Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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28/05/2026

The news of Mr. Trump's reputation as a great negotiator is more exaggerated than the news of Mark Twain's death while he was still alive

«Donald Trump’s reputation and political career were built on his dealmaking prowess, yet the president keeps demonstrating that he is a terrible negotiator.

Repeatedly over the past nine years, Trump has gotten rolled by counterparts during high-stakes exchanges. North Korea, Russia, Russia again, China, and China again have gotten the better of the United States. Trump has had to slink back to Washington without much to show except empty talk about friendship with whatever dictator has just run circles around him. He’s had some success in brokering agreements when acting as a third party (though not nearly as much as he pretends) but much less luck when his own government is a participant. The one glaring exception came when he was effectively negotiating with himself, getting his own administration to set up a $1.8 billion slush fund for his political allies.

The newest example of Trump’s artlessness is Iran. Let’s review the past few days: Trump posted on Saturday that he was close to striking a deal with Tehran that would end the war he started earlier this year and reopen the Strait of Hormuz. As the outlines of the agreement began to emerge, it looked both incomplete and bad: Trump had postponed discussing the hardest issues—matters, such as nuclear weapons, that led him to go to war—in exchange for opening the strait, which was open before Trump started the war. Hawkish Trump allies promptly criticized the deal, and despite histrionic pushback from Trump aides, the president had begun backing off claims of an imminent agreement by Sunday. “If I make a deal with Iran, it will be a good and proper one, not like the one made by Obama,” he posted. “Our deal is the exact opposite, but nobody has seen it, or knows what it is. It isn’t even fully negotiated yet.” Yesterday, in a sign that a deal might not be near at all, the U.S. military conducted what it called “self-defense strikes” against Iranian targets—directly contradicting the administration’s previous claims about having wiped out any threats to the United States in Iran.»

David A. Graham, The Atlantic

16/04/2024

Um semanário incompetente deu um tiro no seu próprio pé quando queria dar um tiro no pé do governo chico-esperto, tiro supérfluo porque o governo o havia antecipado

A estória parece complicada mas é simples. O Dr. Montenegro anunciou uma redução do IRS neste ano de 1.500 milhões (o que é verdade) e omitiu que o orçamento aprovado pelo PS já incluía uma redução de 1.300 milhões, pelo que a redução da responsabilidade do governo AD era de apenas 200 milhões.

Já aqui zurzi a incompetência do semanário de referência que publicou na primeira página um título completamente falso sobre a duplicação da descida do IRS, incompetência a que o director somou má-fé ao desculpar-se com o governo,   

Também já tinha apontado o dedo à aparentemente deliberada pouca clareza do Dr. Montenegro a que acrescento agora a incompetência na gestão da comunicação ao admitir que a sua chico-espertice iria passar desapercebida a uma oposição impaciente que, apesar da também óbvia incompetência, conta com a preciosa ajuda de pelotões de jornalistas de causas e de opinion dealers que em vez escrutinarem as acções do governo fazem backup às falhas da oposição com a maior falta de independência e de objectividade.

Acrescento ainda, desengane-se quem imagina que o importante é o conteúdo e que a comunicação é secundária, para não dizer irrelevante. Se um governo, nomeadamente um primeiro-ministro, não tem competência para comunicar, o que sempre foi grave, é desastroso no mundo mediático em que estamos mergulhados, e, no caso de um governo ideologicamente desalinhado com a turba que habita as redacções (reforçada com o humor de causas do humorista mais popular no activo), é mortal. 

E a incompetência na comunicação é uma das marcas dos governos PSD que fica mais visível por causa do desalinhamento com a opinião publicada. Para ficar por um só exemplo, o slogan de Passos Coelho "para além da troika" (ler aqui o que o outro contribuinte escreveu há quase dez anos e este contribuinte subscreve), para além de não corresponder à verdade, deu lenha à esquerdalhada para torrar o governo perante um eleitorado que adora vitimizar-se.

14/04/2024

ARTIGO DEFUNTO: O "semanário de referência" chama embuste e fraude do governo à sua própria incompetência

A qualquer pessoa que tenha seguido com um módico de atenção as medidas de redução do IRS anunciadas pelo governo, deveria ser evidente que o título bombástico na primeira página do semanário de reverência só poderia ser um disparate (ou talvez não, o que seria ainda mais grave).

