Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

21/06/2026

Pro memoria (148) - Some of the epitomes of anarcho-capitalism are, ultimately, examples of the triumph of the helping hand of the State.

«SpaceX “is a marvel of free markets” and “capitalism at its most remarkable”, you said in your leader on the rocket firm’s forthcoming initial public offering (“A Starship enterprise”, May 23rd). This overlooks the critical role that government played in getting SpaceX off the ground. In 2008 the fledgling startup was heading for bankruptcy until NASA awarded it a $1.6bn contract, thereby providing a trajectory-changing revenue stream. American taxpayers absorbed much of the early risk that private investors would not. SpaceX’s success is impressive, but it is a triumph of state-supported capitalism more than a free-market marvel.» T. Michael Spencer, Washington, DC (Source)

At first glance, it may seem that Elon Musk is very similar to the Portuguese capitalist who lives off the State. In reality, there are some differences. Musk was first saved by the State and repays it by wanting to slim down the State (DOJE), while the Portuguese capitalists are first saved by the State, repay it by trying to fatten the State, and go bankrupt despite the State.

Peter Thiel, a Musk's old pal and frenemy, and patron of president‑in‑waiting JD Vance, is yet another shining epitome of that anarcho‑capitalist, in Thiel's case, of the strain that foretells the arrival of the Antichrist.

His company Palantir — whose main clients include several governments, notably the American and the Israeli — somehow manages, quite miraculously, to enjoy the state’s helping hand as well.

19/06/2026

BELIEVE IT OR NOT! Finally, an agreement in which it is agreed that maybe an agreement will be reached (2) - Executive summary for MAGA believers

Continuation of (1), (2)

The following text is a summary by the MS Copilot of the article "Donald Trump gambles that Iran wants money more than power," and is intended for those who, 109 days after the incompetent attack on Iran, are still searching for a rationale in the chaotic decisions of their messiah. Good luck with that.

«The article analyzes Donald Trump’s preliminary peace deal with Iran, arguing that Trump is betting that Tehran values money more than strategic power — a risky and likely misguided assumption.

1. The deal: lots of money, few demands

Unable to defeat Iran militarily, Trump now offers:
  • The unfreezing of tens of billions of dollars
  • Lifting of sanctions
  • Immediate access to oil exports
  • A reconstruction fund of at least $300 billion (1)
In return, Iran promises:
  • Not to build a nuclear weapon (a long‑standing pledge)
  • To reduce part of its enriched uranium
  • To negotiate aspects of its nuclear program (without firm commitments)
The regime gives up almost nothing.

 2. The Strait of Hormuz and American humiliation

The deal includes reopening the Strait of Hormuz, but:
  • Before the war, the passage was already open
  • Now, after 60 days, tolls may be imposed
  • The article frames this as proof of the folly of the war and Trump’s final capitulation
3. Why the plan may fail

The text lists several reasons:
  1. Iranian leaders do not trust the U.S.
  2. They expect Israel to sabotage the agreement
  3. The nuclear program provides prestige and protection
  4. Iran is skilled at dragging out negotiations
  5. Inspections will be difficult, and the regime may cheat
4. Israel: the big loser
  • Israel pushed for the war but was excluded from the negotiations
  • Its campaign against Hezbollah was weakened
  • Netanyahu may pay a political price in the October elections (2)
  • The war was a strategic failure: Iran remains a threat
5. Gulf states: between fear and pragmatism
  • They need to restore an image of stability
  • They remain vulnerable to Iranian drones and missiles
  • They may:
    • Strengthen ties with Israel
    • Accommodate Iran
    • Or try to balance both sides
  • They can no longer rely on America’s willingness to fight
6. The final critique

The article concludes that:
  • Trump should never have started the war
  • He now tries to exit it by assuming that “everyone does everything for money”
  • But diplomacy requires understanding that the adversary does not think like you
In short

The deal is portrayed as:
  • A humiliating U.S. retreat
  • A strategic victory for Iran
  • A setback for Israel
  • A risk to regional security
  • A fragile bet based on financial incentives that may not work.»
_______________

(1) With the pious intention of shedding light on the dull minds that habitually resort to the lazy and unintelligent expedient of trying to disguise the errors of their idols with the errors of their enemies, I remind you that the Barack Obama administration agreed to pay Iran compensation for defaults by previous administrations to resolve a long-standing legal dispute handled by the Iran-U.S. Claims Tribunal in The Hague. This payment had the following two main components:
  • USD 400 million for failing to deliver military equipment paid for by Iran before the 1979 Islamic Revolution;
  • USD 1.3 billion relating to interest accrued over 35 years on that amount.
(2) Bibi has based his propaganda on: (a) only he could withstand international pressure and (b) only he could influence Trump. Now Bibi is compelled to choose between (a) and (b) and either disobey Trump on Lebanon and Iran, to save (a), or give in to preserve the perception of (b). Either option is bad for Bibi.

18/06/2026

Best description of the Portugal-DR Congo match so far

Independent

Make no mistake, we do not have a negative view of Portuguese football players. On the contrary, we consider "Portuguese football professionals as an example of excellence" just as we consider Cristiano Ronaldo one of the best players of his time when he wasn't just a statue.

Crónica da passagem de um governo (54b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 54a)
Antes de abusar dos superlativos o Dr. Montenegro deveria ler o poeta Aleixo

Num evento qualquer, o Dr. Montenegro fez lembrar o saudoso Eng. Sócrates, ao garantir que «Portugal tem uma saúde financeira que, não tenham vergonha de o dizerem a ninguém, porque é mesmo verdade, faz corar de inveja qualquer economia da União Europeia. (…) Não há uma única que possa dizer que está a fazer melhor do que nós».

