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09/10/2026

A visão do Dr. João Costa do que é o mal maior explica a sua obra no ministério da Educação

Para quem não saiba, o doutor João Costa andou desde 2015 a circular pelo Ministério da Educação, primeiro como secretário de Estado e depois como ministro, de 2022 a 2024. O gráfico seguinte, representando os scores dos alunos portugueses nos testes PISA da OCDE, em que o traço vermelho assinala o ano em que a criatura iniciou a sua obra no Ministério da Educação, ilustra claramente os resultados do trabalho desenvolvido pelas equipas de que fez parte ou liderou.

(Fonte: OCDE, PISA 2025 Results, Volume I, Country Note Portugal)

Foi o mesmo doutor João Costa que publicou o artigo de opinião «As ingerências na Universidade Nova refletem um mal maior» onde descreve com larga soma de pormenores o processo kafkiano da eleição do reitor da Universidade Nova, processo sobre o qual não tenho opinião para além de o considerar kafkiano, como não tenho opinião sobre as personalidades envolvidas.

Ao contrário, tenho opiniões muito claras sobre a opinião do doutor João Costa de «o que se passa na NOVA é sintoma de um mal maior que atinge as instituições de ensino superior um pouco por todo o mundo», porque «nas últimas décadas, por todo o lado, passaram a imperar modelos de gestão empresarial». Em consequência, o doutor João Costa é especialmente crítico com a intervenção «ao jeito norte-americano» de entidades privadas externas na gestão das universidades.

Infelizmente, para os modelos do doutor João Costa, em qualquer ranking mundial das universidades, as americanas são as mais representadas, pelo menos enquanto a administração Trump não as transformar em megafones MAGA. Por exemplo, no ranking Times High Education as universidades americanas representam 7 das 10 primeiras classificadas e quase um terço do total do top 100; a universidade portuguesa mais bem classificada está no escalão 376-400. Pelas suas críticas, implicitamente, o doutor João Costa propugna o modelo prevalecente nas universidades portuguesas onde predomina a endogamia e quase 70% dos doutoramentos têm lugar na mesma universidade onde os doutorados leccionam e em dez faculdades essa percentagem sobe para 90%.

06/08/2026

BELIEVE IT OR NOT! The Trump Administration admitted that it had withheld federal money in retaliation against its political rivals

«In a court filing earlier this month, a government lawyer did something radical: He laid out the truth in plain English.

The surprise was not just the honesty from a chronically dishonest administration but also the substance: The Trump administration admitted that it had withheld federal money in retaliation against its political rivals. The disclosure, first reported by The New York Times on Friday, is part of a lawsuit from a group of researchers in California whose grants were canceled. In lieu of turning over documents to the plaintiffs in discovery, an Energy Department attorney acknowledged in a filing that decisions about which grants might be terminated had been “based solely” on a goal of political retribution. “With one exception, the 284 terminated grants had a recipient location and/or at least one place of performance in a state that awarded its electoral votes to Kamala Harris in the 2024 election and has two Democratic-caucusing Senators (‘Blue State’ grants),” the filing stated, contradicting previous public statements by officials.

12/04/2026

Pro memoria (147) - Se o Fidesz não vencer as eleições de hoje não será por Viktor Orbán não ter feito por isso

«As eleições de 2010 colocaram, na prática, Viktor Orbán acima da lei: passou a poder alterar a Constituição à vontade, o que fez 12 vezes durante o seu primeiro ano no cargo. Logo no início, eliminou a exigência de uma maioria de quatro quintos para rever a Lei Fundamental. Menos de um ano após o início do mandato, apresentou uma nova Constituição, com centenas de novas leis, muitas com impacto no sistema eleitoral. A Constituição de 2011 reduziu para metade o número de deputados, medida amplamente bem acolhida, uma vez que o anterior Parlamento, com 394 membros, era considerado dispendioso. No entanto, tal implicava redesenhar todas as circunscrições eleitorais do país, e a Constituição nada dizia sobre como esse processo deveria ser conduzido.

Em vez de elaborar o novo mapa de forma transparente, o Governo desenhou os círculos eleitorais à porta fechada. A resultante Lei CCIII/2011 passou a incluir os limites exatos de cada um, e foi aprovada rapidamente como “lei cardinal”, só podendo ser alterada mediante nova maioria parlamentar de dois terços. Os limites das circunscrições foram radicalmente redesenhados. Académicos como Kim Lane Scheppele, da Universidade de Princeton, têm argumentado que o Executivo de Orbán utilizou o redimensionamento eleitoral para concentrar áreas com tendência para a oposição em circunscrições maiores, ao mesmo tempo que dividia áreas favoráveis ao Fidesz em vários círculos, ou seja, vários deputados em potencial, reduzindo o número de mandatos desfavoráveis ao partido no poder.

