| Ceci n'est pas un canard |
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
30/05/2026
Dúvida (368) - Um bicho que se parece com um pato, nada como um pato e grasna como um pato, pode ser um ornitorrinco? (2)
29/05/2026
O balão de hidrogénio do Dr. Galamba ou mais um elefante branco que se perdeu pelo caminho (7)
O Dr. Galamba, uma espécie de apoderado do Animal Feroz, ex-secretário de Estado da Energia e ex-ministro das Infraestruturas de governos socialistas, que «frequentou um doutoramento em Filosofia Política na London School of Economics» (não perguntem o que é frequentar um doutoramento), anunciou há seis anos uma «mega fábrica de hidrogénio em Sines» em parceria com a Holanda. Nos anos seguintes, essa megafábrica de hidrogénio e as outras foram-se gradualmente evaporando, como fui relatando em (2), (3), (4), (5), (6).
Faltava a "mega fábrica" da Galp - o parque eólico com 19 turbinas em Odemira para alimentar projeto de hidrogénio verde. Já não falta. A Galp comunicou há dias à Câmara de Odemira a sua desistência do projecto.
Entretanto, o Dr. Galamba, sem surpresa para quem dispõe de tal currículo, é candidato à presidência da APREN - Associação Portuguesa de Energias Renováveis.
28/05/2026
The news of Mr. Trump's reputation as a great negotiator is more exaggerated than the news of Mark Twain's death while he was still alive
«Donald Trump’s reputation and political career were built on his dealmaking prowess, yet the president keeps demonstrating that he is a terrible negotiator.
Repeatedly over the past nine years, Trump has gotten rolled by counterparts during high-stakes exchanges. North Korea, Russia, Russia again, China, and China again have gotten the better of the United States. Trump has had to slink back to Washington without much to show except empty talk about friendship with whatever dictator has just run circles around him. He’s had some success in brokering agreements when acting as a third party (though not nearly as much as he pretends) but much less luck when his own government is a participant. The one glaring exception came when he was effectively negotiating with himself, getting his own administration to set up a $1.8 billion slush fund for his political allies.
The newest example of Trump’s artlessness is Iran. Let’s review the past few days: Trump posted on Saturday that he was close to striking a deal with Tehran that would end the war he started earlier this year and reopen the Strait of Hormuz. As the outlines of the agreement began to emerge, it looked both incomplete and bad: Trump had postponed discussing the hardest issues—matters, such as nuclear weapons, that led him to go to war—in exchange for opening the strait, which was open before Trump started the war. Hawkish Trump allies promptly criticized the deal, and despite histrionic pushback from Trump aides, the president had begun backing off claims of an imminent agreement by Sunday. “If I make a deal with Iran, it will be a good and proper one, not like the one made by Obama,” he posted. “Our deal is the exact opposite, but nobody has seen it, or knows what it is. It isn’t even fully negotiated yet.” Yesterday, in a sign that a deal might not be near at all, the U.S. military conducted what it called “self-defense strikes” against Iranian targets—directly contradicting the administration’s previous claims about having wiped out any threats to the United States in Iran.»
David A. Graham, The Atlantic
27/05/2026
Crónica da passagem de um governo (51b)
Boa Nova
O Dr. Seguro já promulgou as medidas fiscais para promover a construção de habitação (redução do IVA) e do arrendamento (redução do IRS e do IRC). Não se esperem milagres porque a fiscalidade é apenas uma das variáveis da equação e algumas das outras variáveis permanecem inalteradas, como seja a absurda burocracia camarária, diligentemente promovida por resmas de apparatchiks, que envolve os licenciamentos, a que se escapa apenas com os lubrificantes habituais: luvas e cunhas de amigos e/ou do partido.
Quanto aos programas de apoio à construção de habitação, estamos conversados. Por exemplo, o Programa de Apoio ao Acesso à Habitação “1.º Direito”, lançado pelo Dr. Costa e o Dr. Pedro Nuno no início de 2023, dois anos depois, estava contratualizada mais de 90% da primeira tranche do dinheiro disponível e só tinham sido entregues menos de 10% das casas previstas. Três anos depois tinham sido entregues 12% das casas.
«Pagar a dívida é ideia de criança»?
Segundo a nota de informação estatística do BdP, em Março o endividamento da economia aumentou 5,4 mil milhões de euros, dos quais 1,7 mM do sector público, 2,2 mM das empresas privadas não financeiras e 1,6 mM das famílias.
Não ajuda muito constatar que as taxas da dívida pública estão a aumentar (a emissão de BT a 12 meses da semana passada foi com uma yield 0,3 pontos percentuais acima da emissão do mesmo prazo há dois meses) e irão continuar no contexto que se avizinha.
Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»
Há várias causas para a doença de que sofre o SNS, das quais não é provável que faça parte a falta de dinheiro que continua a ser arremessado sobre os problemas: a despesa total com medicamentos aumentou 15,8% para 4,4 mil milhões de euros, dos quais os hospitais públicos aumentaram 11,2% para 2,5 mM; no 1.º trimestre deste ano, a despesa com medicamentos dos hospitais voltou a aumentar 7,6%. (fonte)
Take Another Plan. «Ser sócio do Estado na TAP? “Jamais”!”»
As palavras em título são de João Tovar Jalles, um economista que Harry Truman talvez considerasse ter uma só mão (*), para sumarizar o absurdo de esperar que um investidor privado torrará dinheiro indefinidamente na TAP com o Estado a mandar. Como que a dar-lhe razão por antecipação, o presidente do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), avisou que poderá haver «um problema na estabilidade laboral» se a Lufthansa for accionista da TAP e sabemos que até agora todos os governos têm levado muito a sério os “avisos” dos pilotos.
