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21/10/2026

Crónica da passagem de um governo (72b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 72a)

Chrystal Clear. Part 2

Já aqui citei o aviso de Kristalina Georgieva aos governos sobre os riscos que a economia mundial enfrentará e da inevitável «orientação prudentemente restritiva na política monetária», com cortes das despesas públicas, redução da dívida pública e aumento das taxas de juro.

Agora o Fiscal Monitor da OCDE, cujo tema central (Taxing Better to Boost Growth) é em si uma mensagem aos governos dos países membros, a quem exorta a reduzir as distorções induzidas por impostos, preservando a receita total, repondo a neutralidade do IVA, melhorando o tratamento tributário dos custos de investimento, fortalecendo os incentivos ao trabalho e à inovação e os custos de conformidade para aumentar a produtividade. Não por acaso, em vão se procuram traços destes propósitos no OE 2027 do governo do Dr. Montenegro e também não é por acaso que o FMI não acredita em excedentes dos orçamentos futuros.

Coisas que saltam à vista no OE2027

Infografia (adaptada) do Expresso

Quando se olha para o diagrama acima, alguns números que nos assaltam:
  • A carga fiscal atingirá 125,5 mil milhões, o que corresponde a 36% do PIB nominal previsto para 2027 (em 2025 foi de 35,3%);
  • Um terço das receitas orçamentais (44,6 mil milhões) são contribuições sociais que na sua esmagadora maioria se destinam a financiar pensões futuras e que em grande parte irão ser torradas no presente;
  • O total das contribuições sociais (44,6 mil milhões) cobre menos de três quartos das prestações sociais – quem é que garantiu a sustentabilidade da segurança social?
  • As contribuições sociais só são ultrapassadas como fonte de receita pelos impostos sobre a produção e importação (IVA, na sua maior parte – 62%);
  • O Estado sucial aplicará menos de 10 mil milhões ou menos de 7% das suas despesas para investir no seu capital fixo.
De como o governo do Dr. Montenegro continua a circular na autoestrada mexicana do investimento público…

mais liberdade

Se o governo do Dr. Montenegro é um infortúnio, a oposição é uma desgraça. O berloquismo (1)

Da incompetência dos batalhões de apparatchiks e dos seus comandos resultam inevitavelmente erros, como o do pagamento de pensões mais elevadas do que as devidas pela lei a uns milhares de reformados, desta vez antigos apparatchiks recebendo pensões da CGA. Agora que o governo pretende, de acordo com a lei (princípio que até a DECO reconhece) o Berloque de Esquerda, uma agremiação em vias de extinção, agarra-se como um náufrago a uma boia e produz uma queixa de 43 (quarenta e três) páginas que o chefe da turma Dr. Pureza e o deputado sobrevivente entregaram na Procuradoria-Geral da República.

20/10/2026

Crónica da passagem de um governo (72a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
O perigo amarelo. Portugal no topo do mundo

«O perigo amarelo» (Gelbe Gefahr) foi uma expressão popularizada pelo Kaiser Guilherme II em meados da década de 1890, depois da vitória do Japão na Guerra Sino-Japonesa de 1894-1895. Desde então, tem servido, um pouco por todo o mundo, para justificar a discriminação em relação ao Japão e à China. Nos EUA, por exemplo, justificou o Chinese Exclusion Act de 1882 e na Segunda Guerra Mundial, o internamento forçado de japoneses residentes em campos de concentração.

Num país descapitalizado, por décadas a viver acima das posses, tem-se mostrado imune a tais preconceitos e tem acolhido com fervor e gratidão os capitais chineses. Tal como mostra o paper China's Global Ownership de Jennie Baie et al., que vem sendo citado na mídia portuguesa, o Portugal dos Pequeninos é o país com maior participação relativa do capital chinês.

Portugal quase no topo do mundo, noutra modalidade

Segundo o World Economic Outlook de outubro do FMI, o nosso Portugal dos Pequeninos, em três décadas, de 2001 a 2031, crescerá 41,6%, o que o faz o décimo país do mundo com menor crescimento nesse período, a seguir a nove países liderados por Porto Rico, que abrangem seis países em vias de subdesenvolvimento e três cansados de ser desenvolvidos, liderados pela Itália.

Take Another Plan. Percebe-se, ou é preciso fazer um desenho?

mais liberdade

É certo que a venda de 49,99% é bastante menos má do que manter o Estado sucial como accionista único e muito menos boa do que o Estado sucial vender a totalidade ou, vá lá, ficar com uma participação minoritária. O que não é certo, como por diversas vezes mostrei com contas elementares, é que de qualquer das opções de venda resulte a recuperação dos subsídios pagos à TAP com impostos dos contribuintes, como o gráfico acima mostra. É preço da governação socialista nas suas diversas modalidades, PS e PS-D. Já agora, veja-se o diagrama acima.

(Continua)

17/10/2026

Crónica da passagem de um governo (71c)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 71b)

O futuro no Estado sucial é mais difícil de prever do que o passado na União Soviética (2)

No seguimento do que escrevi há dois dias, acrescento que o fundamento da projecção do governo no OE 2027 de um Fundo de Estabilização inesgotável que em 2070 atingiria 254 mil milhões de euros resulta de não terem sido consideradas as responsabilidades por pensões da Caixa Geral de Aposentações que financia as pensões dos funcionários públicos admitidos até 2005, actualmente 662 mil pensões. Das duas, uma, ou bem o governo adoptou a contabilidade pública criativa ou bem o governo não pretende pagar as pensões dos hóspedes da vaca marsupial pública.

A fantasia revela-se ainda mais perigosa quando se sabe que as reservas do FEFSS, na sua maioria, estão aplicadas em dívida pública e o aumento das taxas de juros está a corroer o valor de mercado das OT detidas pelo fundo, que, em 3 meses, se estima tenham perdido 1,3 mil milhões.

Tal como a redução da dívida pelo Dr. Costa foi mais à conta da inflação do que pelas “contas certas”, assim é a redução da dívida pelo Dr. Montenegro

Já aqui mostrámos as ajudas da inflação à redução da dívida pelo Dr. Costa e pelo Dr. Montenegro. Sabemos agora que a redução em 2025 de 1,6% para 87,5% do rácio da dívida bruta se deve essencialmente ao efeito de -2,6% da inflação, sem a qual o rácio aumentaria para 88,5%.

Terá o Dr. Montenegro copiado a agenda do Dr. Costa?

A compra de uma participação na REN talvez pudesse ter feito sentido se tivesse sido bem explicada. A compra de uma participação de 5% no BCP para fazer companhia aos 19,90% da Sonangol e aos 20,45% da Fosun, não faria nenhum e, por isso, espera-se que não se aplique ao desmentido do governo aquela regra prática de «não acredites em nada até ser desmentido»,

Canários na mina de carvão

Os sinais de austeridade assinalados pela Dra. Kristalina Georgieva já foram visíveis nos leilões das OT de 3.ª feira passada em que a yield a 10 anos atingiu 3,897%, o valor mais alto desde 2014, precisamente um ano em que tivemos a companhia da troika. Nota anedótica: o Negócio titula «França volta a castigar dívida nacional». O OE 2027, apesar da redução prevista do stock da dívida, prevê um aumento de 1.548 milhões de euros da despesa com juros.

O corte de 1/3 dos fundos europeus de 9,8 mil milhões para 6,6 mil milhões no próximo ano e o aumento da contribuição para o orçamento da OE, em cima de uma queda do crescimento do PIB de 2,3% para 2% em 2027, além de colocarem o excedente no domínio da fantasia, vão cortar 31% no investimento público, ainda antes da viagem, inspirada nos governos do PS, na autoestrada mexicana do investimento público.

16/10/2026

Crónica da passagem de um governo (71b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 71a)

Como acabar com a ansiedade entre os funcionários públicos. Uma reforma inadiável

Segundo os especialistas, os hóspedes da vaca marsupial pública sofrem de ansiedade. Os especialistas não descobriram a razão, no entanto, pelo que é conhecido, e pelo aumento constante do seu número, não será certamente por burnout devido ao excesso de trabalho ou pela pressão para melhorarem as performances. Resta a hipótese de ser a angústia dos tempos mortos.

A essa luz, ganha sentido que a Administração Regional dos Açores tenha lançado um projecto-piloto (lá está, outro projecto-piloto) de redução do trabalho semanal de 35 para 32 horas e de cinco para quatro dias que teve imenso sucesso, na senda de uma iniciativa em grande escala que reduziu o horário para as 35 horas, sem impacto orçamental, garantiu à época o Dr. Centeno, além do aumento das despesas de saúde para o dobro em meia dúzia de anos e das filas de espera nos hospitais.

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

Aguardando com ansiedade a redução para 32 horas e quatro dias estão os funcionários do SNS24 que no 1.º semestre atenderam 3,62 milhões de chamadas (3,11 milhões no mesmo semestre do ano passado), cujos “utentes” esperam em média 5 (cinco) vezes mais tempo do que no ano anterior, apesar do aumento do número “profissionais” de 3.700 para 5.400 e da introdução da IA - ou será por causa do aumento e da introdução? (Fonte) Feitas as contas, a coisa converte-se em 670 chamadas atendidas num semestre por cada “profissional”ou 5,6 por dia de trabalho numa semana de cinco dias ou ainda uma chamada atendida a cada hora e meia.

Enquanto não nos tornarmos «um líder mundial na IA» por que não…

Como explica o deputado do IL Carlos Guimarães Pinto, o aumento da validade do passaporte de 5 para 10 anos está há dois anos a ser estudado por um grupo de trabalho com uma dúzia de apparatchiks, em representação de igual número de áreas governamentais. Ó, Dr. Matias, ponha lá a IA a tratar disso.

Dizem, injustamente, que o governo do Dr. Montenegro não faz reformas. Tomai lá…

… nada mais injusto, a proposta de OE2027 prevê uma poupança de 107,5 milhões de euros de 2026 até 2029 da despesa resultante da reforma orgânica do Ministério da Educação, Ciência e Inovação, ou seja, uma redução de 27 milhões em média por cada ano desse período, equivalente a 0,23% dos 11,5 mil milhões da despesa orçamentada para 2027. É obra! Bendita Pátria que tais governantes tem!

(Continua)

14/10/2026

Crónica da passagem de um governo (71a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Take Another Plan. Será a Luft tansa?

Parece que a Lufthansa irá comprar metade (49,9%) da TAP por 1.201 milhões, de modo que os 100% valeriam 2.407 milhões. Como os governos do PS sepultaram lá 3.340 milhões, as perdas entre 2016 e 2025 a TAP totalizaram 1.481 milhões e os lucros nesses anos foram de 321 milhões, incluindo o 1.º semestre de 2026, os prejuízos líquidos atingiram 1.231 milhões, montante que adicionado às injecções de capital totalizou 4.571 milhões que agora se concluiu valerem 2.407 milhões. Daqui resultaria que num país normal o líder parlamentar socialista, Dr. Eurico Brilhante Dias, que felicitou o seu partido pelo Dr. Montenegro ter previsto num comício que o seu governo iria recuperar com a venda da TAP todo o dinheiro lá enterrado pelo governo PS, deveria pedir demissão com efeitos retroactivos à data em que produziu tal desconchavo.

Dito isto, a Endgültige Lösung für TAP (pun intended) podia ter sido pior. A cultura alemã de gestão empresarial, com todas as suas fraquezas, complementa e contém o avacalhamento gestionário lusíada e uma TAP luso-alemã poderá ser um operador rentável – na condição do governo não usar os seus 50,1% para fazer o que costumam fazer os governos portugueses.

Onde estava o Dr. Centeno durante a falência socrática do Estado sucial?

