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30/07/2026

Dúvidas (369) - O assalto ao gabinete do Dr. Ventura e as trapalhadas do Dr. Neves, serão uma espécie de Reichstagsbrand e de Untermensch no Portugal dos Pequeninos?

O grau zero da democracia em Lisboa 2026 e em Berlim 1933

«Assim está o meu Gabinete esta manhã na Assembleia da República. Alguém estava à procura de alguma coisa e não se coibiu de agir dentro do próprio Parlamento. Não sei ainda se foi roubado algum documento ou não, mas atingimos o grau zero da nossa democracia. (...) desapareceram dois lotes de documentos e duas 'pens' com informação relativa a dois assuntos diferentes». Um dos lotes de documentos estava guardado «numa das pastas que estavam em cima da primeira mesa e referia-se à Comissão Parlamentar de Inquérito ao ministro da Administração Interna». (fonte)

17/07/2026

Mitos (355) - O contrário do dogma do aquecimento global (XXXIV) - O Paradoxo de Crutzen e a Lei de Morton

Outros posts desta série

Em retrospectiva, que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os outros – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja, para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.

Nós aqui fazemos o possível para não ficar entalados entre o ruído da histeria climática que, levada às suas últimas consequências, conclui que o homo sapiens sapiens tem de ser erradicado para salvar o planeta, e o ruído das teorias da conspiração que consideram que o único problema sério com o ambiente é a histeria climática.

Negar os factos do progressivo aquecimento global exige cada vez mais uma fé quase religiosa (ver, por exemplo, os gráficos do post anterior desta série), fé que tem vindo a ser substituída pela fé contrária nos efeitos miraculosos das medidas defendidas pelo áctivismo ambiental, apesar dos avisos de há vinte anos do Prémio Nobel da Química Paul Crutzen que no seu ensaio «Albedo enhancements by stratospheric sulfur injections: a contribution to resolve a policy dilemma?» chamava a atenção para o paradoxo do ar limpo em que a redução da poluição atmosférica poderia aumentar o aquecimento global por via da redução do albedo (capacidade de reflexão da radiação solar pela superfície terrestre).

Pois bem, parece que é isso que está a acontecer: a redução dos poluentes atmosféricos, como o dióxido de enxofre (SO₂) e a fuligem, que, por um lado, reduzem a chuva ácida que mata milhões de pessoas anualmente e, por outro, têm o efeito de reflectir a luz solar e, assim, reduzir o aquecimento global.

Voltarei a este assunto e, entretanto, alinhavo, por agora, duas conclusões não sobre o clima, mas sobre a mente humana. A primeira, é que estamos, mais uma vez, perante um exemplo da Lei das «consequências imprevistas da acção social intencional» enunciada por Robert K. Merton em 1936.  A segunda é que estamos perante outro exemplo da difícil convivência do mundo real em geral, e da ciência em particular, com cérebros ideológicos (Leor Zmigrod, "The Ideological Brain") saturados com doses maciças de convicções inabaláveis alimentadas nas últimas décadas pelas redes sociais e há séculos pelo jornalismo de causas. E acrescento uma previsão: os que têm negado o aquecimento global vão passar a atribuir o inexistente aquecimento global às medidas para o mitigar. 

22/03/2026

De volta à Mota-Engil e aos "fundos-abutre"

Faz um tempo, comentei aqui a ridícula conclusão de uma peça do Expresso com o título "Quem são os 'fundos abutres' que investem quase €300 milhões para a bolsa nacional se afundar?" (*) de que existe um enorme risco de uns fundos afundarem uma bolsa na qual controlam menos de 0,5% da capitalização bolsista de 11 empresas portuguesas.

Algum tempo depois, à mesma conclusão chegou o artigo «Mota-Engil foi a “vítima perfeita para um fundo abutre”, diz administrador financeiro». Já agora, recorde-se que a Mota-Engil teve como presidente executivo durante vários anos o Dr. Jorge Coelho, ministro de vários governos socialistas e eminência parda do PS e do regime. Desta vez, o abutre foi identificado como o Muddy Waters Capital Domino Master Fund que, apenas com uma posição curta de 0,65% que reduziu para 0,57%, teria segundo o artigo alcançado o milagre de afundar as cotações da Mota-Engil em quase 40%.

O passo seguinte foi uma entrevista ao Expresso do presidente da Mota-Engil em que este acusou o Muddy Waters de "manipulação do mercado" por deter posições a descoberto de 0,65% do capital, no qual a família Mota perdeu em 2021 a maioria por ter vendido aos chineses da CCCC (+)  China Communications Construction Company -, venda determinada pelas dificuldades da Mota-Engil de pagar a dívida pantagruélica ao Novo Banco, herdada por este do BES. 