Canários na mina de carvão
É cada vez mais ruidoso o coro dos canários a que são surdas as luminárias domésticas sempre tão concentradas nos seus inchados egos. A CE baixou as suas previsões de crescimento para 1,7%, com um défice de 0,1%, antecipa a perda de quota de mercado das exportações portuguesas, alerta para o impacto no turismo, que representa 1/6 da economia, da eventual escassez e da escalada dos preços do jet fuel, e do risco de "estaglação" (inflação a coexistir com um crescimento baixo ou nulo).
_________
(*) «Give me a one-handed Economist. All my economists say 'on one hand...', then 'but on the other...», disse um dia exasperado o presidente americano.
25/05/2026
Crónica da passagem de um governo (51a)
… pedir ao Claude IA da Anthropic para ajudar os “técnicos” do MAI a desentropiar a implementação do Entry/Exit System (EES) para controlo dos passaportes que começou a funcionar em Outubro do ano passado, teve de ser suspenso em Dezembro e voltou a funcionar em Abril multiplicando as filas de espera nos aeroportos.
… enquanto isso, é aconselhável estar atento aos próximos passos dos tecnogarcas…
Face aos custos crescentes e ao impacto ambiental das quantidades pantagruélicas de energia consumidas pelos centros de dados usados pela IA, que o Dr. Matias anseia por acolher em Sines, para processar esses dados e para dispersão de quantidades igualmente pantagruélicas de calor produzidas pelos processadores, o Sr. Elon Musk e outros tecnogarcas estão a pensar em lançar centros de dados no espaço para resolver os problemas de potência e arrefecimento.
Take Another Plan. Festeja-se a redução dos prejuízos
O Avante da família Azevedo informa-nos num título celebratório que os «prejuízos da TAP caíram 63% para 39,9 milhões de euros no primeiro trimestre». As perdas continuam, apesar dos 3,2 mil milhões injectados com dinheiro dos contribuintes, a maior parte dos quais nunca assentaram o seu rabito num assento da TAP. Se isto foi no primeiro trimestre, em que ainda não se sentiram os efeitos das aventuras do Sr. Trump no Irão, podemos imaginar o que se seguirá.
O Dr. Montenegro está a alcançar o pior dos dois mundos: não toma medidas impopulares e fica impopular…
Segundo a sondagem do Barómetro da Aximage para o DN, apenas 23,2% dos inquiridos votariam agora na coligação AD que tem menos 10,2 pontos percentuais de intenções de voto do que o PS e menos 0,3 pontos percentuais do que o Chega.
… em parte isso pode dever-se à falta de memória dos portugueses
| mais liberdade |
O Estado sucial pagador do fraque...
O facto de, apesar da redução, continuar a cobrar abundantes impostos não torna o Estado sucial melhor pagador aos seus fornecedores a quem deve há mais de 90 dias 337 milhões de euros, mais 42% do que no ano passado (fonte).
… é o mesmo Estado sucial cobrador do fraque
No final do ano passado segundo a Conta Geral do Estado, os impostos por cobrar voltaram a aumentar e quase atingiram os 30 mil milhões de euros, dos quais cerca de 40% é considerada dívida incobrável.
Contas certas à custa de um futuro incerto
O Conselho das Finanças Públicas parece ser a única instituição a dar-se conta que os tão celebrados excedentes da execução orçamental se devem por inteiro aos Fundos de Segurança Social que são reservas para fazer face às responsabilidades pelas pensões futuras que, o mais tardar por volta de 2028, deixarão de ser cobertas pelas contribuições para a SS, e são tratados como se fossem receitas correntes.
(Continua)
24/05/2026
Donald Trump's ceasefire, or whatever it is, shows how America has changed
«If Operation Epic Fury has truly ended, following the announcement of a two-week ceasefire on April 7th, it will have lasted nearly as long as Operation Desert Storm, the campaign to expel Saddam Hussein’s Iraqi forces from Kuwait in 1991. A comparison of the two wars shows how much America has changed.
Back then, President George H.W. Bush sought approval from Congress and the UN Security Council before opening fire. This time round, Donald Trump did not bother with such formalities. Bush, who died in 2018, patiently persuaded 41 other countries to join America’s military coalition. Mr Trump started the war with one ally, Israel. He did not consult other allies, but then demanded they help when things got hard, and denounced them as “COWARDS” when they proved reluctant.
The elder Bush laid out a clear, limited objective: reversing one country’s seizure of another. Mr Trump offered a shifting array of goals, from destroying Iran’s missiles and nuclear programme to regime change.
Bush, who did not have access to social media, chose his words carefully. His terse response to Iraq’s invasion of Kuwait in 1990 was “This will not stand.” Mr Trump has been more verbose and less measured. “Open the Fuckin’ Strait, you crazy bastards, or you’ll be living in Hell—JUST WATCH! Praise be to Allah,” he posted on Truth Social on April 5th.
The 41st president declared victory only after he had won, and in his victory address praised American soldiers and allies—but not himself. Mr Trump declared victory early and often. “We won. In the first hour it was over,” he boasted on March 11th. Despite being over in the first hour, it lasted nearly six more weeks, snuffed out hundreds of lives and made humanity measurably poorer.
On the morning of April 7th Mr Trump vowed to wipe out Iranian civilisation if the regime did not meet his terms. For ten and a half hours, the world wondered how seriously to take this astounding threat. Then he backed down, citing progress in negotiations. The next day he sounded cheerful. “This could be the Golden Age of the Middle East!!!” he posted on Truth Social, adding: “Big money will be made.”
