Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

30/04/2023

Para quem acha que a discriminação positiva é uma medida socialmente justa e eficaz, mais importante do que o acesso de mulheres da classe média-alta aos boards das grandes empresas, deveria ser discriminar positivamente os jovens pobres portadores de cromossoma XY

«Há uma dimensão final de desigualdade nos dados da saúde. A vasta maioria destas mortes por desespero é de jovens homens. Um facto conhecido é que a taxa de suicídio entre os homens é cerca de três vezes maior do que entre as mulheres. Também nas outras mortes de desespero, por overdose, armas ou acidentes de viação, os rapazes dominam com grande distância.

O livro “Of Boys and Men”, do escritor Richard Reeves (que urge traduzir em português), documenta sistematicamente a doença sistémica que atravessa os rapazes, sobretudo das classes mais desfavorecidas, nas sociedades modernas. Hoje, eles têm bastante menos anos de educação do que elas, são incapazes de ter um emprego ou uma relação estáveis, vivem consumidos por doenças mentais e eventualmente perdem a vida como jovens adultos de formas estúpidas e desesperadas. Nos dados da Universidade de Brown revelados há uns dias as hipóteses de um rapaz entrar são 50% maiores do que uma rapariga, tão poucos são os rapazes que se candidatam e tão esforçada está a universidade em ter uma turma com equilíbrio de género. A desigualdade entre rapazes e raparigas está fortemente relacionada com a classe social. Nas crianças de famílias no top 10% da distribuição de rendimentos nos EUA a diferença entre a taxa de frequência na universidade de raparigas e rapazes é de 5 pontos percen­tuais. Já nos 10% mais pobres a fração de raparigas que vai para a faculdade é 16 pontos percentuais maior

Ricardo Reis

[Esclarecimento: não preconizo a discriminação positiva em geral como medida socialmente justa e eficaz; em particular, isso dependerá da discriminação em causa.]

29/04/2023

Os equívocos do Programa "Mais Habitação", ou como tentar administrar uma medicação sem saber qual é a doença (3)

Continuação de (1) e (2)

O que chamamos "falta de habitação" é a diferença entre a procura e a oferta em certos locais, sobretudo as grandes zonas urbanas, e para certas modalidades de habitação: habitação própria, arrendamento ou ambas. Olhando pelo lado da procura, a opção pela modalidade habitação própria depende desde logo a facilidade de acesso ao crédito e das taxas de juro. Ora nos últimos 10 anos e até recentemente as taxas de juro resultantes das políticas monetárias do BCE foram artificialmente baixas o que tornou mais atractiva a opção compra.

Com o aumento das taxas de juros, ou melhor com o ajustamento aos níveis historicamente normais, a opção compra poderá tornar-se menos atractiva pelo lado da procura e para muitas pessoas que a escolheram por razões de custo com créditos hipotecários a taxa variável (quase todas), o aumento das amortizações mensais pode levá-las a questionar a sua opção. 

É o que parece estar a passar-se. Segundo a plataforma imovendo citada pelo Negócios, «a percentagem de novas casas colocadas à venda há menos de um mês aumentou cerca de 150% nas duas primeiras semanas de abril, comparativamente a janeiro passado».

Imaginemos que o "Mais Habitação", em vez de ser, como é, sobretudo uma campanha de agitprop inventada pelo Dr. Costa, era um plano sério para construir novas habitações para venda. Quando anos mais tarde essas habitações entrassem no mercado é provável que as preferências nessa altura já não fossem a compra mas o arrendamento. É mais um exemplo de como os grandes planos centralizadores para os problemas da habitação mais facilmente criam novos problemas do que resolvem os antigos.

(Continua)

28/04/2023

Dúvidas (357) - Deve o PR dissolver o parlamento ou demitir o governo se este governar mal? (1)

Imagino que não seja muito popular defender o ponto de vista que governar mal, ainda que esta fosse essa a opinião maioritária nas sondagens ou nos meios do comentariado, não é razão suficiente para o presidente da República demitir o governo ou dissolver o parlamento, ainda que a Constituição o permitisse (e é muito duvidoso que o permita).

É tão pouco popular que até agora só dei conta de Luís Rosa ter defendido essa opinião explicitamente no Observador

«Há duas ordens de razões para defender que a estabilidade é, até ver, o valor primordial. Comecemos pelas razões estruturais que são muito simples de explicar. Desde logo, o facto de o PS ter conquistado a maioria absoluta há pouco mais de um ano. Logo, o Governo tem clara legitimidade política para levar o seu mandato até ao fim.

O segundo ponto está relacionado com o facto de estarmos a falar de uma maioria absoluta de um só partido e de o primeiro-ministro António Costa ter sido relegitimado nas eleições antecipadas de janeiro de 2022.

E estas são duas grandes diferenças face ao contexto de 2004 — o exemplo que enche a boca do centro-direita. Isto é, o Executivo era então suportado por uma coligação de PSD/CDS que já tinha tido melhores dias e o então primeiro-ministro Pedro Santana Lopes não tinha sido eleito.

A razão mais importante, contudo, é outra: o país ficaria ingovernável no futuro, mesmo que viessem a existir outros governos de coligação ou governos de um só partido. Porquê? Porque bastaria que a oposição conseguisse criar uma série de casos e ‘casinhos’ na comunicação social, para nascesse automaticamente um cenário de eleições antecipadas.»

Concordo com as três razões apontadas por Luís Rosa, duas formais e a terceira política, mas encontro ainda outras razões não menos importantes para defender que o governo deve continuar, salvo se.

(Voltarei a este assunto)

27/04/2023

SERVIÇO PÚBLICO: "TAP - a bem da verdade sobre Neeleman e a privatização de 2015"

«TAP - a bem da verdade sobre Neeleman e a privatização de 2015

Governo, PS e alguma comunicação social têm acusado a privatização da TAP em 2015 de negócio duvidoso e Neeleman de pouco sério. A verdade é outra. Sobre a privatização, que foi limpa, redijo um livrei. David Neeleman é o 'entrepreneur' que funda a Morris Air, vendida à Southwest, a canadiana WestJet, a americana Jet Blue e a brasileira Azul, as três cotadas em bolsa, e a americana Breeze lançada em plena Pandemia e a ter sucesso. Na Airbus, Neeleman foi duas vezes cliente e abriu o mercado das companhias low cost, pondo fim ao domínio da Boeing. Na Airbus, a TAP é o cliente que vai falhar pagamentos dos Airbus A350 e, pior, um cliente perdido por estar em rota para a insolvência. 

Para a Airbus, Neeleman é pessoa credível com projeto de recuperação da TAP, cancelamento do contrato A350 e encomenda de frota nova de 53 aviões, hoje reconhecida como a mais adequada às rotas da empresa. O contrato A350 não é passível de cessão de posição contratual nem monetizável pela TAP, se o anular. Os novos preços geram mais-valia de $190 milhões para a Airbus, mas não é verdade que seja prejuízo para a TAP. Primeiro desmentido. 

A Airbus decide atribuir 'upfront cash credits' no valor de $226,75 milhões, para apoiar a recuperação da TAP uma vez privada, com condição da encomenda ser confirmada e não cancelada. Os aviões são vendidos a 'fair price value, que não inclui este valor: Na TAP, os $226,75milhõesnão são remuneradas, não podem ser reembolsadas antes de 30 anos e sempre por voto de 76% na assembleia geral. Tudo isto é validado por parecer da Vieira de Almeida em 2015.11.12. Segundo desmentido. 

