Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

06/08/2020

Michelle is depressed and Barack doesn't do it. Is it Donald's fault? For God's sake!


A friend of mine says that a characteristic common to most creatures on the left is that they are never responsible for anything. It's always the fault of others. That's it.

O impacto da bazuca de Merkel-von der Leyen no Portugal dos Pequeninos (2) - A bazuca dele é maior do que a delas

Continuação de (1)

Como se pode ver no diagrama seguinte (*), a tão celebrada bazuca de Merkel-von der Leyen é afinal modesta comparada com a bazuca de Trump, constatação que o pensamento oficial nunca poderá fazer por razões que dispensam ser explicadas.

 
(*) Os números do diagrama são os provisórios de Junho e diferem dos números finais. 

À modéstia da bazuca acrescenta-se a profunda diferença que resulta dos EUA constituírem uma zona monetária quase óptima o que está muito longe de acontecer com a Zona Euro, sem falar dos restantes países com moeda própria. De facto, uma zona monetária para ser óptima precisa cumprir várias condições e entre elas a mobilidade da mão-de-obra. Ora, na UE existem fortes barreiras culturais e administrativas (acesso condicionado a muitas profissões, sistemas de segurança social heterogéneos, etc.), e linguísticas (mais de 20 línguas diferentes) que constituem sérios obstáculos (para aprofundar este tema ver a etiqueta zona monetária óptima).


Como se não fosse suficiente, a adicionar à discrepância entre a queda do PIB e o tamanho da bazuca para cada país (ver no primeiro diagrama a comparação da Alemanha com a Espanha), a exposição à dívida pública e o impacto previsto no PIB da pandemia é muito diverso, como se pode constatar no segundo diagrama.

(Continua)

05/08/2020

O mesmo vírus, impactos diferentes (aditamento). Afinal, qual foi a queda do PIB americano?

Esclarecendo a questão colocada num comentário ao post de ontem:

A generalidade dos mídia referiram uma queda do PIB americano de 32,9%, muito superior à indicada no 1.º gráfico (9,5%) do post. Na verdade, as duas percentagens estão correctas, 9,5% refere-se à queda efectiva do PIB no trimestre em percentagem do PIB anual e 32,9% refere-se a uma base anualizada, ou seja corresponde à queda anual se as condições do segundo trimestre continuassem por um ano, o que é altamente improvável, uma vez que a economia começa a recuperar. Os jornais portugueses, com as redacções controladas pelo jornalismo de causas estruturalmente anti-americano e conjunturalmente obcecado por Trump, fizeram o agitprop do costume e apenas referiram 32,9%.

Afro-americanos? Não será racista essa designação?

Ao ler no post anterior do outro contribuinte, «a minoria negra americana, a que chamam afro-americanos», pergunto-me como é que alguém se lembra de designar como afro-americanos os americanos negros cujos ascendentes deixaram África há um século e meio ou mais? Faria muito mais sentido chamar euro-americanos aos milhões de americanos descendentes de europeus emigrados depois da segunda guerra mundial.

O que tem a ver com África uma criatura cujo tetravô do tetravô nasceu na América? Chamar-lhes afro-americanos não será uma manifestação de rácismo e logo por parte dos áctivistas anti-rácistas?

CASE STUDY: Quem está mais preocupado com a livre expressão?

Quem apenas escute o ruído mediático do áctivismo ampliado pelos mídia amigos poderá concluir que a minoria negra americana, a que chamam afro-americanos, se sente mais ameaçada na sua liberdade de expressão.


Pois, parece que não. Os resultados do inquérito do Cato Institute mostram que, ao contrário dos brancos e latinos que aumentaram o constrangimento, os negros americanos que já se sentiam menos constrangidos em 2017 sentem-se hoje ainda mais à vontade para exprimir as suas opiniões. É também interessante constatar que os republicanos sentem mais dificuldade com a livre expressão do que os democratas. Interessante mas não surpreendente, porque os mídia, cada vez mais dominados pelos democratas e, principalmente pelo áctivismo, influenciam a "ideias certas".


O diagrama anterior confirma o menor preocupação dos negros americanos e dos democratas com a expressão das suas ideias em contexto laboral.

04/08/2020

SERVIÇO PÚBLICO: Leitura recomendada sobre o planeamento do Estado em Portugal

«Afinal, como se tomam as grandes decisões de investimento? Esvaziados de capacidade técnica e sem estudos encomendados de reputação, os governos tornam-se reféns de grandes grupos de interesse, como na Energia, ou como foi nos anos 2000 das empresas de construção e banca, no caso das PPPs. Já nos esquecemos dos projetos de PPPs ou das eólicas que asseguravam taxas de rentabilidade de 11 a 20% aos investidores privados? Não se salvaguarda o interesse público. As decisões são tomadas ao sabor de alguns interesses privados, que até mobilizam a opinião pública do momento. E as decisões são tomadas nos gabinetes ministeriais e depois encomendados os “pareceres técnicos ou jurídicos” para sua fundamentação “a posteriori”, escolhendo-se pessoas que já se sabe que irão validar a escolha previamente feita.»

Excerto de Porque falta visão estratégica no planeamento do Estado?,  Abel Mateus no Observador

Recomendo a leitura não porque partilhe da opinião do autor sobre a importância do planeamento do Estado, mas porque o ensaio permite perceber que no lugar do planeamento do Estado existe em Portugal a gestão partidária dos lóbis económicos.

O mesmo vírus, impactos diferentes



Como explicar que uma taxa de casos muito elevada nos EUA tenha tido um impacto económico relativamente moderado, ao contrário do Reino Unido?

Esclarecimento:

Num comentário levanta-se a questão de os mídia terem referido uma queda do PIB americano de 32,9%, muito superior à indicada no 1.º gráfico (9,5%). Na verdade, as duas percentagens estão correctas, 9,5% refere-se à queda efectiva do PIB no trimestre em percentagem do PIB anual e 32,9% refere-se a uma base anualizada, ou seja corresponde à queda anual se as condições do segundo trimestre continuassem por um ano, o que é altamente improvável, uma vez que a economia começa a recuperar. Os jornais portugueses, com as redacções controladas pelo jornalismo de causas estruturalmente anti-americano e conjunturalmente obcecado por Trump, fizeram o agitprop do costume e apenas referiram 32,9%.

Comportamentos racistas em Portugal não fazem de Portugal um país racista, tal como a existência de áctivistas anti-rácistas não faz de Portugal um país de imbecis

«Em Portugal, vivemos dias particularmente sensíveis. Por razões justificadas, movimentos de minorias têm vindo a organizar a sua actividade na defesa de interesses e na afirmação de cidadania. Por razões de oportunismo, alguns movimentos e forças políticas entenderam explorar todas as situações em que possam enxertar a indignação e a solidariedade selectivas. Assim é que se tenta exacerbar a questão do racismo em Portugal, em polémica quase sempre destituída de razão. 

O problema tem sentido. Mas a polémica é inútil e artificial. Há racismo em Portugal? Com certeza. Há racistas em Portugal? Evidentemente. Portugal é um país racista? Não, nem faz sentido tal observação. Na legislação, nos tribunais, nos sistemas de saúde e educação, em nenhum dispositivo legal há conteúdos racistas e de segregação racial objectiva. Mais: a legislação e a Constituição proíbem as manifestações de racismo. São estas considerações que permitem dizer que “Portugal não é um país racista”, o que parece ferir as sensibilidades de alguns políticos, mas também que as designações de “racismo estrutural” e “racismo sistémico” são meros divertimentos semióticos de quem quer alimentar uma disciplina na sua faculdade

Crime e preconceito, António Barreto

03/08/2020

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (103) - O presidente faz de porta-voz da CP e limpa a folha do ministro dos comboios

Outras preces



«Tenho que elogiar a forma rápida e empenhada com que o senhor ministro dirigiu, coordenou, esteve presente, veio para aqui e não largou um segundo o que se passava (…) Isto permite que 24 horas depois estejamos perante uma realidade que não tem a ver com aquilo que se temia

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (44) - Em tempo de vírus (XXI)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Boa Nova

Mostrando-se putativos sucessores à altura do putativo sucedido, o Dr. Pedro Nuno Santos e o Dr. Medina desmultiplicam-se em anúncios concorrentes sobre a maná de habitações de que os cidadãos em geral e os alfacinhas em particular vão poder dispor. O Dr. Pedro Nuno Santos, que só tem dinheiro para comprar carruagens para a CP na sucata dos espanhóis, vai neste momento à frente com o anúncio de 18.660 casas a incluir no Programa de Arrendamento Acessível, onde diz que vai gastar 2.300 mil milhões de euros. O Dr. Medina que tem o handicap de ainda só ser presidente de câmara anunciou 1.507 habitações no Programa Renda Acessível (não confundir com o Programa de Arrendamento Acessível) onde se propõe gastar 402 milhões. Registe-se que o Dr. Medina com os seus pouco mais de meio milhão de súbditos está à frente em termos relativos do Dr. Santos com os seus 10 milhões de súbditos.

