Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

31/07/2020

A lavandaria socialista já está a funcionar no Novo Banco


Foi este o título do diário da manhã DN sobre o relatório do TdC, É uma leitura abusiva do relatório mas está em linha com a campanha de lavagem em curso para branquear as responsabilidades do governo no acordo de venda do BES "bom" com o fundo Lone Star.

De facto como escreveu o jornalista António Costa (não confundir com o primeiro-ministro) no jornal Eco (O Novo Banco é uma história velha?) «os mecanismos de acompanhamento e de fiscalização criados para garantir o cumprimento dos termos do acordo não agradam a ninguém, desde logo ao Governo (e o atual governador, Mário Centeno) que os exigiu quando negociou os termos da venda. Bem pode o PS agora atirar areia para os olhos dos contribuintes com os nomes de Carlos Costa e de Sérgio Monteiro, mas quem assumiu o negócio, e até deu uma conferência de imprensa a anunciar as virtudes do acordo, foi António Costa (com Mário Centeno ao seu lado). Agora, o primeiro-ministro pede a intervenção da PGR num banco em que uma entidade pública (o Fundo de Resolução, liderado por Máximo dos Santos) tem 25% do banco e a responsabilidade de aprovar as vendas que são feitas. Há ainda uma comissão de acompanhamento de que nos lembrámos apenas por causa de uma prestação parlamentar do seu presidente (que é para recordar, mas não é pelos melhores motivos).»

No caso do Banif a lavagem é ainda mais escandalosa, como se pode ler neste post do Natal de 2015 com o título «Banif, o presente de Natal socialista. Nele se registou que Mário Centeno se vangloriou que o seu governo «fez em três semanas o que o anterior não fez em três anos»: salvou accionistas, obrigacionistas e grandes depositantes e fez os contribuintes pagar 1,7 mil milhões de euros, pelo menos.

O impacto da bazuca de Merkel-von der Leyen no Portugal dos Pequeninos (1) - Pensamento milagroso

Expresso, CE 25-07-2020
À primeira vista, o diagrama acima mostra que o aparente alívio do Dr. Costa e a sua foguetada são justificados. Ele vê a coisa como a garantia de uma bonança até ao final da legislatura e, quem sabe, um trampolim para uma eventual candidatura a Belém em 2026.

À segunda vista a coisa parece menos promissora. É verdade que Portugal irá receber 57,9 mil milhões (mM) em 10 anos, mas apenas 15,3 mM serão subvenções e quase 3/4 serão empréstimos que terão de ser reembolsados. Aliás, para sermos rigorosos, até mesmo as subvenções que saem do orçamento comunitário terão de ser financiadas por contribuições de todos os países, incluindo os beneficiários.

Acresce que estamos a falar de valores brutos, sem descontar as contribuições para o orçamento comunitário. Se compararmos com o período de 20 anos de 2000 a 2020, Portugal recebeu um valor líquido de 51,8 mil milhões equivalente a uma média anual de 2,5 mM superior em quase 40% à do Plano de Recuperação Europeu.

Durante esse período de 20 anos a dívida pública aumentou de 70 mM para mais de 260 mM, ou seja um incremento de 190 mM e nos últimos 10 anos teve um incremento de 80 mM que foram torrados com o resultado conhecido. Também em 10 anos, da bazuca sairão 40 mM de empréstimos ou seja metade do incremento líquido da dívida pública nos 10 anos anteriores.

Se considerarmos que nos últimos 10 anos o crescimento do PIB foi positivo, apesar de medíocre (média anual de 0,5%), enquanto que, na estimativa super-optimista do governo, o PIB cairá este ano 9%, ou seja quase o dobro do montante das subvenções para os próximos 10 anos, temos de concluir que a salvação pela bazuca é puro pensamento milagroso, de resto, uma especialidade socialista. 

(Continua)

30/07/2020

Manifestações de paranóia/esquizofrenia (35) - Já chegou à nomenclatura do regime. E os outros animais são tutelados por quem? Porque não o primeiro-ministro?

Outras manifestações de paranóia/esquizofrenia


«Morte de cães e gatos devido a incêndio que afetou abrigos ilegais em Santo Tirso leva Governo a passar as competências sobre os animais de companhia da Agricultura para o Ambiente. Ao Expresso, o ministro Matos Fernandes explica que vai ser criado um novo cargo relacionado com a decisão e admite que "o país não estava a fazer o melhor que poderia fazer»"

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva. (32) - Há infectados que não foram testados? (5)

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva e é uma continuação dos posts "Há infectados que não foram testados?" (1)(2), (3) e (4).

Em retrospectiva: deve-se distinguir-se a taxa ou coeficiente de letalidade, que relaciona o número de óbitos com o número de infectados, e a taxa de mortalidade que relaciona o número de óbitos causados por uma epidemia com a população, num caso e noutro com referência a uma determinada área (mundo, pais, região, cidade, etc.). Acumulam-se dados mostrando ser o número real de infectados muito maior do que os infectados testados.

Testes sorológicos em Nova Delhi realizados entre 27 de Junho e 10 de Julho pelo National Center for Disease Control permitiram estimar que 23,5% da população da cidade possui anticorpos contra o Sars-Cov-2, isto é 3,8 milhões de pessoas do total de 16 milhões. Como até à altura em que foi conhecido o teste tinha sido registadas cerca de 3.600 mortes, a taxa de letalidade seria inferior a 0,1%, comparável à da gripe comum.

Segundo a newsletter da Spectator, estes números revelam que o Covid-19 parece estar a ser muito menos mortal nos países em desenvolvimento do que na Europa e na América do Norte, não se confirmando os receios dos menores recursos de saúde conduzirem a um número de mortes muito mais elevado. A explicação pode ser estirpes menos mortais do vírus, populações mais jovens, um menor índice de obesidade ou ainda que uma hipotética exposição no passado a um coronavírus semelhante possa ter determinado alguma imunidade.

CASE STUDY: O caso da Nova SBE versus o caso do ISCTE

Para quem não saiba, a Nova SBE foi acusada de limitar a liberdade de expressão ao recomendar aos professores que não assinassem artigos de opinião envolvendo a escola. A ocasião foi a economista Susana Peralta que escreve no Público e a consequência foi o equivalente a meter a vara no ninho de vespas. No mesmo dia a comentadoria do regime começou a malhar na suposta cedência da Nova SBE às empresas privadas que são mecenas da escola e financiaram a maior parte do campus de Carcavelos. Poucos dias depois, Daniel Traça, o director da escola que deveria estar em regime de exclusividade, foi criticado por ser administrador não executivo do Banco Santander, apesar de autorizado. Na semana seguinte, outra vez pela pena da antiga namorada e companheira de férias do Sr. Eng. Sócrates, um expoente da comentadoria independente, voltou a zurzir-se na Nova SBE.

Pelo meio dos episódios citados, áctivistas de várias universidades publicaram o abaixo-assinado «Contra a higienização académica do racismo e fascismo do Chega» e defenderam que na universidade deles não deveria ter lugar o autor do estudo em causa Riccardo Marchi, professor do ISCTE.

As reacções do áctivismo a estes dois casos é muito interessante porque revela a dualidade subjacente. No primeiro caso, a proximidade entre a universidade (pública) e as empresas privadas é em si mesma condenável e não carece de demonstração. Pelo contrário, no segundo caso a presença e controlo da universidade (pública) pelo áctivismo ideológico e partidário são em si mesmos perfeitamente legítimos, como é positiva a consequente tentativa de censura do trabalho universitário.

Trato este tema com atraso a propósito do artigo "Liberdade académica" de Luís Cabral, professor da Universidade de Nova Iorque e da ESE Business School, no Expresso do fim de semana passado, que põe em confronto os dois citados casos e se foca sobre a questão central do governo das universidades, do qual respigo os parágrafos seguintes.

«A parte mais interessante do caso é o problema do governo. Há dois perigos no governo das instituições académicas, perigos que de alguma forma se relacionam com os casos do mês: primeiro, o perigo do mecenato académico, o perigo de que o apoio de instituições privadas comprometa a liberdade e isenção académicas (ver caso Nova). Segundo, o perigo do corporativismo, o perigo de que a academia como colégio de professores se cerre sobre si própria numa fortaleza que efectivamente veda o acesso à variedade de opinião (ver caso ISCTE).

O caso da Nova preocupa-me menos: iniciativas inovadoras inevitavelmente sofrem acidentes de percurso. Por um lado, exigir ou mesmo recomendar que os professores escondam a sua afiliação académica faz pouco sentido: o leitor entende perfeitamente que o que escrevo aqui é a minha opinião, não a opinião da Universidade de Nova Iorque. Por outro lado, conflitos de interesses com empresas doadoras existem, e espero que a Nova SBE proceda às medidas necessárias, quer no que respeita à transparência com que as coisas são feitas, quer no que respeita à interferência dos mecenas no governo da instituição.

