Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

18/11/2017

Estado assistencialista falhado (17) - Uma espécie de vaca marsupial pública

João Abel Manta
Para se ter uma ideia do falhanço do Estado montado pelos colectivistas de todas as tendências, incluindo desde os comunistas durante o PREC e agora na geringonça em parceria com bloquistas, socialistas do PS e até aos do PS-D,  é suficiente ouvir este discurso de Centeno no parlamento sobre as «carreiras» e as «progressões» - onde o mérito não tem lugar - dos professores e dos restantes utentes da vaca marsupial pública para se perceber como a geringonça governa para a sua clientela eleitoral e que nessa clientela os funcionários públicos constituem a corporação principal que capturou o Estado extorsionário dos sujeitos passivos, no sentido fiscal e no sentido comum. É um Estado que representa a evolução natural do Estado Novo corporativista criado pelo salazarismo.

ACREDITE SE QUISER: Notícia seria matança de cozinheiro em congresso de cabritos

Expresso diário

17/11/2017

Nem só o Estado é amigo do empreendedor (10) - A maldição do jornalismo promocional, outra vez?

Como se poderá confirmar em outros posts desta série, o jornalismo promocional - uma variedade do jornalismo de causas - está frequentemente associado a uma maldição que leva as empresas promovidas a passar pelas maiores trapalhadas e no limite algumas delas a desaparecerem.

Espero que não seja o caso da Farfetch, uma plataforma de venda de artigos de luxo, o único unicórnio português - unicórnio segundo o jargão startápico é uma empresa tecnológica que foi avaliada em mais de mil milhões de dólares.

Mas receio que seja, porque desde 2007 até hoje, a Farfetch só perdeu dinheiro num total de quase 100 milhões de euros, dos quais 38 milhões só no ano passado, prejuízos que lhe comeram os capitais próprios negativos em quase 80 milhões de euros. É claro que existem a Amazon (desde a fundação), o Facebook (nos primeiros anos), a Tesla e várias outras empresas que perderam ou ainda perdem imenso dinheiro, crescem desalmadamente e estão cotadas em bolsa por dezenas ou centenas de vezes o seu valor contabilístico. Só que são todas elas empresas que criaram produtos ou serviços disruptivos o que não parece ser o caso da Farfetch. Pode ser que seja um unicórnio, mas até ver não apostaria neste cavalo.

Porém, a maior dúvida sobre o futuro radioso da Farfetch é a intensa paixão que está a provocar nos meios do jornalismo promocional, com destaque para o semanário de reverência que já tem um longo currículo de promoções falhadas.

DIÁRIO DE BORDO: E o Assange? E o Bill?

A lista de acusados de assédio sexual cresce todos dias. O último de que tenho conhecimento é o senador Al Franken que segundo o NYT foi acusado de beijar e apalpar uma apresentadora há 11 anos.

Desta vez é um senador democrata, haja Deus! O que me leva a completar a pergunta e o Assange? ainda falta muito? com e o Bill? Tudo porque Henrique Raposo, um rapaz sensível que também repudia a doutrina Somoza, se perguntava «já podemos destituir Bill Clinton?», recordando o vasto currículo do ex-presidente americano que culminou com o caso Monica Lewinsky, encerrado com a complacência das feministas democratas com um «I did not have sexual relations with that woman», dito com a argúcia de um advogado no distinguo entre coitus e fellatio e a linguagem corporal de um mentiroso consumado.

16/11/2017

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O fingimento como forma de governar

«O segredo da actual solução de governo sempre consistiu num jogo de sombras políticas: o governo finge que dá mais do que efectivamente dá, e os partidos que o apoiam fingem que recebem mais do que efectivamente recebem. Este jogo infantil faz feliz a União Europeia, na medida em que o país lá vai cumprindo as metas sem chatear muito – e com o patrocínio, imagine-se, da extrema-esquerda –; faz feliz PS, Bloco e PCP, pois permite-lhes encherem a boca com o sucesso das reversões e com o esgarçado “virar da página de austeridade”; e faz felizes milhões de portugueses, estranhamente disponíveis para serem enganados. Contudo, há alturas em que o choque entre o simulacro de realidade e a própria realidade é inevitável, produzindo momentos absolutamente caricatos.

(...)

Neste jogo de sombras todos se mexem, todos dizem coisas, todos parecem desempenhar os seus papéis, mas ao fim do dia só sobra uma tremenda opacidade, porque ninguém fala claro. Não se percebe o que é que Mário Nogueira festejou, não se percebe o que é que o governo prometeu, e não se percebe o que é que os professores ganharam. O governo inventou ontem o descongelamento de carreiras sem impacto no Orçamento de Estado. O que é isso? Nenhuma ideia. Mas, por favor, palmas para os grandes artistas.»

Excerto de «Descongela e põe no frigorífico», João Miguel Tavares no Público

Mitos (266) - Diferenças salariais entre homens e mulheres (4)

Outros mitos: (1), (2) e (3)

Os pergaminhos académicos não impedem que se caia nas mesmas falácias de sempre, neste tema contaminado pela ideologia. É o caso do artigo «Coladas ao chão com um tecto de vidro» de Luís Aguiar-Conraria, no Observador, onde em substância se conclui, com base numa amostra de 640 mil trabalhadores, que «a desigualdade salarial média em Portugal anda na casa dos 20%. Por um lado, menos mulheres acedem a profissões bem pagas; por outro, mesmo dentro da mesma profissão, as mulheres têm salários menores.»

Ora, uma vez mais, a desigualdade de que trata Conraria não pode ser a desigualdade para trabalho igual, ou seja para a mesma função ou posto de trabalho. Se fosse, estaríamos perante situações ilegais em milhares de empresas. É uma desigualdade perante a "profissão" e o problema está no que é uma "profissão".

Usando uma pitada de reductio ad absurdum, se entendermos, por exemplo, que "funcionário público" é uma "profissão" teremos de concluir que as mulheres são melhor pagas nesta "profissão", como aqui já referi. A explicação é simples: as mulheres estão em larga maioria nos professores que têm salários mais altos do que a maioria dos funcionários públicos, o que explica ser o salário médio das mulheres funcionárias públicas mais elevado do que o dos homens.

Vejamos as conclusões mostradas no diagrama seguinte de um outro estudo, já citado aqui, baseado no que respeita à Grã-Bretanha numa amostra de 8,7 milhões de trabalhadores - uma dimensão 14 vezes superior à de Conraria.

Economist
Também nos 3 países citados existe uma desigualdade acentuada entre os salários de homens e mulheres quando se observa a totalidade da amostra, desigualdade que se reduz a quase nada quando se comparam os salários para o mesmo posto de trabalho, empresa e função.

Suspeito que se Conraria definisse com rigor os conceitos e se, um SE com maiúsculas, tivesse acesso a dados com o detalhe necessário e os trabalhasse com metodologias adequadas, chegaria a conclusões comparáveis. Ou seja a conclusão de que nas economias modernas se pratica o princípio de a trabalho igual, salário igual.

Repetindo-me, o que é desigual é o acesso a certas profissões ou funções, consequência de mais de uma centena de milhar de anos de divisão do trabalho por sexos. Divisão de trabalho que a evolução tecnológica está a tornar cada vez mais obsoleta e que acabará por desaparecer, mesmo sem a engenharia social baseada em ejaculações legislativas. Aliás, suspeito que essa engenharia social em duas ou três gerações terá de trocar a discriminação positiva das mulheres pela discriminação positiva dos homens que precisarão dela para compensar a confusão nas suas mentes resultante do conflito entre as suas hormonas e os comportamentos feminizantes induzidos e de uma escola cada vez mais formatada para ensinar o sexo feminino.

Sugestão de leitura para quem queira aprofundar o tema deste tipo de falácias: «Male-Female Facts and Fallacies», um capítulo de Economic Facts and Fallacies, de Thomas Sowell.

15/11/2017

Dúvidas (210) - Como conseguem eles crescer assim sem Costa?