The liberation of Kuwait from the Middle East’s most torture-happy despot marked a high point of American power—a unipolar moment after the end of the cold war. It also pushed Bush’s approval rating at home to nearly 90%. Democrats as well as Republicans applauded. Mr Trump’s war has been less well-received.»
Donald Trump’s ceasefire shows how America has changed
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This text is part of an article that was published on April 9th, and since then, Mr. Trump has proclaimed victory several times, threatened to annihilate Iran, and announced imminent agreements. There is a chasm between the US with a president like George H.W. Bush and the US with a cheerleader like Donald Trump.
22/05/2026
CASE STUDY: A IN sai mais barata do que a IA
No coração do sistema de Cortic está uma matriz de milhares de pequenos electrodos, sobre os quais estão os neurónios criados a partir de células-tronco retiradas de um doador humano. A matriz permite que um computador convencional capte a actividade elétrica gerada por esses neurónios e os estimule com actividade eléctrica própria. Os neurónios são mantidos vivos até seis meses por tubos e bombas que fornecem oxigênio e nutrientes, e removem resíduos celulares como o dióxido de carbono. Tudo está embalado em uma caixa projetada para caber nos racks padrão de servidores usados em data centers comerciais.
Os neurónios oferecem várias vantagens em relação à electrónica na computação, diz Hon Weng Chong, chefe da Cortical. Eficiência é uma delas. Modelos modernos de inteligência artificial consomem energia em milhões de watts. Esse consumo de energia tornou-se uma das maiores barreiras ao crescimento do sector. Os neurónios, por outro lado, consomem pouca energia: um cérebro humano típico, composto por quase 90 bilhões deles, consome cerca de 20 watts.
Sofisticação é outra. Os transistores de que são construídos os computadores são pequenos interruptores que podem estar em dois estados: ligado ou desligado. Os neurónios são mais complexos. O comportamento deles depende de vários factores, incluindo a voltagem através da membrana celular e de quanto tempo não recebem sinais de outros neurónios. Arquitecturas de computadores existentes também armazenam informações em locais distantes do processamento real. A Micron, grande fabricante de chips de memória, estima que até metade do orçamento energético de um processador de IA convencional é gasto para transferir dados. Também causa engarrafamentos, pois os dados são trocados de um lado para o outro. Cérebros misturam dados e processamento lado a lado, minimizando tais questões logísticas.»
21/05/2026
DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Portugueses no topo do mundo (81) - "Quem é capaz, faz, quem não é, ensina"
Como é que tão excelente resultado nas escolas de gestão se explica num Portugal dos Pequeninos que é um desastre em matéria de gestão das empresas e, sobretudo, do Estado? Uma vez mais, só me ocorre a explicação de George Bernard Shaw na sua peça "Man and Superman": «Those who can, do; those who can’t, teach».
19/05/2026
Crónica da passagem de um governo (50b)
Uma auditoria do IGF aos Regimes Fiscais de Ex-Residente e Residente Não Habitual concluiu que «a despesa fiscal do regime de RNH registou um acréscimo significativo de 2019 a 2024, respetivamente, de 619,7 milhões de euros (M€) para 1.741 M€, em linha com o aumento do número de beneficiários (41.229 para 128.958)».
Essa conclusão foi traduzida pela imprensa doméstica como «Residentes não habituais ‘custam’ 1,7 mil milhões aos cofres do Estado». Se assim fosse, para não custarem esses milhões ao Estado sucial seria preferível dar-lhes guia de marcha para regressarem aos seus países, poupando assim esses milhões ao Estado sucial, levando consigo os investimentos que fizeram e deixando de pagar os impostos que pagaram.
A flexibilidade segundo o Dr. Centeno chama-se rigidez
Em crónica anterior já citei o Dr. Centeno que numa conferência garantiu, que o «mercado de trabalho não tem défice de flexibilidade», emprestando a sua suposta autoridade de economista do trabalho às teses da UGT, ou, mais exactamente, do PS.
Por coincidência, o economista João Tovar Jalles comentou num artigo recente a confusão dos conceitos e publicou os gráficos acima, os quais, mais do que as palavras, mostram um mercado de trabalho português mais protegido e, em consequência, com mais contratos a prazo e mais desemprego jovem, desfazendo as fantasias do Dr. Centeno.
A palavra-chave aqui é “nominal”
O Volume de Negócios nos Serviços (VNS) registou no 1.º trimestre um crescimento nominal homólogo de 2,1%, o que seria uma boa notícia, não fora a inflação que fez do crescimento uma queda de -1,5% (INE).
Pensamento positivo
O Dr. Miranda Sarmento, que prometeu um novo bónus das pensões este ano «se houver margem orçamental», é o mesmo que admite que a dívida pública no final do ano represente 85% ou 86% do PIB, apesar de no final do 1.º trimestre andar pelos 91% e a conjuntura internacional não mostrar perspectivas cor-de-rosa.
O Dr. Montenegro tem concorrência socialista à esquerda e à direita…
O Dr. Carneiro faz o que entende lhe compete como opositor socialista e leva da UGT ao colo, o Dr. Ventura vai para além da oposição socialista de esquerda e acrescenta o aumento das férias à redução da idade de reforma em troca de um acordo no Código do Trabalho.
