Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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02/08/2026

CASE STUDY: Perceberam mal. O que falta não são diplomas, é know-how. Now, how?

A valorização do canudo é um caso particular da valorização dos títulos que domina há séculos a cultura, isto é, o conjunto de valores, de crenças, de normas, de costumes, de conhecimentos e de símbolos, do Portugal dos Pequeninos. Daí a atribuir-se ao canudo propriedades mágicas na atribuição de estatuto social vai um pequeno passo, e daqui a imaginar-se que o "atraso" resulta da escassez de canudos vai outro passo mais pequeno, que os governos socialistas (do PS e do PS-D), com destaque para o programa «Novas Oportunidades», criado pelo governo do Sr. Eng. José Sócrates, que foi uma espécie de fábrica de diplomas que dariam acesso a 143 cursos profissionais, de aprendizagem e de ensino artístico especializado que o governo ofereceu aos candidatos que terminassem a equivalência ao 9.º ano de escolaridade que o programa atribuiu.

O resultado foi, em matéria de diplomas, a redução do nosso desalinhamento em relação à UE: dos 25 aos 29 anos, apenas 13,5% possuem escolaridade inferior ao ensino secundário e 44,4% concluíram o ensino superior. Não obstante, a escolaridade entre os empregadores é verdadeiramente um desastre, com mais de 40% só com o ensino básico, e isso é uma parte da explicação da baixa produtividade do trabalho.

O problema real não é a falta de diplomas, é a falta de competências, o saber como fazer.


O gráfico acima, extraído do trabalho de Óscar Afonso «Portugal tem mais diplomas, mas falta capital humano», publicado há dias, coloca-nos em 34.º lugar na proficiência média (*) em numeracia e literacia dos 38 países da OCDE.

Perante este handicap o que fazem as nossas elites merdosas? Autoelogiam-se dentro da respectiva bolha, dão graxa à plebe e exaltam as exageradas, e muitas vezes imaginadas, realizações do Portugal dos Pequeninos, que é outra maneira de se autoelogiarem.

_______________

(*) «A proficiência dos adultos em resolução adaptativa de problemas é avaliada através do PIAAC, um programa internacional da OCDE que mede a proficiência dos adultos em competências-chave de processamento de informação. A resolução adaptativa de problemas envolve a capacidade de atingir objetivos em situações dinâmicas, onde uma solução não está imediatamente disponível.»

29/07/2026

SERVIÇO PÚBLICO: Os Sete Saberes para a Educação do Futuro, de Edgar Morin

Edgar Morin (1924-2026)

  1. O erro e a ilusão: o conhecimento não é um espelho fiel da realidade; a mente humana pode falhar e ser enganada pelas nossas ideias e sentidos.
  2. O conhecimento pertinente: para que uma informação seja útil, ela precisa estar ligada ao seu contexto, unindo as partes ao todo e o todo às partes.
  3. A condição humana: precisamos lembrar quem somos nós, seres ao mesmo tempo físicos, biológicos, psíquicos, culturais, sociais e históricos.
  4. A identidade terrena: todos os humanos partilham o mesmo destino no planeta Terra, que hoje está ligado e globalizado.
  5. Enfrentar as incertezas: o futuro é incerto; a educação deve ensinar a navegar pelas surpresas e mudanças sem buscar apenas regras fixas.
  6. A compreensão: aprender a entender os outros, superando o ódio e as barreiras entre pessoas de culturas diferentes.
  7. A ética do género humano: a responsabilidade de cuidar da humanidade, unindo a nossa liberdade com o respeito pela comunidade global.
Era para ser um R.I.P. há dois meses, quando morreu Morin, e ficou na gaveta até que me ocorreu em plena campanha de agitprop e vacuidades a pretexto da bagunça da digitalização e da incapacidade de pensar e agir nas matérias do que haveria de ser um elevador social e uma alavanca para desenvolver o Portugal dos cada vez mais Pequeninos e é um sistema de criação de empregos e um campo de batalhas político-doutrinárias.

25/10/2025

Em memória de Nuno Crato, um ministro da Educação que não sofreu de lunatismo doutrinário

Há poucos dias, num artigo do Observador, Isabel Hormigo, uma adjunta de Nuno Crato, ex-ministro da Educação do governo de Passos Coelho, citou Philippe Aghion, prémio Nobel da Economia, que num debate recente no BFM Business - o canal francês de economia e negócios com maior audiência -, fez uma entusiástica apreciação positiva das políticas adoptadas por Nuno Crato entre 2011 e 2015. 

Não fiquei surpreendido por essa apreciação e ainda menos pelos mídia portugueses não terem dado qualquer relevância às declarações de Philippe Aghion sobre Nuno Crato, ainda hoje, decorridos dez anos, uma bête noir nos meios académicos e educacionais infectados pelo politicamente correcto.