Outra alteração instituiu o chamado “círculo de compensação do vencedor”, uma especificidade húngara. No sistema anterior a Orbán, os votos atribuídos aos candidatos derrotados nas circunscrições eram somados aos das listas partidárias, numa tentativa de equilibrar o número de votos obtidos por cada partido com a sua representação parlamentar. Por exemplo, se o candidato do Partido X obtivesse 400 votos num determinado círculo e o candidato do Partido Y obtivesse 200 votos, os votos “perdidos” — ou seja, os 200 dados ao candidato derrotado do Partido Y — seriam acrescentados à lista partidária do Partido Y, como forma de repor a proporcionalidade. Este mecanismo de “compensação dos perdedores” é comum em sistemas eleitorais mistos, nos quais os eleitores votam separadamente em candidatos e em partidos.

Orbán introduziu a chamada “compensação dos vencedores”. Neste modelo, qualquer voto que não seja estritamente necessário para eleger um candidato num círculo eleitoral é considerado “perdido”, mesmo que tenha sido atribuído ao vencedor. Utilizando o exemplo acima, com um resultado de 400 contra 200 votos, os 200 votos seriam transferidos para a lista do Partido Y, como anteriormente, mas também 199 votos seriam transferidos para a lista do Partido X, uma vez que o seu candidato apenas precisava de 201 para vencer, tendo obtido 199 sufrágios excedentários.»

22/12/2024

ESTÓRIA E MORAL: Os esquerdistas revolucionários e a família

Estória


Daniel Ortega, o líder da Frente Sandinista que derrubou em 1979 o ditador Anastasio Somoza, foi o "coordenador" da Junta de Gobierno de Reconstrucción Nacional, inspirada no marxismo-leninismo de Fidel Castro, que substituiu durante seis anos o governo Somoza, foi eleito presidente em 1985 em eleições consideradas livres e introduziu reformas de acordo com o catecismo da esquerda latino-americana (nacionalizações e reforma agrária), teve de enfrentar um embargo comercial dos EUA e a revolta dos "Contras". Ortega perdeu três eleições em 1990, 1996 e 2001 e ganhou as de 2006 e todas as seguintes mandando prender os seus potenciais rivais e tornando-se cada vez mais antidemocrático e repressivo.

Com vista a eternizar-se no poder e assegurar a sucessão pela família Ortega, foi aprovada em Novembro uma revisão de Constituição que tornou os tribunais e a assembleia legislativa órgãos do Estado controlados pelo presidente, que passa a poder punir os mídia por "notícias falsas", oficializou a "polícia voluntária" - a guarda pretoriana do regime, criou o cargo de "copresidente" atribuído à actual vice-presidente e sua esposa Rosario Murillo que é vista como inspiradora da repressão feroz dos últimos anos e que lhe sucederá. Os filhos de ambos foram nomeados para cargos importantes.

Moral

Os esquerdistas revolucionários têm o culto do Estado e são contra a família, excepto a sua própria família.

07/12/2023

SERVIÇO PÚBLICO: A "agilização" dos investimentos no lítio e centro de dados não foi um acidente. É o processo socialista de autorizar investimentos

Os casos do lítio e centro de dados não saíram do vácuo, para usar a expressão do Eng. Guterres, essa alma cheia de boas intenções, cujo mantra «no jobs for the boys» foi na verdade o início da ocupação do aparelho administrativo do Estado por batalhões de apparatchiks socialistas. 

O Dr. Costa ao tentar limpar a sua folha e as dos seus ajudantes justificou a "agilização", isto é uma intervenção informal, pontual e dirigida para facilitar as operações de investimento, uma espécie de lubrificação das engrenagens, declarando «que a simplificação de procedimentos aumenta a transparência (... e) a burocracia promove a opacidade», o que é obviamente uma completa falácia, porque tudo o que foi feito resultou precisamente da falta de transparência e da mistura de questões administrativas, legais e técnicas com questões políticas ou, mais precisamente, com critérios obscuros e decisões encapotadas, tudo numa sopa opaca de conflitos de interesse.