Possuído por uma ambição mal servida por talento e atacado por uma verborreia incontida, o Dr. Centeno desdobra-se em declarações faladas e escritas. Exemplo destas últimas foi o seu artigo com um título a puxar ao manifesto político («Montenegro destrona Sócrates»), onde acusa o governo do Dr. Montenegro de colocar em causa as “contas certas” e “demonstra” que é mais despesista do que o do Eng. Sócrates. Seria uma declaração no mínimo arrojada, já que o Animal Feroz levou o Estado sucial à bancarrota e o Dr. Montenegro “apenas” não faz as reformas indispensáveis e não reduz tanto a dívida pública como poderia. Porém, não havendo memória de algum dia, na qualidade de diretor-adjunto do Departamento de Estudos Económicos do BdP de 2004 a 2013 ou em qualquer outra ou como cidadão, ter apontado o dedo à governação socialista do Eng. Sócrates, a sua declaração, mais do que arrojada, é desavergonhada.

No Estado sucial não há conflito de interesses. Há interesses em conflito

Como se não fosse suficiente, o Dr. Centeno confirmou a sua tendência para iludir os conflitos de interesse, evidenciada quando pulou do ministério das Finanças para o Banco de Portugal, pulando agora do Banco de Portugal, onde ocupava o lugar de governador, para a administração de uma seguradora que é um braço financeiro do grupo bancário espanhol Abanca, grupo que havia comprado o banco EuroBic,m com a aprovação do Dr. Centeno durante o seu consolado no Banco de Portugal.

Chrystal Clear

No seu discurso de abertura da assembleia anual do FMI, a directora-geral Kristalina Georgieva avisou claramente os governos dos riscos que a economia mundial enfrentará e da necessidade imperiosa de uma «uma orientação prudentemente restritiva na política monetária», ou seja, cortem as despesas públicas, reduzam as dívidas e preparem-se para pagar juros mais elevados.

O futuro no Estado sucial é mais difícil de prever do que o passado na União Soviética (*)

Uma avaliação da sustentabilidade do sistema público de pensões num país normal seria feita por um modelo reconhecido, como o Overlapping Generations Model (ver aqui uma descrição resumida), e conduziria à constatação ululantemente óbvia que algures dentro de menos de uma geração o fundo de reserva estará esgotado como, sem gastar muito latim, foi constatado por um actuário que que sabe do que fala aqui citado. No mesmo sentido, o relatório «Reformar as Pensões em Portugal» do grupo de trabalho nomeado pelo governo conclui que a reserva é insuficiente e o sistema só será sustentável com uma reforma profunda.

E chegamos assim às projecções do governo no OE 2027 que sonha com um Fundo de Estabilização inesgotável que em 2070 atingirá 254 mil milhões de euros.

(*) Uma piada popular recorrente na URSS, citada, entre outros, pelo historiador soviético russo Natan Yakovlevich Eidelman. 

(Continua)

08/10/2026

Crónica da passagem de um governo (70b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 70a)

O Estado sucial mau pagador é o mesmo Estado sucial mau cobrador

Que o Estado sucial paga tarde e a más horas aos seus fornecedores é um facto antigo e bem conhecido. Menos conhecido e sobretudo menos falado é o Estado sucial ser um mau cobrador aos seus devedores, nomeadamente os contribuintes. É o que ficamos a saber ao ler o parecer à conta geral do Estado de 2025 do Tribunal de Contas que nos informa que existiam quase 30 mil milhões de euros, o equivalente a cerca de 10% do PIB desse ano, em cobrança coerciva, o que é equivalente é cerca de 45% da receita fiscal do ano, sendo que cerca de 40% é dívida incobrável e 60% desta dívida diz respeito a empresas que deixaram fiscalmente de existir.

O Estado sucial é mau pagador, mau cobrador e senhorio incompetente

Dos mais de 3000 imóveis propriedade de Segurança Social, quase 1000 estão devolutos, ocupados indevidamente ou sem contrato de arrendamento válido. Em 2025 o número de edifícios devolutos ou com a ocupação indevida aumentou 14% (fonte: parecer à conta geral do Estado do TdC). Isto já seria bastante grave se não existisse em Portugal uma séria carência na oferta de habitação. Nestas condições concretas, uma entidade pública gerir com semelhante desleixo um recurso escasso é algo do foro criminal.


O Estado sucial faz o bem sem olhar a quem

Ainda pela via do Tribunal de Contas, que, podemos especular, está a cobrar ao governo os conflitos sobre as suas competências, governo a quem acusou de «procurar denegrir a imagem do Tribunal perante a opinião pública», ficámos a saber que o governo torrou mais de meio milhão de euros em subsídios cujos propósitos e beneficiários não são conhecidos.

O SNS como lugar geométrico da cunha

Cada vez que se escarafuncha um organismo público, rapidamente se encontra uma cloaca de onde emanam odores a cunhas. Aconteceu mais uma vez com o caso das gémeas que espoletou uma investigação do DIAP onde se concluiu que a bolha político-mediática usa recorrentemente a via da cunha.

O governo evita uma «hecatombe social»

O alerta do Dr. Dominguinhos, presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento de que se, com o fim do PRR, «a consequência for a devolução do dinheiro vamos ter uma hecatombe social», não caiu em orelhas moucas e foi escutado pelo Dr. Castro Almeida, ministro da Economia, que já convenceu o governo a aprovar um financiamento de 200 milhões para acabar as obras inacabadas até ao final de 2027, garantindo assim que não haverá um euro dos contribuintes europeus que não seja torrado.

Está a ser difícil distinguir as “contas certas” do Dr. Sarmento das do Dr. Centeno

As contas do 1.º semestre apresentaram um saldo orçamental positivo equivalente a 0,5% do PIB. Como o Conselho Económico e Social constatou, a coisa foi possível graças à «sobreorçamentação ou subexecução do investimento», por outras palavras, graças à autoestrada mexicana do investimento público.