… e, não obstante, almeja uma maioria absoluta para o que pretende dilatar Portugal
Pelo menos foi o que disse na apresentação da sua candidatura a líder do PS-D sob a bandeira originalíssima «Fazer Portugal Maior»
18/05/2026
Crónica da passagem de um governo (50a)
O Dr. Montenegro está a mostrar-se um sucessor à altura do Dr. Costa que recebeu 655 mil funcionários públicos do “neoliberalismo” (que, por sua vez, herdou 730 mil do socialismo socrático) e aumentou esses efectivos para mais de 740 mil. O Dr. Montenegro está a continuar a expansão e só no primeiro trimestre deste ano acrescentou mais uns milhares ao pletórico aparelho atingindo 767 mil utentes da vaca marsupial pública.
O Estado sucial já está no futuro
Todas as projecções confiáveis apontam para a insustentabilidade do sistema português de Segurança Social dentro de uma dúzia de anos, isto é, por volta de 2038 as contribuições deixam de ser suficientes para cobrir as despesas com pensões e, a partir daí, outra meia dúzia de anos depois, o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social poderá ficar esgotado.
A prioridade do governo é antecipar a insustentabilidade da SS
É nesse contexto que ganham sentido as promessas do ministro das Finanças que, parecendo ter mais juízo do que o Dr. Matias, afinal talvez não tenha, ao prometer um novo bónus das pensões este ano «se houver margem orçamental», fazendo depender da gestão de tesouraria a antecipação de um longo prazo insustentável.
O Dr. Matias e a IA
Na falta de reformas com impacto efectivo na máquina burocrática do Estado sucial com os seus referidos 767 mil utentes, que consome 43% do que o país produz, dos quais mais de 86% são despesa primária, o Dr. Matias, ministro Adjunto e da Reforma do Estado, esfalfa-se a falar dia sim, dia sim na IA, que para ele parece cada vez mais consistir na construção de centros de dados para consumir resmas de MW produzidos por resmas de painéis solares fabricados na China que alimentam resmas de processadores desenhados nos EUA e fabricados em Taiwan para armazenar resmas de dados europeus. É um desperdício de inteligência natural.
A Inteligência Artificial de Sines não é ficção científica, é apenas ficção
Se não fosse a retórica do Dr. Matias não ter aparentemente limites, diria que teria atingido o ápice com a sua grandiloquente afirmação numa qualquer das inúmeras conferências onde derrama as suas visões de que «hoje Sines é um polo tecnológico de ponta. Hoje já é produzida Inteligência Artificial em Sines, não é ficção científica».
(Continua)
17/05/2026
Small facts that can help someone understand the big ones
Listing some trivial facts that help to understand why a government with the most powerful army in the world has been unable to win in Vietnam, Iraq, Afghanistan and, after 11 weeks, not only failed to defeat the ayatollahs of Iran, but also managed the feat of granting them control of one of the most important areas on the planet.
It is said that a Japanese soldier imprisoned in WWII, when asked which were the best armies fighting in the jungle, replied: the Japanese and the Australians. When asked about the Americans, he said that the Americans didn't know how to fight in the jungle; they destroyed the jungle.
Eighty years later, the same mindset leads Americans to raze entire city blocks and use multimillion-dollar missiles to shoot down $50,000 drones, and inspires the army of their Israeli disciples to destroy tens of thousands of homes and kill tens of thousands of civilians, only to have to do it repeatedly soon.
Donald Trump once criticized the «interventionists» for «intervening in complex societies that they did not even understand themselves», which was an avant la lettre good explanation for his own failure to anticipate that the ayatollahs would be willing to let themselves and their people be killed.
16/05/2026
Javier Milei ganhou uma batalha. Ganhar a guerra é outra coisa e, a ser possível, levará algum tempo (3)
Já o escrevi e repito: uma criatura com instintos liberais vê com natural simpatia os esforços de Javier Milei para pôr em prática políticas visando emagrecer o Estado dinossáurico argentino e dar aos argentinos liberdade para viverem as suas vidas sem o jugo de uma "casta" extractiva. Também escrevi que a política é a arte do possível e acrescento que o possível para um governo democrático é um possível mais limitado do que o possível numa autocracia.
E o possível na Argentina está chocar de frente com uma economia a tropeçar (o PIB caiu 2,6% em Fevereiro, a inflação subiu 3,4% em Março e o desemprego continua a aumentar) e os escândalos a crescerem, como o da criptomoeda $LIBRA promovida por Milei que se suspeita ter recebido pagamentos como consultor dos promotores, uma criptomoeda que um desastre para a maioria dos seus detentores (uma minoria "bem informada" vendeu antes do descalabro), ou o escândalo do chefe de gabinete Adorni a ser investigado por corrupção.
| Fonte |
Por tudo isto, a queda abissal da taxa de aprovação de Milei não é surpreendente. O que é uma surpresa para quem o imaginava com fortes convicções liberais é estar a fazer o que fazem os regimes autocráticos: inventar um inimigo.
É possível que a imprensa argentina esteja infestada pelo jornalismo de causas, acontece um pouco por todo o lado, mas os factos são os factos e as mentiras combatem-se com factos. A invenção de um inimigo por Milei não é original; quase todos os governos, com pouca consideração, to say the least, pela liberdade de expressão e pela democracia, a usam.
15/05/2026
ARTIGO DEFUNTO: A ecoansiedade e os delírios do jornalismo de causas
Para me poupar a citar excertos do artigo “Será que a zona onde vivemos continuará habitável?”: Quatro em cada 10 jovens hesitam ter filhos por causa das alterações climáticas, cito o resumo gerado por AI que segundo o Expresso reza assim:
«Estudo revela que quatro em cada dez jovens portugueses hesitam em ter filhos devido às alterações climáticas. A ecoansiedade, definida como medo crónico de catástrofe ambiental, surge como determinante nas decisões reprodutivas.
