Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
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07/11/2025

Faz sentido um teste de nacionalidade a que os nacionais saibam responder

É perfeitamente legítimo e aceitável que as autoridades de um Estado submetam os imigrantes candidatos à nacionalidade a um teste que afira o grau de conhecimento da língua, da história do país, do seu quadro legal e das suas instituições e, em consequência, a probabilidade de sucesso da integração no país, salvaguardando uma coesão social mínima sem a qual não poderá subsistir como Estado independente.

O que se pode discutir é o âmbito e o grau de exigência desse teste. E nesta matéria há de tudo. A complacência desleixada, como no caso do Portugal dos Pequeninos, em que o único requisito é a suficiência no conhecimento da língua portuguesa, e, por exemplo, o Reino Unido em que o imigrante é submetido a um teste de escolha múltipla para avaliar o seu conhecimento sobre os costumes, a história, as leis e os valores britânicos em que tem de acertar em pelo menos 18 de 24 perguntas baseadas no guia oficial "Life in the UK: A Guide for New Residents".

Um caso que parece ultrapassar os limites do bom senso é o novo teste americano [128 Civics Questions and Answers (2025 version)] em que o candidato tem de acertar em 12 de 20 perguntas retiradas de um conjunto de 128, à maioria das quais provavelmente uma parte considerável dos cidadãos americanos não saberia responder - take a look. Too much of a good thing.

06/01/2024

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: "A verdade é esta: o PS é um adversário formidável"

«Há uma coisa que a direita devia meter na cabeça de uma vez por todas: o PS é um adversário formidável. Uso a palavra no sentido do dicionário, ou seja: é um adversário “tremendo”, que deve “infundir respeito”, “provocar medo” e “inspirar terror”. As razões para isso deviam ser evidentes para qualquer político portador de uma literacia básica. O PS pode ter muitos defeitos — e tem, de facto, muitíssimos. Mas a ligação profunda dos socialistas com os eleitores vem de antes do 25 de Abril, solidificou-se no processo revolucionário, sedimentou-se com a adesão à Europa e manteve-se com a modernização da nossa economia. A esta altura, já devia ter ficado claro que a mera passagem do tempo não é suficiente para, só por si, varrer o PS do governo.»

Miguel Pinheiro no Observador

[Antes de ler esta peça, que me parece o comentário desde há muito tempo mais perspicaz sobre o PS, tinha comentado com amigos, que me enviaram o artigo "Uma República dos Garotos" de António Barreto no Público, que o PS é para o Estado Sucial o que a União Nacional era para o Estado Novo e os socialistas são os novos situacionistas. É assim que é, e é assim que o Portugal dos Pequeninos quer que seja.]

29/06/2023

LASCIATE OGNI SPERANZA, VOI CH'ENTRATE: Vamos todos fingir que o problema não existe? Sim, vamos (7) - A leveza insustentável do sistema público de pensões (IV)

Continuação de (1), (2), (3), (4), (5) e (6)

mais liberdade

Como o diagrama mostra, já em 2022 as contribuições e quotizações asseguraram apenas 74% das despesas correntes, sabendo-se que a reserva do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social anda pelos 24 mil milhões, insuficiente para pagar as despesas correntes de um ano, imagine-se o que será dentro de uma década ou duas num cenário demográfico com a população activa a diminuir e a esperança de vida a aumentar. 

Concluindo a citação dos excertos da entrevista ao Eco de Jorge Bravo:

«Hoje é praticamente insignificante [o segundo pilar na proteção social, isto é, os fundos de pensões]. Por causa da integração dos grandes fundos de pensões (Portugal Telecom, ANA, Caixa, etc.) no sistema Previdencial e na Caixa Geral de Aposentações (CGA), a cobertura por planos do segundo pilar reduziu-se significativamente e tornou-se praticamente insignificante. O que tem havido e aumentando com alguma expressão são as funções complementares individuais, através dos seguros de vida, dos planos de poupança reforma (PPR), dos planos de pensões individuais. (...)

O que temos tido é uma insuficiente aposta da parte das entidades públicas em promover a poupança. Aliás, até temos tido uma cultura de ostracização da poupança, como se vê no esforço fiscal que é aplicado sobre a poupança. Até nas mais elementares formas de poupança, como um depósito, há a aplicação de uma taxa unilateral de 28%. Isso é absurdo. (...)»