O caso do ISCTE preocupa-me muito mais pois reflecte o paradigma português. Enquanto que, desde o princípio, a Nova SBE (então FEUNL) se preocupou por contratar professores ‘de fora’ (incluindo eu próprio em 1983), a típica universidade portuguesa é um clube de professores que contrata os seus próprios discípulos, um incesto intelectual que resulta numa hegemonia ideológica com contornos de cancel culture.»

29/07/2020

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva. (31) Com dados errados não há decisões certas

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.

O artigo «The fatal mistakes which led to lockdown - Modelling is no substitute for quality data and research» do médico John Lee, professor de patologia recém-aposentado e ex-patologista consultor do NHS, de quem já citei vários outros, mostra como decisões cruciais relativas à pandemia são em muitos casos baseadas em simples opiniões, por vezes travestidas de "modelização" sem qualquer base científica.

«Over the past few weeks, my sense of the surreal has been increasing. At a time when rational interpretation of the Covid data indicates that we should be getting back to normal, we instead see an elaboration of arbitrary responses. These are invariably explained as being ‘guided by science’. In fact, they are doing something rather different: being guided by models, bad data and subjective opinion. Some of those claiming to be ‘following the science’ seem not to understand the meaning of the word.

At the outset, we were told the virus was so pernicious that it could, if not confronted, claim half a million lives in the UK alone. Its fatality rate was estimated by the World Health Organisation at 3.4 per cent. Then from various sources, we heard 0.9 per cent, followed by 0.6 per cent. It could yet settle closer to 0.1 per cent — similar to seasonal flu — once we get a better understanding of milder, undetected cases and how many deaths it actually caused (rather than deaths where the virus was present). How can this be, you might ask, given the huge death toll? Surely the figure of 44,000 Covid deaths offers proof that calamity has struck?

But let us look at the data. Compare this April with last and yes, you will find an enormous number of ‘excess deaths’. But go to the Office for National Statistics website and look up deaths in the winter/spring seasons for the past 27 years, and then adjust for population. This year comes only eighth in terms of deaths. So we ought to put it in perspective.

Leitura recomendada para se perceber que a nacionalização da TAP irá fazer companhia...

... ao aeroporto que só abria, abre ou abrirá aos domingos no cemitério dos elefantes brancos dos empreendimentos socialistas: "Como socialistas e patriotas úteis destruíram a TAP" de José Mendonça da Cruz, no Observador.

O cemitério está agora sob gestão do Dr. Pedro Nuno dos Santos, o principal ideólogo do pedronunismo, uma escola de pensamento económico afiliada da Mouse School of Economics. 

Pergunta supérflua: poderia ser de outra maneira? Não. Esta gente reúne as condições necessárias e suficientes para se envolver em projectos inviáveis ou levar ao insucesso projectos viáveis, nomeadamente porque:
  • Nunca investiu um cêntimo do seu bolso
  • Nunca criou um posto de trabalho
  • Nunca desempenhou nenhuma função produtiva e na maioria dos casos só entrou numa empresa para fazer uma inauguração
  • Está sob influência de uma teia de interesses que capturam o Estado Sucial
  • Nos "projectos" em que "investe" não arrisca um cêntimo
  • Está absolutamente blindada contra as consequências do insucesso dos "projectos".

28/07/2020

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva. (30) - De volta à normalidade. O caso de Inglaterra e País de Gales

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.


O número total de óbitos está já abaixo da média dos últimos 5 anos e os óbitos atribuídos à pandemia (que incluem também as mortes "com Covid", independentemente do vírus ter sido a causa da morte) são há várias semanas inferiores à mortalidade por gripe e pneumonia.

Os dados confirmam uma vez mais que os óbitos se concentram nos mais idosos

(Fonte: Office for National Statistics)

ACREDITE SE QUISER: Os alienígenas, a NASA e a vulva

Sabia que a Pioneer 10, a primeira sonda que saiu do sistema solar, lançada pela NASA em 1972, levou várias imagens para dar a conhecer a humanidade aos alienígenas, incluindo a imagem de um casal heterossexual nu tendo o homem pénis e estando a mulher desprovida de vulva?  Se fosse hoje a sonda levaria uma foto de grupo com representantes dos 112 géneros,

(Pode conhecer aqui os quês e os porquês da estória)

27/07/2020

Genocídio é o que a esquerdalhada quiser. Afinal os áctivistas são ainda mais imbecis que Bolsonaro


Convention on the Prevention and Punishment of the Crime of Genocide
Article II
In the present Convention, genocide means any of the following acts committed with intent to destroy, in whole or in part, a national, ethnical, racial or religious group, as such:
(a) Killing members of the group;
(b) Causing serious bodily or mental harm to members of the group;
(c) Deliberately inflicting on the group conditions of life calculated to bring about its physical destruction in whole or in part;
(d) Imposing measures intended to prevent births within the group;
(e) Forcibly transferring children of the group to another group. 

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (43) - Em tempo de vírus (XX)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Roma não paga a traidores

Durante o debate do Estado da Nação, referindo-se ao estado da candidatura do Dr. Rio a seu vice-primeiro-ministro, o Dr Costa concluiu que «não se pode contar com o PSD para o futuro» e «o PSD é hoje o partido dos velhos do Restelo». Vem a propósito citar o Dr. Guterres que usou a expressão em título para punir, salvo erro, a suposta perfídia de um outro "homem do Norte".

Por este Rio abaixo

Quem também parece não querer pagar a traidores é o eleitorado que, segundo a sondagem da Católica, voltou a descer as intenções de voto no PSD para 26%, a 13 pp do PS, enquanto o Chega iguala o BE e supera o PCP e o IL sobe para 3%.

Na democracia do Dr. Rio o debate parlamentar é para lamentar

Com o propósito de poupar o seu chefe, o Dr. Rio propôs, o Dr. Costa aceitou e com os votos do PS e do PSD o parlamento aprovou o fim dos debates quinzenais, com a abstenção de uns quantos deputados com coluna vertebral um pouco menos danificada. Debates para quê? Porque não resumir o parlamento a um representante de cada partido?

Apreciamos a liberdade da nossa imprensa

«Uma estação televisiva, a TVI, lembra o aniversário do Primeiro-Ministro e cria um espaço para que os espectadores possam, cito, dar os parabéns ao dr. Costa», conta Alberto Gonçalves. Não certamente por acaso, a comentadoria do regime silenciou esta merecida homenagem ao Chefe do Governo pela TVI, uma estação numa fase muito carente do colo do Dr. Costa.

Mestres do ilusionismo

Dia sim, dia não, o governo anuncia novos apoios no âmbito da resposta à pandemia enchendo as páginas dos jornais e o olho dos eleitores. No fim do dia, o Tribunal de Contas conclui que mais de metade do apoio público nos primeiros três meses da pandemia consiste em adiamentos no pagamento de impostos, que terão de ser pagos dentro de alguns meses.

Recordam-se do Programa de Arrendamento Acessível lançado no ano passado pelo Dr. Pedro Nuno Santos, em concorrência com um programa semelhante do Dr. Medina, o outro concorrente à sucessão do Dr. Costa? Sabeis quantos contratos foram assinados? Ao certo talvez ninguém saiba, mas parece que foram duzentos e quarenta e dois.

Recordam-se do Fundo da Segurança Social «criado há 4 anos para requalificar património do Estado e criar habitação a preços acessíveis» que iria investir até 1,4 mil milhões de euros? Investiu 7 milhões e até agora não foi feita uma única obra.

Não é isto insultar a inteligência dos eleitores? Seria, mas não com estes eleitores.

26/07/2020

Garantir a liberdade de expressão é em primeiro lugar proteger a liberdade de exprimir "pensamentos que odiamos"

Algumas decisões do Supremo Tribunal dos EUA sobre a liberdade de expressão do chamado «hate speech» tornam inconstitucional a censura de ideias e palavras desconformes com a vulgata dos áctivismos anti-rácistas e anti-qualquer coisa, inspirados pelos centros da doutrina do politicamente correcto.

É claro que nada disso tem a ver com o Portugal dos Pequeninos onde o «discurso de ódio» pouco mais é do que o discurso dos que se apresentam como inimigos do «discurso de ódio», e onde o governo, com o ruidoso silêncio da oposição, da comentadoria do regime e do jornalismo de causas se propõe policiar o discurso de ódio.