Desta vez, o tiro saiu pela culatra porque um ano depois dessa entrevista a Muddy Waters «moveu um processo de difamação no tribunal federal do Texas contra Carlos Mota dos Santos». É um exagero. Não havia necessidade - se o ridículo fosse mortal, a "difamação" teria morto a Mota-Engil.
____________________

(*) Os "fundos abutres" praticam o short selling ou venda a descoberto que consiste em vender um activo esperando comprá-lo mais tarde a uma cotação menor, o que só faz sentido para o fundo se tiver expectativas que o activo em causa está sobreavaliado. Em mercados evoluídos, considera-se que esta prática reduz o risco para os investidores e aumenta a liquidez e a estabilidade dos mercados.

(+) A Mota-Engil foi mais um dos "centros de decisão nacional" vendidos a estrangeiros devido ao endividamento de públicos e privados e à descapitalização da economia portuguesa.

24/06/2025

Mitos (351) - O contrário do dogma do aquecimento global (XXXIII) - Pero que las hay, las hay

Outros posts desta série

Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os outros – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.

Nós aqui fazemos o possível para não ficar entalados entre o ruído da histeria climática que levada às suas últimas consequências conclui que o homo sapiens sapiens tem de ser erradicado para salvar o planeta, e o ruído das teorias da conspiração que consideram que o único problema sério com o ambiente é a histeria climática.

Os gráficos seguintes que foram produzidos pela Economist no princípio do ano mostram que dos dados disponíveis temos de concluir que com toda a probabilidade está em curso um processo de aquecimento global. 


Quais as causas e quais os remédios, se isso é um problema e quais as soluções, é uma outra estória. Não vamos entrar por aí para não acrescentar ruído à discussão.

15/03/2025

A quinta-coluna de Putin está a ter um desempenho muito melhor na Europa do que as outras quatro na Ucrânia

«O dia 23 de janeiro de 2025 poderá entrar para a História da Hungria como o dia em que um simples embuste aterrorizou a nação. Uma suposta campanha de e-mails de “terroristas muçulmanos”, que ameaçava desencadear a “ira dos oprimidos”, provocou o pânico em todo o país e levou à evacuação de 300 escolas e à busca de engenhos explosivos em muitos outros edifícios.

A ameaça fazia parte de uma operação coordenada a nível europeu para espalhar o pânico e a confusão. Foram registados casos semelhantes em França, Alemanha e Espanha, entre outros Estados-membros da UE, com avisos direcionados não só a escolas, mas também a tribunais, gabinetes do Ministério Público e centros comerciais.

Há muito que o Kremlin utiliza as teorias da conspiração como instrumento de influência e este embuste insere-se diretamente nessa estratégia. Ao fabricar uma ameaça “islâmica”, alimentou narrativas de extrema-direita e antimigração em toda a Europa, com vista a influenciar a opinião pública e desacreditar os adversários políticos – e também para desviar a atenção da Ucrânia.

Para Orbán, o embuste foi útil politicamente. Em vez de abordar a questão como um problema de segurança, o governo aproveitou o momento para transferir a culpa das dificuldades económicas da Hungria, dos deficientes serviços públicos e dos escândalos de corrupção para os seus inimigos externos habituais: a UE, os migrantes e as conspirações estrangeiras.

Na Europa Central e de Leste, estes acontecimentos são, por norma, seguidos de uma investigação imediata da segurança nacional e de um compromisso de responsabilização dos culpados. Na República Checa, os serviços secretos apontaram os serviços secretos russos como os autores do crime. Na Bulgária, as autoridades estatais chegaram a uma conclusão semelhante.

O volume destes ataques, em especial desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, em 2022, sugere que a manipulação e interferência de informações estrangeiras (FIMI, na sigla em inglês para Foreign Information Manipulation and Interference) está a tornar-se um desafio de segurança crescente para a UE-27.

As escolas têm sido estrategicamente escolhidas como alvos devido à escala de perturbação que causam. Uma ameaça de bomba afeta não só os alunos, mas estende-se também às suas famílias e a outras pessoas e entidades. Além disso, obriga as autoridades estatais a reagir rapidamente para garantir a segurança dos e das estudantes, o que exige recursos públicos substanciais.»

Continue a ler Viktor Orban e a desinformação russa na UE, Edit Zgut-Przybylska

01/12/2024

ARTIGO DEFUNTO: O semanário de reverência a pagar tributo ao PS. Segundo capítulo - presunção de culpa

Continuação deste outro tributo.

O ano passado o Expresso publicou um artigo de duas páginas no caderno principal sobre uma moradia que o Dr. Montenegro construiu, uma peça com 2 mil palavras semeadas de insinuações, sem uma única acusação concreta para além de alegar que o valor da moradia não foi declarado ao Tribunal Constitucional (Montenegro explica não estar prevista a indicação do valor que, aliás, consta da caderneta predial).


