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28/09/2026

Crónica da passagem de um governo (69b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 69a)

O governo do Dr. Montenegro não faz reformas, faz engordas

O dinheiro dos contribuintes europeus canalizado pelo PRR – a gazua do Dr. Costa - serviu também para contratar um batalhão de 1.300 funcionários que «o fim do PRR ameaça deixar desempregados trabalhadores que o Estado contratou», e que o ministro da Economia já prometeu fazer «o possível» para os manter como utentes da vaca marsupial pública na companhia dos restantes 767 mil.

O Dr. Montenegro ou o Dr. Sarmento deveria seguir a sugestão do Dr. Centeno…

… «explicando onde é que o Governo vai cortar 12 mil milhões de euros para cumprir metas europeias», uma vez que o governo está a contar com um excedente da Segurança Social que não existe e as contas públicas têm um «défice profundo». O Dr. Centeno está carregado de razão, apenas faltou dizer que o Dr. Montenegro e o Dr. Sarmento estão a contar com um inexistente excedente que o Dr. Costa e ele próprio contaram.

Vale a pena acrescentar que chegaram tarde as preocupações de “contas certas” de um Dr. Centeno que garantiu que a reversão para 35 horas não teria impacto orçamental (o aumento da despesa pública em Saúde duplicou entre 2015 e 2025) e converteu o investimento público na autoestrada mexicana do PS.

Take Another Plan. SATA, uma TAP açoriana

Recordemos, uma vez mais, que a SATA, a companhia regional de aviação dos Açores, assinou em 2016 um contrato de leasing de um avião Airbus A330 que custou até 2023 mais de 40 milhões de euros, com o avião estacionado desde 2019 no aeroporto Sá Carneiro, por custar mais caro mantê-lo a operar. Entretanto, a SATA recebeu ajudas de 453 milhões de euros e só em 2023 a comissão de inquérito do parlamento açoriano se deu conta. Descobriu-se mais tarde que a SATA estava tecnicamente falida, ninguém parece saber qual o montante exacto do passivo e procura-se desde 2024 um candidato privado para comprar o mono.

Como se fosse pouco, o governo dos Açores, que tem usado o dinheiro dos contribuintes para sustentar o elefante branco da SATA, aumentou as taxas aeroportuárias ao ponto da Ryanair ter decidido terminar há 6 meses a sua operação iniciada em 2015, que deu um importante contributo para o crescimento do turismo açoriano. Resultado: desde Abril o turismo para os Açores caiu 8% e teve menos 100 mil turistas.

“O acerto de contas chegou” (*)

Trading Economics

Como mostram os gráficos, as yields das obrigações a 10 anos do Tesouro português e do Tesouro americano (e de muitos outros), que vinham a crescer desde o início do ataque americano ao Irão, estão a atingir máximos de uma década. O Dr. Centeno deveria ter também pedido ao Dr. Montenegro ou ao Dr. Sarmento para explicarem como é que vão ser pagos os juros crescentes das próximas emissões e como vai ser compensada a redução resultante do aumento das yields do valor de mercado de 25 mil milhões de euros das OT que fazem parte do  Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social.

(*) Ricardo Reis, um pouco antes de não ser nomeado economista-chefe do FMI.

27/09/2026

Crónica da passagem de um governo (69a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Reformar implica mexer nos interesses estabelecidos e sujeitar-se à presunção de culpa

O Dr. Fernando Alexandre é um dos raros ministros que tentaram meter o pau no vespeiro do ministério da Educação e por isso tem tido a retribuição oferecida pela coligação do costume, a saber: a Fenprof, o PS e toda a esquerda, o socialismo de direita do Chega, a comentadoria do regime e o jornalismo de causas. À falta de ganas e oportunidade para uma pega de caras, tentam pegar-lhe de cernelha, como esta em que insinuam com sonsice um qualquer cambalacho obscuro com a Deloitte porque o ME lhe adjudicou dois contratos de serviços de consultoria, única consultora das dez consultadas que apresentou propostas, God knows why.

O Dr. Montenegro quer continuar a política de extorsão fiscal do Dr. Costa?

Tudo indica que sim, camuflado com devoluções de IRS, que não chegam para mandar cantar um cego, como diz o povo. Segundo o INE, a carga fiscal em 2025 aumentou de 35,0% para 35,3%.

O lado B dos "centros de dados" ou a «socialização do custo da energia»

Como tenho vindo a lembrar, a estratégia constantemente verbalizada pelo Dr. Matias de fornecer aos grandes operadores de centros de dados energia eléctrica abundante e barata produzida em "fazendas" de painéis solares chineses que alimentam resmas de processadores desenhados nos EUA e fabricados em Taiwan para armazenar resmas de dados europeus, terá como consequência aumentar o stress da rede eléctrica até ao ponto de ruptura do sistema e socializar o custo da energia. Ainda antes dos delírios do Dr. Matias terem efeitos devastadores, devemos ter em conta que, nesta altura, já existem 37 centros de dados em funcionamento que consomem por ano 1,86 terawatts-hora, o equivalente ao dobro do consumo doméstico de electricidade na cidade de Lisboa, e a previsão para 2030 para os centros de dados e outras indústrias de alta intensidade eléctrica é dez vezes superior (fonte).

Os rituais domésticos para baixar o preço dos combustíveis

Para fazer chover em tempo de seca, tribos de caçadores-recolectores adoptavam rituais como bater tambores ritmicamente para imitar o som dos trovões, soprar água pelos dentes para simular a neblina ou agitar chocalhos cheios de sementes para reproduzir o som das primeiras gotas a cair no solo.

No Portugal dos Pequeninos, em tempo do aumento do preço dos combustíveis resultante do concurso entre os guardas-revolucionários xiitas e a corte do imperador Donaldo, os consumidores organizam procissões ao som de buzinas de “utentes” na Ponte 25 de Abril e marchas lentas de camionistas na A1. Suspeito que as procissões e as marchas lentas sejam mais eficazes para compelirem o governo a extorquir mais uns dinheiros aos “utentes” para subsidiar os preços do que os rituais dos caçadores-recolectores para convencerem os deuses a fazer chover.

(Continua)

22/09/2026

Crónica da passagem de um governo (68b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 68a)

A popularidade dos ministros diz mais sobre os eleitores do que sobre os ministros

Segundo o Tracking poll da CNN, além do incontornável saco de pancada do MAI Dr. Neves, são os ministros das áreas onde algo foi mudado ou tentado mudar os mais penalizados. Os mais populares são os ministros que distribuem ou parecem distribuir dinheiro (Finanças, Agricultura, Economia) ou que não têm impacto no quotidiano do eleitor (Ambiente, Negócios Estrangeiros).

Por alguma razão o Dr. Costa pronunciava “protividade”

Como já vimos, em dez anos, a economia portuguesa registou o quarto menor aumento de produtividade, abaixo, ou mesmo muito abaixo, do pelotão dos países ex-soviéticos. Segundo os cálculos da Associação Business Roundtable Portugal, a produtividade do trabalho por hora trabalhada, em paridade do poder de compra, é actualmente de 66,9% da média da UE, mais baixa do que a registada em 2000 (67,6%).

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

Gostaria de poder explicar como foi possível o DN ter concluído que, com 11,4 milhões de residentes, a actualização do Registo Nacional de Utentes do SNS apurou mais de 19 milhões de inscritos e «deu médico de família a mais 107.453 utentes» - a única explicação que me ocorre é a conhecida ubiquidade dos portugueses ou um milagre da multiplicação dos utentes.

É mais fácil lançar projectos-piloto do que tornar eficiente a administração pública

O expediente adoptado por quase todos os governos (com a possível excepção do governo de Passos Coelho que governou encapsulado pelo Memorando de Entendimento) para “reformar” a administração pública foi de criar novos órgãos, departamentos, comissões, grupos de trabalho, estruturas de missão ou de projectos-piloto, como o agora anunciado para formar 100 mil trabalhadores em inteligência artificial, projecto do qual que, na melhor hipótese, não resultará nada e, na pior e mais provável, levará a concluir que serão necessários mais meios e a contratação de mais uns milhares de utentes da vaca marsupial pública, como o “reforço” da ASAE com 55 novos inspectores.

Em alternativa a eliminar a burocracia que emperra a máquina administrativa, como a «gestão de todos os licenciamentos, construção ambiental e industrial», o Dr. Matias imagina uma burocracia gerida pela IA com os mesmos procedimentos e, naturalmente, envolvendo mais uns milhares de apparatchiks formados em IA.

Para começar são mais 1,2 mil milhões de palha para a vaca marsupial pública

Citando o Jornal Eco, ainda antes de quaisquer medidas que aumentem a despesa corrente, o OE 2027 terá de contar com um aumento de 1.231 milhões de euros da despesa com pessoal da Administração Pública.

O contributo da esquerda “inteligente” para tornar obtusos os jovens

mais liberdade

Este é o resultado de dez anos de facilitismo para tornar os alunos felizes, de propaganda da identidade do género e do ideário woke.

21/09/2026

Crónica da passagem de um governo (68a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
O Dr. Fernando Alexandre poderá não ser um génio da governação e ainda que fosse…

… não conseguiria evitar que com a extinção da DGEstE (Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares) um bando de apparatchiks sindicais não pusesse o pauzinho na engrenagem e usasse o jornalismo de causas para inchar o número de alunos ainda não colocados (umas centenas nalguns concelhos da zona da Grande Lisboa, onde se concentram filhos de imigrantes).

… como não conseguiria evitar a epidemia habitual de baixas nesta altura do ano lectivo que só na primeira semana ultrapassou os dois mil professores.

… como não conseguiria evitar que o Dr. Carneiro inventasse que esta foi a primeira vez em que houve alunos sem aulas no início do ano lectivo, que o jornalismo amigo instalado nas redacções não fizesse o agitprop do costume, insinuando que haveria menos candidaturas às universidades por causa da avaliação dos exames, quando, finalmente, as candidaturas aumentaram 33% face ao ano anterior.

Andam obcecados pelo 6.º preço mais caro da gasolina…


… ainda assim um preço mais baixo do que a média da UE e esquecem o que verdadeiramente importa - o quarto aumento mais baixo da produtividade em 10 anos.

A saga dos cacilheiros. Epílogo ou talvez não

Em 2019 foram comprados cacilheiros eléctricos pela Transtejo, uma das muitas empresas públicas geridas por apparatchiks lunáticos, cacilheiros que, ficou a saber-se, ficaram acostados vários anos por falta de baterias e um deles foi severamente danificado por ter chocado com o cais devido ao mau tempo - foram projectados para navegar em lagos. Sete anos depois, o Dr. Pinto Luz apresentou com visível satisfação a frota eléctrica.

Canários na mina de carvão

Até Agosto, da produção automóvel caiu 6,3% em termos homólogos, queda que, com a crise que atravessa a indústria automóvel europeia ameaçada pela concorrência chinesa, não é provável que seja conjuntural.

“O acerto de contas chegou” (*)

A emissão de mil milhões de BT a 12 meses na semana passada fez-se a uma taxa de 3,103%, 49 pontos-base acima da emissão de Maio do mesmo prazo.
(*) Ricardo Reis, um pouco antes de não ser nomeado como economista-chefe do FMI

A redução da dívida foi mais à conta da inflação do que pelas “contas certas” do Dr. Costa

mais liberdade

(Continua)

14/09/2026

Crónica da passagem de um governo (67)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Preparemo-nos para a autoestrada mexicana do Dr. Sarmento

Durante o consolado do Dr. Centeno e dos seus sucessores foi prática orçamental da política das “contas certas”, inventada pelo Dr. Costa, comparar sistematicamente o investimento público orçamentado no ano (sempre empolado e nunca executado) com o investimento público executado no ano anterior (sempre inferior ao orçamentado para esse ano) e anunciar estar sempre a aumentar quando na verdade não aumentava ou mesmo diminuía.

