Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.
» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

10/06/2026

CASE STUDY: A Administração dita Pública?

mais liberdade

Como se pode confirmar, é vasta a colecção de posts deste blogue em que se cita ou referencia a Dr.ª Clara Ferreira Alves, também conhecida como Pluma Caprichosa. Se concluirem que esta vasta colecção indicia uma certa fixação nessa luminária do jornalismo doméstico, não vejo como negar. A fixação explica-se por boas e más razões e, no que me diz respeito, as boas razões radicam no facto de a Dr.ª Clara ser uma pessoa portadora de uma inegável erudição e porque, surpreendentemente, estou por vezes de acordo com o que escreve. As más razões são: a sua ostensiva Cóltura, o seu cosmopolitismo pedante e, sobretudo, aquele faux pas (a coisa é contagiosa) da entrevista apologética ao Sr. Eng. Sócrates, a pedido do seu ídolo Dr. Soares.

Nos últimos tempos, a Dr.ª Clara tem andado desiludida com o curso das coisas e tem escrito sobre as trivialidades do Portugal dos Pequeninos, como fez a semana passada com o seu artigo com o título A Administração dita Pública em que se lamenta da odisseia da renovação do seu passaporte (um utensílio indispensável para continuar a exercitar o seu cosmopolitismo). 

Vale a pena ler essa peça porque é um retrato da inépcia, incompetência, ineficácia e ineficiência do aparelho administrativo do Estado sucial. E, no entanto, isso não será por falta absoluta de dinheiro porque a despesa pública em Portugal está acima da média da OCDE, apesar de, como o gráfico acima mostra, a sua composição diferir da média na Protecção social (mais oito pontos percentuais), nos Serviços públicos gerais (menos três p.p.) e, ao arrepio do discurso oficial, na Saúde (menos três p.p,) e na classe residual Outros (menos quatro p.p.). Se fosse só um problema de dinheiro - e não é - dir-se-ia que o Estado português gasta demasiado a dar colo aos cidadãos em detrimento do funcionamento da sua máquina administrativa.

Sem comentários: