Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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» (António Alçada Baptista)
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21/10/2026

Crónica da passagem de um governo (72b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 72a)

Chrystal Clear. Part 2

Já aqui citei o aviso de Kristalina Georgieva aos governos sobre os riscos que a economia mundial enfrentará e da inevitável «orientação prudentemente restritiva na política monetária», com cortes das despesas públicas, redução da dívida pública e aumento das taxas de juro.

Agora o Fiscal Monitor da OCDE, cujo tema central (Taxing Better to Boost Growth) é em si uma mensagem aos governos dos países membros, a quem exorta a reduzir as distorções induzidas por impostos, preservando a receita total, repondo a neutralidade do IVA, melhorando o tratamento tributário dos custos de investimento, fortalecendo os incentivos ao trabalho e à inovação e os custos de conformidade para aumentar a produtividade. Não por acaso, em vão se procuram traços destes propósitos no OE 2027 do governo do Dr. Montenegro e também não é por acaso que o FMI não acredita em excedentes dos orçamentos futuros.

Coisas que saltam à vista no OE2027

Infografia (adaptada) do Expresso

Quando se olha para o diagrama acima, alguns números que nos assaltam:
  • A carga fiscal atingirá 125,5 mil milhões, o que corresponde a 36% do PIB nominal previsto para 2027 (em 2025 foi de 35,3%);
  • Um terço das receitas orçamentais (44,6 mil milhões) são contribuições sociais que na sua esmagadora maioria se destinam a financiar pensões futuras e que em grande parte irão ser torradas no presente;
  • O total das contribuições sociais (44,6 mil milhões) cobre menos de três quartos das prestações sociais – quem é que garantiu a sustentabilidade da segurança social?
  • As contribuições sociais só são ultrapassadas como fonte de receita pelos impostos sobre a produção e importação (IVA, na sua maior parte – 62%);
  • O Estado sucial aplicará menos de 10 mil milhões ou menos de 7% das suas despesas para investir no seu capital fixo.
De como o governo do Dr. Montenegro continua a circular na autoestrada mexicana do investimento público…

mais liberdade

Se o governo do Dr. Montenegro é um infortúnio, a oposição é uma desgraça. O berloquismo (1)

Da incompetência dos batalhões de apparatchiks e dos seus comandos resultam inevitavelmente erros, como o do pagamento de pensões mais elevadas do que as devidas pela lei a uns milhares de reformados, desta vez antigos apparatchiks recebendo pensões da CGA. Agora que o governo pretende, de acordo com a lei (princípio que até a DECO reconhece) o Berloque de Esquerda, uma agremiação em vias de extinção, agarra-se como um náufrago a uma boia e produz uma queixa de 43 (quarenta e três) páginas que o chefe da turma Dr. Pureza e o deputado sobrevivente entregaram na Procuradoria-Geral da República.