Ao fazê-lo, o Dr. Montenegro ignorou o sábio conselho do poeta popular António Aleixo num dos seus sonetos «P'ra a mentira ser segura / e atingir profundidade, / tem de trazer à mistura / qualquer coisa de verdade».

Pior é difícil (1)

Como que a desmentir o Dr. Montenegro, o AirHelp Score 2026 no seu ranking de 279 aeroportos de todo o mundo classificou os aeroportos de Faro, Porto, Madeira e da Portela nos lugares 125, 192, 262 e 274.

Pior é difícil (2)

De acordo com o estudo da OCDE «Towards a Unified Social Benefit in Portugal - A Review of the Existing Social Benefits in Portugal and Reform Proposals for an Improved System», o sistema de benefícios sociais em Portugal é caótico, confuso, redundante e com regras obscuras e tem um impacto na redução da pobreza que é o menor na UE. Neste domínio, o Dr. Montenegro tem ainda responsabilidades limitadas, mas ainda assim teria mais uma razão para conter a sua verborreia autoelogiosa.

E se em vez de nos tornarmos «um líder mundial na IA», nos tornarmos um líder nos apagões

Como já vimos, a liderança na IA que o Dr. Matias nos propõe consiste essencialmente em fornecer  aos grandes operadores de centros de dados energia eléctrica abundante e barata produzida em "fazendas" de painéis solares chineses. No lugar dele, moderaria a excitação por várias razões que já referi, a que acrescento agora as conclusões do Relatório de Monitorização da Segurança de Abastecimento do Sistema Elétrico da Direção-Geral de Energia e Geologia, que apontam um crescente stress da rede eléctrica e que o ponto de rutura do sistema ocorre já em 2026 e as falhas de abastecimento tenderão a ser cada vez mais prováveis.

Os canários na mina de carvão aumentam os decibéis

No Economic Outlook de Junho a OCDE revê em baixa as previsões de crescimento da economia portuguesa de 2,2% para 1,8% em 2026 e de 1,8% para 1,7% em 2027.

O excedente orçamental do primeiro trimestre conseguido à custa dos atrasos nos pagamentos da despesa do SNS passou em Abril a défice de 1,5 mil milhões (fonte).

Perante perspectivas pouco optimistas, não admira que a colocação de duas emissões de OT a 9 e 19 anos no 1,08 mil milhões, inferior ao objectivo de 1,25 mil milhões de euros, se tenha feito a taxas mais elevadas em 17 e 13 pontos base, respectivamente, do que as emissões anteriores dos mesmos prazos.

Boa Nova seguida de choque com a realidade

A Boa Nova é o aumento homólogo em Abril de 15,5% das exportações de bens e de 8,9% das importações, de que resulta uma melhoria do défice da balança comercial. O choque com a realidade é que as exportações de Janeiro a Abril se reduziram em 1,4% em relação ao ano passado e o saldo negativo agravou-se em 23%. (INE) Acrescenta-se a este choque a constatação pelo governador do BdP de que o ano passado «Portugal perdeu quota de mercado em 195 dos 341 mercados individuais».

Corrigir as consequências indesejadas de medidas erradas com acções erradas

Em teoria, o intervencionismo do BdP de tentar tornar obrigatórias medidas para travar o aumento do crédito para habitação resultante das garantias públicas é a resposta errada a uma medida errada do governo de dar incentivos à procura num mercado de habitação com uma oferta insuficiente, em grande parte resultante de intervenções dos governos do passado e do presente.

17/06/2026

BELIEVE IT OR NOT! Finally, an agreement in which it is agreed that maybe an agreement will be reached (2) - Losing his grip on reality itself

Continuation of this other post

«Donald Trump arrived in France yesterday for this morning’s G7 summit and promptly confirmed America’s capitulation to Iran. Instead of merely repeating the outlines of what looks to be a terrible peace deal, however, Trump made a series of statements so bizarre, even by his usual standards, that they raise the question of whether the president still understands the words that come out of his own mouth.

The president began with a classic Trumpian move, daring his listeners to forget today what they knew yesterday. Just this winter, Trump had promised the Iranian people that the tyrants who ruled them would be gone. But now? “I never cared about regime change,” he told reporters, waving away his failure to achieve a primary strategic goal by denying that it had ever been a goal at all.

Things got a little weirder, however, when he described the Iranians who have stepped in to replace the regime leaders killed in U.S. strikes: “We’re dealing with people that I think are very rational people. And they were nice to deal with.”

“They were strong people, smart people,” he added. And then he dropped this remarkable claim: “They’re not radicalized, and they’re, you know, looking to help their country.”

This definitely not-radicalized group that Trump seems to like includes the new supreme leader, Mojtaba Khamenei (whose father, wife, and son were killed by U.S. strikes), and the still-standing Islamic Revolutionary Guard Corps, all of whom have shown no compunction about lashing out in any direction during Trump’s “cease-fire,” the make-believe pause in the war during which no one actually ceased firing.

Trump’s description of the current regime in Tehran as a bunch of swell guys was brewed in a heavy-duty vat of wishful thinking. It’s an extreme version of Trump’s tendency, when he’s been outplayed by powerful enemies, to describe his opponents as basically reasonable people. (He has done the same over the years with dictators and autocrats in North Korea, Russia, and China, among other countries.) This is his way of assuring the public that he did not get taken to the cleaners—because, of course, his affable partners would never do that.