Tudo se iniciou durante o consolado do Eng. Sócrates que começou por extinguir a Agência Portuguesa para o Investimento (API) criada pelo governo de Durão Barroso em 2002 para precisamente «desgovernamentalizar o investimento privado», como explica Carlos Tavares, e acabou a criar os PIN (projectos de interesse nacional) que seriam aprovados com grande opacidade à vontade do freguês e dos quais resultou um enorme desperdício de fundos europeus e de capitais portugueses. Remeto para o artigo no Observador de Carlos Tavares para conhecer a evolução posterior que apenas resolveu parte dos problemas e deixou a porta aberta para as intervenções  de "agilização" do governo com os resultados já (em parte) conhecidos.

20/08/2023

DIÁRIO DE BORDO: Não é muito exagerado dizer que no Portugal dos Pequeninos sem amigos não se vai a lado nenhum

Por cá, sem amigos não se vai a lado nenhum é o mantra de um dos meus amigos que ele regularmente ilustra recorrendo aos seus conhecidos para resolver as dificuldades que o nepotismo, a burocracia, o preconceito, a discriminação, o desleixo e a incompetência criam. 

Nisso, o meu amigo não é original e apenas reproduz a resposta pragmática e eticamente complacente às consequências práticas de um princípio que muitos adoptaram e poucos reconheceram, como antigos presidentes, o peruano Oscar Benavides e o brasileiro Getúlio Vargas («Para os amigos, tudo. Para os inimigos, a lei»), ou numa versão mais apurada («Para os amigos tudo, para os inimigos nada, para os outros cumpra-se a lei») atribuída a uma eminência luso-socialista, todos eles aparentemente inspirados em Maquiavel.

É por esse princípio orientador impregnar tão profundamente as práticas sociais e políticas no Portugal dos Pequeninos que o PS, partido que mais autenticamente adoptou esse princípio rebaptizando-o como «ética republicana», é o partido naturalmente destinado a governar. Daí não resulta ser inevitável que o PS governe - no domínio político-social não há inevitabilidades ou pelo menos não há inevitabilidades duradouras. Apenas é bastante mais difícil outro partido sem esse princípio ter condições de governar, tal como sem amigos se pode ir a muitos lados, porém com muito maior esforço.

02/07/2023

América Latina, uma região encalhada no tempo

O mês passado a Economist publicou um artigo sobre a produtividade na América Latina cujo título ("A land of useless workers”) provocou nalguns leitores mais sensíveis a dose de indignação que nos tempos pós-modernos se dedica a qualquer coisa que cheire a uma realidade desagradável.

E a verdade é que esta realidade é visivelmente desagradável quando comparada, por exemplo, a evolução da produtividade da América Latina (AL) com a do Leste Asiático (LA), abrangendo China, Japão, Mongólia, Coreias do Norte e do Sul e Taiwan.  

Em 1962 o produto per capita do LA era um terço o da AL, em 2012 o LA tinha alcançado a AL e em 2022 estava 40% acima. A Economist aponta várias causas possíveis: baixo nível de investimento, baixo nível educacional, falta de concorrência (as economias latino-americanas são um chão fértil para monopólios e oligopólios), uma gigantesca economia informal e a corrupção generalizada em todos os sectores mesmo da economia formal. 

É claro que, como é típico nas questões económicas e sociais, todos essas causas concorrem para o resultado e influenciam-se reciprocamente. Se, como Daron Acemoglu e James Robinson (Why Nations Fail: The Origins of Power, Prosperity, and Poverty), considerarmos o papel das elites insubstituível para o sucesso dos países, poderemos acrescentar uma causa precedente às citadas: as elites da AL são elites extractivas, isto é, elites parasitárias cujas origens, não certamente por acaso, remontam aos tempos das potências colonizadoras, elas próprias ainda hoje com elites com dificuldades, to say the least, de servirem de catalizadoras ao desenvolvimento económico e social, elites que segregam uma cultura colectivista e avessa ao risco.

22/03/2023

Da paixão socialista pela ópera nasceu o Opart, um aborto que produz abortos

Jorge Calado, entre muitas outras coisas, como professor, cientista e investigador, um melómano em geral e um amante de ópera em especial, escreveu o que se segue sobre a obra da cóltura socialista no Teatro Nacional de São Carlos. Só posso concordar.

«Suspeito que o São Carlos seja hoje o pior teatro nacional de ópera na Europa, ignorado pelas revistas da especialidade. (...)