Investigação do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto mostra que jovens com motivos ambientais apresentam três vezes mais ecoansiedade.»
Quanto ao primeiro estudo «Young People's Voices on Climate Anxiety, Government Betrayal and Moral Injury: A Global Phenomenon», foi publicado em 2021 na revista Lancet Planetary Health, é da autoria de uma equipa cujos membros publicaram um único paper - o paper em causa - e foi financiado pela AVAAZ, uma ONG que se define como «the campaigning community bringing people-powered politics to decision-making worldwide» e tem como fundadores vários notórios ideólogos do áctivismo online.
Esquecendo a óbvia falta de credibilidade dos "investigadores" e da entidade financiadora (é assim como militantes da CDU fazerem um estudo financiado pela CDU sobre a falência do capitalismo), o certo é que o estudo não revela uma especial preocupação dos jovens portugueses pelos supostos impactos das mudanças climáticas já que em relação à "ameaça à segurança familiar" se preocupam tanto quanto a média dos jovens dos 10 países considerados, e quanto "hesitação sobre ter filhos" preocupam-se menos.
Quanto ao segundo estudo, a conclusão é perfeitamente tautológica e não careceria de estudos: é claro que «jovens com motivos ambientais» teriam forçosamente de ser mais ecoansiosos, seja lá o que isso for.
| Pordata |
14/05/2026
You can't fool all of the people all the time (14) - Mr. Trump is hitting rock bottom in every area
Other "You can't fool all of the people all the time."
| YouGov |
Inflation, employment, foreign policy, immigration, or crime - take your pick.
Men or women, young or old, white or black, illiterate or with a doctorate - take your pick.
What's hard to understand for a creature with a modicum of mental sanity isn't why the net approval rating is so low. What's hard to understand is why it isn't lower.
13/05/2026
SERVIÇO PÚBLICO: Desfazendo o mito do efeito milagroso dos fundos europeus
«... os fundos europeus, longe de promoverem convergência, funcionam como uma «pílula envenenada» para países receptores, incluindo Portugal. Estas transferências sustentam um Estado ineficiente, alimentam clientelismo político, e distorcem a alocação de recursos para sectores não-transacionáveis. Ao reduzirem a pressão para reformas estruturais, os fundos perpetuam a baixa produtividade e o atraso económico. Décadas de apoios não geraram convergência real com a Europa rica. Terminar com os fundos de coesão traria benefícios substanciais a longo prazo, tanto para os contribuintes líquidos como para os próprios beneficiários.»
Nuno Palma anunciando o seu novo livro: «O Vício dos Fundos Europeus», no Portugal no longo prazo, em mais «Uma obra de demolição de alguns dos mitos mais populares no Portugal dos Pequeninos»
12/05/2026
Crónica da passagem de um governo (49b)
Morreu na praia o acordo com a UGT, que representa 7% trabalhadores do sector privado, e a CGTP, que praticamente só representa os trabalhadores com emprego vitalício, não chegou a embarcar.
«O governo quer dar aumentos salarias de 6,2% para 111 mil trabalhadores do privado com retroativos a março»
É este o título para parolos do Jornal Eco (com títulos assim deveria mudar de nome para jornaleco) para noticiar o expediente que se repete todos os anos das “portarias de extensão", expediente pelo qual os contratos colectivos negociados pelos sindicatos que representam um décimo ou menos dos trabalhadores influenciam 90% dos contratos de trabalho, em empresas e sectores sem condições para pagarem a bitola das maiores empresas e continuarem competitivos.
A bazuca do Dr. Montenegro é maior do que a do Dr. Costa
| mais liberdade |
Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não… … clarificar as dúvidas sobre aplicação do IVA de 6% na construção que fizeram cair os licenciamentos em 16% em Janeiro e Fevereiro; licenciar parques autónomos de baterias que limitariam as consequências dos apagões; antecipar os 10 anos previstos para a operacionalidade completa do SIRESP que é um dispositivo que anda por aí há mais de 10 anos, em cujo lançamento esteve envolvido o Dr. Costa e o seu melhor amigo Dr. Lacerda Machado. Incompetência até a gastar o dinheiro da Óropa O Portugal 2030, que é uma espécie de herança do Portugal 2020 que não foi cumprido, só está executado a 18% (a menor percentagem da UE), encaminhando-se assim para se transmutar num Portugal 2040. Canários na mina de carvão O piar dos canários ouve-se cada vez mais. O emprego parece ter atingido o seu ápex e começou a cair enquanto a taxa de desemprego está a subir (fonte INE); a dívida pública aumentou 0,5 mil milhões de euros em março e atingiu 91,0% do PIB no primeiro trimestre do ano (fonte BdP. Hoje há conquilhas, amanhã logo se vê (os tugas não estão a ouvir os canários) Surdos ao piar dos canários, os particulares contraíram novos empréstimos num montante que ultrapassou pela primeira vez 4 mil milhões de euros num mês, o valor mais elevado desde 2003 (fonte BdP), e compraram quase 100 veículos até Abril, outro recorde, desta vez desde 2005. |
11/05/2026
Crónica da passagem de um governo (49a)
Dados do SNS citados pelo Expresso mostram a continuação da degradação do SNS que é cada vez mais da responsabilidade do Governo da AD. Ainda assim, não faz sentido branquear as enormes responsabilidades da governação socialista nessa degradação por via da gestão ideológica da Dr. ª Marta Temido. Mais 20 mil médicos e 53 mil enfermeiros e muito mais horas extraordinárias não foram suficientes para compensar a reversão para 35 horas e a incompetência de gestão que o presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares sacode com grande desvergonha ao descartar-se: «as causas são todas responsabilidade do governo». Um dos hospitais que mais se degradou foi o Hospital de Loures, em tempos uma PPP bem-sucedida.