Vem a propósito da referência de Jorge Bravo aos grandes fundos de pensões que foram integrados na SS e na CGA remeter para o post com mais de 10 anos "Receba agora e pague depois ou a cosmética do défice em preparação" onde se denuncia a manobra para limpar défices orçamentais e se elencam os fundos que para tal foram usados.

Não vem a propósito, mas não resisto a lembrar que o número de imigrantes que desconta para a Segurança Social portuguesa se multiplicou por cinco desde 2015 e atinge 650 mil. Agradecei-lhes por fazerem o trabalho que os nativos com diplomas em ogias rejeitam e a contribuições que pagam.

18/06/2023

LASCIATE OGNI SPERANZA, VOI CH'ENTRATE: Vamos todos fingir que o problema não existe? Sim, vamos (6) - A leveza insustentável do sistema público de pensões (III)

Continuação de (1), (2), (3), (4) e (5)

Continuando a citar excertos da entrevista ao Eco de Jorge Bravo:

«Os fatores estruturais que afetam a nossa sustentabilidade e a adequação permanecem e alguns até foram agravados. Um desses elementos é a demografia. Por termos um sistema de repartição em que as gerações ativas financiam as pensões das gerações dependentes, o sistema depende muito do equilíbrio demográfico entre os financiadores e os beneficiários das prestações. Isso significa que, no fundo, o país deveria ter uma estrutura etária mais equilibrada.

O rácio [em 1980 contavam-se 6 trabalhadores para um reformado, em 2007 esse rácio já estava abaixo dos 4 e até 2050 continuará a cair até cerca de 2 trabalhadores por um reformado] está a agravar-se e até estamos numa situação do mercado de trabalho anormalmente favorável, se bem que não é com base nesta circunstância que se avalia a sustentabilidade do sistema no longo prazo. Mas a demografia é, com certeza, um dos fatores mais penalizadores do nosso sistema, tanto do ponto de vista da sustentabilidade como da adequação.

Este sistema [a conta de aforro virtual numa pensão por velhice] tem enormes vantagens do ponto de vista da transparência porque permite automaticamente saber em cada momento quais são as responsabilidades já acumuladas: basta somar as contas individuais de todos. Permite também calcular automaticamente a pensão no momento da velhice, tendo em conta a esperança média de vida à idade de reforma. Ou seja: garante transparência, equilíbrio e neutralidade atuarial, e garante que o sistema não acumula dívida para as gerações futuras. (...)

Não vamos ter ilusões: não eliminaremos esse défice de um dia para o outro. E aqui temos de ser muitos claros: temos uma dívida histórica, geracional, que temos de financiar e que temos financiado ao longo do tempo com impostos, porque o sistema não se autofinancia há décadas. Mas não podemos continuar neste paradigma de empurrar o problema com a barriga, desde logo quando o pagamento das prestações sociais está ancorado no Orçamento do Estado, ou seja, na saúde das finanças públicas.»

(Continua)

16/06/2023

LASCIATE OGNI SPERANZA, VOI CH'ENTRATE: Vamos todos fingir que o problema não existe? Sim, vamos (5) - A leveza insustentável do sistema público de pensões (II)

Continuação de (1), (2), (3) e (4)


Apropriando as palavras do outro contribuinte para recordar a leveza com que o Dr. Costa e o seu governo trataram recentemente a sustentabilidade da Segurança Social:

Como o país (isto é, as pessoas com pelo menos meia dúzia de neurónios a funcionar) se deu conta, a Segurança Social passou em poucos dias da sustentabilidade ad eternum para o descalabro anunciado - ver aqui o vídeo da CNN com as sucessivas estórias contadas pelo Dr. Costa sobre este tema desde 2018.

Para justificar que a actualização automática das pensões não terá lugar em 2023, apesar de prevista na lei, porque, segundo o governo, anteciparia em cinco anos o défice da Segurança Social, a trafulhice chegou ao ponto de as projecções da ministra das Pensões apresentadas ao parlamento a semana passada omitirem mais de 1.300 milhões de aumento das receitas resultante da inflação e a redução das despesas com o subsídio de desemprego. Sem esquecer que tais projecções contrariam completamente o relatório de 21 páginas inserto no OE 2022, apresentado pelo ministro das Finanças e aprovado há 3 meses, onde se concluiu que o Fundo de Estabilização da Segurança Social sobreviria até 2060.

