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19/05/2021

Pro memoria (411) – O choque com a realidade do carro eléctrico de Sócrates (VIII) - A tradição ainda é o que era

[Mais choques com a realidade do carro eléctrico de Sócrates]

Em retrospectiva:
  • Segundo os planos do governo socialista de José Sócrates, até 2020 existiriam 25 mil postos de carregamento e 180 mil veículos eléctricos;
  • Em Agosto de 2020, segundo o Alternative Fuels Observatory existiam cerca de 1.750 postos de carregamento, o equivalente a 1/14 da visão socrática;
  • No princípio de 2020, a CEO da EDP Comercial, Vera Pinto Pereira, disse que ambicionaria ter no final deste ano 300 postos de carregamento público e 750 pontos de carregamento privado.
Fast forward, Maio de 2021, a mesma CEO da EDP Comercial, Vera Pinto Pereira, diz que já tem 900 postos contratados e 500 operacionais, ou, dito de outro modo, dos 300 + 750 = 1050 que havia dito teria em 2020 tem menos de metade operacionais. Para compensar faz uma previsão de 40 mil em 2025 incluindo o estrangeiro.

Detecta-se aqui um padrão, não é verdade? É o padrão dos anúncios socialistas numa das empresas emblemáticas do regime, não por acaso em tempos uma coutada dos Espírito Santo, os banqueiros do regime, e agora do capitalismo de Estado chinês. 

Já o escrevi e repito, no Portugal dos Pequeninos isso não é um problema porque os eleitores não têm memória, a maioria dos políticos não têm vergonha, não existe algo a que se possa chamar opinião pública e a opinião publicada está a cargo de uma maioria de serventuários.

13/05/2021

ESTÓRIA E MORAL: Se o Sr. Eng. tivesse andasse a malhar na esposa durante o tempo em que andou a ser (alegadamente) corrompido, o crime de violência doméstica não teria sido considerado prescrito

Estória

Como é sabido, o acórdão do Tribunal Constitucional n.º 90/2019, (alegadamente) fabricado para limpar a folha dos amigos, postulou que a contagem da prescrição do crime de corrupção activa se inicia desde a promessa de corrupção, mesmo que os subornos se tenham sucedido ao longos dos anos. Assim, por exemplo, se o Sr. Dr. Salgado tivesse aliciado (alegadamente) o Sr. Eng. Sócrates em 2005 e transferido (alegadamente) para as suas contas bancárias desde então até 2010 uma tença mensal, nessa altura em 2010, o (alegado) crime de corrupção, a que era aplicável um prazo de prescrição de 5 anos, já teria prescrito e a folha do Sr. Eng. Sócrates estaria impecavelmente limpa.

Veja-se o que se aconteceria ao Sr. Eng. se, em vez deter sido (alegadamente) corrompido pelo Sr. Dr. Salgado, tivesse malhado na esposa durante esse tempo, de acordo com o Acórdão de 22 Fev. 2021 do Tribunal da Relação de Guimarães (Processo 344/19.8GAVNF.G1):

Caso haja continuidade há um único crime, caso não haja ocorrerão tantos crimes, quantas as intenções autónomas postas em prática. No caso dos autos, nos períodos de convivência, a postura do arguido em nada se alterou. O que está em causa é uma postura reiterada sempre que os arguidos estavam a viver em comum, nunca tendo havido mais de 6 meses de hiato, nos comportamentos agressivos por o arguido ter ido trabalhar para o estrangeiro. E, esse hiato ou espaço temporal apenas decorria de, nesse tempo não estarem juntos, por o arguido estar a trabalhar na Áustria. Assim, não é de autonomizar qualquer das condutas como crime autónomo, estando-se antes perante um crime habitual, reiterado ou de trato sucessivo. Nesta tipologia de crimes, o prazo prescricional do procedimento criminal só se inicia com a prática do último ato. Pata o crime de violência doméstica o prazo prescricional é de 10 anos. Tendo em conta que o último facto praticado pelo arguido ocorreu em 31 de Agosto de 2019, só a partir daí começou a correr o dito prazo prescricional de 10 anos, não existindo prescrição no caso dos autos.

Moral

Se puder escolher, deixe-se corromper durante toda a vida mas não bata no cônjuge durante muito tempo.

