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27/09/2018

CASE STUDY: A indignação artística acerca da alegada censura de pilas e cus vista à luz da teoria do caos (2)

De volta ao furacão das Caraíbas, que, como vimos, não é uma furacão, e começou por ser uma manifestação de quatrocentas personalidades indignadas contra a alegada censura da obra de Mapplethorpe, artista que, desconfio, não teria despertado este culto se não fosse a temática provocatória, a obsessão transgressiva e a legenda que lhe colaram de herói-vítima das suas preferências sexuais (e de uma mãe castradora, acrescento).

À carta aberta das quatrocentas personalidades sucedeu uma imensa diarreia que se derramou pelas colunas e écrans dos mídia ameaçando submergir a administração da Fundação Serralves. Valeu-lhe o facto de Pacheco Pereira dela fazer parte, como reconhecimento de serviços prestados  - para não citar outros, recorde-se a presença de Costa durante 6 anos no programa Quadratura do Círculo na qualidade equívoca de candidato in waiting à liderança do PS.

Puxando dos seus pergaminhos em matéria de censura e do seu estatuto de pensador do regime, Pacheco certificou as decisões da administração perante a indignação ululante e poupou-a, até ver, à crucificação pelo cada vez mais numeroso exército do politicamente correcto.

25/09/2018

CASE STUDY: A indignação artística acerca da alegada censura de pilas e cus vista à luz da teoria do caos

A teoria do caos

A teoria do caos tenta descrever os sistema caóticos. Um sistema caótico, segundo Gollub & Solomon, é definido como um sistema sensível às condições iniciais. Isto é, qualquer incerteza, por menor que seja, no estado inicial de um sistema conduzirá rapidamente a erros cada vez maiores na previsão do seu comportamento futuro. O seu comportamento só pode ser previsto se as condições iniciais foram conhecidas com grau infinito de precisão, o que é impossível.

Entre os exemplos mais óbvios de sistemas caóticos podemos apontar a meteorologia (não por acaso, chove 9 em cada 10 vezes que saímos sem chapéu de chuva), e as sociedades humanas (não carece de explicação).

Como a teoria do caos só é inteligível por mentes superiores, os cientistas do caos inventaram uma vulgata para a tornar acessível a nós, os seres humanos comuns. De acordo com essa vulgata, os sistemas caóticos são caracterizados por pequenas causas poderem dar lugar a grandes efeitos, sendo o exemplo mais comum o do bater de asas duma borboleta em Pequim poder desencadear uma furacão nas Caraíbas, através duma sequência causal e de interacções complexas no sistema atmosférico.

O estado inicial do sistema

Era uma vez um rapaz nova-iorquino com um certo talento gráfico, uma mente perversa e uma mãe castradora que quis fazer dele um padre. Ainda bem que a mãe não teve sucesso porque provavelmente seria mais uma preocupação para o papa Francisco.

A evolução do sistema

O rapaz foi crescendo confirmando o seu talento para fotografia e o seu gosto pela perversão materializada em práticas bissexuais e numa obsessão pela transgressão dos padrões morais da época. Como seria de esperar, Robert Mapplethorpe, assim se chamava o rapaz, projectou a sua obsessão pela transgressão na sua obra fotográfica que polvilhou abundantemente de pilas e cus. Também sem surpresa, contraiu SIDA e morreu precocemente com 42 anos, juntando-se à colecção de heróis e role models da comunidade gay, gradualmente alargada à comunicada queer, ela própria instrumentalizada pela corrente do marxismo cultural conhecida como politicamente correcto.

O comportamento futuro

Ninguém sabe se, não fosse a temática e a morte sacrificial, a obra de Mapplethorpe despertaria no movimento queer e, por indução, no politicamente correcto, a veneração de que desfruta. Seja como for, no estado actual do sistema, a veneração é real.

O furacão das Caraíbas

Não é uma furacão, é apenas uma manifestação verbosa, sob a forma clássica de carta aberta, de resmas de artistas e outros profissionais da indignação contra uma imaginada censura da obra de Mapplethorpe pelo facto das pilas erectas e os cus estarem expostos numa sala separada da Fundação de Serralves acessível apenas a maiores de 18 anos.

