Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
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12/02/2025

O Portugal dos Pequeninos e o seu Estado sucial afundam-se na corrupção

A Transparency International publica anualmente o seu Índice de Percepção de Corrupção baseado «nas opiniões informadas de stakeholders relevantes sobre corrupção no setor público, geralmente correlacionadas com indicadores objetivos, por exemplo as experiências individuais dos cidadãos com o suborno, tal como é capturado pelo Global Corruption Barometer, também desenvolvido pela Transparency International.»

Índice de Percepção da Corrupção 2024 acaba de ser publicado e revela mais um desastre - a queda de 15 posições desde 2015 e de 9 posições em apenas um ano - possivelmente muito influenciada por vários casos mediáticos ocorridos o ano passado.  

mais liberdade

E o que dizer de um Portugal que se apresenta mais corrupto do que quatro dos sobreviventes do colapso do Império Soviético, uma sua ex-colónia (Cabo Verde), vários países árabes (Emiratos, Arábia Saudita), o Botswana, etc.?

Como já por várias vezes sublinhámos, a corrupção é grave por razões morais e éticas e ainda porque distorce na melhor hipótese, ou substitui na pior, a racionalidade das decisões públicas, que em vez de se fundarem nos benefícios expectáveis se baseiam no interesse de pessoas ou grupos que ilegitimamente pretendem influenciar essas escolhas em seu benefício.

27/02/2024

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (208) - Mais do que vergonha

Público

Mais do que vergonha, é estupidez porque (1) admitem a decomposição em que deixam o Estado sucial que ocuparam durante oito anos, (2) por isso julgam necessário encontrar um culpado e (3) não encontram ninguém mais à mão do que uma criatura há anos retirada da política - ainda assim, vá lá, não apontaram o Botas ou o Dr. Marcelo (o padrinho do que está em Belém).

É também um insulto à inteligência dos eleitores que não são estúpidos.

19/01/2024

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (206) - Não é por acaso que um partido como o PS está bem colocado para governar um país como Portugal

«O Partido Socialista é, cada vez mais, o partido do regime. (...) não é partido do regime quem quer e só porque quer. É também preciso que o deixem ser.

O grande sonho do PS consiste em transformar-se numa espécie de PRI mexicano, o Partido Revolucionário Institucional! Só o nome é um programa! Único na história a juntar, na mesma designação, revolução e instituição! O PS conseguiu meter tudo dentro. Do liberalismo ao socialismo, passando pelo corporativismo. Tanto ajuda, apoia, subsidia e controla a economia privada como a empresa pública. Foi o maior obreiro da Constituição, mas também o seu mais importante revisor ou revisionista. Dentro de si cabem todos. Há lugar para todos e acredita em tudo, desde que esteja no poder e que os seus dirigentes desempenhem as primeiras funções.

Na verdade, dentro do PS, há de tudo. Santos e demónios. Polícias e ladrões. Virtuosos e bandidos. Maçons e católicos. Rigorosos e trafulhas. Por isso se sucedem a si próprios, por isso se alternam. Neste PS, está o público e o privado. O nacional e o estrangeiro. O judeu e o palestino. O americano e o russo. Guterres e Sócrates. Costa e Santos. Tudo cabe no PS que consegue sempre mudar de pele sem mudar de corpo. Melhor ainda, o PS é capaz de criticar, com aparente inocência, o que está mal no país  e não corre bem por sua própria responsabilidade. Com enorme sentido da oportunidade, faz o mal e a caramunha.

Sempre o PS teve uma predilecção pelos serviços públicos. É o seu melhor lado, a sua primordial inspiração. Acontece que é crente, mas não praticante. O estado actual em que se encontram muitos serviços púbicos faz-nos pensar em ciclos de bancarrota ou situações depois de catástrofe natural. As cidades são esvaziadas, é o termo, dos seus habitantes tradicionais. (...)