Depois do crescimento de 3% no 2.º trimestre, que tem tanto a ver com as medidas do governo da geringonça como os incêndios de Pedrógão, o 3.º trimestre registou um crescimento de "apenas" 2,5%, o que tem tanto a ver com o governo como o incêndio do Pinhal de Leiria. Ou, para ser exacto, talvez tenha a ver um pouco mais. Afinal a desaceralação no 3.º trimestre deve-se a um crescimento das importações superior aos das exportações e ao aumento do consumo em detrimento do investimento e isto, sim, tem a ver com as políticas e os incentivos da geringonça.

Ainda assim 2,5% é um excelente crescimento. Ou não? Depende. Nem por isso, se o compararmos com os 3,7% da Hungria, os 4,2% da Polónia, os 4,3% da República Checa e os 5,7% da Roménia, nem por acaso todos eles países comunistas até à década de 90.


Fonte: The Economist Espresso

De onde, apetece-me concluir, 43 anos em que a esquerda, numa das suas diversas encarnações, governou dois terços do tempo, é uma herança mais pesada do que um período equivalente de regime soviético na Europa de Leste.

DIÁRIO DE BORDO: Júpiter visto por Juno

Hemisfério sul de Júpiter fotografado pela sonda Juno

14/11/2017

Exemplos do costume (53) - Dá sempre jeito ter uma negaça de reserva

Tancos, colapso da Protecção Civil administrada pelos boys amigos de Costa na resposta aos incêndios (110 mortos), SIRESP contratado por Costa, SNS a colapsar, trafulhice nas filas de espera das cirurgias, legionella (5 mortos), cativações e engenharia orçamental, geringonça a desequilibrar-se só com duas pernas, greves, comunistas a acabarem a «paz social», comédia do Panteão Nacional...

Que tal se desenterrar o caso Tecnoforma? Dezenas de referências nos mídia nos últimos 7 dias.

ne·ga·ça 
(espanhol añagaza)
substantivo feminino
1. [Ornitologia Ave artificial que atrai as que andam voando. = CHAMARIZRECLAMO
2. [Figurado]  O que serve para atrair ou chamar a atenção. = ATRACTIVOCHAMARIZENGODO
3. Artifício para atrair com engano. = LOGRO
4. Negação ou recusa.

"negaça", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha]

CASE STUDY: Sant'Isaltino, o autarca milagreiro

Depois de uma ausência de 6 anos, durante os quais foi julgado, condenado e esteve preso quase 2 anos por corrupção passiva, fraude fiscal, branqueamento de capitais e abuso de poder, Isaltino Morais voltou à presidência da câmara de Oeiras. Ganhou as eleições de 1 de Outubro com maioria absoluta, derrotando a lista do anterior presidente Paulo Vistas, o seu vice durante dois mandatos, a quem acusou de ter manipulado um juiz para invalidar a sua candidatura.

Gradualmente e sobretudo nos últimos meses foi visível a degradação dos serviços camarários que pioraram até ao dia das eleições. Como indícios mais visíveis, raramente se via nas ruas de Oeiras o pessoal de limpeza e o lixo acumulava-se frequentemente nos pontos de recolha.

Pois bem, como que por milagre, nos dias imediatos à eleição e ainda antes da tomada de posse em 21 de Outubro, começaram a aparecer resmas do desaparecido pessoal da limpeza, com uniformes renovados, e o lixo recomeçou a ser recolhido regularmente sem falhas.

Além do milagre de Sant'Isaltino, é claro que existem outras explicações mais racionais para este fenómeno prodigioso, mas não vou entrar do domínio das teorias da conspiração.

DIÁRIO DE BORDO: E o Assange? Ainda falta muito?

Harvey Weinstein, Terry Richardson, Kevin Spacey, Dustin Hoffman, James Franco, Ben Affleck, Louis C.K e muitos outros (ver aqui uma lista de 40 nomes) foram acusados de assédio sexual anos depois, nalguns casos décadas depois dos actos.

Todos os dias são acrescentados novos nomes. Procuro o de Julian Assange, desde há seis anos com um pedido de extradição da Suécia - uma democracia falhada - por estupro e abuso sexual, e desde 2012 "refugiado" na embaixada em Londres do Equador - aquele país modelo de democracia. Em vão, até agora.

Actualização:
«Mensagens privadas trocadas através do Twitter revelam que o Wikileaks pediu ao filho do actual Presidente dos EUA para sugerir Julian Assange para o cargo de embaixador australiano em Washington» (Público). Vamos ver se com isto adicionam o Julian à lista dos mal-comportados.

13/11/2017

Pro memoria (366) - José Sócrates tinha razão

Continuação desta indignidade.


«O Costa não tem 'tomates' (...) ele é um merdas», José Sócrates, que foi chefe de Costa durante vários anos, gravado durante as escutas da Operação Marquês.

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (109)

Outras avarias da geringonça.

Os episódios da Web Summit mostram um Costa no seu melhor: a apropriar-se de tudo o que lhe parece sucesso, ainda que pouco ou nada tenha a ver com ele, e a passar culpas para o governo de Passos Coelho de tudo o que corre mal e lhe seja imputável. Usando as suas palavras sobre o jantar no Panteão Nacional, que poderia ter evitado e não evitou, a sua atitude é absolutamente indigna.

Outro exemplo glorificado pelo governo que pouco tem a ver com ele é a eleição para o conselho executivo da UNESCO. O comunicado do MNE salienta o facto de Portugal ter estado nesse conselho pela última vez entre 2005 e 2009 durante o governo Sócrates e voltar agora devido ao reconhecimento internacional - estamos a falar de um conselho com 58 dos 193 países membros da ONU o que só por via da aritmética levará cada membro da ONU a passar por lá regularmente.

12/11/2017

Pro memoria (365) - Absolutamente indigno e ofensivo é Costa ter «revertido» todas as medidas do governo anterior...

«António Costa diz que jantar da Web Summit no Panteão Nacional é “absolutamente indigno” e “ofensivo”

(...) e Ministério da Cultura diz que "estranhou" o evento. Ambos culpam lei do governo anterior, mas tiveram dois anos para alterá-la.» (Observador)

... e não ter revertido o que agora considerou «absolutamente indigno» e «ofensivo», ao mesmo tempo que se empenachou com o glamour do evento.

«Paddy, dá cá um abraço, espero que gostes de jantar
ao lado do Garrett, do Delgado e da Amália»
Esta gente não tem emenda, o que me lembra Eça de Queiroz:
«Esta gente não tem que cair, porque não é um edifício; tem que sair com benzina porque é uma nódoa»

Actualização:

«Já houve dez jantares no Corpo Central do Panteão Nacional. O evento final da Web Summit foi o terceiro evento organizado este ano no Panteão.»

«Turismo de Lisboa organizou jantar no Panteão quando Costa era presidente da câmara»

11/11/2017

CONDIÇÃO FEMININA / CONDIÇÃO MASCULINA: Os estereótipos são todos iguais, mas há uns melhores do que outros (2)

Continuação daqui.


O engenheiro de software James Damore trabalhava para a Google antes de resolver escrever um memo de 10 páginas onde tentou mostrar a diversidade biológica entre homens e mulheres, como ele próprio resume no vídeo acima.

A Google despediu Damore e Sundar Pichai, o CEO da Google, explicou que foi por «promover estereótipos prejudiciais de género no nosso local de trabalho». O que escreveu Pichai não é menos preconceituoso ao considerar que os estereótipos da Google são indiscutíveis, ao contrário dos pontos de vista de Damore que são estereótipos.

ARTIGO DEFUNTO: Escreveu a primeira coisa de jeito em anos e... arrependeu-se

O ano passado e há dias escrevi que acho excelente termos umas dezenas de milhar de forasteiros, com um razoável poder de compra, durante quatro dias em Lisboa a lotarem os hotéis, os restaurantes e os bares e a gastarem umas dezenas de milhões de euros. Já quanto aos pensamentos milagrosos que atribuem ao evento virtualidades para transformar o Portugal dos Pequeninos numa pátria de startups e num Silicon Valley manifestei as maiores reservas.