Este fim de semana, o mesmo periódico publicou o artigo acima onde em escreve que «os inspetores não terão detetado qualquer suspeita de crime». Note-se que não se escreve «não detetaram» e se opta pela subtileza «não terão detetado». Continua com «o Ministério Público se prepara para encerrar o processo (... mas) pode decidir ainda fazer novas diligências. E pode até pedir ajuda à PJ novamente». O resto do artigo é uma devassa ridícula semelhante à do primeiro artigo onde se especula sobre os materiais e os seus preços e o financiamento da construção e no final não resta uma única acusação concreta, resta apenas a tentativa de levantar suspeições na mente do tuga invejoso de um político com uma «habitação de luxo com seis pisos (de) um milhão de euros (ou) mais».

Declaração de interesse: qualquer visitante deste blogue terá tido inúmeras oportunidades de confirmar que nenhum dos contribuintes tem em especial conta o Dr. Montenegro. Neste blogue têm-se em especial apreciação a independência do jornalismo e o apego aos factos, uma e outro raros.

30/11/2024

Títulos inspirados (96) - Titilando mentes fracas com palavras fortes. Será a Mota-Engil um cadáver adiado?

Há um tempo atrás, assinalei aqui o exercício patético de uma peça do Expresso com o título "Quem são os 'fundos abutres' que investem quase €300 milhões para a bolsa nacional se afundar?" em que o jornalista concluiu que existe um enorme risco de uns fundos que controlam menos de 0,5% da capitalização bolsista das 11 empresas portuguesas onde detêm posições afundarem uma bolsa que está há muito afundada na sua própria irrelevância.

O mesmo exercício patético foi agora replicado por outro jornalista, provavelmente por encomenda da putativa vítima do abutre, com o título «Mota-Engil foi a “vítima perfeita para um fundo abutre”, diz administrador financeiro». Desta vez, o abutre é o Muddy Waters Capital Domino Master Fund com uma posição curta (*) de 0,65% que, segundo o roteiro, conseguiu afundar as cotações em quase 40% reduzindo a posição de 0,65% para 0,57%. 

Em vez de "vulture" o jornalista de causas financeiras deveria classificar o fundo Muddy Waters (o nome de um famoso guitarrista fundador do Chicago blues - ouça aqui Mannish Boy) como fundo "sorcer" visto que, com apenas uns gramas de uma barra que pesa quilos, está a transformar em chumbo essa barra de suposto ouro. Nesse caso deveria acrescentar que o feitiço, supondo que é a causa da queda, só estará a resultar porque o free float da Mota-Engil são peanuts ou, dito em português corrente, é insignificante a percentagem das acções transacionáveis na bolsa porque os "donos" da Mota-Engil não confiam no mercado e olham para os outros accionistas como silent partners ou, em português corrente, uns parolos a quem permitem deter acções para manter a empresa cotada.

 _________

(*) Por memória: os "fundos abutres" praticam o short selling ou venda a descoberto que consiste em vender um activo esperando comprá-lo mais tarde a uma cotação menor, o que só faz sentido para o fundo se tiver expectativas que o activo em causa está sobreavaliado. Em mercados evoluídos considera-se que esta prática reduz o risco dos investidores e aumenta a liquidez e a estabilidade dos mercados.

27/11/2024

CASE STUDY: A atracção por Belém - a lista dos que não se excluem não pára de crescer (12)

Outras atracções.

Desta vez ainda com maior antecedência (desde 2022, pelo menos), começaram a alinhar-se os candidatáveis a Belém, segundo os próprios, segundo os partidos que os apoiarão, segundo as cortes privadas, segundo os jornalistas amigos e até segundo os jornalistas inimigos, frequentemente para lançar o barro à parede ou para queimar nomes.

Eis um breve elenco feito à pressa dos que já se chegaram à frente ou foram falados ou sondados ou lançados à parede (disclaimer: não há garantias implícitas ou explícitas de que a lista esteja actualizada):

  • Ana Gomes
  • André Ventura
  • António Guterres
  • António José Seguro
  • António Vitorino
  • Augusto Santos Silva
  • Elisa Ferreira
  • José Pedro Aguiar-Branco 
  • Henrique Gouveia e Melo 
  • Leonor Beleza
  • Luís Marques Mendes
  • Mário Centeno 
  • Paulo Portas
  • Pedro Passos Coelho
  • Pedro Santana Lopes
  • Rui Rio
Faz uns vinte anos inventei a seguinte teoria conspirativa: é mais barato e mais agradável ser presidente da República do que líder da oposição, que implica suportar a travessia do deserto do poder, aguentar uma cambada de potenciais traidores escondendo as navalhas da traição nas calças da pouca-vergonha e suportar uma infinita corja de medíocres ansiando por uma sinecura, tudo isto apenas mitigado pelo séquito de seguidores incondicionais, que vai minguando, na medida em que mingua a esperança do governo de serviço cair. Percebe-se que esta teoria conspirativa, como todas as teorias conspirativas, teve um tempo de vida limitado, neste caso porque a candidatura a Belém já não é, como foi nalguns casos no passado, um ersatz à candidatura a líder da oposição. Hoje, com a emergência das redes sociais e da bacoquice sem freio, a candidatura a Belém é sobretudo o pináculo da carreira de um "influencer".

