Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos
de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)
20/08/2026
ARTIGO DEFUNTO: Segundo o jornalismo de causas, os salários médios deveriam ser o que o governo quisesse
18/08/2026
ARTIGO DEFUNTO: A "inclinação ideológica e política" das ciências actuariais, da estatística matemática, da econometria, da demografia, da macroeconomia e das finanças públicas
[Este post é uma espécie de continuação de Comparar a beira da estrada com a Estrada da Beira]
Cinco dias antes de ser conhecido o relatório sobre a sustentabilidade do sistema de pensões, o semanário de reverência, no seu papel de órgão oficial do militante socialista anónimo, citava o PS que já classificava o relatório como «enviesado» e se declarava preocupado por o estudo ter sido coordenado por «duas pessoas que têm uma inclinação ideológica e política muito clara».
Fiquei confundido, sem perceber qual seria o papel da inclinação ideológica e política na avaliação da sustentabilidade financeira de um sistema público de pensões. Admiti que essa confusão se devesse a não estar iluminado pela ciência das jornalistas de causas que assinam o artigo (duas economistas portadoras de mestrados pelo ISEG e uma cientista da comunicação da equipa das Redes Sociais e Online). Vergado ao peso dessa ciência, resolvi pedir a um agente de IA para descrever um modelo teórico geral de repartição (Pay-As-You-Go ou PAYG), em que os trabalhadores activos financiam diretamente as pensões dos reformados do mesmo período.
Eis a descrição do modelo que, surpreendentemente, não contém a variável inclinação ideológica e política.
17/07/2026
Mitos (355) - O contrário do dogma do aquecimento global (XXXIV) - O Paradoxo de Crutzen e a Lei de Morton
Em retrospectiva, que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os outros – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja, para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.
Nós aqui fazemos o possível para não ficar entalados entre o ruído da histeria climática que, levada às suas últimas consequências, conclui que o homo sapiens sapiens tem de ser erradicado para salvar o planeta, e o ruído das teorias da conspiração que consideram que o único problema sério com o ambiente é a histeria climática.
10/07/2026
De volta ao patriotismo tudológico a cavalo da ignorância pesporrente
Faz um tempo zurzi o patriotismo tudológico a cavalo da ignorância pesporrente do Dr. Tavares, que então investiu contra «os holandeses, os novos-ricos da Europa, actuando como gauleiters da Alemanha» tentando diminuir a Holanda para enaltecer o Portugal dos Pequeninos. Lembrei-me desse episódio ao cruzar-me com mais um exemplo de realizações notáveis dos holandeses, a acrescentar aos vários que então citei.
Trata-se da ASML, o único fabricante mundial de máquinas de fotolitografia por ultravioleta extremo (EUV) cujos sistemas de precisão permitem produzir em massa os chips mais avançados, indispensáveis para a inteligência artificial, smartphones e data centers. As máquinas da ASML permitem imprimir circuitos com menos de 2 nanómetros (*) de largura para aplicações de IA da próxima geração.
É uma empresa espantosamente bem-sucedida, que em 2025 facturou mais de € 30 mil milhões e prevê facturar € 40 mil milhões este ano com cerca de 42 mil empregados de 140 nacionalidades. É a empresa europeia com maior valor de mercado - quase 700 mil milhões de euros ou mais do dobro do PIB português. É tão inovadora que a administração americana exigiu que, para continuar a operar nos EUA, a ASML não exportasse as suas máquinas para a China porque isso comprometeria a vantagem tecnológica americana, cada vez menor.
24/06/2025
Mitos (351) - O contrário do dogma do aquecimento global (XXXIII) - Pero que las hay, las hay
11/12/2024
CASE STUDY: Um exemplo de pseudociência ao serviço do áctivismo anti-rácista
É um facto há muito conhecido que nos EUA a mortalidade infantil (bebés com menos de um ano) dos bebés negros é dupla dos brancos. Em 2020 um estudo publicado nos Proceedings of the National Academy of Sciences, concluiu que quando os bebés negros eram assistidos por médicos negros a mortalidade infantil diminuía para metade, uma conclusão muito convenientemente alinhada com o zeitgeist da época, ao ponto da Association of American Medical College se referir ao estudo como prova de «para recém-nascidos negros de alto risco, ter um médico negro é equivalente a um medicamento milagroso».