Fonte

Onde ainda existe alguma diferença é no crescimento da despesa pública que está mais imparável com o Dr. Sarmento, como mostra o gráfico acima,

Em conclusão, a visível decomposição do PS-D…

… vai ser o terreno fértil, suspeito, para o socialismo de direita ou de esquerda chegarem ao poder, o que pode não ser muito pior e, com alguma sorte, pode ser uma cura para as ilusões de um eleitorado viciado no facilitismo e na procura de soluções mágicas. 

06/10/2026

Crónica da passagem de um governo (70a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
O Dr. Montenegro não se poupa a tentar resolver os grandes problemas nacionais

E foi assim que interveio no momentoso quid pro quo entre Cristiano Ronaldo, um jogador em fim de carreira que já foi um dos melhores do mundo, e o Sr. Jorge Jesus, um seleccionador cuja ignorância da língua portuguesa não o impede de obter bons resultados. E ainda teve tempo de telefonar ao Sr. Proença, presidente da Federação e antigo árbitro bem-sucedido, dizem, mas que falhou na arbitragem entre o CR7 e Jesus.

A tragédia dos alunos sem professor é uma comédia de baixas e de imobilidade

Para não me repetir, remeto para o item "Afinal quantos professores temos?", onde concluí que não se sabe quantos professores existem, sendo certo que durante o consolado costista o número de alunos se reduziu em cem mil, redução parcialmente compensada pela invenção de novas disciplinas.

Como as baixas no presente ano lectivo só na primeira semana ultrapassaram os dois mil professores e os milhares de professores do Norte que não estão a dar aulas não estão disponíveis para vir para o Sul, só por milagre se evitariam os 664 horários por preencher na região de Lisboa (fonte)

Deve um ministro responder pelos erros de uma plataforma?

Já se sabia há mais de dois meses e está agora claro que a causa principal dos atraso na avaliação da provas está os erros da Plataforma de Classificação e Supervisão (PCS), desenvolvida por uma empresa Blat seleccionada por um instituto com autonomia administrativa (Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação - EduQA).

O Estado sucial português é o garante do direito ao aborto nos PALOP

Segundo a DGS, mais de quatro em cada dez IVG (o nome politicamente correcto do aborto) foram de mulheres estrangeiras, e mais de metade destas provenientes dos PALOP.

Não é o turismo que é de mais, é o resto que é de menos

O Dr. Machado, secretário de Estado do Turismo, estima que o turismo vai crescer este ano 2,5%, e ultrapassar 32 milhões de turistas e 125 milhões de dormidas. Dizem os detractores do turismo que este crescimento aumenta a dependência de um sector muito volátil com qualificações e salários baixos que manterão baixa a produtividade do trabalho. Os detractores esquecem que, com a prevista redução futura dos dinheiros de Bruxelas, é preciso encontrar um sucedâneo que evite ter de fazer reformas.

Primeiro estranha-se, depois entranha-se

A CReSAP é uma entidade criada pelo governo de Passos Coelho para avaliar os candidatos a nomeações para cargos públicos. Foi completamente ignorada durante os consolados do Dr. Costa, cujos governos enxamearam o aparelho do Estado sucial com gente incompetente ou/e corrupta. Pelos vistos, o governo actual está a seguir o mesmo caminho, nomeando 85% a 90% dos quadros que já ocupavam o cargo em regime de substituição, isto quando não fazem como o Dr. Pinto Luz que nomeou o seu chefe de gabinete para presidente do Instituto de Mobilidade e Transportes.

É por isso que o preço da gasolina é uma questão nacional

Como se vê no gráfico seguinte, o aumento do preço dos combustíveis está a dificultar o uso do automóvel pelos pobres que constituem quase 90% da população. 

mais liberdade

Entretanto, os neoliberais entendem que o aumento do preço dos combustíveis é apenas o resultado do aumento do preço das matérias-primas devido ao bloqueio de um quinto da produção mundial que passava, e agora não passa, pelo Estreito de Ormuz. Em consequência, dizem os neoliberais, é um problema que não se resolve com subsídios directos ou indirectos (o nome politicamente correcto de tirar dinheiro a uns para dar a outros) mas com o ajuste da procura à oferta, como o estão a fazer os consumidores ignorantes destas subtilezas (o consumo de combustíveis reduziu-se 10,3% em resposta ao aumento de 6,3%).

(Continua)

28/09/2026

Crónica da passagem de um governo (69b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 69a)

O governo do Dr. Montenegro não faz reformas, faz engordas

O dinheiro dos contribuintes europeus canalizado pelo PRR – a bazuca do Dr. Costa - serviu também para contratar um batalhão de 1.300 funcionários que «o fim do PRR ameaça deixar desempregados trabalhadores que o Estado contratou», e que o ministro da Economia já prometeu fazer «o possível» para os manter como utentes da vaca marsupial pública na companhia dos restantes 767 mil.

O Dr. Montenegro ou o Dr. Sarmento deveria seguir a sugestão do Dr. Centeno…

… «explicando onde é que o Governo vai cortar 12 mil milhões de euros para cumprir metas europeias», uma vez que o governo está a contar com um excedente da Segurança Social que não existe e as contas públicas têm um «défice profundo». O Dr. Centeno está carregado de razão, apenas faltou dizer que o Dr. Montenegro e o Dr. Sarmento estão a contar com um inexistente excedente que o Dr. Costa e ele próprio contaram.

Vale a pena acrescentar que chegaram tarde as preocupações de “contas certas” de um Dr. Centeno que garantiu que a reversão para 35 horas não teria impacto orçamental (o aumento da despesa pública em Saúde duplicou entre 2015 e 2025) e converteu o investimento público na autoestrada mexicana do PS.

Take Another Plan. SATA, uma TAP açoriana

Recordemos, uma vez mais, que a SATA, a companhia regional de aviação dos Açores, assinou em 2016 um contrato de leasing de um avião Airbus A330 que custou até 2023 mais de 40 milhões de euros, com o avião estacionado desde 2019 no aeroporto Sá Carneiro, por custar mais caro mantê-lo a operar. Entretanto, a SATA recebeu ajudas de 453 milhões de euros e só em 2023 a comissão de inquérito do parlamento açoriano se deu conta. Descobriu-se mais tarde que a SATA estava tecnicamente falida, ninguém parece saber qual o montante exacto do passivo e procura-se desde 2024 um candidato privado para comprar o mono.