Aqui no (Im)pertinências não foi preciso um Nobel mostrar apreciação pelo trabalho de Nuno Crato para relevarmos a sua acção no governo "neoliberal" dedicando-lhe duas dezenas de posts entre os quais saliento este a propósito dos resultados dos testes de PISA e este outro propósito dos rankings das escolas secundárias.

22/10/2025

CASE STUDY: O que nos diz o ranking das escolas de ensino secundário (3)

Continuação de (1) e (2)
No primeiro post chegámos a duas conclusões: os resultados das escolas privadas são claramente melhores em 2,14 pontos (= 13,50-11,36) e há tendência das piores escolas "compensarem" os seus alunos com uma avaliação menos exigente (a diferença entre as médias de exame e as notas internas de exame é 1,21 pontos nas melhores e 4,90 pontos nas piores).

No segundo post concluímos que escolas privadas aparentam ter maior heterogeneidade do que as escolas públicas, isto é, coexistem alunos muito bons com alunos fracos ou medíocres e que a relação entre notas de exame e notas internas é claramente mais fraca no caso das escolas públicas.

Vejamos agora no ângulo da localização das escolas se podem ser identificadas relações com o aproveitamento escolar. No quadro seguinte as escolas estão segmentadas em três grandes regiões: os concelhos puramente urbanos de Lisboa e Porto, com níveis de rendimento médio e educacional mais elevados, e os restantes concelhos. 


Em todas as regiões as escolas privadas têm um melhor desempenho e uma menor diferença entre notas internas e notas de exame. Nas escolas privadas do concelho de Lisboa essa diferença (0,96) é claramente muito inferior, menos de metade das escolas privadas do Porto (2,19) e dos outros concelhos (2,45), sugerindo uma necessidade muito menor de "compensação" dos alunos. Diferentemente, nas escolas privadas do Porto a diferença entre notas internas e notas de exame é mais do dobro da diferença em Lisboa (2,19 contra 0,96) e está próxima dos outros concelhos.   

Nas escolas públicas o factor regional não parece ter influência significativa nas notas de exames que variam entre si apenas umas décimas, sugerindo um nivelamento por baixo.  

No quadro seguinte registam-se os desvios-padrão das notas de exame e das notas internas para os mesmos concelhos.   


Os desvios-padrão das notas internas muito mais baixos do que os desvios-padrão das notas de exame em todos os concelhos sugerem que todas as escolas, independentemente do seu estatuto e da sua localização, tendem a "alizar" as notas que atribuem aos seus alunos.
    
No concelho de Lisboa o desvio-padrão mais baixo, quer das notas de exame (1,41) e quer das notas internas (0,49), sugere que o aproveitamento nas escolas privadas tem uma menor heterogeneidade nesse concelho. Nas escolas públicas dos outros concelhos destaca-se o desvio-padrão claramente inferior (1,04) ao de Lisboa (1,62) e do Porto (1,54), confirmando um nivelamento por baixo do ensino público na maioria dos concelhos.

03/10/2025

CASE STUDY: O que nos diz o ranking das escolas de ensino secundário (2)

Continuação de (1)

No post anterior chegámos a duas conclusões: os resultados das escolas privadas são claramente melhores em 2,14 pontos (= 13,50-11,36) e há tendência das piores escolas "compensarem" os seus alunos com uma avaliação menos exigente (a diferença entre as médias de exame e as notas internas de exame é 1,21 pontos nas melhores e 4,90 pontos nas piores).

Vejamos agora no quadro seguinte dois indicadores estatísticos relacionados com a dispersão dos valores das notas de exame e internas. 

Os valores dos desvios-padrão (uma medida da dispersão ou variação em relação à média) são claramente superiores nas escolas privadas, quer nas notas de exame, quer internas (1,69 e 0,88, respectivamente) em relação às públicas (1,08 e 0,62), Já quando à amplitude dos intervalos da variação (diferença entre a nota mais alta e a mais baixa) os valores são muito mais próximos, sobretudo nas notas de exame. Uma explicação possível é que as escolas privadas têm maior heterogeneidade do que as escolas públicas, isto é, coexistem alunos muito bons com alunos fracos ou medíocres.  

O quadro seguinte regista os mesmos indicadores, mas agora na dicotomia entre melhores e piores escolas. 

As piores escolas apresentam maior dispersão das notas (1,29 e 0,77, contra 0,66 e 0,60) e maior amplitude dos intervalos de variação (só há uma escola pública nas 40 melhores e por isso o intervalo de variação é 0). No nível das melhores e piores escolas, a comparação entre escolas públicas e privadas não tem significado, visto que entre as melhores só há uma escola pública e entre as piores só há duas escolas privadas.

