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19/12/2018

Pro memoria (388) – a nacionalização do BPN não custou nada e o nada vai já em ? mil milhões (XII)

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Em retrospectiva: Teixeira dos Santos, co-autor com José Sócrates do desastre da nacionalização de um banco que valia 2% do mercado, ainda em 2012, decorridos 4 anos da sua decisão fatídica, justificava a inevitabilidade da sua decisão porque não custaria nada e a falência do BNP, segundo ele, levaria à quebra do PIB em 4%.

Recordemos ainda que a nacionalização do BPN foi entusiasticamente apoiada pelo Berloque na pessoa do seu Querido Líder Louçã, agora semi-aposentado, o que não impediu sete anos depois a sua sucessora Querida Líder Catarina Martins dizer com grande descaro que o Novo Banco «é cada vez mais o novo buraco (...) e cada vez lembra mais o BPN».

De vez em quando são tornadas públicas estimativas de quanto já custou e de quanto ainda vai custar a nacionalização do BPN. Nesta altura, estou a imaginar-vos a perguntar: quanto já custou? estimativas? Então as contas não são do passado e as estimativas para futuro? Sim, respondo, num país normal; num país que não sofresse da maldição da tabuada. Em Portugal fazem-se estimativas para o passado e palpites para o futuro.

Voltando à vaca fria, a estimativa mais recente de quanto já foi torrado é da responsabilidade do Tribunal de Contas (no melhor pano cai a pior nódoa) e sendo de 4,1 mil milhões de euros é inferior aos 5 mil milhões da última estimativa que registei há dois anos. O que nos leva a outra originalidade, a saber: em Portugal o futuro pode reduzir os custos do passado. Ou talvez não, porque os números de passado não eram contas, eram estimativas.

Seja como for, os milhares de milhões, que talvez ninguém nunca venha a saber quantos são, não se evaporaram (tese de Marcelo) nem foram «destruídos» pela banca (tese da esquerdalhada). Estes e outros milhares de milhões foram torrados em elefantes brancos públicos e privados do regime, como estes promovidos pelos amigos do regime, e a conta vai sendo apresentada aos sujeitos passivos - quem mais além deles?

1 comentário:

Anónimo disse...

Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma: depósitos de uns que deixaram de existir transformaram-se em riqueza de outros. Pagamento pelo estado desses depósitos desaparecidos ( nacionalização ) foi a transformação do dinheiro de impostos de milhares de contribuintes que, assim, ficaram mais pobres. Transferiu-se riqueza de muitos pobres para um número limitado de novos- ricos. Querem melhor socialismo?