Como se fosse pouco, o governo dos Açores, que tem usado o dinheiro dos contribuintes para sustentar o elefante branco da SATA, aumentou as taxas aeroportuárias ao ponto da Ryanair ter decidido terminar há 6 meses a sua operação iniciada em 2015, que deu um importante contributo para o crescimento do turismo açoriano. Resultado: desde Abril o turismo para os Açores caiu 8% e teve menos 100 mil turistas.

“O acerto de contas chegou” (*)

Trading Economics

Como mostram os gráficos, as yields das obrigações a 10 anos do Tesouro português e do Tesouro americano (e de muitos outros), que vinham a crescer desde o início do ataque americano ao Irão, estão a atingir máximos de uma década. O Dr. Centeno deveria ter também pedido ao Dr. Montenegro ou ao Dr. Sarmento para explicarem como é que vão ser pagos os juros crescentes das próximas emissões e como vai ser compensada a redução resultante do aumento das yields do valor de mercado de 25 mil milhões de euros das OT que fazem parte do  Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social.

(*) Ricardo Reis, um pouco antes de não ser nomeado economista-chefe do FMI.

27/09/2026

Crónica da passagem de um governo (69a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Reformar implica mexer nos interesses estabelecidos e sujeitar-se à presunção de culpa

O Dr. Fernando Alexandre é um dos raros ministros que tentaram meter o pau no vespeiro do ministério da Educação e por isso tem tido a retribuição oferecida pela coligação do costume, a saber: a Fenprof, o PS e toda a esquerda, o socialismo de direita do Chega, a comentadoria do regime e o jornalismo de causas. À falta de ganas e oportunidade para uma pega de caras, tentam pegar-lhe de cernelha, como esta em que insinuam com sonsice um qualquer cambalacho obscuro com a Deloitte porque o ME lhe adjudicou dois contratos de serviços de consultoria, única consultora das dez consultadas que apresentou propostas, God knows why.

O Dr. Montenegro quer continuar a política de extorsão fiscal do Dr. Costa?

Tudo indica que sim, camuflado com devoluções de IRS, que não chegam para mandar cantar um cego, como diz o povo. Segundo o INE, a carga fiscal em 2025 aumentou de 35,0% para 35,3%.

O lado B dos "centros de dados" ou a «socialização do custo da energia»

Como tenho vindo a lembrar, a estratégia constantemente verbalizada pelo Dr. Matias de fornecer aos grandes operadores de centros de dados energia eléctrica abundante e barata produzida em "fazendas" de painéis solares chineses que alimentam resmas de processadores desenhados nos EUA e fabricados em Taiwan para armazenar resmas de dados europeus, terá como consequência aumentar o stress da rede eléctrica até ao ponto de ruptura do sistema e socializar o custo da energia. Ainda antes dos delírios do Dr. Matias terem efeitos devastadores, devemos ter em conta que, nesta altura, já existem 37 centros de dados em funcionamento que consomem por ano 1,86 terawatts-hora, o equivalente ao dobro do consumo doméstico de electricidade na cidade de Lisboa, e a previsão para 2030 para os centros de dados e outras indústrias de alta intensidade eléctrica é dez vezes superior (fonte).

Os rituais domésticos para baixar o preço dos combustíveis

Para fazer chover em tempo de seca, tribos de caçadores-recolectores adoptavam rituais como bater tambores ritmicamente para imitar o som dos trovões, soprar água pelos dentes para simular a neblina ou agitar chocalhos cheios de sementes para reproduzir o som das primeiras gotas a cair no solo.

No Portugal dos Pequeninos, em tempo do aumento do preço dos combustíveis resultante do concurso entre os guardas-revolucionários xiitas e a corte do imperador Donaldo, os consumidores organizam procissões ao som de buzinas de “utentes” na Ponte 25 de Abril e marchas lentas de camionistas na A1. Suspeito que as procissões e as marchas lentas sejam mais eficazes para compelirem o governo a extorquir mais uns dinheiros aos “utentes” para subsidiar os preços do que os rituais dos caçadores-recolectores para convencerem os deuses a fazer chover.

(Continua)

22/09/2026

Crónica da passagem de um governo (68b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 68a)

A popularidade dos ministros diz mais sobre os eleitores do que sobre os ministros

Segundo o Tracking poll da CNN, além do incontornável saco de pancada do MAI Dr. Neves, são os ministros das áreas onde algo foi mudado ou tentado mudar os mais penalizados. Os mais populares são os ministros que distribuem ou parecem distribuir dinheiro (Finanças, Agricultura, Economia) ou que não têm impacto no quotidiano do eleitor (Ambiente, Negócios Estrangeiros).

Por alguma razão o Dr. Costa pronunciava “protividade”

Como já vimos, em dez anos, a economia portuguesa registou o quarto menor aumento de produtividade, abaixo, ou mesmo muito abaixo, do pelotão dos países ex-soviéticos. Segundo os cálculos da Associação Business Roundtable Portugal, a produtividade do trabalho por hora trabalhada, em paridade do poder de compra, é actualmente de 66,9% da média da UE, mais baixa do que a registada em 2000 (67,6%).

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

Gostaria de poder explicar como foi possível o DN ter concluído que, com 11,4 milhões de residentes, a actualização do Registo Nacional de Utentes do SNS apurou mais de 19 milhões de inscritos e «deu médico de família a mais 107.453 utentes» - a única explicação que me ocorre é a conhecida ubiquidade dos portugueses ou um milagre da multiplicação dos utentes.