O quadro seguinte refere-se ao coeficiente de correlação linear entre notas de exame e notas internas, isto é, à medida da relação linear entre essas duas variáveis. Os coeficientes mais próximos de +1 correspondem a uma correlação perfeita das duas variáveis que aumentam e diminuem em paralelo, os valores negativos mais próximos de -1 significariam que as duas variáveis se movem em sentidos opostos e o valor 0 significaria que as duas variáveis não estão relacionadas. 


Dos valores do quadro, podemos concluir que a relação entre notas de exame e internas é claramente mais fraca no caso das escolas públicas em resultado do factor já identificado no post anterior onde se constatou que as piores escolas "esticam" muito mais as notas dos seus alunos (1,21 pontos nas melhores, aumenta para 4,90 pontos nas piores) e as piores escolas pesam mais entre as públicas.

No próximo post, vamos analisar a influência da localização das escolas nas notas, segmentando notas de exame e  internas e escolas públicas e privadas.

______________

(Continua)

28/09/2025

CASE STUDY: O que nos diz o ranking das escolas de ensino secundário (1)

Usando os dados do «Ranking das Escolas 2024 por escola, concelho ou disciplina no 9.º ano e secundário, com base nas notas dos exames» publicados em Abril pelo Observador (em parceria com a Nova SBE), calculei os valores de alguns indicadores estatísticos para extrair conclusões relativas à dicotomia escolas públicas-escolas privadas, escolas nas grandes regiões metropolitanas e fora delas, quer em termos de qualidade de ensino (ou mais exactamente da qualidade medida pelas notas de exame), quer da tendência para sobrevalorizar as "notas internas".  

A primeira evidência é a confirmação de que a média de exame nas escolas privadas é claramente superior à das escolas públicas - no ano lectivo passado a diferença foi de 2,14 pontos (13,50-11,36). 


A segunda evidência é, ao contrário da ideia generalizada de que as escolas privadas "esticam" as notas internas mais do que as escolas públicas, que o "esticanço" é mais acentuado nas públicas (3,21 contra 2,24).

Não surpreende, pois, que as escolas privadas dominem entre as escolas com melhores médias de exame  - 39 das primeiras 40 escolas são privadas.


Nem surpreende que as escolas públicas dominem entre as escolas com piores médias de exame - 38 das últimas 40 escolas são públicas.

O que pode ser mais inesperado é constatar que são as piores escolas, quer privadas quer públicas, que "esticam" muito mais as notas dos seus alunos. No conjunto, o "esticanço" de 1,21 pontos nas melhores, aumenta para 4,90 pontos nas piores, mantendo-se maior, num caso e noutro, o "esticanço" das escolas públicas.

O que se pode concluir até aqui? Pelos menos duas coisas: melhores resultados das escolas privadas e tendência das piores escolas "compensarem" os seus alunos com uma avaliação menos exigente.

___________

(Continua)

21/03/2025

CASE STUDY: A esquerdalhada anda há décadas a tentar tirar uma peça essencial do elevador social - o efeito de teste

Continuação de O elevador social não está a funcionar bem em lado nenhum. No Portugal dos Pequeninos a esquerdalhada avariou-o irremediavelmente

«Um argumento muito comum contra os testes e exames é o da sua inutilidade. Diz-se que não é por ser testado que um aluno aprende, é antes por ser ensinado e por estudar. É um argumento muito comum, embora irracional. O mesmo argumento poderia ser aplicado às análises e outros exames médicos. Não são eles que nos curam, mas nem por isso são inúteis.

A inutilidade dos testes e exames vai contra a racionalidade. E vai também contra a prática dos professores experimentados, que passam a vida a indicar trabalhos de casa e perdem noites a corrigir esses trabalhos, semana após semana, ano após ano. Os professores fazem-no porque sabem que essa é uma forma de os estudantes verificarem e reforçarem os seus conhecimentos, reverem as matérias e praticarem os procedimentos que estudam. Ou seja, os professores sabem que os alunos aprendem melhor quando se defrontam consigo próprios face a uma tarefa. E os professores experimentados fazem mais. Estão constantemente a fazer perguntas aos alunos e dão à turma trabalhos para serem feitos individualmente ou em pequenos grupos, durante ou depois da aula.

Tudo isso são formas de testar os conhecimentos – e de os reforçar. É o que se chama avaliação formativa, sem impacto, ou com pouco impacto, na classificação dos alunos.

A tese da inutilidade dos exames e testes vai também contra as ciências cognitivas modernas, que descobriram e estudaram experimentalmente o efeito da testagem de conhecimentos sobre a aprendizagem. E o que descobriram? Que ser-se testado é uma forma muito eficaz de consolidar a aprendizagem e de aprender. Tão eficaz que hoje se lhe dá um nome: o «efeito de teste».»

