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07/01/2016

Títulos inspirados (53) – A lusofonia e a recessão

«Quatro das dez economias com maiores recessões em 2016 são lusófonas», titulou o Económico, sem relevar que, dessas dez economias com maiores recessões, pelo menos três são governadas por socialistas ou assimilados (Brasil, Venezuela e Grécia). De onde se poderia concluir, considerando que há mais países que se reclamam do socialismo ou estarem a caminho dele do que lusófonos, que pior para o crescimento do que adoptar o socialismo é ter o português como língua nacional. É claro que o pior de tudo é quando uma espécie de socialismo coexiste com uma espécie de português, como é o caso do Brasil.

25/03/2010

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: o socialismo tropical não é pior do que o temperado – é apenas mais estúpido

A Venezuela já foi o 6.º exportador de petróleo em 2006. Actualmente a produção caiu bastante porque depois da nacionalização a clique chavista não consegue manter os níveis de extracção, constantemente interrompida por avaria, negligência e incompetência. A mesma negligência e incompetência afecta a produção hidroeléctrica, condicionada também pela fraca precipitação que deixou as barragens perto do ponto crítico. Neste quadro, não surpreende que a produção de energia eléctrica esteja seriamente comprometida, até porque a prioridade chavista é exportar petróleo para pagar as importações de tudo o que a Venezuela não produz.

Face a este quadro, quais são as medidas de curto prazo que a clique chavista vai tomar? Tentar repor os níveis de extracção de petróleo? Desviar para a produção de energia o petróleo extraído? Limitar o fornecimento de energia eléctrica a algumas horas por dia (supondo que tecnicamente faria sentido e é duvidoso que faça)? Nada disso. O coronel Chávez decidiu decretar mais 3 feriados na semana da Páscoa, pelo que a Venezuela vai paralisar uma semana inteira «para que a gente poupe electricidade», segundo o linguajar pitoresco do caudilho.

Que a clique chavista conduza o país desta maneira não é de todo surpreendente. O que surpreende é o culto chavista das luminárias socialistas e esquerdistas europeias.

07/10/2008

SERVIÇO PÚBLICO: Incompetentes, mentirosos ou manipuladores? Das três escolham duas. (continuação)

Em complemento do post onde citei a Public Information Notice do FMI para evidenciar os resultados medíocres da governação do engenheiro Sócrates (e/ou a sua política de mistificação), cito hoje o infografia Promessas furadas do SOL publicada no Confidencial de sábado passado. Sendo particularmente elucidativa, dispensa comentários.

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06/10/2008

SERVIÇO PÚBLICO: Incompetentes, mentirosos ou manipuladores? Das três escolham duas.

Na 6.ª feira passada o FMI divulgou a Public Information Notice sobre Portugal. As projecções até 2009 revelam uma economia que o governo deixará no final do mandato claramente em pior estado. Comparem-se os indicadores de 2004 com os projectados para 2009. Com excepção do défice do OE (que diminuiu essencialmente à custa do aumento da carga fiscal e não da redução da despesa pública), os outros indicadores degradaram-se e vão degradar-se novamente no próximo ano.

[Clique para ampliar]

Depois de três anos e meio de manipulação mediática, centenas de horas de tempo de antena assumido e milhares de horas de tempo de antena disfarçado, milhares de comunicados e notícias encomendadas, o resultado é muito fraco. Será o fracasso totalmente devido ao governo? É claro que não. Mas quem se arroga o papel de demiurgo da economia tem que ser julgado pelo que anunciou. Se quiser ser julgado objectivamente pelo que seria possível ter conseguido, o governo tem que aceitar ser considerado mentiroso e manipulador.

04/09/2008

Um novo desafio à capacidade de criação de factos políticos de José Sócrates

Se se mantiver o padrão da última década, a resposta do emprego ao ciclo económico terá um desfasamento de 9 a 18 meses, como evidencia o gráfico seguinte extraído do artigo «PIB e Emprego: Uma Contradição Apenas Aparente» de Miguel Frasquilho.



A ser assim, e muito provavelmente será, em consequência do enfraquecimento do já débil crescimento doméstico e dos nossos principais parceiros europeus, são más notícias para o governo Sócrates que no zénite da campanha eleitoral (iniciada com a tomada de posse) poderá ver o desemprego aumentar outra vez até aos níveis de há 3 anos. Ficará então definitivamente comprometido o objectivo do programa de governo de «recuperar os cerca de 150.000 postos de trabalho perdidos na última legislatura». Até mesmo a versão reformada deste objectivo (criação de 150.000 postos de trabalho) pode não ser cumprida (ver aqui o que o Impertinente escreveu sobre a hermenêutica do programa de governo). Será mais um desafio à capacidade de José Sócrates para (re)criar factos políticos.

20/08/2008

SERVIÇO PÚBLICO: «estancada», disse ele

«Por um lado, a procura externa terá apresentado um contributo menos negativo, dado o abrandamento mais intenso das importações relativamente ao das exportações, mas, por outro lado, a procura interna terá abrandado, em resultado da forte desaceleração do consumo privado. Relativamente ao comércio internacional, registou-se, em termos nominais, um abrandamento de ambos os fluxos, de 12,3% para 9,0% no caso das importações e de 4,8% para 3,4% no das exportações. O abrandamento das importações em volume terá sido ainda mais expressivo do que o registado em termos nominais em consequência da aceleração dos preços do petróleo no 2º trimestre. Ao nível da procura interna, o consumo privado terá desacelerado no 2º trimestre, em resultado da deterioração observada quer no consumo corrente, quer no duradouro, mas principalmente no segundo. De acordo com a informação disponível, o investimento ter-se-á apresentado relativamente estável no 2º trimestre, observando-se uma recuperação na componente de construção e um agravamento nas componentes de máquinas e equipamentos e de material de transporte. Do lado da oferta, a informação dos Indicadores de Curto Prazo (ICP) apresentou evoluções contrárias entre os vários sectores, entre o 1º e o 2º trimestre. O indicador de clima económico, já disponível para Julho, e o indicador de actividade económica, disponível para Junho, agravaram-se significativamente.»
[Síntese Económica de Conjuntura de Julho de 2008 do INE]

Traduzindo o economês, a procura interna e externa estão a deprimir-se, mais a primeira do que a segunda. O consumo diminui, o que seria uma boa notícia se o investimento aumentasse, o que, não sendo o caso, é uma má notícia. Espera-se que o engenheiro Sócrates interrompa por momentos a sua performance de grande manipulador e partilhe com os portugueses a confidência que fez ao «amigo» Coronel Hugo Chávez: «a economia portuguesa está estancada». Seria um bom ponto de partida para deixar de tratar os portugueses como atrasados mentais e começar a procurar seriamente soluções.