Socorri-me de um dos jornalistas-comentadores mais propenso aos pensamentos milagrosos que constatou com grande desgosto não ter encontrado nenhuma startup com sucesso que tivesse nascido do parto do ano passado e que a Web Summit não atraiu novas ideias nem investidores para startups portuguesas. Deve ter sido o pensamento mais sensato e realista que a criatura produziu durante a sua já longa carreira.

Pois, foi sol de pouca dura. Reparei agora que, poucos dias depois, Nicolau Santos se desdisse, talvez chamado à pedra pelos polícias do pensamento oficial - especulo eu -, atribuindo o que escreveu antes a ter sido vítima da sua impaciência - eu diria que sucumbiu ao realismo, o que para a criatura deve ser uma espécie de bacilo de Koch.

Para se desdizer cita vários sucessos de startups portuguesas desde a Farfetch e a Feedzai até à Critical Software, a Ciscog e a Outsystems cujo sucesso nada tem a ver com a Web Summit, aliás as 3 últimas são até anteriores à primeira Dublin Web Summit em 2009. Maravilha-se pelo facto de na Irlanda irem lá 25 startups portuguesas e em Lisboa estarem 250 - se contasse as startups irlandesas era capaz de chegar a números comparáveis. Resta o quê? Resta essencialmente o impacto no turismo, na hotelaria e na restauração que o bom do Nicolau estima em 200 milhões, o que para 60 mil pessoas a ficarem 4 dias dá uma média superior a 800 euros por pessoa/dia o que mostra que o nosso pastorinho da economia dos amanhãs que cantam voltou a usar na sua estimativa o multiplicador keynesiano, como já tinha feito com as autoestradas.

Para um retrato realista do impacto da Web Summit nas meninges dos investidores, recomendo a leitura do artigo do DN - estranhamento tresmalhado do pensamento oficial - com um título que é um bom resumo «Investidores há, não chegam é a abrir a mala do dinheiro».

10/11/2017

Pro memoria (364) - Costa dos Afectos

Palavras para quê? É um artista português.

«O primeiro-ministro tem emoções, afinal. Mas tem apenas uma, a euforia em face de uma websummit. O que o homem suava de contente. Only human, after all.» escreve a Pluma Caprichosa, que, apesar de se ter disposto a limpar a folha do ex-primeiro-ministro (*), que está na primeira foto numa cena ternurenta com o actual, só agora se apercebeu do Costa dos Afectos cuidadosamente escondido dos olhares profanos.

(*) Já reconheceu que foi uma asneira e que o fez a pedido de Mário Soares.

DIÁRIO DE BORDO: Enough is enough!

Há quinze anos duas comediantes que formavam um duo tiveram a oportunidade de participar num festival de comédia. Depois do espectáculo os bares já estavam fechados e foram convidadas por uma celebridade do mundo da comédia para beberem um copo no seu quarto do hotel. Aceitaram. Quando chegaram ao quarto Louis C.K., um conhecido comediante americano, perguntou-lhe se podia tirar o pénis das calças. Elas, duas mulheres adultas e com experiência de vida, riram, acharam piada e ficaram. Louis C.K de seguida despiu-se a masturbou-se em frente delas.

Quinze anos depois, aproveitando o tsunami mediático do caso Weinstein, Louis C.K., que é reconhecido como um promotor da carreira de mulheres, é acusado publicamente por aquelas duas artistas e várias outras de masturbar-se na sua presença, com o seu consentimento, note-se. (fonte NYT)

Debato-me com o dilema de não saber se é mais patético o ridículo a que se expôs Louis C.K. ao ficar a sacudir o pénis à frente de duas marmanjas se a falta de decência dessas marmanjas ao viram quinze anos depois relatar o espectáculo a que consciente e voluntariamente assistiram.

Já foi atravessada a fronteira da insanidade.

09/11/2017

ACREDITE SE QUISER: Há males que vêm por bem. O ministro que dá contentamento à NATO

Já sabíamos que o ministro da Defesa não sabe se alguém entrou em Tancos e no limite, pode não ter havido furto.

Ficámos agora a saber que «as avaliações pedidas pelo ministro da Defesa à segurança das instalações militares recomendam o aperfeiçoamento da formação e treino do pessoal dedicado à guarda do material militar, partilha de informação e normas comuns aos ramos. Essas avaliações foram pedidas na sequência do (alegado) assalto aos Paióis Nacionais de Tancos, em junho, que resultaram no desaparecimento de granadas, explosivos e outro armamento. Esta semana, o ministro admitiu que possa nunca ter havido um furto.»

«Estou a ver o contentamento de Jens Stoltenberg»
E como se isso não fosse o suficiente, o ministro da Defesa revelou após a reunião da NATO em Bruxelas que «é sempre agradável verificar, ainda há pouco, no fim da reunião, o secretário-geral veio falar comigo e especificamente dizer do contentamento dele por algo que não é muito comum, que é justamente, perante um roubo ou um furto grave de material militar, ter sido possível recuperá-lo».

Este é o ministro da Defesa perfeito para um exército que tem um CEMA que classifica com uma «ligeira discrepância perfeitamente compreensível» ter si encontrado mais material do que o roubado em Tancos.

Dúvidas (209) - Terceiro sexo? E os outros sete?



08/11/2017

07/11/2017

A mentira como política oficial (38) - Desservindo inequivocamente uma causa equívoca

O jornal inglês de esquerda The Guardian publicou uma espécie de manifesto (This is not just about Catalonia. This is about democracy itself) de Carles Puigdemont, o presidente do governo regional catalão, uma peça manipulatória e recheada de mentiras e meias-verdades.

Um marciano que tivesse acaba de aterrar ao ler o artigo imaginaria que Puigdemont, agora fugido para Bruxelas, seria o líder de um movimento de libertação e a Catalunha uma longínqua colónia povoada por indígenas oprimidos e explorados pelo despotismo de uma potência colonial.

Vale a pena ler a desmontagem de «Las diez mentiras de Puigdemont en 'The Guardian'» do jornal El Español.

7 de Novembro, a efeméride do golpe de estado de Vladimir Ilyich, o bacilo bolchevique do Kaiser que abriu a porta ao fürher Adolf

O assalto ao Palácio de Inverno

«Lenin initially thought it was “a hoax.” He was lucky that Germany inserted him like a bacillus (via the so-called sealed train) to take Russia out of the war. Back in Petrograd, Lenin, aided by fellow-radicals Trotsky and Stalin, had to overpower erring Bolshevik comrades, who proposed cooperation with the provisional government, and force them to agree to his plan for a coup. The government should have found and killed him but it failed to do so. He succeeded.

(...)

Without Lenin there would have been no Hitler. Hitler owed much of his rise to the support of conservative elites who feared a Bolshevik revolution on German soil and who believed that he alone could defeat Marxism. And the rest of his radical program was likewise justified by the threat of Leninist revolution. His anti-Semitism, his anti-Slavic plan for Lebensraum and above all the invasion of the Soviet Union in 1941 were supported by the elites and the people because of the fear of what the Nazis called “Judeo-Bolshevism.”

Without the Russian Revolution of 1917, Hitler would likely have ended up painting postcards in one of the same flophouses where he started. No Lenin, no Hitler — and the 20th century becomes unimaginable. Indeed, the very geography of our imagination becomes unimaginable

«What If the Russian Revolution Had Never Happened?», Simon Sebag Montefiore, um conhecedor da revolução bolchevique, no NYT

06/11/2017

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (108)

Outras avarias da geringonça.

A peça de teatro burlesco do alegado roubo de armas e munições em Tancos, que segundo o palhaço de serviço no MD até pode não ter acontecido, em exibição nos mídia há cinco meses, teve um novo acto: foi encontrado mais material do que o perdido, facto que para o CEMA é uma «ligeira discrepância perfeitamente compreensível». Perfeitamente compreensível é um exército assim, tipo república das bananas, ser de ligeira utilidade para a defesa da soberania nacional.