Seis meses depois o Dr. Costa, apertado pelas sondagens que mostram o descontentamento geral da populaça, decidiu derramar um maná de quase 600 milhões este ano e mais mil milhões de euros no próximo ano sobre a sua freguesia de reformados, montante equivalente a uns 8% do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social que se destina a prolongar por mais uns tempos a sustentabilidade da SS que a longo prazo está comprometida.

E da freguesia de reformados o Dr. Costa privilegiou com o seu maná precisamente os pensionistas mais abonados ao aumentar-lhes as pensões acima do que resultaria das regras de actualização.

Leiamos o que Jorge Bravo, professor de Economia da Nova e membro da Comissão Interministerial da Reforma do Sistema da Segurança Social, entre 2014 e 2015, nos diz sobre o assunto nesta entrevista ao Eco:

«Não podemos olhar para o sistema da Segurança Social analisando o sistema Previdencial de forma individualizada como faz o Governo, quando desde 1 de janeiro de 2006 que a Caixa Geral de Aposentação (CGA) foi encerrada. Esta mudança fez com que todos os subscritores, todos os funcionários públicos que entraram a partir dessa altura, ou seja, cerca de metade da atual função pública, estejam hoje no sistema geral. No entanto, o Governo só divulga as contas do sistema Previdencial, num anexo ao Orçamento de Estado.

(A não divulgação das contas do sistema todo mas apenas do Sistema Previdencial) é uma estratégia que o Governo tem usado há muito tempo de ocultação da realidade do quadro geral da Segurança Social. É muito fácil apresentar números bons da Segurança Social mostrando apenas os números do sistema Previdencial, porque é como se tivesse criado um sistema novo dentro do sistema velho. Ora, num sistema novo de proteção social só tenho praticamente receita, não há despesa. É uma mentira completa do sistema.

Os dois sistemas (CGA e Previdencial) funcionam exatamente com os mesmos princípios de adequação seletiva das fontes de financiamento, em que ambos deviam-se autofinanciar com contribuições e quotizações. Mas isso não acontece. Diria que não acontece há 15 ou 20 anos. Se juntarmos todas as prestações contributivas, atualmente deveremos ter um défice corrente que rondará entre os 20% e 25%.

Claramente o sistema da Segurança Social não é sustentável. Juntando a CGA e o regime geral, o sistema tem uma dívida implícita (valor dos ativos que teríamos de ter de reserva para cobrir todos os défices futuros) que facilmente ultrapassaria os 250% do PIB até por volta de 2080. E o Governo não diz isso e fá-lo de forma deliberada

(Continua)

19/11/2022

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (100) - Os portugueses não apreciam a liberdade. Em consequência, a maioria detesta o capitalismo

Não por acaso, o pensamento desde há muito em curso aqui no (Im)pertinências de António Alçada Baptista reza assim:  

«Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» 

Ora sendo os mercados e o capitalismo essencialmente a democracia liberal e as suas instituições a funcionarem na economia, é certamente natural que a falta de gosto dos portugueses pelas liberdades - visível pelas quase cinco décadas do Estado Novo, pela sobrevivência de um dos apenas seis partidos comunistas europeus com representação parlamentar, pelo peso dos partidos hostis à democracia liberal (maioritários se incluirmos os que apenas a toleram) - se traduza em desapego, na melhor hipótese, ou rejeição do capitalismo, na hipótese mais frequente.

Por isso, não deveriam surpreender os resultados dos inquéritos de opinião que Rainer Zitelmann incluiu no seu livro «Em Defesa do Capitalismo», recentemente publicado em português pela Aletheia, resultados que em relação a Portugal foram citados no artigo do Observador «O que pensam as pessoas em Portugal a respeito do Capitalismo?»