Tiveram tantas políticas económicas, agrícolas e industriais, quanto os ministros que nomearam e não foram poucos. Com igual firmeza, foram centralistas, descentralizadores e regionalistas. Construíram incansavelmente o Serviço Nacional de Saúde, que estão em vias de destruir ou deixar decair com cuidadosa minúcia. Tiveram várias políticas de educação, ao sabor dos ministros, com cujas ideias, as boas e as más, navegaram alegremente. Foram campeões do endividamento e brilharam pelo modo como reduziram o mesmo. Levaram o país à bancarrota e pediram assistência financeira internacional. Quando havia recursos, gastaram tudo o que havia para gastar e foram, depois, autores dos primeiros grandes programas de austeridade. Defendem a abertura de fronteiras, são tolerantes e amigos dos imigrantes, mas os seus governos são os que mais permitiram o desenvolvimento do tráfego de mão-de-obra ilegal e a sobre-exploração de trabalhadores estrangeiros. (...)

Nem sempre é mau haver um partido de regime. Ou antes, um partido de regime não tem só más consequências. (...)  Mas também tiveram péssimas consequências políticas e sociais, sem falar na corrupção a pior chaga dos partidos de regime. Na verdade, a constituição de uma “grande família” de regime e partido é muito negativa para as liberdades e a honestidade. E tenhamos consciência de que, em democracia, um partido destes é assim porque os votos querem e os outros o deixam ser.»

 António Barreto (no Público, texto também disponível no seu blogue)

24/11/2023

Pro memoria (432) - Um CV resumido do Dr. Pedro Nuno

«Pedro Nuno Santos é um político profissional, sem curriculum profissional, e, como o próprio confessou, com um percurso com erros e cicatrizes. Há 12 anos o jovem Pedro Nuno Santos propunha não pagar a dívida pública e que, segundo ele, poria os credores alemães e franceses com as pernas a tremer. Colaborou com o primeiro-ministro na tomada do “controlo” da TAP em que os privados ficavam com a gestão executiva, o que revela bem a falta de preparação neste tipo de transacções de empresas.

Foi o autor moral da intervenção do Estado na TAP, que implicou assumir a dívida e os riscos de uma empresa insolvente, pagar ao investidor estrangeiro cerca de 50 milhões de euros por uma participação cujo valor seria, naquela data, negativo, e dizer que o outro accionista privado seria reduzido a pó, como se veio a verificar…

Foi o pai do plano de recuperação da TAP, que envolveu medidas inéditas e vedadas aos empresários privados, que consistiram em cortes significativos dos salários e um despedimento colectivo (anulado pelos tribunais, por ilegalidade) e que culminou com um aporte de capitais públicos de 3.200 milhões de euros.

Cometeu um erro de percepção política quando anunciou, sem cobertura do primeiro-ministro e do Conselho de Ministros, a nova localização do(s) aeroporto(s) de Lisboa, o que conduziu a uma das maiores humilhações e vexame políticos da nossa democracia. Nem assim se demitiu…

Não contente com tal humilhação, a arrogância, conjugada com ignorância, decidiu passar a gerir a TAP via WhatsApp, num informalismo e impreparação profissional postos a nu na comissão parlamentar de inquérito à TAP.

Relembro apenas dois episódios dessa gestão: a autorização do despedimento e pagamento da indemnização milionária à administradora Alexandra Reis, que primeiro negou e depois se lembrou, e a cobertura ao seu secretário de Estado para alterar um voo para agradar a Sua Excelência o Senhor Presidente da República em detrimento de centenas de passageiros. Tais erros ou cicatrizes levaram inelutavelmente ao pedido da sua demissão.

No referido discurso aos seus apoiantes (entre os quais despontava o Ministro da Educação ou o Presidente da Câmara Municipal de Gaia, condenado por peculato e perda do seu mandato), acusa despudoradamente a direita de ter cortado as pensões e os investimentos na escola pública e no SNS e de se aliar no futuro ao Chega, partida racista e xenófobo.

Se não fosse para rir era mesmo para chorar. Esqueceu-se que esses cortes foram negociados e acordados entre o então primeiro-ministro Sócrates com a troika e a conjuntura económica que a isso a respectiva governação conduziu.

Numa entrevista no mesmo dia para a SIC, não escondeu que se for necessária uma aliança com a extrema-esquerda (apoiante de Putin, contra a NATO e com posições anti-semitas) para tomar de assalto o poder não hesitaria.

Finalmente, decretou que nos próximos quatro meses não se falaria do processo judicial de tráfico de influências que abalou o nosso sistema político. Infelizmente a realidade lhe ditará que muita água correrá sobre esse leito, pois não é fácil esquecer que o Chefe de Gabinete tinha espalhado dinheiro vivo na residência oficial do primeiro-ministro, que o ex-melhor amigo do primeiro-ministro está indiciado por tráfico de influências e que existem escutas comprometedoras do primeiro-ministro.
»

Diogo Horta Osório no Jornal Económico

17/11/2023

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (205) - Começo a suspeitar que esse silêncio se deve à escassez de gente honrada


«Qualquer outro partido que fizesse metade, um terço destas patifarias e trapalhices, já teria sido engolido vivo. O Partido Socialista, o seu corpus e a sua ideologia esparsa e difusa, tanto é de esquerda como de centro como não é nada a não ser a favor da sobrevivência política e pessoal, possui uma resistência aos escândalos e desaires que os outros partidos não têm. António Costa é o perfeito exemplar deste estado de coisas. Passos Coelho foi crucificado por muito menos. O PS sobreviveu ao escândalo da Casa Pia, a única vez que correu perigo sério e em que atiraram a matar para destruir o partido e seus dirigentes, sobreviveu à demissão de Guterres, e fuga, sobreviveu ao escândalo de Sócrates, único na história de democracia portuguesa, sobreviveu aos erros e horrores da pandemia (que não foi o sucesso imputado a Costa, que a certa altura estava mais interessado em trazer para Portugal um campeonato de futebol do que no confinamento, chamando a isto um “prémio” aos médicos e trabalhadores do Serviço Nacional de Saúde — a mais asinina frase da democracia portuguesa) e sobreviveu aos escândalos deste Governo. Pedrógão, Tancos, negócios corruptos da Defesa, o transfronteiriço de outro nomeado de Costa com cadáveres no armário, e as guerras com os professores e os médicos. Fora o resto. A pouco e pouco, por inércia, incompetência e arrogância do Governo, vimos esboroarem-se o SNS e a educação pública.

Ora nada disto faz parar o PS para pensar. O PS julga-se o único partido competente e inteligente para governar a pátria, e acha-se o destinatário de um direito divino. O PS comporta-se como uma monarquia, com famílias reais, uma aristocracia que não renuncia aos privilégios, uma corte de serventes e serviçais, e direitos dinásticos. O mote real é “Habituem-se!”. A insígnia é “contra tudo e contra todos”.

São socialistas e basta, o título sugere uma supremacia moral. Este PS não aceita pactos de regime, usa a direita ou a esquerda conforme lhe convém para se manter à tona. E acha-se a única garantia contra o Chega e a ameaça corporizada em André Ventura. Na verdade, usa Ventura como o papão da democracia, tal como usara Passos Coelho como o papão da austeridade e da justiça social.

Com o mestre da sobrevivência António Costa, todas estas características se acentuaram, agravadas pelo facto de o pessoal político se ter desqualificado. A aristocracia dos tempos da fundação era agora um corpo de videirinhos e trepadores sociais, com raras exceções. A prova disto é que em Portugal a única coisa que se discute é dinheiro, ou a falta dele.»

Um fraco rei, Clara Ferreira Alves

20/08/2023

DIÁRIO DE BORDO: Não é muito exagerado dizer que no Portugal dos Pequeninos sem amigos não se vai a lado nenhum

Por cá, sem amigos não se vai a lado nenhum é o mantra de um dos meus amigos que ele regularmente ilustra recorrendo aos seus conhecidos para resolver as dificuldades que o nepotismo, a burocracia, o preconceito, a discriminação, o desleixo e a incompetência criam. 

Nisso, o meu amigo não é original e apenas reproduz a resposta pragmática e eticamente complacente às consequências práticas de um princípio que muitos adoptaram e poucos reconheceram, como antigos presidentes, o peruano Oscar Benavides e o brasileiro Getúlio Vargas («Para os amigos, tudo. Para os inimigos, a lei»), ou numa versão mais apurada («Para os amigos tudo, para os inimigos nada, para os outros cumpra-se a lei») atribuída a uma eminência luso-socialista, todos eles aparentemente inspirados em Maquiavel.