O burlesco não se esgota em Tancos e também passou no Congresso dos Bombeiros onde o primeiro-ministro ouviu o cacique presidente da Liga dos Bombeiros ameaçá-lo com um «nunca nos queira ver nas ruas por outras razões, mas não temos medo de o fazer» ao que, metendo o rabinho entre as pernas, Costa respondeu com votos de «que reforçaremos a nossa amizade».

05/11/2017

ACREDITE SE QUISER: Orçamento à medida

Trilema de Žižek

«Já escrevi várias vezes como Sousa Franco me confidenciou que ia ter com Guterres para escolher qual o melhor cenário macroeconómico. O primeiro-ministro escolhia a taxa de crescimento, inflação e desemprego e o ministro das Finanças fazia um orçamento à medida.»

João Vieira Pereira no Caderno de Economia do Expresso

Se Guterres e Sousa Franco eram considerados dois socialistas honestos (atenção ao trilema de Žižek), como será com Costa e o Ronaldo das Finanças?

Mitos (265) - Diferenças salariais entre homens e mulheres (3)

O tema da desigualdade sexual de salários é mais um tema de recurso para grudar as peças soltas da geringonça, uma vez que tem tudo para ser consensual entre as esquerdas - na verdade também entre as direitas. Quem é que não concorda com o princípio a trabalho igual, salários igual?

Uma vez mais, agora que a geringonça está em risco de se desconjuntar, depois da derrota histórica dos comunistas nas autárquicas que os levou a questionar-se sobre a utilidade de trazerem Costa ao colo, o tema voltou à baila e desta vez sob a forma de uma proposta de lei aprovada pelo governo na quinta-feira passada para apresentar no parlamento, com vista a promover a igualdade salarial de homens e mulheres.

E, no entanto, talvez por tanto consenso, o tema é o lugar geométrico das falácias. Sem me querer repetir, a desigualdade salarial entre sexos para o mesmo trabalho é praticamente inexistente em quase todo o mundo. Está demonstradíssimo que as mulheres recebem o mesmo que os homens quando fazem a mesma coisa durante o mesmo tempo. Aliás, se tivessem salário diferente para o mesmo trabalho será até ilegal na maior parte dos países. O que acontece é que frequentemente não fazem as mesmas coisas e em média trabalham menos horas porque recorrem mais frequentemente ao regime em tempo parcial. Porquê isso? Em muitos casos, resulta simplesmente da divisão tradicional de trabalho nas famílias, em que as mulheres ocupam uma parte significativa do seu tempo em trabalhos domésticos.

Faço um parêntesis para responder por antecipação às feministas que criticam essa divisão tradicional por considerarem inferior o papel das mulheres, recordando que na maioria dos casos o grau de complexidade e de responsabilidade do trabalho que as mulheres fazem em casa é maior do que o trabalho que muitos dos homens fazem nos seus empregos. Que o feminismo militante não consiga ver isso é, a meu ver, uma grande vitória do colonialismo machista que lhes enfiou no bestunto ideias sobre a suposta superioridade das ocupações masculinas desmentidas pela simples observação da realidade.

Já agora, para confundir as mentes esquerdizantes, permito-me chamar a atenção para o facto, cuidadosamente ignorado pelos militantes da igualdade salarial, de «as mulheres empregadas na administração pública portuguesa recebem, em média, salários superiores aos dos homens». E porquê? perguntarão. Ora porque as mulheres «têm melhores qualificações, que exigem, naturalmente, remunerações superiores». (fonte via)

04/11/2017

DEIXAR DE DAR GRAXA PARA MUDAR DE VIDA: Web Summit - as 200 mil dormidas já ninguém nos tira (2)

Na primeira edição do evento escrevi aqui: a mim parece-me excelente termos 50 mil forasteiros, com um razoável poder de compra, durante quatro dias em Lisboa a lotarem os hotéis, os restaurantes e os bares e a gastarem umas dezenas de milhões de euros (a estória das centenas de milhões é mais do foro da ficção) que tanta falta nos fazem para pagar as dívidas. O que tenho dificuldade em acompanhar são os delírios antecedentes e subsequentes.

Quanto às consequências do evento na transformação deste jardim à beira-mar numa espécie de pátria de startups e de Silicon Valley manifestei as maiores reservas. Um vale do silicone talvez.

Pois bem, agora é oficial. Nicolau Santos, o nosso pastorinho favorito dos amanhãs que cantam, já emitiu o seu veredicto. Ora lede:

«Depois da Web Summit de 2016 não houve un1a startup portuguesa que surgisse e se tornasse uma estrela no mundo das tecnologias de informação. E o ano de 2017, "será dos mais fracos dos últimos anos, porque não têm existido transações relevantes em Portugal este ano, com exceção da Série A da Codacy [€5 milhões] e da Série B da Feedzai [cerca de 50 milhões de dólares]", diz Stephan Morais, ex-administrador da Caixa Capital (capital de risco da CGD), num trabalho do meu colega João Ramos que publicamos amanhã no caderno de economia do Expresso. E conclui: "Duas transações não fazem um ecossistema."

Por outras palavras, a Web Summit não só não dinamizou a aposta nas empresas tecnológicas portuguesas, como não conseguiu atrair nem novas ideias nem investidores estrangeiros para startups portuguesas. Aliás, a falta de investin1ento português privado é o grande calcanhar de Aquiles do modelo de financiamento deste tipo de en1presas, muitas das quais correm o risco de morrer precisamente porque não conseguem obter os fundos suficientes para dar um salto em frente, internacionalizando-se e atacando os mercados externos.»

Ora, se ele, que foi capaz de acreditar no vigarista Artur Baptista da Silva, não acredita na miraculosa visão que no nosso jornalismo promocional nos quer implantar no nosso cérebro reptiliano, então podemos tomar como certo que a Web Summit, sendo boa para a hotelaria, a restauração e o alojamento, é igual ao litro para o resto.

Que alívio!

Uma comunicação de um grupo de biólogos na revista Proceedings of the National Academy of Sciences avançou uma explicação evolucionista para o envelhecimento celular, concluindo que envelhecer é uma fatalidade incontornável. Eis a explicação dada por quem sabe:
«Given that natural selection’s pressure is reduced after humans have procreated, it seems less likely to operate on the genetic underpinnings of all that joint-creaking and skin-wrinkling. But the researchers showed mathematically that, even if natural selection against such traits were perfect, cellular competition would still cause problems associated with ageing. If a cell acted only to maximise its utility to the whole organism, it would eventually lose out to more individually competitive cells. If instead it maximised its own vigour, out-competing surrounding cells useful to the wider organism, that is pretty much the definition of cancer.»
Más notícias para os muitos Peter Pan que procuram o elixir da eterna juventude e ainda arriscam a ganhar um carcinoma. Crescei e ganhai juízo.

Boas notícias para a humanidade em geral que não tem de aturar por 969 anos Trotsky, Lenine, Mussolini, Hitler, Estaline, Mao, Chavéz, Castro e outros da mesma extracção.

03/11/2017

ARTIGO DEFUNTO: Delito de opinião é escrever falsidades para justificar causas

«Puigdemont continua em Bruxelas e o que fará de seguida continua a ser uma incógnita. Espanha está com um problema terrível e uma questão começa a colocar-se. Os governantes presos são meros delinquentes, ou a sua prisão decorre de um delito de opinião? E isso é aceitável na União Europeia?» escreveu o jornalista de causas independentistas Valdemar Cruz na newsletter do semanário de reverência.

Delito de opinião? Que se saiba ninguém foi acusado por ser favorável à independência. Os membros do governo regional catalão são acusados por organizarem um referendo inconstitucional e por declarem a independência de uma região da Espanha, um Estado unitário segundo a constituição referendada por todos os espanhóis, incluindo os catalães.

Que os jornalistas tenham opiniões é inevitável e que tenham causas é perfeitamente aceitável. Que os jornalistas usem a sua profissão que lhes dá acesso à manipulação das meninges para as manipularem as meninges dos seus leitores é completamente inaceitável, sobretudo quando aviam as suas causas embrulhadas em «notícias». 