02/11/2024

As personae non gratae da clique putinesca continuam a sofrer da vertigem das alturas ou de envenenamento por novichok

Há duas semanas Mikhail Rogachev, antigo vice-presidente da empresa de energia Yukos, caiu de uma janela do 10.º andar de um edifício em Moscovo. Este ano foi o décimo russo da lista das personae non gratae da clique putinesca morto em circunstâncias suspeitas. Segundo estas contagens de mortes suspeitas, em 2022 foram 27 e em 2023 foram 25.

É altamente provável que estas contagens não incluam todas as mortes aparentemente encomendadas pela clique putinesca. Por exemplo as mortes da jornalista Inessa Papernaya, do seu noivo Maxim Radchenko e do empresário uzbeque Khushnud Udekov ocorridas mais ou menos na mesma altura de Rogachev não estão na referida contagem.

Conta-se como anedota que os actuários italianos do ramo Vida conseguem prever com uma razoável precisão o número de mortes na Sicília e os que pertencem à Mafia vão mais longe e prevêem com total precisão quem serão os mortos. Poderia dizer-se o mesmo das previsões dos actuários do Федеральная служба безопасности Российской Федерации das mortes no grupo das personae non gratae da clique putinesca.

13/10/2024

Let us offer a chatbot to the believers of conspiracy theories

 «Americans believe in a dizzying array of conspiracies. Some are relatively harmless. No one has recently attacked the Freemasons based on the bonkers belief that they sank the Titanic. But some conspiracy theories are destructive. Thousands of Americans have harmed themselves or others because they think that covid-19 jabs contain microchips or that the 2020 election was stolen. It’s getting harder to convince people that these ideas are wrong: to prosper in some political tribes, such as Donald Trump’s MAGA world, you must treat fantasies as articles of faith.

A new study (*) published in Science, a journal, finds that artificial intelligence (AI) chatbots may be better than humans at convincing truthers to stop believing nonsense. A trio of researchers at the Massachusetts Institute of Technology and Cornell University recruited nearly 2,200 self-declared conspiracy-theorists in America for a series of written conversations with GPT-4 Turbo, a chatbot. The subjects explained their theories and the evidence for them; the chatbot countered with facts.

To take one example, when a subject claimed that the federal government had orchestrated the attacks of September 11th 2001, and that the jet fuel from the crash was not hot enough to melt the steel girders supporting the Twin Towers, the bot answered like a cool-headed science teacher. “While it’s true that the temperatures jet fuel burns at (up to 1,000 degrees Celsius) are below the melting point of steel (around 1,500 degrees Celsius), the argument misrepresents the situation’s physics. Steel does not need to melt to lose its structural integrity, it begins to weaken much earlier.” By the end of the conservation the subject’s self-reported confidence in the theory fell by 60%.» (...)

Want to win an argument? Use a chatbot

(*) Durably reducing conspiracy beliefs through dialogues with AI, Thomas H. Costello, Gordon Pennycook and David G. Ran

___________

DISCLAIMER

I'm not entirely sure that the recipe will work and I fear that the most hardened believers will create yet another conspiracy theory - that Bill Gates who had already put microchips in vaccines ordered the GPT-4 Turbo to confuse people who believe he did it.

05/10/2024

Dúvidas (341) - O que está por detrás da decisão de continuar a usar a bitola ibérica? (2)

Continuação de (1)

Aparte as teorias da conspiração que não subscrevo, o artigo no Observador de Henrique Neto, que escreve regularmente sobre o tema, salienta uma vez mais o absurdo de justificar a bitola ibérica com mentiras, à falta de argumentos. Coloquei esta questão ao ChatGPT e obtive a seguinte resposta que confirma a falta de fundamento da história da carochinha do vice-presidente da empresa pública IP:

«A bitola ibérica (1.668 mm), utilizada tradicionalmente na rede ferroviária da Espanha e de Portugal, está passando por um processo de transformação significativa, com o governo espanhol priorizando cada vez mais a mudança para a bitola padrão europeia (1.435 mm). Essa transição faz parte de uma política de integração com o sistema ferroviário da União Europeia, com o objetivo de melhorar a conectividade internacional, facilitar o transporte de mercadorias e promover uma maior eficiência logística.

