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21/12/2017

ARTIGO DEFUNTO: Jornalismo de "referência" é o jornalismo de causas adoptado pelo jornal que se diz de referência (6)

Continuação de (1), (2), (3), (4) e (5)

Na sua edição do passado dia 8, o Expresso ultrapassou-se a si próprio, dedicando as duas páginas centrais do caderno principal à promoção de Carlos Moedas e a receptáculo dos recados do comentador Marcelo, agora residente em Belém. São peças tão repelentes que precisei de alguns dias a vencer a minha repugnância para escrever este post.

Passo a citar alguns nacos mais putrefactos de uma das peças com um título que é todo um programa «Marcelo sonha com ele para o PSD»:

«Pelo menos um dos fundadores do partido (…) vislumbra no atual comissário português em Bruxelas uma forte hipótese para, num futuro não muito longínquo, suceder na liderança social-democrata, seja a Rui Rio, seja a Santana Lopes. 

Desconsolado com as duas candidaturas na forja para suceder a Pedro Passos Coelho, Marcelo Rebelo de Sousa não tem disfarçado em privado o entusiasmo com que acompanha a carreira de Carlos Moedas, que considera um caso raro de competência, rigor, inovação e cosmopolitismo. Marcelo vê em Moedas uma carta "fora do baralho".

(…) apareceu alguém diferente, com um discurso de rutura e que funcionou como uma lufada de ar fresco capaz de mobilizar atenções e apoios e de retirar o partido de uma letargia prolongada. Nos anos 80, esse nome foi Aníbal Cavaco Silva. Algures nos anos 2000, Marcelo admite que possa ser Carlos Moedas. 

(…) No estilo, são muito diferentes. Moedas, ao contrário de Cavaco, não é um carismático. Mas tem mais mundo e tem um trato tu- cá-tu-lá que o analista Marcelo prefere à distância dos frios. No léxico (e na visão) marcelista, diz-se que Carlos Moedas "encaixa na política mais cosmopolita e dos afetos". 

"Quer vir?"
Que o Presidente da República gosta da sua companhia é indisfarçável. Quando o comissário vem a Lisboa basta telefonar a  Marcelo e juntam-se em Belém a conversar.»

Esqueçam o Código Deontológico do Jornalista, esqueçam o Código de Conduta dos jornalistas do Expresso, esta é apenas uma amostra que diz tanto sobre a subserviência do jornalismo ao serviço de causas obscuras como sobre os conflitos de interesse e a instrumentalização recorrente da presidência da República por Marcelo Rebelo de Sousa para servir a sua agenda pessoal.

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