Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
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14/06/2025

Double standards: There are insurrections for good causes and there are protests for bad causes

The good insurrection vs the bad protest

«IS THE UNREST in Los Angeles a one-off? Or is it the beginning of a summer of unrest, and of crackdowns by President Donald Trump, who has no patience for protesters in Democratic cities? (...)

On June 9th the Pentagon announced the deployment of hundreds of marines to the city to backstop the National Guard. That is unwise. Marines are not experienced in law enforcement. As the defence secretary likes to point out, soldiers are trained to kill. 

On the contrary, when the president who pardoned his own Capitol-charging insurrectionists sends in troops to take on Democrat-supporting Angelenos, his loyalists are more likely to put aside their worries about the economy or the fuss surrounding the ex-DOGE boss, Elon Musk. The danger is that Mr Trump tries this tactic in other Democratic strongholds, too.»

(What’s happening in LA could be a template for the Trump administration)

09/08/2024

When utopias find a topos they tend to become dystopias. Milei's minority report

«Argentina announced plans last week to use artificial intelligence to "predict future crimes" before they're initiated. The concept, long a subject for science fiction, was announced by the county's Ministry of Security as a new Artificial Intelligence Unit Applied to Security.

The unit will be tasked with the "prevention, detection, investigation and prosecution of crime," in addition to conducting drone surveillance, patrolling social media and using facial recognition to bolster security measures.

Security Minister Patricia Bullrich signed a resolution saying it would "significantly improve the efficiency of the different areas of the ministry and of the federal police and security forces, allowing for faster and more precise responses to threats and emergencies."

According to the announcement, the new unit will "use machine learning algorithms to analyze historical crime data to predict future crimes and help prevent them."»

The ministry cited the United States, China, Israel and other countries as being pioneers in the use of AI in security operations.

Human rights groups are concerned the new measures could infringe on freedom of expression as members of the public may self-censor for fear their social media posts will be subjected to government monitoring. 

The Argentine Center for Studies on Freedom of Expression and Access to Information noted that, in the past, such technologies have been used to profile academics, journalists, politicians and activists. They called for transparency about where the technologies come from and how, specifically, they are used. The group said any lack of accountability would be "worrying."

Argentina's populist libertarian President Javier Milei was elected late last year after campaigning on vows to tackle the country's soaring inflation and poverty rates, while also being tough on crime. »CBS News) 

14/01/2024

SERVIÇO PÚBLICO: O cadastro económico de Pedro Nuno Santos

«Pedro Nuno Santos é o novo secretário-geral do PS. No seu discurso no congresso do partido, ele prometeu romper com o espírito antirreformista dos Governos de António Costa (de que fez parte) para conseguir uma “transformação estrutural da economia.” A trave-mestra do seu pensamento económico é a “obrigação de fazer escolhas quanto aos sectores e tecnologias a apoiar”. Ao contrário de outros temas, em que Santos é mais vago acerca do que promete (como é normal nos líderes partidários em eleições), esta é uma convicção profunda pessoal que vai caracterizar um futuro Governo que ele lidere.

A discussão sobre a capacidade de o Estado escolher bem os sectores e as tecnologias a apoiar, ou o seu sucesso a promover transformações estruturais, é um tema clássico. Podíamos discuti-lo em teoria, ou usando as experiências acumuladas pelo mundo fora, cobrindo todas as páginas deste jornal. Há bons argumentos a favor de um Governo que faça estas escolhas e que use a política económica desta forma. É natural que uma política industrial agressiva seja parte de um Governo socialista. Mas, no caso de Santos, a experiência dos últimos oito anos causa apreensão.