02/11/2017

ACREDITE SE QUISER: Portugal à frente dos Estados Unidos nas queixas

«No que se refere ao 'bullying', entre 31% e 40% dos adolescentes portugueses com idades entre os 11 os 15 anos disseram terem sido intimidados na escola uma vez em menos de dois meses. (...)

O país teve mais queixas do que os Estados Unidos, onde aconteceram três quartos dos tiroteios em escolas registados no mundo nos últimos 25 anos.» (Fonte)

De passagem, recorde-se que Portugal tem cerca de 1,4 milhões de alunos nos ensinos básico e secundário e o Estados Unidos têm 50,7 milhões, isto é 36 vezes mais. De onde temos de concluir que ou bem as estudantes portugueses são muito violentos ou são muito queixinhas.

01/11/2017

LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE: Para tirar os trapinhos qualquer causa é boa (23)

Outros trapinhos tirados.

Desta vez calhou a Polanski (fonte)
Desde há mais de quarenta anos, o realizado polaco naturalizado americano Roman Polanski cometeu vários crimes de pedofilia, alguns deles confessados. Fui acusado e condenado nos Estados Unidos aonde não voltou, mas isso não o impediu de ser muito celebrado na Europa, sobretudo em França.

Desta vez, na inauguração de uma retrospectiva dos seus filmes na Cinemateca Francesa em Paris, activistas do Femen resolveram manifestar-se contra a presença de Polanski e a hipocrisia da organização. Percebe-se. Só não se percebe porque cargas d'água as meninas da Femen não conseguiram controlar a sua pulsão exibicionista. Se fossem gajos a protestar e exibissem a hortaliça imagine-se a indignação...

31/10/2017

A defesa dos centros de decisão nacional (19) - Unintended consequences (VII)

[Continuação de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7),  (8), (9), (10), (11), (12), (13), (14), (15), (16), (17),(18) e (19)]


Recordemos os inúmeros manifestos pela defesa dos centros de decisão nacional, alguns deles assinados por empresários que passado algum tempo venderam a estrangeiros as suas empresas, recordemos as declarações vibrantes de patriotismo e as declarações inchadas de indignação da esquerdalhada em geral, incluindo socialistas, quando o governo «neoliberal» vendeu empresas por imposição do memorando de entendimento assinado pelo PS e resultante do resgate a que conduziu a governação de José Sócrates durante seis anos.

Recordado isso, estamos em condições de apreciar o «roadshow internacional para vender os grandes projetos portuários portugueses» que a ministra do Mar começou ontem em Pequim na companhia de 40 empresas nacionais para apresentar esses projectos a investidores chineses.

É claro para quem não se descola da realidade que esta necessidade de vender o país aos retalhos surge incontornavelmente pelo endividamento gigantesco de públicos e privados e pela consequente descapitalização da economia portuguesa, consequência de décadas a viver acima das posses. Dois anos atrás e teríamos comunistas e berloquistas a uivaram indignações, esperemos para ver como reagem agora que têm o rabo preso na geringonça.

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Marcelo & Costa, Lda.

«Estamos portanto no momento de maior poder para Marcelo e isso não é uma boa notícia para o país. Não estão em causa a sensibilidade e a generosidade do cidadão Marcelo Rebelo de Sousa. Nem o seu encanto, a sua cultura, a sua graça ou a sua inteligência. Acontece que as qualidades que levam a que todos gostássemos de ter Marcelo como professor, convidado para o jantar ou como vizinho não chegam para fazer dele um bom Presidente da República. Muito particularmente a sua dependência da popularidade que o tornou um excelente contacto para jornalistas e frequentadores da praia do Guincho, leva-o ora a tomar posições com uma ligeireza pueril ora a adoptar com uma volatilidade cruel o ponto que lhe é mais favorável no julgamento dos comentários do dia: a diferença de atitude de Marcelo Rebelo de Sousa face aos incêndios de Junho (Pedrogão) e de Outubro é reveladora dessa gestão das circunstâncias em função da sua popularidade: depois de ter andado com Costa ao colo, Marcelo desembaraça-se dele.

Do outro lado está António Costa que oscila entre a rudeza jacobina nos momentos em que sente forte e o acabrunhamento egocêntrico de quem, tendo sido sempre protegido, não consegue enfrentar as dificuldades. A frase “admito ter errado na forma como contive essas emoções” a propósito dos incêndios é digna de um consultório sentimental não de um chefe de governo. Morrem mais de cem pessoas em parte por falhas do Governo e a palavra responsabilidade continua a não ser pronunciada por António Costa. O que ele assume é ter contido as emoções. Estamos bem servidos! Ou seja Costa arrepende-se de não ter feito como Marcelo e ido por esse Portugal fora abraçando e beijando. Neste momento aliás não há líder que não se sinta compelido a imitar Marcelo.»

Excerto de «Os populares», Helena Matos no Observador

30/10/2017

Títulos inspirados (72) - Não serão três?

«Web Summit: Lista de oradores inclui António Guterres e dois ‘robots’»

Dado o débito vocal acelerado de Guterres, o actual SG da ONU poderia bem passar por um terceiro.

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (107)

Outras avarias da geringonça.

Já me têm perguntado se não seria preferível mudar o título desta crónica, já no seu 107.º episódio, dada a longevidade alcançada pela geringonça. Que não, tenho dito, e trago hoje em meu socorro Gonçalo Pistacchini Moita da UCP que num artigo de opinião muito a propósito intitulado «Ensaio de palestra popular sobre a estratégia e a tática marxistas» (o subtítulo que originalmente tinha o conhecido panfleto de Lenine «A doença infantil do “esquerdismo” no comunismo») escreveu:

«Socialistas, comunistas e esquerdistas, com efeito, têm como único programa (como agora voltará a ver-se no orçamento do Estado para 2018) a reversão daquilo que, enquanto primeiro-ministro, Passos Coelho fez ou terá feito. Em nada mais conseguirão pôr-se de acordo, pelo que a possibilidade da sua ação tem a duração limitada pela memória que os portugueses tenham das maldades que, segundo eles, Passos Coelho lhes fez.»

29/10/2017

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: L'État c'est lui

Os mais de 2 mil delegados ao congresso do Partido Comunista da China que terminou esta semana passada aprovaram incluir o nome e o pensamento de Xi Jinping nos seus estatutos, colocando-o no mesmo patamar de Mao Zedong, fundador e divindade da religião maoista. Perguntados se tinham alguma objecção à consagração nos estatutos do «Pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para a Nova Era» os delegados responderam com gritos de meió  (nenhum), como mostra o vídeo publicado pela BBC.

É interessante constatar que entre os países alguma vez dirigidos por um partido comunista a China é o único bem sucedido no campo económico ao substituir o comunismo por um sistema capitalista de direcção central, dominado por uma poderosa nomenclatura de apparatchiks liderada por um ditador de facto. Isto foi possível graças ao génio de Deng Xiaoping. Em contraponto, os russos tiveram um Mikhail Gorbachev que tentou salvar o sistema soviético injectando-lhe democracia, sem perceber não ser possível ter sol na eira e chuva no nabal. O seu idealismo levou a Rússia a ficar com sol no nabal e chuva na eira e uma plutocracia administrada pelo czar Putin.

28/10/2017

Vivemos num estado policial? (14) - Sim, vivemos. E talvez por isso os polícias nunca são suficientes

Outros casos de polícia.

Recapitulando:

Segundo o relatório da OCDE divulgado em Fevereiro, Portugal «tem 432 polícias por 100 mil habitantes, um valor que torna a polícia portuguesa 36% mais bem equipada do que as polícias na média dos países europeus» (jornal Eco). Note-se que os GNR são polícias com outro nome e são contados como tais nas estatística da OCDE. Acrescente-se que na Europa só somos ultrapassados por Malta e a Irlanda do Norte.