Em 2016, a Reversão da Privatização transforma este componente do capital em divida da própria empresa para com acionista. A auditoria do Tribunal de Contas assinala, em caso de incumprimento insanável dos acordos, o Estado ter de reembolsar a Atlantic Gateway pelos créditos detidos, incluindo a capitalização 217,5 milhões (#152 da Auditoria, sintetizado). É esta decisão do Governo PS que, em julho de 2020, obriga Pedro Nuno Santos a pagar 50 milhões dos contribuintes a David Neeleman para que desista do reembolso. Para os adoradores da 'culpa', que eu não sou, esta não é de Pedro Passos Coelho, mas sim de António Costa. Terceiro e mais importante desmentido. 

Em 2022.08.11l e a pedido da TAP, uma sociedade de advogados dá parecer sobre a privatização de 2015 ... com base nas contas posteriores a 2016. É este parecer errado que alimenta a campanha contra a privatização de 2015 e Neeleman, por membros do Governo e muita comunicação social, o que diz muito sobre o Portugal de hoje. Quarto desmentido. 

Outra fonte destas notícias resulta da avaliação, a pedido da TAP, do preço dos aviões do Airbus, estimado em $224 milhões acima do fair market value. Não há contraditório junto de Airbus, da Parpública (que tem três avaliações independentes a confirmar o fair value price) e de Neeleman que recorda o intenso escrutínio em 2015 e a due diligence da Lufthansa em 2020 na falhada compra da sua quota. Pedro Nuno Santos batiza esta avaliação de 'auditoria' que não é. Falho de argumentos de negócio, judicializa a questão, enviando o processo para o Ministério Público, onde jaz em Segredo de Justiça, o que permite a qualquer um lançar suspeitas sobre Neeleman e a privatização. Quando pudermos comentar o documento, haverá o quinto desmentido. 

Para que conste, apoio a privatização da TAP a 100%, desde há muitos anos, com a integração num dos grupos da consolidação das companhias full service na Europa.»

SÉRGIO PALMA BRITO

Militante do Partido Socialista

Autor do livro A TAP depois de €3.200 milhões (em publicação) 

[Publicado no Jornal Nascer do Sol no dia 22-04]


26/04/2023

DIÁRIO DE BORDO: Elegeram-no? Então aguentem outros cinco anos de TV Marcelo (15) - Excedeu-se a si próprio, uma vez mais

Então aguentem outros cinco anos, uma espécie de sequência indesejada da série Outras preces (não escutadas).

Faria rir se não fosse uma vergonha para o Portugal dos Pequeninos
(se os portugueses pequeninos tivessem vergonha)

Consegue-se perceber que por razões de Estado S. Ex.ª condecore o marido Sr. Lula. A esposa D. Janja é mais difícil, até mesmo por parte de um catavento mediático que já vai na terceira condecoração de esposas.

A canceladora queixa-se que a querem cancelar

Público


Bem pode a Dr.ª Mortágua juntar-se ao mesmo clube do Dr. Boaventura, outro cancelador, este já cancelado.

25/04/2023

DIÁRIO DE BORDO: Um 25 de Abril impertinente. A tradição aqui ainda é o que sempre foi

O meu 25 de Abril foi o dia em que comecei a descobrir que as coisas não eram o que pareciam ser.

Em que comecei a descobrir que o país estava coalhado de democratas, socialistas e comunistas nunca antes vistos, nascidos nos escombros do colapso por vício próprio do edifício decadente do Estado Novo. Pouco a pouco, nos dias e meses seguintes, para minha surpresa, o coalho derramou-se pelo país numa maré do coming out, como lhe chamaríamos hoje. Em cada empregado servil, venerador, de espinha dobrada e mão estendida, havia um heróico sindicalista pronto a lutar pelos direitos dos trabalhadores e pelo «saneamento» do patrão.

Em que comecei a descobrir como tinha sido possível o marcelismo ter-se mantido de pé 6 longos anos, depois do Botas ter caído da célebre e providencial cadeira. Que nunca tinha havido uma oposição digna desse nome. Que a mole imensa do povinho lá tinha feito pela vidinha, esgueirando-se pelas frestas das fronteiras, pelas cunhas da tropa e pelas veredas das guerras do ultramar.

Em que comecei a perceber que o leitmotiv do drama não era uma ditadura suportada por uma direita retrógrada e infinitamente estúpida. Nem era uma ditadura provinciana, bafienta, decadente, de brandos costumes, que mantinha um número de presos políticos que envergonharia qualquer ditadura à séria (112, depois dum mês agitado de prisões).

Em que comecei a perceber que também não era a guerra colonial, que em 25 anos fez o equivalente ao número de mortos de 4 ou 5 anos de guerra rodoviária. Nem a guerra cujo fim foi uma humilhante fuga às responsabilidades (nem mais um só soldado para as colónias, berravam os bloquistas avant la lettre) que desencadeou em Angola, Moçambique e Timor a enorme hecatombe humana dos 20 anos seguintes.

Em que comecei a perceber que o leitmotiv do drama era a resposta à pergunta: como foi possível a uma tal ditadura manter-se quase 50 longos anos sem ter sido seriamente ameaçada?

Em que comecei a perceber que o 25 de Abril foi princípio do fim das nossas desculpas como povo. Que nada adiantaria sacudir a água do capote, e mandar a coisa para cima dos eles que escolhemos para nos desgovernarem.

E foi neste 25 de Abril que descobri que já não me restava pachorra para aturar, mais um ano, as comemorações do gang do esquerdismo senil que se julga proprietário da data.

[Este post foi publicado no trigésimo aniversário da chamada revolução dos cravos e republicado posteriormente. Hoje poderia escrever o mesmo, mas não foi preciso porque já estava escrito.]

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (63b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 63a)

Eu sei que um pateta terminal é inimputável, mas tudo tem limites

O Dr. Pedro Marques actual deputado europeu e antigo ministro das Infraestruturas, que como ministro só não se pode considerar um falhanço total porque foi sucedido pelo Dr. Pedro Nuno Santos, agora em licença sabática, faz parte da legião de boys neo-situacionistas. No remanso de Bruxelas, aproveita o tempo livre para fazer umas horas extraordinárias ao serviço do seu protector e foi nesse papel que produziu declarações sobre a “privatização desastrosa” da TAP e as “cortina de fumo” do PSD, isto no meio da nacionalização desastrosa da TAP e das cortinas de fumo do governo do seu protector. Até para ele é demasiado.

Num deserto de realizações, um dilúvio de anúncios. O descarrilamento

Na ferrovia como em todos os outros “projectos”, “desígnios” e “paixões” o governo do Dr. Costa descarrila. Obras na Linha do Norte entre Espinho e Gaia que eram para ter terminado no segundo trimestre de 2019 descarrilaram para meados de 2024.

Alguém se lembra que a redução do horário para 35 horas não tinha impacto orçamental

Em Fevereiro de 2016 o Dr. Centeno, hoje em repouso no BdP e à época ministro das Finanças, voltou-se para os deputados da oposição e disse-lhes que a redução para as 35 horas «não é discussão de natureza orçamental neste momento", o tema «só tem impacto» para a oposição. Também o Dr. Marcelo em Junho desse ano declarou que «promulga 35 horas mas envia para o TC se despesa aumentar».