Esses resultados dão-nos um retrato à la minute do anticapitalismo dominante no Portugal dos Pequeninos, onde ressaltam os seguintes traços:

  • 40% entendem que deve ser o Estado a fixar preços e salários 
  • 79% associam ao capitalismo ganância e 75% corrupção
  • As apreciações positivas sobre o capitalismo são partilhadas por uma pequena maioria entre 10% e 20%.
Um optimista tenderá a concluir que a ideia negativa do capitalismo dominante na sociedade portuguesa resulta de os portugueses só terem experimentado até agora um capitalismo paternalista, subalterno e periférico com aversão à concorrência e ainda contaminado pelo corporativismo. É possível, mas conhecendo-se a história portuguesa dos últimos séculos fará pouco sentido apostar todas as fichas nisso.

14/07/2022

CASE STUDY: os incêndios e as funções zingarilho (republicação)

Como eram as coisas há 80 anos (fonte: Amorim Girão, Geografia de Portugal, Portucalense Editora)



Como são hoje (fonte: Espécies Florestais 2002, Direcção-Geral dos Recursos Florestais)




O que só pode ter os resultados que se conhecem (fonte: Fogos florestais ocorridos entre 1990 e 1998, Direcção-Geral dos Recursos Florestais)



E será por falta de políticas florestais e de intervenção do estado napoleónico-estalinista? Só se for por excesso. Funções zingarilho de tipo recorrente aplicáveis:
  • Quanto mais estado napoleónico-estalinista, mais política florestal.
  • Quanto mais política florestal, mais Pinus Pinaster e Eucalyptos globulos.
  • Quanto mais Pinus Pinaster e Eucalyptos globulos, menos Castanea sativa, Quercus robur, Quercus Toza e Quercus lusitanica.
  • Quanto mais Pinus Pinaster e Eucalyptos globulos, mais incêndios.
  • Quanto mais incêndios, mais estado napoleónico-estalinista.
  • Quanto mais estado napoleónico-estalinista, mais Pinus Pinaster e Eucalyptos globulos
  • Quanto mais Pinus Pinaster e Eucalyptos globulos, mais incêndios.
  • ...
[Este post foi publicado há 17 anos mas mantém-se actual porque desde então nada de estrutural mudou.]

13/06/2022

«Em defesa do SNS, sempre» - A consulta de urgência da Covid do Hospital de S. José no dia de Santo António

Entrada da Urgência Covid do Hospital de S. José
(espera infindável até que atendam)

Sala de Espera da Urgência Covid do Hospital de S. José

"Triagem" Covid do Hospital de S. José
 (um barracão tipo hospital de campanha com velhotes ligados à máquina em cubículos)

08/01/2022

São todos iguais mas há uns menos iguais do que outros

A tabela seguinte ordena 23 dos 35 países membros da OCDE segundo o desempenho económico durante a pandemia até ao final do 3.º trimestre com base em cinco indicadores. 
Posição de Portugal nos cinco indicadores: 
  • PIB 2.ª maior queda
  • Rendimento per capita 3.ª maior queda
  • Cotação das acções 7.º maior aumento 
  • Investimento 11.º maior aumento
  • Dívida Pública 11.º maior aumento
Note-se que que as posições menos más no 3.º 4.º e 5.º indicadores resultam de fenómenos perfeitamente circunstanciais: no caso do aumento das cotações deveu-se ao facto do ponto de partida ser muito baixo (o aumento entre 24-02 e 01-10 foi inferior a 2%); no caso do investimento, a pandemia seguiu-se a quatro anos de cortes e cativações; finalmente, a dívida pública já era a 3.ª mais alta da UE antes da pandemia.

10/09/2021

A inversão em curso do Estado Social pelo governo de Boris Johnson

«My job is to protect you or your parents or grandparents from having to sell your home to pay for the costs of care,’ said Boris Johnson after becoming prime minister two years ago. This was quite a statement. But to do it would cost billions and the Prime Minister had also promised, in his manifesto, not to raise taxes. So what to do? Should he keep his promise to the voters, or create a safety net for the asset-rich? It’s telling that he chose to protect the assetocracy.

The emergence of this new class in the space of the past two decades has changed politics more than any party likes to admit. Wealth has become concentrated in a group of people who now decide British elections. Before the crash, 7 per cent of British pensioners were millionaires, as measured by household wealth. Now, it’s 25 per cent — some three million people. A further three million are half-millionaires, with £500,000. That’s one out of every eight people eligible to vote.

At each election, parties compete to bribe this demographic. Labour’s ‘winter fuel payments’ and pension rises were the start, followed by the Tory triple-lock pension. The next step: to guarantee that no one would have to sell their house to pay for care, no matter how rich they are. This prospect was dangled in front of homeowners by Blair, Brown and Cameron, but none of them went through with it. They baulked not only at the expense but also at what it would mean. The traditional logic of the welfare state — that those with power and money help those with less of it — would be being turned on its head.After minimal consultation with his cabinet, let alone his party and the country, Johnson has now completed this inversion, with a £12 billion tax funding a new deal. Some of the money will at first be used to help clear an NHS backlog. Some will help families who can in no sense be described as rich.

But after the NHS waiting list has begun to ease, the tax becomes a care home insurance scheme, and the refusal to impose any means-testing has big implications. No one, no matter how rich, will have to pay more than £86,000 for their care in old age.

This raises tricky political questions: how can you justify increasing taxes on the working poor to safeguard the assets of the stonkingly rich? What, morally, is the problem with someone selling their house — or any other asset — to pay for care? Isn’t Toryism about providing equal opportunities, a ladder for everyone to climb? Why then would any Tory want to make life even easier for those already at the top of the ladder, at the expense of people on the lower rungs?

To understand, you need to do the electoral arithmetic. Age, not social class, has become the new dividing line between Labour and the Tories. The under-25s broke three to one for Labour in the last election — but this was no problem for Team Boris because the over-65s chose him by four to one. His gamble now is that the political backlash from tax rises will be balanced out by gratitude from affluent homeowners. 

(...)

This week the Prime Minister called groups of backbenchers to No. 10 to explain his plan, but they left more confused than ever. He tried to sum up his thinking by saying in private what he no longer says in public: that it’s about the assets. ‘It stands for something very conservative,’ Johnson said to one of the groups of MPs he’d invited to No. 10 — ‘the right to pass on money’.

Is this really the Boris Johnson definition of conservatism: a protection racket, where the tools of the state are used to extract money from minimum-wage workers and pass it on to the better off?»

Excerto de Assetocracy: the inversion of the welfare state, Fraser Nelson na Spectator, explicando como o aumento de 2,5% das contribuições para a segurança social é dinheiro extraído dos mais pobres para financiar o bem-estar dos pensionistas proprietários

14/07/2021

SERVIÇO PÚBLICO: O pior não passou. O pior está para vir

«Está em questão que nos planos económico e social, comparado com o que está para vir, a crise ainda mal se iniciou.

Iniciar-se-á a crise económica e social quando o Estado Português tiver de começar a travar as ajudas ao rendimento e a aumentar a carga fiscal, em virtude de uma situação das finanças públicas em que os números hoje prevalecentes não são sustentáveis. Concordo com o nosso primeiro-ministro na tese de que o regresso a algum tipo de normalidade terá de ser muito controlado, mas, mais cedo ou mais tarde, de um modo ou de outro, esse regresso terá de ocorrer.

Iniciar-se-á a crise económica e social quando o Banco Central Europeu começar a normalizar a sua política monetária, impondo algum tipo de subida das suas taxas de juro, arrastando, em conformidade, as taxas de juro a que o Estado Português e todos os Estados da área do euro têm vindo a financiar-se nos mercados (taxas negativas, como se sabe, nos prazos mais curtos). É absolutamente crítico neste processo que Portugal, acompanhando a subida das taxas de juro de referência impostas aos países de mais baixo risco, não deixe aumentar o nosso prémio de risco país pela condução de qualquer política financeira que agrave a perceção dos mercados no que se refere à solvabilidade do Estado Português. Foi o agravamento deste prémio de risco e a posição em que nos deixámos isolar, de um défice público que chegou a superar os 11% do PIB, que determinou a crise financeira do nosso país em 2011 e anos seguintes.

Iniciar-se-á a crise económica e social quando começarem a ser levantadas as moratórias de que hoje beneficia uma boa parte do crédito bancário a empresas e a particulares. De acordo com dados divulgados pela EBA (Autoridade Bancária Europeia), Portugal é o terceiro Estado-membro com maior percentagem de crédito bancário protegido por moratórias (mais de 20% do total, num montante de cerca de 45 mil milhões de euros, percentagem apenas excedida por Chipre e pela Hungria).