Intenções Futuras do Governo Espanhol em Relação à Bitola Ibérica

Conversão para Bitola Europeia: A principal intenção do governo espanhol é aumentar o uso da bitola padrão europeia, que facilita a interoperabilidade com as redes ferroviárias do resto da Europa. A expansão da rede de trens de alta velocidade (AVE) é um exemplo claro dessa tendência, pois todos os novos projetos de alta velocidade estão sendo construídos na bitola padrão europeia. Esse movimento visa melhorar as conexões internacionais, sobretudo com a França, permitindo trens de passageiros e de carga que possam cruzar as fronteiras sem a necessidade de ajustes nos eixos dos vagões.

Manutenção Parcial da Bitola Ibérica: Embora a tendência seja a transição para a bitola padrão, o governo pretende manter parte significativa da rede em bitola ibérica, especialmente para as linhas regionais e para algumas conexões de carga dentro da Península Ibérica. Isso se deve ao elevado custo e complexidade técnica de converter todas as linhas existentes e à necessidade de manter a conectividade local. As linhas regionais, que são muito importantes para a economia de regiões menos conectadas, continuarão operando em bitola ibérica por enquanto.

Adaptação Gradual e Sistemas de Bitola Variável: Outro aspecto importante das intenções do governo é o uso de tecnologia de bitola variável, que permite que alguns trens transitem tanto na bitola ibérica quanto na bitola padrão sem troca de eixos. A Espanha já possui trens com eixos ajustáveis e vários pontos de troca na fronteira com a França, e é provável que esse tipo de tecnologia continue sendo utilizado durante o período de transição.

Prioridade para o Transporte de Mercadorias: Uma das razões para a mudança gradual para a bitola europeia é o desejo de aumentar a competitividade do transporte ferroviário de mercadorias. Com a bitola europeia, o governo pretende facilitar o transporte internacional de carga, tornando-o uma alternativa viável ao transporte rodoviário, que domina atualmente a logística transfronteiriça. Essa integração busca diminuir os custos e o tempo de transporte, favorecendo as exportações e a logística em geral.

Conclusão

O governo espanhol parece decidido a avançar com a transição para a bitola europeia em novas linhas, principalmente aquelas de alta velocidade e de importância para o transporte internacional de mercadorias. No entanto, parte significativa da rede em bitola ibérica será mantida por razões econômicas e logísticas, e tecnologias de bitola variável serão usadas para garantir a continuidade do serviço durante o processo de transição. Assim, a Espanha está adotando uma estratégia híbrida, visando equilibrar a integração europeia e a manutenção de uma rede ferroviária eficiente dentro da Península Ibérica.»

12/09/2024

Títulos inspirados (95) - Titilando mentes fracas com palavras fortes

A Euronext Lisboa é uma bolsa da terceira divisão de uma economia periférica e o seu índice começou por ser o PSI 20 e encolheu até ao PSI 16 de hoje que é constituído por ALTRI, BCP, Corticeira Amorim, CTT, EDP, EDP Renováveis, Galp Energia, Greenvolt, Ibersol, Jerónimo Martins, Mota-Engil. Navigator, NOS, REN, Sonae. O número total de empresas cotadas que já tinha sido 150 é hoje 53.

Além disso, a importância da Euronext Lisboa medida pela valorização tem vindo a decair como se vê quando se compara a evolução dos últimos 15 anos do PSI com, por exemplo, o SBF 120 (calculado com as cotações do CAC40 adicionado das 80 acções mais líquidas da Bolsa de Paris).  Enquanto o PSI se desvalorizou 7%, o SBF 120 valorizou-se no mesmo período 125%

Não é difícil imaginar que a bolsa de Lisboa nunca foi, não é e nunca será um terreno atractivo para grandes investidores, muito menos grandes fundos. É neste quadro que temos de entender o exercício patético desta peça do semanário de reverência com um título estilo agitprop à altura do conteúdo:  "Quem são os 'fundos abutres' que investem quase €300 milhões para a bolsa nacional se afundar?". Estes "fundos abutres" são, segundo o jornalista de causas em causa, fundos que praticam o short selling ou venda a descoberto, uma prática que consiste em vender um activo esperando comprá-lo mais tarde a uma cotação menor, prática especulativa o que só faz sentido se o short seller tiver expectativas fundadas que o activo em causa está sobreavaliado o que em mercados evoluídos é considerado uma prática que reduz o risco dos investidores e aumenta a liquidez e a estabilidade dos mercados. 

Como quer que seja, como a própria peça reconhece, esses "fundos abutres" tem uma posição total que corresponde a menos de 0,5% da capitalização bolsista das 11 empresas portuguesas onde detêm posições, ou seja peanuts. Se a bolsa de Lisboa se afunda, que é o que tem vindo a fazer nos últimos 15 anos, isso deve-se tanto aos fundos abutres como a mortalidade do gado em Portugal se deve ao Gyps fulvus, uma espécie necrófaga.