24/04/2021

O Partido Socialista apodreceu e com ele apodreceu a 3.ª República (2)

 Continuação deste apodrecimento.

«A história do Acórdão 90/2019 do Tribunal Constitucional, de que falei aqui na semana passada e que Ivo Rosa utilizou para mandar abaixo toda a Operação Marquês (com o argumento de que o prazo de prescrição para os crimes de corrupção activa começou a contar em 2006, e portanto tudo estava prescrito), ficou ainda mais interessante com as informações  reveladas pelo programa da RTP Sexta às 9.

Em primeiro lugar, ficámos a conhecer o nome do advogado que interpôs o recurso junto do Tribunal Constitucional (TC) a que Ivo Rosa se agarrou com grande entusiasmo. Chama-se Rui Patrício, e é um ás na sua profissão. Em 21 de Março de 2018, o Supremo Tribunal de Justiça tinha condenado um cliente seu a cinco anos e sete meses de prisão pela prática de nove crimes de corrupção a activa e dois crimes de peculato (trata-se de um caso de processos de falência que não envolveu figuras públicas). Em meados de 2018, o advogado recorreu ao TC, argumentando que os crimes de corrupção estavam prescritos.

Graças a Deus, a justiça nem sempre é lenta, e o TC deu-lhe razão a 6 de Fevereiro de 2019. Numa jogada de mestre, Rui Patrício ganhou em vários tabuleiros: inocentou directamente o cliente das falências com aquele acórdão, e inocentou mais três clientes por tabela. Como? Simples: Rui Patrício é também advogado de Hélder Bataglia, de Bárbara Vara (filha de Armando Vara) e de Rui Horta e Costa (ex-administrador do empreendimento de Vale do Lobo), todos eles não pronunciados por decisão de Ivo Rosa com base no Acórdão 90/2019, que lhe caiu no colo a meio da instrução da Operação Marquês.

Mas há mais. Graças ao Sexta às 9, ficámos também a saber por que razão Manuel da Costa Andrade, então presidente do Tribunal Constitucional (abandonou este ano o cargo), não participou (e bem) na decisão da 1.ª secção do TC. Costa Andrade estava impedido de o fazer, porque em Novembro de 2015 assinou um parecer encomendado por Rui Patrício, no qual defende a tese da prescrição dos crimes de corrupção a partir do momento da promessa, invocando para isso o respeito pelo princípio da legalidade, argumento central utilizado pelo Juiz relator Cláudio Monteiro no Acórdão 90/2019.

Esse parecer, curiosamente, não foi assinado só por Costa Andrade. Foi assinado também pela professora Cláudia Cruz Santos, actual deputada do PS, e não por acaso citada pelo próprio juiz Cláudio Monteiro, ex-deputado do PS, no Acórdão 90/2019. Como se as coincidências não bastassem, ainda há mais uma: Manuel da Costa Andrade, ex-deputado do PSD, é pai de João Costa Andrade, advogado de José Paulo Pinto de Sousa, o fidelíssimo primo de José Sócrates, que também escapou à pronúncia. 

Há quem afirme que o mero elencar destes factos é uma forma ínvia de pôr em causa a reputação de pessoas respeitáveis, sobre as quais não recai suspeita alguma. Deixem-me esclarecer que não é a reputação das pessoas que está em causa, mas esta bambochata de ligações familiares, financeiras ou políticas. Somos um país dominado por uma elite minúscula que vive em circuito fechado, pejada de conflitos de interesses, porque o advogado já encomendou pareceres ao juiz, o filho seguiu as pisadas do pai, a professora esta no parlamento a sonhar com o TC (com uma perninha no futebol) e o político, o banqueiro ou o grande empresário que de repente é apanhado sabe muito bem a que portas ir bater para se safar. Isto é o sistema. Não foi criado por Sócrates . E continuará muito para além dele.»

O juiz, a deputada, o advogado, o professor e o filho dele, João Miguel Tavares no Público

Comentário: 
Sim, não é a reputação de pessoas respeitáveis que está em causa, porque na fossa séptica em que o PS e o regime estão mergulhados, pode haver reputação mas é a reputação da fossa séptica e quem a tem são pessoas talvez respeitadas na fossa séptica, mas não respeitáveis fora dela.