Iniciar-se-á a crise económica e social quando se regressar a algum tipo de normalidade em matéria de rendas de estabelecimentos comerciais, pondo termo à quase nacionalização dos centros comerciais decretada no início da pandemia.»

Excerto de A crise económica e social ainda não começou, por Daniel Bessa, ministro (por engano) da Economia do governo Guterres durante cinco meses e actual Director-Geral da COTEC é um dos poucos economistas do regime com independência e credibilidade

07/05/2021

LASCIATE OGNI SPERANZA, VOI CH'ENTRATE: Vamos todos fingir que o problema não existe? Sim, vamos (4) - A leveza insustentável do sistema público de pensões

 Continuação de (1), (2) e (3)



Segundo o estudo «Finanças Públicas – Uma Perspetiva Intergeracional publicado pela Fundação Gulbenkian e citado pelo Jornal Económico, «o atual modelo de pensões é insustentável e a sua manutenção levaria a um desequilíbrio corrigível com um aumento de impostos na ordem dos 22% ou uma perda dos benefícios de reforma de 19%» . 

É apenas mais um estudo a antecipar as consequências de uma população crescentemente envelhecida e do aumento da esperança de vida no aumento número de reformados com pensões a serem financiadas por cada vez menos activos. Na década de sessenta havia dezenas de activos por reformado, hoje há 1,5 activos por cada reformado.

Os portugueses, sobretudo os 4 milhões de portugueses que se reformarão nos próximos 20 anos, deveriam estar preocupados, mas tudo indica que não estão para se maçar com o seu futuro o que se explica pela conjugação de vários factores como a ignorância e uma cultura ancestral de dependência do Estado (segundo os estudos de Hofstede, Portugal é o país europeu mais colectivista), dependência alimentada pelos vários socialismos que disputam o eleitorado. 

Vai acabar mal porque o horizonte de sustentabilidade do sistema de pensões é de várias gerações e nenhum governo está preocupado para além das próximas eleições. É aparentemente paradoxal que este tema permaneça na sombra e um tema como o das alterações climáticas, que tem um horizonte ainda mais distante, mobilize as atenções das elites e de uma parte cada vez maior da opinião publicada.

26/02/2021

Distributivismo, estagnação, endividamento. Faltava a polarização social. Já não falta

«Uma sociedade dividida é estruturada por polarizações (antagonismos baseados em conflitualidades de tipo étnico, de tipo religioso ou justificados pelas interpretações da origem das desigualdades sociais, que produzem visões do futuro radicalmente distintas) que geram democracias instáveis e poderes políticos débeis. (...) 

Uma sociedade dividida por polarizações políticas configura um específico campo de possibilidades, que fica mais orientado para o distributivismo interno (para reduzir a conflitualidade) do que para a comparação competitiva com as outras sociedades e, menos ainda, para a preparação da defesa contra possíveis intenções externas de dominação. Uma sociedade dividida é uma sociedade virada para dentro de si própria. E a sua preferência pelo distributivismo implica que tenha uma grande tolerância ao endividamento, que pode mesmo evoluir para uma propensão natural, e à estagnação do seu crescimento económico, que aparece como o efeito natural dessa divisão polarizada da sociedade.

O campo de possibilidades de uma sociedade dividida, que é também um sistema político de poder débil, encontra o seu obstáculo intransponível quando chega ao fim a possibilidade de recurso ao endividamento de que depende para sustentar o distributivismo que usa para reduzir a conflitualidade - mas que não serve de nada se não conseguir escapar à estagnação do seu crescimento económico e dos seus indicadores de competitividade.»

Sociedade dividida e democracia, Joaquim Aguiar no Negócios

O Partido Socialista, com as suas lideranças oportunistas e sem princípios, com a cumplicidade do PSD como parceiro menor, já era, o grande responsável pelo distributivismo, estagnação e endividamento, ao recorrer à geringonça, depois de perder as eleições de 2015, trouxe para o centro do poder político a agenda radical do berloquismo e tornou-se o responsável pela crescente polarização social.