Sete anos depois o número de funcionários públicos aumentou 80 mil e só no SNS o ano passado foram feitas 18 milhões de horas extraordinárias e 3 milhões nos dois primeiros meses deste ano.

Take Another Plan. Take 1 – Das caravelas do século XXI ao pechisbeque para compor a tesouraria

A TAP cuja nacionalização era para o Dr. Costa «tão fundamental para o país como foram as caravelas» vai agora ser privatizada e o sucessor do Dr. Costa celebra o facto de a privatização da TAP ir contribuir para a sustentabilidade das finanças públicas. O Dr. Medina, um cada vez mais digno sucessor do Dr. Costa, esqueceu de mencionar que essa suposta e certamente modesta contribuição para a sustentabilidade se segue a uma enorme contribuição de mais de 3 mil milhões de euros para a insustentabilidade das mesmas finanças públicas. Até para o Dr. Medina é demasiado.

Take Another Plan. Take 2 – Ao contrário do que se diz, o governo não ofende a verdade. Está demasiado longe para lhe causar danos

Primeiro havia um parecer jurídico que suportava a demissão por justa causa de Mme Ourmières-Widener. Depois esse parecer não podia ser divulgado porque apresentava "riscos da defesa" do Estado, segundo a ministra adjunta Dr. Ana. Dias depois foi dito que não havia nem precisaria de haver parecer jurídico.

Take Another Plan. Take 3 – O que é hoje verdade pode ser amanhã mentira

Em 6 de Março os Drs. Medina e Galamba assinaram uma deliberação para demitir Mme Ourmières-Widener e nomear o Dr. Luís Rodrigues. Confrontado com a irregularidade formal dessa nomeação o governo diz agora que diz agora que não foi “decisão final.

Take Another Plan. Take 4 – Há moralidade ou comem todos

Afinal não era apenas Mme Ourmières-Widener que utilizava o carro oficial para uso pessoal. O mesmo fizeram a Dr.ª Stéphanie Sá Silva, a mulher do Dr. Medina, sempre ele, a Dr. Alexandre Reis que renunciou/foi demitida (cortar ao gosto) com 500 mil, que mais tarde foi SE do Dr. Medina, outra vez ele, o CFO Dr. Pires, etc., um grande etc.

O Fundo que bateu no fundo

O Fundo para a Revitalização e Modernização do Tecido Empresarial (FRME) é um elefante branco criado pelo governo do Eng. Guterres antes de ele fugir do pântano. Depois de 24 anos “intervencionou” 16 empresas metade das quais “insolvente”, “inativa” ou “sem indícios de atividade”. O FRME está agora a ser auditado pelo TdC.

Chuva na eira e sol no nabal

«Desde 2018 e até 10 de abril foram emitidos 26 525 vistos D7, documento atribuído a pessoas que comprovem a existência de rendimentos próprios no seu país de origem». Ou seja, 27 mil “ricos” que só ano passado gastaram 3,6 mil milhões euros a comprar casas (fonte). Infelizmente isso contribuiu para aumentar o preço das casas e outras consequências negativas. Um dia o Dr. Costa vai atender ao apelo da esquerda e exigir que os estrangeiros endinheirados se deixem ficar na sua terra e apenas mandem o dinheiro para cá.

«Pagar a dívida é ideia de criança»

O endividamento da economia, ou seja, a dívida total das famílias e das empresas não financeiras aumentou em Fevereiro 7,6 mil milhões para 892 mil milhões, devido exclusivamente ao aumento de 9 mil milhões da dívida do Estado.

24/04/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (63a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

O Estado sucial em decomposição (continuação daqui)

A semana passada perguntei-me se alguém fez as contas ao que seria o crescimento do PIB sem os fundos comunitários. A Agência para o Desenvolvimento & Coesão fez as contas para o período 2015-2023 e concluiu que os fundos recebidos nesse período contribuíram para um aumento anual médio de 1,3% do PIB. Nesse período, o crescimento médio anual (incluindo 1,8% de crescimento previsto pelo governo para 2023) é de 1,98%, pelo que sem os fundos o crescimento anual médio no período 2015-2023 teria sido 0,68%.

A insustentável leveza da sustentabilidade da Segurança Social (actualização)

Há seis meses escrevi neste semanário o seguinte:

Como o país (isto é, as pessoas com pelo menos meia dúzia de neurónios a funcionar) se deu conta a semana passada, a Segurança Social passou em poucos dias da sustentabilidade ad eternum para o descalabro anunciado - ver aqui o vídeo da CNN com as sucessivas estórias contadas pelo Dr. Costa sobre este tema desde 2018.

Para justificar que a actualização automática das pensões não terá lugar em 2023, apesar de prevista na lei, porque, segundo o governo, anteciparia em cinco anos o défice da Segurança Social, a trafulhice chegou ao ponto de as projecções da ministra das Pensões apresentadas ao parlamento a semana passada omitirem mais de 1.300 milhões de aumento das receitas resultante da inflação e a redução das despesas com o subsídio de desemprego. Sem esquecer que tais projecções contrariam completamente o relatório de 21 páginas inserto no OE 2022, apresentado pelo ministro das Finanças e aprovado há 3 meses, onde se concluiu que o Fundo de Estabilização da Segurança Social sobreviria até 2060.

Seis meses depois o Dr. Costa, apertado pelas sondagens que mostram o descontentamento geral da populaça, decidiu derramar um maná de quase 600 milhões este ano e mais mil milhões de euros no próximo ano sobre a sua freguesia de reformados, montante equivalente a uns 8% do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social que se destina a prolongar por mais uns tempos a sustentabilidade da SS que a longo prazo está comprometida.

E da freguesia de reformados o Dr. Costa privilegiou com o seu maná precisamente os pensionistas mais abonados ao aumentar-lhes as pensões acima do que resultaria das regras de actualização.

Isto já não é do domínio da demagogia, é do domínio do ilusionismo que seria barato se não fosse a carga fiscal


O Dr. Medina, o herdeiro favorito do Dr. Costa, agora no ministério das Finanças, durante a apresentação do Programa de Estabilidade 2023-2027 anunciou que irá reduzir a carga fiscal em dois mil milhões depois de o ano passado a ter aumentado mais de 11 mil milhões. Se isto é demagogia, ter dito que seria até 2027 é um insulto à inteligência dos eleitores que dela dispõem.

Durante a mesma apresentação, o Dr. Medina anunciou ufano que o custo das medidas de apoio irão atingir a soma astronómica de 4,6 mil milhões, ou seja 42% dos 11 mil milhões do aumento das receitas fiscais o ano passado.

Os hospitais são todos iguais, mas há uns mais iguais do que outros

Já era há muito visível o afã socialista de acabar com a avaliação. Nas escolas a coisa já está bastante avançada, agora vão ser os hospitais públicos que deixarão de ser avaliados pela Entidade Reguladora da Saúde (ERS), o que nas palavras do antigo presidente da ERS é «um crime político, para esconder que os hospitais em parceria público-privada (PPP) eram melhores».

(Continua)

23/04/2023

Mitos (329) - O contrário do dogma do aquecimento global (XXIX) - Como explicar as mudanças climáticas no Saara à luz da ortodoxia ambientalista?