Em Setembro, um outro estudo (Physician–patient racial concordance and newborn mortality) de George J. Borjas e Robert VerBruggen, igualmente publicado nos Proceedings, analisou os mesmos dados do estudo anterior, identificou erros metodológicos e conclui que o peso demasiado baixo no nascimento tinha uma influência decisiva porque os bebé com menos de 1,5 kg representavam metade da mortalidade infantil e quando se considerava o peso não foi encontrada diferença mensurável entre os partos assistidos por médicos negros ou brancos. Na verdade o que se passou foi que os partos prematuros de bebés com peso insuficiente eram sobretudo assistidos por médicos brancos.
A Economist citou ambos os estudos e comentou estas conclusões sublinhando que o propósito principal que deveria ser a prevenção dos partos prematuros foi ignorado no primeiro estudo, estranhando que a questão do peso dos bebés não tenha sido considerada nem abordada no processo de revisão e sugerindo que os investigadores, as instituições e os mídias têm em certos casos duplicidade de critérios e se preocupem mais com a conformidade ideológica com as teses do áctivismo anti-rácista do que com a ciência. That's it.
24/11/2024
Mitos (343) - O contrário do dogma do aquecimento global (XXXII) - Os limites ao crescimento em 1972, segundo o Clube de Roma
A COP29 realizou-se este ano no Azerbaijão, um país onde a produção de petróleo e gás representam metade do PIB cujo presidente de acredita, compreensivelmente, que «o petróleo e o gás são dons de Deus».
Mme Sandrine Dixson-Declève, que falou em representação do Clube de Roma, fez uma intervenção incendiária onde a par das teses catastrofistas habituais do áctivismo ambientalista fez também a habitual ligação estúpida entre a direita e os inimigos do ambiente - «quem vota à direita não acredita em alterações climáticas», assim transformando o problema das mudanças climáticas numa questão partidária, mais até do que política.
| Model Standard Run as shown in The Limits to Growth |
Se olharmos para as teses catastrofistas de Mme Dixson-Declève à luz das previsões catastrofistas do Clube de Roma no seu relatório de 1972 The Limits to Growth (pode ler aqui o texto integral nas suas mais de 200 páginas ou aqui um resumo de 13 páginas) que antevia o esgotamento de todos os principais recursos minerais nalgumas décadas seguida da fome generalizada, poderíamos concluir essas teses não tem qualquer credibilidade e que o Clube de Roma continua a contribuir para transformar uma questão científica numa questão ideológica, prestando um péssimo serviço à causa que se propõe defender.
23/10/2024
Mitos (342) - O conservacionismo e as "espécies invasoras" (2)
Recapitulando, o conservacionismo, como qualquer das outras inúmeras quase-religiões que são os "ismos", alimenta-se de mitos. Muitos deles não resistem ao confronto com a realidade e a uma observação factual e objectiva, não obstante persistem por décadas ou séculos porque dão respostas à necessidade profunda que o homo sapiens tem de confirmar as suas crenças com "factos" cuidadosamente escolhidos com esse propósito.
No post anterior referi o mito ecológico do dano inevitável que as espécies não nativas, geralmente designadas não por acaso como "espécies invasoras", causam às espécies nativas e ao ambiente. Neste post abordo algumas das consequências indesejáveis do isolamento (que, por exemplo, as ilhas proporcionam - um paraíso na terra para o nativismo militante) de que resulta um maior risco de doenças genéticas.
Um exemplo conhecido é o da Gran Canaria cujos habitantes têm uma incidência muito mais elevada do que a média de hipercolesterolemia familiar, de onde o fígado não processa eficazmente o colesterol, de onde resulta uma alta prevalência de diabetes (fonte: Familial hypercholesterolemia in Gran Canaria: Founder mutation effect and high frequency of diabetes).