O choque da realidade com a Boa Nova

No confronto com a realidade a disputa é igualmente intensa. O Dr. Santos ao fim de um ano e meio do seu programa pessoal parece que conseguiu duzentos e quarenta e dois contratos. Quanto ao Dr. Medina, para citar o antigo presidente do IHRU que escreveu em Fevereiro, «prometeu 6000 casas de renda acessível, mas não produziu uma única. Foi ao baú de velharias e até usa os tarecos do Dr Salazar para mostrar 120 casas como se fossem uma obra inovadora». Graças ao Dr. Salazar, o Dr. Medina que não quer ceder um palmo ao seu concorrente, foi a correr e anunciou em Março o primeiro sorteio de 120 habitações e «lançou a primeira pedra do primeiro lote de 128 fogos a preços acessíveis, de um total de cinco, na Avenida das Forças Armadas, orçado em 14 milhões de euros» (fonte). Perguntareis: e a última pedra ainda virá a tempo do Dr. Medina se sentar na cadeira do Dr. Costa? É irrelevante, meus caros. Aliás, até será preferível que a última pedra se atrase porque o Dr. Medina, como o seu mestre, poderá anunciar várias vezes a obra ao pelotão de obedientes apparatchiks travestidos de jornalistas que se encarregarão da propagar a boa nova às multidões de basbaques.

Perguntareis também: e poderia ser diferente? Poder, podia, mas não seria o Portugal dos Pequeninos governado por esta gente.

Correndo bem, é nossa realização. Correndo mal é problema deles

Sabeis que o Lone Star já em Março de 2017, quando negociava com o governo socialista a compra do Novo Banco, estava a ser investigado em vários países pela venda de activos de bancos em que participava (há uma notícia do jornal Sol dessa época)? Lembram-se do Dr. Costa ladeado pelo Dr. Centeno numa conferência de imprensa a anunciar a excelência do acordo com o fundo Lone Star para a compra do Novo Banco? Não? Não se penalizem porque a memória do povo é curta e a falta de vergonha do governo é grande. Três anos depois a mesma gente rasga as vestes de indignação e põe a lavandaria socialista a funcionar no Novo Banco como se o Dr. Costa e o Dr. Centeno não tivessem nada a ver com o assunto.

Perguntareis: não tem o Dr. Costa um pingo de vergonha na cara? Não, não tem. E podeis insistir: e os jornalistas de causas e a comentadoria do regime não deveriam mostrar as responsabilidades do governo? Deveriam, mas se o fizessem não seriam de causas e do regime, respectivamente

02/08/2020

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: O Portugal dos Pequeninos parasitado pelo Estado Sucial ocupado pelo PS

Clara Ferreira Alves, a Pluma Caprichosa, no seu habitual debita pletóricas demonstrações de cosmopolitismo e no seu pior dispõe-se à lavagem da imagem de José Sócrates com uma entrevista encomendada por Mário Soares - ver Autópsia de uma entrevista do «chefe democrático que a direita sempre quis ter». No seu menos frequente melhor, denuncia a parasitagem do Portugal dos Pequeninos pelo Estado Sucial ocupado pelo PS, como no seu artigo na Revista do Expresso Vícios públicos, virtudes privadas de onde respigo o seu final:

«Nestas histórias, nos interstícios do desenho humano, entrevê-se um retrato de Portugal. De um lado um conjunto de funcionários que reclamam um estatuto de exceção, sem retribuição do demérito, carregado de privilégios instalados pelo tempo, o hábito, as clientelas dos partidos. No Estado coexistem dinastias inteiras, nas repartições, ou à sombra das autarquias. Pouca gente deste grupo deseja a mudança do Estado e do estado paralisado das coisas, ou deseja perder uma unha da sua vantagem. Do outro lado, os privados que carregam nas costas frágeis o peso do mundo. As pequenas empresas que são o tempero de uma economia saudável. Os que pagam mais impostos, os que não têm segurança no trabalho, os que pagam salários, os que investem o que ganham, os que arriscam, os que nada esperam de um Estado que os tributa, os pune e os esquece nas horas duras. Estes esperam uma austeridade que virá, sabem-se arredados de prebendas e fundos europeus, sabem que a insolvência espreita e acreditam que o trabalho é a salvação.»

O momento Huawei - uma demonstração de fraqueza americana

«For most of the past century America has been happy to compete with any other country on technological development, knowing that its scientists and engineers could usually better what anyone else came up with. The Huawei fight is, in part, an attempt by the American government to see off the threat of foreign competition by squashing it, rather than by inventing something better.»

(Lido algures)

01/08/2020

Entre a Rua do Comércio e a Threadneedle Street e entre a Av. da República e o One Angel Court a distância é mais ou menos a mesma

São aproximadamente 2.200 Km. É muito? Nem por isso. A maior distância é entre a instituição da Rua do Comércio n.º 148, que alberga o recém-chegado da Avenida Infante Dom Henrique n.º 1, e a instituição da Threadneedle Street. Ou entre a instituição da Avenida da República n.º 35 e a instituição de One Angel Court.

É um mundo de distância entre uma instituição paroquial como o Banco de Portugal, que já acolheu como governadores, entre outros, um seu funcionário, ex-secretário geral do Partido Socialista entre dois mandatos como governador, e acolhe agora um outro seu funcionário, ex-ministro das Finanças do governo socialista em curso, e uma instituição como o Bank of England cujo governador durante 8 anos foi o canadiano Mark Carney, anteriormente governador do Bank of Canada. 

É a mesma distância que separa outra instituição paroquial como a Associação Portuguesa de Bancos, com duas dúzias de associados, que já teve como presidentes ex-ministros e ex-secretários de Estado, como o actual presidente que desempenhou cargos governamentais durante 12 anos, e uma instituição como o UK Finance, com 250 entidades financeiras associadas, que está a anunciar em várias revistas internacionais o recrutamento de um CEO, a high profile and challenging opportunity for an ambitious, accomplished and visionary individual.

É um mundo de distância.

NÓS VISTOS POR ELES: O Portugal dos Pequeninos visto por um português que vive num país "frugal"

Em entrevista ao DN Rentes de Carvalho, residente há décadas na Holanda, fala do país que o acolheu e do país onde nasceu. Respigo algumas passagens:

 «Uma boa parte da população [da Holanda] pensa o mesmo [do governo], tanto mais que têm a tributação mais elevada da Europa, e pergunta-se por que carga de água devem pagar a desorganização, a corrupção e o desleixo dos outros. (...)

A mentalidade protestante dos holandeses é toda voltada para a frugalidade, nada de chapa ganha chapa gasta, e a obsessão da poupança faz dela uma das nações mais ricas do mundo. Há ainda a seriedade no trabalho, a pontualidade, o cumprimento das obrigações, a disciplina. O espírito mercantil também ajuda. E já no século XVII a Universidade levava muito a sério o estudo científico, de que desde então tiram bons proveitos. (...)

Quando estou em Portugal, dá-me mais pena o confronto com o que vai mal, a ingénua ou fingida docilidade com que o povo se deixa enganar, a confiança que continua a ter no jeito e na cunha, do que resulta uma sociedade que não acredita no poder que tem e por desleixo ou preguiça acomoda-se na passividade, iludindo-se de que o passo de caracol também é um avanço.»

31/07/2020

A lavandaria socialista já está a funcionar no Novo Banco


Foi este o título do diário da manhã DN sobre o relatório do TdC, É uma leitura abusiva do relatório mas está em linha com a campanha de lavagem em curso para branquear as responsabilidades do governo no acordo de venda do BES "bom" com o fundo Lone Star.