Outros posts desta série

Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os outros – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.

Nós aqui fazemos o possível para não ficar entalados entre o ruído da histeria climática que levada às suas últimas consequências conclui que o homo sapiens sapiens tem de ser erradicado para salvar o planeta, e o ruído das teorias da conspiração que consideram que o único problema sério com o ambiente é a histeria climática.

O texto seguinte é um excerto da entrada Sahara Desert da New World Encyclopedia a que cheguei depois de uma reflexão vagabunda sobre o tema controverso das causas das incontroversas mudanças climáticas. 

«O clima do Saara sofreu uma enorme variação entre húmido e seco nas últimas centenas de milhares de anos. Durante a última era glacial, o Saara era maior do que é hoje, estendendo-se para o sul além de seus limites atuais.[1] O fim da era glacial trouxe tempos mais húmidos para o Saara, de cerca de 8000 a.C. a 6000 a.C., talvez devido a áreas de baixa pressão sobre as camadas de gelo em colapso ao norte. 

Uma vez que as camadas de gelo se foram, a parte norte do Saara secou. No entanto, não muito tempo depois do fim das camadas de gelo, a monção, que atualmente traz chuva para o Sahel, veio mais ao norte e neutralizou a tendência de secagem no sul do Saara. A monção na África (e em outros lugares) é devido ao aquecimento durante o verão. O ar sobre a terra torna-se mais quente e sobe, puxando o ar frio e húmido do oceano. Isso causa chuva. Paradoxalmente, o Saara estava mais húmido quando recebeu mais insolação no verão. Por sua vez, as mudanças na insolação solar são causadas por mudanças nos parâmetros orbitais da Terra.

Por volta de 2500 a.C., a monção havia recuado para o sul, aproximadamente onde está hoje,[3] levando à desertificação do Saara. O Saara é actualmente tão seco quanto era há cerca de 13.000 anos.

Durante os períodos de um Saara húmido, a região tornou-se uma savana, e a flora e a fauna africanas tornaram-se comuns. Durante o período árido seco seguinte, o Saara reverte para condições desérticas. A evaporação excede a precipitação, o nível de água em lagos como o Lago Chade cai e os rios se tornam wadis secos. A flora e a fauna anteriormente difundidas recuam para o norte até as Montanhas do Atlas, para o sul para a África Ocidental, ou para o leste no Vale do Nilo e, em seguida, para sudeste até as terras altas da Etiópia e Quênia ou noroeste através do Sinai para a Ásia. Isso separou populações de algumas espécies em áreas com climas diferentes, forçando-as a adaptar-se.»

22/04/2023

TRIVIALIDADES: Le "jenou" qui est un genou

Começo por admitir que se este post tivesse como objecto um sujeito normal, digamos assim, que não fosse enfatuado e pesporrente, seria uma indignidade da minha parte.

Na sua rebarbativa crónica semanal, depois de tentar esforçadamente limpar a folha do Sr. Lula da Silva pelos seus dislates sobre a invasão da Ucrânia pelo seu amigo Vladimiro, o Dr. Sousa Tavares maltrata a língua de Molière e o belo filme Le genou de Claire de Éric Rohmer escrevendo a barbaridade seguinte:
 

Dúvidas (356) - Não será um poucochinho exagerado? (6) - O surto inovador e inventivo que nos assalta

Continuação de (1), (2), (3), (4) e (5)

Como de costume, com a divulgação dos dados do European Patent Office inicia-se um período de celebração, com um anúncio do governo no melhor estilo «portugueses no topo do mundo», celebração de imediato replicada pela imprensa amiga com a habitual louvaminha que não resiste à análise mais superficial. 
portugal.gov

Desde logo, porque com 290 pedidos de patentes em 2021, por cada três pedidos de patente aumentados o número de patentes portuguesas cresce 1%. Depois porque as 312 patentes portuguesas, das quais 15% de quatro empresas, representaram 0,16% total de cerca de 193 mil pedidos, 0,37% das cerca de 84 mil pedidos de patentes europeias, 5% das holandesas, 16% das suecas e 8 ou 9% das dinamarquesas, belgas e austríacas. É claro que há muitos outros países com menos pedidos, mas nada justifica o empolgamento.

Até a COTEC - Associação Empresarial para a Inovação - se deixou embalar, comentando em entrevista ao Negócios «a inovação está a passar de uma excentricidade a um hábito saudável das lideranças mais bem-sucedidas»

mais liberdade

É um juízo difícil de sustentar quando olhamos para o Índice Global de Inovação.

21/04/2023

ARTIGO DEFUNTO: Lucros pela primeira vez na história, titularam eles

Público

Sem se dar conta que celebrar os primeiros lucros de uma empresa com 72 anos é, só por si, o reconhecimento do desastre da gestão pelo Estado sucial de uma empresa pública que presta um péssimo serviço público, constantemente paralisada por greves, o Público e os outros jornais que celebraram o feito passaram ainda ao lado do facto de o lucro miserável de 8 milhões resultar exclusivamente de uma indemnização compensatória, ou seja, um subsídio pago pelo governo, de 80 milhões que representa 40% das receitas de 2022, subsídio sem o qual a CP teria em 2022 mais um prejuízo superior a 70 milhões, a acrescentar aos quase dois mil milhões de prejuízos acumulados e a dois mil e cem milhões de dívida financeira, que a transformam num zombie completamente falido.

20/04/2023

Mitos (328) - A lenda do macho português

A propósito das desventuras do Dr. Boaventura, já aqui e aqui tratadas no (Im)pertinências, foram gastos rios de tinta para o condenar. Menos tinta foi gasta para lhe limpar a folha e muito menos para o desculpar, não por falta de vontade, mas por falta de tomates, digamos assim, que o tema pede.

Entre as tentativas de lhe limpar a folha, conta-se uma do jornalista de causas Paulo Baldaia relativizando o alegado assédio à pala do Portugal dos Pequeninos ser, segundo ele, um «país profundamente machista». Ora, esquecendo o Dr. Boaventura, era aqui que eu queria chegar.

Na verdade, por muitos sujeitos que por cá vivem se autoconsiderem machistas não acredito que sejam mais do que uma pequena proporção do homo Lusitanicus. Mas o que entre as muitas coisas que Portugal não é, não é um país machista do ponto de vista da cultura dominante.

Aqui no (Im)pertinências pela mão do outro contribuinte, foram citados dezenas de vezes os estudos do antropologista holandês Geert Hofstede, baseados em  milhares de entrevistas em dezenas de países, comparativos das culturas desses países, que mostraram que na vertente masculinidade / feminilidade (*) Portugal é um dos países mais "fêmea" do mundo, de acordo com a predominância dos estereótipos comportamentais associados à masculinidade e à feminilidade.

(*) Isto foi explicado em vários posts, incluindo este, em que o Impertinente contraditou o Dr. Pacheco Pereira por uma declaração semelhante.

19/04/2023

QUEM SÓ TEM UM MARTELO VÊ TODOS OS PROBLEMAS COMO PREGOS: O alívio quantitativo aliviará? (77) Unintended consequences (XXIX)

Outras marteladas.