Com a redução ou a extinção dos excedentes orçamentais e a distribuição do bodo aos pobres da descida de IRS e da gratificação de Natal aos pensionistas, o Dr. Miranda Sarmento pode ver-se na necessidade de adoptar o expediente que ele tão fortemente criticou há cinco anos («A farsa orçamental continua… mesmo em tempos de pandemia») e que baptizámos de autoestrada mexicana do investimento. É o que se pode deduzir da garantia do MF aos deputados de que se a coisa correr mal a resposta «não assentará em aumentos generalizados de impostos, nem em cortes indiscriminados nos serviços públicos, preservando antes o equilíbrio através de controlo rigoroso da despesa e priorização das medidas com maior impacto económico e social» (fonte)

Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

O número de cirurgias no 1.º semestre desceu nas três maiores regiões de saúde e caiu 4,7% no total nacional, enquanto o número de “utentes” na fila aumentou 278 mil ou 4,2% do total (fonte).

«Portugal não esperou pela Europa. Fez o trabalho de casa»

Foi o que, face à proposta apresentada pela CE, disse o Dr. Pinto Pangloss Luz, "trabalho de casa" que o governo diz ter feito com o programa “Construir Portugal”.

O trabalho de casa

O número de edifícios licenciados caiu 9,7% no primeiro trimestre e 7,1% no segundo (fonte).

“O acerto de contas chegou” (*)

Taxa de inflação (Trading Economics=


Euribor Rates

(*) Ricardo Reis, um pouco antes de não ser nomeado como economista-chefe do FMI

No topo errado do ranking da UE

Expresso

Tendo como base o ano de 2025, em dez anos a economia portuguesa teve, até ao segundo trimestre deste ano, o quarto aumento mais baixo da produtividade, abaixo ou mesmo muito abaixo do pelotão dos países ex-COMECON que, libertos do jugo do Estado Soviético, têm tido uma progressão muito mais rápida do que a do Portugal dos Pequeninos liberto do jugo do Estado Novo.

10/09/2026

Crónica da passagem de um governo (66b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 66a)

Canários na mina de carvão

[Recordo que nas minas de carvão se usavam canários que são muito sensíveis ao monóxido de carbono e ao metano para alertar os mineiros de um perigo iminente.]

Aparentemente está tudo a correr bem na mina. Até uma jornalista íntegra e profissional como Helena Garrido, não sente o cheiro do metano (o monóxido de carbono não tem odor). Estamos a crescer, o desemprego é historicamente baixo, os salários crescem acima da inflação, a dívida pública continua a diminuir e as contas públicas estão equilibradas e, cereja no topo do bolo, a Fitch subiu a notação de A para A+. Até poderia ter celebrado a redução do défice da balança comercial de bens (como este jornal) e não o fez, eventualmente porque olhou para o comportamento do conta corrente e viu esta evolução da balança corrente

Trading Economics

Depois vêm as más notícias. A pior de todas é que a produtividade do trabalho – o indicador crucial que reflecte a capacidade do país criar riqueza – é a quarta mais baixa da UE e voltou a cair no 2.º trimestre

Expresso

A segunda pior é que, se é certo que a dívida pública tem vindo a diminuir, tudo aponta para os juros irem aumentar, como as pessoas mais atentas já perceberam (A subida dos juros vai doer, O acerto de contas chegou) e os mercados já anteciparam, e mostram as yields da dívida colocada nos últimos dias que aumentaram face à últimas emissões 29 (prazos 8,7 e 3,4 anos) e 55 (prazo 8 anos) pontos base. (fonte)

Com o metano a vazar na mina, a gerência acende uma fogueira para aquecer os mineiros

E o que faz o governo para mitigar os riscos externos e internos que ameaçam a economia portuguesa? Ora, faz o que sabe fazer. Em plena orgia de oratória, a propósito das trapalhadas do Dr. Neves, o Dr. Montenegro anuncia o bodo aos pobres com uma descida de IRS e uma gratificação de Natal aos pensionistas. Isto é coisa de pobres com pouca vergonha, o Sr. Trump, que é rico sem vergonha, prometeu USD 5.000 a cada adulto se o seu partido ganhar as eleições intercalares.

09/09/2026

Crónica da passagem de um governo (66a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
Coisas que me assombram (1)

O mesmo Ministério Público que correu a abrir um inquérito aos atrasos na digitalização dos exames do secundário empurrou durante semanas com a barriga para a frente a abertura do inquérito às trapalhadas do Dr. Neves. E, tanto quanto se saiba, não foi por pensar que as trapalhadas do tanque-piscina, das obras de 15 mil euros e das outras miudezas, todas por junto, não valeriam o esforço de uma Justiça caquética que anda há mais de uma década a investigar e julgar o Sr. Eng. Sócrates e a sua golpada, a maior desde Alves dos Reis (com um apartamento em Paris em vez de um banco comercial).

Coisas que me assombram (2)

A mesma Inspeção Geral das Atividades em Saúde que abriu uma investigação ao Hospital Garcia de Orta, reconhecido como um dos hospitais onde faltam obstetras, por ter fechado a consulta de IVG (o nome woke de aborto), não se deu ao trabalho de investigar o que se passou com um doente crónico de 70 anos com sinais de AVC que só foi observado 23 horas depois de ter entrado no Hospital Amadora-Sintra com pulseira amarela (atendimento máximo em 1 hora).

Coisas que me assombram (3)

(3a) Para que precisa uma urgência pediátrica de um hospital, na circunstância, o de Dona Estefânia, de 9 (nove) chefes e 
(3b) por que se demitem en masse os 9 (nove) chefes «exclusivamente» das «funções de coordenação e chefia», isto é, das funções para as quais foram nomeados chefes. (fonte)

Governo e oposição encharcam-se em gasolina (alguém poderia acender um fósforo?)