No que diz respeito a promover o “perfil de especialização” com “potencial de arrastamento da economia” (palavras de Santos) é difícil pensar num melhor exemplo do que a Efacec. Quando foi nacionalizada, em 2020, era uma empresa de ponta, tecnológica, exportadora. Três anos depois, teve prejuízos recorde na sua história, perdeu muitos clientes, e o número de trabalhadores caiu de cerca de 2500 para cerca de 2000. Depois de injetar cerca de €200 milhões na empresa, o Governo anunciou em junho a venda a um fundo de investimento, mas só depois de injetar mais €160 milhões. O acordo de venda (como sempre) só daqui a uns anos permite fazer as contas certas e, com muita sorte, o Estado pode recuperar algum dinheiro. Mas isso não pode servir para esconder a conclusão inevitável: o resultado foi péssimo.

21/07/2018

Costa, o bombeiro incendiário


«Portugal oferece homens e aviões para ajudar a combater fogos na Suécia»

Quem mais tem a experiência de 110 mortos e mais de meio milhão de hectares ardidos num só ano, de longe o recorde absoluto em mortos e área ardida num só ano na Europa?

04/07/2018

Merkel em apuros ou de como o inferno político está cheio de boas intenções

As políticas europeias para «refugiados» (e várias outras políticas europeias) são o lugar geométrico dos equívocos. Desde logo porque apenas uma percentagem ínfima dos «refugiados» são refugiados no sentido do Artigo 1 da Convenção de 1951 que define refugiado como
uma pessoa que está fora do seu país de nacionalidade ou de residência habitual e que se encontra impossibilitado ou não pretende retornar devido a um receio bem fundamentado de perseguição baseado na sua raça, religião, nacionalidade, opinião política ou pertença a um grupo social particular.
A maior parte dos «refugiados» são pois migrantes económicos em relação aos quais não se aplica nenhuma convenção internacional nem existe nenhuma obrigação legal de lhes proporcionar autorização de residência.

Continuando com alguns outros equívocos, não necessariamente por uma ordem lógica.

O segundo equívoco é que, diz-se, sendo migrantes existe o dever humanitário de lhes proporcionar residência e emprego. Admitamos que sim. Mas porquê apenas às minorias insignificantes que procura refúgio e não às centenas de milhões que em África, para não falar de outros continentes, teriam as suas vidas melhoradas se residissem na Europa? O que nos conduz ao equívoco seguinte.

O terceiro equívoco é que acolhendo uns milhões de migrantes se esgota o problema das centenas de milhões que lá ficam disponíveis para imigrar na primeira oportunidade, em vez de procurar ajudá-los a desenvolver os seus países, a rejeitar os seus dirigentes corruptos e incompetentes, começando por isolá-los da comunidade internacional em vez de lhes dar colo e, por vezes, vender armas.

O quarto equívoco é que a Europa tem um problema demográfico dramático e precisa de imigrantes. Pois tem, e pois precisa. Mas de quais imigrantes? Não certamente de exércitos de imigrantes iletrados, sem profissão, não dominando nenhuma língua europeia, com culturas e religiões e costumes incompatíveis com os europeus. E não certamente de imigrantes em quantidades tais que são sentidos por uma parte significativa das populações nacionais como uma ameaça.

O quinto equívoco é que a concretização do dever humanitário de acolher os imigrantes, dever supostamente partilhado por todos os governos e por todos os povos da Europa, recai sobre os países como Itália e a Grécia que estão mais à mão de semear.

O sexto equívoco é que a direita é xenófoba e a esquerda é uma espécie de mãezinha ansiosa disposta a acolher no seu seio todos os excluídos do mundo. Angela Merkel e uma parte do CDU e a nossa esquerda do PREC que hostilizou os «retornados» (cidadãos portugueses emigrados nas antigas colónias, recorde-se), são apenas dois exemplos de como as coisas são na verdade mais complexas. 

O sétimo equívoco é que os «refugiados», isto é migrantes, resolvem espontaneamente correr o risco de uma travessia marítima em embarcações de ocasião para chegar ao paraíso europeu. Na verdade esses imigrantes são aliciados por mafias que, ultrapassadas as águas territoriais dos países de origem, pedem socorro às embarcações dos do-gooders das ONG que, com o auxílio da esquerdalhada doméstica que vê a chegada deste imigrantes como o reforço das tropas de choque com que contam para destruir o «capitalismo», tentam chantagear os governos para os acolherem. No caso de governos de esquerda a chantagem é supérflua porque eles transformam o acolhimento numa operação de propaganda, como fez o governo espanhol que para acolher seiscentos e tantos imigrantes montou em Valência uma operação com 2.200 pessoas, incluindo 200 tradutores.