É mais fácil lançar projectos-piloto do que tornar eficiente a administração pública

O expediente adoptado por quase todos os governos (com a possível excepção do governo de Passos Coelho que governou encapsulado pelo Memorando de Entendimento) para “reformar” a administração pública foi de criar novos órgãos, departamentos, comissões, grupos de trabalho, estruturas de missão ou de projectos-piloto, como o agora anunciado para formar 100 mil trabalhadores em inteligência artificial, projecto do qual que, na melhor hipótese, não resultará nada e, na pior e mais provável, levará a concluir que serão necessários mais meios e a contratação de mais uns milhares de utentes da vaca marsupial pública, como o “reforço” da ASAE com 55 novos inspectores.

Em alternativa a eliminar a burocracia que emperra a máquina administrativa, como a «gestão de todos os licenciamentos, construção ambiental e industrial», o Dr. Matias imagina uma burocracia gerida pela IA com os mesmos procedimentos e, naturalmente, envolvendo mais uns milhares de apparatchiks formados em IA.

Para começar são mais 1,2 mil milhões de palha para a vaca marsupial pública

Citando o Jornal Eco, ainda antes de quaisquer medidas que aumentem a despesa corrente, o OE 2027 terá de contar com um aumento de 1.231 milhões de euros da despesa com pessoal da Administração Pública.

O contributo da esquerda “inteligente” para tornar obtusos os jovens

mais liberdade

Este é o resultado de dez anos de facilitismo para tornar os alunos felizes, de propaganda da identidade do género e do ideário woke.

21/09/2026

Crónica da passagem de um governo (68a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
O Dr. Fernando Alexandre poderá não ser um génio da governação e ainda que fosse…

… não conseguiria evitar que com a extinção da DGEstE (Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares) um bando de apparatchiks sindicais não pusesse o pauzinho na engrenagem e usasse o jornalismo de causas para inchar o número de alunos ainda não colocados (umas centenas nalguns concelhos da zona da Grande Lisboa, onde se concentram filhos de imigrantes).

… como não conseguiria evitar a epidemia habitual de baixas nesta altura do ano lectivo que só na primeira semana ultrapassou os dois mil professores.

… como não conseguiria evitar que o Dr. Carneiro inventasse que esta foi a primeira vez em que houve alunos sem aulas no início do ano lectivo, que o jornalismo amigo instalado nas redacções não fizesse o agitprop do costume, insinuando que haveria menos candidaturas às universidades por causa da avaliação dos exames, quando, finalmente, as candidaturas aumentaram 33% face ao ano anterior.

Andam obcecados pelo 6.º preço mais caro da gasolina…


… ainda assim um preço mais baixo do que a média da UE e esquecem o que verdadeiramente importa - o quarto aumento mais baixo da produtividade em 10 anos.

A saga dos cacilheiros. Epílogo ou talvez não

Em 2019 foram comprados cacilheiros eléctricos pela Transtejo, uma das muitas empresas públicas geridas por apparatchiks lunáticos, cacilheiros que, ficou a saber-se, ficaram acostados vários anos por falta de baterias e um deles foi severamente danificado por ter chocado com o cais devido ao mau tempo - foram projectados para navegar em lagos. Sete anos depois, o Dr. Pinto Luz apresentou com visível satisfação a frota eléctrica.

Canários na mina de carvão

Até Agosto, da produção automóvel caiu 6,3% em termos homólogos, queda que, com a crise que atravessa a indústria automóvel europeia ameaçada pela concorrência chinesa, não é provável que seja conjuntural.

“O acerto de contas chegou” (*)

A emissão de mil milhões de BT a 12 meses na semana passada fez-se a uma taxa de 3,103%, 49 pontos-base acima da emissão de Maio do mesmo prazo.
(*) Ricardo Reis, um pouco antes de não ser nomeado como economista-chefe do FMI

A redução da dívida foi mais à conta da inflação do que pelas “contas certas” do Dr. Costa

mais liberdade

(Continua)

14/09/2026

Crónica da passagem de um governo (67)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Preparemo-nos para a autoestrada mexicana do Dr. Sarmento

Durante o consolado do Dr. Centeno e dos seus sucessores foi prática orçamental da política das “contas certas”, inventada pelo Dr. Costa, comparar sistematicamente o investimento público orçamentado no ano (sempre empolado e nunca executado) com o investimento público executado no ano anterior (sempre inferior ao orçamentado para esse ano) e anunciar estar sempre a aumentar quando na verdade não aumentava ou mesmo diminuía.

Com a redução ou a extinção dos excedentes orçamentais e a distribuição do bodo aos pobres da descida de IRS e da gratificação de Natal aos pensionistas, o Dr. Miranda Sarmento pode ver-se na necessidade de adoptar o expediente que ele tão fortemente criticou há cinco anos («A farsa orçamental continua… mesmo em tempos de pandemia») e que baptizámos de autoestrada mexicana do investimento. É o que se pode deduzir da garantia do MF aos deputados de que se a coisa correr mal a resposta «não assentará em aumentos generalizados de impostos, nem em cortes indiscriminados nos serviços públicos, preservando antes o equilíbrio através de controlo rigoroso da despesa e priorização das medidas com maior impacto económico e social» (fonte)

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

O número de cirurgias no 1.º semestre desceu nas três maiores regiões de saúde e caiu 4,7% no total nacional, enquanto o número de “utentes” na fila aumentou 278 mil ou 4,2% do total (fonte).

«Portugal não esperou pela Europa. Fez o trabalho de casa»

Foi o que, face à proposta apresentada pela CE, disse o Dr. Pinto Pangloss Luz, "trabalho de casa" que o governo diz ter feito com o programa “Construir Portugal”.

O trabalho de casa

O número de edifícios licenciados caiu 9,7% no primeiro trimestre e 7,1% no segundo (fonte).

“O acerto de contas chegou” (*)

Taxa de inflação (Trading Economics=


Euribor Rates

(*) Ricardo Reis, um pouco antes de não ser nomeado como economista-chefe do FMI

No topo errado do ranking da UE

Expresso

Tendo como base o ano de 2025, em dez anos a economia portuguesa teve, até ao segundo trimestre deste ano, o quarto aumento mais baixo da produtividade, abaixo ou mesmo muito abaixo do pelotão dos países ex-COMECON que, libertos do jugo do Estado Soviético, têm tido uma progressão muito mais rápida do que a do Portugal dos Pequeninos liberto do jugo do Estado Novo.