«Aprender, aprender, aprender sempre», Nuno Crato no Jornal Económico

13/12/2024

Mitos (345) - As gerações "mais educadas de sempre" são das mais incompetentes da OCDE. Um atestado de fracasso do ensino facilitista e endoutrinador

A OCDE publicou há dias o seu Survey of Adult Skills – Reader's Companion que revela um panorama desastroso das competências dos adultos portugueses (16-65 anos) nas três áreas consideradas: literacia, numeracia e capacidade de resolver problemas. Os três diagramas seguintes mostram a pontuação nas três áreas e apresentam os adultos portugueses no penúltimo lugar dos 38 países da OCDE nas duas primeiras competências e no quinto lugar a contar do último na terceira competência.


Uma vez que uma grande parte da amostra de inquiridos não frequentou ou frequentou apenas um pequeno número de anos no sistema de ensino não universitário do Estado Novo, desta vez não se pode culpar, como é costume, o fascismo por este enorme falhanço.

Estranhamente, os resultados do relatório foram amplamente citados pelos mídia portugueses e até os títulos reflectem uma apreciação muito negativa. Vejam-se como exemplo os seguintes:

  • 40% dos adultos em Portugal só compreende textos simples e matemática básica, indica OCDE (Negócios)
  • Adultos portugueses são dos que têm menos competências na OCDE (Diário de Notícias)
  • Quase metade dos portugueses entende apenas frases curtas e faz cálculos básicos. Na comparação internacional, país atrás da média da OCDE (Observador)
  • Em Portugal 40% dos adultos só compreendem textos simples e matemática básica (Público)
  • Adultos portugueses são dos que têm mais baixa capacidade de compreender textos e números (Expresso)

Suspeito que a explicação para esta exposição do fracasso escolar do sistema "democrático" de ensino  está menos na abertura, integridade ou independência inabituais nos mídia do regime e mais por não terem pensado no assunto e não terem concluído que esse fracasso se deve em grande parte ao facilitismo e à transformação das escolas em locais de endoutrinação e inculcação do áctivismo, transformação que a maioria dos jornalistas de causas que povoam as redacções se têm empenhado a promover.

01/11/2024

Black Nationalist Gets $20 Million to Promote ‘Segregation’ (and racism) in Public Schools with donations from the government and nonprofits, including the Gates Foundation


«An adviser to Pennsylvania governor Josh Shapiro, who supports school segregation and is a member of the Black Panther Party with family ties to Iran, runs a nonprofit that has raked in nearly $20 million in donations from the government and nonprofits, including the Gates Foundation.

Sharif El-Mekki, a former middle and high school teacher and principal, founded the Center for Black Educator Development (CBED) in 2019, which defines its vision as “a world where. . . all black students are taught by high-quality, same-race teachers,” and where “all teachers demonstrate high levels of expertise in anti-racist mindsets.” CBED argues that employing black teachers to educate black students increases educational outcomes.

Since its founding, CBED has trained thousands of teachers across the U.S. in “education activism,” urging a “commitment to liberation education from the racism inherent in America’s institutions, including our schools.” A CBED information packet titled “The Anti-Racist Guide to Teacher Retention,” developed with the Pennsylvania Department of Education, defines education as “a political act” that “can upend white supremacy and a racist history of using education as an oppressive social force.” 

“Every lesson plan is a political document, and every classroom interaction a political statement,” the guide reads. 

El-Mekki’s nonprofit boasts more than $19.5 million in assets, boosted by funders including the Bill & Melinda Gates Foundation, which donated over $1.4 million between 2020 and 2021, and the Silicon Valley Community Foundation, which gave over $1.1 million in 2022, according to public tax filings. Other backers include NBC Universal, Nike, the Bezos Family Foundation, the University of Pennsylvania School of Education, and dozens more. In 2023 alone, CBED trained more than 1,700 educators. In their most recent tax filing from 2023, El-Mekki drew a salary of $233,410 from the organization.

“He started up this organization, which on paper sounds like a really wonderful endeavor, getting more black teachers in the classroom,” said Dr. Mika Hackner, a senior research associate at the Jewish Institute for Liberal Values, which drafted a report on El-Mekki’s extremist views and activism that she shared with The Free Press. “But if you scratch beneath the surface—not even beneath the surface, it’s on their website—he’s propagating some pretty dangerous and divisive ideas.” 

El-Mekki, she added, is “bringing in segregation by a different and more socially and politically acceptable name.” »

Francesca Block in The Free Press newsletter

30/11/2023

SERVIÇO PÚBLICO: A escola pública, um clássico de Filomena Mónica

Por acaso voltei a cruzar-me com este artigo de Maria Filomena Mónica no Expresso que citei há mais de dez anos. É uma visão lúcida da escola pública que não envelheceu e tem subjacente uma autópsia  do resultado de décadas de intrusão ideológica, incompetência e negligência.

A ESCOLA PÚBLICA

Acabamos sempre por voltar ao local do crime. Em 1977, terminei uma tese sobre a escola durante os primeiros anos do salazarismo. Como me aconselhou o prof. Sedas Nunes, deveria prosseguir o trabalho nesta disciplina. Por várias razões, decidi seguir outro rumo, o que não me impediu de, em diversas ocasiões, ter escrito sobre os problemas do ensino. Em abril de 1974, imaginei que, através de uma boa rede de escolas públicas, Portugal poderia eliminar as desigualdades que, desde a infância, me haviam escandalizado. Até fiz um documentário, "Nados e Criados Desiguais". Depois, fui-me apercebendo de que o sonho não era tão fácil de concretizar quanto pensara.

Tem-se falado muito nos gastos disparatados com a reconstrução de alguns liceus. Quando me sentei ao computador estava determinada a escrever sobre este tópico, mas, a meio, a minha bússola intelectual obrigou-me a mudar de rumo, levando-me a fazer uma revisão da matéria. Eis, em dez pontos, aquilo em que acredito.

1 - Não são tanto os edifícios que contam no sucesso escolar, mas os professores. Precisamos de ter, nas nossas escolas, indivíduos bem preparados, bem remunerados e sobretudo acarinhados pela comunidade.

2 - O envio de papelada para cima dos professores, que faz as delícias dos funcionários do Ministério, deve terminar, a fim de que aqueles possam ensinar em paz.

3 - Se a cultura pseudoprogressista transmitida nos cursos de Ciências de Educação continuar dominante, estaremos a formar indivíduos incapazes não só de ganhar o seu sustento mas de ter um mínimo de cultura geral.

4 - Muito do que se passa na sala de aula depende das expectativas dos docentes. Se estes olharem os filhos dos pobres como candidatos a empregos subalternos nunca deles exigirão o suficiente para que possam sair do círculo de pobreza onde estão encerrados.

5 - Nos últimos trinta anos, sacrificámos a qualidade à quantidade, do que resultou uma redução no nível de exigência dos exames. Os "netos de Rousseau" devem ser afastados, logo que possível, do GAVE (gabinete que prepara os exames).

 6 - Apesar de poderem ser um veículo de mobilidade social, as escolas têm como missão central transmitir o saber, pelo que não devem ser pensadas como uma máquina de engenharia social.

7 - À ex-secretária de Estado Ana Benavente deve ser interditada a aproximação de qualquer escola pública.

8 - A melhor forma de ajudar os filhos dos pobres é através da elaboração de bons programas, que os ensinem a ler, a pensar e a saber exprimir-se.

9 - As crianças não são naturalmente boas. Carecem, assim, por parte dos pais e dos professores, da imposição de uma certa disciplina. A concessão de demasiada liberdade leva-as a tornaram-se tiranetes.

10 - Podemos ter igualdade de resultados ou igualdade de oportunidades: não as duas. A primeira, defendida pelos esquerdistas, leva a que às crianças dotadas, provenientes de meios socialmente desfavorecidos, não lhes seja exigido tudo aquilo que podem dar. A coberto de uma ideologia bondosa está a cometer-se um crime.

12/11/2023

A fábrica de canudos encrenca ainda mais o encrencado elevador social

Expresso - Caderno de Economia

O título do Expresso é o exemplo quase perfeito da confusão que no Portugal dos Pequeninos em geral e na imprensa do regime em particular se faz entre a emissão de diplomas e a qualificação dos seus detentores. Esta confusão é um caso particular da confusão mais geral que infecta a mente das luminárias domésticas que quase sem excepções (Vasco Pulido Valente é a única que me ocorre) acreditam que do aumento do número de graduados decorre o desenvolvimento de um país, ignorando que, se puder estabelecer-se uma relação causal, será precisamente a inversa.  

Por coincidência, pouco depois de ler a peça do Expresso, li uma outra de Carina João Reis, directora da associação Insignare, no Nascer do Sol que incluía um diagrama que ilustra uma das razões porque temos uma mão-de-obra pouco qualificada com uma produtividade muito inferior à média da UE apesar da pletora de graduados que inclui dois grandes grupos, a saber: as vítimas do programa socrático Novas Oportunidades que em pouco anos aviou diplomas do secundário para centenas de milhar de estudantes chumbados ou desistentes em anos anteriores e outras centenas de milhar de licenciados em ogias que na melhor hipótese trabalham na restauração, na intermédia foram incorporados no exército de apparatchiks administrativos do Estado sucial e na pior estão desempregados - não por acaso, os jovens até aos 34 anos saídos da fábrica de canudos nas últimas duas décadas representam quase metade dos desempregados.

