa será um Chamberlain - e, lamento dizê-lo, não vejo no horizonte nenhum Churchill por aquelas bandas.

No Estado Sucial não há conflito de interesse. Há interesses em conflito

Terminou o conflito de interesses de Nuno Artur Silva que mudou o seu chapéu de administrador da RTP para o chapéu de secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media. Terminou, como é costume no Estado Sucial, com a venda à família da sua empresa Produções Fictícias.

23/10/2019

Ora aí está um título post mortem da geringonça

Expresso (Semanário de ex-reverência, for a while)
Dependendo do que se entenda por derrapar, há muito que a despesa pública derrapa. O que há de novo é que, por força da desafectação de uma parte dos efectivos do jornalismo de causas, o controlo das más notícias começou a derrapar. Quem se mete com o BE e o PCP também leva.

21/10/2019

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (2)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Temos estes princípios. Se não gostarem temos outros

Com a cambalhota do «virar da página da austeridade» e do combate à «obsessão do défice» para as «contas certas» e as cativações, a cambalhota do “em defesa do SNS, sempre” para o sufoco financeiro, e a cambalhota dos amores acrisolados com os berloquistas para os desamores, para só citar as mais populares, Costa já nos tinha mostrado serem os seus princípios bastante flexíveis. Ao contrário, os seus fins são bastantes estáveis e o número um é manter-se no poder. Foi supérfluo, por isso, dar mais uma cambalhota, como de expurgar com zelo todas as relações familiares do seu actual governo, depois de as ter defendido para justificar a promiscuidade no seu governo anterior.

Apreciamos a liberdade da nossa imprensa

O programa da RTP Sexta às nove de Sandra Felgueiras esteve suspenso durante o período eleitoral. Percebeu-se o porquê da suspensão quando a primeira edição a seguir às eleições veio lembrar os 11 arguidos do governo e revelar quatro novos suspeitos de crime relacionados com a concessão de lítio.

Entretanto, a edição seguinte, também sob o electrizante tema do lítio, veio a revelar ligações perigosas com o ministro Matos Fernandes e o seu ajudante João Galamba. Enquanto não encontra forma de o acabar, a direcção da RTP já começou a tomar medidas de emergência para limitar o abuso reduzindo a duração do programa para 20 minutos.

14/10/2019

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (1)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Et maintenant que vais je faire?

Durante 150 semanas publiquei a «Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça» à qual, por falta de comparência até então da avaria irreparável, sucedeu durante outras 58 semanas a «Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País».

Realizadas as eleições, os parceiros do PS na ménage à trois perderam no conjunto mais de 170 mil votos (os comunistas suportaram dois terços dessa perda), perdas que só parcialmente foram compensadas pelos 124 mil votos ganhos pelo PS - 124 mil depois de quatro anos de governação numa conjuntura irrepetível por longos anos é muito poucochinho, não é verdade Dr. Costa? Desses resultados desastrosos concluíram os parceiros do PS que afinal a relação poliamorosa tinha sido como a estória da fusão entre o porco e a galinha para fazer uma omelete de presunto em que os berloquistas e comunistas fariam o papel do porco.

Percebido qual o seu papel, os comunistas recusaram desempenhá-lo e os berloquistas imaginaram vender o seu presunto mais caro, preço que o PS não quis pagar. E Costa concluiu que só com um fornecedor o preço do presunto ficaria demasiado alto e encenou uma negociação cujo propósito ficou claro quando deixou de fora da equipa socialista Pedro Nunes Santos, o mestre-de-obras da construção da geringonça e seu putativo sucessor em concorrência com o favorito Medina.

Avariada assim, segundo parece, a geringonça e decidido a prosseguir uma espécie de serviço público gratuito com uma outra crónica, qual seria o seu título? Consumido pela dúvida, ocorreu-me que segundo a lenda o padre Bartolomeu de Gusmão fez várias experiências, quase todas mal sucedidas, com um zingarelho cuja configuração exacta se perdeu nos tempos, ficando para a história com o aspecto que um discípulo do padre, um infante que viria a ser o 2.º Marquês de Abrantes, desenhou com a concordância do mestre para confundir os curiosos. A esse zingarelho botaram-lhe o nome de Passarola de Gusmão. E foi assim que, decidido a continuar com uma crónica, a alusão à Passarola de Costa se me impôs com naturalidade.