Trump fared no better talking about the Iranian nuclear program. Iran’s stockpile of highly enriched uranium exists largely because Trump unilaterally called off U.S. participation in the Joint Comprehensive Plan of Action, the 2015 agreement that was meant to prevent Iran from enriching uranium beyond minimal levels for civilian uses. After the U.S. and Israeli attacks last year, and yet more pounding during Operation Epic Fury, that uranium remains underground, either hidden in storage or buried beneath tons of rubble; some of it can likely be recovered and enriched for military uses. Trump has said, repeatedly, that Iran must hand it over.

Until today.

16/06/2026

Crónica da passagem de um governo (54a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
PSU, uma discussão para entreter e exercitar a demagogia

Há alguns meses que se discute a agregação, exigida pela CE (e pela lógica), de uma dúzia de subsídios numa coisa chamada PSU (Prestação Social Única), discussão que tem sido terreno para o combate entre a doutrina subsídio-dependente e a demagogia ignorante. Estão em causa, por exemplo, € 285 euros mensais do RSI e outras miudezas que quando agregadas custarão menos de 600 milhões por ano, o equivalente a um pouco mais do que as perdas que a Caixa registará com a falência do projecto La Seda, uma menina-dos-olhos do governo Sócrates que envolveu vários membros da grande Famiglia Socialista, incluindo o marido da Dr.ª Elisa Ferreira, várias vezes ministra, deputada pelo PS ao parlamento português e ao europeu e comissária europeia.

É dificilmente ultrapassável  o descaramento das tretas de várias luminárias socialistas classificando como «trabalho forçado» a obrigação dos subsidiados exercerem uma actividade de solidariedade social, a exemplo do que já estava previsto no regime do RSI criado pelo governo socialista do Eng. Sócrates.

O ideal seria os imigrantes contribuírem para a economia portuguesa, mas na terra deles

De acordo com o Estudo do ICS-ULisboa (Expresso) a atitude dos portugueses face à imigração tornou-se menos negativa: dois terços dos inquiridos consideram que os imigrantes contribuem positivamente para a economia e só um quarto acreditam na tese do Dr. Ventura de que os imigrantes privam os portugueses dos serviços públicos, apesar de quase metade acreditarem nas outras teses do Dr. Ventura de que os imigrantes aumentam a criminalidade e fazem fracos os fortes portugueses.

Aumentar o salário mínimo só precisa de um decreto. Aumentar a produtividade é um pouco mais difícil


[Esperando que Confúcio estivesse certo e que uma imagem vale por mil palavras, em intenção das almas atreitas ao pensamento milagroso que acreditam que se aumenta a produtividade aumentando os salários ou que a riqueza se pode aumentar sem aumentar a produtividade ou que a produtividade se pode aumentar sem aumentar o desempenho dos trabalhadores]

O mistério das rendas muito altas e que não atraem os investidores

Deveria dar que pensar ao governo e às luminárias que desperdiçam o seu talento a imaginar soluções para o mercado de arrendamento habitacional, que a altura a que chegaram as rendas não seja suficiente para os investidores do build-to-rent sejam praticamente inexistentes em Portugal e noutros países preencham uma parte significativa da oferta (Alemanha, Suíça, Reino Unido, Áustria, Países Baixos e até a Espanha que actualmente tem 25 mil habitações operacionais e 30 mil em construção). Não será por acaso, nesses países o peso das habitações próprias é muito inferior e nenhum iluminado se lembrou de lançar o programa de crédito jovem com garantia pública.

Quem disse que os socialistas abominam o “privado”?

Multiplicam-se os ex-ministros socialistas que renegam a sua desconfiança, na melhor hipótese, ou repúdio, na mais frequente, pela iniciativa privada e optam por projectos profissionais e empresariais na área de onde foram ministros. Por exemplo, o Dr. Fernando Medina, o Dr. Duarte Cordeiro, o Dr. João Galamba, entre muitos outros que a revista Sábado inventariou.

Canários na mina de carvão. O dinheiro está a ficar mais caro


Desde o início do ataque aos aiatolas, que era para durar uns dias e já vai em 105 dias, o Euribor 6 m aumentou quase meio ponto percentual.

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS» / «Em defesa do SNS, sempre» / «O SNS é um tesouro»

O Índice de Saúde Sustentável 2025/26 da NOVA-IMS e da biofarmacêutica AbbVie revela uma redução ligeira da actividade, invertendo a tendência de melhoria desde 2021 (fonte).

Se o SNS tem falhas não será por falta de dinheiro dos “utentes” cujos impostos pagam 87% da despesa do Estado com a saúde (os restantes 13% são financiados com outros impostos, como o IRC) e ainda suportam directamente 38% da despesa total em Saúde, providenciada pelo sector privado. A primeira percentagem é a mais elevada e a segunda percentagem é a terceira mais elevada da UE (fonte)

A acrescentar às razões que os portugueses já tinham para não confiar no SNS, o governo acrescentou-lhes várias e, entre elas, a nomeação de 7 em cada 10 dos presidentes de ULS próximos do PSD.

(Continua)

15/06/2026

BELIEVE IT OR NOT! Finally, an agreement in which it is agreed that maybe an agreement will be reached


After 104 days of bombing, several threats of total destruction, a three-dozen announcements of peace agreements followed by new attacks or threats causing in enormous stock market volatility, which some speculated were precisely the purpose of those announcements and threats, President Donald Trump announced yet another agreement yesterday, which, to be announced on his birthday, I speculate cost him several concessions, in addition to a concession to his own narcissism.