De facto como escreveu o jornalista António Costa (não confundir com o primeiro-ministro) no jornal Eco (O Novo Banco é uma história velha?) «os mecanismos de acompanhamento e de fiscalização criados para garantir o cumprimento dos termos do acordo não agradam a ninguém, desde logo ao Governo (e o atual governador, Mário Centeno) que os exigiu quando negociou os termos da venda. Bem pode o PS agora atirar areia para os olhos dos contribuintes com os nomes de Carlos Costa e de Sérgio Monteiro, mas quem assumiu o negócio, e até deu uma conferência de imprensa a anunciar as virtudes do acordo, foi António Costa (com Mário Centeno ao seu lado). Agora, o primeiro-ministro pede a intervenção da PGR num banco em que uma entidade pública (o Fundo de Resolução, liderado por Máximo dos Santos) tem 25% do banco e a responsabilidade de aprovar as vendas que são feitas. Há ainda uma comissão de acompanhamento de que nos lembrámos apenas por causa de uma prestação parlamentar do seu presidente (que é para recordar, mas não é pelos melhores motivos).»

No caso do Banif a lavagem é ainda mais escandalosa, como se pode ler neste post do Natal de 2015 com o título «Banif, o presente de Natal socialista. Nele se registou que Mário Centeno se vangloriou que o seu governo «fez em três semanas o que o anterior não fez em três anos»: salvou accionistas, obrigacionistas e grandes depositantes e fez os contribuintes pagar 1,7 mil milhões de euros, pelo menos.

O impacto da bazuca de Merkel-von der Leyen no Portugal dos Pequeninos (1) - Pensamento milagroso

Expresso, CE 25-07-2020
À primeira vista, o diagrama acima mostra que o aparente alívio do Dr. Costa e a sua foguetada são justificados. Ele vê a coisa como a garantia de uma bonança até ao final da legislatura e, quem sabe, um trampolim para uma eventual candidatura a Belém em 2026.

À segunda vista a coisa parece menos promissora. É verdade que Portugal irá receber 57,9 mil milhões (mM) em 10 anos, mas apenas 15,3 mM serão subvenções e quase 3/4 serão empréstimos que terão de ser reembolsados. Aliás, para sermos rigorosos, até mesmo as subvenções que saem do orçamento comunitário terão de ser financiadas por contribuições de todos os países, incluindo os beneficiários.

Acresce que estamos a falar de valores brutos, sem descontar as contribuições para o orçamento comunitário. Se compararmos com o período de 20 anos de 2000 a 2020, Portugal recebeu um valor líquido de 51,8 mil milhões equivalente a uma média anual de 2,5 mM superior em quase 40% à do Plano de Recuperação Europeu.

Durante esse período de 20 anos a dívida pública aumentou de 70 mM para mais de 260 mM, ou seja um incremento de 190 mM e nos últimos 10 anos teve um incremento de 80 mM que foram torrados com o resultado conhecido. Também em 10 anos, da bazuca sairão 40 mM de empréstimos ou seja metade do incremento líquido da dívida pública nos 10 anos anteriores.

Se considerarmos que nos últimos 10 anos o crescimento do PIB foi positivo, apesar de medíocre (média anual de 0,5%), enquanto que, na estimativa super-optimista do governo, o PIB cairá este ano 9%, ou seja quase o dobro do montante das subvenções para os próximos 10 anos, temos de concluir que a salvação pela bazuca é puro pensamento milagroso, de resto, uma especialidade socialista. 

(Continua)

30/07/2020

Manifestações de paranóia/esquizofrenia (35) - Já chegou à nomenclatura do regime. E os outros animais são tutelados por quem? Porque não o primeiro-ministro?

Outras manifestações de paranóia/esquizofrenia


«Morte de cães e gatos devido a incêndio que afetou abrigos ilegais em Santo Tirso leva Governo a passar as competências sobre os animais de companhia da Agricultura para o Ambiente. Ao Expresso, o ministro Matos Fernandes explica que vai ser criado um novo cargo relacionado com a decisão e admite que "o país não estava a fazer o melhor que poderia fazer»"

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva. (32) - Há infectados que não foram testados? (5)

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva e é uma continuação dos posts "Há infectados que não foram testados?" (1)(2), (3) e (4).

Em retrospectiva: deve-se distinguir-se a taxa ou coeficiente de letalidade, que relaciona o número de óbitos com o número de infectados, e a taxa de mortalidade que relaciona o número de óbitos causados por uma epidemia com a população, num caso e noutro com referência a uma determinada área (mundo, pais, região, cidade, etc.). Acumulam-se dados mostrando ser o número real de infectados muito maior do que os infectados testados.

Testes sorológicos em Nova Delhi realizados entre 27 de Junho e 10 de Julho pelo National Center for Disease Control permitiram estimar que 23,5% da população da cidade possui anticorpos contra o Sars-Cov-2, isto é 3,8 milhões de pessoas do total de 16 milhões. Como até à altura em que foi conhecido o teste tinha sido registadas cerca de 3.600 mortes, a taxa de letalidade seria inferior a 0,1%, comparável à da gripe comum.

Segundo a newsletter da Spectator, estes números revelam que o Covid-19 parece estar a ser muito menos mortal nos países em desenvolvimento do que na Europa e na América do Norte, não se confirmando os receios dos menores recursos de saúde conduzirem a um número de mortes muito mais elevado. A explicação pode ser estirpes menos mortais do vírus, populações mais jovens, um menor índice de obesidade ou ainda que uma hipotética exposição no passado a um coronavírus semelhante possa ter determinado alguma imunidade.

CASE STUDY: O caso da Nova SBE versus o caso do ISCTE

Para quem não saiba, a Nova SBE foi acusada de limitar a liberdade de expressão ao recomendar aos professores que não assinassem artigos de opinião envolvendo a escola. A ocasião foi a economista Susana Peralta que escreve no Público e a consequência foi o equivalente a meter a vara no ninho de vespas. No mesmo dia a comentadoria do regime começou a malhar na suposta cedência da Nova SBE às empresas privadas que são mecenas da escola e financiaram a maior parte do campus de Carcavelos. Poucos dias depois, Daniel Traça, o director da escola que deveria estar em regime de exclusividade, foi criticado por ser administrador não executivo do Banco Santander, apesar de autorizado. Na semana seguinte, outra vez pela pena da antiga namorada e companheira de férias do Sr. Eng. Sócrates, um expoente da comentadoria independente, voltou a zurzir-se na Nova SBE.

Pelo meio dos episódios citados, áctivistas de várias universidades publicaram o abaixo-assinado «Contra a higienização académica do racismo e fascismo do Chega» e defenderam que na universidade deles não deveria ter lugar o autor do estudo em causa Riccardo Marchi, professor do ISCTE.

As reacções do áctivismo a estes dois casos é muito interessante porque revela a dualidade subjacente. No primeiro caso, a proximidade entre a universidade (pública) e as empresas privadas é em si mesma condenável e não carece de demonstração. Pelo contrário, no segundo caso a presença e controlo da universidade (pública) pelo áctivismo ideológico e partidário são em si mesmos perfeitamente legítimos, como é positiva a consequente tentativa de censura do trabalho universitário.

Trato este tema com atraso a propósito do artigo "Liberdade académica" de Luís Cabral, professor da Universidade de Nova Iorque e da ESE Business School, no Expresso do fim de semana passado, que põe em confronto os dois citados casos e se foca sobre a questão central do governo das universidades, do qual respigo os parágrafos seguintes.

«A parte mais interessante do caso é o problema do governo. Há dois perigos no governo das instituições académicas, perigos que de alguma forma se relacionam com os casos do mês: primeiro, o perigo do mecenato académico, o perigo de que o apoio de instituições privadas comprometa a liberdade e isenção académicas (ver caso Nova). Segundo, o perigo do corporativismo, o perigo de que a academia como colégio de professores se cerre sobre si própria numa fortaleza que efectivamente veda o acesso à variedade de opinião (ver caso ISCTE).

O caso da Nova preocupa-me menos: iniciativas inovadoras inevitavelmente sofrem acidentes de percurso. Por um lado, exigir ou mesmo recomendar que os professores escondam a sua afiliação académica faz pouco sentido: o leitor entende perfeitamente que o que escrevo aqui é a minha opinião, não a opinião da Universidade de Nova Iorque. Por outro lado, conflitos de interesses com empresas doadoras existem, e espero que a Nova SBE proceda às medidas necessárias, quer no que respeita à transparência com que as coisas são feitas, quer no que respeita à interferência dos mecenas no governo da instituição.

O caso do ISCTE preocupa-me muito mais pois reflecte o paradigma português. Enquanto que, desde o princípio, a Nova SBE (então FEUNL) se preocupou por contratar professores ‘de fora’ (incluindo eu próprio em 1983), a típica universidade portuguesa é um clube de professores que contrata os seus próprios discípulos, um incesto intelectual que resulta numa hegemonia ideológica com contornos de cancel culture.»

29/07/2020

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva. (31) Com dados errados não há decisões certas

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.