Recentemente, um estudo do Jim Flett Wilson (JFW) do Instituto Usher da Universidade de Edimburgo (fonte: The Telegraph) examinou informações genéticas de mais de 44.000 pessoas em 20 regiões do Reino Unido e encontrou no País de Gales nove variantes genéticas causadoras de doenças com frequências muito mais altas do que a média. Outras variantes raras também foram mais frequentes em Lancashire, Staffordshire e Nottinghamshire. Em Shetland e Orkney algumas variantes causadoras de doenças eram mais de 100 vezes mais frequentes do que a média britânica. Embora os habitantes das ilhas sejam mais frequentemente suscetíveis a doenças raras pela falta de diversidade genética, foram encontradas situações semelhantes em áreas isoladas do continente.
Segundo JFW isso é consequência de um processo de "deriva genética aleatória" que leva a algumas variantes genéticas se tornarem mais comuns e outras se perderem. «Esse efeito é ampliado em pequenas populações com pouco ou nenhum movimento interno de novas pessoas para reabastecer o pool genético», concluiu JFW.
E pronto, não me parece abusivo inferir que uma comunidade fechada onde prevaleça o nativismo tenda a ter cada vez mais nativistas sofrendo de Transtorno do Desenvolvimento Intelectual.
27/09/2024
Mitos (341) - O contrário do dogma do aquecimento global (XXXI) - Pero que las hay, las hay
Em retrospectiva: que o debate sobre o aquecimento global, principalmente sobre o papel da intervenção humana, é muito mais um debate ideológico do que um debate científico é algo cada vez mais claro. Que nesse debate as posições tendam a extremar-se entre os defensores do aquecimento global como obra humana – normalmente gente de esquerda – e os outros – normalmente gente de direita – existindo muito pouco espaço para dúvida, ou seja para uma abordagem científica, é apenas uma consequência da deslocação da discussão do campo científico, onde predomina a racionalidade, para o campo ideológico e inevitavelmente político, onde predomina a crença.
| [PhanDA designa o método adoptado no estudo para estimar as temperaturas médias globais à superfície durante o éon Farenozóico que abrange a existência de vida na Terra] |
18/09/2024
The Treason of the Intellectuals (5th and last forgotten part)
Continued from (1), (2), (3) and (4)
«The lesson of German history for American academia should by now be clear. In Germany, to use the legalistic language of 2023, “speech crossed into conduct.” The “final solution of the Jewish question” began as speech— to be precise, it began as lectures and monographs and scholarly articles. It began in the songs of student fraternities. With extraordinary speed after 1933, however, it crossed into conduct: first, systematic pseudo-legal discrimination and ultimately, a program of technocratic genocide.
The Holocaust remains an exceptional historical crime—distinct from other acts of organized lethal violence directed against other minorities— precisely because it was perpetrated by a highly sophisticated nation-state that had within its borders the world’s finest universities. That is why American universities cannot regard antisemitism as just another expression of “hate,” no different from, say, Islamophobia—a neologism that should not be mentioned in the same breath. That is why Claudine Gay’s double standards—with their implication that African Americans are somehow more deserving of protection than Jews—are so indefensible.
That is why rational minds recoil from her argument that antisemitism on the Harvard campus is tolerable so long as genocide is not being perpetrated.
Well, the backlash against our contemporary treason of the intellectuals has finally arrived.
Donors such as the chief executive of Apollo, Marc Rowan (a Penn graduate), Pershing Square founder Bill Ackman (Harvard), and Stone Ridge founder Ross Stevens (Penn) have each made clear that their support will no longer be forthcoming for institutions run in this fashion.
On Saturday, Penn president Liz Magill stepped down, along with the chair of the Penn board of trustees, Scott Bok. Perhaps others will follow.
Yet it will take a lot more than a few high-profile resignations to reform the culture of America’s elite universities. It is much too entrenched in multiple departments, all dominated by a tenured faculty, to say nothing of the armies of DEI and Title IX officers who seem, at some colleges, now to outnumber the undergraduates.
In La trahison des clercs, Julien Benda accused the intellectuals of his time of dabbling in “the racial passions, class passions, and national passions. . . owing to which men rise up against other men.” Today’s academic leaders would never recognize themselves as the heirs of those Benda condemned, insisting that they are on the left, whereas Benda’s targets were on the right. And yet, as Victor Klemperer came to understand after 1945, totalitarianism comes in two flavors, though the ingredients are the same.