O aumento do preços dos combustíveis é provavelmente uma das poucas coisas sobre as quais governo e oposição nada podem fazer, para além de obrigar os contribuintes a pagar mais impostos para terem combustíveis uns cêntimos mais baratos. Pois é precisamente um dos temas em que o governo e a oposição socialista mais se têm engalfinhado, a propósito do dinheiro que o governo do Dr. Montenegro estaria a ganhar «à custa do sacrifício dos portugueses» e do dinheiro que o governo do Dr. Costa «se fartou de ganhar dinheiro à custa da subida dos preços» (ver aqui um sumário da discussão mais estúpida desde Dona Maria II). É uma mistura inextricável de desfaçatez e ignorância.

O desastre de uma década de políticas educacionais woke e a lei de Merton

Não deveria ter surpreendido ninguém, mas, como sempre, neste Reino de Pacheco nunca se antecipam as consequências do que se faz. Os resultados do PISA 2025 (o Programa Internacional de Avaliação de Alunos da OCDE, trienal, para avaliação do desempenho escolar, realizado desde 2000) caíram como uma bomba. Um recuo de duas décadas no desempenho em Leitura e Matemática.

O Dr. João Costa o último dos ministros de Educação do Dr. Costa mostrou o máximo de seriedade que se pode esperar de um ministro socialista e disse que «não descarta responsabilidades» e remeteu as soluções para «os países [se sentarem] à mesa», se fosse religioso, invocaria o Espírito Santo.

Não vou desenvolver a coisa (o outro contribuinte diz que vai escrever um post sobre esta desgraça educacional e outras) e apenas saliento mais uma aplicação da lei de Merton ou das consequências indesejadas: o facilitismo foi um dos álibis do woke para proteger os pobres e não é que o PISA 2025 revela que os alunos pobres estão quatro anos atrasados em relação aos outros…
 
(Continua)

02/09/2026

Crónica da passagem de um governo (65b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 65a)

«Funcionamento irregular da instituições»?

O Dr. Adalberto Campos Fernandes, socialista e ministro da Saúde do Dr. Costa, durante três anos de que não há memória de ter apontado “irregularidades”, e conselheiro do Presidente da República, diz, a propósito das trapalhadas miúdas de que é acusado o Dr. Luís Neves, haver «sinais muito preocupantes que indiciam materialmente um funcionamento irregular das instituições». Teria o Dr. Adalberto toda a razão se as instituições do Estado sucial lusitano tivessem por hábito funcionar “regularmente”. Como o que é regular nas instituições durante governações como as do Eng. Sócrates ou do Dr. Costa são as irregularidades, o Dr. Adalberto deveria ter dito algo como «há sinais muito preocupantes que indiciam materialmente o funcionamento regular das instituições».

O que está em causa na REN? A resposta à opacidade do governo tem sido o “liberalismo” dos iliberais (2)

Está por explicar (para além da explicação para retardados que o governo deu) o racional do governo para comprar uma participação de 13,7% na REN, o operador da rede eléctrica de alta tensão. O silêncio do governo foi preenchido pelo cacarejar de vozes “liberais” em protesto pela intervenção do governo numa empresa privada, apenas interrompido por um comentário com pés e cabeça do Eng. Mira Amaral, concorde-se ou não.

E assim se evita a «hecatombe social» prenunciada pelo Dr. Dominguinhos

Perante a proximidade do fim do PRR e o atraso para aplicar os respectivos dinheiros da bazuca, o Dr. Dominguinhos, presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento, alertou que «se a consequência for a devolução do dinheiro vamos ter uma hecatombe social». O ministro da Economia ouviu o apelo e garantiu que não haveria devolução. Pelo contrário, haveria complementação pelo OE 2027 que financiará todos os projectos em “conclusão substancial” no final de Agosto, seja lá o que isso for. Os bafejados pelo anúncio suspiraram de alívio e os contribuintes que o pagarão não deram por nada.

Canários na mina

Primeiro os trinados: puxado pelas exportações, o PIB cresceu 2,5% em termos homólogos no 2.º trimestre e 0,8% face ao 1.º trimestre (INE). É poucochinho, diria o Dr. Costa se ainda por cá andasse.

Depois os pios: a inflação foi 3,3% em Agosto pelo que a variação média nos últimos 12 meses subiu para 2,7% (INE); o endividamento da economia aumentou 39,6 mil milhões no primeiro semestre de 2026, com o sector público a subir 22,6 mil milhões, a dívida das empresas privadas a crescer 4,2% e a dos particulares 9,9%, em termos homólogos (BdP); os yields da dívida pública portuguesa atingem máximos de 5 anos.

Trading Economics

A estes pios dos canários junta-se o grasnar da CE que faz um prognóstico baseado nas novas regras orçamentais para o crescimento da despesa pública que em Portugal se prevê seja 5,6% em 2026, acima do limite de 5,1%, e em 2027 atinja 5,5%, muito acima do limite de 1,2%, por força do crescimento da despesa corrente (mais liberdade).

01/09/2026

Crónica da passagem de um governo (65a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

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Take Another Plan (1). Os lucros caem ou os prejuízos sobem. Isso é uma constante. Variáveis são as causas

A TAP acabou de anunciar os resultados do 1.º semestre, que foram perdas de 71 milhões atribuídas ao aumento do preços do jet fuel. O aumento dos preços dos combustíveis, devido à guerra de estimação do Sr. Trump com os aiatolás, explica 89 milhões e o aumento dos custos com pessoal explica 36 milhões. Se os preços do combustível se tivessem mantido constantes, ainda assim, a TAP teria tido um resultado medíocre de 18 milhões, face aos mais de 2 mil milhões de receitas do semestre, resultado que se segue a uma queda dos lucros de 70% em 2024 e de 90% em 2025. Enfim, trocos face aos 3.340 milhões de euros de subsídios lá enterrados.

Take Another Plan (2). Para os socialistas, no perder é que está o ganho ou a maldição da tabuada

O Dr. Eurico Brilhante Dias, líder parlamentar socialista, felicitou o seu partido pelo Dr. Montenegro ter previsto num comício que o seu governo iria recuperar com a venda da TAP todo o dinheiro lá enterrado pelo governo PS (3.340 milhões). Se o Dr. Brilhante soubesse a tabuada, teria concluído que entre 2016 e 2025 a TAP apresentou perdas em 2016 e entre 2018 e 2021, totalizando 1.481 milhões, e lucros nos restantes anos, totalizando 321 milhões. Ou seja, apresentou no conjunto desses anos, incluindo o 1.º semestre de 2026, prejuízos líquidos de 1.231 milhões que consumiram 37% dos subsídios lá torrados.