The announced memorandum of understanding will be signed at the end of this week and, from what it appears so far, leaves the most difficult issues for later, including the fate of the enriched uranium stockpile.

PUBLIC SERVICE: The Nanny State finances everyone, those who don't need it and even terrorists


«Terrorists, hostile states and gangsters have been given more than £28bn of taxpayers’ money, including through aid payments, according to a secret government report.

The Telegraph can reveal details of a dossier showing that billions of pounds went to organised crime, with millions going to Russia and Islamic State.

It demonstrates that foreign aid and Covid relief loans were appropriated on a vast scale by Britain’s enemies, with the money beyond reach and those who took it unpunished.

More than £28bn ended up in the hands of those wishing to harm Britain between 2015 and 2021, according to the report, which was commissioned and produced by the Cabinet Office but was buried during the previous government.

Sources said it was never made public to save the government from the political embarrassment of revealing the huge scale of misdirected funds.

The Telegraph can reveal the existence of the document, believed to be the first assessment of how much taxpayer money has gone on to fund national security threats. It includes:

  • Grants given to companies linked to the Russian state
  • Covid loans sent to Islamic State terrorists
  • Investment in research for companies linked to the Chinese military.»

Continue reading in the Telegraph

14/06/2026

Lost in translation (375) - Greve geral significa uma greve parcial dos funcionários públicos (II)

Continuação de Lost in translation (374).

BdP

Quem tenha consultado a lista de 66 páginas com 990 entidades afectadas pela greve, publicada pela CGTP, spin-off do Partido Comunista para as greves dos funcionários públicos, já teria concluído que impacto da greve geral foi ridiculamente insignificante e não terá razões para ficar surpreendido com a divulgação pelo BdP do Indicador diário da atividade económica (DEI) do Banco de Portugal dessa semana, de onde se conclui que ocorreu uma redução da actividade económica ao redor dos 5%.

13/06/2026

ESTÓRIAS E MORAIS: Saberão eles o que é um líder forte que se borrife para o parlamento e as eleições?

Estória
  
Expresso

Em que partidos votaram esses 50% dos portugueses? Resistiriam esses 50% dos portugueses a um líder forte que adoptasse medidas indispensáveis, tais como o aumento da idade da reforma e/ou o aumento das contribuições para a Segurança Social e/ou a redução das pensões, o emagrecimento do Estado sucial, a qualificação e profissionalização dos quadros e a meritocracia da administração pública, a flexibilização da legislação laboral, incentivar a concorrência e o combate à cartelização, criar forças militares capazes de travar uma guerra moderna, etc. (um grande etc.)?

Recordemos o coro de protestos e queixas durante os anos da intervenção da troika que forçou o governo a tomar medidas indispensáveis, mas duras.

Em vez de culparem a democracia, que lhes permite escolher de acordo com os seus preconceitos, esses eleitores deveriam sentir-se responsáveis pelos seus preconceitos e pelas suas escolhas fundadas nesses preconceitos.

Já agora, olharam esses 50% para a História e viram os inúmeros exemplos de líderes fortes que se borrifaram para o parlamento e as eleições e foram tão incompetentes para governar como os líderes fracos e foram sobretudo competentes para impedirem as oposições de apresentarem alternativas?

Moral

Disse um líder forte que não se borrifou para o parlamento e as eleições, dois anos depois de as ter perdido, após ter enfrentado uma ameaça existencial para o seu país, ameaça conduzida por um outro líder forte que se borrifou para o parlamento e as eleições: 

«Many forms of Government have been tried, and will be tried in this world of sin and woe. No one pretends that democracy is perfect or all-wise. Indeed it has been said that democracy is the worst form of Government except for all those other forms that have been tried from time to time.…»

12/06/2026

A defesa dos centros de decisão nacional (36) - Os seguros inseguros

Outras defesas dos centros de decisão nacional.

Recordemos, uma vez mais, os inúmeros manifestos pela defesa dos centros de decisão nacional, alguns deles assinados por empresários que, passado algum tempo, venderam a estrangeiros as suas empresas e as inúmeras declarações no mesmo sentido da esquerdalhada em geral. Recordemos também que esta necessidade de vender o país aos retalhos resulta do endividamento de públicos e privados e da descapitalização da economia portuguesa, consequência de décadas a viver acima das posses.


Os diagramas anteriores mostram as fases mais relevantes da evolução da repartição do mercado entre seguradores portugueses e estrangeiros, medida pelos Prémios Brutos Emitidos, ou seja, pelo Volume de Negócio dos seguradores.

Decorridas cinco décadas do mantra do "nacionalizado, nosso" do PREC, a estrutura do mercado inverteu-se completamente, com os seguradores controlados por grupos estrangeiros detendo mais de 90% do mercado.

A Caravela, detida pelo empresário Mário Ferreira do grupo Mystic Invest e da Pluris Investments, maior acionista da Media Capital, e pelas famílias Violas e Quintas, é ainda um dos seguradores sobrantes. Por pouco tempo, porque está a ser negociada a sua venda à Allianz, o maior grupo segurador europeu em capitalização bolsista e activos. Diz-se que a Lusitânia, do Montepio, é outro sobrevivente que pode ser vendido em breve.