National Socialist Party v. Skokie (1977)

«When the National Socialist Party of America, better known as Nazis, was declined a permit to speak in Chicago, the organizers sought a permit from the suburban city of Skokie, where one-sixth of the town's population was made up of families that had survived the Holocaust. County authorities attempted to block the Nazi march in court, citing a city ban on wearing Nazi uniforms and displaying swastikas. 

The 7th Circuit Court of Appeals upheld a lower ruling that the Skokie ban was unconstitutional. The case was appealed to the Supreme Court, where the justices declined to hear the case, in essence allowing the lower court's ruling to become law. After the verdict, the city of Chicago granted the Nazis three permits to march; the Nazis, in turn, decided to cancel their plans to march in Skokie.»

(Fonte)

Matal v. Tam (2016) 

 Opinion of Justice Samuel Alito. 

«[The idea that the government may restrict] speech expressing ideas that offend … strikes at the heart of the First Amendment. Speech that demeans on the basis of race, ethnicity, gender, religion, age, disability, or any other similar ground is hateful; but the proudest boast of our free speech jurisprudence is that we protect the freedom to express “the thought that we hate.”

 Opinion of Justice Anthony Kennedy 

A law found to discriminate based on viewpoint is an “egregious form of content discrimination,” which is “presumptively unconstitutional.” … A law that can be directed against speech found offensive to some portion of the public can be turned against minority and dissenting views to the detriment of all. The First Amendment does not entrust that power to the government’s benevolence. Instead, our reliance must be on the substantial safeguards of free and open discussion in a democratic society.»

(Fonte)

25/07/2020

Dr. Costa derrotado por Kyriakos Mitsotakis no combate dos pedintes. Agora daria jeito não ter anunciado o fim da austeridade


«UE. Bazuca portuguesa superada por tragédia grega

Portugal recebe menos dinheiro do que a Grécia porque teve menos desemprego nos últimos anos e porque regiões não são tão pobres. Fundo de Recuperação permite melhorar comparação com apoios anteriores»

Imagino que o Dr. Costa esteja a agora a torcer a orelha, arrependido de ter andado cinco anos a vender o fim da "austeridade".

O «Estado arrisca-se a perder 150 mil trabalhadores em dez anos» diz o perito. O Estado sucial enfrenta muitos riscos, este não é um deles

O «Estado arrisca-se a perder 150 mil trabalhadores em dez anos» concluiu «o perito em Administração Pública» no estudo do ISCTE porque, acredita ele, a regra «dois por um» teria sido substituída pela regra «um por um».

Infelizmente o perito está completamente equivocado, talvez porque as suas estatísticas de causas são do domínio da ficção. Desde logo porque o Dr. Costa nunca cumpriu a regra «dois por um» que fazia parte do programa da troika assinado pelo governo do Eng. Sócrates antes dele se exilar em Paris.

Como já demonstrei, a regra do «dois por um» foi transformada em um por dois ou mais. De facto, enquanto o governo PSD-CDS reduziu reduziu 68,7 mil funcionários públicos de 727,8 para 659,1 mil, o governo do Dr. Costa aumentou de 659,1 para 727,8 até 2018 e em 2019 aumentou mais 15,3 para 698,5 mil.

Alguém acredita que serão "perdidos" funcionários públicos por um governo PS apoiado por berloquistas e comunistas, todos eles dependentes da freguesia eleitoral em que os funcionários públicos no activo e reformados representam uma parte significativa dos 3 milhões de eleitores que têm no conjunto?

24/07/2020

A agricultura não tem asas e o pedronunismo não se interessa por sovkhoses

Os sovkhoses estão fora de moda e aos apparatchiks socialistas no campo só lhes interessam as datchas.


Disse em entrevista ao Público o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal. A propósito da TAP, recomendo a leitura do artigo de Carlos Guimarães Pinto TAP: Não havia necessidade (resposta a Pedro Nuno Santos).

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva. (29) - Há infectados que não foram testados? (4)

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva e é uma continuação dos posts "Há infectados que não foram testados?" (1)(2) e (3).

Em retrospectiva: deve-se distinguir-se a taxa ou coeficiente de letalidade, que relaciona o número de óbitos com o número de infectados, e a taxa de mortalidade que relaciona o número de óbitos causados por uma epidemia com a população, num caso e noutro com referência a uma determinada área (mundo, pais, região, cidade, etc.). Acumulam-se dados mostrando ser o número real de infectados muito maior do que os infectados testados.

Muitos desses dados já foram citados em posts anteriores, incluindo alguns deles relativos a Portugal. A adicionar a estes últimos, temos o inquérito serológico a nível nacional feito pelo Instituto Ricardo Jorge agora divulgado que concluiu ser o número de portugueses já infectados seis vezes superior ao de casos diagnosticados.

Tomando os últimos números conhecidos, isso significa que o número de infectados em vez de 49.379 casos confirmados deverá andar pelos 300 mil. Em consequência, a taxa de letalidade que calculada com base no número de óbitos de 1.705 em relação aos 49.379 casos era de 3,5%, será então inferior a 0,6%, cada vez mais próxima da letalidade de gripe comum.

23/07/2020

Dúvidas (313) - É o public relations da EDP que é muito bom ou são os jornalistas que são muito maus?

Desde 2006, quando foi nomeado presidente da EDP, os jornais encheram-se todos os dias de "notícias" sobre a EDP devidamente ilustradas com fotos do Dr. Mexia (veja-se este exemplo de 2006). Tudo parece ter começado quando Sérgio Figueiredo, o agora demitido director da TVI, se começou a ocupar da imagem da EDP, ou seja do Dr. Mexia, com tal proficiência que numa só página online dos jornais económicos se podiam encontrar várias fotos do Dr. Mexia, cada uma dela remetendo para uma "notícia". E assim Sérgio Figueiredo foi devidamente recompensado com um lugar na administração da Fundação EDP.  Certamente não por acaso, o juiz que decretou a suspensão proibiu o Dr. Mexia de falar com Sérgio Figueiredo

Agora que o presidente Mexia foi suspenso de funções por suspeita de corromper políticos - crime que levaria à prisão a maioria dos empresários e gestores de sucesso do regime - apagou-se de um dia para o outro a sua presença mediática, permitindo especular que, mais do que ser suspeito de um crime, o Dr. Mexia foi deixado cair do cavalo do poder por não ter apostado no cavalo certo em devido tempo, ou seja em finais de 2015.

A comunicação & imagem, como a natureza, detesta o vácuo, e o súbito desaparecimento mediático do Dr. Mexia foi prontamente substituído pela presença maciça do Dr. Stilwell de Andrade, até então um quase desconhecido, que agora, enfiado nos sapatos do Dr. Mexia. desempenha o mesmo papel mediático pela mão dos mesmos jornalistas.

NÓS VISTOS POR ELES: O Portugal dos Pequeninos vê-se melhor de longe

Nós vistos por eles é uma secção destinada a acolher pontos de vista e opiniões de estrangeiros vivendo em Portugal com lucidez e coragem para não nos darem graxa. A visão da portuguesa Rita Carreira, "estrangeirada" vivendo há 25 anos nos EUA, também cabe aqui. Apesar de não concordar com tudo o que escreveu, traduzo o seu post de ontem no Destrezas das Dúvidas a propósito do peditório e das medidas de resposta à pandemia.

«Parece que muitas pessoas em Portugal estão felizes por o primeiro-ministro Costa ter extorquido bastante dinheiro da UE para gastar na "recuperação". Isso não é recuperação: o dinheiro em causa é insuficiente para cobrir as perdas totais da economia, parte do dinheiro terá que ser devolvida e, como foi evidenciado na história recente várias vezes, grande parte do dinheiro será desperdiçado em negócios corruptos, ficaremos a saber daqui a 10 anos.

Enquanto isso, milhares de cidadãos morrem porque o governo decidiu que o melhor curso de acção é repetir os erros que já cometeu. Qualquer pessoa que não seja idiota deve ter percebido que, nesta altura, a prioridade deve ser controlar o número de casos e mortes e isso deve ser feito de verdade, e não por meio de manipular os números.