Recapitulando: o intervencionismo dos bancos centrais (Fed e BoE, copiados pelo BCE), adoptando o alívio quantitativo e as taxas de juro negativas ou nulas, desde o «whatever it takes» do Super Mario de Julho de 2012 criou oceanos de liquidez que impulsionaram os mercados de capitais e incentivaram o investimento em activos de risco, criando as condições para um processo inflacionário que só esperava um trigger que surgiu com a invasão da Ucrânia.

A necessidade de aliviarem os seus balanços, secarem os oceanos de liquidez e conter a inflação levou os bancos centrais a aumentarem as taxas de referência e passarem do quantitative easing para o quantitative tightening, que é como quem diz passaram da folga para o aperto.


O diagrama ilustra mais uma das consequências da folga seguida de aperto: as startups tecnológicas valem hoje menos do que o dinheiro que os venture capitalists lá aplicaram.

Não vos preocupeis, porque a TAP está há muito "estrangulada"

«Pilotos temem que dona da Iberia queira “estrangular” a TAP» titulou o Eco num artigo onde cita o presidente do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC) que «considera “muito preocupante” a entrada do grupo IAG, dono da British Airways e da Iberia, na corrida à reprivatização da TAP. Tiago Faria Lopes sustenta que o aeroporto de Madrid, que serve de hub à companhia espanhola, quererá estrangular a infraestrutura da capital portuguesa.»

Temos uma companhia de bandeira (*), que em quase oito décadas sempre foi uma empresa pública com gestão pública, excepto num brevíssimo período de oito meses de Junho de 2015 a Fevereiro de 2016, empresa que raramente teve resultados positivos e desde que foi renacionalizada pelo Dr. Costa irá receber um total de 3,2 mil milhões de euros de dinheiros públicos, perdão de dinheiros privados extorquidos pelo Estado sucial. Apesar desta situação desastrosa, é uma das companhias de aviação que melhor paga ao seu pessoal e lhes proporciona melhores benefícios, como viagens e estadias oferecidas a funcionários e família. 

Uma criatura normal, digamos assim, concluiria que no seu estado actual a TAP já está «estrangulada» pelo que o receio do Sr. Presidente do SPAC é supérfluo.

(*) Ver o post TAP, a companhia da bandeira do Dr. Pedro Nuno Santos de há dois anos como o ponto de situação à época.

18/04/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (62b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 62a)

A família socialista é muito unida

«A mulher de Medina tem como patrão Galamba. A mulher de Galamba tem como patrão Medina. Chama-se swing.» Foi assim que as “redes sociais” caluniaram o Dr. Medina e o Dr. Galamba. Felizmente temos o Polígrafo que pôs tudo em pratos limpos concluindo que a estória era três quartos falsa, pelo menos no que respeita à esposa do Dr. Galamba, visto que o Dr. Medina esclareceu que ela está no seu ministério ao abrigo do regime de mobilidade, de onde a expressão correcta seria A mulher de Medina ao abrigo do regime de mobilidade tem como patrão Galamba. Aguardamos ansiosamente o esclarecimento recíproco do Dr. Galamba.

Qual seria o problema? Pois se a Caixa é do Estado, o Estado é do PS e o Dr. Carlos Pereira é do PS

Dizem que a CGC perdoou uma dívida ao Dr. Carlos Pereira, o apparatchik socialista que está a tratar da CPI do TAP, e logo a oposição pede esclarecimentos, inquéritos e o diabo a sete. O Dr. Carlos protesta a sua honra (?), e diz que é uma calúnia, mas ainda que não seja, qual seria o problema?

Take Another Plan. Take 1 – Afinal a nacionalização sempre serviu para alguma coisa

O Dr. Costa está a aproveitar a revelação (parcial) do desastre que está a resultar da nacionalização da TAP liderada pelo Dr. Pedro Nuno para o denegrir. Não é justo. Afinal até grandes figuras da história asneiraram, como Winston Churchill que foi o considerado o primeiro responsável pelo desastre militar de Gallipoli em 1915, demitiu-se do governo e foi combater para as trincheiras em França como oficial de infantaria. Também o Dr. Pedro Nuno se demitiu do governo e foi de férias. Estou certo que, no lugar de Churchill, o Dr. Pedro Nuno teria ido combater a Alemanha, como mostrou quase um século no seu propósito de fazer tremer as pernas aos banqueiros alemães.

Take Another Plan. Take 2 – O Chairman atirou com a cadeira

O Dr. Manuel Beja começou por confessar com grande humildade que só aceitou o convite para chairman da TAP depois de ter falado com o seu marido, para de seguida durante várias horas acusar o governo de ter “perdido o norte”, a Dr. Christine de falta de “bom senso” e o grupo parlamentar socialista de se demitir do escrutínio e ter optado pela “protecção do governo”. Não fora o PS tratar com pinças o lóbi gay, o Dr. Manuel estaria condenado ao ostracismo até ao fim dos seus dias.

Take Another Plan. Take 3 – Em suma…

… de arremedo de companhia de bandeira a verdadeira companhia de bandalheira.

Os jornais listam as muitas escolas em que Dr. Hugo se graduou, mas a mais importante não foi mencionada

Por falar em TAP onde o Dr. Hugo Mendes, ex-secretário de Estado do Dr. Pedro, desempenhou o que no PCP se costumava chamar de controleiro, tem sido muito vilipendiado entre várias coisas pela sua ligação ao ISCTE – também chamado madraça do PS pelo seus detractores – onde se licenciou e se graduou mestre. E também falam que “frequentou” (don’t ask) o doutoramento em Sociologia em Warwick, mas ninguém fala da sua alma mater - a Mouse School of Economics e não o ISCTE.

«Pagar a dívida é ideia de criança»

Segundo os cálculos do ECO, «cerca de um terço da queda do rácio da dívida pública face ao PIB no ano passado ficou a dever-se apenas à subida da inflação».

Já é o mafarrico e já se sente o cheiro das brasas

Sendo certo que estamos ainda muito longe do desemprego que se seguiu à bancarrota oferecida pelo Eng. Sócrates e o PS, a verdade é que a taxa de desemprego portuguesa foi a que mais cresceu em 2022.

mais liberdade

Do aumento das taxas de juro, além do óbvio impacto no custo crescente do serviço da dívida pública, resulta a desvalorização da dívida pública emitida a taxas inferiores e detida pelos bancos e outras instituições, dívida que num único mês perdeu 3,6 mil milhões do seu valor de mercado. Sem esquecer outros riscos, como o de crise imobiliária, que ameaçam uma das economias mais endividadas do mundo (lá está, mais uma vez, portugueses no topo do mundo), foi assim que o Silicon Valley Bank (SVB) se afundou.

17/04/2023

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (62a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

O Estado sucial em decomposição

Acumulam-se as evidências da inviabilidade do Estado sucial administrado pelo PS. Até o semanário de reverência, sempre solícito, venerador e grato, titula na primeira página do caderno de Economia: «Portugal é a 13.ª economia mais lenta do mundo» (cá está, mais uma vez, portugueses no topo do mundo) e nas páginas interiores multiplica essas evidências: «PIB per capita em percentagem da média europeia está abaixo de 1995», apesar dos «157 mil milhões de fundos europeus» ao ritmo anual de mais de 4 mil milhões.

Vem a propósito perguntar: já alguém fez as contas ao que seria o crescimento do PIB, cuja média anual no período 1996-2020 foi 1,3%, sem cerca de 1,5% líquidos de contribuições para o orçamento da UE que o Portugal dos Pequeninos recebeu anualmente de 1996 a 2020?

