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21/06/2014

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: Uma carta aberta com uma década de atraso

Secção Still crazy after all these years


A eurodeputada Ana Gomes, a Pasionaria a que temos direito, há décadas uma profissional da indignação, indignou-se uma vez mais com as malfeitorias que têm vindo a público no GES. E como da indignação à acção a nossa Pasionaria não passa pela reflexão, prontamente escreveu uma carta aberta (*) ao presidente do BCE exigindo que sejam investigados «o comportamento e a resposta das entidades supervisoras em Portugal».

Se há coisas com as quais concordo quase sempre, uma delas é que se façam investigações e, neste caso em particular, estou 200% de acordo, como disse aquele criador de porcos em relação aos bácoros que lhe morreram. Porém, teria concordado muito mais se a eurodeputada Ana Gomes tivesse exigido no passado múltiplas investigações às entidades supervisoras, nomeadamente ao Banco de Portugal onde estagiou (estagiar no sentido vinícola, por exemplo estagiar em madeira velha), durante 10 anos de 2000 a 2009, o seu colega do Partido Socialista Vítor Constâncio, o ministro anexo que nos intervalos de prestação de serviços ao governo Sócrates, assistiu com grande à vontade à fabricação dos casos BPN e BPP, ao assalto ao BCP pelo BES e pela Caixa e à instrumentalização da banca atrelada aos governos.

Por estas e por outras, leva Ana Gomes dois afonsos pelas tesuras que os Espíritos lhe suscitaram, quatro pilatos pela lassidão que mostrou durante o estágio de Vítor Constâncio, cinco chateaubriands pela confusão que lhe é habitual, três ignóbeis por mais uma vez adoptar a doutrina Somoza e cinco bourbons por não ter emenda.

(*) Segundo o nosso Glossário, carta aberta é uma contradição nos termos. Uma carta é fechada. Uma carta que é aberta, não é fechada (ver La Palice). É, pois, uma carta que não é uma carta. É uma circular que tem como destinatários reais toda a gente menos o destinatário formal. É também uma grande falta de vergonha de quem a escreve, ao divulgar os seus termos por terceiros, muitas vezes antes do destinatário a conhecer, sem cuidar de saber se autorizaria. É, em suma, um insulto à inteligência de todos os seus destinatários.

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