O artigo «The fatal mistakes which led to lockdown - Modelling is no substitute for quality data and research» do médico John Lee, professor de patologia recém-aposentado e ex-patologista consultor do NHS, de quem já citei vários outros, mostra como decisões cruciais relativas à pandemia são em muitos casos baseadas em simples opiniões, por vezes travestidas de "modelização" sem qualquer base científica.

«Over the past few weeks, my sense of the surreal has been increasing. At a time when rational interpretation of the Covid data indicates that we should be getting back to normal, we instead see an elaboration of arbitrary responses. These are invariably explained as being ‘guided by science’. In fact, they are doing something rather different: being guided by models, bad data and subjective opinion. Some of those claiming to be ‘following the science’ seem not to understand the meaning of the word.

At the outset, we were told the virus was so pernicious that it could, if not confronted, claim half a million lives in the UK alone. Its fatality rate was estimated by the World Health Organisation at 3.4 per cent. Then from various sources, we heard 0.9 per cent, followed by 0.6 per cent. It could yet settle closer to 0.1 per cent — similar to seasonal flu — once we get a better understanding of milder, undetected cases and how many deaths it actually caused (rather than deaths where the virus was present). How can this be, you might ask, given the huge death toll? Surely the figure of 44,000 Covid deaths offers proof that calamity has struck?

But let us look at the data. Compare this April with last and yes, you will find an enormous number of ‘excess deaths’. But go to the Office for National Statistics website and look up deaths in the winter/spring seasons for the past 27 years, and then adjust for population. This year comes only eighth in terms of deaths. So we ought to put it in perspective.

Leitura recomendada para se perceber que a nacionalização da TAP irá fazer companhia...

... ao aeroporto que só abria, abre ou abrirá aos domingos no cemitério dos elefantes brancos dos empreendimentos socialistas: "Como socialistas e patriotas úteis destruíram a TAP" de José Mendonça da Cruz, no Observador.

O cemitério está agora sob gestão do Dr. Pedro Nuno dos Santos, o principal ideólogo do pedronunismo, uma escola de pensamento económico afiliada da Mouse School of Economics. 

Pergunta supérflua: poderia ser de outra maneira? Não. Esta gente reúne as condições necessárias e suficientes para se envolver em projectos inviáveis ou levar ao insucesso projectos viáveis, nomeadamente porque:
  • Nunca investiu um cêntimo do seu bolso
  • Nunca criou um posto de trabalho
  • Nunca desempenhou nenhuma função produtiva e na maioria dos casos só entrou numa empresa para fazer uma inauguração
  • Está sob influência de uma teia de interesses que capturam o Estado Sucial
  • Nos "projectos" em que "investe" não arrisca um cêntimo
  • Está absolutamente blindada contra as consequências do insucesso dos "projectos".

28/07/2020

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva. (30) - De volta à normalidade. O caso de Inglaterra e País de Gales

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.


O número total de óbitos está já abaixo da média dos últimos 5 anos e os óbitos atribuídos à pandemia (que incluem também as mortes "com Covid", independentemente do vírus ter sido a causa da morte) são há várias semanas inferiores à mortalidade por gripe e pneumonia.

Os dados confirmam uma vez mais que os óbitos se concentram nos mais idosos

(Fonte: Office for National Statistics)

ACREDITE SE QUISER: Os alienígenas, a NASA e a vulva

Sabia que a Pioneer 10, a primeira sonda que saiu do sistema solar, lançada pela NASA em 1972, levou várias imagens para dar a conhecer a humanidade aos alienígenas, incluindo a imagem de um casal heterossexual nu tendo o homem pénis e estando a mulher desprovida de vulva?  Se fosse hoje a sonda levaria uma foto de grupo com representantes dos 112 géneros,

(Pode conhecer aqui os quês e os porquês da estória)

27/07/2020

Genocídio é o que a esquerdalhada quiser. Afinal os áctivistas são ainda mais imbecis que Bolsonaro


Convention on the Prevention and Punishment of the Crime of Genocide
Article II
In the present Convention, genocide means any of the following acts committed with intent to destroy, in whole or in part, a national, ethnical, racial or religious group, as such:
(a) Killing members of the group;
(b) Causing serious bodily or mental harm to members of the group;
(c) Deliberately inflicting on the group conditions of life calculated to bring about its physical destruction in whole or in part;
(d) Imposing measures intended to prevent births within the group;
(e) Forcibly transferring children of the group to another group. 

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (43) - Em tempo de vírus (XX)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Roma não paga a traidores

Durante o debate do Estado da Nação, referindo-se ao estado da candidatura do Dr. Rio a seu vice-primeiro-ministro, o Dr Costa concluiu que «não se pode contar com o PSD para o futuro» e «o PSD é hoje o partido dos velhos do Restelo». Vem a propósito citar o Dr. Guterres que usou a expressão em título para punir, salvo erro, a suposta perfídia de um outro "homem do Norte".

Por este Rio abaixo

Quem também parece não querer pagar a traidores é o eleitorado que, segundo a sondagem da Católica, voltou a descer as intenções de voto no PSD para 26%, a 13 pp do PS, enquanto o Chega iguala o BE e supera o PCP e o IL sobe para 3%.

Na democracia do Dr. Rio o debate parlamentar é para lamentar

Com o propósito de poupar o seu chefe, o Dr. Rio propôs, o Dr. Costa aceitou e com os votos do PS e do PSD o parlamento aprovou o fim dos debates quinzenais, com a abstenção de uns quantos deputados com coluna vertebral um pouco menos danificada. Debates para quê? Porque não resumir o parlamento a um representante de cada partido?

Apreciamos a liberdade da nossa imprensa

«Uma estação televisiva, a TVI, lembra o aniversário do Primeiro-Ministro e cria um espaço para que os espectadores possam, cito, dar os parabéns ao dr. Costa», conta Alberto Gonçalves. Não certamente por acaso, a comentadoria do regime silenciou esta merecida homenagem ao Chefe do Governo pela TVI, uma estação numa fase muito carente do colo do Dr. Costa.

Mestres do ilusionismo

Dia sim, dia não, o governo anuncia novos apoios no âmbito da resposta à pandemia enchendo as páginas dos jornais e o olho dos eleitores. No fim do dia, o Tribunal de Contas conclui que mais de metade do apoio público nos primeiros três meses da pandemia consiste em adiamentos no pagamento de impostos, que terão de ser pagos dentro de alguns meses.

Recordam-se do Programa de Arrendamento Acessível lançado no ano passado pelo Dr. Pedro Nuno Santos, em concorrência com um programa semelhante do Dr. Medina, o outro concorrente à sucessão do Dr. Costa? Sabeis quantos contratos foram assinados? Ao certo talvez ninguém saiba, mas parece que foram duzentos e quarenta e dois.

Recordam-se do Fundo da Segurança Social «criado há 4 anos para requalificar património do Estado e criar habitação a preços acessíveis» que iria investir até 1,4 mil milhões de euros? Investiu 7 milhões e até agora não foi feita uma única obra.

Não é isto insultar a inteligência dos eleitores? Seria, mas não com estes eleitores.

26/07/2020

Garantir a liberdade de expressão é em primeiro lugar proteger a liberdade de exprimir "pensamentos que odiamos"

Algumas decisões do Supremo Tribunal dos EUA sobre a liberdade de expressão do chamado «hate speech» tornam inconstitucional a censura de ideias e palavras desconformes com a vulgata dos áctivismos anti-rácistas e anti-qualquer coisa, inspirados pelos centros da doutrina do politicamente correcto.

É claro que nada disso tem a ver com o Portugal dos Pequeninos onde o «discurso de ódio» pouco mais é do que o discurso dos que se apresentam como inimigos do «discurso de ódio», e onde o governo, com o ruidoso silêncio da oposição, da comentadoria do regime e do jornalismo de causas se propõe policiar o discurso de ódio.

National Socialist Party v. Skokie (1977)

«When the National Socialist Party of America, better known as Nazis, was declined a permit to speak in Chicago, the organizers sought a permit from the suburban city of Skokie, where one-sixth of the town's population was made up of families that had survived the Holocaust. County authorities attempted to block the Nazi march in court, citing a city ban on wearing Nazi uniforms and displaying swastikas. 

The 7th Circuit Court of Appeals upheld a lower ruling that the Skokie ban was unconstitutional. The case was appealed to the Supreme Court, where the justices declined to hear the case, in essence allowing the lower court's ruling to become law. After the verdict, the city of Chicago granted the Nazis three permits to march; the Nazis, in turn, decided to cancel their plans to march in Skokie.»