O Estado sucial como máquina de extorsão

Vem também a propósito mostrar que o Estado sucial que se decompõe precisa de cada vez mais dinheiro para continuar a decompor-se.
Jornal Eco

Hospital da Mãozinha Cor-de-Rosa

Os estatutos da Cruz Vermelha dizem que é uma é uma «instituição humanitária não governamental, de carácter voluntário e de interesse público, que desenvolve a sua actividade devidamente apoiada pelo Estado». «Não governamental» seguido de «apoiada pelo Estado» significa em socialês oficial um departamento do Estado sucial.

O Hospital da Cruz Vermelha foi sempre uma quinta do PS. Falido e nacionalizado em 1998 pelo governo do Eng. Guterres, passaram por lá desde a Dr.ª Maria Barrosa, esposa do Dr. Soares, até ao Dr. Francisco Ramos, o coordenador da task force de vacinação que não era task, nem force, nem vacinação. Há muito falido, depois de lá enterrados muitos milhões pela Parpública, foi vendida no final de 2020 uma participação de 55% à Santa Casa da Misericórdia. Na altura em falência técnica, o HCV desde então já adicionou mais uns 15 milhões de prejuízos, dando uma preciosa ajuda para avariar as contas da Misericórdia que está a viver dos resultados do passado em risco de se esgotaram.

Ineficiente, sempre. Ineficaz quando possível

Alguém pode explicar porque esteve a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária sem serviço postal em cada um dos últimos três anos mais de 4 meses?

Num deserto de realizações, um dilúvio de anúncios (1) – A habitação que era para haver e não há

Uma das medidas do pacote Mais Habitação é a ressurreição das cooperativas de habitação que actualmente, sem intervenção do governo, fazem 16 casas por ano. Imagine-se o que farão com a intervenção do governo.

Num deserto de realizações, um dilúvio de anúncios (2) – O Dr. António “Oliveira de Figueira” Costa na Coreia

O Dr. Costa foi à Coreia do Sul tentar vender algumas ideias. Uma dessas ideias foi a dos coreanos investirem em Portugal para produzir semicondutores argumentando que Portugal tem «recursos humanos muito qualificados» para o design e possui já «a maior fábrica europeia» para fazer a embalagem final dos chips. Embalar os chips, ainda vá, mas terá o Dr. Costa um módico de noção do que é o “design” de chips? Se calhar imagina que é assim como o desenho de moldes para injecção plástica na Marinha Grande.

(Continua)

16/04/2023

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (56) - Todas as razões são boas para levar o nome do Portugal dos Pequeninos às primeiras páginas

Outros portugueses no topo do mundo.

«Jack Douglas Teixeira is a second generation Portuguese native. He is 21 years old, he was born in December 2001 and spent his childhood in the North American city of Dayton.

The nickname aroused curiosity. When The New York Times reported that Jack Teixeira, a military man in his 20s, was the author of a leak that revealed secret U.S. foreign policy documents, including confidential content about the war in Ukraine, the hypothesis arose that he was Portuguese. .

Confidence came hours later from a source more than 5,000 kilometers from Lisbon, across the Atlantic, from the Portuguese community: Jack Teixeira, who was detained by the FBI on suspicion of publishing confidential information that threatened security. … defense of the United States, he was of Portuguese descent, the grandson of the Azores, and lived on the outskirts of Fall River.» (Fonte)

15/04/2023

Eis o resultado das políticas socialistas de viver pendurado nos dinheiros da Óropa

Este blogue está quase a completar 20 anos e nesse longo período escreveram-se aqui dezenas de posts sobre a produtividade em Portugal que é baixa e, pior que isso, cresce mais devagar do que a maioria dos países mais pobres da UE, e sobre as consequências desastrosas disso. 

Desde a adesão à UE em 1986 os pastorinhos da economia dos amanhãs que cantam e as luminárias do regime vêm celebrando os dinheiros dos contribuintes europeus derramados sobre uma economia anémica parasitada por um capitalismo periférico e dependente, e continuam a lamentar os baixos salários como se fosse possível produzir pouco e ter salários altos.

O resultado é visível e tão visível que até um departamento do Estado sucial não pôde ignorar e em mais um estudo palavroso (*) inseriu as tabelas seguintes que mostram o caminho que tem vindo a percorrer o Portugal dos Pequeninos governado por diversas modalidades de socialismo.   
Como se pode ver, em 20 anos, dos quais o PS desgovernou durante 12 anos, a produtividade em relação à média UE ficou praticamente estagnada, de 63,6% passou 63,7%. Como exemplo, três dos sobreviventes do colapso do império soviético no mesmo período registaram aumentos de 39,3% para 91,8%, de 26,7% para 78,0% e de 28,5% para 76,0%. 

Pior é difícil.

(*) A produtividade das empresas em Portugal - Determinantes intrínsecas e de contexto, Centro de Competências de Planeamento, de Políticas e de Prospetiva da Administração Pública, Abril 2023, disponível em link.

14/04/2023

ESTÓRIA E MORAL: De cancelador a cancelado. As desventuras do Dr. Boaventura (II)

Estória

A estória dos alegados assédios pelo Dr. Boaventura aqui resumida continua a evoluir e além de mais pormenores de um dos casos citado no capítulo «Autoethnographic notes on sexual-power gatekeeping within avant-garde academia» do "estudo" publicado online, emergiu um novo envolvendo uma áctivista argentina a quem o Dr. Boaventura tentou meter-se em cima.

Este outro caso que data de 2010 não foi divulgado pela áctivista porque, segundo ela, lhe disseram que «ele é a esquerda em Portugal» e denunciá-lo seria «fazer o jogo» da direita. 

Moral

Se a hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude, o cinismo é a afirmação ostensiva do vício como virtude.
Olavo de Carvalho

13/04/2023

Dúvidas (355) - No Portugal dos Pequeninos o que distingue os "bolseiros de investigação científica" dos escriturários, perdão, "assistentes operacionais"?

«Os bolseiros de investigação científica vão manifestar-se esta quinta-feira, no Porto, contra a precariedade em que continuam a viver. A principal reivindicação é a substituição das bolsas por contratos de trabalho, uma vez que atualmente não lhes é garantido subsídio de refeição, de férias ou de desemprego.» (fonte)

Resposta à pergunta do título: os subsídios.

A localização do novo aeroporto de Lisboa é em qualquer sítio menos em Lisboa (ou talvez não)

Há várias décadas que é anunciado regularmente o esgotamento da capacidade do aeroporto da Portela, agora rebaptizado General Humberto Delgado em homenagem a um homem do Estado Novo reciclado, anúncio que habitualmente precede o do novo aeroporto de Lisboa que está para chegar.

E não chega porque regularmente são acrescentadas mais localizações possíveis ou combinações de localizações. As duas últimas foram Monte Real e Alcochete+Portela, o que faz até agora nove localizações possíveis.

A meu ver, Monte Real é definitivamente a melhor de todas porque com o TGV, que há-de chegar com El-Rei Dom Sebastião, a parar em Leiria, este aeroporto ficaria a 40 minutos de Lisboa e a 50 do Porto permitindo substituir pelo menos dois aeroportos e talvez também o de Beja e mais tarde o de Faro.