De facto, o que o Dr. Montenegro disse no parlamento, que o próprio Expresso cita na sua página 6, foi
«É a ‘medida popular’ por definição e custa aos cofres do Estado 1500 milhões de euros, para ajudar a “libertar os portugueses do excessivo fardo fiscal”, como disse Montenegro na apresentação do programa de Governo, esta quinta-feira no Parlamento.»
Em lado algum, a não ser no título do Expresso, o Dr. Montenegro é citado a dizer que «duplica a descida do IRS» e parecia claro para toda a gente, excepto para o Expresso, que os 1.500 milhões de euros era a montante total da redução em relação ao ano passado, o que inclui a redução já prevista no OE 2024 apresentado pelo governo PS.  

Poderá dizer-se que o Dr. Montenegro, fazendo o que costuma fazer o PS, se exprimiu com pouca clareza não explicitando que cerca de 1.300 milhões dos 1.500 milhões já estavam no OE 2024? Pode dizer-se certamente e competiria o Expresso repor as coisas na sua dimensão. Não o fez e, perante a grossa asneira do título que não tem pés nem cabeça, em vez de se retratar e pedir desculpa pela sua incompetência, publicou uma Nota do director com o título «É mais do que um embuste. É enganar os portugueses» em que desmente o que publicou e atribui a um embuste e fraude do governo o que resulta da sua própria incompetência.

Foi com essa reacção despropositada e mistificadora que o Expresso tentou limpar a sua folha ao ver-se alvo do tiro de barragem do PS pelo título que de facto parecia saído de um gabinete de agitprop. Para quem se intitula semanário de referência não está mal.

09/11/2023

DIÁRIO DE BORDO: Uma demissão que parece uma fuga, como a do seu antecessor e patrono


O Dr. Costa saiu primeiro-ministro de umas eleições que perdeu, aliou-se a partidos não democráticos montado numa geringonça, governou mal durante quase oito anos, foi complacente com a corrupção e a incompetência dos membros do seu governo, para dizer o menos, ou foi cúmplice para dizer o mais. Não fez uma única reforma, adoptou políticas públicas que acentuaram a dependência económica e política do país face a Bruxelas e a dependência dos cidadãos face ao Estado sucial, políticas desastrosas que desacreditaram o sistema público de ensino e o tornaram inútil como instrumento de mobilidade social e transformaram o SNS num sistema de saúde ineficaz, ineficiente e caro a que só pobres recorrem por falta de alternativa. Como se não bastasse, essas políticas comprometeram a convergência económica com a UE, cujos países mais pobres nos ultrapassaram ou estão em vias de conseguir.

Qualquer uma destas falhas, chamemos-lhe assim, seria razão suficiente para se ter demitido. Fazê-lo agora a pretexto de um inquérito parece, mais do que qualquer outra coisa, uma fuga do "pântano", como a do seu patrono Eng. Guterres, com o qual disputará o lugar do pior primeiro-ministro desde Dona Maria II.

07/12/2022

CASE STUDY: Trumpologia (79) - Entrada de leão e saída de sendeiro

More trumpology.

By the mouth dies the fish

«Do you throw the Presidential Election Results of 2020 OUT and declare the RIGHTFUL WINNER, or do you have a NEW ELECTION? A Massive Fraud of this type and magnitude allows for the termination of all rules, regulations, and articles, even those found in the Constitution. » (Apud Politico)

Donald Trump num post publicado no sábado na rede social Truth Social, criada por sua iniciativa 

«Former President Donald Trump is facing rebuke from both parties after calling for the “termination” of parts of the Constitution over his lie that the 2020 election was stolen» (abc NEWS)

 «The Fake News is actually trying to convince the American People that I said I wanted to ‘terminate’ the Constitution. This is simply more DISINFORMATION & LIES» (Apud Politico)

Donald Trump num post publicado na segunda-feira na Truth Social 

Adding insult to injury,

«Keller @ Large: Trump-backed Herschel Walker's campaign turned into fiasco for Republicans» (Fox5)

16/02/2022

O amadorismo e a displicência do Dr. Rio só podia ser esmagado pelo profissionalismo e a diligência do Dr. Costa

Para quem tenha ficado com dúvidas sobre o grau de preparação e da diligência do Dr. Rio e da gente de quem se rodeou para as eleições legislativas, recomendo a leitura da peça «Como funcionam as pessoas que influenciam Costa na sombra» de Vítor Matos que sendo sobre a campanha do Dr. Costa serve de contraste para a campanha do PSD, uma vez ou outra citada na peça.

