Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
Mostrar mensagens com a etiqueta carro eléctrico. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta carro eléctrico. Mostrar todas as mensagens

26/10/2021

ARTIGO DEFUNTO: Histórias motivadoras

Expresso

Uma história motivadora contada num post do director da Turbo:
«Ontem fui ao Porto de Porsche Taycan. No regresso decidi testar o novo ponto de carregamento super-rápido da Ionity/Brisa, em Leiria. Em 40 minutos “meti” 49,43kWh ou seja, aquilo que tinha gasto para fazer 190 km à incrível média de 104 km/h. Fiquei fascinado; foi o tempo de um jantar rápido e… seguir viagem.
A mobilidade 100% elétrica começava a fazer sentido para mim. Estava quase, quase -mesmo quase- a render-me. Até qu, já em casa recebi a fatura: 57,24€!!!!!
Assim: 18,13€ de energia e…31,13€ de utilização do posto (mais umas taxinhas).
Eis o milagre que nos querem impingir. Ou acampamos ao lado de um ponto de carregamento baratinho que precisa de várias horas para satisfazer as necessidades de viagem, ou aderimos àquilo que apresentam como o milagre tecnológico e… pagamos mais caro do que se abastecermos de gasolina. Garanto que àquela velocidade, num 911, teria gasto menos de 20 litros para os 190km. Ou seja, 40€. Paguei 57€ pela solução que os nossos governantes (e os de quase todo o Mundo) apresentam como “um fabuloso futuro”.
Recordo: 18€ de “combustível/energia” e 31€ respeitantes ao ponto de carregamento.
Uma pergunta para “um milhão de dólares”: o governo vai limitar a margem de lucro dos fornecedores de energia?
Tretas!»

19/05/2021

Pro memoria (411) – O choque com a realidade do carro eléctrico de Sócrates (VIII) - A tradição ainda é o que era

[Mais choques com a realidade do carro eléctrico de Sócrates]

Em retrospectiva:
  • Segundo os planos do governo socialista de José Sócrates, até 2020 existiriam 25 mil postos de carregamento e 180 mil veículos eléctricos;
  • Em Agosto de 2020, segundo o Alternative Fuels Observatory existiam cerca de 1.750 postos de carregamento, o equivalente a 1/14 da visão socrática;
  • No princípio de 2020, a CEO da EDP Comercial, Vera Pinto Pereira, disse que ambicionaria ter no final deste ano 300 postos de carregamento público e 750 pontos de carregamento privado.
Fast forward, Maio de 2021, a mesma CEO da EDP Comercial, Vera Pinto Pereira, diz que já tem 900 postos contratados e 500 operacionais, ou, dito de outro modo, dos 300 + 750 = 1050 que havia dito teria em 2020 tem menos de metade operacionais. Para compensar faz uma previsão de 40 mil em 2025 incluindo o estrangeiro.

Detecta-se aqui um padrão, não é verdade? É o padrão dos anúncios socialistas numa das empresas emblemáticas do regime, não por acaso em tempos uma coutada dos Espírito Santo, os banqueiros do regime, e agora do capitalismo de Estado chinês. 

Já o escrevi e repito, no Portugal dos Pequeninos isso não é um problema porque os eleitores não têm memória, a maioria dos políticos não têm vergonha, não existe algo a que se possa chamar opinião pública e a opinião publicada está a cargo de uma maioria de serventuários.

29/08/2020

Pro memoria (404) – O choque com a realidade do carro eléctrico de Sócrates (VII) - O PS vive da falta de memória dos cidadãos

[Mais choques com a realidade do carro eléctrico de Sócrates]

Numa entrevista que o Jornal Económico destaca na primeira página, o presidente da MOBI.E – a Entidade Gestora da Rede de Mobilidade Elétrica (EGME) «revela o projeto de instalação de postos de carregamento que aumentará a cobertura geográfica de 165 para 278 municípios, admitindo que a atual rede nacional duplicará no espaço de um ano». 

Vejamos o que se passou até agora com as Boas Novas Socialistas nesta matéria.