Além de ignorância cultural, o atual TNSC sofre do chamado ‘problema parasitário português’, definido há quase um século por Augusto Reis Machado como uma “organização caracterizada pelo predomínio de grupos de indivíduos que exclusivamente tratam dos seus interesses em detrimento dos interesses gerais”. O pecado original remonta a 2007 com a invenção do Opart ou Organismo de Produção Artística — uma hidra de sete cabeças que deveria gerir os teatros nacionais (teatro, ópera e dança) em Lisboa e no Porto, e ‘o mais que adiante se veria’. Para desgraça da ópera, ficou com o São Carlos, funcionando como agência de jobs for the boys and girls. (Compare-se o número de funcionários do Teatro antes e depois e as respetivas produtividades.) Recordo apenas que os primeiros administradores nomeados se dirigiram ao São Luiz para tomar posse, pensando que era o São Carlos; houve depois um administrador que se mudou para Madrid (creio que por razões sentimentais), obrigando um funcionário do teatro a ir lá regularmente para assinatura da papelada. Outros têm usado as mais-valias do edifício, incluindo o Salão Nobre, para os seus negócios particulares, etc.

Decorre agora um concurso internacional (?), com um júri integralmente nacional (!) cabeceado pela presidente do Opart — juíza em causa própria? — para a nomeação da ou do próximo diretor artístico. Dos cinco elementos, apenas um é musicólogo! Quanto às 19 páginas de um arrazoado caricato intitulado ‘procedimento de seleção’ — intraduzível em língua decente — não passa de um ataque de ‘burrocracite’ aguda capaz de afugentar qualquer candidato culto, com dois dedos de inteligência. A má e delirante escrita reflete a incapacidade de pensar de quem o redigiu. Pelos lidos, ficamos a saber que acreditam que arte não é cultura (como reza o exercício prospetivo da atividade artística e cultural). Se não sabem pensar, muito menos saberão escolher. (...)

A conclusão é óbvia: deliberadamente não querem resolver o problema, para que tudo fique na mesma. Isto é, com o ignorante Opart como controleiro, à moda soviética. Serão elas e eles a determinar o que o diretor artístico fará. Nestas condições, o TNSC é irreformável. Só enxergo uma solução: começar novamente do princípio, com gente séria e capaz. Se José Sasportes vê a atual situação como comédia — na verdade, esta gente não merece mais do que troça — eu encaro-a como tragédia.»

09/02/2022

As manobras manipulativa do Czar Vlad denunciadas por quem sabe

 «Hoje, a humanidade vive na expectativa de uma guerra. E a guerra significa inevitáveis vítimas humanas, destruições, sofrimentos de um grande número de pessoas, o fim do modo de vida normal, a destruição de sistemas vitais de funcionamento de Estados e povos. Uma guerra grande é uma enorme tragédia e um crime grave. Acontece que no centro desta ameaçadora catástrofe está a Rússia. E pela primeira vez na sua história.

Antes, a Rússia (URSS) conduziu guerras inevitáveis (justas) e, guerra geral, quando não havia outra saída, quando estavam sob ameaça os interesses vitais do Estado e da sociedade.

E o que é que hoje ameaça a existência da própria Rússia, há semelhantes ameaças? Pode-se afirmar que, realmente, as ameaças estão à vista: o país está no limiar de terminar a sua história. Todas as esferas vitalmente importantes, incluindo a demografia, degradam-se constantemente e os ritmos de redução da população batem recordes mundiais. E a degradação tem um carácter sistémico e, em qualquer sistema complexo, a destruição de um dos elementos pode conduzir à queda de todo o sistema.

E, pensamos nós, esta é a principal ameaça para a Federação da Rússia. Mas esta ameaça tem uma natureza interna, que parte do modelo de Estado, da qualidade do poder e da situação da sociedade.

E as causas do seu aparecimento são internas: a inviabilidade do modelo estatal, a total incapacidade e falta de profissionalismo do sistema de poder e administração, a passividade e desorganização da sociedade. Nenhum país viverá muito nestas condições.

No que respeita às ameaças externas, elas estão incondicionalmente presentes. Mas, segundo peritagens nossas, elas, actualmente, não são críticas, não ameaçam directamente o Estado da Rússia, os seus interesses vitalmente importantes. Em geral, conserva-se a estabilidade estratégica, as armas nucleares estão seguras, os contingentes da NATO não aumentam, não há sinais de actividade ameaçadora.

Por isso, a situação crescente de tensão em torno da Ucrânia tem, antes de tudo, um carácter artificial, mesquinho para algumas formas internas, nomeadamente da Rússia.»