Para abrir espaço às novas localizações, vão sendo descobertos inconvenientes às antigas, como nos casos de Alcochete e Montijo que afectarão os maçaricos-de-bico-direito, o que certamente levará a abandonar estas localizações porque, diferentemente do que se fez com a A8 desviada uns kms por causa de uns casais de rato de Cabrera, ter-se-ia que rebocar um aeroporto para o interior e lá daríamos préstimo ao aeroporto de Beja que hoje só abre aos domingos e que, com a salvação dos maçaricos-de-bico-direito, abriria todos os dias e permitiria substituir a Portela e talvez Faro.

Ou então, não. E ficaria tudo como está, com a vantagem de não se torrar o dinheiro que bastante falta faz para manter 740 mil funcionários públicos, que constituem uma parte significativa da freguesia do PS. É precisamente a proposta do Dr. João Soares, proposta que tudo indica tem as maiores probabilidades de vencer por falta de comparência das outras opções.

12/04/2023

ESTÓRIA E MORAL: De cancelador a cancelado. As desventuras do Dr. Boaventura

Estória

Três pessoas portadores de cromossomas XX, vulgo mulheres, também conhecidas como seres do género feminino, denunciaram num capítulo, com o título «Autoethnographic notes on sexual-power gatekeeping within avant-garde academia», de um "estudo" publicado online, onde acusam de assédio sexual um portador de cromossomas XY, vulgo homem, também conhecido como ser do género masculino, citado como «Star Professor» quando trabalharam numa instituição não identificada.

Para encurtar razões, concluiu-se que a avant-garde academia é o Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra, uma instituição dedicada ao agitprop das teses sociais marxistas e pós-marxistas da esquerdalhada e que o Star Professor, não identificado pelo nome, era o Dr. Boaventura Sousa Santos, que confirmou ser ele o visado, mas protestando a sua inocência e lamentando ser alvo de «cancelamento», logo ele cujo trabalho "académico" tem consistido precisamente na tentativa de cancelar todo pensamento desalinhado com as suas teses.
 
Moral

Nunca o castigo tarda a quem o tempo avisa e se não guarda.

Nem só o Estado é amigo do empreendedor (17) - A maldição do jornalismo promocional. Depois do "primeiro avião 100% português" tripulado, "um dos maiores aviões não tripulados""

Outras maldições do jornalismo promocional.

O ano passado foi o «primeiro avião 100% português», este ano vai ser «um dos maiores aviões não tripulados do mundo», ou seja, um drone, mas "drone" desvaloriza o feito que o jornalismo promocional pretende inculcar no bestunto dos leitores, porque até a empresa do genro do Paxá Erdogan fabrica na Turquia milhares desses zingarelhos.
 
Perdoe-se-me a falta de fé nestas promoções jornalísticas que ao longo dos anos têm "beneficiado" inúmeros projectos e empresas que depois de alguns anos ao colo do governo de serviço vêm a revelar-se fracassos. Alguns desses casos têm sido citados e acompanhados pelo (Im)pertinências, particularmente na série das maldições do jornalismo promocional

Neste caso é a Tekever cujo responsável vai avisando «o país, através do PRR, está a ajudar a financiá-lo. Queremos que, tal como fazem todos os outros países, Portugal, depois, ajude a levá-lo para o mercado, tornando-se também um cliente de referência. Mais do que comprá-lo, é preciso usá-lo.»

11/04/2023

A realidade alternativa comunista só é explicável como um corolário do trilema de Žižek

Site do PCP / Trilema de Žižek 

Ou tal vez nem mesmo com o trilema se explique como pode o PCP responsabilizar pelo desastre da nacionalização (apoiada pelo PCP) a gestão privada de uma empresa que nos seus 78 anos de vida sempre foi empresa pública com gestão pública e apenas teve gestão privada (com apenas 50% do capital) durante oito meses de Junho de 2015 a Fevereiro de 2016.

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (61b)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

(Continuação de 61b)

Investimento público, a autoestrada mexicana do PS. Um insulto à inteligência dos eleitores que dela não forem desprovidos

Um quinto do investimento público orçamentado em 2022 não foi executado. É o expediente habitual: anuncia-se que o investimento executado foi 100 num ano e será aumentado para 110 no ano seguinte, 110 dos quais só serão executados 95; no ano seguinte anuncia-se um novo aumento de 95 para 105, dos quais só serão executados 100 e assim sucessivamente.

Num deserto de realizações, um dilúvio de anúncios (1) – A ferrovia que não havia

Usando as palavras do insuspeito Avante da Sonae, «atrasos do Ferrovia 2020 contaminam PNI 2030. Investimentos previstos para 2025 já somam 17 anos de atraso. Em 16 projectos de construção ou modernização de linhas, só um está em curso.» E o Plano Ferroviário Nacional que ainda está na fase de anúncios é nas palavras da Geota “pouco mais que uma lista de intenções de investimentos” com execução “imprevisível”.

Num deserto de realizações, um dilúvio de anúncios (2) – A ferrovia que havia de haver, mas talvez não haja

Segundo os empreiteiros, a ligação de Évora à fronteira poderá derrapar para 2025 e ficar sem financiamento dos fundos da Óropa.

Num deserto de realizações, um dilúvio de anúncios (3) – A habitação que era para haver e não há

O anúncio da Dr.ª Marina que substituiu o Dr. Pedro Nuno é que espera subarrendar de mil casas a arrendar a proprietários privados até 2026. A realização é o sorteio de 27 casas de arrendamento acessível em dez concelhos.

Num deserto de realizações, um dilúvio de anúncios (4) – A habitação que era para haver, não há nem haverá

«Transformar o Estado numa agência imobiliária é um desastre. Não há aqui uma política de habitação, há uma série de medidas atiradas ao ar», disse Victor Reis, que sabe do que fala, sobre o panfleto Mais Habitação.

Num deserto de realizações, um dilúvio de anúncios (5) – Torrar 3,2 mil milhões na TAP e poupar 300 milhões na fibra óptica

A ministra da Coesão Territorial anunciou que o governo vai investir 300 milhões na fibra óptica para cobrir todo o país. Só está à espera de autorização da CE para financiar 150 milhões.

«Pagar a dívida é ideia de criança»

Fonte

Depois do foguetório da «descida impressionante de quase 12 pontos percentuais» voltámos ao habitual: aumento de 23 mil milhões em quatro anos.

10/04/2023

Relato da fuga do Dr. Centeno aos resultados da sua obra. «O país está contentinho, as consequências virão a seguir.»