Segundo os planos do governo socialista de José Sócrates, até 2020 existiriam 25 mil postos de carregamento e 180 mil veículos eléctricos.

No princípio de 2020, a CEO da EDP Comercial, Vera Pinto Pereira, disse que ambicionaria ter no final deste ano 300 postos de carregamento público e 750 pontos de carregamento privado. 

Alternative Fuels Observatory

Como se pode ver no gráfico anterior existem actualmente no total cerca de 1.750 postos (*) de carregamento, o equivalente a 1/14 da visão socrática. Isto desacreditaria qualquer governo e qualquer partido em qualquer país civilizado. No Portugal dos Pequeninos isso não é um problema porque os eleitores não têm memória, a maioria dos políticos não têm vergonha, não existe algo a que se possa chamar opinião pública e a opinião publicada está a cargo de uma maioria de serventuários.

(*) O número existente em 2019 citado no post anterior era cerca de 3 mil e não os cerca de 1.700 que aparecem neste gráfico. Há várias explicações: (1) um erro do Alternative Fuels Observatory; (2) um erro do governo; (3) uma aldrabice do governo. Faça a sua escolha. 

29/02/2020

Pro memoria (399) – O choque com a realidade do carro eléctrico de Sócrates (VI) - O PS vive da falta de memória dos cidadãos

[Mais choques com a realidade do carro eléctrico de Sócrates]

Segundo os planos do governo socialista de José Sócrates, até 2020 existiriam 25 mil locais de carregamento e 180 mil veículos eléctricos.

Chegados a 2020, a CEO da EDP Comercial, Vera Pinto Pereira, disse há dias que ambicionaria ter no final deste ano 300 postos de carregamento público e 750 pontos de carregamento privado. Evidentemente que não é só a EDP a instalar pontos de carregamento. Vejamos então a evolução do número total de pontos segundo os dados do European Alternative Fuels Observatory.


Temos outra vez o multiplicador socialista do planeamento, neste caso 8,3 = 25.000 / 3.000.

Já que estamos com a mão na massa, vejamos a evolução do número de veículos eléctricos segundo a mesma fonte:


Aqui o multiplicador socialista do planeamento multiplicou-se ele próprio e atingiu 12 = 180.000 / 15.000.

Se quando o Dr. Costa abandonar S. Bento para ir estudar para Paris, a exemplo do seu mestre, ou entrar na fila de espera para Belém, como deve ser o seu desígnio, fizermos o balanço dos seus planos milagrosos comparando-os com a dura realidade, muito provavelmente veremos outra vez o multiplicador socialista do planeamento em acção (socialista).

30/05/2019

Mitos (289) - O povo gosta de eléctricos

Há um bom número de mitos acerca das energias renováveis e em particular sobre os veículos eléctricos, como se o seu fabrico não tivesse maiores impactos ambientais (devido principalmente às baterias) do que os veículos a combustíveis fósseis e como se a produção da electricidade que usam não tivesse impacto ambiental (uma parte dessa electricidade continua a ser produzida por centrais a carvão). [*] 

Um mito mais recente é o da suposta preferência pelos veículos eléctricos dos consumidores iluminados pelas preocupações ambientais. Mito muito celebrado nos primeiros meses do ano devido ao aumento da venda de veículos eléctricos, aumento com pouco significado quando se compara com uma base minúscula de umas centenas de veículos por mês.

A euforia arrefeceu em Abril quando as vendas desceram para metade. E porquê desceram? perguntareis. O que precisa de ser explicado não são as vendas em Abril, o que precisa de ser explicado são as vendas de Janeiro a Março "aditivadas" pelos incentivos fiscais que entretanto se esgotaram em Abril.

Por isso, não podemos concluir que o povo gosta de eléctricos. O povo gosta é de subsídios.

[*] Ver o link citado no segundo comentário.