Only if the once-great American universities can reestablish—throughout their fabric—the separation of Wissenschaft from Politik can they be sure of avoiding the fate of Marburg and Königsberg.»
29/08/2024
The Treason of the Intellectuals (4)
Continued from (1), (2) and (3)
«There is a clear line of continuity from this kind of analysis to the document found at the Schloss Hartheim asylum in 1945, which calculated that by 1951 the economic benefit of killing 70,273 mental patients— assuming an average daily outlay of 3.50 Reichsmarks and a life expectancy of ten years—would be 885,439,800 Reichsmarks. Many historians were little better, churning out tendentious historical justifications for German territorial claims in Eastern Europe that implied massive population displacement, if not genocide.
A critical factor in the decline and fall of the German universities was precisely that so many senior academics were Jews. For some, Hitler’s antisemitism was therefore—not unlike woke intersectionality in our own time—a career opportunity.
For German academics of Jewish heritage, particularly those who had married gentiles and converted to Christianity, it was disorienting. The case of Victor Klemperer, a convert to Christianity married to a gentile, is illustrative. A veteran of World War I, Klemperer was appointed Professor of Romance Languages and Literature at Dresden University of Technology in 1920. “I am nothing but a German or German European,” Klemperer wrote in his diary, one of the most illuminating testaments of the German Jewish nightmare. Throughout the 1930s, he maintained that it was the Nazis who were “un-German.” “I. . . feel shame for Germany,” he wrote after Hitler had come to power. “I have truly always felt German.” Yet the atmosphere at German universities grew steadily more toxic even for the most assimilated of Jews.
In April 1933, under the Law for the Restoration of the Professional Civil Service, all Jewish civil servants, including judges, were removed from office, followed a month later by university lecturers. Klemperer recorded his agonized reaction in his diary:
“March 10, 1933. . . . It is astounding how easily everything collapses. . . wild prohibitions and acts of violence. And with it, on streets and radio, neverending propaganda. On Saturday. . . I heard a part of Hitler’s speech in Königsberg [the East Prussian university at which Immanuel Kant had spent his life]. . . I understood only a few words. But the tone! The unctuous bawling, truly bawling. . . . How long will I retain my professorship? (…)”
Five months later, to add insult to injury, he was barred from the university library reading room “as a non-Aryan.” What followed was a kind of relentless whittling away of his rights as a citizen.
The Nazis’ antisemitism led, of course, to one of the greatest brain drains in history. Over 200 of the country’s 800 Jewish professors departed, of whom twenty were Nobel laureates. Albert Einstein had already left in 1933 in disgust at Nazi attacks on his “Jewish physics.” The exodus quickened after the pogrom known as the Night of Broken Glass in November 1938. The principal beneficiaries of the Jewish brain drain were, of course, the universities of the United States. (…)
Non-Jewish German academia did not just follow Hitler down the path to hell. It led the way. A few examples will suffice. (…)
Anyone who has a naive belief in the power of higher education to instill ethical values has not studied the history of German universities in the Third Reich. A university degree, far from inoculating Germans against Nazism, made them more likely to embrace it. The fall from grace of the German universities was personified by the readiness of Martin Heidegger, the greatest German philosopher of his generation, to jump on the Nazi bandwagon, a swastika pin in his lapel. He was a member of the Nazi Party from 1933 until 1945.
Later, after it was all over, the historian Friedrich Meinecke tried to explain “the German catastrophe” by arguing that excessive technical specialization had caused some educated Germans (not him, needless to say) to lose sight of the humanistic values of Goethe and Schiller. As a result, they had been unable to resist Hitler’s “mass Machiavellianism.” The novelist Thomas Mann—who, unlike Meinecke, chose exile over complicity—was unusual in being able to recognize even at the time that, in “Brother Hitler,” the German educated elite possessed a monstrous younger sibling, whose role was to articulate and authorize their darkest aspirations.»