06/06/2023

CASE STUDY: O ensino do Portugal dos Pequeninos como retardador social

Só há poucos dias tive oportunidade de conhecer um estudo (Benchmarking of secondary schools based on Students’ results in higher education) publicado em 2020 por Maria Conceição Silva (UCP), Ana Camanho (UP) e Flávia Barbosa (UP), baseado no desempenho de mais de dez mil estudantes da Universidade do Porto e do polo da Católica no Porto.

O estudo concluiu que, ao contrário dos resultados dos rankings das escolas secundárias em que as privadas suplantam largamente as públicas, no desempenho universitário os estudantes com mais sucesso são os oriundos das escolas públicas. De facto das 64 escolas secundárias de onde provêm os alunos da amostra, as 15 escolas cujos alunos são mais bem sucedidos são públicas e 9 das 15 cujos alunos têm menos sucesso são do ensino particular e cooperativo.

A curiosa, mas plausível, explicação do economista Aguiar-Conraria que na sua coluna semanal do Expresso citou o estudo, é a de que os alunos do ensino público, sendo em muito maior número, em média de origens sociais mais baixas e com um ambiente familiar menos estimulante, foram sujeitos a um processo de selecção mais apertado para vencerem as barreiras de acesso do que os do ensino privado, e, por isso, quando em igualdade de condições com os do ensino privado, mostram melhores resultados. Faz todo o sentido e mostra o enorme desperdício que é num ensino universitário esmagadoramente público dar prioridade ao esperma feliz com menos talento em detrimento do esperma infeliz com mais talento.

A conclusão inevitável é que o ensino secundário em Portugal, por uma série de razões (entre eles o facilitismo socialista) de que agora não me vou ocupar e sobre as quais já se escreveu muitas vezes no (Im)pertinências (ver etiqueta inducação), mais do que não ser um elevador social é um retardador social.

12/10/2022

CASE STUDY: O elevador social não está a funcionar bem em lado nenhum. No Portugal dos Pequeninos a esquerdalhada avariou-o irremediavelmente

No artigo «O congelador social», publicado no Expresso do dia 7 de Outubro e integralmente citado neste post, o economista Luís Aguiar-Conraria mostra como o impacto da pandemia nos sistemas educativos, e em particular do Portugal dos Pequeninos, veio confirmar que as políticas facilitistas dos governos de esquerda (desvalorização da avaliação, supressão dos exames, etc.) tendem a ter as consequências opostas às intenções anunciadas, degradando o ensino público e assim prejudicando o desempenho dos alunos pobres, ao mesmo tempo que promovem a transferência dos alunos das «famílias certas» para as escolas privadas, assim acelerando a degradação do ensino das escolas públicas.

Num exercício de despudorada hipocrisia, muitos dos defensores mais ruidosos do ensino público, incluindo os "famosos" da esquerdalhada, inscrevem os seus filhos no ensino privado.

30/07/2022

CASE STUDY: E se o sexo dos professores tiver influência no desempenho dos alunos?

Até 1989 a Finlândia adoptou uma política de discriminação positiva na formação dos professores do ensino primário fixando uma quota mínima de 40% para os homens para equilibrar a distribuição por sexos numa profissão onde tendencialmente as mulheres representavam a grande maioria. Daí resultou que, apesar das mulheres terem em média notas mais altas, muitas foram preteridas por homens para atingir a quota mínima.

Três décadas depois Ursina Schaede e Ville Mankki da universidade de Turku realizaram um estudo publicado em Abril (Quota vs quality? Long-term gains from an unusual gender quota) que acompanhou mais de 800 mil crianças que entraram nas escolas primárias entre 1988 e 2000, separando os alunos que tiveram professores femininos não sujeitos à quota e professores masculinos, e chegaram à seguinte conclusão:

«Pupils exposed to a higher share of male quota teachers during primary school transition more smoothly to post-compulsory education, have higher educational attainment, and labor force attachment at age 25. Pupils of both genders benefit similarly from exposure to male quota teachers. Our findings are consistent with the quota improving the allocation of talent over the unconstrained selection process. » 

O estudo sugere que os professores masculinos seleccionados pela quota obtiveram melhores resultados do que os professores femininos com médias comparáveis, por razões que podem estar relacionadas com a maior proporção de professores masculinos que falavam o finlandês como língua materna ou terem estudado matemática. Seja como for, as conclusões do estudo contrariam duas ideias populares: (1) a de que a discriminação positiva tem sempre consequências negativas e (2) não há diferenças de desempenho entre homens e mulheres.

03/06/2022

Private schools have become truly obscene. Don't just count on them to fix the broken social elevator

«Parents at elite private schools sometimes grumble about taking nothing from public schools yet having to support them via their tax dollars. But the reverse proposition is a more compelling argument. Why should public-school parents—why should anyone—be expected to support private schools? Exeter has 1,100 students and a $1.3 billion endowment. Andover, which has 1,150 students, is on track to take in $400 million in its current capital campaign. And all of this cash, glorious cash, comes pouring into the countinghouse 100 percent tax-free.