11/06/2026

MAGA is a product of the decline of American democracy and an agent of its acceleration

«Belief in democracy as a core pillar of American identity is eroding, with only about two-thirds of U.S. adults now stating that a democratically elected government is highly important to the nation's identity, a sharp drop from 80% in 2021.

The poll reveals a widening generational divide over American exceptionalism, as 44% of adults under 30 say there are other countries better than the U.S., compared to just 22% of Americans aged 60 and older who feel the same way.

Skepticism surrounding the "American Dream" has become mainstream, with 51% of all respondents stating that the ideal—that hard work guarantees success—once held true but no longer does in the current economic landscape.

Deep partisan splits persist regarding the nation's global standing and values, as roughly half of Republicans view the U.S. as standing above all other countries compared to only 7% of Democrats, while 76% of Democrats see a mix of global cultures as essential to the U.S. compared to 40% of Republicans.

The data highlights a broader feeling of national unease, contrasting sharply with local and federal planning for the upcoming "America 250" celebrations commemorating the 250th anniversary of the United States' founding.»

(Groundnews)

10/06/2026

CASE STUDY: A Administração dita Pública?

mais liberdade

Como se pode confirmar, é vasta a colecção de posts deste blogue em que se cita ou referencia a Dr.ª Clara Ferreira Alves, também conhecida como Pluma Caprichosa. Se concluirem que esta vasta colecção indicia uma certa fixação nessa luminária do jornalismo doméstico, não vejo como negar. A fixação explica-se por boas e más razões e, no que me diz respeito, as boas razões radicam no facto de a Dr.ª Clara ser uma pessoa portadora de uma inegável erudição e porque, surpreendentemente, estou por vezes de acordo com o que escreve. As más razões são: a sua ostensiva Cóltura, o seu cosmopolitismo pedante e, sobretudo, aquele faux pas (a coisa é contagiosa) da entrevista apologética ao Sr. Eng. Sócrates, a pedido do seu ídolo Dr. Soares.

Nos últimos tempos, a Dr.ª Clara tem andado desiludida com o curso das coisas e tem escrito sobre as trivialidades do Portugal dos Pequeninos, como fez a semana passada com o seu artigo com o título A Administração dita Pública em que se lamenta da odisseia da renovação do seu passaporte (um utensílio indispensável para continuar a exercitar o seu cosmopolitismo). 

Vale a pena ler essa peça porque é um retrato da inépcia, incompetência, ineficácia e ineficiência do aparelho administrativo do Estado sucial. E, no entanto, isso não será por falta absoluta de dinheiro porque a despesa pública em Portugal está acima da média da OCDE, apesar de, como o gráfico acima mostra, a sua composição diferir da média na Protecção social (mais oito pontos percentuais), nos Serviços públicos gerais (menos três p.p.) e, ao arrepio do discurso oficial, na Saúde (menos três p.p,) e na classe residual Outros (menos quatro p.p.). Se fosse só um problema de dinheiro - e não é - dir-se-ia que o Estado português gasta demasiado a dar colo aos cidadãos em detrimento do funcionamento da sua máquina administrativa.

09/06/2026

Crónica da passagem de um governo (53b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 53a)

Boa Nova

Por mais do que os 2/3 necessários, Portugal foi eleito pela Assembleia da ONU como membro não-permanente do Conselho de Segurança. Mais do que o alegado prestígio internacional que as elites caseiras e o jornalismo de causas, dando a graxa a si próprios, atribuem aos 134 votos, este resultado é sobretudo a consequência de uma presença inócua na política internacional que não gera anticorpos. Não, esta não é uma consideração negativa do papel de Portugal.

É preciso ser muito saudável para resistir a tanta doença

Ao ficar a saber-se que dos cerca 5,3 milhões de empregados em Portugal mais de um milhão tiveram o ano passado baixas por doença (muitos deles por autodeclaração), cujos subsídios foram em média diária 2,3 milhões de euros, lembrei-me deste post do outro contribuinte, cujo título roubei, que enumera umas dezenas de maleitas que assolam milhões de portugueses explicando assim a pletórica frequência de baixas por doença.

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

No mês de Abril bateu-se mais um recorde do número de “utentes” (acho esta palavra um achado para designar os cidadãos que não usam o SNS) sem médico de família (MdF) que atingiu em Abril o bonito número de 1.646.279, segundo o Portal da Transparência do SNS.


Conforme se vê no gráfico, a coisa veio sempre a subir desde Agosto de 2019 e atingiu o máximo em Maio de 2023, depois de dezenas de promessas do Dr. Costa de atribuir um MdF a todos os utentes.

Sem pretender limpar a folha do Dr. Montenegro que em tempos se atribuiu a missão impossível de resolver num ano os problemas do SNS, e que deixou escorregar os 1.565.880 utentes sem MdF que recebeu do Dr. Costa em Abril de 2024, para 1.646.279 dois anos depois, terei de conceder que a missão de salvamento do SNS fica difícil com a propensão dos utentes para a doença.

O Dr. Montenegro está a disparar para o lado a bazuca do Dr. Costa

O Conselho das Finanças Públicas e a Unidade Técnica de Apoio Orçamental alertam para uma execução de apenas 45% do PRR a um ano do termo. Será que o governo leu “O Vício dos Fundos Europeus” de Nuno Palma e concluiu que o dinheiro de Bruxelas faz parte do problema e não da solução?