É muito fácil de fazer:
  1. obrigar toda a gente a usar máscara, assim como todos têm de usar cinto de segurança; pare com todo o "você deve usar uma máscara, mas não podemos obrigá-lo a usar uma máscara, porque não somos uma ditadura". É uma mentira, pode-se forçar as pessoas a usar máscaras. 
  2. educar as pessoas sobre higiene pessoal - lave as mãos, não toque no rosto
  3. praticar o distanciamento social: reorganizar o transporte público, promover horários de trabalho prolongados
  • as pessoas devem trabalhar em turnos de seis ou cinco horas e permitir que as empresas fiquem abertas por dois ou três turnos, o que ajuda no desemprego, mas também permite que as empresas distribuam custos fixos por mais horas, o que deve aumentar o número de visitas de clientes
  • o dia de trabalho mais curto também seria útil para cuidar dos entes queridos e crianças, pois os adultos poderiam mudar os seus horários e ter menos pessoas no transporte público a qualquer momento
  • promover o trabalho em casa, se possível
Não se pode dizer simplesmente que o país não pode lidar com o confinamento novamente, esperando que as pessoas façam a coisa certa por conta própria. Existem muitas pessoas malucas fora de Portugal que podem visitar e espalhar infecções ou que podem visitar e tomar infecções. O sistema é muito poroso e, embora o governo português tenha os mídia portugueses a comer-lhe na mão, nem toda os mídia internacionais estão sob controle. Além disso, há muitos governos estrangeiros ansiosos por retribuir os insultos que recebem das autoridades portuguesas.

Além disso, atrasa a recuperação, porque Portugal será submetido a restrições de viagem, como aconteceu antes. Quantas vezes você pode cometer o mesmo erro antes de perceber que "Nossa Senhora, isso foi estúpido!"»

22/07/2020

Enquanto os frugais repugnantes discutem freneticamente, o pedinte cochila no sofá sonhando com a bazuca

«As the clock ticked past midnight into day four, the fiscal hawks held frantic discussions over a bowl of cherries. Portugal’s Antonio Costa sprawled out on a sofa as he waited for all the leaders to reconvene. Aides napped in the corridors

The Inside Story of How Europe Landed Its Massive Stimulus Plan, Bloomberg

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (28) - Casa arrombada, trancas na porta. Isto não é um plano

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.

«Em Fevereiro de 2018, um painel de especialistas convocado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) preparou uma lista de doenças que representavam grandes riscos para a saúde pública e para as quais havia poucas ou nenhumas contramedidas. Foram apresentadas várias ameaças bem conhecidas, incluindo Ebola, SARS , Zika e Febre do Vale do Rift. Mas também incluía a "Doença X".

Esta doença, causada por um patógeno nunca antes visto em humanos, emergiria, segundo o painel, de animais em algum lugar de uma parte do mundo onde as pessoas tivessem invadido habitats da vida selvagem. Seria mais mortal do que a gripe sazonal, mas infectaria com a mesma facilidade as pessoas. Ao aproveitar a boleia das viagens e do comércio, viajaria além do continente de origem pouca semanas após o seu surgimento. Causaria a próxima grande pandemia do mundo, e deixaria um rasto de devastação económica e social.

Menos de dois anos após a publicação do relatório, a Doença X apareceu. Começou no final do ano passado em Wuhan, na China, e o mundo inteiro tomou conhecimento disso em Janeiro. Já infectou quase 10 milhões de pessoas e matou quase 500.000 (*). Esse número de mortos também deve chegar a sete dígitos antes que as coisas acabem. A doença X agora tem um nome: Covid-19.

Embora o da OMS tenha sido o mais conhecido, não foi o único aviso de que algo assim poderia acontecer. Alguns dos profetas, como Peter Daszak, um ecologista de doenças que é líder da organização independente de pesquisa EcoHealth Alliance, especificamente focada no risco representado por coronavírus transportados por morcegos, como SARS-Cov-2, que se revelou ser a causa do Covid-19. O propósito desses avisos era estarmos preparados. Com os sistemas adequados, uma potencial pandemia, detectada precocemente, poderia ser eliminada pela raiz.

Em vez disso, a resposta do mundo à nova doença tem sido semelhante à sua resposta ao SARS em 2002 e, depois disso, à gripe aviária H5N1 em 2005. É uma resposta com levado custo para entrar em modo de pânico destinado a retardar a propagação da doença para ganhar tempo enquanto os cientistas tentam desenvolver uma vacina. "Isto", como o Dr. Daszak, observa, "não é um plano".»

Pandemic-proofing the planet

(*) Números dos finais de Junho.

21/07/2020

Os agarrados festejam a chegada anunciada ao bairro do dealer com novos fornecimentos e antecipam grandes trips

Público

Já demos para o peditório do GES e dos Espírito Santo que chegue

Agora que já são conhecidas as 4.117-páginas-4.117 do processo de acusação do GES há quem nos pergunte se não temos nada a comentar sobre o maior e mais desavergonhado assalto ao erário público e privado desde dona Maria II com a cumplicidade activa ou passiva de milhares de pessoas, incluindo políticos, empresários, gestores e jornalistas, sim jornalistas!, dos quais apenas uma dúzia e meia é acusada.

Na verdade, falando em nome dos dois contribuintes do (Im)pertinências, não temos nada de relevante a acrescentar às centenas de posts que escrevemos sobre a obra dos Espírito Santo e em particular os posts em que tratámos da Atracção fatal entre a banca do regime e o poder.

O primeiro desses posts está a fazer 15 anos e relacionava o PT de Lula com a PT de que era accionista o GES e que a usava como vaca leiteira para se financiar.

Na verdade, percebe-se que os pedintes socialistas lhes chamem frugais


Nova definição para o Glossário das Impertinências:

Frugal (politiquês)

Um governo que resiste a que os contribuintes do seu país paguem os custos da incompetência, corrupção e nepotismo dos governos e das elites extractivas de outros países que querem perpetuar o seu proxenetismo em nome do que chamam solidariedade.

20/07/2020

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: O governo socialista como barriga de aluguer dos impulsos censórios do esquerdismo

«Na verdade, o que se anuncia é um dos mais violentos atentados contra a liberdade de expressão que Portugal conhece há décadas! Como quase sempre, sob a aparência de causas nobres (contra o racismo) e de sentimentos elevados (contra o ódio), o que na verdade se propõe é o estabelecimento de um cânone de virtudes e de um catecismo de valores. Os governantes e os cientistas sociais que assim se exprimem pretendem a “monitorização” dos discursos, actividade aparentemente inócua. O que na verdade querem é o estabelecimento de uma ordem. Para que serve “monitorizar”? Não tenhamos dúvidas: é um eufemismo para vigiar, policiar, registar e fiscalizar. É o que fazem as polícias, a PIDE, a KGB, a STASI e outras, vivas ou defuntas. É o que sempre fizeram as censuras. De repente, estas pessoas encontram o pretexto ideal: um partido fascista e um deputado xenófobo! Contra esse mal, desembainham espadas e alinham artilharia. Revelam-se os censores que são. (...)

Depois do manifesto inquisitório, os pezinhos de lã do governo disfarçam as botifarras da censura. Parece que o governo vai abrir democrático concurso para aprovar cinco projectos de monitorização das expressões e das narrativas! Sempre com motivos nobres, claro: denunciar o ódio e observar o racismo! (...)


Entre governantes, grupos fanáticos e académicos apostados em destruir a universidade e substitui-la por fuzileiros do pensamento, está a criar-se um clima que faz lembrar a Censura salazarista, o Macarthismo, o Jdanovismo soviético… Com algumas diferenças. Antes, eram as polícias e os tribunais. Hoje, são agências de comunicação e universidades que se prestem a tal serviço.»

Monitorizar o pensamento, António Barreto

«Em Portugal, a liberdade é muito difícil» escreveu há muitos anos Alçada Baptista. Após 46 anos de democracia asmática, a liberdade é cada vez mais difícil porque os portugueses não a apreciam e estão dispostos a abdicar dela por quase tudo, desde o medo até um prato de lentilhas. Isso acarreta uma responsabilidade acrescida para quem a liberdade é tão importante como o ar que se respira.

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (42) - Em tempo de vírus (XIX)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O estranho caso do Dr. Costa e do Sr. Santos da Costa

Há um Dr. Costa educado, civilizado e cordato que visita os seus pares da Óropa perante quem se curva respeitosamente e há um Sr. Santos da Costa mal-educado, bazófias e vulgar que os insulta atribuindo-lhes discursos repugnantes e mesquinhez. Qual o verdadeiro Dr. Costa? Nenhum deles. Não há um verdadeiro Dr. Costa.

L’État c’est nous. Constitucional é o que o PS quiser

O grupo parlamentar do PS propôs uma alteração ao regimento da AR para que o seu presidente - aquele senhor a quem não se aplica o segredo de justiça - «se tiver dúvidas de inconstitucionalidade que se lhe afigurem insuscetíveis de expurgo» pode pedir «a emissão de parecer sobre a constitucionalidade da iniciativa».