14/04/2021

O Partido Socialista apodreceu e com ele apodreceu a 3.ª República

 «Esta foi a palavra mais ouvida na sexta-feira. O negócio da PT prescreveu, o negócio da Oi prescreveu, o negócio de Vale do Lobo prescreveu, os negócios do grupo Lena prescreveram. A palavra "prescrição" surge 305 vezes na decisão instrutória do juiz Ivo Rosa. Eis a pergunta fatal: porque é que aqueles crimes prescreveram? Rosário Teixeira enlouqueceu? O Ministério Público andou a esbanjar enormes recursos para perseguir crimes prescritos? O que é que permitiu a Ivo Rosa arquivar 172 crimes prescritos, quando a  circulação de 34 milhões de euros está tão bem documentada? Estas perguntas vão esbarrar no acórdão do Tribunal Constitucional de 6 de Fevereiro de 2019, que tem tudo para entrar para a pequena história da nossa democracia. 

A primeira estranheza é esta: Ivo Rosa iniciou a fase de instrução da Operação Marquês a 28 de Janeiro de 2019 e dez dias depois recebeu de prenda o acórdão do Tribunal Constitucional (TC) que lhe permitiu destruir a acusação com base na prescrição de quase todos os crimes. Aquilo que o acórdão em causa - n.º  90/2019 - diz, em termos muito simples, é isto: a contagem da prescrição do crime de corrupção activa começa a partir do momento que a promessa de corrupção é feita, e não quando o dinheiro é entregue ao corrupto, e muito menos aquando do último suborno. 

Imaginem que Ricardo Salgado acordava corromper José Sócrates em 2005, entregava a primeira tranche em 2007 e continuava a entregar-lhe dinheiro até 2011. Manda o bom senso que a prescrição do crime de corrupção comece a contar a partir de 2011, certo? Errado, segundo o TC: a contagem começa em 2005. O que significa - porque o prazo de prescrição da corrupção para acto lícito em 2005 era de apenas cinco anos - que em 2011 José Sócrates já estaria a receber dinheiro de um crime prescrito. Se declarasse o valor ao fisco e pagasse o respectivo imposto, provavelmente o dinheiro até seria legal. Viva o Estado de direito português. 

O acórdão teve como relator Cláudio Monteiro e recebeu os votos favoráveis dos conselheiros José Teles Pereira e João Pedro Caupers, actual presidente do TC. A conselheira Maria de Fátima Mata-Mouros votou contrata e deixou uma declaração de vencida duríssima na qual afirma que o "Tribunal Constitucional exorbitou a sua jurisdição", e acrescenta que o conteúdo daquele acórdão poderia vir a ter (parece que é bruxa) "custos irreparáveis para o prestígio da Justiça e do Estado de direito". 

A segunda estranheza é esta: logo por azar, o conselheiro Cláudio Monteiro que apenas esteve três anos no TC (entrou em Julho de 2016 e renunciou ao cargo em Janeiro de 2020, mudando-se o Supremo Tribunal Administrativo), foi escolhido pelo Partido Socialista e é um antigo deputado do PS. Significa isto que tal acórdão foi redigido para fazer favores a alguém? Não significa. Mas significa que a transumância entre a política partidária e o Tribunal Constitucional é péssima, e que o sistema, tal como o conhecemos, tem guardas pretorianos nas mais elevadas posições. Isto desprestigia o regime, alimentando todas as desconfianças. 

Os tristes factos são estes: a acusação da Operação Marquês foi entregue em 2017 para depois ser dinamitada em 2021 por um juiz que baseou a sua decisão num acórdão do TC de 2019. Um acórdão absurdo e insensível ao mais elementar bom senso. As instituições que deviam proteger-nos estão a alimentar uma cultura de impunidade - e não se vê quem esteja disposto a combatê-la e a travá-la.»

O acórdão do TC que afundou a Operação Marquês, João Miguel Tavares no Público

19/12/2020

ACREDITE SE QUISER: O animal feroz faleceu e ressuscitou no corpo de um Sr. Eng. Sócrates que promove o jornalismo independente

Quem se recordar das tentativas de interferência do Eng. José Sócrates nos mídia, desde os ridículos telefonemas para directores e jornalistas até ao projecto Aljubarrota de arregimentação dos dinheiros da empresa pública PT para comprar a TVI, e de caminho calar a voz de Manuela Moura Guedes, pode ter dificuldade em acreditar na sua recente conversão à independência da impresa.