«Centeno conseguiu fugir quando devia.  Centeno é um bom economista. Sabia perfeitamente que a coisa ia rebentar, saiu antes de rebentar e está a rebentar no colo do seguinte. E Mário Centeno está confortavelmente no Banco Portugal a dizer o que lhe apetece. É uma jogada em termos de carreira, não podia ser melhor. Sair a meio da pandemia foi uma cobardia um bocadinho exagerada, talvez até vergonhosa, mas em termos de carreira percebo perfeitamente a sua jogada. E dominou perfeitamente o processo, não há dúvida que conseguiu um enredo perfeito para se apresentar como mago das finanças. Em termos de culto pessoal foi a melhor jogada de todas. Mas como economista sabia perfeitamente o que estava a fazer e sabia que estava a enganar as pessoas. Primeiro, estava a ser muito austero. Segundo, estava a aumentar essencialmente uma carga sobre a economia, prejudicando o desenvolvimento e cortando nos investimentos, mais uma vez prejudicando o desenvolvimento.  Centeno comprometeu o futuro do país para conseguir vender um mito aritmético de que era possível sem austeridade reduzir o défice. E é certo que conseguiu reduzir o défice, mas teve azar que saiu com o défice pior do que entrou devido à pandemia. Foi azar. O que é mau é ter conseguido enganar as populações com o aumento da receita, com o aumento da carga sobre a economia e com os cortes nos investimentos e nas despesas de manutenção que, . evidentemente, degradam a qualidade de serviço. O Estado degradou- se, descapitalizou-se durante esse mandato e continuou até hoje. Ao mesmo tempo, do lado privado, a banca e as empresas estão a fazer uma coisa parecida à sua maneira, porque estão a tentar manter artificialmente níveis de consumo, vendendo as empresas ao estrangeiro, reduzindo a poupança e reduzindo o investimento. Estes 25 anos estão a comprometer a situação do futuro e isto foi feito com os olhos abertos. Não foi feito por engano. Foi uma opção e essa opção foi abençoada por uma maioria absoluta. Quem sou eu para dizer que está errado? O país está contentinho, as consequências virão a seguir.»

João César das Neves, economista e professor da Católica, em entrevista ao Jornal Nascer do Sol

Semanário de Bordo da Nau Catrineta comandada pelo Dr. Costa no caminho para o socialismo (61a)

Continuação das Crónicas: «da anunciada avaria irreparável da geringonça», «da avaria que a geringonça está a infligir ao País» e «da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa». Outras edições do Semanário de Bordo.

Quando o Dr. Costa diz algo certo, logo emenda a mão e faz o costume

O mês passado ainda o Dr. Costa tentava culpar os supermercados pela inflação dos produtos alimentares, dizia que baixar o IVA não é boa medida, como se via pelos resultados em Espanha onde desde Janeiro o Dr. Sanchéz a tinha aplicado. Esgotada a tentativa de culpar os supermercados, o governo do Dr. Costa adoptou a mesma medida que como demonstra o estudo «La reducción del IVA en los alimentos básicos: evaluación y recomendaciones» de uma equipa da ESADE, é uma má alternativa à transferência de rendimentos para as famílias pobres.

Take Another Plan. Take 1 – “Bode expiatório”, disse Mme Ourmières-Widener

Não vale a pena contar a estória deliciosa da audição da CEO que já foi contada muitas vezes com maior ou menor pormenor e pode ser lida em quase todos os jornais, por exemplo aqui ou aqui. O Dr. Medina bem tentou sem sucesso que o escândalo ficasse intra muros, convidando a Mme Christine a demitir-se na véspera de ser demitida, mostrando a mesma confusão conceptual entre renúncia e demissão que já tinha ocorrido com a Dr.ª Alexandra Reis.

Take Another Plan. Take 2 – O braço direito do Dr. Pedro Nuno

Com as revelações na CPI de Mme Ourmières-Widener, a “bode expiatório”, ficaram a conhecer-se as instruções à CEO da TAP do Dr. Hugo Mendes, o outro braço direito, oriundo do ISCTE, a madraça do PS, instruções que incluem considerações sobre S. Ex.ª o Dr. Marcelo, que tanto pode ser o melhor amigo, como o pior inimigo do governo do Dr. Costa.

Take Another Plan. Take 3 – As “divergências” da Drª Alexandra com a “bode expiatório”

Esta é outra parte da estória não menos emocionante em que a Dr.ª Reis, que saiu aconchegada com 500 mil euros para ir trabalhar com o Dr. Medina, relata a parte que a Dr.ª Christine compreensivelmente omitiu.

Take Another Plan. Take 4 – No Portugal dos Pequeninos quem mandam são as secretárias

Também se ficou a saber que Mme Ourmières-Widener tinha sido convocada pelo PS para uma reunião de “preparação” da audição da CPI em Janeiro passado, que o coordenador do PS na comissão da CPI da TAP também convocado para a reunião disse ter sido um convite que «veio da secretária».

Take Another Plan. Take 5 – Manobras evasivas, o braço direito de David Neeleman

Quanto mais se sabe mais sobre os escândalos na caravela do Dr. Costa, mais o «gabinete de comunicação» produz nevoeiro para ocultar as proporções do desastre. Agora é o acordo de pré-reforma do braço direito de David Neeleman, braço que foi recrutado em 2017 por Fernando Pinto, o homem de confiança contratado pelo Dr. Jorge "Quem se mete com o PS leva" Coelho em 2000.

«Em defesa do SNS, sempre» / «O SNS é um tesouro»

Um novo recorde batido: 1,6 milhões de “utentes” sem médico de família, dos quais 1,1 milhões na região de Lisboa e Vale do Tejo.

«Empresa Financeiramente Apoiada Continuamente (pelo) Estado Central»

Enquanto o governo reza para conseguir empandeirar a EFACEC, as receitas desceram de 224 para 183 milhões, o EBITDA desceu de -39 para -91 milhões e o elefante branco está em situação de falência com o governo a já lá ter torrado 210 milhões, a que se somarão muitos mais milhões para o successful candidate, como costumam dizer os anúncios de recrutamento, aceitar a encomenda.

(Continua)

09/04/2023

Depois de 49 anos de Estado sucial e de 36 anos de Óropa, as várias modalidades de luso-socialismo deixaram o Portugal dos Pequeninos neste estado

EU Regional Competitiveness Index 2.0 - 2022 edition
GDP per head in PPS (average 2018 - 2019- 2020)

A região mais rica de Portugal é apenas um pouco mais rica do que a média das 233 regiões da UE e todas as outras estão na metade mais pobre dessas regiões.

Vejamos agora o que se passa ao nível dos concelhos. 

5 concelhos concentram mais de um quinto do poder de compra (baseado no sales index da Marktest) de Portugal Continental; os concelhos de Lisboa, Porto e Sintra, representam mais de um sexto, 12 concelhos representam um terço do poder de compra, e os 27 concelhos identificados no mapa representam metade do poder de compra. 

Esses 27 concelhos representam 7% da área total do Continente, 49% da população residente, 28% do parque habitacional, 48% da atividade do Multibanco, 47% dos estabelecimentos comerciais, 59% dos registos de automóveis, 45% do consumo de eletricidade, 71% dos médicos. 51% das empresas nacionais, 58% dos trabalhadores ao serviço nessas empresas e 30% dos alojamentos turísticos (incluindo alojamentos locais) (fonte).

Esclarecimentos:

Ao 1.º comentário: o sales index da Marktest foi criado há apenas 30 anos (vem a propósito dizer que fui um dos primeiros utilizadores); as regiões NUTS (Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos) do Eurostat só começaram a ser usadas em Portugal em 1989; não é assim possível fazer comparações com a situação de há 50 anos.

Ao 2.º comentário: os mapas devem ser analisados em conjunto com o quadro que tem o PIB per capita PPP o qual varia na proporção de 1 para 1,7 nas regiões NUTS. Além disso, os mapas e o texto que os acompanha mostram uma concentração ainda maior: menos de 2% dos concelhos representam 20% do poder de compra, poder de compra que tem uma correlação fortíssima com o PIB e o rendimento per capita.