Avarias da geringonça e do país seguidas de
asfixias
O Dr. Costa, o homem-elástico, esteve à beira da rotura
A evolução das sondagens colocou à prova a elasticidade do Dr. Costa que começou por recusar qualquer entendimento com o PSD, o CDS, o PCP, o BE, o PAN e o Chega, acabou a garantir que estaria
capaz de falar com todos, excepto o Chega, e até mandou o adjunto que gosta de malhar na direita garantir que o PS estaria disponível por fazer um acordo de cavalheiros com o Dr. Rio o que, pressupondo a existência de pelo menos dois cavalheiros, não me parece nada realista. O Dr. Costa demonstrou assim, mais uma vez, que os princípios não são para ele um fim em si mesmos e reafirmou a sua devoção pelo groucho-marxismo.
O Dr. Costa além de muito elástico tem vários chapéus
Na verdade,
até tem uma samarra que envergou para dar uma cor local à sua campanha no Alentejo.
Com o seu chapéu de líder do PS, o Dr. Costa criticou os políticos que defendem que
o futuro das pensões fique dependentes do «jogo de mercado», ou seja políticos como ele próprio, cujo governo tem 4,5 mil milhões do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social aplicados em acções e 14,7 mil milhões aplicados em obrigações, uns e outros cotados em bolsa.
Choque da realidade com a Boa Nova
O muitas vezes anunciado contrato-programa da ferrovia assinado em Junho de 2021 com a IP, que faz parte do pomposíssimo
Programa Nacional de Investimentos 2030, foi
prorrogado pela terceira vez. Como se sabe, isso para o Dr. Costa e a sua equipa não é um problema, é uma oportunidade, a oportunidade de continuar a fazer anúncios sobre o mesmo tema, caso um eleitorado abúlico lhe dê a oportunidade de continuar em S. Bento a fazer anúncios.
A difícil convivência do socialismo com a aritmética
O Dr. Leão estimou em Setembro o custo até então das medidas de resposta à pandemia em
30 mil milhões de euros. O Conselho das Finanças Públicas, no relatório Perspetivas Económicas e Orçamentais 2021-2025 estimou o
impacto líquido total dessas medidas em 4,2% do PIB em 2020 e 2021 o que em contas redondas (PIB de 2020 = 202,4 mil milhões e crescimento de 5% em 2021) dá 17 mil milhões em dois anos. O Tribunal de Contas estimou em Dezembro o custo dessas medidas em 2020 em
5,7% do PIB ou seja uns 11,5 mil milhões. A semana passado a Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO) estimou que entre Janeiro e Setembro de 2021 o impacto directo das medidas de política covid-19 no saldo orçamental foi de
-4 milhões de euros. Será que o Dr. Leão está a aplicar o célebre multiplicador keynesiano ao custo das medidas Covid?