Nisso, o meu amigo não é original e apenas reproduz a resposta pragmática e eticamente complacente às consequências práticas de um princípio que muitos adoptaram e poucos reconheceram, como antigos presidentes, o peruano Oscar Benavides e o brasileiro Getúlio Vargas («Para os amigos, tudo. Para os inimigos, a lei»), ou numa versão mais apurada («Para os amigos tudo, para os inimigos nada, para os outros cumpra-se a lei») atribuída a uma eminência luso-socialista, todos eles aparentemente inspirados em Maquiavel.
É por esse princípio orientador impregnar tão profundamente as práticas sociais e políticas no Portugal dos Pequeninos que o PS, partido que mais autenticamente adoptou esse princípio rebaptizando-o como «ética republicana», é o partido naturalmente destinado a governar. Daí não resulta ser inevitável que o PS governe - no domínio político-social não há inevitabilidades ou pelo menos não há inevitabilidades duradouras. Apenas é bastante mais difícil outro partido sem esse princípio ter condições de governar, tal como sem amigos se pode ir a muitos lados, porém com muito maior esforço.