O Dr. Centeno pode ter saído do governo e do BdP mas o narcisismo sonso não saiu dele
Como explicar que a «ideia que está a amadurecer» do seu livro de memórias tenha sido com imensa antecedência e muito desvelo revelada pelo semanário de reverência não em uma, mas em duas peças, uma no caderno principal e outra no caderno de economia (este, uma espécie de resumo, sem link)? Aguardo ansiosamente as suas memórias na esperança de que nos revelem o desdobramento de personalidade que permitiu ao Dr. Centeno, ministro, nomear o Dr. Centeno governador.
(Quase) Todos os políticos são mentirosos, mas há uns mais mentirosos do que outros
Em Novembro de 2023, o Dr. Costa demitiu-se jurando que o seu amigo Dr. Lacerda Machado (ler aqui uma breve resenha sobre essa amizade) nunca lhe tinha falado sobre o projeto Start Campus. Não é verdade que se apanha mais depressa um mentiroso do que um coxo porque a verdade levou três anos para emergir das escutas divulgadas pela TVI e CNN Portugal que revelam o Dr. Costa a dizer ao seu melhor amigo e padrinho de casamento, na véspera de Natal de 2022: «Já sei que foste lá dar boas notícias ao Vítor.»
O óbvio ululante. Eu diria mesmo mais
No seu relatório sobre Portugal, o FMI aconselha a reversão das «isenções do imposto sobre o rendimento das pessoas singulares específicas para jovens que aumentam os custos fiscais e introduzem distorções, sem evidência clara de eficácia na contenção da emigração juvenil» e «não são sujeitas a critérios de rendimentos, ao mesmo tempo que impulsionam a procura e contribuem para agravar os desequilíbrios». (fonte) Já o tinha dito várias vezes nestas crónicas.
O Dr. Luís Neves não se tem cansado de atribuir o desgoverno das polícias e a incompetência das respectivas chefias à falta de efectivos, que deve ser um dos poucos problemas que as polícias portuguesas não têm (no caso de dúvida, cfr. a série de posts Vivemos num estado policial?)
As rotundas do governo
Um dos expediente dos autarcas para mostrar obra feita é construírem rotundas inúteis em cruzamentos em que a esmagadora maioria do tráfego é num único sentido, rotundas que são muito mais visíveis e muitíssimo mais baratas do que reparar os quilómetros de estrada em mau estado que por elas atravessam. À falta de rotundas, o Dr. Miguel Pinto Luz anunciou o «início do serviço fluvial em junho entre o Seixal e o Barreiro» ao fim de semana, iniciativa que é coisa para servir prá aí uma dúzia de pessoas.
Na ausência do PCP, o Chega assusta o patronato?
Pelo menos foi o que o JE escreveu: «foi a proposta do Chega de reduzir a idade de reforma em troca de um acordo no Código do Trabalho que assustou a CIP» e levou a ceder «em toda a linha à UGT»
Por que não resistem os governos ao show-off?
O governo PS-D/CD-S não resistiu e o ministro das Finanças já confirmou que vai “melhorar e calibrar” as medidas do governo PS em 2022, nessa altura classificadas como demagógicas pelo Dr. Montenegro, para tributar os “lucros extraordinários das petrolíferas”. Bem pode o Dr. Pardal “melhorar e calibrar” os 5 milhões de euros de 2023, ou seja, 10% da receita que o governo do Dr. Costa previa.
Talvez na esperança de facturar pelo menos os 5 milhões de euros, o governo autorizou o Exército a gastar até 2,2 milhões de euros para comprar viaturas especiais, o que é menos de um décimo do custo de um tanque Leopard 2A8.
10/05/2026
Dúvida (367) - Um bicho que se parece com um pato, nada como um pato e grasna como um pato, pode ser um ornitorrinco?
09/05/2026
Zugzwänge para Vladimir (continuação)
Continuação daqui.
... a invasão da Ucrânia a que chamou pudicamente "operação especial", que era para durar uma semana e já vai, se não estou enganado, em 218 semanas...
«Russia's internal expectations for the war were remarkably short. Documents found inside Russian tanks described how the "special military operation" would conclude in just ten days. Ukraine also captured "flagship" tanks — the kind used in parades — along with military parade uniforms, suggesting that Russia expected to stage a victory parade in Kyiv after a swift campaign. Wikipedia
The broader picture painted by the evidence is even more striking. After the invasion began, Ukrainian and Western analysts assessed that Putin seemed to have believed Russian forces would be capable of seizing Kyiv within days, leading to the conclusion that "taking Kyiv in three days" had been the original goal. This narrative was reinforced by statements from Aleksandr Lukashenko and Margarita Simonyan, editor-in-chief of Russian state broadcaster RT. The Security Service of Ukraine also released a video showing a captured Russian soldier claiming his unit had been sent into Ukraine with food supplies for only three days. Wikipedia
Russia's invasion plan involved defeating Ukraine within ten days and capturing or killing its government, followed by "mopping up" operations, establishing filtration camps, setting up occupation regimes, and eventually annexing territory. Wikipedia
Three days after the invasion began, the Russian state news agency RIA Novosti mistakenly published a pre-written article called "Russia's Coming and the New World," prepared in anticipation of a quick Russian victory, which announced that "Ukraine had returned to Russia." Wikipedia
Of course, none of this came to pass. By April 2022, the invasion's initial goal of a rapid victory via decapitation had failed, with Ukraine pushing back the northern arm of the invasion and preventing the capture of Kyiv. The war has now dragged on for over three years, becoming the largest conflict in Europe since World War II. Wikipedia»
Resposta do Claude Sonnet 4.6. da Anthropic à pergunta «When Russia invaded Ukraine, what was the Russian government's prediction for the duration of the so-called "special operation"?»