11/10/2019

Títulos inspirados (88) - A grande realização do governo de Costa vai fraquejar, titula um diário da manhã


Nos quatro anos de geringonça até ao final do 2.º trimestre deste ano o número de utentes da vaca marsupial pública aumentou cerca de 41 mil de 659.144 para 690.494 [Síntese Estatística do Emprego Público (SIEP)]. Trata-se das consequências da obra mais significativa atribuível ao governo de Costa - a reversão para as 35 horas que não iria custar nada. O resto ou não tem importância nenhuma ou deve-se a uma combinação das seguintes quatro causas:
  1. a intervenção da troika; 
  2. as tímidas reformas do governo de Passos Coelho induzidas pela troika; 
  3. conjuntura internacional favorável; 
  4. o que resta de iniciativa na iniciativa privada do Portugal dos Pequeninos. 
Foi com o título acima que o diário da manhã Diário de Notícias anunciou que essa obra mais significativa vai fraquejar. Se for verdade, não vai sobrar nada para a posteridade.

06/10/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (208)

Outras avarias da geringonça e do país.

Esta é a última crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao país

Termina aqui, hoje, dia de eleições, esta crónica, depois de 207 edições, em que cada exemplar foi um número e cada número gostaria de ter sido exemplar, como o Pif-Paf que Millôr Fernandes publicou durante dez anos no Diário Popular.

Termina não porque cesse a avaria que infelizmente tudo indica vai continuar a ser infligida ao país por Costa e a sua clique socialista, entremeada com os restos do socratismo. É a última crónica porque a geringonça, ou pelo menos a geringonça com esta configuração, vai dar lugar a outra coisa, provavelmente mais capaz de infligir danos e, em qualquer caso, em condições diferentes que tornarão mais difícil o ilusionismo de Costa.

Ver-se-à na próxima semana se haverá outra crónica e, havendo-a, como será.

Quem se mete com o PS leva

A cena de Costa a ameaçar, espetando o dedo no nariz no velhote que o acusou de ir de férias na época a nos incêndios de Pedrogão Grande diz imenso sobre o próprio Costa, o PS e o país.

Primeiro, pela reacção sobranceira e ameaçadora de Costa que teve de ser travado pelos seguranças que, como se disse no programa «Gente que não sabe estar» (um nome muito adequado a esta clique do PS), estavam lá não para defender o Costa mas para evitar que ele desse porrada nos velhotes.

Segundo, porque mostra como Costa é um ilusionista ao indignar-se pela imprecisão do velhote. Na verdade, Costa não estava de férias na altura do incêndio. Se estivesse, isso seria uma coincidência e não teria sido grave. Não estava de férias, foi de férias depois dos incêndios, e isso, sim, é muito grave.

Terceiro, também diz muito sobre um país que, se fosse decente e exigente com os políticos que tem, Costa teria terminado aí a sua carreira.

30/09/2019

Crónica da avaria que a geringonça está a infligir ao País (207)

Outras avarias da geringonça e do país.

«Os portugueses não gostam de maiorias absolutas». Nós gostamos, mas fingimos que não gostamos

De tanto fingirem vão acabar a ter de gostar, porque até para os (alguns) eleitores portugueses há um limite e depois do desmoronar do castelo de Tancos de onde fugiram os ratos do regime, o PS vê mais longe a maioria absoluta. Uma semana depois, perde 3,5% nas intenções de voto e o PSD que chegou a 28,5% está agora nos 26,4% a 10,4% (fonte)

Tão amigos que nós fomos

Depois de ser pegado com Catarina Martins a propósito da paternidade/maternidade da geringonça que ambos disputam, Costa acabou a pegar-se com Rio que, depois de um ano e meio de grande convergência, viu no caso Tancos a sua oportunidade de aumentar a sua esperança de vida política concluindo o óbvio: ou bem Costa sabia e é mentiroso, ou bem Costa não sabia e é incompetente. De caminho, deixou cair mais um dos seus princípios éticos, na circunstância o de que se deve deixar funcionar a justiça e não antecipar condenações na praça pública.

O Estado sucial tem de ter instituições socialistas

Desde logo uma justiça compatível e daí a preocupação de Costa (Marcelo deu uma ajudinha) em não renovar o mandato de Joana Marques Vidal. Já está a dar frutos. O parecer do Conselho Consultivo da PGR pedido por Costa sobre a lei das incompatibilidades «inventou um novo método de interpretação das leis: a interpretação irreal. Ou seja aquela que mais se afasta da literal» confirmando o que mais convinha a Costa e à família socialista que parasita o Estado Sucial.