27/06/2024

A teoria da conspiração da fuga de Costa para a Óropa era uma premonição


Há cinco anos citei num post a peça "Verdade escondida aos portugueses: António Costa já manobra nos bastidores para ir para Bruxelas", que admiti poder ser mais uma teoria da conspiração. À cautela, porém, sabendo o que a casa gasta, acrescentei que, tratando-se do Portugal dos Pequeninos governado por gente, como a que então nos governava, cujos antecessores fugiram, um do pântano para o olimpo das Nações Unidas e outro da bancarrota e da polícia para a Sorbonne, concluí que à cautela era melhor acolher o que então poderia não passar de uma teoria da conspiração e mais tarde poderia ser uma boa premonição.

Podia ser uma premonição e tudo agora indica que fosse, quando se sabe que os grupos Liberais, Socialistas e PPE chegaram o acordo sobre os nomes para os presidentes da Comissão Europeia e do Conselho Europeu e entre eles encontramos o Dr. Costa que há anos se andava a pôr a jeito. 

A esta luz fica explicado o mistério de uma demissão por razões triviais, demissão que agora se vê ter sido um pretexto para saltar do comboio antes da estação para não perder a oportunidade. Só não foi um golpe perfeito porque S. Ex.ª não aceitou substituí-lo pelo Dr. Centeno, se tivesse aceite teria sido um expediente win-win, assim foi apenas win-lose.

02/06/2024

Mr. Trump is not a bad candidate because he was convicted. He is a bad candidate because he is not morally and ethically fit for the presidency and is a politician with a dangerous transactional vision of politics

«For the first time a former American president has been convicted of a felony—34 felonies, in fact. This historic disgrace should both shock the nation and reassure it about its capacity to achieve justice. That the conviction of Donald Trump will probably accomplish neither result testifies partly to the corrosive power of Mr Trump’s shamelessness and partly to the complex, contestable nature of the charges brought against him.

A jury of Mr Trump’s peers weighed the evidence and unanimously convicted him of breaking election law by covering up payments of hush money to a porn star, Stormy Daniels, who says she had an affair with him. In itself the outcome would seem to vindicate a fundamental American principle, that no citizen is beyond the reach of justice. Yet over the long run this prosecution will probably do more to weaken than affirm the rule of law.

Legal experts have cited numerous avenues for credible appeal, and any appeal will not be resolved until long after the November election. That will make it all the easier for Mr Trump’s supporters to embrace his arguments that he is the victim of a biased judge and jury. This verdict is particularly vulnerable to appeal because of the lack of clear precedent for the charges the Manhattan district attorney, Alvin Bragg, chose to bring.

Falsifying business expenses is a misdemeanour under New York law, but by arguing that that crime was committed in order to commit or conceal another one, Mr Bragg was able to charge Mr Trump with felonies. Prosecutors argued, and Judge Juan Merchan agreed, that jurors did not even have to agree on precisely what other law Mr Trump violated, resulting in a vagueness that is sure to be one of the grounds for appeal. Mr Bragg, a Democrat, was elected to his post after boasting that he was most qualified to prosecute Mr Trump, giving the former president further grist to say he is the victim of political persecution by allies of his opponent, President Joe Biden.

That this verdict is particularly vulnerable to Mr Trump’s claims that the system of justice is being “weaponised” against him may seem a perverse reason to criticise it. No political figure should be able to hold the law hostage, extorting immunity from prosecution in exchange for not degrading the system of justice in the eyes of followers. But prosecutors exercise wide discretion in choosing what cases to bring, for good reason. They are supposed to consider not only the likelihood of conviction but also the seriousness of the crime and the public interest at stake. Mr Bragg’s predecessor, as well as Mr Biden’s Justice Department, considered bringing versions of these charges and elected not to. Compared with the other cases pending against Mr Trump, this one always seemed too much of a stretch to command widespread public legitimacy, and polling in advance of the conviction suggested that even that will not enhance faith that justice is being done.

Further, this prosecution has done more to help than hurt Mr Trump’s chances of winning back the White House, and, as the insurrection of January 6th 2021 ought to have made clear, that is a greater hazard to the rule of law than any fraudulent book-keeping. He was waning as a political force before Mr Bragg charged him in April 2023. The indictment put Mr Trump back in the spotlight, and even his Republican critics, including his opponents for the nomination, fell into line, supporting his claims of victimisation. Mr Trump rebounded among Republicans in the polls and began his march to the nomination. His proud defiance of the prosecution, including his recent rally before thousands of supporters in the South Bronx, has contributed to his image of strength. Mr Biden’s lacklustre campaign has struggled to take advantage of Mr Trump’s legal woes without implicitly lending credence to suspicions that they are political.