A conversão deu-se num artigo publicado na revista brasileira Carta Capital (citado pelo jornal i) de ataque do animal feroz ao Dr. Costa e ao Dr. Marcelo pelas suas reacções (ou, mais exactamente, pela falta delas) ao assassinato de Ihor Homenyuk nas instalações do SEF pelo seu pessoal, onde acusa que «a certidão de óbito foi falsificada, a morte foi dada como natural e o assassinato foi encoberto», aponta o dedo ao controlo da agência e faz uma declaração de amor ao jornalismo independente: 
«O tenebroso assunto foi mantido a custo no espaço público por algumas jornalistas da imprensa escrita - o resto, a indústria televisiva que domina a agenda política e que, na prática, decide o que existe e não existe, não viu no caso motivo de indignação, com a virtuosa exceção de uma delas que deu a notícia.»

Fiquei comovido.

29/08/2020

Pro memoria (404) – O choque com a realidade do carro eléctrico de Sócrates (VII) - O PS vive da falta de memória dos cidadãos

[Mais choques com a realidade do carro eléctrico de Sócrates]

Numa entrevista que o Jornal Económico destaca na primeira página, o presidente da MOBI.E – a Entidade Gestora da Rede de Mobilidade Elétrica (EGME) «revela o projeto de instalação de postos de carregamento que aumentará a cobertura geográfica de 165 para 278 municípios, admitindo que a atual rede nacional duplicará no espaço de um ano». 

Vejamos o que se passou até agora com as Boas Novas Socialistas nesta matéria.

Segundo os planos do governo socialista de José Sócrates, até 2020 existiriam 25 mil postos de carregamento e 180 mil veículos eléctricos.

No princípio de 2020, a CEO da EDP Comercial, Vera Pinto Pereira, disse que ambicionaria ter no final deste ano 300 postos de carregamento público e 750 pontos de carregamento privado. 

Alternative Fuels Observatory

Como se pode ver no gráfico anterior existem actualmente no total cerca de 1.750 postos (*) de carregamento, o equivalente a 1/14 da visão socrática. Isto desacreditaria qualquer governo e qualquer partido em qualquer país civilizado. No Portugal dos Pequeninos isso não é um problema porque os eleitores não têm memória, a maioria dos políticos não têm vergonha, não existe algo a que se possa chamar opinião pública e a opinião publicada está a cargo de uma maioria de serventuários.

(*) O número existente em 2019 citado no post anterior era cerca de 3 mil e não os cerca de 1.700 que aparecem neste gráfico. Há várias explicações: (1) um erro do Alternative Fuels Observatory; (2) um erro do governo; (3) uma aldrabice do governo. Faça a sua escolha. 

29/02/2020

Pro memoria (399) – O choque com a realidade do carro eléctrico de Sócrates (VI) - O PS vive da falta de memória dos cidadãos

[Mais choques com a realidade do carro eléctrico de Sócrates]

Segundo os planos do governo socialista de José Sócrates, até 2020 existiriam 25 mil locais de carregamento e 180 mil veículos eléctricos.

Chegados a 2020, a CEO da EDP Comercial, Vera Pinto Pereira, disse há dias que ambicionaria ter no final deste ano 300 postos de carregamento público e 750 pontos de carregamento privado. Evidentemente que não é só a EDP a instalar pontos de carregamento. Vejamos então a evolução do número total de pontos segundo os dados do European Alternative Fuels Observatory.


Temos outra vez o multiplicador socialista do planeamento, neste caso 8,3 = 25.000 / 3.000.

Já que estamos com a mão na massa, vejamos a evolução do número de veículos eléctricos segundo a mesma fonte:


Aqui o multiplicador socialista do planeamento multiplicou-se ele próprio e atingiu 12 = 180.000 / 15.000.

Se quando o Dr. Costa abandonar S. Bento para ir estudar para Paris, a exemplo do seu mestre, ou entrar na fila de espera para Belém, como deve ser o seu desígnio, fizermos o balanço dos seus planos milagrosos comparando-os com a dura realidade, muito provavelmente veremos outra vez o multiplicador socialista do planeamento em acção (socialista).