Há um mundo a separar o amadorismo do Dr. Rio e da sua equipa e a displicência com que conduziram a campanha e o profissionalismo e empenho da equipa do Dr. Costa. É possível que mesmo com uma campanha profissional como a do PS, o PSD tivesse perdido, por razões de estratégia, de ideias ou da falta delas, de políticas e da própria personalidade e liderança do Dr. Rio, um político local com um grande ego e ideias pequenas. Sobre isso haveria pouco a fazer. Falhar na intendência não tem desculpa. 

09/01/2022

A maldição da tabuada (58) - É um completo desaforo, mas também podem ser dificuldades com a aritmética

Outras botas para descalçar

«… o PS acaba de prometer fazer "crescer (o PIB) por ano, em média, ( ... ) um ponto percentual acima da média da zona euro (19 Estados- membros)". Mas também promete "reduzir, no mínimo, até 2026, o peso da dívida pública no PIB para valores inferiores 110%”. Imagine-se que os 19 Estados-membros crescem 1%. Nesse caso o PIB português deveria crescer 2%. Se a taxa de inflação média no período for de 2% a taxa nominal do PIB será de 4%. Mas para limitar a dívida a 110% do PIB o défice acumulado de quatro anos não pode ser superior a 1%! Sabem o que isso significa? Significa que temos de reduzir o défice quase imediatamente a zero logo em 2022! E para isso, o que vão fazer? Com promessas de despesa crescente o que nos vão rapar em impostos? Se prometem reduzir os impostos diretos e querem reduzir o consumo de combustíveis onde nos vão sugar os nossos rendimentos? Na eletricidade que carregam os automóveis elétricos? Nos consumos caseiros? Como? Como? Como?» 

«Como?», pergunta-se o prof João Duque na sua coluna habitual do Expresso

11/11/2021

ESTADO DE SÍTIO: E agora? Irá o Dr. Costa tentar reconstruir um novo Bloco Central com os tijolos do Muro de Berlim? É homem para isso (3) - Caso ainda persistissem dúvidas, o Dr. Rio já as eliminou

Admiti que o Dr. Costa tentasse aliciar o Dr. Rio para com ele reconstruir um novo Bloco Central. Três dias depois Dr. Rio sentiu o chamamento e chegou-se à frente. Como se pudesse haver dúvidas, o Dr. Rio foi ontem à SIC desfazê-las explicando que se o PS ganhar sem maioria está disponível para negociar e nem vê necessidade de integrar o governo. 

É claro que o quid não está na declaração em si, porque é evidente que numa democracia qualquer partido tem de estar disponível para negociar com quase todos os outros sobre quase tudo. O quid reside no facto de, sendo isso evidente, se antes das eleições o líder de um partido com aspirações a governar com um programa próprio sente necessidade de dar essa garantia ao líder do principal adversário está a fazer uma declaração de desistência e admissão antecipada de derrota e, em em consequência, a pôr-se a jeito para perder as eleições.

30/10/2021

ESTADO DE SÍTIO: E agora? Irá o Dr. Costa tentar reconstruir um novo Bloco Central com os tijolos do Muro de Berlim? É homem para isso (2) - O Dr. Rio já se ofereceu

«Se eu descarto a possibilidade de dialogar com alguns, estou a ir contra o interesse nacional. O erro de António Costa foi ficar enquistado à esquerda e eu agora vou fazer o mesmo? Os partidos não podem ser assim tão radicais, não devemos fechar as portas todas», disse o Dr. Rio em entrevista à SIC.

Não foi preciso o Dr. Costa aliciar o Dr. Rio para com ele reconstruir um novo Bloco Central, como admiti no post de há três dias. Ele já se chegou à frente para tentar manter o lugar em nome do que chamou «interesse nacional».

27/10/2021

ESTADO DE SÍTIO: E agora? Irá o Dr. Costa tentar reconstruir um novo Bloco Central com os tijolos do Muro de Berlim? É homem para isso


Pela primeira vez, um orçamento do governo socialista não foi aprovado e teve os votos contra dos seus parceiros da geringonça, os quais no segundo governo do Dr. Costa foram despromovidos de parceiros a passageiros da Passarola que agora caiu, com os passageiros a saltarem em andamento, tentando escapar ilesos.