Novos desenvolvimentos:

Semanário de Reverência

Repare-se como as causas podem avariar o cérebro do jornalista de causas: «o número de agentes efectivo é o mais de reduzido sempre (...) mas ainda superior ao registado em 2015». De sempre? Perguntareis. Sim, porque o sempre só começa a contar em 26 de Novembro de 2015 quando Costa foi entronizado às cavalitas de Jerónimo e Catarina. Seja como for, não vos inquieteis porque o governo tratará de contratar mais utentes da vaca para nos manter no topo do ranking dos Estados mais policiados.

27/10/2017

ACREDITE SE QUISER: Worten, um palco para as lutas sindicais da função pública

Esta sexta-feira deu-se mais uma greve-com-ponte da função pública. Segundo a camarada Avoila teve uma adesão de 80% e na Saúde e Educação chegou aos 90%. Deve ter sido mais um sucesso para a Worten que nos dias de greve costuma fazer, e fez uma vez mais, promoções especiais dedicadas aos utentes da vaca marsupial pública que aproveitam a folga e vão para a lojas lutar pelas melhores promoções de gadgets.

Pro memoria (363) – A mitologia esquerdista do agravamento das desigualdades em Portugal durante o governo PSD-CDS

No paper «The Political Economy of Austerity in Southern Europe», publicado em Setembro no New Political Economy, Sofia A. Perez e Manos Matsaganis demonstraram «que houve uma variação significativa na magnitude e no desenho da austeridade, com a Itália impondo um ajuste muito menor do que a Espanha, e Portugal com menos desigualdades apesar de uma consolidação fiscal robusta. No entanto, mesmo quando as medidas de austeridade foram projectadas para reduzir a desigualdade ao comprimir os rendimentos, os seus efeitos macroeconómicos de segunda ordem aumentaram a desigualdade (excepto em Portugal.

Não por acaso, o paper de Sofia A. Perez e Manos Matsaganis foi citado (com algum detalhe e extensão) nos mídia portugueses unicamente pelo Observador. Até agora nenhum jornalista de causas se deu sequer ao trabalho de referir um estudo que contraria as teses tão trombeteadas até à ascensão de Costa ao governo às cavalitas de comunistas e bloquistas.

Estas conclusões vão no mesmo sentido das que apresentei neste post de há três anos que agora republico.

Mitos (170) – A crise agravou as desigualdades, teve efeitos mais graves em Portugal e os pobres foram os mais afectados e entre eles os idosos

26/10/2017

AVALIAÇÃO CONTINUA: Ficou-lhe a alma para trás

Secção Padre Anchieta

Corria o ano de 1554, num certo dia, numa breve parada, após longa, acelerada e extenuante caminhada para Reritiba à frente dos Tupis que lhe carregavam as trouxas, o Padre Anchieta deu-se conta que os índios, sentados sobre as suas tralhas se recusavam a recomeçar. Perguntando-lhes o porquê, explicaram-se os Tupis, com grande soma de pachorra, que na rapidez da caminhada a alma lhes tinha ficado para trás e tinham precisão de esperar por ela.

Vem esta lenda, que inspira a secção, a propósito do nosso primeiro-ministro que descobriu recentemente, após 110 mortos, que a sua pose arrogante não era muito apreciada nestas alturas dramáticas. E foi assim que, inspirado na pose do presidente dos Afectos que tem tido imenso sucesso, resolveu fazer um facelift e iniciar uma peregrinação pelos Cus de Judas ou pelo Portugal Real, como se dizia nos anos 80.

Começou em Pedrógão Grande e continuou pelo distrito de Coimbra a distribuir sorrisos e abraços como este aqui ao lado, a espalhar afectos, a anunciar o maná dos subsídios, a enumerar os milagres que já foram feitos e os que ainda haveriam de ser até ao Natal.

O Semanário de Reverência descreve aqui, com grande soma de pormenores e muita poesia, a descida de Costa até ao Povo prometendo que «o bacalhau já será nas casas».

Infelizmente para os resultados futuros da digressão, Costa não tem o talento do Ti Célinho e, à força de querer parecer outro, pode acabar por não saber quem é, deixar a alma para trás e perder a pouca autenticidade que ainda lhe resta quando se mostra no seu estado natural - a arrogância.

Por tudo isso, ofereço-lhe em quantidades discricionárias chateaubriands (por confundir os Cus de Judas com Lisbolha), pilatos (por ter lavado as mãos das suas responsabilidades pessoais e directas no desastre do combate aos incêndios - recorde-se aqui e aqui) e ignóbeis (pelo postiço dos afectos e dos abraços).

25/10/2017

Pro memoria (362) – gone with the wind (republicação e actualização)

seis anos publiquei o seguinte post:

Ao ler no Expresso a promoção de mais um futuro sucesso das empresas amigas do regime, levo sempre instintivamente a mão à carteira. Desta vez, com honras de uma chamada de meia primeira página do suplemento de Economia e um desenvolvimento noutra página completa, amplamente ilustradas com duas enormes fotos, é o projecto Windfloat da EDP – um gerador eólico Vestas montado numa estrutura sobre uma plataforma flutuante, a ser construída na Lisnave em Setúbal e destinada a ser ancorada ao largo da Póvoa do Varzim. O brinquedo custa 15 milhões segundo o Expresso ou 20 milhões segundo outras versões.

Falece-me o tempo e a ciência para escalpelizar as razões da minha suspeição quanto ao sucesso desta inovação e sobretudo à sua viabilidade económica. Direi apenas que este projecto me reavivou a memória do projecto Pelamis, naufragado também ao largo da Póvoa do Varzim, em tempos uma das meninas dos olhos do ex-ministro Pinho (o dos corninhos) e agora enferrujando ao largo de S. Pedro de Moel, salvo erro.

Por agora, registo para futura verificação.

Verificação seis anos depois:

«Até 2019, o parque eólico flutuante que o consórcio liderado pela EDP quer instalar ao largo de Viana do Castelo tem de estar ligado e a produzir energia de fonte renovável. O risco de falhar o prazo é o de o projecto Windfloat Atlantic, cujo custo estimado ronda os 115 milhões de euros, perder os fundos comunitários de 30 milhões atribuídos em 2012 pelo Programa NER300.» (fonte)

Repare-se o efeito Lockheed Tristar em todo o seu esplendor. Um projecto eventualmente inviável que custaria 15 ou 20 milhões há seis anos custará agora 115 milhões ou seis a oito vezes mais. À maneira habitual, provavelmente irão ser gastos ainda mais do que os 115 milhões para não perder os 30 milhões de fundos comunitários. Foi assim que uma parte significativa dos mais de cem mil milhões de subsídios comunitários pagos extorquidos aos contribuintes europeus, o equivalente a mais de 55% do PIB anual actual, foi delapidada.

24/10/2017

Pro memoria (361) - O governo como colecção de amigos de Costa

«Eduardo Cabrita, novo ministro da Administração Interna, Pedro Siza Vieira, novo ministro adjunto, e o ministro sombra Diogo Lacerda Machado foram colegas de António Costa na Faculdade de Direito de Lisboa. O mesmo aconteceu com José Apolinário, secretário de Estado das Pescas. Ana Paula Vitorino, ministra do Mar, é mulher de Eduardo Cabrita. Um dos secretários de Estado do Ministério das Finanças – António Mendonça Mendes, Assuntos Fiscais – é irmão de Ana Catarina Mendes, secretária-geral adjunta do PS. Carlos César pontifica na Assembleia da República e, como sabemos, dentro do seu agregado familiar falta somente ao periquito conseguir a integração nos quadros da função pública.

Vieira da Silva é ministro da Segurança Social e a sua filha, Mariana Vieira da Silva, secretária de Estado adjunta do primeiro-ministro. O ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, é filho de José Matos Fernandes, antigo secretário de Estado da Justiça de Vera Jardim. Guilherme W. d’Oliveira Martins, secretário de Estado das Infraestruturas, é filho de Guilherme d’Oliveira Martins, triplo ministro de António Guterres. Mário Centeno, ministro das Finanças, não é filho de nenhum socialista famoso, mas anda há dois anos a obedecer às ordens do Largo do Rato – ainda assim, António Costa colocou Fernando Rocha Andrade, seu homem de confiança, a vigiá-lo. O ministro da Educação é um jovem que deve a António Costa a carreira política. O ministro da Saúde deve-lhe o mesmo, mesmo não sendo jovem.»