A denúncia das manobras do Czar Vlad a pretexto da Ucrânia é um excerto da mensagem ao Czar do general-coronel na reserva Leonid Ivashov em nome da União dos Oficiais da Rússia que José Milhazes traduziu e publicou no Observador, prestando um serviço a quem procurar conhecer a verdade por trás do nevoeiro informativo.

17/03/2021

O jornalismo de causas femininas queria dar um exemplo de que «o nosso cérebro é preconceituoso por sistema» e acaba a aceitar o nepotismo

 «... um pai está a levar o filho para uma entrevista de emprego numa grande empresa da bolsa. Quando chegam ao parque de estacionamento da empresa, o telemóvel do filho toca. Ele olha para o pai, que lhe diz: "Força, atende." Quem lhe está a ligar é CEO da empresa, que lhe diz: "Boa sorte, filho, vai correr bem". O filho desliga a chamada e olha para o pai, que está com ele dentro do carro. Como é que isto é possível?

As caras intrigadas das pessoas que são questionadas (que pode ver aqui) mostram como o nosso cérebro já é preconceituoso por sistema, mesmo que não queiramos que ele o seja: considero-me feminista e mesmo assim falhei estupidamente, o que muito me envergonha. Na verdade, é extremamente simples: o CEO da empresa é a mãe do rapaz.

A jornalista de causas femininas que escreveu a newsletter da Tribuna do Expresso, de onde cito o excerto acima, pretendeu dar um exemplo do preconceito de quem não concebe uma mulher como CEO de uma empresa e, sem dar por isso, não questiona o nepotismo dessa mulher que procura dar emprego ao filho na empresa que dirige, como se o nepotismo de uma mulher o tornasse eticamente aceitável.

09/01/2021

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (192) / Lost in translation (345) - Governo podia ter escolhido quem bem entendesse, disse o do Dr. Costa


«A quem compete designar o procurador na procuradoria europeia? Ao Governo. E o Governo podia ter escolhido quem bem entendesse.» perguntou e respondeu a si próprio o Dr. Costa no parlamento a propósito da nomeação do Dr. José Guerra.

Em vista das regras próprias para esta nomeação que foram ignoradas pelo governo, tive dificuldade em perceber o Dr. Costa e submeti a sua declaração ao nosso tradutor automático (um web bot de AI com machine learning baseada numa Neural Network com acesso a servidores de Big Data). Eis o resultado.

Só lembraria ao diabo nomear para uma procuradoria que tem por missão fiscalizar a aplicação dos fundos, que o governo pretender torrar como muito bem entender, uma criatura que não fosse da minha máxima confiança. Ora o Dr. Guerra começa por ser irmão de dois outros Drs. Guerra, a saber:

  • «o procurador do caso Casa Pia a quem (eu disse) que era preciso ligar com urgência a ver se se conseguia evitar a prisão iminente de Paulo Pedroso»
  • «o presidente do Instituto de Conservação da Natureza no tempo em que este torceu pareceres para viabilizar o Freeport».

Acresce que o nomeado Dr. Guerra «trabalhou no Eurojust sob a liderança de José Lopes da Mota, que por acaso integra hoje o gabinete de Francisca Van Dunem apesar de ter sido condenado a uma pena de suspensão de 30 dias por ter pressionado os procuradores do Ministério Público que estavam a investigar, olha a coincidência, o Freeport e José Sócrates»

Ora, quem mais além do Dr. José Guerra poderia ser nomeado pelo meu governo? Só se fosse algum dos seus irmãos, mas estavam já colocados em lugares da minha confiança.

Nota: suspeito que o web bot leu o artigo de José Manuel Fernandes sobre este assunto. Percebo. Afinal é um web bot de AI e pode escolher ler quem muito bem entenda.

20/08/2020

Putin é um modelo para todos os déspotas. Ele aproveita o melhor de vários mundos


Trata a oposição interna com os métodos de Koba, o Zé dos Bigodes. Recriou o KGB soviético, do qual foi agente, sob o nome de Serviço Federal de Segurança. Desfruta de um estatuto constitucional vitalício governando como o Czar de Todas as Rússias. Associou-se à igreja ortodoxa fingindo ser um modelo de conservadorismo moral. Adoptou uma espécie de capitalismo de Estado em regime de cleptocracia com os seus compadres. Combate os Estados democráticos seus inimigos com exércitos virtuais baratos usando as suas redes sociais.

