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04/07/2020

ARTIGO DEFUNTO: A verdade do jornalismo de causas é como a verdade do Pimenta Machado


«Em janeiro e fevereiro, a narrativa dos “liberais” (*) sobre a pandemia era esta: não podemos exagerar, não podemos ceder ao medo, há “racismo” nos bloqueios que Trump faz a chineses e europeus!

A CNN e o Times criticavam (e bem, a meu ver) os excessos securitários que Trump já estava a impor. Ou seja, em janeiro, fevereiro e parte de março a esquerda americana era a maior adversária dos lockdowns e dos estados de emergência, porque sabia que um cenário destes era o sonho de um autoritário como Trump. Em janeiro e fevereiro a CNN dizia aquilo que a Fox diz desde abril ou maio.

A narrativa começou a mudar quando Nova Iorque foi atingida. De repente, os média liberais passaram a ser os mais radicais do lockdown e do medo. Porquê? Perceberam que o número de mortos e de infetados podia ser uma arma anti-Trump. Ou seja, a CNN e o New York Times não têm tentado perceber a verdade da pandemia, nem têm desenvolvido uma posição moral sobre o medo e a quarentena; têm usado a situação para fragilizar Trump, criticando-o por uma coisa e o seu contrário consoante o momento. A tática muda a verdade. A proibição de voos de Trump em fevereiro era "racismo". Em abril essa proibição já tinha chegado tarde e era insuficiente. As manifs republicanas pelo regresso à normalidade são "irresponsáveis". As manifs dos antifas são "heroicas". A verdade que se amanhe.»

Excerto de "CNN e New York Times: o pós-verdade à esquerda", Henrique Raposo no Expresso

(*) Recordo que os americanos chamam "liberais" às várias esquerdas, enquanto na Europa (incluindo Portugal), os liberais são os democratas não socialistas que preconizam os mercados.

Ficou célebre no mundo do futebol o "pensamento" de Pimenta Machado, o antigo presidente do Vitória de Guimarães,
«No futebol, o que hoje é verdade amanhã pode ser mentira» 
Na época Pimenta Machado foi ridicularizado sem razão porque foi um verdadeiro percursor e o seu pensamento aplicado nos mídia é hoje praticado pelo jornalismo de causas que infesta as redacções, para quem a verdade é um conceito instrumental que serve o seu agitprop.

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