Que o Dr. Brilhante possa ter escrito isso sem que a comentadoria deste Reino de Pacheco tenha feito o menor reparo aos disparates do Bloco Central da Asneira, não chega a ser surpreendente (Camilo Lourenço fez o reparo, mas não faz parte do Reino de Pacheco), dá uma medida da indigência mental dos comentadores encartados.

No Portugal dos Pequeninos o lucro empresarial é um pecado tolerado - desde que seja pouco

mais liberdade

Que apenas durante o período da crise financeira de 2012-2018 as empresas portuguesas tenham tido margens de lucro superiores à média dos 38 países da OCDE é mais difícil de explicar do que a queda das margens nas últimas décadas.

A China aposta na alta tecnologia portuguesa

O investimento directo estrangeiro não é grande coisa e também não é animador o capital chinês acreditar na "tecnologia avançada" da indústria portuguesa e ir investir 30 milhões numa fábrica de fiação a húmido de linho e cânhamo.

Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não…

… destacar alguns polícias dos pantagruélicos efectivos policiais do Portugal dos Pequeninos - o quarto país da UE com mais polícias por 100 mil habitantes -, para policiar a linha de alta velocidade Évora-Elvas, onde já se queimaram 460 milhões e continua sem ser certificada, devido aos furtos de equipamentos de catenária, sinalização e telecomunicações.

(Continua)

25/08/2026

Crónica da passagem de um governo (64b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
(Continuação de 64a)

A insustentável leveza da insegurança sucial. No fim do dia ninguém quer mexer no ninho de vespas

O relatório "Reformar as Pensões em Portugal" agora tornado público não contém nada que devesse surpreender alguém razoavelmente informado sobre o sistema português de segurança social. No que respeita ao diagnóstico, poderia dizer-se que é em grande parte do domínio do óbvio ululante, como teria dito Nelson Rodrigues, se por acaso ainda vivesse e se interessasse pelo tema. O óbvio mais ululante é sem dúvida a constatação de que a CGA, o subsistema dos funcionários públicos, é há vários anos deficitário e o montante do seu défice é suficiente para tornar deficitário o sistema no seu conjunto. Quanto às soluções propostas, que naturalmente são discutíveis, não têm nada de muito diferente do que são as soluções já existentes nos países da UE em que o pensamento mágico já foi abandonado.

Sem nenhuma surpresa, os partidos e o comentariado residente baseados no princípio «if it ain't broke, don't fix it» não veem qualquer necessidade de mexer na coisa. Se não estivéssemos no Portugal dos Pequeninos com elites que disputam o campeonato das elites mais merdosas do planeta, isso poderia parecer estranho, sabendo-se que o próprio governo socialista apresentou à CE dados publicados no 2024 Ageing Report que mostram a pensão média a cair de pouco mais de metade do salário médio em 2022 para pouco mais de um terço nos 50 anos seguintes.

A reacção dos líderes políticos ao relatório é o que se esperaria que fosse: o PSD chuta para canto, o PS, não vê qualquer necessidade, o PCP vê uma cabala para privatizar a coisa, o Dr. Ventura insiste em baixar a idade da reforma e o Dr. Seguro declara “sagradas” as pensões. É o que temos.

O chapéu do ministro esconde uma outra cabeça

O Dr. Miranda Sarmento é apenas mais um caso de um economista crítico do governo da ocasião, do qual não fazia parte, cheio de soluções e boas ideias, as quais distraidamente passou a escrito e publicou em 2023 num livro (“Crónicas de um País Estagnado”, com 250 páginas por 45,70€). Essas críticas, soluções alternativas e boas ideias, diz quem as leu, continuam actuais. Foi, pois, uma ideia infeliz porque, mais de dois anos depois do ministro se encontrar no governo, onde se esperaria que estivesse a resolver os problemas que identificou e a adoptar as soluções que preconizou, o livro continua actual.

O que está em causa na REN? A resposta à opacidade do governo tem sido o “liberalismo” dos iliberais

O governo decidiu comprar a participação de 13,7% na REN, o operador da rede eléctrica de alta tensão, detida pela Pontegadea Inversiones da família do Sr. Ortega, o dono da Zara, sem uma explicação para além da treta de esperar que isso possa reduzir o preço da electricidade. Podia ter explicado, mas não explicou, que a compra se justificaria para ter uma presença na gestão de uma rede estratégica por um operador que é controlado indirectamente por um governo de um império concorrente e adversário do bloco de que faz parte o Portugal dos Pequeninos, o que não seria uma razão estúpida.

Contra uma decisão muito discutível e, sobretudo, opaca, levantou-se um coro crítico quase unânime de vozes “liberais”, como a do Dr. Galamba, protestando pela intervenção do governo numa empresa privada.

Enquanto esperamos que o Portugal dos Pequeninos tenha «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA», por que não resolver «as pequenas coisas que, porventura, não correm tão bem»?

Por exemplo, publicar o relatório final do acidente do elevador da Glória, que fará um ano na próxima semana, ou dar instruções aos apparatchiks do Metro de Lisboa para mandarem reparar as escadas rolantes avariadas há anos.

24/08/2026

Crónica da passagem de um governo (64a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

Navegando à bolina
O Dr. Montenegro esqueceu que o «menos bem» é o que o seu governo faz correr

Na missa do Pontal, onde os sumo pontífices em exercício do PS-D costumam todos os anos dirigir-se aos crentes para revigorar a sua fé, o Dr. Montenegro, queixou-se de que ninguém fala «das grandes coisas que estamos a fazer bem» e só falam «das pequenas coisas que, porventura, não corram tão bem», referindo-se implicitamente ao jornalismo e à comentadoria. Tem de se dar ao Dr. Montenegro alguma razão por muitos dos membros dessas agremiações praticarem o que o Dr. Ascenso Simões chamou com uma expressão colorida «chafurdar em coisas de merda». Por outro lado, tem de se conceder também ao jornalismo e à comentadoria razão de que as supostas «grandes coisas» devem-se tanto ao governo como à divina providência, ao passo que as pequenas coisas são as únicas em que o governo toma a seu cargo com escasso sucesso.