(To be continued)
23/08/2024
The Treason of the Intellectuals (3)
«A hundred years ago, in the 1920s, by far the best universities in the world were in Germany. By comparison with Heidelberg and Tübingen, Harvard and Yale were gentlemen’s clubs, where students paid more attention to football than to physics. More than a quarter of all the Nobel prizes awarded in the sciences between 1901 and 1940 were awarded to Germans; only 11 percent went to Americans. Albert Einstein reached the pinnacle of his profession not in 1933, when he moved to Princeton, but from 1914 to 1917, when he was appointed professor at the University of Berlin, director of the Kaiser Wilhelm Institute for Physics, and as a member of the Prussian Academy of Sciences. Even the finest scientists produced by Cambridge felt obliged to do a tour of duty in Germany.
Yet the German professoriat had a fatal weakness. For reasons that may be traced back to the foundation of the Bismarckian Reich or perhaps even further into Prussian history, academically educated Germans were unusually ready to prostrate themselves before a charismatic leader, in the belief that only such a leader could preserve the purity of the German nationalist project.
Today’s progressives engage in racism in the name of diversity. The nationalist academics of interwar Germany were at least overt about their desire for homogeneity and exclusion.. (…)
Even a man who considered himself a liberal, as Max Weber surely did, was susceptible to the allure of charismatic leadership when the fledgling democracy seemed so weak. Three years after Weber’s death in 1920, Germany was plunged into disastrous hyperinflation. For many German academics, Hitler’s appointment as chancellor in January 1933 was a moment of national salvation.
“Right down to the last, deepest fiber in myself, I belong to the Führer and his wonderful movement,” wrote the Nazi lawyer Hans Frank in his diary after a concert he had attended with Hitler on February 10, 1937. “We are in truth God’s tool for the annihilation of the bad forces of the earth. We fight in God’s name against Jews and their Bolshevism. God protect us!” Such thoughts helped him and many other lawyers to come to terms with the systematic illegality that characterized the regime from the very outset.
German academics acted as Hitler’s think tank, putting policy flesh on the bones of his racist ideology. As early as 1920, the jurist Karl Binding and the psychiatrist Alfred Hoche published their Permission for the Destruction of Life Unworthy of Life, which sought to extrapolate from the annual cost of maintaining one “idiot” “the massive capital. . . being subtracted from the national product for entirely unproductive purposes.”»
Extract from The Treason of the Intellectuals, Niall Ferguson. The Free Press(To be continued)
17/08/2024
The Treason of the Intellectuals (2)
Continued from (1)
«But the reason Claudine Gay’s carefully phrased answers on Tuesday infuriated her critics is not that they were technically incorrect, but that they were so clearly at odds with her record—specifically her record as dean of the Faculty of Arts and Sciences in the years 2018–2022, when Harvard was sliding to the very bottom of the rankings for free speech at colleges.
The killing of George Floyd happened when Gay was dean. Six days after Floyd’s death, she published a statement on the subject that suggests she felt personally threatened by events in distant Minneapolis. Floyd’s death, she wrote, illustrated “the brutality of racist violence in this country” and gave her an “acute sense of vulnerability.” She was “reminded, again, how even our [i.e., black Americans’] most mundane activities, like running. . . can carry inordinate risk. At a moment when all I want to do is gather my teenage son into my arms, I am painfully aware of how little shelter that provides.” In nothing that Gay said last Tuesday did she seem aware that Jewish students might have felt the same way after October 7.
In a memorandum to faculty on August 20, 2020, she wrote: “The calls for racial justice heard on our streets also echo on our campus, as we reckon with our individual and institutional shortcomings and with our Faculty’s shared responsibility to bring truth to bear on the pernicious effects of structural inequality.” Gay continued: “This moment offers a profound opportunity for institutional change that should not and cannot be squandered. . . . I write today to share my personal commitment to this transformational project and the first steps the FAS will take to advance this important agenda in the coming year.”
As the great German sociologist Max Weber rightly argued in his 1917 essay on “Science as a Vocation,” political activism should not be permissible in a lecture hall “because the prophet and the demagogue do not belong on the academic platform.” This was also the argument of the University of Chicago’s 1967 Kalven Report that universities must “maintain an independence from political fashions, passions, and pressures.”