O governo chutou as filas de espera para Bruxelas que as devolve

O governo tentou chutar para Bruxelas a responsabilidade pelos problemas de implementação do Entry/Exit System (EES) para controlo dos passaportes que começou a funcionar em Outubro do ano passado, teve de ser suspenso em Dezembro e voltou a funcionar em Abril multiplicando as filas de espera nos aeroportos. A CE responde que os «tempos de espera mais longos, não estão relacionados com quaisquer problemas no funcionamento do Sistema de Entrada/Saída» e que «na maioria dos Estados-membros o processamento dos registos de primeira vez demora, em média, pouco mais de um minuto». Talvez seja porque nenhum desses países tem «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA».

08/06/2026

Crónica da passagem de um governo (53a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Os portugueses só apreciam as reformas que dão pensões…

É mais difícil encontrar uma criatura pública que não reclame reformas do que um lince ibérico à solta. No entanto, se há coisa que os portugueses detestam, são reformas, apesar de poucos políticos assumirem publicamente essa falta de gosto, com a notável excepção do Dr. Costa, que algures em 2017 disse aos microfones da Rádio Renascença «A expressão reformas estruturais arrepia-me. Qualquer cidadão normal fica logo alérgico.» Daí, suspeito, a sua bem-sucedida carreira.

De onde, permito-me concluir, não se pense que a escassez de reformas do governo do Dr. Montenegro o vá apear, tanto mais que os numerosos anúncios são, em princípio, compensação suficiente para manter sossegado o eleitorado. O que traria o desassossego não seria a falta de reformas, mas as “reformas estruturais” e, sobretudo, a falta de subsídios de todas as naturezas.

É por isso que o governo não poupa aos contribuintes a extorsão para o pagamento de subsídios para compensar o aumento do preço dos combustíveis (uma política completamente errada), sendo o último desses aos agricultores,

… o que não escapa ao olho perspicaz do Dr. Ventura

Daí que, com a vantagem de não ser governo nem, suspeito, estar com muita pressa de o ser, o Dr. Ventura tenha proposto em Abril a descida da idade da reforma, corrigindo a pontaria depois de admoestado pelo Dr. Passos Coelho para a reforma com 40 anos de descontos ou 65 anos de idade, proposta apimentada com o limite máximo das pensões fixado em € 4.500 limite que abrangeria provavelmente menos de 0,1% do número de pensões.

A “reforma” que todos os governos não falham: aproximar o salário mínimo do salário mediano a caminho do salário médio

Por falar em reformas, o BdP, atravessando a fase interventiva que sempre acompanha um novo governador, chama a atenção no seu boletim de Junho para os riscos dos sucessivos aumentos do salário mínimo o aproximaram cada vez mais do salário mediano (isto é, do montante em que o número de salários mais baixos e mais altos é aproximadamente o mesmo) aumentando a relação (índice de Kaitz, que era o mais alto em 2024 na Zona Euro) entre os dois, de 87% em 2019 para 91% em 2025. Dito de outra maneira, o incentivo para os trabalhadores dos escalões mais baixos de salário melhorarem o seu desempenho é cada vez menor, o que é uma preciosa ajuda para manter a produtividade do trabalho em 76% da média da UE, a 6.ª mais baixa.

Já agora, sublinhe-se que tem sido o aumento do salário mínimo que mais contribuiu para Portugal ter tido nos dois últimos anos o segundo maior crescimento real dos salários nos países da OCDE.

Derrapagem é o outro nome para a gestão das obras do Estado sucial

A derrapagem do prazo de expansão do Metro de Lisboa, que era para estar concluída sucessivamente no final de 2023, no primeiro trimestre de 2025, no final de 2026 e, por último, no início do próximo ano, só é superada pela derrapagem do custo da obra, que, na última revisão, estava 80% acima do orçamento inicial (fonte).

(Continua)

07/06/2026

Por que razão a direita não se une?

A pergunta é o título deste artigo de André Abrantes Amaral (AAA) e poderia ser, mas não é, uma pergunta retórica. A resposta de AAA situa-se no domínio da política portuguesa e não vou comentá-la porque o que me interessa é a questão mais geral, para concluir, uma vez mais, como aqui, por exemplo, o que toda a gente sabe ou deveria saber, mas é quase sempre esquecido ou desconsiderado.

Political Compass

Não há uma direita, há várias direitas, e entre essas direitas, em certos casos, há mais diferenças (por vezes inconciliáveis) do que entre algumas esquerdas e algumas direitas. É o que o próprio AAA reconhece quando conclui que «parte da direita que hoje é maioritária no parlamento defende uma maior intervenção do estado na economia, é socialista em termos económicos».

06/06/2026

BREAKING NEWS: At first it seems strange, then it becomes ingrained (update)

Update to this post


«On January 6, 2021, 19-year-old Elias Irizarry was among the members of a violent mob that broke into the U.S. Capitol and attempted to overturn the recent presidential election. He was convicted of trespassing on government grounds, and videos from that day show him entering through a window with a metal pole in his hand. Now he may have access to sensitive national-security information as an employee of the Department of Defense.»
  (The Atlantic)

04/06/2026

Lost in translation (374) - Greve geral significa uma greve parcial dos funcionários públicos


Ontem, tivemos mais outra greve dita geral envolvendo pouco mais do que os ocupantes da vaca marsupial pública, alguns dos quais também se manifestaram contra o que chamaram pacote laboral, pacote cuja putativa adopção não teria quaisquer efeitos relevantes sobre esses ocupantes com empregos vitalícios protegidos do stress da concorrência. A esmagadora maioria das "vítimas" do pacote, os trabalhadores do sector privado, dos quais só em cada quinze está sindicalizado, continuaram a trabalhar nas empresas ou em teletrabalho suportando o desconforto da escassez de transportes públicos paralisados pelos ocupantes das referida vaca e a indisponibilidade dos serviços públicos nomeadamente das escolas e dos hospitais públicos.