10/09/2026

Crónica da passagem de um governo (66b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 66a)

Canários na mina de carvão

[Recordo que nas minas de carvão se usavam canários que são muito sensíveis ao monóxido de carbono e ao metano para alertar os mineiros de um perigo iminente.]

Aparentemente está tudo a correr bem na mina. Até uma jornalista íntegra e profissional como Helena Garrido, não sente o cheiro do metano (o monóxido de carbono não tem odor). Estamos a crescer, o desemprego é historicamente baixo, os salários crescem acima da inflação, a dívida pública continua a diminuir e as contas públicas estão equilibradas e, cereja no topo do bolo, a Fitch subiu a notação de A para A+. Até poderia ter celebrado a redução do défice da balança comercial de bens (como este jornal) e não o fez, eventualmente porque olhou para o comportamento do conta corrente e viu esta evolução da balança corrente

Trading Economics

Depois vêm as más notícias. A pior de todas é que a produtividade do trabalho – o indicador crucial que reflecte a capacidade do país criar riqueza – é a quarta mais baixa da UE e voltou a cair no 2.º trimestre

Expresso

A segunda pior é que, se é certo que a dívida pública tem vindo a diminuir, tudo aponta para os juros irem aumentar, como as pessoas mais atentas já perceberam (A subida dos juros vai doer, O acerto de contas chegou) e os mercados já anteciparam, e mostram as yields da dívida colocada nos últimos dias que aumentaram face à últimas emissões 29 (prazos 8,7 e 3,4 anos) e 55 (prazo 8 anos) pontos base. (fonte)

Com o metano a vazar na mina, a gerência acende uma fogueira para aquecer os mineiros

E o que faz o governo para mitigar os riscos externos e internos que ameaçam a economia portuguesa? Ora, faz o que sabe fazer. Em plena orgia de oratória, a propósito das trapalhadas do Dr. Neves, o Dr. Montenegro anuncia o bodo aos pobres com uma descida de IRS e uma gratificação de Natal aos pensionistas. Isto é coisa de pobres com pouca vergonha, o Sr. Trump, que é rico sem vergonha, prometeu USD 5.000 a cada adulto se o seu partido ganhar as eleições intercalares.

09/09/2026

Crónica da passagem de um governo (66a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Coisas que me assombram (1)

O mesmo Ministério Público que correu a abrir um inquérito aos atrasos na digitalização dos exames do secundário empurrou durante semanas com a barriga para a frente a abertura do inquérito às trapalhadas do Dr. Neves. E, tanto quanto se saiba, não foi por pensar que as trapalhadas do tanque-piscina, das obras de 15 mil euros e das outras miudezas, todas por junto, não valeriam o esforço de uma Justiça caquética que anda há mais de uma década a investigar e julgar o Sr. Eng. Sócrates e a sua golpada, a maior desde Alves dos Reis (com um apartamento em Paris em vez de um banco comercial).

Coisas que me assombram (2)

A mesma Inspeção Geral das Atividades em Saúde que abriu uma investigação ao Hospital Garcia de Orta, reconhecido como um dos hospitais onde faltam obstetras, por ter fechado a consulta de IVG (o nome woke de aborto), não se deu ao trabalho de investigar o que se passou com um doente crónico de 70 anos com sinais de AVC que só foi observado 23 horas depois de ter entrado no Hospital Amadora-Sintra com pulseira amarela (atendimento máximo em 1 hora).

Coisas que me assombram (3)

(3a) Para que precisa uma urgência pediátrica de um hospital, na circunstância, o de Dona Estefânia, de 9 (nove) chefes e 
(3b) por que se demitem en masse os 9 (nove) chefes «exclusivamente» das «funções de coordenação e chefia», isto é, das funções para as quais foram nomeados chefes. (fonte)

Governo e oposição encharcam-se em gasolina (alguém poderia acender um fósforo?)

O aumento do preços dos combustíveis é provavelmente uma das poucas coisas sobre as quais governo e oposição nada podem fazer, para além de obrigar os contribuintes a pagar mais impostos para terem combustíveis uns cêntimos mais baratos. Pois é precisamente um dos temas em que o governo e a oposição socialista mais se têm engalfinhado, a propósito do dinheiro que o governo do Dr. Montenegro estaria a ganhar «à custa do sacrifício dos portugueses» e do dinheiro que o governo do Dr. Costa «se fartou de ganhar dinheiro à custa da subida dos preços» (ver aqui um sumário da discussão mais estúpida desde Dona Maria II). É uma mistura inextricável de desfaçatez e ignorância.

O desastre de uma década de políticas educacionais woke e a lei de Merton

Não deveria ter surpreendido ninguém, mas, como sempre, neste Reino de Pacheco nunca se antecipam as consequências do que se faz. Os resultados do PISA 2025 (o Programa Internacional de Avaliação de Alunos da OCDE, trienal, para avaliação do desempenho escolar, realizado desde 2000) caíram como uma bomba. Um recuo de duas décadas no desempenho em Leitura e Matemática.

O Dr. João Costa o último dos ministros de Educação do Dr. Costa mostrou o máximo de seriedade que se pode esperar de um ministro socialista e disse que «não descarta responsabilidades» e remeteu as soluções para «os países [se sentarem] à mesa», se fosse religioso, invocaria o Espírito Santo.

Não vou desenvolver a coisa (o outro contribuinte diz que vai escrever um post sobre esta desgraça educacional e outras) e apenas saliento mais uma aplicação da lei de Merton ou das consequências indesejadas: o facilitismo foi um dos álibis do woke para proteger os pobres e não é que o PISA 2025 revela que os alunos pobres estão quatro anos atrasados em relação aos outros…
 
(Continua)

02/09/2026

Crónica da passagem de um governo (65b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 65a)

«Funcionamento irregular da instituições»?