É por esse princípio orientador impregnar tão profundamente as práticas sociais e políticas no Portugal dos Pequeninos que o PS, partido que mais autenticamente adoptou esse princípio rebaptizando-o como «ética republicana», é o partido naturalmente destinado a governar. Daí não resulta ser inevitável que o PS governe - no domínio político-social não há inevitabilidades ou pelo menos não há inevitabilidades duradouras. Apenas é bastante mais difícil outro partido sem esse princípio ter condições de governar, tal como sem amigos se pode ir a muitos lados, porém com muito maior esforço.

27/05/2023

O Dr. Marçal Grilo está farto de quase tudo. Receio que falte apenas fartar-se daquilo de que deveria estar mais farto

O Eng. Marçal Grilo, que parece ser uma criatura integra e bem-intencionada cujo maior pecado foi ter sido ministro do primeiro governo Guterres, publicou no Público o artigo «Estou farto e cansado» onde se lamenta e confessa «estou farto de quase tudo o que ouço e vejo à minha volta».

Partilho de muitas suas críticas às críticas, por vezes disparatadas e sem fundamento, e aos críticos, por vezes oportunistas, do statu quo, mas não «estou cansado de ler as notícias da corrupção que corrói a democracia e alimenta os populismos». Em vez disso, estou cansado da corrupção que corrói a democracia e alimenta os populismos.

Também não me parece que seja um problema a suposta «vontade de deitar abaixo os que fazem qualquer coisa que se veja», porque, o mais das vezes, as coisas deitadas abaixo que se vêem são sobretudo a corrupção que corrói a democracia e alimenta os populismos.

Não «estou farto de ver aqueles que, como portugueses, gostam de se autoflagelar», estou mais farto dos "influenciadores" e da sua promoção das supostas notáveis realizações dos portugueses no topo do mundo.

Porém, a minha maior discordância do Eng. Marçal Grilo, mais sobre o que escreve, é sobre o que ele omite, como qualquer crítica às políticas públicas adoptadas pelo governo socialista que só empobrecem o país, às iniquidades que o PS tem cometido e à ocupação do Estado com os seus apparatchiks que são o equivalente aos situacionistas do Estado Novo, e ao prudente silêncio que mantém perante o desastre político e ético que tem sido a governação do Dr. Costa, desastre que esse, sim, alimenta os populismos. Esta omissão faz-lhe perder toda a autoridade moral para criticar os que criticam.

22/03/2023

Da paixão socialista pela ópera nasceu o Opart, um aborto que produz abortos

Jorge Calado, entre muitas outras coisas, como professor, cientista e investigador, um melómano em geral e um amante de ópera em especial, escreveu o que se segue sobre a obra da cóltura socialista no Teatro Nacional de São Carlos. Só posso concordar.

«Suspeito que o São Carlos seja hoje o pior teatro nacional de ópera na Europa, ignorado pelas revistas da especialidade. (...)

Além de ignorância cultural, o atual TNSC sofre do chamado ‘problema parasitário português’, definido há quase um século por Augusto Reis Machado como uma “organização caracterizada pelo predomínio de grupos de indivíduos que exclusivamente tratam dos seus interesses em detrimento dos interesses gerais”. O pecado original remonta a 2007 com a invenção do Opart ou Organismo de Produção Artística — uma hidra de sete cabeças que deveria gerir os teatros nacionais (teatro, ópera e dança) em Lisboa e no Porto, e ‘o mais que adiante se veria’. Para desgraça da ópera, ficou com o São Carlos, funcionando como agência de jobs for the boys and girls. (Compare-se o número de funcionários do Teatro antes e depois e as respetivas produtividades.) Recordo apenas que os primeiros administradores nomeados se dirigiram ao São Luiz para tomar posse, pensando que era o São Carlos; houve depois um administrador que se mudou para Madrid (creio que por razões sentimentais), obrigando um funcionário do teatro a ir lá regularmente para assinatura da papelada. Outros têm usado as mais-valias do edifício, incluindo o Salão Nobre, para os seus negócios particulares, etc.