This separation between scholarship and politics has been entirely disregarded at the major American universities in recent years. Instead, our most elite schools have embraced the kind of “institutional change” that Gay has championed. Look where it has led us.
It might be thought extraordinary that the most prestigious universities in the world should have been infected so rapidly with a politics imbued with antisemitism. Yet exactly the same thing has happened before.»
11/08/2024
The Treason of the Intellectuals (1)
«Anyone who has a naive belief in the power of higher education to instill morality has not studied the history of German universities in the Third Reich.
In 1927 the French philosopher Julien Benda published La trahison des clercs - “The Treason of the Intellectuals”—which condemned the descent of European intellectuals into extreme nationalism and racism. By that point, although Benito Mussolini had been in power in Italy for five years, Adolf Hitler was still six years away from power in Germany and 13 years away from victory over France. But already Benda could see the pernicious role that many European academics were playing in politics.
Those who were meant to pursue the life of the mind, he wrote, had ushered in “the age of the intellectual organization of political hatreds.” And those hatreds were already moving from the realm of the ideas into the realm of violence—with results that would be catastrophic for all of Europe.
A century later, American academia has gone in the opposite political direction—leftward instead of rightward—but has ended up in much the same place. The question is whether we—unlike the Germans—can do something about it.
For nearly ten years, rather like Benda, I have marveled at the treason of my fellow intellectuals. I have also witnessed the willingness of trustees, donors, and alumni to tolerate the politicization of American universities by an illiberal coalition of “woke” progressives, adherents of “critical race theory,” and apologists for Islamist extremism.
Throughout that period, friends assured me that I was exaggerating. Who could possibly object to more diversity, equity, and inclusion on campus? In any case, weren’t American universities always left-leaning? Were my concerns perhaps just another sign that I was the kind of conservative who had no real future in the academy?
Such arguments fell apart after October 7, as the response of “radical” students and professors to the Hamas atrocities against Israel revealed the realities of contemporary campus life. That hostility to Israeli policy in Gaza regularly slides into antisemitism is now impossible to deny. (…)
Testifying before the House Committee on Education and the Workforce last week, Harvard President Claudine Gay, MIT President Sally Kornbluth, and University of Pennsylvania President Elizabeth Magill showed that they had been well-briefed by the lawyers their universities retain for such occasions.
They gave technically correct explanations of how First Amendment rules apply on their campuses—if they did apply. Yes, context matters. If all students did was chant “From the river to the sea,” that speech is protected, so long as there was no threat of violence or “discriminatory harassment.”»
Extract from The Treason of the Intellectuals, Niall Ferguson. The Free Press
(To be continued)
02/08/2024
Mitos (338) - O contrário do dogma do aquecimento global (XXX) - Os factos brutos são o que são
20/07/2024
Consequências imprevistas das boas intenções de que o inferno está cheio ou não há almoços grátis
A partir do próximo ano entrará em vigor na UE uma regulamentação que obrigará os importadores de cacau, café, borracha, soja, óleo de palma, madeira ou produtos de gado a provar que esses produtos não têm origem em terras que foram desflorestadas depois de 2020. Um importador incumpridor terá uma multa que pode ir até 4% do seu volume de negócios na UE. Para cumprir essa regulamentação milhões de pequenas fazendas terão de ser geolocalizadas e as cadeias de fornecimento terão ser ser adaptadas desde a América Latina à Ásia, passando por África onde isso será especialmente difícil de realizar. Tudo indica que não haverá tempo até ao fim do ano, o que terá um impacto profundo sobre os pequenos produtores e as economias dos países para quem as exportações desses produtos são vitais. (fonte)
Para fabricar um veículo de combustíveis fósseis são precisos 30 kg de cobre e peróxido de manganês. Para fabricar um veículo elétrico são necessários 200 kg de minérios raros, incluindo grafite e cobre. Só a quantidade de sílica para fabricar painéis solares é maior por unidade de energia do que todos os minérios necessários para produzir energia usando carvão. A maior parte dos minerais necessários para os equipamentos de produção de energias renováveis não se encontra na UE nem nos EUA e concentra-se em países como a República Democrática do Congo (70% da produção de cobalto), Brasil (90% do nióbio) ou a China (80% ou mais do gálio, germânio, volfrâmio, telúrio e bismuto), China que controla uma parte significativa da indústria mineira africana. E quando esses minerais se encontram na UE a sua extracção está sujeita a tantas restrições que são necessários anos para abrir novas minas. Estamos a trocar a dependência da Rússia, Arábia Saudita e de outros produtores de petróleo, na sua maioria Estados autocráticos, pela dependência dos minerais necessários à "economia verde" existentes em outros ou nos mesmos Estados autocráticos. (fonte)
Estes são dois exemplos das consequências imprevistas e indesejadas de políticas e medidas inspiradas pelas boas intenções (algumas delas eventualmente incontornáveis a longo prazo) que são adoptadas com base no lunatismo e no pensamento milagroso do qual podem resultar consequências evitáveis e o agravamento das inevitáveis, ignorando o trade-off entre medidas alternativas e prioridades.