O Dr. Adalberto Campos Fernandes, socialista e ministro da Saúde do Dr. Costa, durante três anos de que não há memória de ter apontado “irregularidades”, e conselheiro do Presidente da República, diz, a propósito das trapalhadas miúdas de que é acusado o Dr. Luís Neves, haver «sinais muito preocupantes que indiciam materialmente um funcionamento irregular das instituições». Teria o Dr. Adalberto toda a razão se as instituições do Estado sucial lusitano tivessem por hábito funcionar “regularmente”. Como o que é regular nas instituições durante governações como as do Eng. Sócrates ou do Dr. Costa são as irregularidades, o Dr. Adalberto deveria ter dito algo como «há sinais muito preocupantes que indiciam materialmente o funcionamento regular das instituições».

O que está em causa na REN? A resposta à opacidade do governo tem sido o “liberalismo” dos iliberais (2)

Está por explicar (para além da explicação para retardados que o governo deu) o racional do governo para comprar uma participação de 13,7% na REN, o operador da rede eléctrica de alta tensão. O silêncio do governo foi preenchido pelo cacarejar de vozes “liberais” em protesto pela intervenção do governo numa empresa privada, apenas interrompido por um comentário com pés e cabeça do Eng. Mira Amaral, concorde-se ou não.

E assim se evita a «hecatombe social» prenunciada pelo Dr. Dominguinhos

Perante a proximidade do fim do PRR e o atraso para aplicar os respectivos dinheiros da bazuca, o Dr. Dominguinhos, presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento, alertou que «se a consequência for a devolução do dinheiro vamos ter uma hecatombe social». O ministro da Economia ouviu o apelo e garantiu que não haveria devolução. Pelo contrário, haveria complementação pelo OE 2027 que financiará todos os projectos em “conclusão substancial” no final de Agosto, seja lá o que isso for. Os bafejados pelo anúncio suspiraram de alívio e os contribuintes que o pagarão não deram por nada.

Canários na mina

Primeiro os trinados: puxado pelas exportações, o PIB cresceu 2,5% em termos homólogos no 2.º trimestre e 0,8% face ao 1.º trimestre (INE). É poucochinho, diria o Dr. Costa se ainda por cá andasse.

Depois os pios: a inflação foi 3,3% em Agosto pelo que a variação média nos últimos 12 meses subiu para 2,7% (INE); o endividamento da economia aumentou 39,6 mil milhões no primeiro semestre de 2026, com o sector público a subir 22,6 mil milhões, a dívida das empresas privadas a crescer 4,2% e a dos particulares 9,9%, em termos homólogos (BdP); os yields da dívida pública portuguesa atingem máximos de 5 anos.

Trading Economics

A estes pios dos canários junta-se o grasnar da CE que faz um prognóstico baseado nas novas regras orçamentais para o crescimento da despesa pública que em Portugal se prevê seja 5,6% em 2026, acima do limite de 5,1%, e em 2027 atinja 5,5%, muito acima do limite de 1,2%, por força do crescimento da despesa corrente (mais liberdade).

01/09/2026

Crónica da passagem de um governo (65a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Take Another Plan (1). Os lucros caem ou os prejuízos sobem. Isso é uma constante. Variáveis são as causas

A TAP acabou de anunciar os resultados do 1.º semestre, que foram perdas de 71 milhões atribuídas ao aumento do preços do jet fuel. O aumento dos preços dos combustíveis, devido à guerra de estimação do Sr. Trump com os aiatolás, explica 89 milhões e o aumento dos custos com pessoal explica 36 milhões. Se os preços do combustível se tivessem mantido constantes, ainda assim, a TAP teria tido um resultado medíocre de 18 milhões, face aos mais de 2 mil milhões de receitas do semestre, resultado que se segue a uma queda dos lucros de 70% em 2024 e de 90% em 2025. Enfim, trocos face aos 3.340 milhões de euros de subsídios lá enterrados.

Take Another Plan (2). Para os socialistas, no perder é que está o ganho ou a maldição da tabuada

O Dr. Eurico Brilhante Dias, líder parlamentar socialista, felicitou o seu partido pelo Dr. Montenegro ter previsto num comício que o seu governo iria recuperar com a venda da TAP todo o dinheiro lá enterrado pelo governo PS (3.340 milhões). Se o Dr. Brilhante soubesse a tabuada, teria concluído que entre 2016 e 2025 a TAP apresentou perdas em 2016 e entre 2018 e 2021, totalizando 1.481 milhões, e lucros nos restantes anos, totalizando 321 milhões. Ou seja, apresentou no conjunto desses anos, incluindo o 1.º semestre de 2026, prejuízos líquidos de 1.231 milhões que consumiram 37% dos subsídios lá torrados.

Que o Dr. Brilhante possa ter escrito isso sem que a comentadoria deste Reino de Pacheco tenha feito o menor reparo aos disparates do Bloco Central da Asneira, não chega a ser surpreendente (Camilo Lourenço fez o reparo, mas não faz parte do Reino de Pacheco), dá uma medida da indigência mental dos comentadores encartados.

No Portugal dos Pequeninos o lucro empresarial é um pecado tolerado - desde que seja pouco

mais liberdade

Que apenas durante o período da crise financeira de 2012-2018 as empresas portuguesas tenham tido margens de lucro superiores à média dos 38 países da OCDE é mais difícil de explicar do que a queda das margens nas últimas décadas.

A China aposta na alta tecnologia portuguesa

O investimento directo estrangeiro não é grande coisa e também não é animador o capital chinês acreditar na "tecnologia avançada" da indústria portuguesa e ir investir 30 milhões numa fábrica de fiação a húmido de linho e cânhamo.

Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não…

… destacar alguns polícias dos pantagruélicos efectivos policiais do Portugal dos Pequeninos - o quarto país da UE com mais polícias por 100 mil habitantes -, para policiar a linha de alta velocidade Évora-Elvas, onde já se queimaram 460 milhões e continua sem ser certificada, devido aos furtos de equipamentos de catenária, sinalização e telecomunicações.

(Continua)