27/02/2020

Nunca digas jamé

Expresso
E, de repente, o Senhor Engenheiro Sócrates, o Animal Feroz, surge purificado e é entronizando como Senador da Nação a perorar com a sua Sapiência sobre a solução a que um seu ministro disse um dia Alcochete? Jamé!

22/01/2020

É claro que é isso!

«Portanto Isabel dos Santos é garantidamente criminosa porque recebeu do pai o que não era dele mas sim do Estado angolano. Já José Sócrates que diz ter recebido da mãe o que ela claramente não tinha é um perseguido pela justiça.»

«É isto?» interroga-se Helena Matos. Ora, que pergunta!

29/10/2019

ACREDITE SE QUISER: A verdade segundo um mentiroso compulsivo e outras estórias


Nota: este é uma espécie de continuação dos posts «Dissecando a mente de um grande aldrabão», «Apanha-se mais depressa um mentiroso do que um coxo. Se for um psicopata leva um pouco mais de tempo» (1) e (2)»

Se acaso tiverem dúvidas sobre a veracidade da estória contada pelo Eng. Sócrates ao Juiz Ivo Rosa, leiam a seguinte, enviada por um amigo, que é bastante mais verosímil.

«Então foi assim que tudo aconteceu:
Um dia fui jogar golfe e quando estava a escolher o taco, notei que havia uma rã perto de mim.
Para meu espanto a rã disse-me:
- Croc-croc! Taco de ferro, número nove!
Eu achei graça e resolvi provar que a rã estava errada.
Peguei no taco que ela sugeriu e bati na bola. Para minha surpresa a bola parou a um metro do buraco!
- Boa!! - gritei eu, virando-me para a rã - Se calhar és a minha rã da sorte!
E resolvi levá-la comigo até ao próximo buraco.
- O que é que achas, rã da sorte?
- Croc-croc! Taco de madeira, número três!
Peguei no taco 3 e bati. Bum! Directa ao buraco!
Dali em diante, acertei todas as tacadas e acabei por fazer a melhor pontuação da minha vida! Resolvi levar a rã para casa mas no caminho, ela voltou a falar:
- Croc-croc! Las Vegas !
Nem hesitei! Fui directo para o aeroporto, comprei um bilhete para Las Vegas e nem avisei ninguém!
Chegados a Las Vegas a rã disse:
- Croc-croc! Casino, roleta!
Evidentemente obedeci à rã que logo sugeriu:
- Croc-croc! 10 mil dólares, preto 21, três vezes seguidas.
Era uma loucura fazer aquela aposta, mas não hesitei.A rã já tinha ganho toda a credibilidade.
Coloquei todas as minhas fichas no 21 três vezes seguidas e ganhei milhões! Peguei naquela massa toda e fui para a recepção do hotel, onde exigi uma suite presidencial.
Tirei a rã do bolso, coloquei-a sobre os lençóis de cetim e disse:
- Rãzinha querida! Não sei como te pagar todos estes favores! Fizeste-me ganhar tanto dinheiro que vou ser-te grato para sempre!
E a rã:
- Croc-croc! Dê-me um beijo! Mas tem que ser na boca!
Tive um pouco de nojo, mas pensei em tudo o que ela me tinha dado e acabei por lhe dar o beijo na boca!
No momento em que a beijei, a rã transformou-se numa linda ninfa de 21 anos, completamente nua, sentada na minha cama que me foi empurrando, devagarinho, para a banheira de espuma. Mas não vou contar agora mais pormenores sobre esta parte...
E juro que foi assim que consegui toda a minha fortuna!
»

Declarações de José Sócrates ao Juiz de Instrução no Processo Marquês.

01/09/2019

O silêncio dos culpados (Vol II)

Continuação do Vol I

José Sócrates quebrou o pesado silêncio e voltou a protestar inocência e a desvendar cabalas contra a sua ilustre pessoa usando as mesmas páginas do mesmo semanário de reverência que acolheu a acção de propaganda entrevista do seu rival sucessor e agora acolhe a indignação do Eng. Sócrates sob a forma de um artigo de opinião com um título ("Sem querer ir mais longe") que é um aviso e uma ameaça.