01/08/2020

Entre a Rua do Comércio e a Threadneedle Street e entre a Av. da República e o One Angel Court a distância é mais ou menos a mesma

São aproximadamente 2.200 Km. É muito? Nem por isso. A maior distância é entre a instituição da Rua do Comércio n.º 148, que alberga o recém-chegado da Avenida Infante Dom Henrique n.º 1, e a instituição da Threadneedle Street. Ou entre a instituição da Avenida da República n.º 35 e a instituição de One Angel Court.

É um mundo de distância entre uma instituição paroquial como o Banco de Portugal, que já acolheu como governadores, entre outros, um seu funcionário, ex-secretário geral do Partido Socialista entre dois mandatos como governador, e acolhe agora um outro seu funcionário, ex-ministro das Finanças do governo socialista em curso, e uma instituição como o Bank of England cujo governador durante 8 anos foi o canadiano Mark Carney, anteriormente governador do Bank of Canada. 

É a mesma distância que separa outra instituição paroquial como a Associação Portuguesa de Bancos, com duas dúzias de associados, que já teve como presidentes ex-ministros e ex-secretários de Estado, como o actual presidente que desempenhou cargos governamentais durante 12 anos, e uma instituição como o UK Finance, com 250 entidades financeiras associadas, que está a anunciar em várias revistas internacionais o recrutamento de um CEO, a high profile and challenging opportunity for an ambitious, accomplished and visionary individual.

É um mundo de distância.

11/07/2020

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (191) - O algodão não engana. Isto é o socialismo lusitano

O Montepio, petit nom da Associação Mutualista Montepio, que tem no seu bojo a Fundação Montepio, o banco Caixa Económica Montepio Geral e a SGPS Montepio Seguros que detém a Lusitania, a Lusitania Vida e a Futuro (pensões), entre outras, é talvez a instituição portuguesa mais ocupada pelo aparelho socialista. Fizeram-se lá durante anos e ainda hoje, impunemente e com o apoio e participação de proeminentes luminárias socialistas, as maiores violações à lei, à ética empresarial e aos princípios e boas práticas de gestão.

Ao fim de muitos anos e muitos escândalos, Tomás Correia, uma espécie de dom Corleone de serviço ao mutualismo (ver este historial), foi finalmente deixado cair e procura-se agora um substituto. O nome mais recente em cima da mesa é o de Luís Campos e Cunha, que teve a insensatez de aceitar ser ministro das Finanças de Sócrates e a coragem e o bom-senso de sair do comboio em andamento quando percebeu o que lá se iria passar, dando lugar a Teixeira dos Santos, um executor manso e acomodado, que só dissidiu a pouco dias de não haver dinheiro para pagar os salários dos funcionários públicos   

Trilema de Žižek
O Dr. Campos e Cunha foi agora "indigitado" nas páginas dos jornais «como o rosto de uma alternativa à atual administração do Montepio». Inevitavelmente é um socialista - o outro contribuinte fez-lhe o teste que se revelou positivo - que tem a seu favor algumas atenuantes, ou seja é bom no género mau. Se não tivesse sido feito esse teste, quando fez saber em resposta à sua "indigitação" que «só avançaria com apoio do poder político», confirmou sem margem para dúvidas a autenticidade do seu socialismo e o processo em curso no Montepio confirma o ADN deste socialismo de compadres.

07/07/2020

O ruído do silêncio da gente honrada no PS é ensurdecedor (190) - No Estado Sucial não há conflito de interesse. Há interesses em conflito


«O PS não é só um partido, é uma máquina voraz com uma insaciável vocação de poder; não surpreende, portanto, que seja o elevador social preferido de alguns que, em circunstâncias normais, nunca passariam do rés-do-chão. Colonizar o Estado com os seus, como aqui sinalizei, é a primeira coisa que o PS faz quando chega ao poder; não só para satisfazer as vastas e fiéis clientelas, como alguns mais incautos podem pensar, mas para eliminar qualquer espécie de atrito ou necessidade de prestação de contas e de contraditório. E é nessa mesma linha que, na primeira oportunidade que tem, se vê livre das vozes e poderes mais incómodos, como procura fazer com a comunicação social e como fez com Joana Marques Vidal.»