E assim chegamos ao oitavo equívoco que é um político de direita odiado pela esquerdalhada ter passado a ser glorificado pela mesma esquerdalhada por se ter equivocado, imaginando que os alemães estariam dispostos a acolher milhões de imigrantes, pondo em risco o seu governo e, no final, prejudicando a viabilidade das políticas de imigração que defende e acabando a adoptar as que condena para salvar o seu governo. Angela Merkel, ela própria.

29/04/2018

ARTIGO DEFUNTO: As teorias da conspiração como álibi para não fazer nada

Segundo as conclusões de três especialistas que publicaram no Observador o artigo «As falsas “provas” da TVI sobre o incêndio da Mata Nacional de Leiria», não tem qualquer fundamento a a reportagem “A Máfia do Pinhal” emitida no Jornal das 8 de 13 de Abril da TVI que atribui o incêndio na Mata Nacional de Leiria a uma «conspiração de madeireiros para incendiar (...) com o objetivo de obter benefício económico através da depressão do preço da madeira, induzida pelo excesso de oferta e urgência de a vender antes de se começar a degradar»


Atribuir os incêndios florestais a pirómanos ou a conspirações de madeireiros não é absolutamente nada original. Pelo contrário, é bastante popular até entre os "especialistas", pois não é verdade que o semanário de reverência citou um relatório onde se concluiu que 98% dos incêndios têm origem humana, apesar de mais de metade dos incêndios em Portugal não serem investigados?

É claro que atribuir a teorias da conspiração o que resulta de um conjunto complexo de factores causais, como a geografia, o coberto vegetal, a meteorologia e a época do ano, actuando sobre um combustível cuja acumulação pelo abandono das terras, pela incúria dos proprietários e a negligência dos governos é a principal razão da magnitude dos incêndios, nos dispensa de actuar sobre os factores controláveis (essencialmente a acumulação de combustível). Daí a razão da popularidade desta visão.

22/04/2018

SERVIÇO PÚBLICO: A intervenção da geringonça no arrendamento, uma espécie de Reforma Agrária do século passado

«Aquilo que está subjacente à histeria em torno da dita crise da habitação é o velho horror ao mercado. E é também o ódio de classe da oligarquia estatista a tudo e a todos que procuram obter rendimentos que não passem pelo crivo dos subsídios, dos apoios e dos programas propagandeados por juntas de freguesia, câmaras, gabinetes, institutos, linhas de apoio…

(...)

O que interessa é o potencial de controlo político que cada intervenção estatal comporta. E no caso da habitação esse potencial é enorme. Tanta declaração de rendimento para ser passada e confirmada. Tanto sociólogo a dizer “os nossos bairros” para explorar o ressentimento. Tanta mediador cultural para servir de interlocutor. Tanta empena mal impermeabilizada mas cobertinha por murais artísticos.

Esse universo anunciado de rendas sociais, rendas reguladas, rendas acessíveis e rendas condicionadas ocupa hoje o lugar que a Reforma Agrária desempenhou no século passado: a esquerda acredita que é ali que fará a sua sementeira de votos.»

Continue a ler este artigo imperdível de Helena Matos

A geringonça tem visão que Ronald Reagan caracterizou com ironia e rigor assim: «If it moves, tax it. If it keeps moving, regulate it. And if it stops moving, subsidize it.»

27/07/2017

CASE STUDY: Há incêndios e incêndios, há florestas e florestas e há respostas e respostas

Isotérmicas em Julho (fonte)
No sudeste da França em dois dias arderam 7 mil hectares, os incêndios foram combatidos por 4 mil homens, foram deslocadas 10 mil pessoas e não houve vítimas. Em Pedrógão Grande arderam 30 mil hectares num incêndio combatido por 1.600 homens, foi deslocado um pequeno número de pessoas e houve um número não inferior a 65 mortos.