(Fonte)

Matal v. Tam (2016) 

 Opinion of Justice Samuel Alito. 

«[The idea that the government may restrict] speech expressing ideas that offend … strikes at the heart of the First Amendment. Speech that demeans on the basis of race, ethnicity, gender, religion, age, disability, or any other similar ground is hateful; but the proudest boast of our free speech jurisprudence is that we protect the freedom to express “the thought that we hate.”

 Opinion of Justice Anthony Kennedy 

A law found to discriminate based on viewpoint is an “egregious form of content discrimination,” which is “presumptively unconstitutional.” … A law that can be directed against speech found offensive to some portion of the public can be turned against minority and dissenting views to the detriment of all. The First Amendment does not entrust that power to the government’s benevolence. Instead, our reliance must be on the substantial safeguards of free and open discussion in a democratic society.»

(Fonte)

25/07/2020

Dr. Costa derrotado por Kyriakos Mitsotakis no combate dos pedintes. Agora daria jeito não ter anunciado o fim da austeridade


«UE. Bazuca portuguesa superada por tragédia grega

Portugal recebe menos dinheiro do que a Grécia porque teve menos desemprego nos últimos anos e porque regiões não são tão pobres. Fundo de Recuperação permite melhorar comparação com apoios anteriores»

Imagino que o Dr. Costa esteja a agora a torcer a orelha, arrependido de ter andado cinco anos a vender o fim da "austeridade".

O «Estado arrisca-se a perder 150 mil trabalhadores em dez anos» diz o perito. O Estado sucial enfrenta muitos riscos, este não é um deles

O «Estado arrisca-se a perder 150 mil trabalhadores em dez anos» concluiu «o perito em Administração Pública» no estudo do ISCTE porque, acredita ele, a regra «dois por um» teria sido substituída pela regra «um por um».

Infelizmente o perito está completamente equivocado, talvez porque as suas estatísticas de causas são do domínio da ficção. Desde logo porque o Dr. Costa nunca cumpriu a regra «dois por um» que fazia parte do programa da troika assinado pelo governo do Eng. Sócrates antes dele se exilar em Paris.

Como já demonstrei, a regra do «dois por um» foi transformada em um por dois ou mais. De facto, enquanto o governo PSD-CDS reduziu reduziu 68,7 mil funcionários públicos de 727,8 para 659,1 mil, o governo do Dr. Costa aumentou de 659,1 para 727,8 até 2018 e em 2019 aumentou mais 15,3 para 698,5 mil.

Alguém acredita que serão "perdidos" funcionários públicos por um governo PS apoiado por berloquistas e comunistas, todos eles dependentes da freguesia eleitoral em que os funcionários públicos no activo e reformados representam uma parte significativa dos 3 milhões de eleitores que têm no conjunto?

24/07/2020

A agricultura não tem asas e o pedronunismo não se interessa por sovkhoses

Os sovkhoses estão fora de moda e aos apparatchiks socialistas no campo só lhes interessam as datchas.


Disse em entrevista ao Público o presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal. A propósito da TAP, recomendo a leitura do artigo de Carlos Guimarães Pinto TAP: Não havia necessidade (resposta a Pedro Nuno Santos).

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva. (29) - Há infectados que não foram testados? (4)

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva e é uma continuação dos posts "Há infectados que não foram testados?" (1)(2) e (3).

Em retrospectiva: deve-se distinguir-se a taxa ou coeficiente de letalidade, que relaciona o número de óbitos com o número de infectados, e a taxa de mortalidade que relaciona o número de óbitos causados por uma epidemia com a população, num caso e noutro com referência a uma determinada área (mundo, pais, região, cidade, etc.). Acumulam-se dados mostrando ser o número real de infectados muito maior do que os infectados testados.

Muitos desses dados já foram citados em posts anteriores, incluindo alguns deles relativos a Portugal. A adicionar a estes últimos, temos o inquérito serológico a nível nacional feito pelo Instituto Ricardo Jorge agora divulgado que concluiu ser o número de portugueses já infectados seis vezes superior ao de casos diagnosticados.

Tomando os últimos números conhecidos, isso significa que o número de infectados em vez de 49.379 casos confirmados deverá andar pelos 300 mil. Em consequência, a taxa de letalidade que calculada com base no número de óbitos de 1.705 em relação aos 49.379 casos era de 3,5%, será então inferior a 0,6%, cada vez mais próxima da letalidade de gripe comum.

23/07/2020

Dúvidas (313) - É o public relations da EDP que é muito bom ou são os jornalistas que são muito maus?

Desde 2006, quando foi nomeado presidente da EDP, os jornais encheram-se todos os dias de "notícias" sobre a EDP devidamente ilustradas com fotos do Dr. Mexia (veja-se este exemplo de 2006). Tudo parece ter começado quando Sérgio Figueiredo, o agora demitido director da TVI, se começou a ocupar da imagem da EDP, ou seja do Dr. Mexia, com tal proficiência que numa só página online dos jornais económicos se podiam encontrar várias fotos do Dr. Mexia, cada uma dela remetendo para uma "notícia". E assim Sérgio Figueiredo foi devidamente recompensado com um lugar na administração da Fundação EDP.  Certamente não por acaso, o juiz que decretou a suspensão proibiu o Dr. Mexia de falar com Sérgio Figueiredo

Agora que o presidente Mexia foi suspenso de funções por suspeita de corromper políticos - crime que levaria à prisão a maioria dos empresários e gestores de sucesso do regime - apagou-se de um dia para o outro a sua presença mediática, permitindo especular que, mais do que ser suspeito de um crime, o Dr. Mexia foi deixado cair do cavalo do poder por não ter apostado no cavalo certo em devido tempo, ou seja em finais de 2015.

A comunicação & imagem, como a natureza, detesta o vácuo, e o súbito desaparecimento mediático do Dr. Mexia foi prontamente substituído pela presença maciça do Dr. Stilwell de Andrade, até então um quase desconhecido, que agora, enfiado nos sapatos do Dr. Mexia. desempenha o mesmo papel mediático pela mão dos mesmos jornalistas.

NÓS VISTOS POR ELES: O Portugal dos Pequeninos vê-se melhor de longe

Nós vistos por eles é uma secção destinada a acolher pontos de vista e opiniões de estrangeiros vivendo em Portugal com lucidez e coragem para não nos darem graxa. A visão da portuguesa Rita Carreira, "estrangeirada" vivendo há 25 anos nos EUA, também cabe aqui. Apesar de não concordar com tudo o que escreveu, traduzo o seu post de ontem no Destrezas das Dúvidas a propósito do peditório e das medidas de resposta à pandemia.

«Parece que muitas pessoas em Portugal estão felizes por o primeiro-ministro Costa ter extorquido bastante dinheiro da UE para gastar na "recuperação". Isso não é recuperação: o dinheiro em causa é insuficiente para cobrir as perdas totais da economia, parte do dinheiro terá que ser devolvida e, como foi evidenciado na história recente várias vezes, grande parte do dinheiro será desperdiçado em negócios corruptos, ficaremos a saber daqui a 10 anos.

Enquanto isso, milhares de cidadãos morrem porque o governo decidiu que o melhor curso de acção é repetir os erros que já cometeu. Qualquer pessoa que não seja idiota deve ter percebido que, nesta altura, a prioridade deve ser controlar o número de casos e mortes e isso deve ser feito de verdade, e não por meio de manipular os números.

É muito fácil de fazer:
  1. obrigar toda a gente a usar máscara, assim como todos têm de usar cinto de segurança; pare com todo o "você deve usar uma máscara, mas não podemos obrigá-lo a usar uma máscara, porque não somos uma ditadura". É uma mentira, pode-se forçar as pessoas a usar máscaras. 
  2. educar as pessoas sobre higiene pessoal - lave as mãos, não toque no rosto
  3. praticar o distanciamento social: reorganizar o transporte público, promover horários de trabalho prolongados
  • as pessoas devem trabalhar em turnos de seis ou cinco horas e permitir que as empresas fiquem abertas por dois ou três turnos, o que ajuda no desemprego, mas também permite que as empresas distribuam custos fixos por mais horas, o que deve aumentar o número de visitas de clientes
  • o dia de trabalho mais curto também seria útil para cuidar dos entes queridos e crianças, pois os adultos poderiam mudar os seus horários e ter menos pessoas no transporte público a qualquer momento
  • promover o trabalho em casa, se possível
Não se pode dizer simplesmente que o país não pode lidar com o confinamento novamente, esperando que as pessoas façam a coisa certa por conta própria. Existem muitas pessoas malucas fora de Portugal que podem visitar e espalhar infecções ou que podem visitar e tomar infecções. O sistema é muito poroso e, embora o governo português tenha os mídia portugueses a comer-lhe na mão, nem toda os mídia internacionais estão sob controle. Além disso, há muitos governos estrangeiros ansiosos por retribuir os insultos que recebem das autoridades portuguesas.