These schools surround kids who have every possible advantage with a literal embarrassment of riches—and then their graduates hoover up spots in the best colleges. Less than 2 percent of the nation’s students attend so-called independent schools. But 24 percent of Yale’s class of 2024 attended an independent school. At Princeton, that figure is 25 percent. At Brown and Dartmouth, it is higher still: 29 percent.

The numbers are even more astonishing when you consider that they’re not distributed evenly across the country’s more than 1,600 independent schools but are concentrated in the most exclusive ones—and these are our focus here. In the past five years, Dalton has sent about a third of its graduates to the Ivy League. Ditto the Spence School. Harvard-Westlake, in Los Angeles, sent 45 kids to Harvard alone. Noble and Greenough School, in Massachusetts, did even better: 50 kids went on to Harvard.

However unintentionally, these schools pass on the values of our ruling class—chiefly, that a certain cutthroat approach to life is rewarded. True, they salve their consciences with generous financial aid. Like Lord and Lady Bountiful, the administrators page through the applications of the nonwealthy, deciding whom to favor with an opportunity to slip through the golden doors and have their life change forever.

But what makes these schools truly ludicrous is their recent insistence that they are engines of equity and even “inclusivity.” A $50,000-a-year school can’t be anything but a very expensive consumer product for the rich. If these schools really care about equity, all they need to do is get a chain and a padlock and close up shop.
»

Excerto de The Atlantic

28/04/2022

Depois queixem-se do populismo

«Entre salários, prémios, bónus, contribuições para planos de pensões e outras remunerações monetárias, as 15 empresas do PSI pagaram um total de 31,9 milhões de euros aos seus presidentes executivos (atuais e antigos) em 2021, de acordo com os cálculos do ECO com base nos valores recolhidos nos relatórios e contas das empresas do índice português. A soma representa uma forte subida de 89,9% face ao valor de 2020, ano em que os CEO ganharam 16,5 milhões de euros» (Jornal Eco)

Este é apenas um exemplo da crescente desigualdade na distribuição da riqueza e do rendimento nos países, cuja percepção pelos pobres e pela classe média é um dos factores que geram a sua rejeição da democracia liberal e os torna receptivos ao nacionalismo extremo, ao populismo e à admiração de autocratas actuais (como o Putin) ou potenciais (como o Trump). E não adianta fazer-lhes discursos sobre a igualdade de oportunidades que, ouvidos por um morador num bairro da lata que tem os filhos matriculados na escola pública mais próxima, serão ouvidos como profundamente hipócritas.

Na verdade, a percepção da desigualdade é um epifenómeno. O problema está no elevador social que não funciona e quem ganharia que funcionasse não percebe, e quem percebe ou deveria perceber não está interessado em que funcione. E não funciona porque os sistemas educacionais públicos não estão a servir os seus propósitos de niveladores das desigualdades sociais porque foram capturados pelos interesses corporativos dos sindicatos dos professores e pelo áctivismo do género e as elites deixaram de se interessar pela qualidade do ensino público porque matriculam os seus filhos nas escolas privadas.

29/10/2021

Mais um prego para o caixão do ensino público em Portugal. É o que dão as paixões socialistas pela educação


«King’s College School investe 45 milhões e abre colégio em Cascais


O colégio tem capacidade para 1200 alunos dos um aos 18 anos e vai oferecer a totalidade do currículo internacional de Cambridge, até ao Year 11 (16 anos), culminando com o programa de IB Diploma nos Years 12 e 13 para alunos entre os 16 e os 18 anos.»

Enquanto isso, as escolas públicas foram transformadas em instituições para proporcionar emprego a professores desmotivados e mal preparados, escolas (*) que se esmeram no facilitismo, a fazer felizes os alunos, doutriná-los na identidade de género e ensinar-lhes a linguagem inclusiva, escolas que, em consequência, deixaram de ter o papel de elevador social. É mais um exemplo de como as políticas públicas socialistas são apresentadas para promover a igualdade e acabam a aumentar a desigualdade de oportunidades.

Ah!, quase me esquecia. É mais uma oferta para os militantes da esquerda que têm uma paixão pelo ensino público e inscrevem os filhos nas escolas privadas.

(*) Acrescentado para deixar claro (ver comentário) que me refiro às instituições e não aos professores, entre os quais uns se esmeram, etc. e outros não.

12/08/2021

Mudar as métricas do problema não muda a essência do problema

«The figures are stark: 44.8 per cent of grades were A or A*, up from 38.5 per cent last year and 25.2 per cent in 2019. Analysis by exams regulator Ofqual also picked up a widening in the attainment gap for students who are on free school meals, deprived pupils and black pupils. But given these results weren't based on the same assessment as last year, and certainly not comparable to the exams taken by pupils in normal years, is it really fair to call this grade inflation? Next year's A-levels will be similarly abnormal. What is probably of greater concern, as we discuss on our latest Coffee House Shots podcast, how employers and admissions offices at further and higher education institutions can distinguish between the grades of the three different Covid cohorts, and those attained by students under 'normal' conditions. It's not even that easy to compare within the results, given different schools adopted different methods of teacher estimates. Some were far more rigorous and less generous than others. 