O pedronunismo na linha da frente da gestão de empresas...

«Os despedimentos não são inevitáveis. O que é inevitável é reduzir os custos com pessoal. Mas há várias formas de o garantir. Precisamos de uma empresa com menos aviões, menos trabalhadores e menos rotas, isso é a verdade», postulou o Dr. Pedro Nuno Santos. Pode parecer à primeira vista um paradoxo não despedir e reduzir o número de trabalhadores, mas não é. Repare-se que com a nacionalização os trabalhadores da TAP passarão a ser funcionários públicos deixando de ser trabalhadores.

... e da investigação da pandemia

No intervalo dos seus estudos de gestão de empresas públicas, o Dr. Pedro Nuno Santos estuda a pandemia e informou a plebe que, ao contrário do que os ignaros imaginavam, o vírus SARS-CoV-2 transmite-se facilmente através de gotículas e aerossóis em espaços fechados e com proximidade com os infectados mas não se transmite quando esses espaços fechados são autocarros, comboios ou metros. Suspeito que seja uma nova aplicação da teoria da relatividade e do contínuo espaço-tempo.

Temos estes princípios. Se não gostarem temos outros

Um Dr. Costa «visita Orbán e defende que Estado de Direito não deve ser critério para fundos europeus». Dias depois, outro Dr. Costa «na reunião de responsáveis pelos Assuntos Europeus de cada um dos 27, Portugal defendeu que a atribuição de fundos esteja condicionada ao cumprimento dos valores consagrados no Tratado». Qual o verdadeiro Dr. Costa? Nenhum. Não há um verdadeiro Dr. Costa.

19/07/2020

O Portugal dos Pequeninos é pequenino, tem gente pequenina que pensa pequenino e jornais pequeninos que dão notícias pequeninas

Vários dos meus amigos criticam o uso recorrente que aqui no (Im)pertinências fazemos da expressão «Portugal dos Pequeninos» que consideram ofensiva e injusta. Tento explicar-lhes, sem sucesso, que a expressão é meramente descritiva. Faço este post como derradeira tentativa de explicação.

Primeira página do Caderno de Economia do Expresso
O Quadro Portugal 2020 é o sucessor do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) para apoios estruturais da União Europeia. Leia-se no site Portugal 2020 para se ver a dimensão estratégica e grandiosa da coisa e os «princípios de programação que consagram a política de desenvolvimento económico, social e territorial para promover, em Portugal, entre 2014 e 2020

E chegamos assim à citada primeira página do caderno de Economia do principal semanário do Portugal dos Pequeninos, ilustrada com uma foto em pose de Estado da ministra da Coesão Territorial, acompanhada pela Secretária de Estado da Valorização do Interior a comemorar o primeiro investimento do Portugal 2020 no restaurante Alecrim em Estremoz. Ditosa pátria que tais filhos tem.

Os deputados são assim como Mr Magoo, mas sem desculpas

Deputado à procura de conflitos de interesses

18/07/2020

Portugal dos Pequeninos e os Objectivos de Desenvolvimento Sustentado. Ineficiente, sempre. Ineficaz quando possível

O Sustainable Development Report 2020 sobre os Sustainable Development Goals (SDG) publicado no princípio deste mês pela Universidade de Cambridge, está focado compreensivelmente sobre a Covid-19. O estudo calcula para 166 países dois índices (Covid e Spillover) a partir de indicadores.

O Índice Covid é composto por vários indicadores (mortos por milhão, taxa de efectiva de reprodução, eficiência no controlo da epidemia, etc.). No conjunto dos 33 países da OCDE Portugal situa-se em 25.º, por força especialmente de uma taxa de efectiva de reprodução alta e de uma baixa eficiência no controlo da epidemia.

No Índice Spillover que mede os impactos transfronteiriços gerados por um país que podem comprometer a capacidade para realizar os SDG nos outros países, Portugal situa-se em 139.º em 166 países.

Em conclusão, é o costume.

As manifestações de estupidez e intolerância chegam sempre depressa ao Portugal dos Pequeninos. O resto pode levar mais tempo ou nunca chegar

A história é conhecida. Sessenta e sete funcionários públicos, luminárias do radical chic e de outras correntes da esquerdalhada, áctivistas em serviço em várias universidades e que por isso se consideram académicos, publicaram o abaixo-assinado «Contra a higienização académica do racismo e fascismo do Chega» a propósito de uma entrevista de Riccardo Marchi sobre o seu livro recentemente publicado com o estudo A Nova Direita Anti-Sistema. O Caso do Chega, onde concluiu que este partido não é fascista, nem racista, é simplesmente de extrema-direita, ponto final. No abaixo-assinado as luminárias esquerdistas defendem que o Chega é fascista e racista e que por isso na universidade deles Marchi não teria lugar para investigar nem publicar coisa nenhuma.

Nem de propósito, publiquei ontem um post sobre Munira Mirza, actualmente «o pior pesadelo da esquerda dogmática», que se desvinculou do esquerdismo porque percebeu «muito rapidamente que a principal coisa que a esquerda não era a favor era a liberdade de expressão - que havia uma intolerância em relação a diferentes ideias e opiniões».

Quod est demonstrandum.

17/07/2020

CASE STUDY: Trumpologia (68) - É verdade (embora não pareça) que ele não diz só bullshit e não refere só "alternative facts"

Mais trumpologia.

Por várias vezes, quando cito factos ou emito opiniões que os devotos de Donald Trump não apreciam - por definição um devoto não aprecia nada que diminua o objecto da sua devoção - sou instado a apresentar "provas", na melhor hipótese, ou sou insultado, na hipótese mais provável.

Para meu alívio, a rejeição que DT instila nos lobos límbicos de milhões de criaturas, em particular entre os jornalistas de causas, é tão intensa que se fazem colectânea dos seus dislates, incluindo das suas inverdades, um termo que deveria designar apenas as falsidades involuntárias, mas que os sonsos usam também para designar as mentiras.

É claro que as alegações das falsidades de DT podem também ser falsas, como pode ser o caso de algumas ou muitas das 20.000 alegações do Washington Post de afirmações falsas ou enganosas atribuídas a DT, à insuperável taxa diária de quase 16. Contudo, mesmo que apenas 10% das alegações pudesse ser fundamentada, DT seria provavelmente um dos mentirosos mais bem sucedidos de sempre.

Como quer que seja, assumindo que ainda sobra ao Washington Post alguma coisa dos tempos em que se podia considerar um jornal com preocupações de rigor e objectividade, e como eles se deram ao trabalho de desenvolver uma base de dados com as tais mais de 20 mil afirmações falsas ou enganosas desde o início do mandato, aqui fica um repto aos devotos da criatura para em vez de me pedirem para apresentar provas se dediquem a estudar a BD e denunciar as falsas falsidades do WP e, já agora, em vez de me insultarem, se dediquem a desenvolver uma BD alternativa com as ideias aproveitáveis de DT.

A esquerda não é a favor da liberdade de expressão, disse ela (eu assino por baixo)

«I realised very quickly that the main thing that the left was not in favour of was free speech—that there was an intolerance about different ideas and opinions.»

Explicou Munira Mirza, ex-militante do Revolutionary Communist Party (RCP), um grupúsculo Trotskista semelhante à LCI do camarada professor e conselheiro Louçã, quando abandonou o RCP.

Actualmente participa no Policy Exchange, um think tank de direita, é consultora do governo conservador inglês e é «o pior pesadelo da esquerda dogmática».

16/07/2020

ACREDITE SE QUISER: Nova estrondosa vitória do Dr. Costa no Planeamento Socialista, a caminho da Taça Europeia

Esta já cá canta
Primeiro o Dr. Costa bateu irremediavelmente o seu correlegionário Pedro Sánchez na modalidade do planeamento socialista, ao encomendar o seu plano pluriquinquenal do Estado Sucial lusitano ao Dr. Costa Silva que «em dois dias tinha o essencial do plano pronto» e num mês tinha a obra concluída, à espera do disparo da bazuca de Merkel-von der Leyen.

Do lado espanhol foram precisos «mais de uma centena de especialistas, entre economistas, cientistas e sociólogos» que andam há mais de dois meses a preparar um plano para 30 anos.

Assim, o Dr. Costa, como já tínhamos concluído, venceu a Taça Ibérica do Planeamento Socialista com o score de 3 participantes/dia por cada um dos 10 anos do plano, derrotando o Dr. Sánchez que precisou até agora de 200 participantes/dia e precisará de muitos mais para completar o seu plano de 30 anos. É esmagador, mesmo descontando o calor sufocante de Madrid nesta altura do ano.