16/12/2018

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (69) - O repórter das notícias locais

Outras preces

Descarrila um eléctrico na Lapa e a criatura que faz as vezes de PR vai a correr ao "local da ocorrência", onde chega um pouco atrasado, logo a seguir aos bombeiros, e fala à Nação através das televisões:
«Felizmente houve uma capacidade de resposta imediata e muito eficiente e o número de pessoas que já foi resgatado é muito superior àqueles que falta desencarcerar. (...) Vamos esperar, a ver se o saldo global é um saldo que não tenha vítimas que não sejam feridos.»
Sabe-se lá porquê, ocorreu-me, a conhecida estória verídica do último presidente da República do Estado Novo, almirante Américo Thomaz, que numa das suas visitas a um qualquer local pronunciou à Nação: «esta é a primeira vez que aqui venho, desde a última que cá estive».

17/09/2017

Pro memoria (357) – O choque com a realidade do carro eléctrico de Sócrates (IV)

[Continuação de (I), (II) e (III)]

Balanço no final de 2013:
  • Planos socráticos até 2020: 180 mil carros eléctricos e 25 mil locais de carregamento; 
  • No final de 2013 havia 1.300 pontos de carregamento normal, 50 pontos rápidos, postos que terão custado 15 milhões, e 426 carros eléctricos vendidos desde 2010 sendo 140 em 2013 até Outubro (Expresso); 
  • Desde 2010 até 2013 foram feitos 27 mil carregamentos - o que dá 555 euros de investimento por carregamento nos 1.300 pontos, equivalentes a 7 carregamentos por ponto e ano ou um carregamento em cada 52 dias.
Em 2014 foram vendidos 216 veículos eléctricos, 645 em 2015  e 756 em 2016. Em 2016 existiam cerca de 4.100 veículos eléctricos de todos os tipos (uma parte significativa do Estado ou empresas públicas) e até ao final do ano estima-se que serão cerca de 5.000 (fonte).

Comparemos Portugal com os países europeus com maior penetração de veículos eléctricos em relação a novos registos nos últimos 12 meses terminados em Julho, frota em Julho e número de postos de carregamento e número de veículos por posto de carregamento:

Noruega 31.063 ;  140.752 ; 11.520 ; 12,5
Suécia 9.413 ; 37.594 ; 4.522 ; 8,3
Bélgica 8.624 ; 24.705 ; 3.850 ; 6,4
Holanda  4.375 ; 115.210 ; 21.357 ; 5,4
Portugal  2.062 ; 5.580 ;  1.884 ; 3,0

(Fonte: novos registos e frota - EAFO ; número de postos de carregamento - ChargeMap)

Como seria de esperar também estes planos socráticos saíram furados, houve um enorme desperdício de recursos para plantar postos de abastecimento e provavelmente teremos de esperar talvez uma década para justificar a rede existente que entretanto continuará a crescer.

14/08/2015

Pro memoria (251) – O choque com a realidade do carro eléctrico de Sócrates (III)

[Continuação de (I) e (II)]

A última vez que aqui fizemos um balanço, no final de 2013, a situação era a seguinte:
  • Planos socráticos até 2020: 180 mil carros eléctricos e 25 mil locais de carregamento 
  • No final de 2013 havia 1.300 pontos de carregamento normal, 50 pontos rápidos, postos que terão custado 15 milhões, e 426 carros eléctricos vendidos desde 2010 sendo 140 em 2013 até Outubro (Expresso) 
  • Desde 2010 até 2013 foram feitos 27 mil carregamentos - o que dá 555 euros de investimento por carregamento nos 1.300 pontos, equivalentes a 7 carregamentos por ponto e ano ou um carregamento em cada 52 dias.
Em 2014 foram vendidos 216 carros eléctricos. Este ano existiam cerca de 900 carros eléctricos (uma parte significativa do Estado ou empresas públicas) e com um incentivo de 4.500 € venderam-se 187 até Maio. Sabe-se lá porquê (maldição da tabuada ou abate de pontos de carregamento) já só restam «mil postos de carregamento na via pública em cerca de 20 concelhos». (DN)

Entretanto, o governo ressuscitou o projecto Sócrates, vai instalar mais 49 pontos de carregamento e publicou a portaria 241/2015 prevendo que «o licenciamento da atividade de operação de pontos de carregamento será simplificado, de forma a estimular a emergência, num ambiente concorrencial, de novos operadores com cobertura nacional ou local».