The most immediate impact of these results is that there is now a serious squeeze on university places, to the extent that some medical schools are offering students who achieved their offer grades £10,000 to switch to a course at another university. On this, there are fears once again that the most disadvantaged young people will end up at less prestigious institutions because they are much more likely to need the £10,000 than their peers. The government is paying £6,500 of the grant and the university £3,500.

Elsewhere, it will be harder for students who've done better than expected to move up, or indeed for those who've missed a place by just one grade to find a suitable university because so many students have achieved the offer grades and there are therefore use fewer empty spaces. Admissions service Ucas estimates that around 80,000 students will get a place through clearing this year. 

Once they're at university, though, the Covid generation may not be able to move on from the disruption of the past two years. A large number of institutions, including 20 out of the 24 Russell Group members, have said that some of their teaching will continue to be online in the new academic year.»

Excerto da newsletter da Spectator de 10 de Agosto

Ao contrário deste ano em que as médias desceram, no ano lectivo passado passou-se algo semelhante em Portugal, mas pelos vistos ninguém se preocupou seriamente com o problema que foi varrido para baixo do tapete.

11/07/2021

SERVIÇO PÚBLICO: "Todos os regimes autoritários e partidos políticos intolerantes procuram criar uma escola com valores, com programas políticos e com ideologia"

«Todos os regimes autoritários e partidos políticos intolerantes procuram criar uma escola com valores, com programas políticos e com ideologia. Até há democratas que esperam o mesmo. No passado, a religião e moral cristã, a nação, a pátria, a república laica e o socialismo libertador ocuparam sucessivamente as primeiras páginas dos programas e dos currículos. Recentemente, com o mesmo afinco obsessivo e a mesma esperança, outros valores surgiram: a cidadania, a democracia, a solidariedade, a tolerância, a ética republicana e a Europa. Actualmente, à luz das modas, novos valores se impõem: o anti-racismo, o género como construção e escolha, a ecologia, o ambiente e os direitos dos animais. Sem esquecer outras tarefas mais tecnocráticas que preenchem o caderno de encargos da escola contemporânea: a literacia financeira, a aptidão digital e o consumo.

A disciplina de cidadania, outra vez em debate público, serve para tudo, da Constituição ao sexo, passando pelas regras de trânsito. Ou ainda para, segundo o palavreado oficial, saúde, sexualidade, segurança rodoviária, empreendedorismo, voluntariado, igualdade de género, risco, direitos humanos, defesa, segurança, paz, educação financeira, educação intercultural, ambiente, Europa e consumidor… Ora, a escola contemporânea, com este programa, corre o risco de falhar todas as suas missões. As clássicas: escrever, ler e contar. As menos clássicas: desenvolver as artes e a cultura. As mais modernas: a competência profissional. E as moderníssimas: formar cidadãos exemplares.

A escola como berço da virtude é um velho mito totalitário. A escola não é nem deve ser considerada uma incubadora de cidadãos bem comportados. Verdade é que na escola se aprende tudo. Da regra de três ao imperativo categórico. Mas também o sexo, o tabaco, o álcool e o cannabis. Sem falar no surf e nos jogos de computador. Assim como cinema e poesia. Além de violência, futebol e trafulhice. Ou finalmente solidariedade e bondade. Na verdade, a escola é vida. Ponto final.

Como tal, a escola dá o que de melhor pode dar: ferramentas, informação, instrumentos e conhecimento. Com a colaboração das artes, das técnicas e da cultura. O resto pertence à família, à sociedade, às profissões, à televisão, às redes sociais, aos livros, aos partidos políticos, às associações, às igrejas, aos clubes, aos jornais, aos vizinhos e às autarquias. À escola o que é da escola. À vida o que é da vida.»

A ilusão educativa, Antonio Barreto

10/06/2021

O resultado de décadas de facilitismo escolar

José Neves, líder da Farfetch, uma das pouquíssimas start up portuguesas de sucesso, confessou em entrevista ao jornal Eco ter dificuldade em recrutar gente competente nas áreas das tecnologias de informação, em contracorrente ao discurso oficial que glorifica a excelência das escolas do Portugal dos Pequeninos e dos profissionais nelas formados. 

São as pesadas consequências indesejadas de um ensino pouco exigente e facilitista, agravada nos últimos anos pelas cedências do governo socialista ao esquerdismo para pagar as facturas da geringonça, transformando as escolas em centros de propaganda LGBT e identidade de género.