Além disso, atrasa a recuperação, porque Portugal será submetido a restrições de viagem, como aconteceu antes. Quantas vezes você pode cometer o mesmo erro antes de perceber que "Nossa Senhora, isso foi estúpido!"»

22/07/2020

Enquanto os frugais repugnantes discutem freneticamente, o pedinte cochila no sofá sonhando com a bazuca

«As the clock ticked past midnight into day four, the fiscal hawks held frantic discussions over a bowl of cherries. Portugal’s Antonio Costa sprawled out on a sofa as he waited for all the leaders to reconvene. Aides napped in the corridors

The Inside Story of How Europe Landed Its Massive Stimulus Plan, Bloomberg

De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva (28) - Casa arrombada, trancas na porta. Isto não é um plano

Este post faz parte da série De volta ao Covid-19. Colocando a ameaça em perspectiva.

«Em Fevereiro de 2018, um painel de especialistas convocado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) preparou uma lista de doenças que representavam grandes riscos para a saúde pública e para as quais havia poucas ou nenhumas contramedidas. Foram apresentadas várias ameaças bem conhecidas, incluindo Ebola, SARS , Zika e Febre do Vale do Rift. Mas também incluía a "Doença X".

Esta doença, causada por um patógeno nunca antes visto em humanos, emergiria, segundo o painel, de animais em algum lugar de uma parte do mundo onde as pessoas tivessem invadido habitats da vida selvagem. Seria mais mortal do que a gripe sazonal, mas infectaria com a mesma facilidade as pessoas. Ao aproveitar a boleia das viagens e do comércio, viajaria além do continente de origem pouca semanas após o seu surgimento. Causaria a próxima grande pandemia do mundo, e deixaria um rasto de devastação económica e social.

Menos de dois anos após a publicação do relatório, a Doença X apareceu. Começou no final do ano passado em Wuhan, na China, e o mundo inteiro tomou conhecimento disso em Janeiro. Já infectou quase 10 milhões de pessoas e matou quase 500.000 (*). Esse número de mortos também deve chegar a sete dígitos antes que as coisas acabem. A doença X agora tem um nome: Covid-19.

Embora o da OMS tenha sido o mais conhecido, não foi o único aviso de que algo assim poderia acontecer. Alguns dos profetas, como Peter Daszak, um ecologista de doenças que é líder da organização independente de pesquisa EcoHealth Alliance, especificamente focada no risco representado por coronavírus transportados por morcegos, como SARS-Cov-2, que se revelou ser a causa do Covid-19. O propósito desses avisos era estarmos preparados. Com os sistemas adequados, uma potencial pandemia, detectada precocemente, poderia ser eliminada pela raiz.

Em vez disso, a resposta do mundo à nova doença tem sido semelhante à sua resposta ao SARS em 2002 e, depois disso, à gripe aviária H5N1 em 2005. É uma resposta com levado custo para entrar em modo de pânico destinado a retardar a propagação da doença para ganhar tempo enquanto os cientistas tentam desenvolver uma vacina. "Isto", como o Dr. Daszak, observa, "não é um plano".»

Pandemic-proofing the planet

(*) Números dos finais de Junho.

21/07/2020

Os agarrados festejam a chegada anunciada ao bairro do dealer com novos fornecimentos e antecipam grandes trips

Público

Já demos para o peditório do GES e dos Espírito Santo que chegue

Agora que já são conhecidas as 4.117-páginas-4.117 do processo de acusação do GES há quem nos pergunte se não temos nada a comentar sobre o maior e mais desavergonhado assalto ao erário público e privado desde dona Maria II com a cumplicidade activa ou passiva de milhares de pessoas, incluindo políticos, empresários, gestores e jornalistas, sim jornalistas!, dos quais apenas uma dúzia e meia é acusada.

Na verdade, falando em nome dos dois contribuintes do (Im)pertinências, não temos nada de relevante a acrescentar às centenas de posts que escrevemos sobre a obra dos Espírito Santo e em particular os posts em que tratámos da Atracção fatal entre a banca do regime e o poder.

O primeiro desses posts está a fazer 15 anos e relacionava o PT de Lula com a PT de que era accionista o GES e que a usava como vaca leiteira para se financiar.

Na verdade, percebe-se que os pedintes socialistas lhes chamem frugais


Nova definição para o Glossário das Impertinências:

Frugal (politiquês)

Um governo que resiste a que os contribuintes do seu país paguem os custos da incompetência, corrupção e nepotismo dos governos e das elites extractivas de outros países que querem perpetuar o seu proxenetismo em nome do que chamam solidariedade.

20/07/2020

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: O governo socialista como barriga de aluguer dos impulsos censórios do esquerdismo

«Na verdade, o que se anuncia é um dos mais violentos atentados contra a liberdade de expressão que Portugal conhece há décadas! Como quase sempre, sob a aparência de causas nobres (contra o racismo) e de sentimentos elevados (contra o ódio), o que na verdade se propõe é o estabelecimento de um cânone de virtudes e de um catecismo de valores. Os governantes e os cientistas sociais que assim se exprimem pretendem a “monitorização” dos discursos, actividade aparentemente inócua. O que na verdade querem é o estabelecimento de uma ordem. Para que serve “monitorizar”? Não tenhamos dúvidas: é um eufemismo para vigiar, policiar, registar e fiscalizar. É o que fazem as polícias, a PIDE, a KGB, a STASI e outras, vivas ou defuntas. É o que sempre fizeram as censuras. De repente, estas pessoas encontram o pretexto ideal: um partido fascista e um deputado xenófobo! Contra esse mal, desembainham espadas e alinham artilharia. Revelam-se os censores que são. (...)

Depois do manifesto inquisitório, os pezinhos de lã do governo disfarçam as botifarras da censura. Parece que o governo vai abrir democrático concurso para aprovar cinco projectos de monitorização das expressões e das narrativas! Sempre com motivos nobres, claro: denunciar o ódio e observar o racismo! (...)


Entre governantes, grupos fanáticos e académicos apostados em destruir a universidade e substitui-la por fuzileiros do pensamento, está a criar-se um clima que faz lembrar a Censura salazarista, o Macarthismo, o Jdanovismo soviético… Com algumas diferenças. Antes, eram as polícias e os tribunais. Hoje, são agências de comunicação e universidades que se prestem a tal serviço.»

Monitorizar o pensamento, António Barreto

«Em Portugal, a liberdade é muito difícil» escreveu há muitos anos Alçada Baptista. Após 46 anos de democracia asmática, a liberdade é cada vez mais difícil porque os portugueses não a apreciam e estão dispostos a abdicar dela por quase tudo, desde o medo até um prato de lentilhas. Isso acarreta uma responsabilidade acrescida para quem a liberdade é tão importante como o ar que se respira.

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (42) - Em tempo de vírus (XIX)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

O estranho caso do Dr. Costa e do Sr. Santos da Costa

Há um Dr. Costa educado, civilizado e cordato que visita os seus pares da Óropa perante quem se curva respeitosamente e há um Sr. Santos da Costa mal-educado, bazófias e vulgar que os insulta atribuindo-lhes discursos repugnantes e mesquinhez. Qual o verdadeiro Dr. Costa? Nenhum deles. Não há um verdadeiro Dr. Costa.

L’État c’est nous. Constitucional é o que o PS quiser

O grupo parlamentar do PS propôs uma alteração ao regimento da AR para que o seu presidente - aquele senhor a quem não se aplica o segredo de justiça - «se tiver dúvidas de inconstitucionalidade que se lhe afigurem insuscetíveis de expurgo» pode pedir «a emissão de parecer sobre a constitucionalidade da iniciativa».

O pedronunismo na linha da frente da gestão de empresas...

«Os despedimentos não são inevitáveis. O que é inevitável é reduzir os custos com pessoal. Mas há várias formas de o garantir. Precisamos de uma empresa com menos aviões, menos trabalhadores e menos rotas, isso é a verdade», postulou o Dr. Pedro Nuno Santos. Pode parecer à primeira vista um paradoxo não despedir e reduzir o número de trabalhadores, mas não é. Repare-se que com a nacionalização os trabalhadores da TAP passarão a ser funcionários públicos deixando de ser trabalhadores.