Com essa concorrência, o número de pontos de carregamento por veículo e o custo por carregamento irão certamente aumentar. De onde se conclui que podemos continuar as políticas de Sócrates mesmo com o sujeito ausente.

15/12/2013

Pro memoria (153) – O choque com a realidade do carro eléctrico de Sócrates (II)

Pelos vistos nem só o carro eléctrico de Sócrates chocou com a realidade. Também o Acção Socialista Expresso parece um pouco perdido.

Se é verdade que estão completamente furados os planos socráticos de em 2020 haver 180 mil carros eléctricos e 25 mil locais de carregamento, o  Expresso que inventariava há 3 meses 1.100 pontos de carregamento e 400 veículos, no ontem inventariou 1.300 pontos de carregamento normal, 50 pontos rápidos, postos que terão custado 15 milhões, e 426 carros eléctricos vendidos desde 2010 sendo 140 este ano até Outubro.

Também ficámos a saber que desde 2010 foram feitos 27 mil carregamentos - o que dá 555 euros de investimento por carregamento, so far - nos 1.300 pontos, equivalentes a 7 carregamentos por ponto e ano ou um carregamento em cada 52 dias.

Quando um socialista/keinesyano vos tentar converter à bondade do investimento público e para mais decidido por gente com o currículo do engenheiro José Sócrates, se não vos ocorrer os muitos outros casos de desperdícios dos dinheiros públicos extorquidos dos bolsos privados, lembrai-vos ao menos do carro eléctrico.

16/09/2013

Pro memoria (132) – O choque com a realidade do carro eléctrico de Sócrates

Segundo os planos socráticos, em 2020 deveria haver 180 mil carros eléctricos e 25 mil locais de carregamento. Deve acrescentar-se que devido ao previsível fracasso desses planos megalómanos, a Nissan cancelou o investimento de 150 milhões de euros numa fábrica de baterias, anunciado por Sócrates, e ainda recordar-se que cada posto standard custou 3 mil euros e os de carregamento rápido 30 mil. Ponto de situação segundo o Expresso:


[Para mais informação, ver a etiqueta carro eléctrico]

28/02/2013

Pro memoria (102) – Aonde nos conduziram os carros eléctricos de José Sócrates (II)

Em 2009 o governo de José Sócrates criou a rede nacional de mobilidade eléctrica que previa 320 locais de carregamento e 1.300 em 2012. Em 2020, segundo os planos socráticos, deveria haver 180 mil carros eléctricos e 25 mil locais de carregamento.

08/01/2013

Pro memoria (86) - «Possível fracasso do carro elétrico»

O aviso é da ACEA, Associação de Construtores Europeus de Automóveis, e o carro eléctrico foi um dos projectos de novas tecnologias apadrinhado por José Sócrates, à pala do qual torrou uns milhões para montar uma rede de carregamento das baterias dos menos de 300 carros existentes com mais de mil postos a 3 mil euros por posto e os de carregamento rápido a custaram dez vezes mais, e nos torrou os neurónios com as suas excitadas intervenções fervorosamente transmitidas pelas televisões.

(Retrospectiva dos carros eléctricos de José Sócrates no (Im)pertinências)

27/10/2012

Pro memoria (75) – Aonde nos conduziram os carros eléctricos de José Sócrates

Há 3 anos o governo de José Sócrates lançou a rede nacional de mobilidade eléctrica que previa 320 locais de carregamento e 1.300 em 2012. Em 2020, segundo os planos socráticos, deveria haver 180 mil carros eléctricos e 25 mil locais de carregamento.

Deixando esta ficção socrática, que com as outras nos custou uma pré-falência, três anos depois existem 270 carros eléctricos e este ano apenas foram vendidos 44. Para carregar as baterias dos 270 carros existem mais de mil postos de carregamento que custaram 3 mil euros por posto e os de carregamento rápido custaram dez vezes mais. Existem, pois, quase 4 postos por cada carro eléctrico um investimento equivalente ao custo do próprio carro.

Por isso, meus amigos, antes de irdes às manifs chamar «gatunos» a estes tristes que estão no governo, lembrai-vos que são apenas os cobradores das facturas dos desvarios a que assististes – eventualmente, alguns de vós, com devoção.