Com isso destruiu uma a uma as teorias da conspiração que esforçadamente alinhavei. Vejamos:
  1. Estamos no verão e os jornalistas amigos estão a banhos - há pelo menos um jornalista amigo que não está a banhos;
  2. O arguido converteu-se ao evangelismo e assumiu a culpa - não sabemos da conversão mas assumiu-se mais inocente do que o cordeiro pascal;
  3. Durante as férias judiciais o processo está parado - o processo está parado mas José nunca pára;
  4. O trabalho de desmantelamento das provas pelo juiz a quem saiu à terceira tentativa o processo no sorteio prossegue a bom ritmo e o José está optimista quanto ao desfecho  - não estando esta teoria negada pelos factos, até agora não está confirmada;
  5. Estamos em plena campanha eleitoral e o Dr. Costa exigiu ao Eng. Sócrates que ficasse calado e este trocou o silêncio pela assistência da máquina do PS na desinfecção do seu currículo - depositei uma certa esperança nesta teoria, pelos vistos sem fundamento. 
Especulando sobre esta última teoria, ou bem o Dr. Costa não exigiu o silêncio (embora tivesse uma óbvia vontade) ou exigiu e o Eng. Sócrates, com a pouca consideração que mostrou ter pelo Dr. Costa («o merdas do Costa que não tem tomates»), reagiu violentamente à acção de propaganda entrevista e fulminou -o com um «nunca me ocorreu vir a encontrar-me na desconfortável situação de ter que recordar a alguém que o governo que agora maldiz foi, afinal, um governo no qual participou».

Com a sua exaltada indignação o Eng. Sócrates, depois de já ter feito um retrato realista do Dr. Costa, mostra agora pouca clarividência ao surpreender-se pela criatura maldizer um governo no qual participou. Qual é a surpresa? Afinal foi essa mesma criatura que viraria a página da austeridade, com a sua inclinação pelas políticas do Syriza, a sua crítica à obsessão pelo défice, o seu amor ao SNS, o seu desvelo pelo investimento público e agora defende o que defende e faz o que se sabe.

30/08/2019

O silêncio dos culpados

Desde há algumas semanas, o processo Marquês praticamente desapareceu dos mídia e as frequentes intervenções de José Sócrates protestando inocência e desvendando cabalas deixaram de ser notícia.

O que significa o silêncio de Sócrates? Algumas explicações no domínio das teorias da conspiração:
  1. Estamos no verão e os jornalistas amigos estão a banhos
  2. O arguido converteu-se ao evangelismo e assumiu a culpa
  3. Durante as férias judiciais o processo está parado
  4. O trabalho de desmantelamento das provas pelo juiz a quem saiu à terceira tentativa o processo no sorteio prossegue a bom ritmo e o José está optimista quanto ao desfecho
  5. Estamos em plena campanha eleitoral e o Dr. Costa exigiu ao Eng. Sócrates que ficasse calado e este trocou o silêncio pela assistência da máquina do PS na desinfecção do seu currículo.

12/06/2019

Pro memoria (391) - Filipe Pinhal, o primeiro que não teve um apagão de memória

«Filipe Pinhal, que foi afastado do BCP na luta de poder dentro da instituição financeira, diz que as mudanças na administração do banco privado só aconteceram porque tiveram o apoio do “triunvirato” José Sócrates, Teixeira dos Santos e Vítor Constâncio.» (Negócios)

Finalmente, alguém não teve um apagão de memória a respeito do assalto do BCP, tema que inspirou resmas de post aqui no (Im)pertinências, como por exemplo o seguinte de há 10 anos:

A estória é conhecida. Joe Berardo compra acções do Millenium bcp com empréstimos, primeiro da Caixa (onde à época era presidente Santos Ferreira, o actual presidente do Millenium bcp que sucedeu a Filipe Pinhal, homem de confiança de Jardim Gonçalves), do BES (por esta e por outras razões Filipe Pinhal escreveu o que escreveu sobre Ricardo Salgado, o banqueiro do regime socialista) e do Santander. Depois do afastamento da administração Filipe Pinhal, o próprio Millenium bcp financiou Berardo na compra de mais acções do próprio banco. Santos Ferreira reeditava assim um processo semelhante ao de Jardim Gonçalves.