08/05/2026
AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Zugzwänge para os compadres Vladimir e Donald
Já várias vezes evoquei (aqui, acolá e acoli, por exemplo) o Zugzwang, do alemão zug (jogada) e zwang (compulsão), que é a situação no xadrez em que, em consequência das jogadas anteriores, um jogador é obrigado a fazer a jogada seguinte da qual sairá em pior situação.
Volto a fazê-lo desta vez para caracterizar a situação em que se colocaram no tabuleiro internacional os compadres Vladimir Putin e Donald Trump, o primeiro com a invasão da Ucrânia a que chamou pudicamente "operação especial", que era para durar uma semana e já vai, se não estou enganado, em 218 semanas, e o segundo com o Great and Beautiful Bombardment (GBB) dos aiotolás, que era para durar o que Bibi achasse necessário, e já vai em 6 semanas e vários anúncios de Total and Complete Victory.
Quanto a Vladimir Putin, as coisas vão de mal a pior e, segundo um ex-alto funcionário do governo russo, enfrenta uma situação de perfeito Zugzwang, situação que, com os mesmos critérios, tomo a liberdade de atribuir a Donald Trump e, já agora, ao seu ajudante, o secretário de Estado da Guerra, Pete Hegseth.
É assim que, não sem algum Schadenfreude, concedo o máximo de cinco Zugzwänge (plural de Zugzwang) ao primeiro e quatro ao segundo (o quinto poderá ser atribuído em breve). A Pete Hegseth não atribuo nenhum - é apenas um secretário.
07/05/2026
The '"Total and Complete Victory"' achieved through a Great and Beautiful Bombardment seems more like half a defeat (3)
«By the United States military’s estimation, about 1,550 marine vessels—oil tankers, bulk carriers, container ships, and more—are idling in the Persian Gulf right now. With the Strait of Hormuz effectively blockaded, their crews, many of them uninvolved in the ongoing war with Iran, are slowly using up supplies as they await safe passage through the mine-filled waterway. Donald Trump announced on Sunday that the U.S. would rescue these “victims of circumstance” by guiding them out of the war zone in an as-yet-unspecified way. On Monday, though, Iran’s military rejected the plan, warning that American military forces would be attacked if they approached the strait.
Both sides fired shots yesterday, although the U.S. claims that the cease-fire remains in place. The fact that Iran’s leaders are apparently willing to risk violating the delicate monthlong truce emphasizes just how fiercely they want to protect their hold over the strait. The past 65 days of war have badly punished Iran: Its leaders are dead, its navy and air force have been depleted, and its economy and infrastructure have been decimated. “If we leave right now,” Trump said last week, “it would take them 20 years to rebuild.” But amid the destruction, the country has also found new forms of leverage. Iran had not previously exercised this degree of control over the Strait of Hormuz, and before the war, the country could not have been confident that it would be able to do so. Even in its diminished state, the Iranian military has managed to deter enemy ships and outmaneuver anti-air systems, maintaining that grip on the strait while costing the U.S. billions.
After the U.S. and Israel began their military action, the Iranian government said it would attack any ship that tried to sail through the strait, and began deploying mines as deterrents. Before the war, more than 130 ships passed through each day; yesterday, that number was down to three. The ships that do cross now mostly do so under the strict supervision of Iran’s Islamic Revolutionary Guard Corps, which reportedly has been demanding tolls in cryptocurrency and Chinese yuan, and rerouting traffic away from Oman, toward Iran-controlled waters.
Iranian dominance over the strait may well be the new norm. On Sunday, Iran’s Deputy Speaker of Parliament Ali Nikzad was emphatic that the country “will not back down” from its position on the strait, “and it will not return to its prewar conditions.” That’s because the country’s restrictions on the strait have succeeded on a strategic level, creating a global energy shock and unleashing economic devastation around the world—putting massive pressure on the U.S. and Israel to come to the bargaining table. Trump has demanded that Iran “Open the Fuckin’ Strait,” but as Iran’s threats yesterday made clear, we’re a long way off from the pre-February status quo. Even when Iranian leadership has offered to reopen the strait as part of potential peace deals, as it has over the past month, it has done so with the knowledge that Iran could always reassert control. That’s exactly what happened on April 17, when the country declared the strait open to all; the next day, Iran reimposed its restrictions on passing ships, effectively closing the waterway once again.
06/05/2026
Crónica da passagem de um governo (48b)
Se o problema fosse o lucro das 126 empresas do Estado ter caído 480 milhões para 11 milhões de euros, seria um problema simples. O problema complicado é que o “lucro” neste caso são as sobras de cerca de 3,5–4 mil milhões de euros em subsídios, indemnizações compensatórias e outras transferências para empresas públicas.
No meio do nevoeiro informativo, o Public Relations da CP conseguiu que a Lusa passasse para os jornais a “notícia” que fez o título no Avante da família Azevedo: «Lucro da CP mais do que duplica em 2025 para 4,8 milhões», esquecendo de informar que foi a sobra de cerca de 100 milhões de subsídios com diversos nomes pagos no ano passado.