Decorre agora um concurso internacional (?), com um júri integralmente nacional (!) cabeceado pela presidente do Opart — juíza em causa própria? — para a nomeação da ou do próximo diretor artístico. Dos cinco elementos, apenas um é musicólogo! Quanto às 19 páginas de um arrazoado caricato intitulado ‘procedimento de seleção’ — intraduzível em língua decente — não passa de um ataque de ‘burrocracite’ aguda capaz de afugentar qualquer candidato culto, com dois dedos de inteligência. A má e delirante escrita reflete a incapacidade de pensar de quem o redigiu. Pelos lidos, ficamos a saber que acreditam que arte não é cultura (como reza o exercício prospetivo da atividade artística e cultural). Se não sabem pensar, muito menos saberão escolher. (...)

A conclusão é óbvia: deliberadamente não querem resolver o problema, para que tudo fique na mesma. Isto é, com o ignorante Opart como controleiro, à moda soviética. Serão elas e eles a determinar o que o diretor artístico fará. Nestas condições, o TNSC é irreformável. Só enxergo uma solução: começar novamente do princípio, com gente séria e capaz. Se José Sasportes vê a atual situação como comédia — na verdade, esta gente não merece mais do que troça — eu encaro-a como tragédia.»

11/03/2023

A reversão para 35 horas que não teria impacto orçamental, sete anos depois

Uma das promessas do Dr. Costa aos eleitores e aos seus parceiros da geringonça foi reverter o horário dos funcionários públicos para as 35 horas. Façamos uma retrospectiva aos pressupostos dessa medida, anunciados em 2016 pelo governo e garantidos pelo Dr. Marcelo:

  • «Uma das garantias do ministro das Finanças desde o início foi de que a medida não iria implicar aumento de custos com pessoal» (fonte)
  • «O ministro das Finanças, Mário Centeno, afirmou hoje que a reposição das 35 horas de trabalho semanais na Função Pública "não é discussão de natureza orçamental neste momento", acrescentando que o tema "só tem impacto" para a oposição.» (fonte)
  • Em Junho de 2016 «Marcelo promulga 35 horas mas envia para o TC se despesa aumentar» (fonte)
É claro que qualquer alma com um módico de inteligência perceberia que todas as garantias eram pura fraude e ninguém deveria ter ficado surpreendido pela evolução do número de utentes da vaca marsupial pública que o Dr. Costa aumentou de 655 mil para 742 mil na última contagem disponível, num Portugal dos Pequeninos que está a perder população.

No que respeita em especial ao Serviço Nacional de Saúde, a par da educação objecto da paixão socialista, o relatório da Nova SBE sobre os Recursos Humanos em Saúde, publicado há dias, veio mostrar o que aconteceu como resultado da reversão para as 35 horas.


«A figura 9 representa estes efeitos e o seu impacto entre 2015 (antes da reversão do horário de trabalho) e 2018 (após a reversão do horário de trabalho). Em 2015, verificou-se um total de 74 milhões de horas trabalhadas. A alteração do horário de trabalho implicou uma redução de nove milhões de horas trabalhadas entre 2015 e 2018.

Em sentido contrário, verificou-se neste período um aumento de um milhão de horas de trabalho suplementar, bem como sete milhões de horas associadas às novas contratações realizadas. A conjugação destes três efeitos implica que o volume de horas de trabalho entre 2015 e 2018 teve uma ligeira redução, apesar das novas contratações. Ou seja, as novas contratações e o aumento do trabalho suplementar – principalmente de enfermeiros – permitiram compensar quase na totalidade o efeito das 35 horas. Contudo, as novas contratações realizadas neste período não se traduziram num aumento global do volume de trabalho do SNS, não contribuindo assim para o aumento da prestação de cuidados de saúde.»

E qual foi o efeito sobre a prestação de serviços do SNS? Em quatro anos, desde 2018, duplicou o número de pessoas sem médico de família, apesar do aumento do aumento de 22% da despesa e de 20 mil funcionários em relação a 2017.