(Retrospectiva impertinente dos carros eléctricos socráticos)

01/04/2012

Pro memoria (54) - Dúvidas que já não nos atormentam 3 anos depois

Dúvidas que na época nos atormentavam (republicação do post de 30-06-2009):

«O Governo lança hoje a rede nacional de mobilidade eléctrica, uma das primeiras da Europa, que prevê 320 locais de abastecimento de carros eléctricos em 2010 e 1.300 daqui a dois anos, para aproveitar o início da comercialização dos carros eléctricos da Renault Nissan.
O Governo português tem a expectativa de que Portugal possa vir a ter 180 mil carros eléctricos em 2020, ano em que o número de pontos de carregamento das baterias deverá rondar as 25 mil ligações.»
(
Jornal de Negócios)

Porquê só o governo, composto por gestores incompetentes de negócios inviáveis e falhados, vê estas oportunidades?

Não haverá um pequenino exagero em ter um ponto de carregamento para 7 carros eléctricos?

Três anos depois foram torrados mais de 3 milhões de euros, à razão de 3 mil por posto, em 1.020 postos de carregamento. Tratando-se de postos de carregamento rápido o investimento necessário será 30 mil.

Em 2020, se os 180 mil carros previstos forem 18 mil será um grande feito. Por agora são 230 o que dá quase 5 postos de carregamento ou 13 mil euros por cada carro eléctrico a circular.

NOTA: No próximo Natal, não esquecer de enviar um cartão de Boas Festas a agradecer ao homem que está em Sciences Po a estudar à custa das suas poupanças.

15/12/2011

Estado empreendedor (60) – baterias descarregadas

Não deveria surpreender ninguém, governos incapazes de fazer o Estado cumprir com eficácia e eficiência decentes as suas funções nucleares, como a soberania, a justiça e a segurança, mostrarem-se ainda mais incapazes a fazer opções decentes em matéria de investimento estratégico na economia.

E por isso também não deveria surpreender a Nissan ter suspendido o investimento fortemente incentivado de 159 milhões de euros na construção duma fábrica de baterias em Aveiro. E pelas mesmas razões, não deveria surpreender igualmente o flop das tretas sobre a rede de 1.300 postos de carregamento de baterias para os 179-veículos-179 vendidos até ao final de Novembro, à razão de 7-postos-7 por cada veículo.

Não deveria surpreender ninguém, salvo o Dr. Basílio Horta, a alma gémea do professor doutor Freitas do Amaral ainda carente das revelações já desfrutadas pelo arrependido professor. Segundo o Dr. Basílio, para suspensão do projecto da Nissan foi «foi determinante o abandono da política de mobilidade eléctrica».

O Dr. Basílio não explicou qual a influência do «abandono» considerando durante o 1.º semestre, em plena pujança dessa política, terem sido vendidos menos carros eléctricos do que no período do abandono entre Julho e Novembro. Também não explicou qual a influência dumas centenas a mais ou a menos de veículos vendidos num investimento numa unidade que produziria 50.000-baterias-50.000 por ano.

03/12/2011

Estado empreendedor (58) – cada tiro, cada melro (actualização)

(Sequela daqui e actualização dali)

Para carregar as baterias de uma dúzia de carros eléctricos (nas primeiras 6 semanas deste ano foram vendidos 3 dezenas, a maioria para o governo e empresas amigas) que irão circular no «corredor de mobilidade eléctrica Porto-Vigo» o governo de José Sócrates propôs-se torrar 1, 8 milhões de euros provenientes em grande parte do dinheiro alemão (o maior contribuinte líquido para os 70% de financiamento comunitário) e atrelou a esta carroça umas quantas empresas portuguesas e espanholas, que financiando 30% do projecto têm esperança de extrair daí algum lucro que certamente será pago pelos contribuintes portugueses e talvez espanhóis.