Nas duas regiões as temperaturas médias em Julho são semelhantes (ver mapa à direita) e a composição da floresta é diferente: em Pedrógão Grande predomina o pinheiro e eucalipto e nas zonas do sudeste da França predomina o carvalho e o mato (maquis) muito combustível. O que é verdadeiramente diferente é a capacidade de resposta dos Estados português e francês.

17/07/2017

Um dia como os outros na vida do estado sucial (32) - Tudo como dantes, quartel-general em Abrantes


«... no Alijó as chamas obrigaram à evacuação de uma aldeia. Um helicóptero caiu e houve casas e pessoas em risco. Hoje de manhã o fogo ainda não tinha sido extinto. E, adivinhem, o Siresp, o sistema de comunicações que nos custa 40 milhões de euros por ano, voltou a falhar.» (Expresso Curto)

04/07/2017

ARTIGO DEFUNTO: Se quisermos saber o que se passou em Tancos é melhor ler a imprensa espanhola

Uma espécie de continuação daqui, dali, dacolá e dacoli.

Com grande alegria minha, e certamente de outros espíritos livres, e com grande mágoa dos muitos que querem aprisionar as meninges dos portugueses nos esquemas do spin e do agitprop da esquerdalhada, os jornais estão a tornar-se um bem transaccionável e estamos cada vez menos limitados à verdade a que o jornalismo indígena de causas decide que temos direito.

É certo que temos um problema de dimensão do mercado. O número de portugueses que querem saber a verdade é bastante limitado e por isso não há muitos jornais estrangeiros que gastem latim e tinta a produzir notícias sobre a jangada de pedra.

Os espanhóis, aqui mais à mão, são uma alternativa, como já se viu ao furarem o spin da tropa ao serviço de Costa nos incêndios.

E agora, outra vez, ao publicarem «el inventario de lo robado en el arsenal de Portugal que tiene en alerta a Europa», inventário que o ministro da Defesa ainda não devia conhecer, ocupado como tem estado, primeiro com o namoro entre os alunos do Colégio Militar e depois com as boas práticas de segurança, como aqui lembrou Helena Matos.

30/06/2017

Apesar de estarem no mesmo fuso horário é como se estivessem nos antípodas

Enquanto por cá os 64 mortos do incêndio de Pedrógão não inspiraram mais do que manobras de spin do governo, com a poderosa ajuda do jornalismo de causas e dos mídia do regime, no mesmo fuso horário, a 3 horas de voo, perante um desastre que vitimou 79 residentes na Torre Grenfell, o governo inglês de May (não exactamente um prodígio de sound judgement) e os mídia reagiram de modo radicalmente diferente.

Apesar da resposta dos meios de combate ao incêndio em Londres terem funcionado sem falhas (ao contrário de cá), apesar do governo de May não ter entre os seus membros ninguém especialmente envolvido com o revestimento do edifício que teve um papel decisivo no desastre (ao contrário de cá, em que Costa foi o MAI que aprovou o SIRESP que falhou, uma vez mais, em toda a linha e o actual ministro da Agricultura, responsável pelas florestas, ocupa pela 3.ª vez nos últimos 22 anos a mesma pasta), apesar disso, May pediu desculpa ao povo britânico pelo acontecido.

Foram imediatamente iniciados inquéritos para apurar o que causou e porque se propagou o incêndio tão rapidamente. As conclusões preliminares apontam para o revestimento ter tido um papel decisivo e a Arconic, o seu fabricante, interrompeu imediatamente as vendas desses painéis. As autoridades locais estão a remover revestimentos semelhantes potencialmente perigosos em 95 edifícios já identificados e a instalar sistemas de sprinklers. A polícia fez saber que estão a ser consideradas acusações de homicídio involuntário porque concluíram que partes da Grenfell Tower falharam nos testes de segurança.