A coisa correu mal porque as acções do Millenium bcp, que Berardo deve ter comprado a um preço médio de cerca de 2 euros, foram caindo até quase 50 cêntimos. Correu mal para Berardo e para os bancos que o financiaram, a quem Berardo tinha oferecido como garantia as próprias acções do bcp. O Santander, que não faz parte complexo político-empresarial socialista português (nem do espanhol), perante a insuficiência da garantia exigiu um reforço e dispunha-se a executar a dívida se tal não acontecesse. Pelo caminho Berardo ofereceu como garantia, que o Santander recusou mas os bancos do regime aceitaram, a colecção de arte que o governo de Sócrates alojou no CCB a expensas dos sujeitos passivos.

O desfecho do episódio, revelado pelo Expresso e não desmentido por Berardo, foi o Millenium bcp, cujo Conselho de Remunerações é presidido por Berardo, prestar uma garantia à primeira interpelação (on first demand) ao Santander, pessoalmente aprovada por Santos Ferreira, que já tinha aprovado empréstimos, primeiro na Caixa e depois no Millenium bcp.

Que este emaranhado de conflitos de interesse pareça normal neste país é apenas um sintoma de como o governo de José Sócrates contribuiu para tornar este país ainda mais anormal.

15/05/2019

DIÁRIO DE BORDO: Processo disciplinar a Berardo? O Joe é a criatura, não é o criador e o criador são vários...

«Berardo provoca mal-estar em Belém. Comendador pode perder condecorações»

«CDS propõe processo disciplinar para retirar condecoração a Berardo»

O Joe é a criatura, não é o criador e o criador são vários...

Só dois exemplos (esquecendo a multidão de acólitos, como Ricardo Salgado, Santos Ferreira, Vara, etc. - um enorme etc.):

24/04/2019

Lost in translation (321) - Tenho esperança que ele transforme a acusação numa solução homeopática, quis o animal feroz significar

«Há um juiz que respeito e que considero independente», disse em entrevista à TVI José Sócrates, o alegado criminoso preferido dos mídia que lhe concedem mais tempo de antena desde pelo menos D. João II, referindo-se a Ivo Rosa o juiz da Operação Marquês a quem saiu na rifa dirigir a fase de instrução onde o ex-primeiro-ministro socialista é «acusado de 31 crimes e de acumular 24 milhões de euros na Suíça».

11/05/2018

Pro memoria (376) - Não, não começou há três anos. Começou no princípio, quando José Sócrates chegou ao governo de Guterres

«Peço desculpa, mas o atraso não é de três anos e qualquer coisa. A cegueira é muito mais antiga, muito mais teimosa e muito mais cúmplice. Tão antiga e tão teimosa que, anos e anos a fio, sempre que surgia um novo caso, o que se ouvia era um coro sobre “campanhas negras” dirigidas contra “o político mais escrutinado da história da nossa democracia”. Sim, eu não me esqueço.»

«O pior cego é o que não quer ver», José Manuel Fernandes no Observador

Desde a fundação, o (Im)pertinências dedicou atenção a José Sócrates. O primeiro post apareceu aqui há 15 anos e a partir da posse do seu primeiro governo a criatura foi alvo de uma atenção constante em centenas de posts (leia-se este, por exemplo) com o escrutínio de todos os casos e trapalhadas em que esteve envolvido. Fizemos a nossa pequeníssima parte. A maioria dos portugueses dividiu-se entre os seus cúmplices, os seus bajuladores, os acagaçados ou fascinados pelo seu poder, pertinácia e falta de escrúpulos e a imensa legião amorfa concentrada em viver as suas vidinhas.

07/05/2018

A queda em desgraça do animal feroz é agora oficial

Não, não será por causa de ter sido abandonado pelos seus antigos aliados e amigos Costa, César, Santos Silva, Galamba et alia. Esses abandonam qualquer um para salvar a cabeça.

É mais por ter sido abandonado por duas mulheres da vida dele. A primeira - a pluma caprichosa Clara Ferreira Alves, a quem Soares encomendou a entrevista do «chefe democrático que a direita sempre quis ter» - já o tinha abandonado faz algum tempo.

A segunda, a sua antiga namorada Fernanda Câncio, com quem partilhou as amenidades proporcionadas pelos «empréstimos» do amigo, defendeu-o durante anos contra tudo e contra todos. Acaba de o abandonar com o artigo de opinião «A tragédia de Sócrates» onde o classifica como «alguém com uma tal ausência de noção do bem e do mal, que instrumentalizou os melhores sentimentos dos seus próximos e dos seus camaradas e fez da mentira forma de vida».

