[Este post é uma espécie de continuação de Comparar a beira da estrada com a Estrada da Beira e de A "inclinação ideológica e política" das ciências actuariais, da estatística matemática, da econometria, da demografia, da macroeconomia e das finanças públicas ]
Poderia apresentar como desculpa para as suas obtusidades o suposto nobre propósito de desmontar as patetices chico-espertas do Dr. Castro Almeida nas jornadas parlamentares do PSD e do Dr. Montenegro na missa do Pontal que atribuíram ao governo a subida de 5,1% em 12 meses do salário médio, subida que, diria M de La Palice, resultou da média dos salários que as empresas tiveram de pagar para ter a mão-de-obra que precisaram num mercado de trabalho que é actualmente um sellers' market, com a particularidade que os salários, ao contrário dos outros preços, não podem descer.
Poderia apresentar essa desculpa e poderia também ter percebido: (1) o governo tem menos influência no salário médio do que na construção do aeroporto Luís de Camões (60 anos) ou na inauguração do novo hospital de Lisboa (23 anos) e (2) um aumento real de 1,8% do salário médio é ainda assim notável quando (a) a produtividade do trabalho se manteve e (b) o aumento da população activa se fez sobretudo nas profissões menos qualificadas e com menores salários.