Expresso

13/02/2023

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O Estado sucial ocupado pelo PS é uma vaca marsupial pública

«É uma ilusão pensar que o Estado é, em Portugal, enorme, pesado e forte. Talvez seja enorme. Pesado é certamente. Forte é que não é seguramente. Alvo de predadores. Isco de caçadores. Pretexto de manobradores. E pedaço para gananciosos. Qualquer dos epítetos lhe serve. Forte é que não. Instrumento de poderosos. Volúpia de minorias. Burocracia de insaciáveis. Ferramenta dos mais fortes. Protecção dos estabelecidos. Tudo lhe serve. Forte é que não. Volúpia dos democratas. Lascívia dos autoritários. Sonho dos ditadores. E encanto dos Republicanos. Qualquer imagem lhe fica bem. Forte é que não. Cão de fila dos ricos. Esperança dos fracos. Paraíso dos racionalistas. Sonho dos fantasiosos. Também estes rótulos se lhe aplicam. Forte é que não.

Não tenhamos dúvidas: o governo, os sucessivos governos destruíram a força do Estado, decapitaram-no, amordaçaram-no, liquidaram a sua isenção e definharam a sua inteligência. Além de terem atrofiado, activa ou passivamente, a sua mais nobre função, a da administração da Justiça.

Há em Portugal um clima de cortar à faca, aquele onde se sente a corrupção, onde se vive da cunha, onde se julga que a democracia é o poder discricionário de quem tem os votos. Os últimos episódios de nomeação, demissão e substituição apressada de ministros, secretários de Estado, assessores, conselheiros, Altos funcionários, directores e administradores, são reveladores de desorientação. Ainda estamos longe da “noite das facas longas”, mas o ambiente é de terror. Só não há mais fugitivos, porque todos sabem, ou esperam, que a justiça não funcione. Como tem sido o caso.»

António Barreto no Público e no seu blogue Jacarandá

(Vaca marsupial pública)

30/12/2022

ESTADO DE SÍTIO: Está em causa o "regular funcionamento das instituições"? Como assim? No Portugal dos Pequeninos este é o funcionamento regular das instituições

A estória é conhecida: o Dr. Pedro Nuno e um seu secretário de Estado fizeram-se de mortos face à indemnização de meio milhão de euros que a TAP resolveu pagar à Dr.ª Reis, para ela sair pelo seu pé e transferir-se para a NAV, outra empresa pública, de onde foi convidada passado alguns meses para secretária de Estado do Dr. Medina, cuja esposa é uma amiga do peito da Dr.ª Reis. Como habitualmente, a coisa per se nunca seria um problema se as trombetas mediáticas não o tratassem como tal, o que aconteceu em boa parte porque o Dr. Costa, ao deixar afundar a geringonça para navegar na sua nau catrineta, perdeu a boa-vontade de dezenas de jornalistas e comentadores afiliados das agremiações representadas na geringonça que nas redações teriam limpado a sua folha.

E foi assim que face este infausto acontecimento, vários políticos, comentadores e jornalistas, disseram por estas ou por outras palavras semelhantes considerar que «está em causa o regular funcionamento das instituições, implicitando que o Dr. Marcelo deveria dar corda aos sapatos e tratar de dissolver o parlamento, coisa que, supondo ter fundamento constitucional, ele não tem vontade nenhuma de fazer por várias razões, das quais porventura a mais importante é convir-lhe um governo debilitado que ele possa trazer pela trela enquanto continua a sua performance, tentando manter a atenção de um público que vai dando sinais de cansaço.

07/12/2022

Dúvidas (347) – Ainda falta muito para termos benzina? (II)



«Este governo não há de cair - porque não é um edifício. Tem de sair com benzina - porque é uma nódoa!»
Eça de Queirós, O Conde d'Abranhos / A Catástrofe



Expresso

20/11/2022

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (202) - À justiça o que é da justiça, mas quem se mete com o PS, leva

 «Foi também assim quando em 2003 o então Procurador-geral da República, José Souto Moura, acusou o deputado do Partido Socialista, Paulo Pedroso, no âmbito do processo Casa Pia. De imediato o PS passou a apresentar-se como vítima de uma cabala. Os mais de 100 rapazes e raparigas que se estima terem sido vítimas de abusos passaram rapidamente para segundo plano, com os incidentes processuais a dominarem as discussões. (Entre os vários incidentes processuais houve um que teve por base a inclusão pelo Ministério Público de cartas anónimas no processo. Era então tese dominante em Portugal que tal inclusão violava o Código do Processo Penal e que estas cartas deviam ter o caixote do lixo como destino. Face ao entusiasmo presente com as denúncias anónimas no caso dos abusos praticados por sacerdotes católicos presumo que a jurisprudência do caixote do lixo passou à História.)