When Mr Bragg brought his case, he said he wanted to establish the importance of “true and accurate record-keeping”. At trial, prosecutors argued that the stakes were far higher, saying Mr Trump’s fraudulent record-keeping may have enabled him to “hoodwink voters” and win in 2016. Maybe this conviction, as some polling suggests, will cause independent-minded voters to abandon Mr Trump. If not, then paying hush money to Ms Daniels may now help elect Mr Trump a second time.»

The disgrace of a former American president

31/05/2024

A Inteligência Artificial ao serviço da manipulação da Ignorância Natural e da Estupidez Natural

«Na década de 1980, a KGB tinha um método bem estabelecido para espalhar desinformação em todo o mundo. "Preferimos trabalhar em documentos genuínos", lembrou Oleg Kalugin, ex-general da KGB, "com algumas adições e mudanças". Esse método não mudou muito, mas a tecnologia acelerou o processo. No início de Março, uma rede de sites, chamada CopyCop, começou a publicar histórias em inglês e francês sobre uma série de questões controversas. Eles acusaram Israel de crimes de guerra, amplificaram debates políticos controversos nos Estados Unidos sobre reparações da escravatura e imigração e espalharam histórias absurdas sobre mercenários polacos na Ucrânia.

Isso não é incomum para a propaganda russa. A novidade era que as histórias haviam sido retiradas de veículos legítimos de notícias e modificadas usando grandes modelos de linguagem, provavelmente um construído pela Openai, a empresa americana que opera o ChatGPT. Uma investigação publicada em 9 de Maio pela Recorded Future, uma empresa de informação sobre ameaças, descobriu que os artigos tinham sido traduzidos e editados para adicionar um viés partidário. Em alguns casos, o prompt – a instrução para o modelo de IA – ainda estava visível. Não foram subtis. Mais de 90 artigos franceses, por exemplo, foram alterados com a seguinte instrução em inglês: "Por favor, reescreva este artigo adoptando uma postura conservadora contra as políticas liberais do governo Macron em favor dos cidadãos franceses da classe trabalhadora".

Outro texto reescrito incluiu evidências de sua inclinação: "É importante notar que este artigo foi escrito com o contexto fornecido pelo prompt de texto. Ele destaca o tom cínico em relação ao governo dos EUA, à NATO e aos políticos americanos. Também enfatiza a percepção de republicanos, Trump, DeSantis, Rússia e RFK Jr como figuras positivas, enquanto democratas, Biden, a guerra na Ucrânia, grandes corporações e grandes farmacêuticas são retratados negativamente.

A Recorded Future diz que a rede tem ligações com a DC Weekly, uma plataforma de desinformação gerida por John Mark Dougan, um cidadão americano que fugiu para a Rússia em 2016. A CopyCop publicou mais de 19.000 artigos em 11 sites até o final de março de 2024, muitos deles provavelmente produzidos e publicados automaticamente. Nas últimas semanas, a rede "começou a angariar engajamento significativo ao publicar conteúdo direccionado e produzido por humanos", acrescenta. Uma dessas histórias – uma afirmação rebuscada de que Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia, havia comprado a casa do rei Charles em Highgrove, no Gloucestershire – foi vista 250 mil vezes em 24 horas e depois circulou pela embaixada da Rússia na África do Sul.

É improvável que esses esforços grosseiros convençam os leitores mais exigentes. E é fácil exagerar o impacto da desinformação estrangeira. Mas as falsificações habilitadas por IA ainda estão na sua infância e provavelmente melhorarão consideravelmente. Esforços futuros são menos propensos a divulgar os seus prompts incriminadores. "Estamos vendo todos os actores e grandes grupos cibernéticos a usar os recursos de IA", observou Rob Joyce, até recentemente director de segurança cibernética da Agência de Segurança Nacional, o serviço de informação de comunicações electrónicas dos Estados Unidos, em 8 de Maio. Em suas memórias, Kalugin gabou-se de que a KGB publicou quase 5.000 artigos em jornais estrangeiros e soviéticos apenas em 1981. Para o propagandista moderno, esses são números de principiantes.» 

A Russia-linked network uses AI to rewrite real news stories

07/03/2024

Put yourself in someone's shoes

I cannot guarantee that these images were not AI-generated or that they could in any way fake. However, they seem credible considering the publicly known aspects of the personalities in question that I associated in the same post, taking into account the admiration that, although not mutual, is quite intense on the part of Mr. Trump.
In any case, se non è vero è ben trovato, or at least I think so and, being one of the owners of the blog, ...