Por falar em coisas que se devem à divina providência

Até meio de Agosto a área de floresta ardida este ano é um quarto da área ardida em 2025. É tão verdade como os incêndios até meados de Junho de 2017, em pleno primeiro consolado do Dr. Costa, se terem portado muito bem antes da tragédia de Pedrógão Grande que fez 66 mortos, queimou 500 casas e 53 mil hectares de floresta.

Por falar em «pequenas coisas» que não correm bem

Já aqui anotámos o entupimento de 237 das 404 conservatórias do registo civil e anotamos agora que os Registos Comerciais têm mais de dois mil dias de atraso e o governo deixou de publicar os dados.

O Hospital Amadora-Sintra, que já teve uma gestão privada de sucesso (foi extinta a PPP pelo governo do Eng. Sócrates), apresentava na tarde da sexta-feira passada um tempo de espera dos doentes urgentes superior a 9 horas.

A renovação das cartas de condução pelo processo online criado no âmbito da "transição digital" está atrasada há vários meses. Deve aguardar que o Portugal dos Pequeninos suba ao pódio mundial da IA pela mão do Dr. Matias.

E por falar do colapso do SNS…

… como está o estudo aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros de 7 de março de 2025 para a criação das cinco PPP para gerir os hospitais de Braga, Loures, Vila Franca de Xira, Amadora-Sintra e Almada e os cerca de 170 centros de saúde nessas áreas?

Onde param os dados do ranking das escolas?

Os dados do ranking de 2024 das escolas secundárias o ano passado foram publicados em Abril e tornaram possível o (Im)pertinências publicar em Setembro três posts com os resultados do tratamento estatístico e as conclusões: «O que nos diz o ranking das escolas de ensino secundário» (1), (2) e (3). Os dados do ranking, cada ano publicados com maior atraso, como aqui sublinha João Marôco, este ano estão ainda mais atrasados do que o costume, fazendo suspeitar de um expediente para adiar más notícias em cima da má notícia do atraso da publicação do resultados dos exames.

Ao querer sacudir o aumento dos combustíveis o governo deu um tiro no próprio pé

O relatório da ERSE pedido pelo governo não encontrou evidências de manipulação dos preços pelos produtores. Os preços têm evoluído em linha com os da UE e, em relação à Espanha, a principal diferença resulta dos impostos que em Portugal são mais 41,8 cêntimos na gasolina e 25,1 cêntimos no gasóleo.

(Continua)

17/08/2026

Crónica da passagem de um governo (63)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

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Os portugueses «vão ter razões para confiar no SNS»

Devia ser evidente para qualquer governo ou para qualquer pessoa com um neurónio que, num país com ¼ de velhos (65+ anos) e quase dois idosos por cada jovem (0-14 anos) teria de existir uma procura crescente de serviços médicos. Em vez de aumentar a oferta, o Dr. Costa reverteu o horário dos funcionários públicos de 40 para 35 horas, reversão apadrinhada pelo Dr. Marcelo. Iniciou-se então uma espiral de queda da capacidade de resposta do SNS e da administração pública em geral e o aumento da despesa pública que, no caso da Saúde, duplicou entre 2015 e 2025.

Uma boa parte dessa procura acrescida deveria ter sido encaminhada para os médicos de família (MF) cujo número tem vindo a diminuir, apesar das promessas do Dr. Costa primeiro (ver A novela dos médicos de família) e do Dr. Montenegro a seguir. O resultado é que de 760 mil “utentes” sem MF em 2016, dez anos depois, passou-se para 1,6 milhões, mais do dobro.

O que faz um tuga com um know-how refinado em 900 anos a fintar as várias modalidades de Estado, desde Dom Afonso Henriques? Ora, o que haveria de fazer? Recorre às cunhas e aos expedientes. As cunhas permitem às pessoas bem relacionadas fintarem as filas que separam os doentes dos médicos. Quem não dispõe de cunha, na falta de MF o que, em consequência, aumenta a procura de consultas nos hospitais, vai às urgências onde se amontoam dezenas ou centenas de “utentes”, todos devidamente apetrechados da pulseira multicor do protocolo de Manchester, onde esperam pacientemente várias horas e são objecto do tratamento jornalístico habitual (ver aqui e ali, por exemplo).

Chafurdar em coisas de merda, disse ele, e diria eu com ele

Não é frequente concordar com o Dr. Ascenso Simões, um conhecido apparatchik socialista que inclui no seu currículo a defesa de uma condecoração para o Eng. Sócrates, uma dúzia de anos depois da maior obra deste homem que foi ter falido o Estado sucial. A última vez (e talvez a primeira) que concordei com ele foi quando disse ao Observador que «a moderação de Pedro Nuno Santos era completamente falsa». Volto agora a concordar quando, a propósito das polémicas férias do Dr. Montenegro, postulou «temos de dar importância ao que tem importância e não chafurdar em coisas de merda».

À atenção do Dr. Matias com sua saga para Portugal ter «todas as condições para se tornar um líder mundial na IA»

A legislação laboral inglesa, como a portuguesa, contém uma disposição chamada «interim relief» (providência cautelar) que permite a um juiz compelir uma empresa a reintegrar um empregado despedido, ainda que legalmente, ou a pagar-lhe uma indemnização. Até recentemente, o número de casos apresentados aos tribunais andava pelas poucas dezenas por ano, devido à complexidade da lei e aos elevados honorários dos advogados. Com a banalização da IA, muitos trabalhadores despedidos estão a usá-la com sucesso para preparar petições a contestar o despedimento, o que está a multiplicar por 100 o número de casos que inundam os tribunais e a levar estes (que não usam a IA) à paralisia e as preocupações ao governo inglês, que a respeito da IA está a fazer, como o Dr. Matias, muitos anúncios e pouca obra. Processos semelhantes estão a ser usados por um número crescente de cidadãos para contestar os licenciamentos emitidos pelas autoridades locais e as multas de estacionamento, ou para reclamar benefícios ou subsídios sociais.

Insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes. Ou talvez não…

… ou talvez seja apenas uma manobra de diversão para iludir a falta de solução dos problemas que não têm solução real, como é o caso do aumento do preço dos combustíveis, cuja solução é meramente ilusória e cuja génese, mais uma vez, a ERSE não conseguiu comprovar que residisse em supostas manobras obscuras dos operadores do mercado português dos combustíveis rodoviários.

14/08/2026

SERVIÇO PÚBLICO: Startups no Portugal dos Pequeninos

Número de startups

Número de unicórnios

Com uma população de 11,4 milhões de habitantes, cerca de 1,54% dos 743 milhões da população total da Europa, Portugal tem 995 startups, uma percentagem de cerca de 2% das startups da Europa, e quatro unicórnios (startups com valor superior a USD mil milhões). 

O valor do ecosistema português (o valor total económico criado pelo ecosistema nos últimos 20 anos), cresceu 7,2% nos 12 meses terminados em Abril e é estimado em USD 32,5 mil milhões e no ranking global situa-se no 15.º lugar na Europa (entre a Áustria e Chipre) e no 31.º mundial.

Ranking mundial de Portugal por sector de actividade

A posição no ranking mundial por sector de actividade mostra que, sem surpresa, as startups portuguesas estão melhor colocadas nos sectores menos sofisticados tecnologicamente, com destaque para o comércio electrónico e o retalho que representam 10% do total de startups e tem um unicórnio. 

Em conclusão, o Portugal dos Pequeninos, estando longe dos delírios de grandeza do governo e dos sonhadores como o Eng. Moedas, não está mal posicionado neste domínio, talvez um pouco melhor do que no resto. 

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Fonte: Startup Blink 

11/08/2026

Crónica da passagem de um governo (62b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

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(Continuação de 62a)

Não é o turismo que é de mais, é o resto que é de menos


Em 2025, o turismo registou um crescimento nominal de 5,3% no PIB e de 5,5% no Valor Acrescentado Bruto (VAB, que mede o valor da produção líquida dos consumos intermédios). O VAB directo e indirecto gerado pelo Turismo foi de 30,4 mil milhões de euros equivalentes a 11,4% do VAB nacional e o contributo para o PIB foi de 36,2 mil milhões de euros ou 11,8% do PIB nacional. O contributo para o crescimento real do PIB nacional foi de 0,3 pontos percentuais equivalente a quase 1/3 do crescimento que se ficou em 1,9% o ano passado. (fonte Conta Satélite do Turismo para Portugal)

Se a isto acrescentarmos o crescimento de 10,6% do emprego no turismo, que passou a representar mais de um décimo do emprego total, percebe-se que o turismo é uma actividade essencial para a economia do Portugal dos Pequeninos não se afundar ainda mais. Sem o turismo e sem os 17 mil milhões que recebemos do PRR nos últimos quatro anos, já teríamos fechado a loja, o que nos leva a concluir que, não se sabendo o que vai ser o futuro, ainda assim podemos concluir que, com o turismo a desacelerar e o impacto do fim do PRR nas finanças públicas, o futuro não será igual ao passado.

Hoje há cadelinhas, amanhã não sabemos

mais liberdade


Enquanto o Dr. Montenegro se priva das férias para exaltar o «bom momento» e exortar «o país para crescer ainda mais» (fonte), o país sobe ao topo da UE dos custos estimados com o envelhecimento.

Durante a espera para o Dr. Matias nos tornar «um líder mundial na IA», por que não resolvermos problemas infinitamente mais simples?

Como seja o entupimento de 237 das 404 conservatórias do registo civil que viram os dias totais de atraso aumentarem de 40.947 para 46.289. Já agora, o Dr. Matias poderia pôr a acção onde põe a boca e ajudar com as ferramentas de IA o seu colega ministro da Justiça a desentupir o seu ministério.

E, se não for pedir muito, bem poderia o Tribunal Constitucional usar essas ferramentas para suprir a alegada insuficiência dos seus mais de 100 funcionários administrativos incapazes de notificar os titulares de cargos públicos faltosos, como o Dr. Luís Neves que nunca chegou a apresentar a declaração de rendimentos.

Caos é o que a comentadoria e o jornalismo de causas quiserem

Não faz sentido negar as falhas do ministério da Educação no processo dos Exames Nacionais do Ensino Secundário e, já agora, do ministro que revelou as insuficiências de que, quase sem excepção, os políticos domésticos padecem, resultantes do défice que infecta a maioria dos portugueses que têm como missão gerir seja lá o que for.

Não é inútil perceber a manipulação dos números e o empolamento das falhas que rodeou o tratamento noticioso e opinativo, como, por exemplo, a comparação do número de candidaturas na 1.ª fase do ensino superior deste ano com as dos anos de 2024 e 2025 que, segundo a versão corrente, estaria a diminuir. Remeto para o que escreveram Henrique Pereira dos Santos e Aguiar-Conraria desmontando as falácias e chamo a atenção para os últimos resultados, que apontam para mais de 60 mil candidaturas e um aumento de quase 11 mil em relação ao ano anterior.

10/08/2026

Crónica da passagem de um governo (62a)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

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Marcação dois homens a um homem

No futebol o método defensivo mais usado é a marcação homem a homem. Para o PS na oposição, o método ofensivo é a marcação de dois homens a um homem, sendo este último o actual ministro das Finanças, Dr. Miranda Sarmento, e os dois primeiros os seus antecessores nas Finanças, o Dr. Medina e o Dr. Centeno. Como quase não vejo televisão, se não fosse Luís Marques, não teria reparado que os dois antecessores dispõem de púlpitos nas televisões (o Dr. Medina às segundas na CNN e o Dr. Centeno às sextas-feiras no Now) onde, saberão eles com que propósito, praticam regularmente tiro ao Professor Pardal, alcunha que o Dr. Centeno botou ao que viria a ser seu sucessor no ministério.