Vencida a Taça Ibérica, o Dr. Costa subiu a parada e confrontou-se com Monsieur Macron que nomeou no final de Maio uma comissão para preparar o plano em 7 meses com uma equipa de 26 economistas, incluindo oito americanos, oito europeus não franceses e três prémios Nobel. Parece que o plano é quinquenal pelo que a performance francesa fica-se por 1.092 participantes/dia por ano de plano. É muito fraco, mesmo considerando que M. Macron possivelmente incluiu nos 7 meses uma margem para tropelias dos gilets jaunes durante os trabalhos da comissão. 

Em conclusão, vencida a Taça Ibérica e derrotado M. Macron, o Dr. Costa está bem posicionado para vencer a Taça Europeia do Planeamento Socialista.

15/07/2020

Pesporrência e má educação cá dentro para impressionar os pacóvios e a comentadoria do regime, subserviência e submissão aos "repugnantes" lá fora

«Discurso repugnante» e «mesquinhez» para impressionar os pacóvios e a comentadoria do regime cá dentro.


Subserviência e submissão aos «repugnantes» lá fora.

Linguagem gestual

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: Se não funcionou no passado, porque haveria de funcionar desta vez?

Quanto é que Portugal paga e recebe da União Europeia?, Abel Mateus
De 2000 a 2020, Portugal recebeu do orçamento comunitário um valor líquido de 51,8 mil milhões, uma média de 2,5 mil milhões ao ano ou 1,6% do PNB, segundo os cálculos de Abel Mateus. Como nos mostra o gráfico, apesar de Portugal ter recebido proporcionalmente na média dos países de Leste foi o que menos aproveitou os fundos, convergindo em 20 anos para a média da UE apenas cerca de 2%.

E o mais grave é que essa convergência se deu nos primeiros anos do período porque, como nos mostram os dados do Eurostat, entre 2008 e 2019 Portugal divergiu, caindo de 82% da média do PIB per capita em PPC para 79%, ou seja ficou mais pobre em termos relativos.

E porquê? Simplesmente porque os fundos foram usados não para desenvolver o país mas para engordar o aparelho de Estado, financiar elefantes brancos e os empresários amigos do PS (e in illo tempore os amigos do PS-D). Por isso, desiludam-se. Ao andar por aí a vergar a sua flexível coluna e a torcer os seus rins de borracha, o Dr. Costa não está a trabalhar para melhorar a vida dos portugueses. Está a trabalhar para se manter em S. Bento, para o que se torna necessário fazer felizes os apparatchiks socialistas e, vá lá, se isso for possível, a sua freguesia eleitoral.

14/07/2020

O Dr. Costa, que vê o Órban com um Hitler moderno, bem poderia ficar calado, mas a necessidade da bazuca de Merkel e von der Leyen é muito maior do que o seu decoro que é poucochinho


Primeiro-ministro visitou Orbán e concordou que violações de direitos devem ser abordadas como previsto nos tratados e não devem servir para penalizar Hungria na distribuição de fundos europeus.»

Ainda para mais é perfeitamente inútil a manteiga gasta com o Sr. Órban que está na mesma fila do peditório do Dr. Costa e não tem interesse nenhum em partir a caixa das esmolas.

ARTIGO DEFUNTO: Podes sair do Partido Comunista, mas o Partido Comunista não sai de ti

Rita Rato foi nomeada directora do museu do Aljube pela empresa municipal EGEAC da qual depende o museu. É licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais e não tem «formação superior adequada à função (preferencialmente na área de história política e cultural contemporânea); Experiência em funções similares (preferencialmente na área dos museus); Experiência em programação e produção de exposições».

Muita gente, incluindo o (Im)pertinências, suspeitou que uma nomeação de uma pessoa inadequada, por acaso ex-deputada e dirigente comunista, por uma empresa de uma câmara cujo presidente é tido publicamente como o candidato preferido de António Costa à sua sucessão, fosse o pagamento de favores políticos passados ou futuros do PCP ao PS, dos quais a história recente da geringonça nos dá vários exemplos.

Acresce que a inadequação do perfil era ainda mais visível porque sendo um museu de história e documentando a luta pela democracia (e não apenas contra o salazarismo, visto que muito anos antes de Salazar já o Aljube hospedava presos políticos, incluindo durante 1.ª República) a pessoa em causa tinha publicamente declarado nunca ter ouvido falar do Gulag soviético e das prisões políticas na China. Repare-se que não se trata de Rita Rato justificar os crimes dos comunismos soviético e chinês com o bem dos respectivos povos ou da humanidade, o que revelaria imbecilidade ou hipocrisia. Trata-se de ter declarado «não sou capaz de responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso», o que revela ignorância histórica.

Face a isto, o que carece de ser explicado é porque foi escolhida uma pessoa inadequada de vários pontos de vista. Pretendendo defender a escolha de Rita Rato, em vez de argumentar porque foi escolhida, Daniel Oliveira, jornalista de causas / militante / comentador / analista,  ex-comunista, ex-Plataforma de Esquerda, ex-Política XXI, ex-bloquista, ex-Livre, ex-Tempo de Avançar, com o saber adquirido em tão longo percurso político e com grande falta de vergonha passa por cima do perfil referido no aviso de recrutamento, inverte pouco subtilmente a questão e derrama em três páginas A4 argumentos para justificar que não havia nenhuma razão para não a escolher pelo facto de ser comunista. É o argumento vitimizante típico de um comunista.

13/07/2020

Manifestações de paranóia/esquizofrenia (34) - O áctivismo anti-rácista é mais infeccioso do que a pandemia


Washington Redskins é uma das mais antigas equipas de futebol profissional americano e chama-se assim desde a sua fundação em 1932. A equipa anunciou hoje que vai mudar o seu nome por pressão dos áctivistas que o consideram rácista. Fico à espera que também mudem os nomes dos Pittsburgh Steelers, Denver Broncos, Tampa Bay Buccaneers ou dos Pittsburgh Steelers, por exemplo.

Mais preocupante do que a paranóia áctivista - afinal sempre houve e haverá paranóicos - é a infecção estar a contaminar criaturas normais (no sentido estatístico) ou a cobardia a fazê-las sucumbir à chantagem de gente que parece uma caricatura saída do Triunfo dos Porcos de Orwell.

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (41) - Em tempo de vírus (XVIII)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Cada vez mais entalado entre o desastre anunciado e as disputas para a sua sucessão

Muito provavelmente, o Dr. Costa, como o Eng. Sócrates, só será derrotado pela realidade, com o pequeno inconveniente do peso dessa realidade cair não sobre ele mas sobre os milhões de portugueses que durante os próximos anos pagarão a factura da sua governação, como ainda estão a pagar a dos seus antecessores. Ele dirá que a culpa é da pandemia, como o Eng. Sócrates disse que a culpa era da crise do capitalismo americano.

Porém, no caso do Dr. Costa, há uma novidade em relação ao Eng. Sócrates, a quem ninguém tinha a ousadia de contestar e muito menos de disputar o lugar. Para mal dos seus pecados, e para nosso bem que assim veremos talvez abreviado o seu mandato, o Dr. Costa, além da realidade que conspira para o derrubar, tem ainda o pedronunismo, a facção liderado pelo Dr. Pedro Nuno Santos que aspira a suceder-lhe o mais rapidamente possível e a fazer o PS uma espécie de Berloque de Esquerda tamanho XL.

O Plano pluriquinquenal dos Costas

Poderiam escrever-se páginas de análise do plano que o Dr. Costa Silva apresentou ao Dr. Costa, mas não vale a pena, até porque ele irá em breve para o cemitério dos planos socialistas. Depois de setenta anos de falhanço da economia "planificada" é difícil acreditar que um primeiro-ministro tenha a lata de encomendar a salvação da pátria e uma criatura tenha tido a insensatez de aceitar a incumbência derramando em mais de cem páginas um ror de vacuidades supondo «ser capaz de definir centralmente uma estratégia de recuperação económica para 10 milhões de diferentes projectos de vida com base na omnisciência do seu perfeito e total conhecimento qualitativo e quantitativo das infinitas interacções sociais passadas, presentes e futuras dos indivíduos», como aqui escreveu Telmo Azevedo Fernandes .

Mayday mayday. A queda anunciada sobre os contribuintes da TAP tripulada pelo pedronunismo

O que se vai sabendo sobre as consequências da nacionalização da TAP é cada vez mais inquietante. Tão inquietante que há quem suspeite que até o Dr. Costa e os seus fiéis já o perceberam e recuaram deixando o chefe do pedronunismo sozinho a ser torrado em fogo lento.