17/05/2024
Ciência no Novo Império do Meio. O caso da covid-19
«Com o surgimento da covid-19 há mais de quatro anos na cidade central de Wuhan, o Partido Comunista tornou a vida miserável para aqueles que buscam estudar a doença e compartilhar suas descobertas com o mundo. Veja Zhang Yongzhen, virologista chinês cuja equipa sequenciou o genoma do vírus que causa a covid no início de 2020. Dias depois, ele concedeu permissão para que um cientista britânico publicasse o trabalho inovador. Isso permitiu que o mundo preparasse testes de covid e começasse a desenvolver vacinas. Mas para os funcionários do partido, empenhados em desviar a culpa por seus erros na gestão do surto, foi uma traição. O laboratório de Zhang foi investigado por irregularidades.
Hoje, a China continua mal preparada para um surto semelhante ao da covid – e o partido continua a atormentar cientistas cujo trabalho pode expor suas deficiências. No final de abril, Zhang foi informado de que seu laboratório em Xangai, que examinava as origens da covid, seria fechado. Em uma publicação no Weibo, uma plataforma de mídia social chinesa, ele disse que foi impedido por guardas de entrar no estabelecimento. Assim, em 28 de abril, ele e alguns colegas iniciaram um protesto na porta do laboratório. "Não vou sair nem desistir", escreveu. "Estou buscando a ciência e a verdade!" Fotos que circulam online parecem mostrar Zhang sentado desafiadoramente em uma cadeira de vime ou dormindo no chão do lado de fora do laboratório, enquanto os guardas o vigiam ao fundo.
Zhang é um dos muitos cientistas chineses que colocaram suas carreiras em risco ao buscar respostas sobre a natureza da covid e sua disseminação. Depois de sequenciar o genoma, ele alertou as autoridades chinesas sobre a gravidade da doença. Seu laboratório foi rapidamente ordenado a fechar temporariamente para "retificação". Mas levaria duas semanas até que o governo confirmasse que a transmissão entre humanos estava ocorrendo.
Os líderes da China trabalharam incansavelmente para evitar a culpa pela pandemia. Eles detiveram e puniram denunciantes, promoveram uma teoria da conspiração de que os EUA eram a fonte do vírus e bloquearam os esforços globais para estudar de onde ele veio. Ao mesmo tempo, afirmam ter feito um alerta oportuno ao mundo sobre os perigos da covid, ao mesmo tempo em que apresentam a China como um modelo de controle de doenças infecciosas.
O caso do Dr. Zhang desmente essas bazófias. As autoridades de saúde de Xangai afirmam que seu laboratório está sendo reformado e que sua equipe recebeu outro espaço. Sua postagem original nas redes sociais foi apagada. Um deles, em 1º de maio, afirmou que havia chegado a um acordo para continuar seu trabalho e que os funcionários poderiam ter acesso livre, mas temporário, ao laboratório. Sua determinação é admirável. Mas parece improvável que ele ou qualquer outro cientista que opere na China tenha permissão para descobrir e compartilhar novas verdades sobre as origens da covid.»
(The Chinese scientist who sequenced covid is barred from his lab)
01/05/2024
O preconceito pode fazer parecer estúpido quem pode ser inteligente. A economia de causas
Outros exemplos de pessoas inteligentes que o preconceito fez passar por estúpidas.
Era uma vez a professora de Economia Susana Peralta, geralmente identificada com a esquerdalhada (1), que escreveu no Avante! da Sonae o artigo «Quando Portugal era mesmo pobre» onde, num exercício muito comum entre os praticantes da sua disciplina, se aplicou a distorcer a história usando a economia de causas, especialidade da ciência de causas, ignorando os dados disponíveis que contrariam a sua tese que consistia em tentar demonstrar que o Estado Novo, além de ser uma ditadura, foi uma fábrica de pobres mais produtiva do que o regime actual.
Para demonstrar a sua tese de que o Portugal dos finais do Estado Novo era «mesmo pobre», a Dr.ª Peralta usou o melhor da sua ciência económica a qual, contudo, não convenceu Henrique Pereira dos Santos que, como arquitecto paisagista especialista em conservação da Natureza, não tinha obrigação nenhuma de desmontar a tese da professora de economia como o fez fundamentadamente em três acutilantes posts (2) que a mim, economista por acidente, me pareceram irrefutáveis.
No lugar da Dr.ª Peralta, se fosse professor de economia, pediria transferência para o departamento de Economia mediática.
_______________
(1) Escreve regularmente no Esquerda Net o que a indicia como pertencente à mesma escola de pensamento do tele-evangelista professor Louçã e da Dr.ª Mortágua.
(2) "Concordo com o viva o 25 de Abril...", "Como é possível, Susana?", "E por último"
07/04/2024
O preconceito pode fazer parecer estúpido quem pode ser inteligente. Um exemplo mais recente
Este post poderia ser uma sequela deste outro, em que recordei ter investido em tempos contra as fantasias a respeito dos Países Baixos do Dr. Miguel Sousa Tavares (MST), uma pessoa certamente culta e inteligente (sem ironia) e, apesar disso, com imensa dificuldade de lidar com os factos quando estes não confirmam o seu pré-conceito.
Os Países Baixos parecem despertar o desprezo de MST pelo mercantilismo e a NATO, outro objecto do seu desprezo recorrente, por razões que me escapam e que podem muito bem ser o contraponto à sua incontida veneração por todas as Rússias e uma mal disfarçada admiração pelo seu actual Czar. E foi, uma vez mais, esta sua inclinação a explicação para ter voltado pela enésima vez a escrever na sua crónica semanal no Expresso:
«A União Soviética e o Pacto de Varsóvia foram extintos em 1991, mas, ao invés, a NATO, longe de ser extinta, foi-se expandindo sucessivamente em seis momentos culminantes: em 1999, 2004, 2009, 2017, 2020 e 2023/24, com o alargamento à Finlândia e à Suécia. E sempre para onde? Sempre em direcção às fronteiras russas, onde hoje ocupa uns largos milhares de quilómetros contíguos a mais.»
Esta declaração leva-me a evocar o Visconde de Chateaubriand, a quem já atribuí inúmeras vezes algo que ele pode nunca ter dito ou escrito e a remeter para o post «Tal como a Divina Providência fez passar os rios através das cidades, assim as agressões da Rússia aos países vizinhos se seguem às adesões à Nato» e a sequência de factos históricos nele citados.
15/03/2024
A ciência de causas ambientalistas e os montados
Acendeu-se-me o desconfiómetro no hipocampo por que algures no córtex ou no subcórtex algo me dizia que os montados de sobreiros e azinheiras não estavam ameaçados e, a ser assim, esta coisa de exigir garantias bancárias e o triplo da área de compensação seria um completo absurdo. Como a minha ciência neste domínio é praticamente inexistente e me lembrava vagamente de ter lido algo sobre este tema, fui procurar.
Fui procurar e encontrei o post Factos e mitos sobre florestas em Portugal de Henrique Pereira dos Santos, que sabe certamente mais do tema a dormir do que este vosso escriba acordado, post para o qual remeto e do qual extraí o gráfico acima que, só por si, ilustra o estado em que se encontra a ciência de causas ambientalistas aninhada no colo do governo socialista e, suspeito, no colo dos governos do PS-D.