Não há anjos em São Bento, Pedro Gomes Sanches no Observador

Um dos exemplos da voracidade do PS e do seu controlo sobre os mídia é a participação no comentário político de dirigentes partidários no activo e ocupando lugares públicos. É uma situação que em qualquer país civilizado não teria lugar. É verdade que quase todos os partidos o fazem, mas com o PS as coisas assumem proporções escandalosas, como no caso de Fernando Medina, o presidente da câmara de Lisboa onde sucedeu a António Costa e de quem se diz lhe sucederá na liderança do PS. A exemplo de Costa, a quem Pacheco Pereira ofereceu um palco no seu programa Quadratura do Círculo para minar a liderança de António Seguro, Medina dispõe de um púlpito na TVI24 onde faz comentário político.

Além da TVI24, Fernando Medina faz igualmente comentário político num programa de debate da Rádio Renascença onde ele e João Taborda da Gama, filho de Jaime Gama (cá está, outra vez, a grande família socialista), simulam confrontar-se. Apesar de se dizer próximo do CDS, João Taborda da Gama parece estar quase sempre de acordo com Medina. Poderia ser mera coincidência, não fosse o caso de Gama ter dois contratos de assessoria jurídica com a câmara de Lisboa, de nomeação directa, pelos quais factura uma bela soma de 17 mil euros por mês.

26/06/2020

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: No Portugal dos Pequeninos «sem “contactos” não se vai a lado nenhum»

«Mas nem sempre o sucesso das empresas depende apenas da qualidade dos seus gestores. Quando o regime capitalista é substituído pelo regime compadrista, muitos desses incentivos deixam de existir (há quem lhe chame “capitalismo de compadrio”, mas eu prefiro apenas “compadrismo” porque capitalismo e compadrio são expressões antagónicas). Se o sucesso de uma empresa depende mais das relações que essa empresa tem com o poder político do que com a sua capacidade de inovar e gerir de forma eficiente, ser bom gestor deixa de ser importante para se ter sucesso numa empresa. Aquilo que ganha relevância nas empresas é a capacidade de estabelecer as ligações certas.

Um bom exemplo disto é o socialista Seixas da Costa, um dos grandes acumuladores de cargos de administração em grandes empresas e, por “pura coincidência”, um grande adversário político das ideias liberais e da economia de mercado (os beneficiários dos regimes compadristas tendem a detestar o capitalismo e a economia de mercado). Seixas da Costa foi embaixador de Portugal na UNESCO. No exercício das suas funções, Seixas da Costa influenciou a UNESCO para permitir a construção da barragem do Tua, que destruiu parte do Património Mundial do Alto Douro. Teve sucesso na sua empreitada e quando deixou o cargo público tinha à sua espera um lugar de administrador na empresa concessionária da barragem (a EDP Renováveis) e na empresa que a construiu (a Mota-Engil). Para além destas duas empresas no sector da energia e da construção, ainda consegue ter “capacidade de gestão” para ser administrador da Jerónimo Martins no sector da distribuição. (...)

Em Portugal sem “contactos” não se vai a lado nenhum. Desde a pequena empresa que precisa de contactos na câmara para não estar sempre a levar com multas e fiscalizações à grande empresa cujo desempenho depende dos contactos no governo.»

O regime compadrista, Carlos Guimarães Pinto no Eco

Esta é uma questão transversal ao espectro político. Quase todos das esquerdas e muitos das direitas detestam a concorrência, não praticam a igualdade de oportunidades, adoptam o nepotismo como forma de vida e cultivam o inbreeding. O resultado é o Portugal dos Pequeninos.

18/06/2020

O Czar Putin e a sua câmara de desinfecção, um exemplo a seguir


Nem o Czar Nicolau II, nem mesmo Iosef Vissarionovich Djugashvilio, Koba para os amigos, se lembraram de montar uma câmara de desinfecção à entrada do Palácio de Inverno ou da sua datcha, por causa do tifo ou da peste bubónica, pela qual faria passar a sua corte ou os membros do Politburo, respectivamente. O amigo Donald Trump ainda vai a tempo de montar uma à entrada da Casa Branca e outra do Mar-a-Lago, em vez de usar a máscara.

13/03/2020

Porquê a manobra putinesca? Uma explicação possível

Interrogou-se o outro contribuinte sobre o propósito do que, talvez para irritar um melga que por aqui tem pousado, ele baptizou de "palhaçada" de um "frouxo": «Putin apoia proposta de emenda constitucional que lhe permitiria continuar no poder até 2036».