O que se passou por cá? Nada, tirando o jogo do empurra entre as diversas áreas da administração, as perguntas do governo e, claro, o choro da ministra e os abraços e beijinhos do performer que faz o papel de presidente da República.

Ah, claro, já me esquecia, também tivemos um clérigo do trotskismo a exigir, sob o olhar compreensivo do ministro do Agricultura, «a redução forçada das manchas de eucalipto», por acaso a espécie florestal que menos arde e que é economicamente sustentável.

25/06/2017

ARTIGO DEFUNTO: Se quisermos saber o que se passou no incêndio de Pedrógão Grande é melhor catar na imprensa portuguesa o que escapou às malhas

Continuação daqui, dali e dacolá.

Por entre as frestas do controlo quase sem falhas dos mídia ocupados pelo jornalismo acolitado à geringonça, escapam algumas informações divergentes da versão oficial. Leia-se este artigo do Expresso Diário de 23-06, também publicado na última página do caderno principal da versão em papel, que contraria frontalmente a versão oficial sobre as origens do incêndio.

«Daniel foi ouvindo em silêncio, ao longo dos dias, as explicações para o incêndio que atingiu Pedrógão Grande. Logo no domingo, António Costa foi o primeiro a falar de trovoada seca, após duas horas de reunião no Comando Nacional de Operações de Socorro da Autoridade Nacional da Proteção Civil, mas afirmou que ainda era "prematuro tirar ilações". Depois surgiu a declaração do diretor nacional da Polícia Judiciária, perentória: "A PJ, em perfeita articulação com a GNR, conseguiu determinar a origem do incêndio e tudo aponta muito claramente para que sejam causas naturais. Inclusivamente encontrámos a árvore que foi atingida por um raio", disse Almeida Rodrigues. Seguiram-se dias de confirmações e desmentidos: os populares a dizer que não houve trovoada, os bombeiros a falar de mão criminosa, o Laboratório Científico da PJ a voltar ao terreno, o IPMA a confinrar os trovões, a recuar depois para ponderação, a afirmar outra vez que houve raios no céu, ali, em Escales Fundeiros, aldeia de Pedrógão Grande com pouco mais de 40 habitantes, onde tudo começou.

24/06/2017

ARTIGO DEFUNTO: Se quisermos saber o que se passou no incêndio de Pedrógão Grande (e nos outros) é melhor ler a imprensa espanhola

Continuação daqui e dali.

«El cártel español del fuego amañó contratos de extinción de incendios en Portugal

El gobierno luso pagó hasta tres veces más de lo que realmente costaba el servicio contratado.

Según la declaración de los propios investigados, sus años de mayor actividad en Portugal fueron 2006 y 2007, pero el sumario del caso investiga adjudicaciones en el país vecino hasta 2015, año en el que se lanza el operativo y se dictan las primeras detenciones.»

(El Español)

22/06/2017

ARTIGO DEFUNTO: Se quisermos saber o que se passou no incêndio de Pedrógão Grande é melhor ler a imprensa espanhola (continuação)

Continuando a demonstração definitiva de como os mídia portugueses estão controlados pelos partidos da geringonça e a maioria dos jornalistas portugueses estão ao seu serviço e aproveitando os links deixados por um leitor neste comentário:


Enquanto omitem os factos que mostram a descoordenação total na resposta do governo ao incêndio, vão enchendo o vazio com as tretas de Marcelo que, à boa maneira de jurista, faz como aquele que, tendo como a única ferramenta um martelo, imagina todos os problemas como pregos, e exorta os órgãos legislativos a ejacularem com urgência resmas de leis para resolver os resultados das más políticas florestais que têm um século e os problemas de descoordenação do governo da geringonça na utilização dos meios, misturando tudo isso num caldo de afectos equívocos engrossado pelo nevoeiro informativo.

E o que dizer do parlamento que numa hora aprovou cinco propostas para reforma florestal que estavam na gaveta há dois meses? Com gente desta só é possível ter um simulacro de democracia, uma democracia asmática.