O impacto da greve geral foi tão ridiculamente insignificante que a CGTP, spin-off do Partido Comunista para as greves dos funcionários públicos, publicou no seu site uma lista de 66 páginas com 990 entidades afectadas pela greve, a saber:
  • 24 Empresas privadas com "produção parada" do milhão e meio de Micro e PME que existem em Portugal;
  • 215 organismos públicos encerrados dos cerca de 4.200 organismos públicos existentes;  
  • 15 organismos públicos com serviços mínimos;
  • A restante miscelânia de entidades, com taxas de adesão à greve de 45% a 100%, dos quais quase todas são organismos públicos, entre eles:
    • Cerca de 200 organismos ligados a câmaras municipais;
    • Cerca de 270 escolas e creches;
  • Com dificuldade, lá se conseguem encontrar algumas micro e PME, lista que inclui alguns  departamentos de empresas privadas (por exemplo a loja de Eiras da Auchan, um posto de abastecimento da BP, Lidl de Alcochete e de Tondela, o Posto logístico da Sonae na Azambuja e outra miudezas). 
A única novidade nas manifs com layout e slogans do século XIX, onde se viam cartazes a reclamar "pão" e a protestar porque o "custo de vida aumenta", foi a sua parasitagem por áctivistas (provavelmente os mesmos áctivistas das mudanças climáticas) que usaram a violência e provocaram a resposta, por vezes violenta, da polícia.

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Alteração do entrada do Glossário das Impertinências:

Greve geral (sindicalês)

Uma greve de muitos empregados do Estado, devidamente protegidos das agruras do mundo real, cujos "direitos" não são afectados, e de alguns trabalhadores de empresas privadas; greve convocada quando o governo não é de esquerda, por sindicatos que representam menos de um sexto dos trabalhadores, que reclamam ter mobilizado a maioria dos trabalhadores, greve geralmente com impacto limitado que é convocada para a véspera de um feriado, sexta-feira ou segunda-feira, acompanhada de manifs com cartazes do século XIX e parasitada por áctivistas violentos.

03/06/2026

BREAKING NEWS: At first it seems strange, then it becomes ingrained

«A convicted Jan. 6 rioter who later said that he regretted his participation in the U.S. Capitol attack has been hired by the Trump administration to work inside a Pentagon office that manages highly classified military operations, according to four people familiar with the matter.

The appointment of Elias Irizarry, who was 19 at the time of the riot in 2021, to a post in the Defense Department’s Special Operations and Low Intensity Conflict office has raised alarm internally among staff who question how anyone convicted in the assault on American democracy could be trusted for such a sensitive role in the U.S. government, these people said. All spoke on the condition of anonymity, citing a fear of retaliation.» Washington Post

At first glance, it seems strange that the Trump Administration would appoint someone convicted of breaking into the Capitol to work in counterterrorism at the U.S. Department of Defense. However, appointing such a person to combat terrorism makes as much sense as hiring a hacker to combat cyber intrusion, which is a normal procedure in the computer industry.

«President Trump lashed out at Israeli Prime Minister Benjamin Netanyahu over Israel's escalation in Lebanon in an expletive-laden call ("You're fucking crazy") on Monday, two U.S. officials and a third source briefed on the call told Axios.» Axios

It may also seem strange that Mr. Trump insulted Mr. Netanyahu, but the truth is that his democrat predecessor, Roosevelt, once said of the dictator Somoza, "He may be a son of a bitch, but he's our son of a bitch."

Unfortunately, not everyone, even among his devotees, understands these subtleties, and that's why President Trump's net approval rating continues to fall.

02/06/2026

Crónica da passagem de um governo (52b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 52a)

Boa Nova. Os alicerces das reformas do Dr. Matias estão prontos até ao verão

O Dr. Matias pode não ter jeito para fazer reformas, mas ninguém lhe pode negar um talento excepcional para fazer anúncios, como se lê nos artigos encomendados pela sua equipa aos jornalistas amigos. Por exemplo, este artigo com o título «Estado: Alicerces da reforma estão construídos até ao verão» que nos garante que «a rentrée será feita num novo quadro» e nos informa que o governo já extinguiu ou fundiu 35 entidades e reduziu 300 cargos dirigentes, mas não nos esclarece o que foi feito dos dirigentes.

A FA vai reformar os F16 e pretende substituí-los por F35

A Força Aérea já fez saber que para substituir os F16 prefere os F35. A 180 milhões a peça, o pretendido lote de 28 ficaria por uns 5 mil milhões, lote que, desconfio, daria para a primeira semana de guerra. Ora aqui está um tema que o ministério das Reformas poderia tomar a seu cargo e estudar uma solução alternativa mais adequada aos países em via de subdesenvolvimento. Por exemplo, seria muitíssimo mais barato encomendar à Ucrânia uns milhares de drones, incluindo assistência técnica, pelo preço de um F35.

Boa Nova. Crescimentos de 3,5 ou 4% ao ano

O Dr. Montenegro considerou que Portugal «tem capacidade para crescer 3,5 ou 4 por cento ao ano de forma consecutiva» e «vale a pena criar instrumentos» para o conseguir.