Aditamento de actualização (fonte SOL de 03-12):

Tudo por junto foram vendidos este ano 179 ou 0,12% do total

17/02/2011

Estado empreendedor (44) – cada tiro, cada melro

Para carregar as baterias de uma dúzia de carros eléctricos (nas primeiras 6 semanas deste ano foram vendidos 3 dezenas, a maioria para o governo e empresas amigas) que irão circular no «corredor de mobilidade eléctrica Porto-Vigo» o governo propõe-se torrar 1, 8 milhões de euros provenientes em grande parte do dinheiro alemão (o maior contribuinte líquido para os 70% de financiamento comunitário) e atrela a esta carroça umas quantas empresas portuguesas e espanholas, que financiando 30% do projecto têm esperança de extrair daí algum lucro que certamente será pago pelos contribuintes portugueses e talvez espanhóis.

Exagero meu, dirão. Provavelmente não, atendendo ao olho para o negócio que o governo tem abundantemente mostrado. Exemplo de hoje: depois de ter torrado 1 milhão de euros na Fitlene, o IAPMEI emite a certidão de óbito a mais uma empresa em que participou. Como seria inevitável, o empresário, chamemos-lhe assim, queixou-se do Estado por não torrado outros 5 milhões aprovados em Março e que nunca apareceram. Bendita crise orçamental, sem ela seria 6 milhões.

21/12/2010

SERVIÇO PÚBLICO: Mentiras inovadoras

«Faz-me impressão como se mente por cá. As eólicas, por exemplo, que dizem ser uma inovação, já existem desde o tempo dos faraós a bombear água no Egipto. A Dinamarca usa-as para gerar luz há 40 anos.

Carrinhas eléctricas distribuíam leite em Londres desde 1950. A GM vendeu um milhar de carros eléctricos há 30 anos, mas não trocava peças, pois o motor eléctrico não avaria, o escape podre não existe e é aí que ela tem o seu grande lucro. PME nórdicas fizeram milhares desses carros há 20 anos, mas as grandes travaram-nas. Na década de 40, a Suécia usou restos florestais para biogás em carros. Rudolf Diesel usou biodiesel em 1898; enquanto foi vivo, impediu o óleo mineral nos seus motores. O biogás, que aproveita dejectos e esgotos, é usado na Holanda há 30 anos para aquecer as quintas. Há 20 anos para gerar energia.

Em Israel, existe arrefecimento solar e até congelamento de peixe há 30 anos; e a fotovoltáica para iluminação há 40 anos. Na Califórnia, usa--se a energia geotérmica há 40 anos para aquecer e gerar electricidade.

Quando comecei a usar o skype, há 5 anos, havia 34 mil utentes paralelos. Hoje há 17 milhões. O invento já existia há anos, mas as grandes telecoms impediam-no de chegar ao mercado. Hoje, impedem-nos de usar o que há de mais moderno e impingem-nos só aquilo que lhes dá mais lucro. É um cartel defendido pelos governos da UE.

Em vez do Light-Alfa de alta velocidade enfiam-nos goela abaixo o ultrapassado TGV, que a própria França cancelou. Em vez do tram-train suburbano, num túnel por baixo do centro e dos rios, enfiam-nos a ultrapassada terceira ponte. Em vez das novas estradas com três faixas metem-nos auto-estradas que só se justificam na Alemanha e França, com 60 milhões de habitantes e 15 vezes a nossa superfície. Desde quando mentir é inovação?»

[Velhas inovações, por Jack Soifer, no Oje]

30/06/2009

Dúvidas que nos atormentam

«O Governo lança hoje a rede nacional de mobilidade eléctrica, uma das primeiras da Europa, que prevê 320 locais de abastecimento de carros eléctricos em 2010 e 1.300 daqui a dois anos, para aproveitar o início da comercialização dos carros eléctricos da Renault Nissan.
O Governo português tem a expectativa de que Portugal possa vir a ter 180 mil carros eléctricos em 2020, ano em que o número de pontos de carregamento das baterias deverá rondar as 25 mil ligações.»
(Jornal de Negócios)

Porquê só o governo, composto por gestores incompetentes de negócios inviáveis e falhados, vê estas oportunidades?

Não haverá um pequenino exagero em ter um ponto de carregamento para 7 carros eléctricos?