21/06/2017

ARTIGO DEFUNTO: Se quisermos saber o que se passou no incêndio de Pedrógão Grande é melhor ler a imprensa espanhola

É a demonstração definitiva de como os mídia portugueses estão controlados pelos partidos da geringonça e a maioria dos jornalistas portugueses estão ao seu serviço. Enquanto isso Costa passeia a sua virgindade nos mídia e diz que o problema dos incêndios florestais levará uma década ou mais para resolver. Ninguém lhe pergunta o que ele fez há mais de uma década, enquanto foi entre 2005 e 2007 precisamente ministro de Estado e da Administração Interna de Sócrates, nem se teria sido preciso uma década para evitar a completa descoordenação dos meios existentes ao dispor do governo.

«Enquanto continua o trabalho de extinção, crescente indignação contra as autoridades para notícias que revelam falhas de coordenação graves  nas primeiras horas do fogo. Erros, que de acordo com sobreviventes, pode ter matado dezenas de pessoas.

Para a "rodovia da morte"

Maria de Fátima estava retornando de Coimbra no sábado quando soube que um incêndio afetou a área onde seu pai, um residente de Pedrógão Grande vive. "Quando liguei para me disse que era verdade que o fogo tinha cercado-los completamente e eles estavam em perigo , " ele diz Fátima disse à imprensa portuguesa. "Eu tenho que chegar à cidade e encontrar meu pai, mas quando nós tentamos para deixar a área e tomar o IC8 [a estrada que passa perto da área], a Guarda Nacional Republicana (GNR) ter cortado".

De acordo com Fátima, quando perguntou aos agentes da GNR, por onde deveriam sair da área, disseram-lhe que a Estrada Nacional 236 estava livre de perigo. Ao passar por esta via, no entanto, ela encontrou um cenário apocalíptico.

"A fumaça era tão densa que não se via absolutamente nada, tudo o que ficou para fora eram as chamas por entre as árvores", lembra Fátima. "Nós batemos em algo que estava no meio da estrada, e de repente um carro atrás colidiu com o nosso, e nosso pegou logo fogo. Queríamos sair do carro, mas também o calor era tão intenso que não sabíamos se seríamos capazes de sobreviver lá fora. "

(...)

"Eu não quero ver um político andando por aí, dando condolências. Eles deveriam ter estado aqui quando precisamos deles, eles e a GNR, eu deveria ter cortado as estradas e alertado sobre o que tinha de ser feito. Eles poderiam ter salvo muitas pessoas ...".

Por enquanto, a GNR não esclarece se os agentes espalhados pela na área no sábado cometeram o erro grave de que são acusados, mas o corpo policial prometeu abrir uma investigação para determinar o que falhou nos momentos cruciais.

Falta de informação

Entre os testemunhos de sobreviventes outra queixa frequente é a falta de informação por parte das autoridades, e o pânico que não viveu por não se saber se era necessário evacuar a área ou, caso contrário, esperar por ajuda.»

Excerto de «Los supervivientes del incendio acusan a las autoridades: “Nos arrastraron hacia la muerte”» de El Español

NÓS VISTOS POR ELES: A inoperância na luta contra os incêndios


Para contrariar a nossa tendência congénita para olhar para o umbigo e para a oscilação bipolar entre vermo-nos como o povo eleito e sentirmo-nos uns desgraçadinhos, deveríamos obrigar-nos a ler todos os dias ao pequeno-almoço uma avaliação das nossas obras feita pela estranja.

Para o pequeno-almoço de hoje aqui vai um excerto em portinhol do artigo de opinião com o elucidativo título «La inoperancia de Portugal en la lucha contra los incendios» que o jornal El Mundo publicou sobre os incêndios de Pedrógão Grande:

«Ontem, Portugal foi atingido por um terrível incêndio que causou mais de 60 mortes. É a tragédia com mais mortos em um único fogo em quase um quarto de século no mundo, um facto que revela as dimensões de um evento que revelou a ineficácia e a alarmante falta de recursos do Estado Português para lidar com incêndios florestais. Um flagelo que assola todos os anos com especial virulência o país vizinho, sem que as medidas proporcionadas sejam tomadas para combatê-lo.

