Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

09/06/2014

SERVIÇO PÚBLICO: Teste para identificar socialistas

A maior parte das vezes é muito fácil identificar um socialista. O uso em frases consecutivas de três ou mais termos como «pessoas», «investimento público», «criar emprego», «Keynes» ou «keynesianismo», «estado social», «solidariedade», «cortes cegos», «pacto», «coesão social», «confiança», «desigualdades» é um critério seguro (não, não é uma piada ao Tozé) para se saber que estamos perante um socialista. Na dúvida, perguntamos se concorda na redução imediata da despesa pública - a resposta negativa elimina a dúvida.

Contudo, nem sempre as coisas são tão simples. Há casos de pessoas mais inteligentes e realistas em que o critério geral não permite confirmar o ADN socialista. Por exemplo, há pessoas que suspeitamos tenham esse ADN e, apesar disso, conseguem dizer ou escrever várias frases consecutivas sem aquelas palavras mágicas e até aceitam simplesmente como inevitável a redução da despesa pública - uma medida que um socialista encartado rejeita liminarmente.

Como despistar esse ADN de forma segura (continua a não ser uma piada ao Tozé)? Depois de muita meditação, julgo ter encontrado um teste definitivo e fácil de usar. Basta perguntar como pretendem reduzir a despesa pública. Perante uma resposta vaga ou procrastinação (temos de fazer estudos, temos que ouvir os funcionários, …) ou a indicação de uma categoria de peso marginal na despesa pública (por exemplo cortar nos subsídios às fundações) estamos perante um socialista.

Exemplo:

«Mas há muitas coisas que a política orçamental devia ter feito e não fez.

Quais?

Cortar na despesa.

Cortar na despesa é, entre outras coisas, cortar nos salários da função pública, mas o TC não deixou.

Para reduzir a despesa cortando 5% a toda a gente, baixando as pensões e reduzindo os salários, não precisamos de grandes gestores. Qualquer pessoa o consegue fazer.

Em que despesas se deve cortar, então?

Exatamente: onde se corta? A primeira coisa que se deve fazer é ir à procura de onde se corta, porque ninguém tem uma varinha mágica para o saber. Devem fazer-se auditorias de gestão. (…)

É importante fazer auditorias de gestão com os próprios funcionários porque é quem sabe onde está o desperdício. Aqui, sim, está uma área em que os privados podem dar uma ajuda, porque estão habituados a fazer isto nas empresas. (…)»

Luís Campos e Cunha, um socialista que tem a seu favor ter saído em andamento do comboio socrático nos primeiros três meses, em entrevista ao Observador.

1 comentário:

Carlos Conde disse...

Continua este prof Cunha a revelar os atributos que o tornaram um escolhido pelo PM Sócrates.
A argumentação que utiliza, se bem que ouvida frequentemente em tabernas, é um must.