Ver mais amigos no artigo de João Miguel Tavares «Isto é um governo ou o clã de António Costa?»

¿Por qué no te callas? (21) - Exercícios

Exercício a dois
Exercício de hipocrisia de Costa forçado a engolir a bazófia habitual depois de ter sido entalado pelo Ti Célinho:

«Se quer que eu peça desculpas, eu peço desculpas» disse Costa no parlamento. Dois dias depois superou-se a si próprio e acrescentou «admito ter errado na forma como contive essas emoções».

Exercício de ligeireza e manobrismo de Ti Célinho para confortar Costa que ambos sabem se irá vingar pela humilhação as soon as possible:

«Entre hoje de madrugada e hoje de manhã estive a analisar as medidas do Conselho de Ministros. Quero sublinhar a forma rápida e tão abrangente como o Conselho de Ministros quis tratar de tudo e de tantos dossiês em tanto pouco espaço de tempo”, disse Marcelo Rebelo de Sousa no dia seguinte a terem sido aprovadas à pressão e em cima do joelho resmas de medidas que, muito provavelmente, são um perfeito disparate diz quem sabe. A coisa não vai lá com facilitismo e não há milagres.

23/10/2017

Dúvidas (208) - Para que servem dois partidos de protesto que não protestam?

«Tanto na Soeiro Pereira Gomes como na Rua da Palma, os dirigentes da extrema-esquerda sabem bem que umas eleições legislativas antecipadas iriam ditar uma diminuição abrupta dos dois grupos parlamentares. Afinal, para que servem dois partidos de protesto que agora têm medo de protestar?

Acontece que BE e PCP estão bloqueados no seu próprio desespero. Como já aqui escrevi anteriormente, não podem protestar para não afetar o governo que apoiam e não podem deixar de ser partidos de protesto, senão perdem a sua razão de existir.»

Pergunta-se João Gomes de Almeida e responde (e eu com ele) servem de «muletas de um governo PS, travestidas de oposição».

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (106)

Outras avarias da geringonça.

Não vou gastar mais cera com tão ruim defunto. Depois de 110 mortos e três relatórios independentes, o colapso do governo em geral e da Protecção Civil em particular é demasiado óbvio, salvo para os 52% dos portugueses que vivem prisioneiros nas suas bolhas.

Pelas mesmas razões não vou esmiuçar a comédia do material de Tancos, que no limite poderia não ter sido furtado e que apareceu na Chamusca por indicação de um denunciante anónimo que o primeiro-ministro se esqueceu de felicitar. Talvez valha a pena acrescentar que a comédia de Tancos, em cena há vários meses, foi precedida de uma outra, só agora chegada ao palco: a GNR recuperou umas miudezas (cinco toneladas de peças de um carro de combate) furtadas do Campo Militar de Santa Margarida, que também apareceram ainda antes do caso de Tancos numa sucata na Chamusca. A Chamusca vê-se assim promovida a uma espécie de armazém de reserva das forças desarmadas portuguesas.

22/10/2017

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (47) - Os vários marcelos de Marcelo

Outras preces.

Agora que Marcelo Rebelo de Sousa atingiu a aprovação quase unânime com a declaração de Oliveira do Hospital em que entalou o governo, irritou a esquerdalhada (que rosna em silêncio a sua raiva contida pela popularidade do PR) e deixou excitada a não esquerda à beira de uma ejaculação precoce, torna-se ainda mais importante tentar um retrato de MRS sem as espessas camadas de maquilhagem mediática.

É por isso de leitura obrigatória o que disse em entrevista ao Expresso de ontem Carlos Blanco de Morais, seu aluno e assistente e de quem MRS foi orientador da tese de doutoramento. Lá se encontram os traços que por aqui temos apontado como perigosos num PR: a volubilidade, o catavento mediático, o populismo ("inclusivo") e a obsessão pela popularidade, o manobrismo, o calculismo e a frieza por trás da fachada dos afectos. Aqui vão alguns excertos. Não digam que não foram avisados.

«Depois do que aconteceu é difícil que continue a sua função de escudo ou para-raios. O que não quer dizer, até tendo em vista a idiossincrasia e psicologia do PR, que é muito fluida e por vezes volúvel, que tenha rompido com a atual coligação. Tenho as maiores dúvidas. (…)

Que eu designei como semipopulismo porque o PR capta e diz aquilo que a população quer ouvir e isso faz parte das características do populismo. A sua conduta e gestos de natureza simbólica marcam esse entrosamento entre o chefe de Estado e a população comum. Só não será populismo porque os populistas operam habitualmente através de uma dicotomia amigo-inimigo, fixam a existência de um adversário. O PR não, tem um discurso inclusivo. A ideia não é estabelecer um inimigo, mas resolver problemas e captar todas as dificuldades, anseios e vender alguns sonhos. (…)

É um populismo de escalão mais entrosado com a população comum, o que implica uma mistura entre sensibilidade pessoal e teatro, que gere admiravelmente. (…)

O PR até agora usou muito pouco os seus poderes jurídico-constitucionais, teve uma função tribunícia, fez advertências, usou da palavra e da sua proximidade. Aí, inflou a sua popularidade. A estratégia presidencial desta 'cooperação de veludo' foi entrosar-se com o Governo apanhando o embalo do estado de graça deste, inflando a sua popularidade e em função dela pretende usá-la politicamente, convertendo esse acumulador de popularidade numa manifestação de autoridade. (…)

A ideia de que o Presidente fez agora uma ameaça de dissolver o Parlamento é um mero desejo. O PR é muito flexível, respira política 24h por dia e é cauteloso. Só dissolveria com a certeza clara de que o partido do poder não retornaria mais forte ou em coligação. (…)

Se há alguém que faz cálculos políticos e não atua emotivamente é o PR. A gestão de afetos faz parte da sua estratégia presidencial, mas a idiossincrasia do Presidente é fria e de jogador. (…)

O comentador não morreu na figura do PR, foi apenas reconvertido numa função tribunícia. (…)

Mesmo para os 'marcelólogos', o PR é sempre imprevisível. Ninguém pode estar seguro em momento nenhum de qual vai ser a sua conduta. A única coisa de que se pode ter a certeza é de que nunca afrontará de forma ostensiva o vento da opinião pública.»

21/10/2017

Um dia como os outros na vida do estado sucial (33) - A cada um a sua bolha

Como é sabido, o material de Tancos que, segundo o ministro, no limite poderia não ter sido furtado e que a  Polícia Judiciária Militar e a Guarda Nacional Republicana procuraram em vão durante três meses e meio, foi encontrado na Chamusca a partir de uma denúncia anónima.

Segundo o Expresso, o primeiro-ministro Costa, felicitou ontem «o trabalho desenvolvido pela Polícia Judiciária Militar (PJM) e pela Guarda Nacional Republicana (GNR)» que consistiu em ir ao local indicado pelo denunciante anónimo recolher o material que no limite poderia até não ter sido furtado. O facto de não ter felicitado o denunciante anónimo confirma que Costa vive na Lisbolha.

Estudo de opinião da Eurosondagem nos dias 16 a 18 (Fonte Expresso)
O facto de, depois de dois incêndios devastadores que mataram 110 pessoas, ter ficado patente e reportado em três relatórios independentes o falhanço completo da Protecção Civil e do governo, 52% dos portugueses confiarem na Protecção Civil ou não saberem se hão-de ir ao WC ou dar corda ao relógio só é explicável por esses 52% dos portugueses viverem dentro das suas próprias bolhas.

20/10/2017

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O socialismo costista e a engorda do Estado para sustentar a clientela (2)

«O problema vem ao de cima quando tentamos ver os actos dessas palavras. É enorme a distância entre aquilo que se diz que se faz e aquilo que realmente é concretizado. A coesão social, o combate à pobreza e a promoção da igualdade limitam-se ao segmento do mercado eleitoral urbano que faz mexer o ponteiro dos votos. Os outros ficam ao abandono, como dolorosamente vimos na morte e na vida de quem esteve dentro dos incêndios do fim-de-semana.