A Polícia judiciária portuguesa acredita que uma tempestade eléctrica é a causa mais provável do incêndio, cuja rápida disseminação foi devida a "condições climáticas desfavoráveis", especialmente pela combinação de altas temperaturas e ventos fortes. Dezenas de moradores da região que circunda o município de Pedrógão Grande ficaram presos em um inferno de chamas e muitos deles pereceram queimados em veículos em que estavam tentando fugir. Outros morreram carbonizados em plena rua. As autoridades portuguesas, completamente ultrapassadas, mobilizam mais de 700 efectivos. Um dispositivo claramente insuficiente para controlar, conter e, finalmente, para apagar um incêndio de proporções tão devastadoras.

Não é aceitável que, no século XXI, num país da União Europeia um incêndio florestal possa causar um número tão elevado de mortes. Especialmente tendo em conta a história dos últimos anos. O que mostra este terrível episódio é que, hoje, Portugal não está preparado para lidar com o fogo. Nem tem realizado trabalho preventivo adequado, nem sequer dispõe de um dispositivo ideal para controlar, conter e extinguir incêndios, o que revela não só a ineficácia de suas equipes, mas uma preocupante ausência de meios. A crise e o resgate reduziram significativamente a capacidade de investimento do executivo Português. Mas isto não é razão para ignorar uma ameaça tão séria e preocupante como a do fogo, cujas consequências dramáticas excedem os danos ambientais.»

20/06/2017

DIÁRIO DE BORDO: já dei que chegue para o peditório dos incêndios (mas não resisto a dar mais uns trocos)

Ao contrário do que dizem alguns maledicentes, a calamidade resultante do incêndio de Pedrógão Grande não se deve ao governo, nem aos Kamov parados comprados com a ajuda do amigo Lacerda Machado, nem ao engavetamento do Plano Nacional contra Incêndios, nem à ineficácia da protecção civil. Deve-se à trovoada seca e ao aquecimento global. O que devemos ao governo é a prosperidade que atravessamos, prosperidade que os mesmos malecidentes atribuem ao turismo e à conjuntura internacional (para já não falar ao governo anterior).

A sério: é claro que este governo tem culpas no cartório e tem uma enorme falta de vergonha, ajudada pela falta de discernimento dos eleitores, quando procura ter créditos do que não fez e foge com o rabo à seringa do que tem responsabilidades. Contudo, o ponto a que chegámos é o resultado de mais de um século de políticas erradas e incúria. Desde pelo menos 04/09/2005 que venho escrevendo sobre este tema - para não maçar os leitores remeto apenas para o último desses posts - e não vou repetir-me.

Tal como uma dívida de 130% do PIB demoraria décadas a atingir a sustentabilidade e não se paga com afectos, beijinhos, abraços e selfies de Marcelo, nem com as manobras e prestidigitação de Costa, também os incêndios florestais não se resolverão com as mesmas tretas - aliás, parte dos incêndios florestais nunca terá solução e, não, não apenas pelas mudanças climáticas.

Correndo o risco de ser amaldiçoado pelo politicamente correcto e a hipocrisia dominante, faço um prognóstico com elevada probabilidade de se concretizar: a uns dias ou semanas de luto, a donativos de gente generosa e bem intencionada e outra nem por isso, a concertos de solidariedade, seguir-se-ão uns meses ou anos de masturbação teorética, serão produzidas mais ejaculações legislativas, serão criados mais organismos onde poderão ser alojados mais ASPON (assessores de porra nenhuma, como dizem os brasileiros) da família César ou de outras, serão adjudicados mais uns contratos com a assessoria de lacerdas e uns anos e vários milhões de euros depois estaremos mais ou menos no mesmo sítio.