... e da investigação da pandemia

No intervalo dos seus estudos de gestão de empresas públicas, o Dr. Pedro Nuno Santos estuda a pandemia e informou a plebe que, ao contrário do que os ignaros imaginavam, o vírus SARS-CoV-2 transmite-se facilmente através de gotículas e aerossóis em espaços fechados e com proximidade com os infectados mas não se transmite quando esses espaços fechados são autocarros, comboios ou metros. Suspeito que seja uma nova aplicação da teoria da relatividade e do contínuo espaço-tempo.

Temos estes princípios. Se não gostarem temos outros

Um Dr. Costa «visita Orbán e defende que Estado de Direito não deve ser critério para fundos europeus». Dias depois, outro Dr. Costa «na reunião de responsáveis pelos Assuntos Europeus de cada um dos 27, Portugal defendeu que a atribuição de fundos esteja condicionada ao cumprimento dos valores consagrados no Tratado». Qual o verdadeiro Dr. Costa? Nenhum. Não há um verdadeiro Dr. Costa.

19/07/2020

O Portugal dos Pequeninos é pequenino, tem gente pequenina que pensa pequenino e jornais pequeninos que dão notícias pequeninas

Vários dos meus amigos criticam o uso recorrente que aqui no (Im)pertinências fazemos da expressão «Portugal dos Pequeninos» que consideram ofensiva e injusta. Tento explicar-lhes, sem sucesso, que a expressão é meramente descritiva. Faço este post como derradeira tentativa de explicação.

Primeira página do Caderno de Economia do Expresso
O Quadro Portugal 2020 é o sucessor do Quadro de Referência Estratégica Nacional (QREN) para apoios estruturais da União Europeia. Leia-se no site Portugal 2020 para se ver a dimensão estratégica e grandiosa da coisa e os «princípios de programação que consagram a política de desenvolvimento económico, social e territorial para promover, em Portugal, entre 2014 e 2020

E chegamos assim à citada primeira página do caderno de Economia do principal semanário do Portugal dos Pequeninos, ilustrada com uma foto em pose de Estado da ministra da Coesão Territorial, acompanhada pela Secretária de Estado da Valorização do Interior a comemorar o primeiro investimento do Portugal 2020 no restaurante Alecrim em Estremoz. Ditosa pátria que tais filhos tem.

Os deputados são assim como Mr Magoo, mas sem desculpas

Deputado à procura de conflitos de interesses

18/07/2020

Portugal dos Pequeninos e os Objectivos de Desenvolvimento Sustentado. Ineficiente, sempre. Ineficaz quando possível

O Sustainable Development Report 2020 sobre os Sustainable Development Goals (SDG) publicado no princípio deste mês pela Universidade de Cambridge, está focado compreensivelmente sobre a Covid-19. O estudo calcula para 166 países dois índices (Covid e Spillover) a partir de indicadores.

O Índice Covid é composto por vários indicadores (mortos por milhão, taxa de efectiva de reprodução, eficiência no controlo da epidemia, etc.). No conjunto dos 33 países da OCDE Portugal situa-se em 25.º, por força especialmente de uma taxa de efectiva de reprodução alta e de uma baixa eficiência no controlo da epidemia.

No Índice Spillover que mede os impactos transfronteiriços gerados por um país que podem comprometer a capacidade para realizar os SDG nos outros países, Portugal situa-se em 139.º em 166 países.

Em conclusão, é o costume.

As manifestações de estupidez e intolerância chegam sempre depressa ao Portugal dos Pequeninos. O resto pode levar mais tempo ou nunca chegar

A história é conhecida. Sessenta e sete funcionários públicos, luminárias do radical chic e de outras correntes da esquerdalhada, áctivistas em serviço em várias universidades e que por isso se consideram académicos, publicaram o abaixo-assinado «Contra a higienização académica do racismo e fascismo do Chega» a propósito de uma entrevista de Riccardo Marchi sobre o seu livro recentemente publicado com o estudo A Nova Direita Anti-Sistema. O Caso do Chega, onde concluiu que este partido não é fascista, nem racista, é simplesmente de extrema-direita, ponto final. No abaixo-assinado as luminárias esquerdistas defendem que o Chega é fascista e racista e que por isso na universidade deles Marchi não teria lugar para investigar nem publicar coisa nenhuma.

Nem de propósito, publiquei ontem um post sobre Munira Mirza, actualmente «o pior pesadelo da esquerda dogmática», que se desvinculou do esquerdismo porque percebeu «muito rapidamente que a principal coisa que a esquerda não era a favor era a liberdade de expressão - que havia uma intolerância em relação a diferentes ideias e opiniões».

Quod est demonstrandum.

17/07/2020

CASE STUDY: Trumpologia (68) - É verdade (embora não pareça) que ele não diz só bullshit e não refere só "alternative facts"

Mais trumpologia.

Por várias vezes, quando cito factos ou emito opiniões que os devotos de Donald Trump não apreciam - por definição um devoto não aprecia nada que diminua o objecto da sua devoção - sou instado a apresentar "provas", na melhor hipótese, ou sou insultado, na hipótese mais provável.

Para meu alívio, a rejeição que DT instila nos lobos límbicos de milhões de criaturas, em particular entre os jornalistas de causas, é tão intensa que se fazem colectânea dos seus dislates, incluindo das suas inverdades, um termo que deveria designar apenas as falsidades involuntárias, mas que os sonsos usam também para designar as mentiras.

É claro que as alegações das falsidades de DT podem também ser falsas, como pode ser o caso de algumas ou muitas das 20.000 alegações do Washington Post de afirmações falsas ou enganosas atribuídas a DT, à insuperável taxa diária de quase 16. Contudo, mesmo que apenas 10% das alegações pudesse ser fundamentada, DT seria provavelmente um dos mentirosos mais bem sucedidos de sempre.

Como quer que seja, assumindo que ainda sobra ao Washington Post alguma coisa dos tempos em que se podia considerar um jornal com preocupações de rigor e objectividade, e como eles se deram ao trabalho de desenvolver uma base de dados com as tais mais de 20 mil afirmações falsas ou enganosas desde o início do mandato, aqui fica um repto aos devotos da criatura para em vez de me pedirem para apresentar provas se dediquem a estudar a BD e denunciar as falsas falsidades do WP e, já agora, em vez de me insultarem, se dediquem a desenvolver uma BD alternativa com as ideias aproveitáveis de DT.

A esquerda não é a favor da liberdade de expressão, disse ela (eu assino por baixo)

«I realised very quickly that the main thing that the left was not in favour of was free speech—that there was an intolerance about different ideas and opinions.»

Explicou Munira Mirza, ex-militante do Revolutionary Communist Party (RCP), um grupúsculo Trotskista semelhante à LCI do camarada professor e conselheiro Louçã, quando abandonou o RCP.

Actualmente participa no Policy Exchange, um think tank de direita, é consultora do governo conservador inglês e é «o pior pesadelo da esquerda dogmática».

16/07/2020

ACREDITE SE QUISER: Nova estrondosa vitória do Dr. Costa no Planeamento Socialista, a caminho da Taça Europeia

Esta já cá canta
Primeiro o Dr. Costa bateu irremediavelmente o seu correlegionário Pedro Sánchez na modalidade do planeamento socialista, ao encomendar o seu plano pluriquinquenal do Estado Sucial lusitano ao Dr. Costa Silva que «em dois dias tinha o essencial do plano pronto» e num mês tinha a obra concluída, à espera do disparo da bazuca de Merkel-von der Leyen.

Do lado espanhol foram precisos «mais de uma centena de especialistas, entre economistas, cientistas e sociólogos» que andam há mais de dois meses a preparar um plano para 30 anos.

Assim, o Dr. Costa, como já tínhamos concluído, venceu a Taça Ibérica do Planeamento Socialista com o score de 3 participantes/dia por cada um dos 10 anos do plano, derrotando o Dr. Sánchez que precisou até agora de 200 participantes/dia e precisará de muitos mais para completar o seu plano de 30 anos. É esmagador, mesmo descontando o calor sufocante de Madrid nesta altura do ano.

Vencida a Taça Ibérica, o Dr. Costa subiu a parada e confrontou-se com Monsieur Macron que nomeou no final de Maio uma comissão para preparar o plano em 7 meses com uma equipa de 26 economistas, incluindo oito americanos, oito europeus não franceses e três prémios Nobel. Parece que o plano é quinquenal pelo que a performance francesa fica-se por 1.092 participantes/dia por ano de plano. É muito fraco, mesmo considerando que M. Macron possivelmente incluiu nos 7 meses uma margem para tropelias dos gilets jaunes durante os trabalhos da comissão. 