04/02/2024

ARTIGO DEFUNTO: O jornalismo de causas não perde uma oportunidade de fabricar uma teoria da conspiração

Sabemos que o efeito estufa foi assim nomeado desde 1901 por Nils Gustaf Ekholm, era conhecido desde 1824 por Joseph Fourier, com provas adicionais apresentadas por Claude Pouillet em 1827 e 1838, Eunice Newton Foote demonstrou em 1856 que o efeito é maior com o ar húmido do que com o ar seco e ainda maior com o dióxido de carbono e Svante Arrhenius publicou em 1896 um artigo explicando como o aumento das emissões de dióxido de carbono poderia levar ao aquecimento global.
The Guardian

Sabemos também que Copérnico publicou sua obra «De revolutionibus orbium coelestium» em 1543, onde fundamentou a teoria heliocêntrica, confirmada pelas observações de Galileu Galilei em 1610, e gradualmente aceite pela ciência da época, teoria que a Igreja Católica rejeitou e só veio a aceitar no início do século XVIII.

Podemos então concluir que a apresentação da smoking gun proof pelo Guardian de que a «indústria de combustíveis fósseis sabia do perigo climático já em 1954» e, por isso fez-se de morta durante 70 anos, escondendo do mundo o que era geralmente conhecido há décadas, é equivalente à apresentação da smoking gun proof  de que a Igreja Católica sabia desde pelo menos 1610 que a Terra girava à volta do Sol e fez-se de morta durante duzentos anos, escondendo do mundo que a teoria geocêntrica era uma treta como o mundo já sabia há pelo menos um século.

19/11/2023

Setting minds on fire to bring out the worst in them


«We will drive out the globalists, we will cast out the communists, Marxists, fascists. We will throw off the sick political class that hates our country … On Veterans Day, we pledge to you that we will root out the communists, Marxists, fascists and the radical left thugs that live like vermin within the confines of our country, that lie and steal and cheat on elections and will do anything possible … legally or illegally to destroy America and to destroy the American dream.

(...) the threat from outside forces is far less sinister, dangerous and grave than the threat from within. Our threat is from within. Because if you have a capable, competent, smart, tough leader, Russia, China, North Korea, they’re not going to want to play with us.»


Mr. Trump in his Veterans Day speech a week ago in Claremont N.H.

09/09/2023

CASE STUDY: O ersatz do líder da oposição (reedição)

A quase três anos de distância das próximas eleições presidenciais, cresce a lista de presidenciáveis por iniciativa própria ou alheia. Sem ser exaustivo já encontrei pelo menos as seguintes criaturas (por ordem alfabética): André Ventura, António Guterres, António Costa, Augusto Santos Silva, Henrique Gouveia e Melo, João Ferreira, Luís Marques Mendes, Mário Centeno, Paulo Portas, Pedro Passos Coelho, Pedro Santana Lopes. À falta de qualquer coisa de novo, vou repetir o que em tempos escrevi com as devidas adaptações.

Há uma tradição que remonta ao general Ramalho Eanes e atribui ao presidente da República as dores da oposição e o papel de ersatz do seu líder.

Talvez por isso o lugar parece tão atractivo. Veja-se a longa lista dos presuntivos candidatos, entre tantos outros já esquecidos ou ainda não revelados que poderão render-se à tentação de não mandar nada, nem deixar mandar, e não pagar por isso.

E porquê a atracção? Uma teoria conspirativa: é mais barato e mais agradável ser presidente da República do que líder da oposição, que implica suportar a travessia do deserto do poder, aguentar uma cambada de potenciais traidores escondendo as navalhas da traição nas calças da pouca vergonha e suportar uma infinita corja de medíocres ansiando por uma sinecura, tudo isto apenas mitigado pelo séquito de seguidores incondicionais, que vai minguando, na medida em que mingua a esperança do governo de serviço cair.

Mais importante do que perceber o porquê daquelas almas se sentirem atraídas pela presidência, quais borboletas pelo candeeiro, é perceber as causas da popularidade da coisa. Porquê a populaça venera tal comportamento, que outras populaças doutras paragens achariam irresponsável e oportunista?

Deve haver algo nas profundezas da alma lusitana que o explica. Algo que leva os portugueses a criarem mecanismos sociais e políticos para "entropicar" a sua vida. Acredito que a coisa remonta à ocupação da Lusitânia pelo império romano, se não antes – não é verdade que um governador romano escreveu ao imperador, lamentando-se, resignado, que os povos indígenas não ser governavam nem se deixavam governar?

18/08/2023

Donald Trump's opponents should fight his candidacy with political arguments instead of using debatable legal arguments that could even bolster his candidacy

Financial Times

I suspect that Donald Trump's supporters are his devotees not because they see him as a credible politician with a realistic program (assuming he has one) that they identify with, but simply because Mr. Trump presents himself as the best choice to defeat those who they consider to be their enemies. Therefore, any criticism or attack from their enemies is seen as a conspiracy theory that only confirms the correctness of the supporters' choice.