Pro memoria

Por falar em nacionalizações, a nacionalização da EFACEC fica a dever-se ao governo do PS que sucedeu ao governo do PS que facilitou a entrada de Isabel dos Santos na empresa.

12/07/2020

SERVIÇO PÚBLICO: O radicalismo esquerdista já incomoda a intelectualidade de esquerda

Reagindo à censura crescente e às manobras intimidatórias do radicalismo esquerdista nos mídia e nas universidades americanas, sobretudo nas faculdades de ciências sociais, umas dezenas de intelectuais e artistas, na maioria americanos de esquerda, incluindo luminárias como Noam Chomsky, publicaram uma carta denunciando esses abusos e defendendo a liberdade de expressão e o pluralismo de opiniões.

Citando um excerto à laia de teaser:

«Editors are fired for running controversial pieces; books are withdrawn for alleged inauthenticity; journalists are barred from writing on certain topics; professors are investigated for quoting works of literature in class; a researcher is fired for circulating a peer-reviewed academic study; and the heads of organizations are ousted for what are sometimes just clumsy mistakes. Whatever the arguments around each particular incident, the result has been to steadily narrow the boundaries of what can be said without the threat of reprisal. We are already paying the price in greater risk aversion among writers, artists, and journalists who fear for their livelihoods if they depart from the consensus, or even lack sufficient zeal in agreement.»

A Letter on Justice and Open Debate

Poderíamos dizer-lhes: mandaram-nos vir? agora aturem-nos. Não seria muito inteligente porque os inimigos da liberdade existem à esquerda como existem à direita e até se justificam e alimentam uns aos outros. Só não existem, por definição, entre os liberais (clássicos).

É claro que a culpa é dos portugueses ou, vá lá, dos portugueses que votam no PS e nas "forças colaboracionistas"

«Com os subornos certos aos pelintras certos, nos partidos, nos “media” e no que calha, é claríssimo que o PS conquistou, no sentido bélico, os portugueses. A culpa é do PS? Lamento, mas a culpa é dos portugueses. Por muito que apreciassem o método, os socialistas não apontam uma pistola a ninguém para obrigar a apoiá-los nas sondagens, a tolerar asfixias fiscais, a aplaudir planeamentos leninistas, a subscrever a censura das opiniões, a rir “com” e não “de” palhaços, a respeitar as ordens de “autoridades” meramente grotescas, a admitir a transformação da vida em comum no quintal de um bando de matarruanos. O poder ilimitado do PS advém da ilimitada propensão dos portugueses para a submissão. E quanto maior o poder, maior a submissão, que é voluntária e não é particularmente incómoda. É preciso imaginar os portugueses felizes, ou no mínimo contentinhos

O povo merece a arrogância do PS, Alberto Gonçalves no Observador

11/07/2020

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (191) - O algodão não engana. Isto é o socialismo lusitano

O Montepio, petit nom da Associação Mutualista Montepio, que tem no seu bojo a Fundação Montepio, o banco Caixa Económica Montepio Geral e a SGPS Montepio Seguros que detém a Lusitania, a Lusitania Vida e a Futuro (pensões), entre outras, é talvez a instituição portuguesa mais ocupada pelo aparelho socialista. Fizeram-se lá durante anos e ainda hoje, impunemente e com o apoio e participação de proeminentes luminárias socialistas, as maiores violações à lei, à ética empresarial e aos princípios e boas práticas de gestão.

Ao fim de muitos anos e muitos escândalos, Tomás Correia, uma espécie de dom Corleone de serviço ao mutualismo (ver este historial), foi finalmente deixado cair e procura-se agora um substituto. O nome mais recente em cima da mesa é o de Luís Campos e Cunha, que teve a insensatez de aceitar ser ministro das Finanças de Sócrates e a coragem e o bom-senso de sair do comboio em andamento quando percebeu o que lá se iria passar, dando lugar a Teixeira dos Santos, um executor manso e acomodado, que só dissidiu a pouco dias de não haver dinheiro para pagar os salários dos funcionários públicos   

Trilema de Žižek
O Dr. Campos e Cunha foi agora "indigitado" nas páginas dos jornais «como o rosto de uma alternativa à atual administração do Montepio». Inevitavelmente é um socialista - o outro contribuinte fez-lhe o teste que se revelou positivo - que tem a seu favor algumas atenuantes, ou seja é bom no género mau. Se não tivesse sido feito esse teste, quando fez saber em resposta à sua "indigitação" que «só avançaria com apoio do poder político», confirmou sem margem para dúvidas a autenticidade do seu socialismo e o processo em curso no Montepio confirma o ADN deste socialismo de compadres.

CASE STUDY: Trumpologia (68) - Ele não diz só bullshit e não refere só "alternative facts"

Mais trumpologia.

Donald Trump diz disparates ou mente disparatadamente com frequência, talvez a maioria das vezes. De todas vezes os seus devotos aplaudem-no e de todas as vezes os seus detractores apupam-no. Na minha humilde opinião, seria de esperar de qualquer pessoa dispondo de meia dúzia de neurónios activos ser capaz de distinguir nos pronunciamentos da criatura o que está certo e o que está errado.

Não sofrendo de trumpofilia nem de trumpofobia, sinto-me à vontade para valorizar uma boa parte do discurso de Trump no 4 de Julho, Dia da Independência, no Monte Rushmore. Aqui vai a parte mais relevante:

«There could be no better place to celebrate America’s independence than beneath this magnificent, incredible, majestic mountain and monument to the greatest Americans who have ever lived.

Today, we pay tribute to the exceptional lives and extraordinary legacies of George Washington, Thomas Jefferson, Abraham Lincoln, and Teddy Roosevelt. I am here as your President to proclaim before the country and before the world: This monument will never be desecrated these heroes will never be defaced, their legacy will never, ever be destroyed, their achievements will never be forgotten, and Mount Rushmore will stand forever as an eternal tribute to our forefathers and to our freedom.  

We gather tonight to herald the most important day in the history of nations: July 4th, 1776.  At those words, every American heart should swell with pride.  Every American family should cheer with delight.  And every American patriot should be filled with joy, because each of you lives in the most magnificent country in the history of the world, and it will soon be greater than ever before.  

Our Founders launched not only a revolution in government, but a revolution in the pursuit of justice, equality, liberty, and prosperity.  No nation has done more to advance the human condition than the United States of America.  And no people have done more to promote human progress than the citizens of our great nation.

It was all made possible by the courage of 56 patriots who gathered in Philadelphia 244 years ago and signed the Declaration of Independence. They enshrined a divine truth that changed the world forever when they said: “…all men are created equal.”

These immortal words set in motion the unstoppable march of freedom.  Our Founders boldly declared that we are all endowed with the same divine rights — given [to] us by our Creator in Heaven.  And that which God has given us, we will allow no one, ever, to take away — ever.  

Seventeen seventy-six represented the culmination of thousands of years of western civilization and the triumph not only of spirit, but of wisdom, philosophy, and reason.

And yet, as we meet here tonight, there is a growing danger that threatens every blessing our ancestors fought so hard for, struggled, they bled to secure.

Our nation is witnessing a merciless campaign to wipe out our history, defame our heroes, erase our values, and indoctrinate our children.

Angry mobs are trying to tear down statues of our Founders, deface our most sacred memorials, and unleash a wave of violent crime in our cities.  Many of these people have no idea why they are doing this, but some know exactly what they are doing.  They think the American people are weak and soft and submissive.  But no, the American people are strong and proud, and they will not allow our country, and all of its values, history, and culture, to be taken from them.

One of their political weapons is “Cancel Culture” — driving people from their jobs, shaming dissenters, and demanding total submission from anyone who disagrees.  This is the very definition of totalitarianism, and it is completely alien to our culture and our values, and it has absolutely no place in the United States of America.  This attack on our liberty, our magnificent liberty, must be stopped, and it will be stopped very quickly.  We will expose this dangerous movement, protect our nation’s children, end this radical assault, and preserve our beloved American way of life.  

In our schools, our newsrooms, even our corporate boardrooms, there is a new far-left fascism that demands absolute allegiance.  If you do not speak its language, perform its rituals, recite its mantras, and follow its commandments, then you will be censored, banished, blacklisted, persecuted, and punished.  It’s not going to happen to us.

Make no mistake: this left-wing cultural revolution is designed to overthrow the American Revolution.  In so doing, they would destroy the very civilization that rescued billions from poverty, disease, violence, and hunger, and that lifted humanity to new heights of achievement, discovery, and progress.

To make this possible, they are determined to tear down every statue, symbol, and memory of our national heritage.