Há quem especule que com a mesma falta de convicção e de princípios com que o Dr. Costa, rompendo com um passado inaugurado pelo Dr. Soares, promoveu a parceria com comunistas e bloquistas, ele tentará promover o Dr. Rio mantendo-o na liderança do seu PS-D para, na eventualidade provável de eleições, com ele reconstruir um novo Bloco Central com os tijolos do Muro de Berlim que ele disse ter derrubado.

19/10/2021

COMO VÃO DESCALÇAR A BOTA? (35) - Entrada de leão, saída de...

Outras botas para descalçar
Expresso

Mais um português no topo do mundo. Bem diz S. Ex.ª, «somos os melhores dos melhores». E é assim, de sucesso em sucesso, vamos caminhando para o fundo da tabela na produtividade e para o topo no endividamento.

Jornal de Negócios

29/09/2020

Malhar em defuntos políticos e bajular quem tem popularidade e quem controla votos. Há quem lhe chame coragem

Ana Gomes sobre:

Cavaco Silva: «múmia paralítica»

Marcelo Rebelo de Sousa: «afectos foram úteis para desanuviar do estilo múmia paralítica»

António Costa: «desempenho de quadro de honra como governante»; «não precisava» de estar em comissões de honra, isto para quem disse de Vieira o que Maomé não disse do chouriço.

09/03/2020

Apelo à PETIÇÃO PÚBLICA "Dr. Centeno, por favor não saia agora...!"


FUNDAMENTAÇÃO:

«O Corona vírus já começou a fazer estragos na economia. Ao contrário das crises “normais”, determinadas por recessão externa, nesta os efeitos fazem-se sentir diretamente em Portugal. O setor onde isso é mais notório é o Turismo, que registou um crescimento brutal nos últimos dez anos: de 9 milhões de turistas em 2010, passámos em 2019 para 27 milhões!!!

Este aumento da procura levou a um investimento recorde: surgiram centenas de novos hotéis, hostels e uma atividade nova, o alojamento local. O Turismo foi um dos setores que mais contribuiu para o crescimento do PIB e para a forte descida do desemprego entre 2013 e 2019.

Este modelo sofre agora o primeiro revés: viagens canceladas, supressão de voos, cancelamento de dormidas.... a que se soma a quebra vertical do turismo chinês. Se a situação se prolongar, assistiremos a um aumento do desemprego e à degradação das contas externas (o Turismo representa receitas anuais de 17 mil milhões).

Mas o arrefecimento não se cinge ao Turismo. A quebra das cadeias de supply-chain chinesas, responsáveis pelo fornecimento de centenas de milhar de empresas na Europa e Portugal, compõe o ramalhete.

Onde é que isto nos deixa? Num sarilho. Se a economia desacelerar, tudo fica sob pressão: as contas externas, as contas públicas (uma quebra da receita poderá colocar o défice entre os 2 e os 3%) e a dívida pública.

Moral da história: agora que a economia está a desacelerar vale a pena pedir ao dr. Centeno que não se vá embora. Governar com os astros alinhados, é uma coisa; governar com recessão é outra. O dr. Centeno tem agora uma excelente oportunidade para mostrar que tem unhas para tocar guitarra.»

"Dr. Centeno, por favor não saia agora...!", Camilo Lourenço no Jornal de Negócios

29/10/2019

CASE STUDY: Trumpologia (53) - AI (Arrogance and ignorance), as usual

Mais trumpologia.

Depois de ter deixado os curdos, os principais aliados dos americanos no combate ao Estado Islâmico, à mercê do déspota Erdogan, a quem twittou uma bazófia inspirado na sua «inigualável sabedoria» e a quem escreveu no mesmo sentido, o Donaldo recebeu como resposta humilhante que a sua carta tinha ido para o caixote do lixo do déspota.

De caminho, justificou o abandono dos curdos com «kurds didn't help us in Second World War», o que na altura me pareceu uma justificação esfarrapada, até que descobri que, além de esfarrapada, era falsa e revelava a sua habitual e confrangedora ignorância.

Na verdade, os curdos que na época faziam parte do Império Britânico foram mobilizados e incorporados em várias unidades curdas, como a Assyrian Parachute Company, que combateram em inúmeras batalhas da II Guerra Mundial - ver por exemplo o site «Assyrian RAF Levies» e em particular esta página.

20/10/2019

CASE STUDY: Trumpologia (52) - Finalmente, a esquerdalhada encontrou uma alma gémea na Casa Branca

Mais trumpologia.