12/12/2020

Portugal dos Pequeninos, um Estado Sucial, uma democracia asmática, uma economia descapitalizada e endividada, uma produtividade medíocre. Como se fosse pouco, uma demografia moribunda

«Em 2019, 42,2% das mulheres dos 18 aos 49 anos e 53,9% dos homens dos 18 aos 54 anos não tinham filhos. Em 2013 aquelas percentagens eram bastante menores: 35,3% e 41,5%, respetivamente. O número médio de filhos, de mulheres e homens, passou de 1,03 em 2013 para 0,86 em 2019. 

Em 2019, 93,4% das mulheres e 97,6% dos homens do escalão etário mais jovem (dos 18 aos 29 anos) não tinham filhos e mais de metade (54,6%) dos homens dos 30 aos 39 anos encontravam-se na mesma situação. 

O número médio de filhos que as pessoas já tinham era crescente com a idade e com o número de irmãos e maior para as mulheres, para os que possuíam um nível de escolaridade completo correspondente, no máximo, ao 3º ciclo do ensino básico, para as pessoas com cônjuge ou companheira/o e para os homens empregados. 

Questionados sobre a intenção de ter filhos, 55,1% das mulheres e 47,3% dos homens indicaram não tencionar ter ou ter mais filhos. Perto de 10% das pessoas, (8,4% das mulheres e 11,0% dos homens, 9,7% no total) não tinham nem tencionavam ter filhos. Para estas pessoas, os principais motivos assinalados foram a vontade própria e o facto de a maternidade ou paternidade não fazerem parte do seu projeto de vida. 

Considerando os filhos que as pessoas já tiveram e aqueles que ainda tencionavam vir a ter, espera-se que, em média, tenham 1,69 filhos (1,78 em 2013).»

05/06/2020

Dúvidas (310) - Estarão os eleitores a ser vítimas de uma espécie de síndrome de Estocolmo? (2)

Continuação de (1)

Confirma-se que o eleitorado português está infectado pelo síndrome de Estocolmo que, como se sabe, é um «estado no qual os reféns desenvolvem uma aliança psicológica com seus captores durante o cativeiro».

A sondagem de Pitagórica mostra que quase 90% dos inquiridos fazem uma avaliação positiva da actuação de S. Ex.ª, a quem a hipocondria levou a refugiar-se em casa para anunciar o estado de emergência e nos obrigar a fazer o mesmo, e 74% aprovam a governação do Dr. Costa.

A mesma sondagem mostra o PS com 44,8% das intenções de voto, à beira da maioria absoluta, e uma vantagem de 20 pp sobre o PSD, a maior vantagem em muitos anos, o que é um argumento a favor da candidatura do Dr. Rio a vice-primeiro ministro do governo socialista. O Chega com 6,4% ultrapassa o BE com 6,1%, a CDU dos comunistas com 4,8%, o CDS do Chicão com 2,8% e o IL com 1,6%.

Confirmando a infecção pelo síndrome de Estocolmo, outra sondagem da Pitagórica mostra que 61% dos inquiridos concordam em ser vigiados a partir do seu telemóvel e que 81% concordam com novos períodos de confinamento rigoroso.

Porém não se iluda o Dr. Costa. A única coisa que é definitiva é o cagaço do povo e a sua aversão às reformas, «num país que há séculos depende de um Estado hegemónico, que se habituou a servir e, quando possível, iludir», como escreveu Teodora Cardoso. Quando a «queda monumental» desabar sobre nós, com grande surpresa da maioria hipnotizada pelo ilusionismo do Dr. Costa, choverão as pedras do ressentimento em cima dele que irá então desfrutar de uma licença sabática para voltar como candidato aplaudido pelos então ressentidos às presidenciais de 2026.

16/05/2020

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: A liberdade é muito difícil e é pouco apreciada

Depois de uma ditadura frouxa de 48 anos que suprimiu liberdades, um PREC que continuou a suprimir liberdades e quase converteu o país num satélite de Moscovo, depois de 46 anos de um regime democrático tutelado durante a maior do tempo por partidos que não apreciam a sociedade civil e fazem do Estado o alfa e ómega da vida política, só mesmo distraídos não concordariam com a justeza do pensamento de António Alçada Baptista que faz de epígrafe a este blogue:
«Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.»
O que se está a passar com a "guerra" que, com a bênção de Belém, o governo está a conduzir contra a pandemia, com medidas de limitação das liberdades cada vez mais visivelmente injustificadas, aplaudidas pelo jornalismo de causas dominante em quase todas as redacções, que fazem o novo situacionismo das esquerdas ter sonhos de amanhãs que cantam, medidas que são aceites passivamente por uma manada dócil, tudo isto deveria ser suficiente para acordar os últimos distraídos. Deveria, mas não é.