Choque da Boa Nova com a realidade

O Portugal dos Pequeninos cresceu nos últimos 10 anos a uma taxa média de 2,25%, nos últimos 3 anos cresceu em média 2,4%, e a economia estagnou no 1.º trimestre, apesar do aumento do investimento devido nos processadores do centro de dados de Sines, ainda antes dos impactos da guerra do Golfo Pérsico, a CE baixou as suas previsões deste ano para 1,7%, e as perspectivas para 2027 não são muito diferentes.

O desempenho medíocre dos últimos anos foi apesar de circunstâncias irrepetíveis, como os 15 mil milhões já recebidos do PRR e um crescimento insustentável do turismo. Esgotadas essas circunstâncias irrepetíveis, o Dr. Montenegro vem dizer-nos que o crescimento poderá ser uma e meia ou duas vezes maior do que o conseguido, quando começarem a ser reembolsados os empréstimos do PRR, equivalentes a quase 28% dos montantes recebidos. Qual é o milagre que tem no bolso um Dr. Montenegro que até agora não fez uma reforma com impacto no crescimento potencial?

Serão os imigrantes os canários na mina de carvão da economia portuguesa?

Não se deve dar crédito a conclusões apressadas, baseadas em entrevistas do jornalismo de causas a meia dúzia de pessoas, segundo as quais os imigrantes começam a sair de Portugal em massa. Ainda assim, a informação de que mil TVDE estão parados em Lisboa por falta de motoristas, na sua maioria imigrantes, deve significar algo.

E o que vão fazer os chuis depois de libertos das tarefas administrativas?

Por um lado, o governo fala em aumentar os efectivos policiais no quarto país da UE com mais polícias por 100 mil habitantes, por outro, o mesmo governo quer libertar os polícias do trabalho administrativo.

01/06/2026

Crónica da passagem de um governo (52a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não…

… lançar os concursos para a concessão de exploração do lítio, há dez anos a serem estudados?

O Dr. Passos Coelho tem razão. Um político não deve ser um “prostituto sem carácter

É por isso que o Dr. Passos Coelho deveria ter concorrido à eleição deste fim de semana para escolher o líder do PSD em alternativa a deixar o Dr. Ventura saltar-lhe para o colo.

O Dr. Montenegro também tem razão. Governar é uma maratona

É por isso que há profissionais que correm a maratona em duas horas e amadores que precisam de quatro horas e até há quem faça um passeio durante a prova e nunca termine.

.. e ao km 10 está a alcançar o pior dos dois mundos: não toma medidas impopulares e fica impopular…

A sondagem do Barómetro da Aximage para o DN já mostrava a queda do PSD e dias depois a sondagem Expresso/SIC confirmava que o PS tem mais quatro pontos percentuais de intenções de voto do que a AD e a direita perdeu a maioria, também porque o PUAV (Partido Unipessoal do Dr. Ventura) perdeu cinco pontos percentuais o que prenuncia o megafone do Dr. Ventura a subir os decibéis e a ajustar a pauta ao que ele imagina está nas meninges dos que ele imagina constituem o seu eleitorado.

O pior de tudo para o Dr. Montenegro é que a sua avaliação é negativa e até desceu nos simpatizantes do PSD, os quais, ainda assim, lhe deram nas eleições para presidente uma maioria africana de 95%. Pelo menos esses parecem felizes.

Mais tentáculos do polvo socialista “imergiram” e, uma vez mais o ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor

Continuando a tradição criativa de baptizar as operações, desta vez a Judiciária chamou “imergente” à operação em que investiga e detém por suspeita de «crimes de prevaricação e participação económica em negócio, envolvendo a adjudicação de diversos contratos por parte de câmaras municipais e juntas de freguesia», cinco quadros do PS e entre eles Duarte Moral, diretor de comunicação do Dr. Carneiro, e a sua (do Dr. Moral) mulher, envolvendo contratos no total de 2 milhões incluindo com uma empresa do próprio Dr. Moral. Por não inesperada coincidência, o Dr. Moral, já havia sido assessor do Dr. Costa quando este presidiu à Câmara de Lisboa.

Dois dias antes da “imergência” do caso do Dr. Moral, a mesma Judiciária fez buscas na empresa Águas de Gaia, no âmbito da operação "Águas Turvas" (lá está, a Judite no seu melhor) que envolve a gestão do ex-presidente socialista Eduardo Vítor Rodrigues que perdeu o mandato no ano passado condenado peculato e também a gestão do Dr. Filipe Menezes do PSD (lá está, o Bloco Central a funcionar)

Take Another Plan. Por falar em polvo, a TAP é um operador verdadeiramente internacional

Já sabíamos há muito que, pela mão do Dr. Lacerda Machado, o “melhor amigo de sempre” do Dr. Costa, que esteve envolvido no SIRESP, na compra dos helicópteros Kamov, na reversão da privatização da TAP, na resolução do caso dos lesados do BES, no acordo do CaixaBank com Isabel dos Santos, no caso dos lesados do Banif e na tentativa de solução do crédito malparado da banca, a TAP comprou a VEM que o Dr. Lacerda Machado disse o ano passado no parlamento foi o melhor "negócio dos últimos 50 anos".

Ficámos agora a saber que entre 2015 e 2023 dois funcionários da TAP e um da venezuelana Plus Ultra, estão envolvidos num caso que envolve também o Dr. Zapatero (lá está, a solidariedade socialista) de um esquema de furto de peças à TAP e a várias companhias de aviação portuguesas que lhes rendeu quase 8 milhões de euros de vendas a vários operadores, incluindo a TAP (fonte).

(Continua)