Então não estamos a crescer mais do que a Óropa?
| mais liberdade |
O diagrama mostra o resultado do caminho para uma sociedade socialista em que os salários galopam e a produtividade coxeia. Já agora, para não embandeirarmos em arco, recordo que a progressão de 2020 para 2025 se deve ao crescimento das maiores economias ter sido mais afectado pelas consequências da invasão da Ucrânia.
Canários na mina de carvão
Multiplicam-se os sinais de que pode estar a chegar ao fim o tempo das vacas voadoras do Dr. Costa: no primeiro trimestre as exportações de bens desceram 6,4% e as importações aumentaram 2,6%; a taxa de inflação homóloga aumentou 3,4% em Abril e o PIB não cresceu no primeiro trimestre.
O Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência (petit nom PTRR), a bazuca do Dr. Montenegro, foi desenhada pelo Dr. Matias?
| mais liberdade |
Poderá parecer uma pergunta retórica, mas o PTRR não é um fundo autónomo, é uma manta de retalhos financiada por fundos nacionais, fundos europeus, empresas públicas, empresas privadas, PPP e concessões. Segundo o Diário de Notícias (não confirmei) dois terços dos 22,6 mil milhões de euros previstos para torrar até 2034 estavam previstos no orçamento há 6 meses, e os números do diagrama mostram que cerca de um quarto é para fazer a recuperação das infraestruturas e serviços afectados pelas tempestades, o que inevitavelmente teria de ser feito com ou sem PTRR.
Operação Marquês - uma justiça de opereta numa república dos bananas
Já o escrevi em tempos: 300 (trezentos) juízes, 50 (cinquenta) recursos, uma queixa ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, vários crimes já prescritos, um processo com mais de 62 mil (sessenta e duas mil) páginas, incluindo as 6 mil (seis mil) páginas do despacho do Juiz Rosa, em mais de 200 (duzentos) volumes, o equivalente a um décimo dos julgamentos de Nuremberga (de 20/11/1945 a 1/10/1946) onde foram julgados 23 dirigentes nazis.
Actualizo agora com a prescrição dos crimes de corrupção activa relativos ao empreendimento de Vale do Lobo de que beneficiaram a semana passada dois dos arguidos e, salvo qualquer imprevisto não previsto, beneficiarão em Junho o Animal Feroz e o seu compadre Dr. Vara.
05/05/2026
Crónica da passagem de um governo (48a)
Os 90 (noventa) membros do secretariado da UGT aprovaram por unanimidade a rejeição das propostas de alteração da legislação laboral do governo. A UGT (controlada pelo PS) e a CGTP (controlada pelo PC) representam em conjunto cerca de 7% dos trabalhadores do sector privado e uma percentagem muito superior dos funcionários públicos que não são afectados pelas reformas em discussão por terem emprego vitalício, um seguro de saúde público e uma pensão garantida pela CGA.
“Precariedade” é o efeito secundário do emprego vitalício
A UGT opõe-se mais tenazmente ao aumento da flexibilidade do emprego, cuja rigidez é o factor principal que explica a preferência das empresas pelos contratos a prazo que afectam quatro em cada dez trabalhadores jovens, sendo Portugal o quarto país da UE com mais contratos a prazo.
Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não…
… dar corda aos sapatos e concluir o estudo aprovado pela Resolução de Conselho de Ministros de 7 de março de 2025 para a criação das cinco PPP para gerir os hospitais de Braga, Loures, Vila Franca de Xira, Amadora-Sintra e Almada e nos cerca de 170 centros de saúde nessas áreas.
Para «abrir caminho para uma sociedade socialista» o Dr. Montenegro e o Dr. Ventura pretendem igualar o salário mínimo ao salário médio
O Dr. Montenegro e o Dr. Ventura, ultrapassaram pela esquerda o Dr. Carneiro e querem antecipar o salário mínimo de € 1.000 já em 2027 e o Dr. Ventura, mostrando os seus pergaminhos socialistas, propõe aumentá-lo para € 1.150 até 2029. Numa economia em que 96% das empresas representando 36% do VAB tinham menos de 10 trabalhadores, o impacto destes aumentos com uma produtividade estagnada poderá inviabilizar muitas delas.
O caminho para o socialismo da pobreza relativa
Enquanto o salário mínimo e o salário médio galopam desde 2015 a produtividade coxeia atrás deles.
Nas mãos do Dr. Montenegro, a bazuca do Dr. Costa continua entupida
Quase um terço dos 22 mil milhões do PRR poderão não ser usados se os projectos não forem aprovados até 31 de Agosto. Segundo o presidente da Comissão de Acompanhamento da torrefacção, os «tempos de resposta aos pedidos de pagamento do PRR estão a aumentar em vez de diminuir». Pelo resultado de várias décadas a torrar dinheiro da Óropa, não é de esperar que se perca grande coisa, porém, dava jeito a circular por aí.
O Estado sucial é um caloteiro
Governado pelo PS ou pelo PSD, há várias coisas imutáveis no Estado sucial e uma delas é que é um Estado caloteiro que paga mal a todos os prestadores de serviços, como neste caso o INEM que pagou aos bombeiros no último dia do prazo. É apenas uma gota de água no oceano das dívidas a fornecedores, cujo prazo médio de pagamento é superior a 70 dias e no caso do SNS vai até aos 204 dias na ARS Norte.
Take Another Plan. Quem cabritos vende e cabras não tem…
Enquanto decorre o plano de privatização, perdão, o desejo de vender 49,9% a um benfeitor, a TAP vai-se desfazendo das suas pratas, que no caso são mais sucata do que prata. Comprou por 11,7 milhões 51% da empresa de catering há um ano, está agora a tentar vendê-la por 9,6 milhões.