A situação agrava-se quando as lideranças governamentais ou mesmo parlamentares são um círculo fechado onde quase todos andaram no “liceu” com quase todos, conheceram os pais ou até os avós, conviveram ao longo de anos por laços de amizade ou familiares. O seu mundo é aquele minúsculo universo de amigos e conhecidos que confundem com o país. As suas prioridades de governo da comunidade são hierarquizadas de acordo com o que conseguem ver nesse seu mundo, infantilizando os seus concidadãos.

Excerto de «Uma tragédia escolhida por nós», Helena Garrido no Observador

O socialismo de Costa sustenta-se da vaca marsupial pública e vive a huis clos na Lisbolha.

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O socialismo costista e a engorda do Estado para sustentar a clientela

«É verdade: a sorte, nos últimos vinte anos, deixou sempre António Costa e os seus correligionários governar quando havia algum dinheiro para gastar, como agora. Mas o importante não é a sorte, mas o que fazem eles actualmente com essa sorte. Outrora ainda prometiam “mudança” e “reformas”. Agora, reduzem o Orçamento de Estado a um orçamento de campanha eleitoral. Em que acreditam? Aparentemente, que a melhor maneira de controlar este país envelhecido e endividado é concentrar os recursos no Estado e favorecer com eles o funcionalismo público e os pensionistas mais bem pagos. Tudo o mais pode ser sacrificado, até essa velha vaca sagrada do SNS, como notou o Tribunal de Contas.»

Excerto de O governo da desistência nacional», Rui Ramos no Observador

A «vaca voadora» de Costa é a vaca marsupial pública, que nunca voou e não voará porque nas suas túrgidas tetas está pendurada a clientela eleitoral.

19/10/2017

A mentira como política oficial (37) - De "ninguém quer" a "inevitável" em apenas 40 horas

Negócios e Jornal de Notícias (via Insurgente)

Até para os marxistas-leninistas-trotskistas-maoístas é demasiado. Estão tão apegados ao poder que se o Costa cai e tiverem de voltar às direcções das associações de estudantes, às redacções dos jornais e aos teatros vão ter de fazer uma cura de desintoxicação e tomar metadona.

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Costa enfiado na Lisbolha

«Quando olhamos para os seus dois anos como primeiro-ministro, aquilo que vemos é uma gestão política confinada ao eixo Terreiro do Paço-São Bento, com incursões pontuais a Bruxelas. O governo leva muito mais tempo a reunir com o Bloco e com o PCP do que a pensar no futuro de Portugal, até porque as grandes reformas estão bloqueadas à esquerda. A chamada “geringonça” é uma máquina carente de assistência técnica permanente, pelo que não é de espantar que quando o país real telefona para São Bento a linha esteja ocupada. Não são só os bombeiros e a GNR que não conseguem contactar a Protecção Civil – o Portugal profundo também não consegue falar com o primeiro-ministro.

António, rapaz de Lisboa, começou na política aos 14 anos, aos 22 já estava na Assembleia Municipal, e excepto o curto ano em que foi deputado europeu sempre viveu e trabalhou nos meios políticos da capital. A falta de empatia de António Costa após a dupla tragédia deste Verão pode ter a ver com isto: o primeiro-ministro sempre olhou para o país a partir do Terreiro do Paço. Foi tanta a frieza com que reagiu ao apocalipse do fim-de-semana que é como se o Portugal profundo fosse para ele uma entidade abstracta, tão distante como as colónias para Salazar. Costa vive e respira dentro de uma bolha política, que ele domina como ninguém. Quando as arestas da realidade mais bruta explodem essa bolha, o que sobra do primeiro-ministro? Ainda é cedo para uma avaliação final, mas até agora sobrou muito pouco.»

Excerto de «António Costa, primeiro-ministro de Lisboa», João Miguel Tavares no Público 

18/10/2017

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (46) - Too little? Too late?

Outras preces.

«Se na Assembleia da República há quem questione a capacidade do atual Governo para realizar estas mudanças que são indispensáveis e inadiáveis, então, nos termos da Constituição, esperemos que a mesma Assembleia soberanamente clarifique se quer ou não manter em funções o Governo».

Marcelo Rebelo de Sousa em Oliveira do Hospital (TVI24)

Se não too little, pelo menos um too late perdido no meio do too much que tem sido a verborreia presidencial.

Pro memoria (360) - Homem prevenido vale por dois

Quando era presidente da câmara de Lisboa, Costa dizia «não existe solução» para as inundações na cidade. Deixou a câmara entregue ao afilhado Medina e logo se propôs prevenir o que não tinha solução.


Como ministro responsável pela adopção do SIRESP no governo de José Sócrates e primeiro-ministro responsável pelo falhanço em todo a linha da resposta do governo aos incêndios deste ano que mataram mais de uma centena de pessoas, Costa recuou três anos e repetiu a ladainha. Não tem emenda.

17/10/2017

Pro memoria (359) - Os incêndios são todos iguais mas há uns mais iguais do que outros (I)


Em 2015, na vigência do governo PSD-CDS, tinham ardido até 31 de Julho menos de 30 mil hectares de floresta e houve 2 vítimas, uma das quais bombeiro. BE e PCP produziram indignados comunicados, como os citados acima.

Em 2017, na vigência do governo do PS, coligado na geringonça com BE e PCP, até hoje arderam 225 mil hectares de floresta ou 316 mil hectares segundo a Comissão Europeia, isto é 7 ou 10 vezes mais do que em 2015. Este ano morreram 64 pessoas nos incêndios de Pedrógão e até agora 41 pessoas nos incêndios do fim de semana passado, isto é 50 vezes mais do que em 2015.

Alguém escutou os pedidos de desculpa de socialistas ou os protestos de bloquistas e comunistas? O ruído do silêncio dos outrora indignados BE e PCP é ensurdecedor.

ACREDITE SE QUISER: O pénis como construção social resultante da heteronormatividade patriarcal

«Em Maio do corrente ano, dois outros académicos, Peter Boghossian e James Lindsay, decidiram renovar a partida académica e submeteram um trabalho para a Cogent Social Sciences, revista indexada nos principais meios de divulgação científica. Defendem os autores que o órgão genital masculino, o pénis, é, em boa verdade, uma construção social. Fazem-no «através de um criticismo discursivo pós-estruturalista detalhado e do exemplo das alterações climáticas».

O artigo, referem ainda no resumo, «questiona a prevalente e prejudicial mistificação social de que os pénis são melhor entendidos como órgãos sexuais masculinos, e atribuir-lhe-á um papel mais adequado enquanto tipo de desempenho masculino». Dadaísta? Era esse um dos objectivos — testar a filtragem do nonsense na arbitragem por pares nas revistas do género. O artigo foi aceite e publicado, tendo sido removido apenas após os próprios autores fazerem a denúncia do caso.»

Relatado por Mário Amorim Lopes em «A Guerra dos Géneros e as falsificações científicas»

16/10/2017

ESTADO DE SÍTIO: Vaticangate

«A prosecutor called it “a case of surprising opaqueness, of silences and terrible mishandling of public money”. The conviction on Saturday of Giuseppe Profiti, ex-president of a Vatican-owned children’s hospital, for misusing his position to divert €422,000 ($499,000) from its funds, is a reminder of a dark side of the Catholic Church at odds with the ascetic modernising of Pope Francis. The money was to be used to refurbish the penthouse retirement apartment of the former Secretary of State, Cardinal Tarcisio Bertone, once the second-most-powerful man in the Church. Mr Bertone denied knowing of the hospital’s involvement and says he spent around €300,000 of his own, whereas the diverted cash went to the builder’s British-registered company. Yet the court heard that Mr Bertone had bypassed Vatican rules by hiring the builder, a friend, without seeking rival quotes. Curiously, the cardinal was not called to testify

The Economist Espresso

The cardinal was not called to testify. Why's that?