Catalina Pestana, que fora nomeada provedora para recuperar a Casa Pia no meio de tal tormenta, passou de personalidade admirada e respeitada a pouco menos que odiosa porque nunca deixou de denunciar o papel desempenhado nesses abusos ou no seu encobrimento por personalidades com poder político nomeadamente da área socialista. E o Procurador-geral da República que chegou a ser ameaçado de demissão (por causa das declarações de uma sua assessora de imprensa!) acabou isolado e denegrido.»

Helena Matos no Observado

04/11/2022

Dúvidas (345) – Ainda falta muito para termos benzina?



«Este governo não há de cair - porque não é um edifício. Tem de sair com benzina - porque é uma nódoa!»
Eça de Queirós, O Conde d'Abranhos / A Catástrofe



«Em Caminha, um empreendedor chamado Ricardo Moutinho convenceu há dois anos o presidente da câmara, Miguel Alves, a avançar para a construção de um Centro de Exposições Transfronteiriço (CET), da seguinte forma: a empresa de Moutinho (a Green Endogenous) construía o centro, a câmara ficava a pagar 25 mil euros por mês durante 25 anos (total: 7,5 milhões), e à cabeça avançava logo com 300 mil euros, correspondentes à renda do último ano de contrato.

Problema: Miguel Alves garantiu publicamente que a empresa promotora do CET era de confiança, já que tinha “experiência na construção e exploração de equipamentos semelhantes". Só que não tinha: a Green Endogenous foi formada oito meses antes do negócio com a câmara e tem como único accionista o próprio Ricardo Moutinho, com um longo historial na criação de empresas inactivas, e que ainda por cima foi apresentado na vila com um currículo falso. A construção do CET ainda não arrancou e ninguém sabe se arrancará.

Explicações para isto? Zero. E como é possível? Graças a uma cultura de irresponsabilidade política, que se agrava de ano para ano. Só mesmo numa república das bananas é que um secretário de Estado pode ser confrontado com suspeitas deste calibre e uma semana depois continuar escondido e caladinho, com o país indiferente ou conformado

O respeitinho é muito bonito, João Miguel Tavares no Público

14/05/2022

Pro memoria (422) - O Dr. Rendeiro foi um pentelho na pentelheira socialista, um pentelho sem pedigree, filho de um sapateiro, só podia acabar assim

Pentelhos anteriores: PrimeiroSegundo e Terceiro.

Em retrospectiva:

Nos últimos meses as televisões e os jornais foram assaltados por resmas de jornalistas de causas, políticos comentadores e opinion dealers que nos intervalos de nos acagaçarem com a pandemia nos ensopam as meninges com os feitos do Dr. Rendeiro, como se de repente a criatura fosse o responsável por todos os desastres por que este país tem passado pela mão de vários governos, com um especial destaque para os governos do PS com os seus apparatchiks e toda a tralha que trazem pendurada e onde se penduram.

«(...) e quando a tendência do direito penal é para punir menos tempo, Rendeiro apanhou ao todo 19 anos de cadeia. Isto faz sentido? Faz, se analisarmos o fenómeno da ascensão social em Portugal. João Rendeiro continua a ser descrito como “filho de um sapateiro”. Este pecado imperdoável fez dele um milionário diferente de Ricardo Salgado, protegido pela dinastia de que era a cabeça e a providência, o distribuidor de fundos e de dinheiro, ao ritmo de milhões por mês, para manter o clã abastado e contente. João Rendeiro nunca teve uma das proteções nacionais que asseguram ou a impunidade ou o débil juízo moral.» (Clara Ferreira Alves, no Expresso)

Epílogo

«João Rendeiro, antigo presidente do BPP, foi encontrado morto na cela da prisão da África do Sul onde se encontrava em prisão preventiva, aos 69 anos. A notícia foi avançada pela CNN Portugal e confirmada pelo Observador junto de June Marks, advogada de Rendeiro, que se preparava para deixar de representar o antigo banqueiro por falta de pagamento pela sua representação legal. “Os fundos dele esgotaram-se há quatro dias.”» (Observador)

Suicidado ou assassinado? Na pior prisão da África do Sul, com uma população prisional dez vezes superior à lotação, numa cela com mais umas dezenas de prisioneiros, é igual ao litro. Enquanto isso, comparem-se os 43 milhões que ainda faltam recuperar do BPP do Dr. Rendeiro com os milhares de milhões do GES de um Dr. Ricardo Salgado possuidor de um currículo criminal muito mais extenso, dispensado de comparecer em tribunal, fazendo férias na Sardenha, tratado com reverência respeitosa pelo jornalismo de causas, que chama para o seu julgamento dezenas de testemunhas entre as quais um ex-primeiro-ministro, o presidente do BdP e outras luminárias. Às eventuais condenações do Dr. Salgado nos vários processos em que é arguido seguir-se-ão recursos que muito provavelmente lhe permitirão bater a bota em descanso na sua confortável mansão.

Moral da estória

Os ricos são todos iguais mas há uns mais iguais do que outros, tudo dependendo se nasceram filhos de sapateiros ou de banqueiros.

22/04/2022

ESTÓRIA E MORAL: Aldrabou-nos, disse ele

Estória

«O Costa não tem 'tomates' para isso.» «Ele é um merdas.» (*)

Era uma vez um político que como dirigente de um partido e como membro de dois governos desse partido, conviveu de perto vários anos com outro dirigente e primeiro-ministro de um governo a que esse político pertenceu.

Depois da divulgação extensiva de factos e de suspeitas ao longo de vários anos, o referido primeiro-ministro veio a ser acusado de inúmeros crimes de corrupção activa e passiva, entre outros, num processo baptizado Operação Marquês com 53 mil páginas de provas, às quais se juntam 6 mil páginas do despacho de um juiz e vários milhares de páginas dos recursos do MP, e ainda se adicionarão muitos milhares de páginas nos próximos anos (até 2035 dizem alguns).

O citado político sempre assumiu a inocência do referido primeiro-ministro, a quem visitou na prisão, e perante a evidência dos crimes foi lavando as mãos e usando a fórmula clássica à justiça o que é da justiça. Quinze anos depois dos factos e nove anos depois do início do processo, em entrevista a um biógrafo do fundador do mesmo partido declarou:

«Depois do que vi já, entretanto, e que o próprio Sócrates não desmente, concluo que ele, de facto, aldrabou-nos.»

Moral

Se tivesse sido submetido a um teste "Fit and Proper" para primeiro-ministro, o Dr. Costa chumbaria por uma uma de duas razões (1) por falta de discernimento e défice de julgamento ou (2) por falta de tomates; ou ambas.

(*) José Sócrates nas escutas da Operação Marquês citadas pelo jornal SOL.

23/02/2022

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (201) - Um regedor socialista e a doutrina Somoza

A estória é a de um presidente socialista de junta que se opõe indignado às filmagens na sua freguesia (Santa Maria Maior) de uma produção da Netflix, não obstante a câmara municipal de Lisboa ter uma comissão para promover filmagens em Lisboa que teve um certo sucesso ao autorizar até agora mais de milhar de pedidos para filmar, dos quais 119 na freguesia dessa criatura, sem ao que saiba nenhum protesto.

O que mudou agora?, questiona-se Helena Matos, admitindo um caso de «demência socialista». Não me parece, a começar porque os socialistas não sofrem de demência socialista. Eles sabem muito bem o que querem e o que não querem e o que fazer para o atingir ou para o evitar, respectivamente. 

Neste caso, para o regedor em causa, estas filmagens não têm nada a ver com as anteriores promovidas pela vereação do Dr. Costa e do seu delfim Dr. Medina, putativo futuro ministro das Finanças. E esse é o quid. Estas filmagens são promovidas pela vereação de Carlos Moedas a quem não se aplica a doutrina Somoza, por não ser obviamente their son of a bitch.