É o que revela mais outra sondagem (a da Intercampus): uma subida de 5 pp para 40,3% do PS, perto da maioria absoluta, acompanhado pelos parceiros da geringonça com 9% e 5,9%, que mantêm a intenção de voto. Com um PS-D transformado em muleta socialista, a oposição fica adjudicada a um Chega que funciona como uma anfetamina da esquerdalhada. Sim, na Gália ocupada pelos romanos há uma aldeia: o Iniciativa Liberal que cresceu mais um pouco, mas os seus 3,2% não dão para ter grandes esperança de inverter o caminho para a servidão que prosseguimos com afinco.

24/04/2020

Volta José, estás perdoado. Os teus discípulos querem seguir o teu exemplo. A nossa sorte é que não têm dinheiro


Depois de cinco anos de vacas gordas voadoras a cortar no investimento indispensável para manter os serviços públicos a funcionar e a privilegiar a "reposição de direitos" da sua freguesia eleitoral, o governo entra no período com vacas magras em terra a fazer este anúncio megalómano pela boca do ministro do Planeamento. A propósito, quando neste governo foi criado o ministério do Planeamento fiquei à espera dos planos quinquenais tão queridos dos colectivistas de todos os matizes,

Para o pior e o melhor, o governo vai ficar rapidamente sem dinheiro, nem mesmo para manter sossegada a sua freguesia e se quiser investir terá que se endividar pesadamente - enquanto houver crédito.

16/02/2020

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Da próxima vez não vai ser diferente

«A saga da venda do EuroBic, em que, mais uma vez, aparentemente nenhum capital nacional quis (ou pôde) tomar posição, mostra o estado de Portugal. Sabemos que a origem da posição no EuroBic era estrangeira, e assim continuará a ser. Os portugueses passaram a ser espectadores (e comentadores) das operações de capital feitas por não residentes. 

É o que somos. Nem donos somos do que existe na nossa terra ... 

Talvez quando as SAD dos clubes de futebol deixarem de ser dos nacionais os portugueses percebam bem o caminho que escolheram ao evitar a poupança, escolhendo o consumo e o endividamento. 

Quando olhamos para a composição do PIB na óptica do rendimento, percebemos bem qual a razão da situação: vendemos as posições de capital e por isso a remuneração do capital esvai-se para fora, apenas restando cá os salários. E mesmo esses, à medida que os fluxos de emigrantes forem aumentando (porque precisamos deles para trabalhar e procriar, porque nós não o quisemos), a saída de muitos desses rendimentos também se escoará. 

Vendemos empresas e vão-se os lucros em dividendos. Pedimos emprestado a estrangeiros, que nos financiam porque nós não poupamos, e vai-se o juro para o exterior. E agora até vendemos os imóveis a não residentes, e escoam- se para fora as rendas dos mesmos! 

A posição de investimento internacional degradou-se continuamente nas últimas duas décadas, mostrando que dependemos cada vez mais de fora. Mas curiosamente, apesar do saldo entre activos e passivos sobre o exterior se ter agravado, os activos aumentaram, mostrando que quem vendeu muito provavelmente aplicou o dinheiro fora. Entre o 1º trimestre de 2016 e o 3º trimestre de 2019 os activos sobre o exterior aumentaram €43 mil milhões, isto é, 25% do PIB! Nem em nós acreditamos?»

João Duque no Expresso

18/01/2020

No futebol, como no resto, os melhores profissionais tenderão a emigrar para as melhores ligas

Economist

Poderão não ser todos os melhores, são certamente os mais inconformados. É assim desde o século XV e isso explica muita coisa.

É claro que no futebol tudo fica mais óbvio porque, como escrevi aqui, aqui e aqui, os jogadores são os únicos profissionais portugueses que trabalham num mercado verdadeiramente internacional a uma enorme distância de outras profissões.