True.  That’s very true, actually. That is why I am deploying federal law enforcement to protect our monuments, arrest the rioters, and prosecute offenders to the fullest extent of the law.  

I am pleased to report that yesterday, federal agents arrested the suspected ringleader of the attack on the statue of Andrew Jackson in Washington, D.C. and, in addition, hundreds more have been arrested.

Under the executive order I signed last week — pertaining to the Veterans’ Memorial Preservation and Recognition Act and other laws — people who damage or deface federal statues or monuments will get a minimum of 10 years in prison.  And obviously, that includes our beautiful Mount Rushmore. 

Our people have a great memory.  They will never forget the destruction of statues and monuments to George Washington, Abraham Lincoln, Ulysses S. Grant, abolitionists, and many others.

The violent mayhem we have seen in the streets of cities that are run by liberal Democrats, in every case, is the predictable result of years of extreme indoctrination and bias in education, journalism, and other cultural institutions.

Against every law of society and nature, our children are taught in school to hate their own country, and to believe that the men and women who built it were not heroes, but that were villains.  The radical view of American history is a web of lies — all perspective is removed, every virtue is obscured, every motive is twisted, every fact is distorted, and every flaw is magnified until the history is purged and the record is disfigured beyond all recognition.

This movement is openly attacking the legacies of every person on Mount Rushmore.  They defile the memory of Washington, Jefferson, Lincoln, and Roosevelt.  Today, we will set history and history’s record straight.

Before these figures were immortalized in stone, they were American giants in full flesh and blood, gallant men whose intrepid deeds unleashed the greatest leap of human advancement the world has ever known.  Tonight, I will tell you and, most importantly, the youth of our nation, the true stories of these great, great men.»

Serviço público (suscitado pelo 3.º comentário anónimo):

Em intenção dos devotos de Trump acrescento alguns esclarecimentos e informações:

Um esclarecimento adicional: o (Im)pertinências é um blog não é um tribunal.

10/07/2020

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: A pandemia está inocente

«Não foi a epidemia que criou uma economia estagnada, que só o turismo anima. Não foi a epidemia que criou uma dívida enorme, que agora limita o alcance dos auxílios estatais. Não foi a epidemia que criou a desigualdade entre o público e o privado, que divide, em termos de rendimentos e de segurança, a sociedade portuguesa. Não foi a epidemia que fez dos debates na comunicação social um simulacro, com interlocutores escolhidos pela sua ligação ao poder. Não foi a epidemia, em suma, que criou o sistema de poder socialista que, desde 1995, paralisou a economia, agravou a desigualdade e diminuiu o regime democrático. E sim, isto só pode correr mal, e vai correr mal, agora ou mais tarde, porque não se pode desfazer e desmoralizar um país, e esperar que depois tudo corra bem

Rui Ramos no Observador

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: Autocensura. Estádio superior da censura

«Heather Mac Donald é uma académica americana que estuda polícia e ordem pública. Estuda, pensa, mas tem dois problemas para os dias que correm: é uma mulher branca e escreve no "Wall Street Journal", que, como é do conhecimento geral, está ao nível do "Mein Kampf".

Infelizmente, esta minha ironia não está deslocada da realidade, isto é, esta esquerda dominante fala do "Wall Street Journal" com um ódio que só seria aceitável perante uma publicação fascista. Mas adiante. Sendo branca e republicana, Heather Mac Donald é uma autora tabu. O que ela diz está sempre fora da ‘verdade’, mesmo que seja verdade, mesmo que seja uma verdade factual. É por isso que ela foi há dias protagonista de um caso que revela bem a máquina autoritária deste politicamente correto.

Heather Mac Donald citou (*) um estudo académico de uma revista com peer review. Esse estudo confirma que não há viés racista da polícia quando se trata do uso de armas de fogo. É um facto (o racismo só é visível nos encontros sem armas de fogo). O que aconteceu? Os autores do paper citado pela ‘maldita’ e ‘branca’ Heather Mac Donald pediram desculpa e despublicaram o paper. É este o nível de censura e autocensura que esta esquerda está a impor ao pensamento, seja na academia, seja na literatura, seja no jornalismo, seja no humor.

Isto não quer dizer que não há racismo em muitos polícias. Quer dizer que o racismo é visível (e há estudos sobre isso) nos momentos em que o polícia não tem de sacar da arma: operações stop na estrada e violência corporal. Quando a polícia só tem de usar o corpo, como, aliás, no caso de George Floyd, sim, os números mostram um enorme viés racista contra os negros. Serve isto para quê? Para pintar um quadro real, factual, preciso da realidade, um esforço que não interessa a esta cultura do cancelamento e proibição.

Este é só mais um caso de uma extensa lista de atentados contra a liberdade de pensamento levada a cabo por este politicamente correcto, marxismo cultural, políticas de identidade, movimento woke, chamem-lhe o que quiserem. Eu chamo-lhe intolerância e censura.»

A censura e autocensura do “antirracismo”, Henrique Raposo no Expresso

(*) O relato pelas palavras de Heather Mac Donald pode ser lido em I Cited Their Study, So They Disavowed It

09/07/2020

Um Rio cada vez mais parecido com um socialista (6) - Democracia sim, mas com limites

Outras parecenças: (1), (2), (3), (4), (5)

Desde os seus tempos de presidente da câmara do Porto, o Dr. Rio nunca mostrou até hoje grande devoção pela democracia liberal. Sem recuar muito no tempo, alguns exemplos dos últimos dias.

Preocupado com o seu putativo lugar futuro como primeiro-ministro onde quererá «resguardar-se» de perguntas incómodas e, acrescento eu, aproveitando para se resguardar no momento presente das suas viagens a Lisboa, o Dr. Rui Rio propôs ao Dr. Costa que aceitou de pronto acabar com os debates parlamentares quinzenais onde o primeiro-ministro se sujeita a perguntas e é confrontado pelos deputados da oposição.

Se a sua falta de apego aos procedimentos normais numa democracia parlamentar (How are prime ministers held to account? A survey of procedures in 32 parliamentary democracies) ficou demonstrada, o seu apego à democracia partidária e o modo como vê os deputados do seu partido ficaram também demonstrados quando na entrevista ao Porto Canal, o Dr. Rio usou a expressão «punha os deputados lá de trás a gritar», referindo-se ao bando de apparatchiks com assento na Assembleia como um patrão moderno não se referiria aos seus empregados

Poucos dias depois sugeriu ao PR que por sua vez sugeriu ao PM, e todos aceitaram visível alívio, que acabassem as reuniões de monitorização da pandemia no Infarmed com os epidemiologistas.

Entretanto, foi cúmplice do PS na nomeação do ex-ministro das Finanças para governador do BdP numa situação com conflitos de interesse que ultrapassou o muito que já se viu neste domínio.

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (27) - Qual é afinal a taxa de letalidade do Covid-19? (4)

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva e é uma continuação deste.

Um estudo publicado na Lancet (Prevalence of SARS-CoV-2 in Spain (ENE-COVID): a nationwide, population-based seroepidemiological study) realizado por uma equipa espanhola sobre uma amostra aleatória de mais de 61 mil pessoas em diversas regiões de Espanha concluiu que a prevalência de anticorpos Covid-19 é de 5% na população ou cerca de 6 vezes maior do que a taxa de infecção registada (6.408 por milhão).

Uma das razões para isso é o facto de a maioria dos infectados não apresentar sintomas. No caso de Inglaterra, segundo o Office for National Statistics, apenas 22% das pessoas com testes positivos tinham apresentado sintomas.

Em consequência, como já tínhamos concluído, a taxas de letalidade (IFR = Infection Fatality Rate) são muito inferiores às estimadas com base no número de pessoas detectadas que são, na maioria dos casos, apenas as que tiveram sintomas e foram por isso testadas. Veja-se o quadro seguinte extraído de Studies on Covid-19 lethality da Swiss Policy Research.

Controlled PCR studies in population subgroups.
CountryDatePopulationIFR (%)Source
FranceMay 21Health workers0.05Study
USAMay 10MLB employees0.00Report
FranceMay 10Aircraft carrier0.00Report
USAMay 10Aircraft carrier0.09Report
USAMay 1Tennessee prison0.00Report
ItalyApril 28Health workers0.30¹Study
USAApril 17Boston homeless0.00Report
USAApril 17Boston blood donors0.00Report
GreeceApril 16Repatriations0.00Study
USAApril 13NYC pregnant women0.00Study
ShipMarch 17Diamond Princess0.13²Study

1) See table below; 2) Age-adjusted IFR based on US population.
1) Deaths in Italian health care workers by age group (ISS, May 20)