A borboleta

Afinal, neste caso, qual é a borboleta? Se me pedirem para apontar uma, aponto a mãe castradora. Não fora ela e o rapaz não teria tido necessidade de gastar a sua curta vida a épater le bourgeois e logo, entre outras coisas, em vez de pilas e cus nas fotos do rapaz haveria naturezas mortas, por exemplo.

17/06/2018

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (82) - Por onde têm andado os jornalistas do semanário de reverência?


Alguém pode explicar, se faz favor, a estas criaturas que o êxodo do centro para a periferia não começou agora, começou há cinco décadas por várias razões entre as quais leis do arrendamento parecidas com as que a esquerdalhada quer ressuscitar. O êxodo começou há cinco décadas e, não por acaso, começou a inverter-se precisamente a partir do momento em que as leis do arrendamento foram «liberalizadas» (vade retro satana!) - ler aqui o contributo velho de 15 anos do Impertinente para a compreensão do êxodo do centro para a periferia à luz da teoria do caos.

12/05/2015

ACREDITE SE QUISER: Como um felácio mudou o curso da história da Europa e talvez do Mundo

À primeira vista, a epígrafe deste post poderá parecer um teaser. Para demonstrar que não é assim, socorro-me do caso de William Jefferson Clinton com Miss Lewinski na Sala Oval, caso que poderia ter levado à impugnação do presidente americano e, por via disso, mudado a história dos EU - a este respeito ver o Case Study: do fellatio à operação Choque & Cagaço - uma aplicação da teoria do caos. Esclarecido esta premissa, vamos à estória que mudou a história.

Se não fosse a venalidade da cleaning lady do hotel Sofitel de Manhattan onde Dominique Strauss-Kahn cedeu à tentação de um felácio rapidinho naquele fatídico 14 de Maio de há 4 anos tê-la levado até ao ponto de querer extorquir-lhe uns dólares adicionais, denunciando o serviço à polícia como um caso de violação, DSK estaria hoje sentado no Eliseu no seu segundo mandato em vez de a criatura que lá mora hoje e que tantas decepções trouxe aos crentes. Remeto os leitores a quem a memória esteja a falhar para a série em 5 episódios «Especulações politicamente incorrectas a propósito de DSK» que à época escrevi.

Se não fosse isso - e deveríamos aqui inserir a trama conspirativa de uma jogada da secreta francesa ao serviço da direita – DSK seria hoje M le President da la République «e a relação Paris-Berlim seria outra» porque «DSK tinha e tem um pensamento próprio, que expôs amplamente durante a crise, colocando em causa o modo como ela estava a ser combatida na Europa» porque, para ele, «esta crise não é como as outras. As regras do jogo mudaram…».

Em conclusão, se não fosse o felácio e o resto, hoje tudo seria diferente. Em vez da troika teríamos as instituições, Merkel teria sido domesticada pelo garanhão, O PEC 4 teria sido aprovado e viveríamos sob o enésimo PEC, o tio Ricardo continuaria a ser o DDT, o preso 44 ainda estaria em S. Bento, etc. – um enorme etc.

Descontado o meu compreensível entusiasmo narrativo, é esta a tese contada por Nicolau Santos em 3 densas páginas que a Revista do Expresso colocou à disposição do seu talento para a literatura.

27/06/2009

As crises são um autêntico desastre

O Senhor de La Palice também poderia ter escrito este sedutor working paper: «Power curves’: What natural and economic disasters have in common», Michele Zanini, The McKinsey Quarterly.

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15/06/2009

Ronaldo e a física do caos

«It's the physics of chaos that determines Ronaldo's free kicks»

Deve ser por isso que o Real Madrid vai pagar 80 milhões de libras ao Manchester.

15/06/2008

E se de repente o futebol catalisasse a química política

E se a saída anunciada de Scolari, um treinador motivacional (dizem os especialistas), tiver um impacto significativo no rendimento da selecção (a fraca exibição da equipa e o resultado de há pouco com a Suíça indiciam essa possibilidade)? E se, por via disso ou doutra qualquer razão, a esperança morrer ingloriamente na praia, ou seja nos quartos de final? Acaba-se o sucesso no futebol como ersatz do sucesso na vidinha e fica o aumento da gasolina, o corte nas férias, as prestações atrasadas. E se a isso acrescentarmos as corporações outra vez na rua a exigir do governo mais umas migalhas do orçamento?