A Economist adianta uma explicação que parece bastante plausível pelo que se conhece de Putin, da sua clique e da Rússia actual. Na sua forma mais sintética, a explicação é Putin «tem muitos inimigos, e muitos comparsas que dependem dele». Se for isso, mais que frouxo, Putin mostra a prudência de um maquiavel eslavo antecipando que afastado do Kremlin perderá os seus comparsas e os seus inimigos ficarão com as mãos livres para lhe aplicar a receita que ele lhes vem aplicando, seguindo a tradição russa.

Aqui vai um excerto de «Prisioneiro no Kremlin - Por que Vladimir Putin não se pode se reformar»

«Mr Putin implied that the world was too stormy a place for him to abandon his position. A former kgb agent, he defined his role not merely as the defender of the constitution (which he is busily rewriting), but “the guarantor of the country’s security, domestic stability and evolutionary development”—evolutionary because “Russia had its share of revolutions.” It hardly needed saying that he was the only man capable of averting such mortal dangers. Still, it was said, and by none other than Valentina Tereshkova, a famous Soviet cosmonaut who is now an mp aged 83. She was given the role of voicing the reset proposal, which was promptly approved by the president and the Duma.

All of this was part of a special operation that Mr Putin launched in mid-January when he first announced plans for constitutional changes. The process was murky and abrupt. So it was in keeping with the style of a former kgb man whose own ascent to power was a special operation plotted in the corridors of the Kremlin. “A group of fsb agents assigned to work undercover in the government of the Russian Federation is successfully fulfilling its task,” he quipped in his speech to the fsb (the successor to the kgb) in December 1999 upon being made prime minister. He became president the following year.

12/03/2020

Um país infectado com os vírus da endogamia e do nepotismo e o elevador social avariado

«Mas a área não socialista não tem feito muito melhor. Para muitos daqueles que hoje falam em nome da direita, a mobilidade social importa pouco. Como a política é feita por aqueles que já estão no topo da hierarquia social, a mobilidade social não é um tema que desperte paixões. À direita o que desperta paixões hoje em dia é a conversa de salão de festas sobre a defesa dos valores e o futuro da civilização ocidental. O que excita a direita dos salões de festas é uma missão divina de defesa dos “valores da sociedade ocidental” mesmo que cada vez disfarcem pior o seu apego por quem tem discursos autoritários e intolerantes, opostos aos que sempre foram os valores da sociedade ocidental. Respondem ao perigoso identitarismo das minorias à esquerda com o ainda mais perigoso identitarismo da maioria. Respondem ao ridículo do politicamente correcto com um ainda mais ridículo politicamente javardo. Excitam-se todos nas redes sociais quando um grupo de ciganos ou de imigrante é acusado de um crime qualquer, mas ficam caladinhos quando o seu clube ou um escritório de advogados é suspeito de montar uma rede de corrupção e lavagem de dinheiro. Aproveitam qualquer desculpa para fazer discursos inflamados contra os grupos mais pobres e excluídos da sociedade, satisfazem-se na sua covardia de bater nos mais fracos socorrendo-se do argumento indigente de que é isso que chateia a esquerda. Perante um problema grave de mobilidade social e estagnação, tudo o que a direita parece ter para oferecer é o mesmo que a esquerda, uma guerra identitária: atirar pobres de um grupo contra pobres de outro grupo, esperando que enquanto se entretêm a lutar uns com os outros não tentem perceber onde está a verdadeira causa da sua pobreza.

Se a direita não serve para oferecer uma política alternativa de mobilidade social e de esperança, então, meus amigos, podem fazer as tertúlias que entenderem, organizar os movimentos que mais gostarem, as sessões de masturbação intelectual colectiva que vos derem mais prazer, se a direita não conseguir oferecer uma alternativa política de mobilidade social e coesão territorial, então, meus amigos, a direita não servirá para nada. Até pode eventualmente obter um bom resultado eleitoral e o poder, mas não servirá para nada. Não servirá para nada porque, ao contrário do que parecem pensar muitos dos que menosprezam os problemas de mobilidade social, estes problemas afectam todos, mesmo os que estão no topo da hierarquia. A busca da felicidade é o grande motor da economia e quando esse motor deixa de funcionar, todos ficam a perder. Como diz a música, quando o Homem sonha, o mundo pula e avança. Mas o contrário também é verdade: quando as pessoas deixam de poder sonhar, o país estagna e atrasa-se. E nós já estamos estagnados há 20 anos.»

Excerto da intervenção de Carlos Guimarães Pinto na II Convenção do MEL – Movimento Europa e Liberdade, provavelmente a única intervenção que foi além do onanismo habitual nestes eventos