«Pagar a dívida é ideia de criança»?

Como se pode ver no gráfico do BdP, na vigência do governo do Dr. Montenegro, a dívida pública bruta não se reduziu e até aumentou 6,5%, aumento que o governo justificou com as amortizações da dívida a vencer-se, o que seria compensado com o aumento dos depósitos em bancos, mas não foi compensado porque a dívida líquida aumentou mais de 2 mil milhões de euros desde a tomada de posse.

BdP

Canários na mina de carvão

Apesar do retrato optimista do governo, desvalorizando a evolução das finanças públicas que viram o excedente de 2 mil milhões no primeiro semestre do ano passado transformar-se num défice de 212,6 milhões no mesmo período deste ano, o certo é que o défice da balança comercial se agravou em Junho em 1,1 mil milhões, sem esquecer que as variáveis fundamentais como da produtividade não só não melhoraram, como pioraram com a revisão da população activa com os números da imigração.

mais liberdade

O diagrama acima mostra o ano em que o actual valor do PIB per capita a PPP da economia portuguesa foi alcançado por outros países da UE e reflecte um atraso já antes da revisão da população que agora inevitavelmente se agravou.

Se a situação não é brilhante depois de quatro anos a receber quase 80% dos 22 mil milhões do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o que segue não será mais agradável quando se antecipa que Portugal será o terceiro país da UE, depois da Grécia e da Bulgária, a ter maior impacto do fim do PRR nas finanças públicas (ver diagrama publicado a semana passada)

Ferrovia 2020 2027 Um dia

Decorridos 10 anos do seu lançamento, o grau de realização física global do Ferrovia 2020 está em 65% com 40 mil dias de atraso total nos troços. A linha de alta velocidade Évora-Elvas, com um investimento de 460 milhões, anunciada como pronta, está vazia e continua à espera de ser certificada, é apenas um exemplo notório.

(Continua)



04/08/2026

Crónica da passagem de um governo (61b)

Outras Crónicas do Governo de Passagem

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(Continuação de 61a)

Insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes (1) - Aumentando a procura e reduzindo a oferta

No segundo trimestre, a utilização da garantia do Crédito Jovem voltou a acelerar e atingiu 56% da verba prevista, tendo financiado a compra de 40 mil casas desde o lançamento do programa em 2025, e representando cerca de um terço do crédito à habitação (fonte). Entretanto, o crédito para construção continuou a desacelerar nos últimos meses.

Insanidade é fazer a mesma coisa repetidamente e esperar resultados diferentes (2) - Os prejuízos são normais o que é extraordinário são os lucros

A tributação dos “lucros extraordinários das petrolíferas”, que rendeu 8 milhões de euros em 2023 ao Dr. Costa, ou seja, menos de um quinto da receita prevista, tributação que o Dr. Montenegro classificou em 2022 como demagógica quando estava na oposição, foi aprovada pelo governo na passada quinta-feira sob a forma de uma taxa extraordinária de 33% sobre o excedente superior a 20% da média dos lucros de 2024 e 2025.

O governo devia entregar ao Dr. Neves a construção do novo hospital de Lisboa…

O novo hospital de Lisboa anda por aí há 23 anos e o Dr. Neves mostrou uma notável iniciativa ao despachar os 200 bidons de solventes encalhados no parque da PJ mandados destruir pelo MP, poupando assim os custos dessa operação e dando ao Sr. Carvalho, o empreiteiro amigo, a possibilidade de realizar uns dinheiros com o material, retribuindo a construção do tanque-piscina e de outras benfeitorias no seu monte alentejano.

É claro que tudo isto é censurável e inadmissível no passado de um ministro de um Estado decente. Acontece, porém, que talvez o Estado sucial do Portugal dos Pequeninos não seja um Estado decente e, se for assim, tudo isto é ridículo. É sobretudo ridículo num país em que a chico-esperteza é uma qualidade muito apreciada («fiz no interior desta propriedade o que milhões de portugueses fazem legalmente todos os dias nas suas casas», desculpa-se o ministro), tanto quanto é cultivada a hipocrisia da indignação postiça a clamar a cabeça do homem.

… e usar o exemplo do Dr. Neves para calar o Tribunal de Contas

O Dr. Matias, ministro da Reforma, nos intervalos da promoção do país como um potencial «líder mundial na IA», que tem feito campanha para retirar ao Tribunal de Contas o seu papel de empata nas decisões públicas, com grande protesto e indignação deste, tem agora à sua disposição o argumento definitivo. O TdC considerou conforme um contrato da PJ com a empresa do amigo empreiteiro do Dr. Neves (fonte).

“AI Fast Track”. «O homem sonha, a obra nasce»

O mesmo Dr. Matias, agora que a liderança mundial na IA já está a caminho, prepara mais uma iniciativa grávida de trendy buzzwords com «um protocolo com entidades de referência do ecossistema, com vista a permitir uma operacionalização célere e eficaz … para atrair investigadores e profissionais altamente qualificados em áreas de IA críticas».

A ficção do Investimento Directo Estrangeiro (IDE)

Na retórica oficial, o IDE é a chave para o crescimento rápido de uma economia descapitalizada como a portuguesa. No mundo real, quase metade (46%) do IDE em 2025 é constituído por imobiliário vendido pelos seus proprietários portugueses que trocam activos imobiliários por liquidez ou por activos financeiros dos quais uma parte significativa irá desaguar no consumo.

O que ele não garante é fazer mais com o mesmo ou fazer o mesmo com menos
 
O INEM, pela boca do seu presidente, desmente que serão suprimidas 100 ambulâncias e garante que «não haverá redução de meios ou da capacidade de resposta». Só não garante a redução do «número de passos intermédios existentes em toda a cadeia. A chamada passa pelo 112, segue para o CODU, depois para as centrais dos bombeiros e destas para as equipas, até que possam iniciar a marcha para o local», redução que provavelmente permitiria fazer mais com o mesmo ou fazer o mesmo com menos.