Em conclusão, vencida a Taça Ibérica e derrotado M. Macron, o Dr. Costa está bem posicionado para vencer a Taça Europeia do Planeamento Socialista.

15/07/2020

Pesporrência e má educação cá dentro para impressionar os pacóvios e a comentadoria do regime, subserviência e submissão aos "repugnantes" lá fora

«Discurso repugnante» e «mesquinhez» para impressionar os pacóvios e a comentadoria do regime cá dentro.


Subserviência e submissão aos «repugnantes» lá fora.

Linguagem gestual

CAMINHO PARA A SERVIDÃO: Se não funcionou no passado, porque haveria de funcionar desta vez?

Quanto é que Portugal paga e recebe da União Europeia?, Abel Mateus
De 2000 a 2020, Portugal recebeu do orçamento comunitário um valor líquido de 51,8 mil milhões, uma média de 2,5 mil milhões ao ano ou 1,6% do PNB, segundo os cálculos de Abel Mateus. Como nos mostra o gráfico, apesar de Portugal ter recebido proporcionalmente na média dos países de Leste foi o que menos aproveitou os fundos, convergindo em 20 anos para a média da UE apenas cerca de 2%.

E o mais grave é que essa convergência se deu nos primeiros anos do período porque, como nos mostram os dados do Eurostat, entre 2008 e 2019 Portugal divergiu, caindo de 82% da média do PIB per capita em PPC para 79%, ou seja ficou mais pobre em termos relativos.

E porquê? Simplesmente porque os fundos foram usados não para desenvolver o país mas para engordar o aparelho de Estado, financiar elefantes brancos e os empresários amigos do PS (e in illo tempore os amigos do PS-D). Por isso, desiludam-se. Ao andar por aí a vergar a sua flexível coluna e a torcer os seus rins de borracha, o Dr. Costa não está a trabalhar para melhorar a vida dos portugueses. Está a trabalhar para se manter em S. Bento, para o que se torna necessário fazer felizes os apparatchiks socialistas e, vá lá, se isso for possível, a sua freguesia eleitoral.

14/07/2020

O Dr. Costa, que vê o Órban com um Hitler moderno, bem poderia ficar calado, mas a necessidade da bazuca de Merkel e von der Leyen é muito maior do que o seu decoro que é poucochinho


Primeiro-ministro visitou Orbán e concordou que violações de direitos devem ser abordadas como previsto nos tratados e não devem servir para penalizar Hungria na distribuição de fundos europeus.»

Ainda para mais é perfeitamente inútil a manteiga gasta com o Sr. Órban que está na mesma fila do peditório do Dr. Costa e não tem interesse nenhum em partir a caixa das esmolas.

ARTIGO DEFUNTO: Podes sair do Partido Comunista, mas o Partido Comunista não sai de ti

Rita Rato foi nomeada directora do museu do Aljube pela empresa municipal EGEAC da qual depende o museu. É licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais e não tem «formação superior adequada à função (preferencialmente na área de história política e cultural contemporânea); Experiência em funções similares (preferencialmente na área dos museus); Experiência em programação e produção de exposições».

Muita gente, incluindo o (Im)pertinências, suspeitou que uma nomeação de uma pessoa inadequada, por acaso ex-deputada e dirigente comunista, por uma empresa de uma câmara cujo presidente é tido publicamente como o candidato preferido de António Costa à sua sucessão, fosse o pagamento de favores políticos passados ou futuros do PCP ao PS, dos quais a história recente da geringonça nos dá vários exemplos.

Acresce que a inadequação do perfil era ainda mais visível porque sendo um museu de história e documentando a luta pela democracia (e não apenas contra o salazarismo, visto que muito anos antes de Salazar já o Aljube hospedava presos políticos, incluindo durante 1.ª República) a pessoa em causa tinha publicamente declarado nunca ter ouvido falar do Gulag soviético e das prisões políticas na China. Repare-se que não se trata de Rita Rato justificar os crimes dos comunismos soviético e chinês com o bem dos respectivos povos ou da humanidade, o que revelaria imbecilidade ou hipocrisia. Trata-se de ter declarado «não sou capaz de responder porque, em concreto, nunca estudei nem li nada sobre isso», o que revela ignorância histórica.

Face a isto, o que carece de ser explicado é porque foi escolhida uma pessoa inadequada de vários pontos de vista. Pretendendo defender a escolha de Rita Rato, em vez de argumentar porque foi escolhida, Daniel Oliveira, jornalista de causas / militante / comentador / analista,  ex-comunista, ex-Plataforma de Esquerda, ex-Política XXI, ex-bloquista, ex-Livre, ex-Tempo de Avançar, com o saber adquirido em tão longo percurso político e com grande falta de vergonha passa por cima do perfil referido no aviso de recrutamento, inverte pouco subtilmente a questão e derrama em três páginas A4 argumentos para justificar que não havia nenhuma razão para não a escolher pelo facto de ser comunista. É o argumento vitimizante típico de um comunista.

13/07/2020

Manifestações de paranóia/esquizofrenia (34) - O áctivismo anti-rácista é mais infeccioso do que a pandemia


Washington Redskins é uma das mais antigas equipas de futebol profissional americano e chama-se assim desde a sua fundação em 1932. A equipa anunciou hoje que vai mudar o seu nome por pressão dos áctivistas que o consideram rácista. Fico à espera que também mudem os nomes dos Pittsburgh Steelers, Denver Broncos, Tampa Bay Buccaneers ou dos Pittsburgh Steelers, por exemplo.

Mais preocupante do que a paranóia áctivista - afinal sempre houve e haverá paranóicos - é a infecção estar a contaminar criaturas normais (no sentido estatístico) ou a cobardia a fazê-las sucumbir à chantagem de gente que parece uma caricatura saída do Triunfo dos Porcos de Orwell.

Crónica da asfixia da sociedade civil pela Passarola de Costa (41) - Em tempo de vírus (XVIII)

Avarias da geringonça e do país seguidas de asfixias

Cada vez mais entalado entre o desastre anunciado e as disputas para a sua sucessão

Muito provavelmente, o Dr. Costa, como o Eng. Sócrates, só será derrotado pela realidade, com o pequeno inconveniente do peso dessa realidade cair não sobre ele mas sobre os milhões de portugueses que durante os próximos anos pagarão a factura da sua governação, como ainda estão a pagar a dos seus antecessores. Ele dirá que a culpa é da pandemia, como o Eng. Sócrates disse que a culpa era da crise do capitalismo americano.

Porém, no caso do Dr. Costa, há uma novidade em relação ao Eng. Sócrates, a quem ninguém tinha a ousadia de contestar e muito menos de disputar o lugar. Para mal dos seus pecados, e para nosso bem que assim veremos talvez abreviado o seu mandato, o Dr. Costa, além da realidade que conspira para o derrubar, tem ainda o pedronunismo, a facção liderado pelo Dr. Pedro Nuno Santos que aspira a suceder-lhe o mais rapidamente possível e a fazer o PS uma espécie de Berloque de Esquerda tamanho XL.

O Plano pluriquinquenal dos Costas

Poderiam escrever-se páginas de análise do plano que o Dr. Costa Silva apresentou ao Dr. Costa, mas não vale a pena, até porque ele irá em breve para o cemitério dos planos socialistas. Depois de setenta anos de falhanço da economia "planificada" é difícil acreditar que um primeiro-ministro tenha a lata de encomendar a salvação da pátria e uma criatura tenha tido a insensatez de aceitar a incumbência derramando em mais de cem páginas um ror de vacuidades supondo «ser capaz de definir centralmente uma estratégia de recuperação económica para 10 milhões de diferentes projectos de vida com base na omnisciência do seu perfeito e total conhecimento qualitativo e quantitativo das infinitas interacções sociais passadas, presentes e futuras dos indivíduos», como aqui escreveu Telmo Azevedo Fernandes .

Mayday mayday. A queda anunciada sobre os contribuintes da TAP tripulada pelo pedronunismo

O que se vai sabendo sobre as consequências da nacionalização da TAP é cada vez mais inquietante. Tão inquietante que há quem suspeite que até o Dr. Costa e os seus fiéis já o perceberam e recuaram deixando o chefe do pedronunismo sozinho a ser torrado em fogo lento.

Pro memoria

Por falar em nacionalizações, a nacionalização da EFACEC fica a dever-se ao governo do PS que sucedeu ao governo do PS que facilitou a entrada de Isabel dos Santos na empresa.