«Finalmente, a esquerda tem o que sempre quis: um Presidente americano que recusa intervenções militares no Médio Oriente, mesmo quando há populações civis vítimas do uso da força por parte de ditadores, como na Síria, ou compromissos com aliados, como no caso dos Curdos. Enquanto Trump estiver na Casa Branca, não veremos as esquerdas a marcharem nas ruas das cidades europeias contra as guerras americanas. Entretanto, os ditadores da região matam milhares de populações indefesas, e acabam com as minorias Cristãs no Médio Oriente. Veremos se alguma sobreviverá quando finalmente chegar a hora da Europa.

A outra grande causa das esquerdas radicais nas últimas décadas foi o ataque à globalização e ao comércio livre (aqui devemos excluir o PS e outros partidos sociais democratas europeus). Lembram-se das ‘cimeiras anti-globalização’ organizadas por Lula em Porto Alegre, onde as grandes figuras das esquerdas radicais europeias gostavam de ir? As esquerdas radicais nunca esconderam a defesa do protecionismo e do nacionalismo económico contra a globalização americana, à qual que chamam o “consenso de Washington”. Ora, hoje na Casa Branca, há uma pessoa que pensa como as esquerdas radicais contra a globalização e a favor do protecionismo.»

«Trump está a fazer o que a esquerda sempre quis», João Marques de Almeida no Observador

19/10/2019

CASE STUDY: Trumpologia (51) - Entrada de leão, saída de sendeiro

Mais trumpologia.

Primeiro Trump avisou o mundo que «se a Turquia fizer algo que eu, em minha grande e inigualável sabedoria, considere estar fora dos limites, destruirei e destruirei totalmente a Economia da Turquia (já fiz isso antes!)», 

Ainda as forças americanas estavam fazer as malas, aconteceu o que toda a gente sabia que aconteceria, o exército da Turquia, um aliado formal dos Estados Unidos e membro da NATO, iniciou a caça aos curdos, uma minoria que serviu de tropa de choque às forças americanas para erradicarem o Estado Islâmico na Síria. Apesar disso e de outras coisas, como o seu papel na derrota de Saúdam Hussein, para Trump os curdos não mereciam grande consideração por não terem colaborado no Dia D. E não, ele não disse isto como uma piada.

Foi então que Trump, num exercício da arte de alienar os aliados de facto e deixar os aliados pró-forma fazerem o que os inimigos não ousam, escreveu a Erdogan a ameaçá-lo que destruiria a economia turca, e recebeu como resposta no diário Hürriyet:
«A carta de 9 de outubro foi rejeitada pelo Presidente Erdogan e deitada no lixo».

08/10/2019

CASE STUDY: Trumpologia (50) - Ele não é assim tão diferente dos outros. Apenas tem mais ousadia e nenhuma sensatez

Mais trumpologia.


«As I have stated strongly before, and just to reiterate, if Turkey does anything that I, in my great and unmatched wisdom, consider to be off limits, I will totally destroy and obliterate the Economy of Turkey (I’ve done before!). They must, with Europe and others, watch over...».

Donald Trump, arrotando postas de pescada no Twitter, sobre a sua eventual resposta à anunciada intervenção militar turca depois da retirada das tropas americanas no norte da Síria, deixando exposta aos ataques da tropa de Erdogan a minoria curda, que foi crucial para a derrota do Estado Islâmico.

10/09/2019

CASE STUDY: Trumpologia (49) - A NOAA podia ter aplicado o princípio de Kahn

Mais trumpologia.

«Commerce Secretary Wilbur Ross threatened to fire top employees at the National Oceanic and Atmospheric Administration after the agency contradicted President Trump’s claim that Hurricane Dorian might hit Alabama, according to three people familiar with the discussion.

That threat led to NOAA’s release later of an unusual statement disavowing the agency’s own position that Alabama was not at risk.» (NYT)

O Donaldo a forjar mapas e a obrigar uma agência independente a distorcer o seu trabalho científico é uma espécie de um Josef Stalin eleito a mandar apagar as fotos dos que tinha mandado liquidar. Já vimos isto muitas vezes na história e em nenhuma acabou bem.

O inimigo do nosso inimigo não é necessariamente nosso amigo. Pode ser mais outro inimigo.

Alfred Kahn, um dos assessores económicos do presidente Carter, foi por este repreendido por ter-se referido publicamente em 1978 a uma possível depressão da economia americana. Na sua intervenção seguinte, Alfred Kahn disse que «we're in danger of having the worst banana in 45 years».