Pensando melhor, não tenho a certeza que o móbil dessas duas ex-admiradoras não tenha sido também salvar a cabeça ou, ao menos, o que resta da credibilidade. Receio que quanto à credibilidade tenham chegado tarde.

20/03/2018

ACREDITE SE QUISER: Quem melhor para falar sobre o pós-crise do que o maior responsável pela crise?

«José Sócrates vai falar sobre a crise económica, na próxima quarta-feira, na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra.

O ex-primeiro-ministro será o orador de uma conferência sobre “o projeto europeu depois da crise económica”. Um evento promovida pelo Núcleo de Estudantes de Economia da Associação Académica.» (jornal SOL)

Repare-se a diferença: a direcção do ISCSP convidou o sucessor de Sócrates para debitar umas lérias sobre qualquer coisa que ninguém sabe bem o que seja. Os alunos do ISCSP - e ao que parece muitos outros e várias luminárias académicas - indignaram-se muito justamente e produziram uma petição pública onde consideram que a «referida nomeação configura em si mesma uma ofensa à dignidade dos profissionais da ciência e do ensino em Portugal.

Agora que foram os alunos a escolher alguém para falar sobre a crise económica não tiveram dúvidas, passaram ao lado de Passos Coelho e foram directamente à maior autoridade do Portugal dos Pequeninos nesta matéria: o licenciado em engenharia civil (incluindo a cadeira de Inglês Técnico) pela Universidade Independente e mestre pela Sciences Po.

14/02/2018

Até nisto fomos precursores

Netanyahu Should Be Charged With Bribery and Fraud, Israeli Police Say 

Concluding a yearlong graft investigation, the police recommended that Mr. Netanyahu face prosecution in two corruption cases: a gifts-for-favors affair known as Case 1000, and a second scandal, dubbed Case 2000, in which Mr. Netanyahu is suspected of back-room dealings with Arnon Mozes, publisher of the popular daily Yediot Aharonot, to ensure more favorable coverage.

Em Israel a polícia parece andar mais depressa do que os nossos procuradores da República. Em contrapartida o nosso ex-primeiro é (alegadamente) mais corrupto do que o deles.

31/12/2017

Chávez & Chávez, Sucessores (62) - Dois países, um sistema (o do pernil)

Outras obras do chávismo.


A estória é conhecida e não carece de ser contada outra vez, apenas recordados os principais episódios: (1) faltou o pernil de porco no paraíso socialista bolivariano; (2) o povo venezuelano, apesar de habituado à falta de quase tudo, desceu às ruas em protesto; o camarada presidente Nicolás Maduro acusou Portugal de sabotagem; (3) prontamente, Santos Silva (*), o comissário dos Negócios Estrangeiros do paraíso do socialismo democrático, responde ao camarada presidente Maduro com humildade democrática «o governo não tem o poder de sabotar pernil»; (4) entretanto, a imprensa progressista descobriu que o «pernil não seguiu para a Venezuela por falta de pagamento»; a Iguarivarius, uma empresa que vende habitualmente pernil para o paraíso socialista bolivariano tem como presidente Mário Jamé Lino, antigo comissário das Obras Públicas de José Sócrates - um grande amigo do Coronel Chávez, fundador do socialismo bolivariano - e Mendes Brandão, amigo e chefe de gabinete de Paulo Portas - um emérito social-centrista, também admirador do Coronel Chávez - quando Portas foi comissário da Defesa.

Assim se pode concluir que é mais o que o une os socialismos do que o pernil que os separa.

(*) Como muito bem explicou Helena Matos, «Santos Silva, o ministro sociólogo que teve o privilégio de protagonizar um momento inédito na história do socialismo utópico e científico pois coube-lhe explicar a um governo socialista apoiado por Cuba – Venezuela – que um governo de socialistas apoiado por estalinistas, maoistas e trotskistas – Portugal – e sustentado por Bruxelas não intervém no comércio mundial do pernil de porco. Por enquanto não se sabe se este cisma gastronomo-ideológico será analisada no âmbito do multiculturalismo ou se nas alternativas ao capitalismo global.»