Tudo começou quando Augusto Santos Silva, ministro em exercício dos Negócios Estrangeiros, trotskista juvenil com passagem pelo MES e entrada no PS com saída do anonimato de uma carreira de professor de escola secundária para uma carreira de deputado e ministro sucessivamente de Guterres, Sócrates e Costa, na sessão de encerramento do Fórum Anual de Graduados Portugueses no Estrangeiro em Coimbra, considerou que as empresas portuguesas sofrem de «fraquíssima qualidade da sua gestão» e que não serão capazes «de perceber a vantagem em trazer inovação para o seu seio e a vantagem em contratar pós-graduados e doutorados».
Em resposta, António Saraiva, o presidente da CIP, que vergava a mola na Lisnave na época em que Santos Silva frequentava as catacumbas do trotskismo, puxou o lustro à classe empresarial e deu o troco na mesma moeda ao ex-trotskista: «as afirmações proferidas pelo ministro dos Negócios Estrangeiros só podem ser entendidas por terem sido ditas por alguém que, vivendo fechado em ambientes palacianos, há muito que não sai à rua para ver como o mundo lá fora gira e avança».
Ambos puxam a brasa à sardinha rançosa das suas respectivas classes, passando ao lado de que, sendo certa a fraquíssima qualidade da gestão da maioria das empresas portuguesas, enfiar-lhe dentro manadas de pós-graduados e doutorados em sociologia, sexologia e matérias afins por universidades da treta geralmente incapazes de inovar seja o que for, só baixaria mais a qualidade da gestão, e ainda passando ao lado de que um membro de uma classe política medíocre e infestada de corruptos com o passado de serventuário que ele tem deveria guardar de Conrado o prudente silêncio a respeito da fraquíssima qualidade seja do que for.
Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
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31/12/2019
24/07/2016
Lost in translation (274) – Em socialês convergência e coesão significam o princípio do utilizador-não pagador
O ministro do Planeamento e das Infraestruturas da geringonça anunciou a redução de 15% nas portagens de algumas auto-estradas escolhidas por «critérios de convergência económica e coesão territorial». Passando por cima de saber como se converge ou se aumenta a coesão ou, para usar as palavras do ministro, como com um desconto de 15% nas portagens se consegue «apoiar o desenvolvimento do Interior, a fixação de emprego, a fixação de empresas e (…) a mobilidade das populações», resta traduzir coisa em português corrente.
Em português corrente, isso significa que o governo decidiu que 15% dos custos de utilização dessas auto-estradas irão ser pagos por quem nelas não circula.
Seguindo o mesmo princípio do utilizador-não pagador, a oposição não se ficou atrás e o PSD, classificando como «simbólica» a redução de 15%, propôs suprimir as portagens da via do Infante durante as obras na EN 125. É mais um exemplo da doutrina MAD (Mutual Assured Distraction.
Em português corrente, isso significa que o governo decidiu que 15% dos custos de utilização dessas auto-estradas irão ser pagos por quem nelas não circula.
Seguindo o mesmo princípio do utilizador-não pagador, a oposição não se ficou atrás e o PSD, classificando como «simbólica» a redução de 15%, propôs suprimir as portagens da via do Infante durante as obras na EN 125. É mais um exemplo da doutrina MAD (Mutual Assured Distraction.
16/07/2013
01/06/2012
ESTADO DE SÍTIO: Mutual Assured Distraction, a doutrina do Bloco Central Alargado
A culpa morreu solteira, outra vez. Se ainda não morreu, vai morrer de morte anunciada. Por várias razões.Primeira: a coligação no poder não arrisca promover a investigação e o julgamento de um ex-governante agora na oposição para não comprometer o delicado equilíbrio de uma espécie de Mutual Assured Distraction. Segunda: a corporação da justiça adoptou há muito uma outra doutrina baseada na chantagem permanente para manter em respeito a corporação dos políticos e assim preservar os direitos adquiridos. Para tal recorre a escutas, violação selectiva do segredo de justiça, entre outras, para tudo acabar numa investigação inconclusiva sem provas ou, se alguma coisa falhar, num julgamento onde o acusado é ilibado.
É por isso que o ex-secretário de estado das Obras Públicas e Comunicações, Paulo Campos, e o ex-presidente da Estradas de Portugal, Almerindo Marques, que segundo o relatório (*) do Tribunal de Contas sonegaram informação crítica sobre os contratos das SCUT, vão ser incomodados durante algum tempo mas podem dormir descansados e em breve tudo ficará esquecido. Esquece-se de um lado Paulo Campos e Almerindo Marques e de outro lado paga-se o favor esquecendo Miguel Relvas. Zorrinho está já a trabalhar para isso. A corporação da justiça, se a coisa lá chegar, fará o seu trabalho dos dois lados, com duplo benefício, agora, no mandato em curso, e na próxima alternância, e lavará as mãos como de costume.
(*) «Relatório de Auditoria ao modelo de gestão, financiamento e regulação do setor rodoviário», um grosso volume de 510 páginas tão grande quanto inútil.
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