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24/07/2016

Lost in translation (274) – Em socialês convergência e coesão significam o princípio do utilizador-não pagador

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas da geringonça anunciou a redução de 15% nas portagens de algumas auto-estradas escolhidas por «critérios de convergência económica e coesão territorial». Passando por cima de saber como se converge ou se aumenta a coesão ou, para usar as palavras do ministro, como com um desconto de 15% nas portagens se consegue «apoiar o desenvolvimento do Interior, a fixação de emprego, a fixação de empresas e (…) a mobilidade das populações», resta traduzir coisa em português corrente.

Em português corrente, isso significa que o governo decidiu que 15% dos custos de utilização dessas auto-estradas irão ser pagos por quem nelas não circula.

Seguindo o mesmo princípio do utilizador-não pagador, a oposição não se ficou atrás e o PSD, classificando como «simbólica» a redução de 15%, propôs suprimir as portagens da via do Infante durante as obras na EN 125. É mais um exemplo da doutrina MAD (Mutual Assured Distraction.

01/06/2012

ESTADO DE SÍTIO: Mutual Assured Distraction, a doutrina do Bloco Central Alargado

A culpa morreu solteira, outra vez. Se ainda não morreu, vai morrer de morte anunciada. Por várias razões.

Primeira: a coligação no poder não arrisca promover a investigação e o julgamento de um ex-governante agora na oposição para não comprometer o delicado equilíbrio de uma espécie de Mutual Assured Distraction. Segunda: a corporação da justiça adoptou há muito uma outra doutrina baseada na chantagem permanente para manter em respeito a corporação dos políticos e assim preservar os direitos adquiridos. Para tal recorre a escutas, violação selectiva do segredo de justiça, entre outras, para tudo acabar numa investigação inconclusiva sem provas ou, se alguma coisa falhar, num julgamento onde o acusado é ilibado.

É por isso que o ex-secretário de estado das Obras Públicas e Comunicações, Paulo Campos, e o ex-presidente da Estradas de Portugal, Almerindo Marques, que segundo o relatório (*) do Tribunal de Contas sonegaram informação crítica sobre os contratos das SCUT, vão ser incomodados durante algum tempo mas podem dormir descansados e em breve tudo ficará esquecido. Esquece-se de um lado Paulo Campos e Almerindo Marques e de outro lado paga-se o favor esquecendo Miguel Relvas. Zorrinho está já a trabalhar para isso. A corporação da justiça, se a coisa lá chegar, fará o seu trabalho dos dois lados, com duplo benefício, agora, no mandato em curso, e na próxima alternância, e lavará as mãos como de costume.

(*) «Relatório de Auditoria ao modelo de gestão, financiamento e regulação do setor rodoviário», um grosso volume de 510 páginas tão grande quanto inútil.